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8 de abril de 2009

Recensionalidade Consignativa


José Eduardo R. Coutinho

Por força de circunstâncias pluricondicionadas, parece estar em curso um silencioso programa de desculturização, sub-repticiamente dirigido a todo o País e infiltrado, até, nos sectores que, pela diferenciada natureza, deviam permanecer imunes à onda contagiante dessa reprovável implementação, polivalente, permissiva, corrosiva e iníqua.
Os problemas da realidade presente permanecem, infinitamente, arrastados e acrescidos, em gravosos adiamentos, enquanto a tagarelice estéril, o secundarismo enfatuado, as banalidades distractivas e o culminar dos alheamentos, absolutamente aparentados à estupidez viciante da inércia nacional, e estão consorciados com o pior espírito berber: deixar correr e seja o que Deus quiser!
Sob as prerrogativas ditas democráticas, aliadas às prodigiosas cientificidades da psicologia moderna – uma empolgante combinação parafílica – a capacidade natural e o treino educacional para o sadio exercício do diálogo, aliciante, compreensivo, fecundo e promotor da continuada dinamização do agir pessoal, tendente e consonante na gradual descoberta do bem maior, sempre faltor do bem comum e vislumbrando o bem supremo, é substituído pela volubilidade das pseudo–opiniões epidérmicas, das simpatias sorridentes, dos aplausos fugazes e dos egoísmos interesseiros.
Alienada nas diversões circenses – tal qual outra pérfida Roma paganizante –, na vil futebolância e na ignóbil coscuvilhice depravada, repetidas vezes solidária com as comezainas e os refastelamentos próprios de sibaritas sialorreicos, que nem o tempo quaresmal atenuara, visto estarem, intrinsecamente, afeitos à similitude suína frente a gamelas de bagaço, aquilo que mais importa é manter o movimento natatório, no chafurdo das futilidades, e cuidar da pança, abarrotada.
Daqui resulta o inevitável consequente lógico, ininterruptamente propagado na generalidade das conversas tidas e na vulgaridade dos empreendimentos efectuados, visto quem embarca na acefalia anti-civilizacional e vegeta na mastigação do vómito alheio, ao pensar com o ventre, dessas obscuras circunvoluções intestinais só podem sair ideias desse pentagrama feminino, precisamente contemplado nos dicionaristas latinos e enunciado segundo a primeira declinação.
Isso significa um estádio de dissolução omnipropagada, onde impera o simples imediatismo sôfrego, a trapacice, a corrupção, a desresponsabilização dos implicados na criminalidade, na desonestidade, na catástrofe nacional, na adulteração dos bens e dos autênticos serviços públicos. O banditismo ganha corpo, robusto, sendo arriscado permanecer íntegro, defender a verdade, respeitar a tradição dos maiores, militar pela fé, agir em correcção de carácter e promover a glória patrimonial de que somos depositários, num incontestável legado dignificado, dignificante e dignificador. As declarações do Santo Padre requerem comentários explanadores?
Nesse mesmo sentido, a maneira expedita de acentuar a debilidade colectiva e anestesiar a grei vai doseando leves estupefacientes, quase imperceptíveis, inoculados numa discreta imagem higienizante, tendente à subtracção das energias vitais, à diminuição das defesas orgânicas e à imperceptibilidade da frequência cardíaca: o pretenso banimento do sal está no referido circuito, por ser prejudicial à saúde pública, como o foi o mel, o azeite, a cortiça, o vinho…, tudo o que é da consagrada cultura mediterrânica e prestigiado nos escritos bíblicos.
Um sensabor globalizante satisfaz os recônditos apetites desses filhos da perdição, para, depois, até tornarem a venda de garrafas de água, com alguma pitada de cloreto de sódio, outro exclusivo monopólio do Estado, o qual, a breve prazo, só permitirá o acesso às praias marítimas mediante superior receituário terapêutico, com excepcionais medidas de segurança e risco de contaminação radioactiva, salvo a nomenclatura do aparelho directivo, sempre imune.
Custa tanto perceber que o mal, em vez de ser imputado a uma criatura de Deus, que Ele declarou muito boa (Gn 1, 32 a), radica nos excessos ingeridos pelos galifões amanjedourados, obtusos, omnívoros, e revela o deplorável situacionismo de quem é vítima de despedimentos laborais, tem família a sustentar, possui encargos económicos, inadiáveis, e permanece privado de concretizar as justas aspirações de ser pessoa, num mundo que o destroça e aniquila, pelos agentes indicados?
Em vésperas da solene canonização do magnificentíssimo heroísmo, vivencial e ontológico, de Dom Nuno Álvares Pereira, o ânimo da Nação tem de assumir igual dose concentrada de virtude, principalmente de fortaleza cardeal (Os Lusíadas, I, 40), promover o incondicional respeito do que nos pertence e prosseguir a firmeza de militar pela exaltação do humanismo cristão, implantar a soberana estabilidade dos valores identitários portugueses e levantar a frescura esplendorosa da História, mesmo que seja conveniente esperá-los em campo aberto e, aí, dar sobre eles (Fernão Lopes, Crónica de D. João I, I, 327).

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