Correio de Coimbra

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14 de novembro de 2008

Encontro das Equipas da Pastoral Familiar da Região Pastoral Centro

No próximo dia 26 de Novembro, pelas 21 horas e 15 minutos, no Instituto Universitário Justiça e Paz (Couraça de Lisboa, em Coimbra), o Secretariado Diocesano da Pastoral Familiar vai promover um encontro de Equipas Paroquiais da Família da Região Pastoral Centro, tendo em vista o acompanhamento das suas actividades. Relativamente ao Projecto “Família jovem”, pretende-se fazer a avaliação dos 2º e 3º níveis, ou seja, o acompanhamento personalizado a casais que pedem o Baptismo para os filhos e aos que matriculam pela primeira vez os filhos na catequese. Cada paróquia dever-se-á representar com pelo menos um casal e, se possível, o pároco.

A verdadeira vida da Rainha Santa foi ocultada ao longo da história



- adverte a historiadora Virgínia Veiga


A estudiosa da vida de Isabel de Aragão, Virgínia Veiga, acredita que “ao longo da história muita gente ocultou a verdadeira vida da Rainha Santa Isabel”. Numa tertúlia organizada pela A ALTERNATIVA – Associação Cultural, que teve lugar no passado dia 11 de Novembro na Galeria Santa Clara, Virgínia Veiga começou por referir que há livros que “reúnem informação completamente falsa em relação à personalidade da Rainha Santa Isabel, nomeadamente na altura do casamento”. “Não há intenção nenhuma de Isabel de Aragão se dedicar à religião. Começa mal a história e monta-se logo à nascença uma vontade de professar, quando ela nunca quis professar, nem em pequena, nem em adulta”, explicou.
A estudiosa consultou um leque alargado de manuais, uns com séculos, outros de historiadores recentes. “Num dos livros desapareceram oito páginas, numa altura em que se fala da personalidade de D. Dinis e ia saltar-se para a personalidade de Isabel de Aragão”, explicou. Para a investigadora o conteúdo das páginas em falta traria novidades importantes. “Poderia estar escrito que ela teve os seus próprios cultos, que seguiu o franciscanismo espiritual (a versão mais desprendida de bens materiais) e o culto do Espírito Santo, que defende uma idade sem Igrejas”, sintetizou. Virgínia Veiga recordou que os dois cultos “eram ofensivos para a Igreja” e possivelmente por isso “tiveram que passar três séculos para Isabel ser canonizada”.O contexto familiar da Rainha Santa não foi esquecido por Virgínia Veiga, que recordou que “a própria mãe de Isabel de Aragão foi ex-comungada”. A investigadora incentivou os historiadores a dedicarem-se mais a estudar as pessoas que lidaram de perto com Isabel de Aragão e que terão influenciado ou sido influenciadas pela rainha. “Por exemplo, ela não chora coisíssima nenhuma que o marido tivesse filhos fora do casamento. Ela moldou os filhos dele, educou-os, e levou o seu casamento até ao fim. Não percebo porque inventam”, adiantou.
A estudiosa recordou que o famoso milagre das rosas “só aparece escrito depois da morte de Isabel de Aragão”, podendo ter adquirido um peso “simbólico”. No entanto, os dados avançados durante a intervenção “Considerações sobre o lado oculto de Isabel de Aragão, a Rainha Santa”, “não colocam em causa a santidade da Rainha”. “Ela foi canonizada pela Igreja Católica, logo é Rainha Santa. Mas para mim tornou-se Santa porque tinha qualidades enormes de bondade em relação a outras pessoas. Foi uma grande mulher que trabalhou para a pacificação da Península Ibérica”, acrescentou.
A responsável recordou ainda que está prevista a reabertura ao público do Convento de Santa Clara-a-Velha no dia 12 de Dezembro. “O túmulo de pedra é o primeiro daquele género e, dela, é o que deveria estar mais visível a todos os portugueses e ao mundo. Não deveria estar fechado e praticamente inacessível”, concluiu.

O sonho americano



Miguel Cotrim


1. O sonho de Martin Luter King cumpriu-se. Barack Obama foi eleito o 44.º Presidente dos EUA.
A partir de 20 de Janeiro de 2009, a Casa Branca vai receber, pela primeira vez na história, um afro-americano. É um sonho para Obama sobretudo pela recordação dos sacrifícios daqueles que o antecederam, pela emoção de chegar onde mais nenhum outro afro-americano chegara. É também um sonho para tantos outros afro-americanos e emigrantes que trabalham arduamente para o progresso de uma nação.
Quando lançou a sua candidatura à Presidência dos EUA, em Janeiro de 2007, Obama estava muito longe de gerar consensos que o catapultaram para a condição de um herói amercicano.
Barack Hussein Obama impôs uma nova forma de fazer política à escala mundial. Em poucos meses conseguiu congregar, à sua volta o maior movimento de cidadãos na história da política americana. Um milhão e meio de voluntários trabalharam para a vitória de Obama, distribuindo panfletos nas ruas, pregando a mensagem do candidato porta a porta e multiplicando mensagens na Internet.
O que motivou tantos jovens, que nunca antes se tinham interessados pela política, e tantos idosos, que há muito se tinham afastado deste cenário, a participarem activamente nesta campanha?
Obama personifica o sonho americano, lembrando que, nos momentos mais difíceis, como o qual estamos a atravessar, unidos, podemos superar os obstáculos. Esta é a maior riqueza da humanidade – não olhando a credos, raças ou condição social – é possível, unirmos por uma causa.
O homem que, nascido no Havai, no seio de uma família humilde, filho de um negro queniano e de uma branca do Kansas, conseguiu estudar direito em Harvard e chegar ao Senado.
Ele acredita numa nova América. Acredita que com esforço, dedicação e trabalho, tudo é possível. O seu carisma e o seu dom da oratória conquistaram os corações dos americanos e do mundo. O slogan escolhido «Yes, we can» («Sim, nós podemos») passou a estar presente constantemente nas suas propostas.
O homem que prometeu mudar a América e o mundo, tem agora grandes desafios pela frente – crise económica à escala mundial; criar um sistema de saúde acessível a todos os americanos; financiar os estudos universitários dos mais pobres; reduzir os impostos da classe média, etc.
Quando tomar posse a 20 de Janeiro de 2009, a poucas centenas do Memorial em honra do Presidente Abraham Lincoln, o mesmo local onde Luther King proferiu o discurso «I have a dream», Barack Obama iniciará uma nova fase da sua vida. Conseguirá honrar as suas promessas de campanha? Esperemos que sim.
Por cá, não teremos essa sorte. No próximo ano iremos viver três campanhas (Legislativas, Autárquicas e Europeias), e ao que parece teremos os mesmos candidatos de sempre. Protagonistas enfadonhos, arrogantes e mentirosos não convencerão o eleitorado a ir às urnas. Há uma grande insatisfação no seio da sociedade em geral. A desculpa não é só da crise económica. As políticas têm que ser acertadas e essencialmente viradas para as pessoas. Muitas estão viradas para o umbigo de cada um. Para muitos, é uma opotunidade para tirar o maior proveito do cargo que se exerce. Basta acompanhar por exemplo, aqui no burgo, as reuniões de câmara. Tanto o executivo como a própria oposição já cheiram a mofo. Enquanto não surgir uma nova "primavera" não surgirá a esperança que alimenta as pessoas na dedicação às comunidades…
Onde estará o nosso Obama?
2. Afinal, não são só, os partidos a queixarem-se da falta de participação civil na política. A Igreja também sofre desse mal. Em Coimbra, como em qualquer outra diocese da Europa, os católicos deixaram de praticar e de se interessar pelas actividades da Igreja. A assembleia diocesana realizada no passado dia 8 de Novembro no Seminário Maior de Coimbra registou apenas 20 presenças… Subtraindo os padres e os seminaristas presentes, a assembleia teve apenas 10 leigos… O que vale fazer festivais de música religiosa ou festas das famílias, quando nos momentos mais sérios e íntimos da Igreja não se consegue congregar os cristãos de uma cidade… Convinha interrogar-mos seriamente sobre isto!

Bissaya Barreto homenageado

Por Teresa Martins

Na Casa-Museu Bissaya Barreto (antiga residência do professor), comemoraram-se festivamente os 122 anos do nascimento deste notável cirurgião e político, nascido em Castanheira de Pêra no ano de 1886 e falecido em Lisboa a 16/09/1974. Das comemorações constou uma justíssima homenagem prestada através dos pequeninos, em que uma criança do Colégio que o tem como patrono, muito bem fantasiada de "velhinha contadora de histórias", contava, em verso, aos companheiros, a história da vida e obra do seu patrocinador. Muito interessante e muito oportuno, porque Bissaya Barreto teve um carinho especial por eles e, principalmente, pelos mais desfavorecidos. Coimbra deve-lhe muito. Além de outras Instituições para acompanhamento e benefícios das crianças de tenra idade, foi também ele o fundador do "Ninho dos Pequenitos" (Portugal dos Pequeninos), anexando ao "Ninho", um modelar Parque Infantil, diz-nos a sua honrosa biografia. Bissaya Barreto foi uma figura ímpar, homem de uma visão e empenhamento verdadeiramente extraordinários. Grande impulsionador da assistência aos tuberculosos (flagelo da época) e à sua acção, se ficaram devendo os Sanatórios da Quinta dos Vales (Covões), para homens, e de Celas, para mulheres. Foi também um notável Membro da Assistência Nacional aos Tuberculosos. Em 1972, este ilustre Professor pertenceu ao Conselho de Administração do «Hospital-Colónia Rovisco Pais, tendo sido «galardoado com a Grã-Cruz de Benemerência em 1956, e da Ordem Militar de Cristo em 1963».
Encontrando-me eu a reflectir em tudo isto, e principalmente no grande mérito que é devido a quem tem capacidades e as coloca ao serviço de causas tão nobres, sem olhar a sacrifícios e dando-se sem limites, dei comigo a recordar a parábola dos talentos (Mateus 25, 14)!… «A um deu cinco talentos, a outro dois e a outro um, a cada qual conforme a sua capacidade». Mas a parábola diz que, no regresso, o patrão premiou os dois primeiros, porque fizeram duplicar os talentos («muito bem, servo bom e fiel, foste fiel em coisas de pouca monta, muito te confiarei. Entra no gozo do teu Senhor») e condenou o terceiro porque, além de fazer um buraco na terra e lá esconder o dinheiro, para não ter trabalho, ainda se defendeu com desculpas indelicadas («Senhor, sempre te conheci como homem duro, que ceifas onde não semeaste e recolhes onde não espalhaste. Por isso, com medo, fui esconder o teu talento na terra…). Contrariou o desejo do Senhor, por isso Ele o repreende, castigando-o severamente: «A esse servo inútil lançai-o nas trevas exteriores; ali haverá choro e ranger de dentes…»
Fica claro que a preguiça, o comodismo e o "deixa correr" são condenáveis. Pelo contrário, o dinamismo e o fazer render as capacidades que lhe foram confiadas é atitude louvável e, disso, receberão recompensa valiosa: «Entra no gozo do teu Senhor…»
Pôr a render os dons com que Deus dotou cada criatura é um dever
de gratidão!…

“Saber envelhecer é uma arte”



Adriano Santo



Este pensamento tem sido apresentado em vários encontros e actividades de formação das instituições de apoio aos idosos como sua ideia – força.
Sim: "Saber envelhecer é uma verdadeira arte" para que o caminho, rumo ao final da vida, se torne mais humano e mais feliz e jamais um pesadelo triste.
Para isso há que lutar, não se deixando cair no desalento ou no pessimismo doentio, devendo enfrentar-se com coragem e fé, enfrentando as sequelas da idade e as circunstâncias que limitam a vida de cada dia. Há que, afinal, cultivar a todo o custo os meios que levem a uma autêntica alegria de viver.
A propósito a revista "Notícias Magazine" do "Diário de Notícias" publicou recentemente um curioso artigo sobre este tema. Dele permiti-nos transcrever os seus subtítulos que ajudam a um belo programa de saúde para os idosos. Eis: "Goste mais de si", "tenha hábitos saudáveis", "vá a pé", "tome dez copos de água por dia", "não fume", "aprenda a respirar", "domine a ansiedade", "procure conviver", "cultive e viva a sua fé", "cuide da sua saúde", "enfrente a vida com optimismo".
Martin Descalzo, um extraordinário comunicador da T.V. espanhola, falecido há pouco, escreveu no seu belo livro "Razões para Viver" que "a solidão é um dos maiores motivos de sofrimento dos idosos", exclamando: "que solidão mais profunda existe do que a das pessoas que já perderam as suas esperanças, as suas ilusões, a sua liberdade, e acabam até por esquecer o rosto dos seus filhos e netos, que aparecem uma ou duas vezes por ano, talvez no dia do seu aniversário e véspera de Natal?"
É aqui que está um dos maiores problemas do idoso. Por isso é importante saber rodear-se de meios que vençam tal solidão e um certo sentido de optimismo, animado pela fé com os meios possíveis para alimentar uma necessária auto-estima.
A propósito não resisto citar um testemunho rico escrito por um tal "J.F.", que diz assim: "Quando eu envelhecer, não quero ser um desses velhos rabugentos, sempre prontos a resmungar, insuportáveis.
Quero continuar a sorrir e a rir-me, mesmo que mostre dentes artificiais. Desejo manter o sentido do humor e saberei servir-me das minhas limitações para gracejar. Já que pouco poderei dar aos outros, oferecer-lhes-ei um pouco de alegria.
Quero também continuar a amar, pois para isso tenho no meu peito um coração de carne. Não me fecharei numa concha nem dentro de quatro paredes. Terei um coração aberto a todos os que me rodeiam e uma mão sempre disponível para apertar outras mãos...quero ser uma pessoa que recorda o passado com suas alegrias e tristezas, sabendo apreciar o momento presente e compreender as crianças e os jovens. Não me quero esquecer da minha juventude e alegrar-me-ei. Desejo que a minha última estação seja bela. Seja ela uma preparação para a minha eterna Primavera na festa de Deus".
Belos propósitos, sem dúvida, apresenta este testemunho.
Cultivar esta "Arte do envelhecer" há-de conseguir-se quando cada um der maior atenção e disciplina a si próprio, com o seu querer e a vivência de um ideal superior.
Tudo o que este caminho envolve realizar-se-á quando encarado como um dever. Dever – sim! Pois há que preservar a vida e a sua qualidade, como dons preciosos que estão para além de tudo.

12 de novembro de 2008

Inventariação da Paróquia de Sebal


José Eduardo R. Coutinho

Entenderam os reverendíssimos padres do arciprestado de Condeixa proceder ao registo de todos os bens, móveis e imóveis, das paróquias que pastoreiam, a fim de cada comunidade local ter salvaguardado e protegido o vário património que lhe pertence.
O facto, que constitui uma louvável acção pastoral, fundamentada in re, concretiza medidas nem sempre tidas na devida conta, porém, são a imprescindível base de partida para a justa encarnação da fé, nas dimensões historicamente situadas.
A tarefa começou em Sebal e, apesar de já contar algum anterior levantamento, elementar e parcial, ficou completada, no passado dia 11, deste mês, com um total de 101 novas fichas, referentes à igreja matriz e às capelas, todas integrando a componente descritiva e a fotográfica.
Pela primeira vez, houve um activo acompanhamento, no decurso destas acções, principalmente personalizado no senhor Prior, o Padre Vítor Manuel Cecílio Abrantes, bem como nos Padres Idalino Simões e Amílcar dos Santos Neves.
Investigando as remotas alusões documentais, que mencionem a localidade, elas datam de 22 de Fevereiro de 1149, através da relação dos bens que couberam, em sorte, ao Bispo Dom João Anaia, pela divisão da herança paterna, com o irmão, Martinho Anaia (Livro Preto, doc.4).
Então designada Senabal, a grafia mostra variantes, um tanto complexas, nos diplomas dos séculos XII e XIII, como sejam: Sinapalis e Sinapale; e Sinepalo, na relação das igrejas do Reino, de 1321, ao tempo já dedicada a São Pedro e taxada em 250 libras.
Desde que ficara na posse da Mitra e do Cabido, foi sendo enriquecida com significativas doações, algumas ainda conhecidas, enquanto outras resultaram de melhoramentos efectuados na igreja matriz, por mercê de famílias titulares, moradoras no povoado e responsáveis pelos diversos arranjos estéticos, que complementam a valorização arquitectónica do edifício, mandado erguer pelos Capitulares de Coimbra.
No âmbito da escultura, sobressaem imagens dos séculos XIV a XVIII, com o predomínio das obras em calcário, provindas das oficinas sediadas na cidade do Mondego e, maioritariamente, representadas pela produção renascentista.
Também as dotações em prata trabalhada, da centúria de Seiscentos, realçam um tempo de largo enriquecimento e ostentação do culto, quando as confrarias assumiam preponderância na celebração dos mistérios da fé e da salvação, e, publicamente, prestigiavam a honra da instituição fraterna, mediante o desvelo deposto na generalizada prática das obras de misericórdia.
Com o século XVIII, novas acentuações chegaram, como testemunham as lâmpadas de latão, as banquetas de castiçais, de estanho, e a urna eucarística, recentemente alienadas, na totalidade, mas, de cuja memória subsistem as provas, devidas ao trabalho há poucos anos efectuado.
Um outro fundo, bastante interessante e raro, nestes meios, é o vasto acervo de livro antigo, constituído por diferentes títulos de teologia moral, parenética, história da Igreja, latinidade, dogmática, hagiografia, ciências matemáticas e comentários bíblicos, a deixarem perceber a vastidão dos horizontes culturais de quem manteve preocupações assim evidenciadas, em numerosas publicações do século XVII e XVIII, frequentemente assinadas, através dos pertences, manuscritos e indicativos do delicado esmero gráfico, com que foram autografadas e deixadas à posteridade.

DEMOCRACIA E CRISTIANISMO


O que é o CADC?


João Caetano*

É com muito gosto que inicio hoje, na minha qualidade de presidente da Direcção do CADC (Centro Académico de Democracia Cristã), uma colaboração, que espero que venha a ser muito frutuosa, no Correio de Coimbra. Na verdade, não serei só eu a escrever, mas várias pessoas. Nunca o CADC foi de uma só pessoa, nem ninguém o criou seu e só seu. O CADC é, como sempre foi, uma associação de estudantes, professores e investigadores católicos que sabem pensar pela sua cabeça e, sempre que necessário, sabem ser corajosos no espaço público, sem prejuízo da sua fidelidade à Igreja.
O Correio de Coimbra está íntima e visivelmente ligado à história do CADC. Poderia dar muitos exemplos, e exemplos visíveis, da nossa presença no Correio de Coimbra. Mas hoje vou dar só um exemplo. Aqui escreveu o P. Urbano Duarte, que eu ainda conheci e que foi, durante vários anos, assistente eclesiástico do CADC. Teve ele uma coluna famosa no Correio de Coimbra, que se intitulava "Sintomas". Ora muitas contradições do nosso tempo são sintomas. O que significa, por exemplo, a discussão em torno da proibição dos crucifixos nas escolas? Não é estranho que muitas escolas católicas, apenas porque são boas escolas, e apesar de terem crucifixos, sejam procuradas por pais que combatem a presença da Igreja no espaço público? Por que será que as escolas públicas não podem ter crucifixos? Será que é porque infelizmente são menos seguras e se destinam, crescentemente, aos filhos das famílias menos afortunadas? Será que essas pessoas não sabem pensar pela sua cabeça? O Estado deve ser laico, mas a sociedade não é laica. E é bom que seja livre.
Como ontem no-lo lembrava S. Paulo, na missa, a Igreja necessita de ser visível. Também o CADC, como associação de mulheres e homens livres, pretende ser visível, através da sua reflexão e da sua acção, na certeza de que os seus ideais, adaptados ao nosso tempo, são os ideais da Igreja.
As mais recentes descobertas científicas do neurobiologista António Damásio mostram duas coisas: que a liberdade humana existe e que a ética é muito conveniente para a vida humana. Nas suas palavras, existe "sobrevida com bem-estar" nas sociedades sempre que as pessoas, reconhecendo que são livres, fazem bom uso da sua liberdade, porque os comportamentos humanos só são eficientes se forem éticos.
Não é eticamente aceitável, por exemplo, que alguém, apenas porque lhe apetece, construa uma casa ou faça uma lei de qualquer maneira. É bem o exemplo do que se passa no campo das ciências da vida. Ora um sócio nosso, o Dr. Jorge Biscaia, foi, na semana passada, condecorado pelo presidente da República, juntamente com outras personalidades de grande relevo científico, pelos seus trabalhos pioneiros no campo da bioética em Portugal. É uma excelente razão para que nos congratulemos e associemos, no dia 15 de Novembro, ao Encontro celebrativo dos 20 anos do Centro de Estudos de Bioética (CEB) e dos 80 anos do Dr. Jorge Biscaia.
O Dr. Jorge Biscaia é sócio do CADC há mais de 60 anos. Tornou-se sócio quando ainda era estudante liceal. Mas foi já como estudante universitário que, durante vários anos, exerceu funções directivas na nossa associação. Ele é uma das nossas grandes referências vivas. Toca-me o coração o amor que ele devota ao CADC, a ponto de ter sempre ideias notáveis para o fazerem ressurgir. No meu discurso de tomada de posse, em Março deste ano, referi expressamente as suas palavras: "Não esqueça os estudantes." A frase ressoa ainda com a novidade de quem não pode trair a verdade.
A bioética, outro grande amor do Dr. Jorge Biscaia, levou-o a partilhar a fundação do CEB, há 20 anos, com o mesmo entusiasmo com que militara no CADC. O CEB está sediado na casa mãe do CADC, na Couraça de Lisboa, em Coimbra, onde tem lugar agora o Encontro. E é das suas actividades em Coimbra que sairá vida para o novo Círculo da Bioética do CADC, que, a par de outros Círculos, recria as suas antigas obras que o Dr. Jorge Biscaia ajudou a expandir.
Sabemos que a Igreja passará um dia, mas, enquanto isso não acontecer (assim como não nos é dado comer do fruto proibido, não nos é dado saber quando será o fim do mundo…), devemos trabalhar, com a certeza de que a Graça de Deus não nos faltará. Assim também não nos falte a vontade dos homens.


*(Presidente da Direcção do CADC)

Festa do livro na Praça da República


Até 30 de Novembro está patente ao público, na Praça da República, uma exposição/venda de livros a preços de ocasião. Trata-se da conhecida "festa do livro", em que as editoras colocam à disposição dos interessados milhares de títulos com alguns anos de edição. Em tempo de crise, encontram-se ali livros de muito interesse, com um custo reduzido. É um incentivo para quem deseja cultivar-se, até porque há muitas obras literárias que nunca envelhecem.

Arte solidária para apoiar um lar para deficientes profundos


Se comprar a litografia do pintor Vasco Berardo, à venda nas farmácias de Coimbra, desde da passada segunda-feira, estará a ajudar na conclusão do Lar Residencial de São Silvestre, destinado a apoiar 16 deficientes mentais profundos.
A liquidação das dívidas contraídas para construir o equipamento – que deverá ser inaugurado ainda este ano – é o objectivo da campanha "Uma Árvore por um Lar". O nome remete para a figura presente na litografia, mas não só: por cada vinte obras vendidas, será plantada uma árvore na Mata Nacional de Vale de Canas, em Coimbra, consumida pelas chamas em 2005.
Por trás da iniciativa estão a Associação Portuguesa de Pais e Amigos do Cidadão Deficiente Mental (APPACDM) e o Banco de Tempo de Coimbra. "Todos os anos, na época pré-natalícia, nos interrogamos sobre o que dar aos familiares e amigos. Damos um grande número de presentes só por dar. O desafio que a APPACDM lança é: vamos dar uma prenda que tenha significado social e ambiental", afirmou a presidente da APPACDM de Coimbra, Helena Albuquerque, na apresentação da campanha, que decorreu no passado dia 5 de Novembro no Governo Civil.
A litografia custa 10 euros, que revertem integralmente a favor desta causa, e vai estar à venda, até 31 de Dezembro, nas farmácias aderentes.

Liga dos Combatentes celebra aniversário do Armísticio


No dia 10 de Novembro, a delegação em Coimbra da Liga dos Combatentes recordou os heróis da I Grande Guerra, junto ao monumento a eles dedicado na Avenida Sá da Bandeira. Depois de uma alocução apropriada, várias entidades civis e militares depositaram coroas de flores junto ao monumento, evocado assim a memória dos que puseram a pátria em primeiro lugar, sacrificando por ela a sua própria vida.

Solidariedade: mais de 800 voluntários para doar medula


Foram mais de 800 as pessoas que se deslocaram no passado dia 9 de Novembro, ao Centro de Histocompatibilidade do Centro (situado no complexo dos Hospitais da Universidade de Coimbra), para se inscreverem no registo nacional de dadores de medula óssea.
Respondiam ao apelo lançado publicamente pela família de um jovem de 16 anos, de Vila Nova de Anços, que necessita urgentemente de um transplante, já que o seu estado de saúde se tem agravado nos últimos tempos. Todavia, aqueles que tiveram o gesto solidário têm a hipótese de ajudar o adolescente de 16 anos ou qualquer outra pessoa que, necessitada, seja compatível com o dador.
Maria Luísa Pais, directora do Centro, lembra que a sua equipa se tem deslocado a vários locais da região, onde existam pessoas interessadas em dar uma amostra de sangue e inscrever-se no registo nacional. O mesmo aconteceu já em várias campanhas pelo Fábio, no entanto, no sábado o centro abriu as portas para receber os voluntários de locais dispersos e que não tinham oportunidade de ali se deslocar durante a semana. "Tivemos seguramente mais de 800 pessoas, só fechámos quando todos estavam inscritos". Os voluntários, que devem ter entre 18 e 45 anos – uma vez que só podem ficar no registo indivíduos até aos 55 anos –, respondem a um inquérito clínico e depois é-lhes retirada uma amostra de sangue, o suficiente para fazer a tipagem do sangue e rastrear marcadores virusais (hepatites, sida, etc.). Se for encontrada um dador compatível com alguém que necessite de transplante, seja aqui seja noutros locais do país ou até fora, o voluntário é novamente chamado para avaliação e exames, decidindo-se então se é realizado o transplante, explica a especialista.
A responsável considera que a resposta da população é sempre maior quando o pedido tem um rosto conhecido e uma história em particular, mas, ainda assim, as pessoas da região aderem à causa todo o ano. "Todos os dias temos inscrições para dadores", diz.

Santa Casa da Misericórdia condenada a indemnizar moradores na Rua Corpo de Deus


O Tribunal de Coimbra considerou que a queda de três edifícios na Rua Corpo de Deus, a 22 de Dezembro de 2000, teve como causa a queda do prédio degradado da Santa Casa da Misericórdia na mesma rua e condenou a instituição a pagar indemnizações aos desalojados na sequência do desabamento.
A sentença foi proferida no passado dia 5 de Novembro aos antigos moradores pelo advogado que, por sinal, é pago pela Junta de Freguesia de S. Bartolomeu.
O montante ascende aos 138 mil euros, recebendo cada um dos 10 agregados entre 10 e 30 mil euros.
A Santa Casa da Misericórdia de Coimbra foi considerada responsável por três tipos de danos: danos patrimoniais (que decorreram da perda de recheio da casa); danos financeiros, calculados com base na diferença da renda que pagavam e a que hoje pagam em outras casas; danos morais, relacionados com a contingência de, na sua maioria idosos, se verem sem residência e sem os seus haveres, explicou o advogado, Carlos Abílio Gonçalves.
O provedor, Aníbal Pinto de Castro, considerou que "a sentença está longe de ser justa" para a instituição.
De acordo com o professor jubilado da Universidade de Coimbra, Aníbal Pinto de Castro, a Misericórdia não pretende pagar as indemnizações "enquanto não houver uma sentença definitiva em função do recurso interposto". O responsável considera, aliás, que "houve um manifesto exagero" no cálculo destes valores e lembra que "os danos morais são algo muito subjectivo".

Faleceu o Professor Manuel Ramos Lopes


O cardiologista e professor catedrático da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra, Manuel Miranda Ramos Lopes, faleceu no passado dia 10 de Novembro com 88 anos de idade.
Casado com Dona Georgina Vilaça Ramos Lopes, era natural de Barcelos e residia em Coimbra.
Enquanto director do Serviço de Cardiologia dos Hospitais da Universidade de Coimbra, foi um dos principais responsáveis pela vinda do cirurgião cardiotorácico Manuel Antunes.
Manuel Ramos Lopes cessou no passado mês de Abril a sua actividade no consultório que sempre manteve na Rua da Sofia, desde de Março de 1956.
Cristão de corpo inteiro, o Prof. Ramos Lopes era considerado um especialista em cardiologia de reconhecido mérito internacional e um homem com um sentido ético e humano pouco vulgar.
O funeral realizou-se no passado dia 11 de Novembro, depois de missa de corpo presente na igreja de Nossa Senhora de Lourdes, presidida pelo arcebispo emérito de Braga, D. Eurico Nogueira, concelebrada por doze sacerdotes e participada por centenas de amigos, para o jazigo no cemitério da Conchada.
O "Correio", que tinha no Professor Ramos Lopes um bom amigo e colaborador, apresenta à família, na pessoa de D. Georgina, sua esposa, as mais sentidas condolências.

11 de novembro de 2008

Figueira da Foz: Monumento a Baden Powel numa rotunda


Centenas de escoteiros/escuteiros participaram no passado sábado na cerimónia de inauguração da rotunda com o nome de Baden Powell.
A ideia de um monumento de homenagem a Baden Powell (fundador do movimento escutista) surgiu de um grupo de escoteiros e a autarquia agarrou esse projecto e deu-lhe corpo, lançando um concurso que teve como vencedor Luís Manuel Ferreira Ribeiro (do Agrupamento Marítimo em formação de S. Pedro). No passado sábado à tarde, na cerimónia de inauguração do monumento (que tem várias leituras, conforme o ângulo, e que se localiza entre o centro comercial Foz Plaza e o Centro de Saúde de Buarcos), cerca de 750 escoteiros/escuteiros ajudaram a concluir o trabalho, colocando cada um, uma pedra na base do monumento (uma mão aberta). Presentes, além de todos os elementos do movimento escutista e populares, diversas entidades, civis e religiosas, que quiseram partilhar daquele "grande dia", conforme referiu o vice-presidente da autarquia Lídio Lopes, que recordou que, apesar de se escrever escoteiros ou escuteiros, referindo-se aos elementos da Associação de Escoteiros de Portugal (AEP) e aos do Corpo Nacional de Escutas (CNE), são "duas formas mas um mesmo sentido de serviço, uma mesma forma muito positiva de estar na vida. O que importa deve ser sempre o que nos une". O vice-presidente da autarquia frisou ainda que o movimento "é uma actividade complementar da escola e da família", que confere aos jovens "outras competências, a necessidade de explorar, descobrir, a vontade de conhecer e a relação próxima com a natureza". Ou seja, "um movimento que ajuda a fazer homens e mulheres responsáveis, criativos, conscientes de si próprios, solidários, que promovam o respeito e a tolerância na sua relação com os outros".

Grupo de Jovens de Lordemão vence festival da canção religiosa


"Envio parte de Mim" é o título da canção que representará a Diocese de Coimbra no Festival Nacional a realizar dia 1 de Dezembro, em Coimbra.

O Grupo de Jovens "Sempr’abrir", de Lordemão, ao vencer o XIII Festival Jovem Diocesano da Canção, organizado pelo Secretariado Diocesano de Pastoral Juvenil, e realizado, sábado, no Pavilhão Multiusos da Carapinheira, será o representante da Diocese no Festival Nacional a realizar dia 1 de Dezembro, em Coimbra, com a canção "Envio parte de Mim", que também obteve o prémio "Melhor Música".
Esta jornada jovem iniciou-se, na manhã de sábado, na Carapinheira, com momentos de experiências e testemunhos, convívio, animação e partilha, entre os cerca de 80 participantes. À noite, os jovens tiveram participação activa na celebração da Eucaristia, na comunidade da Carapinheira, presidida pelo padre João Paulo Vaz, acolitado pelos padres Fernando Gonçalves e António Domingues.
O XIII Festival Jovem Diocesano da Canção teve abertura com a intervenção de D. Albino Cleto, Bispo de Coimbra, que se congratulou com a "grande adesão da juventude à causa da Igreja", avançando que "um festival de música religiosa é um festival de mensagem, onde cada jovem proclama "sou feliz como cristão". O festival teve por objectivos: incentivar a criação poético-musical, partindo dos valores religiosos; promover a canção religiosa como valor na evangelização e no quotidiano dos jovens; possibilitar o encontro e o convívio são e construtivo entre os jovens da Diocese de Coimbra; animar o Ano Pastoral Juvenil 2008-09, como grande encontro diocesano de início de ano, de uma forma criativa, festiva e entusiasta.
Ao todo foram treze grupos de jovens que apresentaram, perante uma plateia com mais de sete centenas, bonitas canções, todas elas aludindo ao tema: "Recebereis o poder do Espírito Santo, que descerá sobre vós, e sereis minhas testemunhas".
O segundo prémio foi para o Grupo de Jovens de Mortágua, enquanto os anfitriões, Grupo de Jovens Nov’Idade, foram laureados com o terceiro prémio. Em quarto lugar, ex-aequo, ficaram os restantes participantes, oriundos das quatro Regiões Pastorais da Diocese: Grupo Poder da Fé (Colégio São Teotónio), Grupo Alpha Jovem (Arazede), Grupo de Jovens Geração Viva (Ereira), Grupo de Jovens Jintos por Ela (Seixas), Grupo de Jovens Brisa do Planalto (Ingote), Grupo Vespertinos (Pombal), Grupo de Jovens de S. Pedro (Palheira), Grupo de Jovens Ágape (Oliveira do Hospital), Grupo de Jovens Effathá (Avô), Grupo de Jovens de Tábua e amigos (Tábua), recebendo todos um prémio de participação.
O Júri atribuiu ainda o prémio "Melhor Letra" ao Grupo de Jovens Ágape, de Oliveira do Hospital, enquanto para Avô, seguiu o prémio "Melhor Interpretação", através do Grupo de Jovens Effathá". O prémio "Ser", num escrutínio de todos os participantes, foi entregue ao Grupo de Jovens "Juntos por Ela", de Seixas (Seixo da Beira).


Aldo Aveiro

D. Albino Cleto falou do Plano Pastoral a representantes das comunidades de Coimbra


D. Albino Cleto presidiu no passado dia 8 de Novembro, no Seminário Maior de Coimbra, ao último encontro de apresentação do novo Plano Pastoral da Diocese de Coimbra, para o triénio 2008/2011. A Região Centro não correspondeu muito as expectativas previstas. Muitas paróquias, infelizmente, não estiveram representadas. No entanto, o Bispo de Coimbra reconheceu que as assembleias diocesanas têm tido menos gente que as assembleias anteriores.
Antes de começar a apresentar o plano trienal para a diocese, D. Albino Cleto começou por descrever a realidade da Igreja no mundo e em Portugal. Apesar de não possuir números, o prelado reconhece que a Diocese de Coimbra tem vindo a perder praticantes nos últimos anos. O primeiro dos grandes objectivos do plano, é que os cristãos mais empenhados nas comunidades sejam discípulos, que possam fomentar ou despertar consciências para a prática cristã. Mas, "é através do amor ao próximo" que isso se consegue, adverte, o Bispo de Coimbra perante vinte pessoas presentes, entre os quais alguns sacerdotes e seminaristas.
Segundo D. Albino, hoje o cristão acomoda-se, "pelo respeito que temos ao nosso vizinho que é por exemplo agnóstico, não discutimos, não o enfrentamos, não o provocamos". "Devemos respeitar a opinião do outro, mas pelo amor que temos ao próximo, devemos transmitir os nossos valores, ideais e a nossa fé", retorquiu.
"Ser católico hoje é dar a cara", afirmou o prelado da diocese. Enquanto que há oito anos atrás, D. Albino insistia para que os leigos crescessem, hoje pede para que sejam apóstolos, sem medos e sem preconceitos.
D. Albino Cleto enumerou algumas áreas prioritárias para a diocese para os próximos três anos: Catequese; Família; Juventude; Comunicação Social; participação nas celebrações e anúncio do Evangelho.
D. Albino reconhece que a catequese cristã é "muito débil". Os pais não se interessam por aquilo que os filhos dão na catequese, outros não os acompanham como era desejado. Quanto à família é do conhecimento geral que ela atravessa dificuldades…
Para inverter o panorama, D. Albino pretende novos "discípulos" (independentemente da sua área de intervenção), e proporcionar-lhes a estes "militantes" formação e apoio para as suas intervenções. Por outro, pretende ainda promover actividades de estudo, reflexão sobre a sociedade actual e as características culturais do nosso tempo. De modo que a acção apostólica use uma linguagem e os caminhos adequados.
D. Albino deu a conhecer alguma estruturas de apoio, para os "militantes", entre eles os secretariados diocesanos, que foram recentemente criados ou rejuvenescidos, nomeadamente os secretariados da catequese, da família, da liturgia, da saúde e da comunicação social.

Miguel Cotrim

Apresentado o livro “o Deus que não temos” de Sebastião Formosinho e J. Oliveira Branco


"Um livro de grande excelência"
na apreciação de D. Januário Tor
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"Este livro de grande excelência só podia ter nascido neste berço, em Coimbra" – afirmou D. Januário Torgal Ferreira na apresentação da obra "O Deus que não temos" de Sebastião Formosinho e J. Oliveira Branco. Trata-se do terceiro volume de uma trilogia iniciada com "O brotar da criação", a que se seguiu "A pergunta de Job" (o mistério do mal) e agora concluída com este volume sobre o mistério de Deus que, por sê-Lo "ninguém o poder ter e nem o pensar finito o pode dizer".
Para D. Januário, este livro "é uma obra de fôlego universitário, que honra os seus autores, por várias razões, nomeadamente pelas suas "pesquisas de fronteira", pela "maioridade do rigor" e pela "busca incessante de valores".
"Este livro cheira a mundo, estando presente a escuta da secularidade e também do secularismo", afirmou D. Januário, no dia 5 de Novembro, no Instituto Justiça e Paz, perante uma assembleia de várias dezenas de pessoas, constituída sobretudo por docentes e alunos universitários. O apresentador da obra acrescentou ainda que o livro assenta sobre uma "criteriologia lógica", com uma escrita "apoiada no rigor e na exigência".
O Prof. Formosinho historiou, depois, o percurso da colaboração com o Padre Doutor Oliveira Branco, acrescentando que ambos pensam que estão "a prestar um serviço ao país e à Igreja". Para o Doutor Oliveira Branco "uma trilogia com o âmbito desta é uma obra invulgar em qualquer país".
No final os dois autores foram largamente cumprimentados e autografaram dezenas de exemplares da obra, editada pela Bizâncio.



J.R.

Feytor Pinto preside ao encerramento do Curso de Pastoral da Saúde


Monsenhor Feytor Pinto, responsável pelo Secretariado Nacional da Pastoral da Saúde, presidiu no passado dia 8 de Novembro, na sede da Caritas Diocesana de Coimbra ao encerramento do curso da Pastoral da Saúde.
Perante cerca de cem participantes que frequentaram o curso ao longo do ano, entre eles, enfermeiros, médicos, auxiliares e voluntários, Monsenhor Feytor Pinto caracterizou os objectivos de um secretariado diocesano da pastoral da saúde que acaba de ser constituído por D. Albino Cleto.
Na homilia da eucaristia a que presidiu, Monsenhor Feytor Pinto afirmou que não "há uma pastoral da saúde sem uma atitude amor". Fazendo alusão à liturgia propositadamente escolhida para o efeito (O Bom Samaritano), Monsenhor Feytor Pinto disse que o "segundo mandamento é tão importante como o primeiro". "O que conta na pastoral da saúde são as relações humanas", frisou o responsável pelo sector.
Contando com a sua vasta experiência ao longo dos anos, Mons. Feytor Pinto afirmou que na Pastoral da Saúde, tal como na parábola do "Bom Samaritano", é necessário "aproximar; perder tempo; detectar o problema; assumir responsabilidades e dar continuidade da relação que se cria com o doente".
O grande objectivo de um secretariado "é criar um corpo, diversificado na sua estrutura (desde de enfermeiros, técnicos, médicos, auxiliares e voluntários) para descobrir quem precisa de nós para podermos dar-nos de uma forma responsável e continuada".
Como referimos noutra notícia neste mesmo jornal, o novo responsável pelo secretariado diocesano da pastoral da saúde é o Dr. Alexandre Manuel Duarte Mendes (Médico).


Miguel Cotrim

ACEGE: Paulo Barradas promove conferência sobre valores e desafios para Gestores cristãos


Paulo Barradas, director-geral da Bluepharma é o próximo convidado da Associação Cristã de Empresários e Gestores para proferir uma palestra sobre os valores a 18 de Novembro, às 13 horas, no Salão da Sé Velha. Para mais informações

Quatro “pioneiros” da bioética agraciados por Cavaco Silva

Daniel Serrão, Jorge Biscaia, Walter Osswald e o Padre Luís Archer foram agraciados pelo Presidente da República com a Ordem de Sant´Iago, pelo seu pioneirismo na defesa dos valores bioéticos.



Cavaco Silva destacou no passado dia 5 de Novembro o "pioneirismo" de Daniel Serrão, Jorge Biscaia, Walter Osswald e do Padre Luís Archer na área da bioética. Estas personalidades (com excepção do Padre Archer, que já tinha recebido esta Ordem de mérito) foram agraciadas com a Ordem de Sant’Iago, pelo seu mérito científico.
O Presidente da República referiu que "ser pioneiro da Bioética em Portugal significa promover uma cultura científica no espírito da democratização da ciência, a par de uma reflexão acerca dos valores que devem orientar o progresso científico-tecnológico, em prol do bem da humanidade".
Hoje, como ontem, "a Bioética mantém-se fiel ao seu desígnio originário, afirmando que é apenas na intersecção entre a ciência e a ética que o conhecimento progride e que o ser humano se dignifica. Desenganem-se, pois, aqueles que recearam que o surgimento da ética aplicada à vida representasse um entrave ao progresso científico", destacou Cavaco Silva.
O Presidente da República enalteceu "a postura exemplar de humildade intelectual e de espírito humanista" dos homenageados que "reconheceram a necessidade da reflexão ética como factor não apenas de progresso do saber mas de desenvolvimento humano".
A Bioética, assegurou o Presidente da República, confirma-se cada vez mais como um "factor de desenvolvimento, ao acompanhar o progresso biotecnológico, ao ponderar as suas implicações sociais e humanas e ao garantir que os novos saberes e os novos poderes contribuam para a melhoria das condições de vida do Homem".
"Só assim se justifica que a bioética se tenha estendido aos diferentes domínios da vida – nos planos biomédico, animal e ambiental – e que se tenha expandido a todos os continentes, tornando-se global".
Cavaco Silva destacou o trabalho português neste campo, indicando "um relevante corpo de académicos e profissionais, com instituições prestigiadas, com cursos de especialização e linhas de investigação nacionais e internacionais, com inúmeras publicações".
As quatro personalidades homenageadas "tiveram o mérito de não só introduzirem a bioética em Portugal, mas também de a desenvolverem, de estruturarem institucionalmente o seu futuro e de a difundirem na sociedade, para além do círculo restrito dos especialistas".
Cavaco Silva referiu ainda que a Bioética é hoje um "referencial comum de debate na sociedade portuguesa, que passou a interpelar e a envolver todos os cidadãos", convertendo-se numa "ética cívica, numa consciência da nossa pertença à Comunidade e ao Mundo e da interdependência da vida".

Agência Ecclesia