Correio de Coimbra

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29 de janeiro de 2008

Conferência do Alpha reflectiu sobre os seus fundamentos


Com a participação de mais de uma centena de pessoas, provenientes das dioceses de Coimbra, Viseu, Leiria, Lisboa, Porto e Setúbal, representando várias paróquias onde já está implantado o "Curso Alpha", realizou-se, dias 19 e 20 de Janeiro, no Centro Paroquial de Cantanhede, a conferência nacional do Alpha.
Percorrendo os princípios do ‘Curso Alpha’, como estruturar um curso, como animar um grupo de discussão e vários ateliers (a formação de oradores, Alpha jovens, oração em Alpha, como melhorar um curso já existente e música em Alpha) foram alguns dos temas abordados que proporcionaram oportunidades para os participantes reflectirem sobre os fundamentos do Alpha e na prossecução deste método de evangelização na Igreja católica
Nesta Conferência nacional, atendendo à evolução dos últimos anos do Curso Alpha, em Portugal, também foi dado realce ao ‘serviço de oração’ em Alpha, e como deve ser a "atitude pastoral do animador".
Alicerçado numa equipa sobretudo de leigos, o Curso Alpha pretende ser, na Igreja católica, uma oportunidade de primeira evangelização, envolvendo várias etapas em ordem à descoberta/aceitação/anúncio de Jesus em linguagem do nosso tempo.
Nesta semana, o coordenador do curso Alpha em Portugal, P. Jorge Santos, está nos Açores, a convite de vários padres de S. Miguel e Faial, para apresentar o curso Alpha ao clero local e aos leigos. E assim, pouco a pouco, caminhando com esperança, o curso Alpha vai-se tornando um instrumento, cada vez mais usado, para propor a fé aos homens e mulheres do nosso tempo.


Aldo Aveiro

Jovens de Coimbra vão a Taizé


O Secretariado da Pastoral Juvenil da Diocese de Coimbra promove, de 2 a 11 de Fevereiro, uma peregrinação de jovens a Taizé. Nesta localidade, no sul da Borgonha, em França, encontra-se a comunidade ecuménica internacional fundada em 1940 pelo irmão Roger. Desde o fim dos anos50, milhares de jovens começaram a ir a Taizé para participarem nos encontros de oração e de reflexão que têm lugar semana após semana. De um domingo até ao domingo seguinte, cada um é convidado a entrar no ritmo de uma vida comunitária durante uma semana: reunir-se com os irmãos três vezes por dia para a oração, juntar-se a pessoas de outros países para os encontros, as refeições, as discussões em pequenos grupos, e diversos trabalhos.

Movimento da Mensagem de Fátima prepara-se para a Quaresma


O Movimento da Mensagem de Fátima da paróquia de Santa Cruz (Coimbra) vão realizar no dia 8 de Março, um retiro, chamado "Um Dia no Deserto". Trata-se de um dia vivido em peregrinação de silêncio na Loca do Cabeço (Fátima), tão marcado simbolicamente pela presença de Nossa Senhora e do Anjo da Paz. Os interessados poderão inscrever-se na Sacristia da Igreja de Santa Cruz. O preço é de 10 euros. A saída é às 7,30 horas e o regresso estará previsto para as 18,30 horas.

Clero da diocese esteve em formação na Praia de Mira


Tal como constava do programa de actividades diocesanas, terminou no dia 25 de Janeiro, a Semana de Formação Permanente do Clero, que decorreu na Casa da Sagrada Família da Praia de Mira. O tema geral de estudo abordou "A Palavra de Deus na Vida da Igreja" e para ajudar na reflexão estiveram presentes D. António Couto, bispo auxiliar de Braga; o Cónego João Peixoto e o Padre Tolentino Mendonça, ambos professores da Universidade Católica.

Inventariação da Paróquia de São Cristóvão (Sé Velha)


Aproveitando a interrupção surgida no decorrer da inventariação da paróquia de Serpins, efectuou-se a da paróquia de São Cristóvão, vulgar e impropriamente designada Sé Velha. Com um total de 111 fichas e o inerente repositório fotográfico, ficou concluída no dia 24 de Janeiro.
Na verdade, aquela conhecida paróquia medieval estava sediada na importante igreja de São Cristóvão, edificada nos meados do século XII, de traçado românico e construída como miniatura de ensaio da Sé, de seguida reedificada desde os fundamentos, por ordem do Bispo Dom Miguel Pais Salomão e com o patrocínio de Dom Afonso Henriques.
Quando as funções catedralícias foram transferidas, em 1772, para a igreja do Santíssimo Nome de Jesus, por decisão do ministro despótico de Dom José e plena anuência do prelado e do cabido, as recentes instalações receberam o nome de Sé Nova. A veneranda sede-mãe da Diocese ficava posta ao nefando abandono ignominioso, chegando a refúgio de marginais e lixeira desavergonhada, um autêntico espelho do abandono a que foi lançada.
Tal era o lastimável estado por que passava que, no tempo de Dom Manuel Correia de Bastos Pina, e pelo auxílio concedido pela Rainha Dona Amélia, obteve inestimável restauro e, já em 1928, recebia nova sagração, com Dom Manuel Luís Coelho da Silva, e ficando inigualavelmente estudada pelo Doutor António Garcia Ribeiro de Vasconcelos.
Outro facto, tristemente célebre, data de princípios da segunda metade do século XIX, quando certos alumbrados da cidade, também movidos pelos inconfundíveis ideários maçónicos, conseguiram a destruição da notável igreja de São Cristóvão para, no preciso local, instalarem um teatro, com o nome do rei Dom Luís e, por fim, de Sousa Bastos: um enodoado arquitectónico na malha citadina, similar a vários outros.
Como se mantinha a mencionada paróquia e era necessário um condigno lugar de culto, ele ficou sediado na catedral de Santa Maria, desde logo a servir na categoria de paroquial. Para lá se transferiram todos os bens móveis e nela passou a existir o serviço cultual, com plena utilização do património sacro-litúrgico, vindo da que fizeram desaparecer, porque o cabido debandara com todos os pertences da Sé.
Felizmente, muito ainda subsiste da passada glória da paróquia inicial, especialmente evidente nas pratas, onde avultam utensílios processionais, da melhor feitura seiscentista, e diferentes peças da centúria seguinte, algumas imagens e paramentos, de diminuta variedade, mas, de bons tecidos brancos; alguns outros, vermelhos, foram desmanchados, como se percebe pelos retalhos existentes.
Da talha e da imaginária, há uma singela presença, embora de superior qualidade, seja na escultura estofada, seja na de madeira simples ou na de terracota, cujo conjunto manifesta um interessante reportório de relicários, incorporados nas figuras de mártires e de santos, identificados.
Para perpetuar a dedicação da primitiva Sé, à Virgem Santa Maria, subsiste a lápide do século XI. Depois, algum esplendor ainda permanece dos faustos medievais e modernos: a tumulária dos bispos e de Dona Vataça Lascáris; parte do revestimento azulejar, proto-quinhentista; o magnífico retábulo flamejante (em 12 de Novembro completará meio milénio de existência ao público); a excelente pia baptismal, de Dom Jorge de Almeida; as telas seiscentistas, com particular destaque da contemporânea da canonização da Rainha Santa Isabel; a imagem de Nossa Senhora da Conceição, de Frei Cipriano da Cruz; e, principalmente, a jóia monumental que é a mole arquitectónica românica da própria Sé, bem como a do claustro, do gótico inicial.



Padre José Eduardo Reis Coutinho

Ordem Terceira de São Francisco em festa


A Ordem Terceira comemorou no passado dia 5 de Janeiro o 349º aniversário da sua fundação com uma notável tarde de arte que encheu de numerosos irmãos e amigos o auditório da sua sede da Rua da Sofia.
O programa, iniciado com o trecho musical "Dançando à chuva" interpretado por alguns residentes do Lar da Instituição, compreendeu uma audição do apreciado Choral Polyphonico de Coimbra, sob a regência do Maestro Paulo Moniz, seguida de uma preciosa e variada colaboração do Conservatório de Música de Coimbra – árias pelas sopranos Gisela Fardinha e Carla Bernardino, da classe da Professora Maria José Nogueira, acompanhadas ao piano pelo Professor Júlio Dias; peças para piano a quatro mãos pelos Professores Isilda Margarida e Rui César Vilão – e de dois trechos do "Quebra-Nozes" pela classe de bailado do Centro Norton de Matos, orientada pela Professora Teresa Gouveia. Vivos e prolongados aplausos coroaram este belo espectáculo, o que constituirá, para a direcção da Instituição, forte estímulo para a condigna celebração, no próximo ano, dos três séculos e meio de vida da Venerável Ordem Terceira de São Francisco em Coimbra.

Reunião dos Departamentos de Inventariação do Património Artístico e Cultural das dioceses do centro


Realizou-se em Viseu, no dia 25 de Janeiro, uma reunião conjunta dos coordenadores dos Departamentos de Inventariação do Património Artístico e Cultural das dioceses do Centro, estando presentes os representantes de Viseu, Aveiro, Coimbra, Guarda, Lamego e Leiria.

El-Rei Dom Carlos: Exigência da Memória


Um século se completa, no próximo dia 1 de Fevereiro, sobre o assassínio do Rei Dom Carlos e do Príncipe Real, Dom Luís Filipe, junto ao Terreiro do Paço, em 1 de Fevereiro de 1908.
O Monarca sofreu as rudes consequências das anteriores complicações gradualmente avolumadas em diversos sectores e deveras enfatizadas aquando da situação gerada pelo ultimato enviado pela Inglaterra, em 11 de Janeiro de 1890, inerente à posse dos domínios ultramarinos portugueses.
Isso levantou a plena indignação popular, incrementada por impulso patriótico, tendenciosamente instigado contra o Soberano, que nenhuma culpa detinha, todavia, ardilosamente usada pela maçonaria e de modo que aumentara a propaganda republicana, promotora de várias revoltas, como a do Porto.
Encontrando grandes obstáculos ao prosseguimento de políticas acertadas, por motivo dos erros vindos de longe, como, mais tarde, o próprio Dom Carlos dizia, o poder alternava entre Regenedores e Progressistas, sem alguma melhoria na enorme crise financeira e no constante reacender de conflitos governativos, religioso e partidários, sempre tidos como pretexto para denegrir e atacar a Coroa, mesmo sendo sedições muito localizadas, em qualquer ponto do vasto império colonial.
Alterado o ritmo rotativo, com a ditadura do gabinete de João Franco, surge a completa oposição do Parlamento: a questão agudiza-se e a revolta instaura-se na capital, em finais de Janeiro daquele ano, sendo presos alguns caudilhos republicanos e dissidentes. A Família Real parte de Vila Viçosa e, ao entrar em Lisboa, El-Rei recusa o automóvel – que era costume enviar à estação – e prefere o landau, que mandou descobrir.
Como alvo fácil, foi mortalmente alvejado, com o filho herdeiro, e ficando ferido o Infante Dom Manuel, vítimas dos atiradores Manuel Buiça e Alfredo Costa, imediatamente executados pela polícia.
Nesse trágico acontecimento e deplorável crime, Portugal perdia o Soberano, de inteligência superior, bondoso, artista, cultor das ciências, notável investigador e diplomata, também apreciador das contingências existenciais, o que bem se coadunava por força da educação liberal, que recebera, das inerências da suprema magistratura da Nação, em que estava hereditariamente investido, e como se tornara voga.
Porém, a vasta cultura, a notável inteligência, o trato delicado, o apurado espírito artístico e a reconhecida predisposição de investigador nato, faziam-no admirado na Europa e, num tal merecimento que, ainda, é referido pelo valor dos trabalhos oceanográficos, pela exímia qualidade dos quadros pintados e pelo distinto relacionamento diplomático, alcançado com a França, a Inglaterra e a Alemanha, todas com ligações familiares à Rainha Dona Amélia de Orleães.
Vivendo num tempo bastante difícil, as sucessivas ocorrências sócio-políticas internas em nada lhe foram favoráveis, sempre agravadas pela união de facto instalada no consórcio de republicanos e da carbonária (o braço armado da maçonaria, com arreigada implantação em Coimbra), que tudo fizera, aproveitara e confundira para o denegrir e desacreditar a Monarquia, de total feição constitucional e liberal, culminado tais acções no regicídio.
Depois, prosseguiram os cortejos caluniosos, infamantes, movidos pela inveja, desautorizando quem demonstrava empenhadas preocupações com a tarefa governativa do País, apesar dos limitados poderes que a mesma Constituição lhe permitia desempenhar.
Na percepção destes cem anos completos, o republicanismo, instaurado dois anos volvidos, surge intrinsecamente jacobino, violentamente anti-eclesiástico, inerentemente demagógico e constitutivamente tirânico – impôs-se a tiro, sobre sangue humano, deploravelmente derramado, e a coberto do disfarce democrático: está explícito no colorido da bandeira escolhida, um tanto disfarçado pela nobilitada distinção sobreposta da Esfera Armilar.
Devotadamente, a manifesta incompetência de bem governar, provinha desses tantos irresponsáveis, que desacreditaram a Nação, no estrangeiro, conduziram à participação na I Guerra Mundial e geraram incontáveis infortúnios, a directa consequência do legado regicida em Portugal, diametralmente oposta do quanto Dom Carlos de Bragança projectava como herança comum, de melhoria efectiva para os povos de Portugal.
Padre José Eduardo Reis Coutinho

Missa em memória de el-rei D. Carlos I


No próximo dia 1 de Fevereiro completam-se cem anos sobre a morte do Rei D. Carlos I e seu filho D. Luiz Filipe, Príncipe herdeiro.
Satisfazendo a vontade de muitas pessoas e considerando o significado histórico desta data centenária, a Câmara Eclesiástica da Diocese de Coimbra informa que será celebrada a Eucaristia por alma da Sua Majestade e do Príncipe na igreja de Santa Cruz, às 12 horas do mesmo dia 1.
Presidirá o Vigário Geral da Diocese.

Editorial



Na celebração do jubileu episcopal de D. Albino Cleto, uma das mais profundas alegrias que viveu, foi, por certo, a de se sentir rodeado, não apenas pelos seus colegas bispos e pelas autoridades de Coimbra e do seu termo, mas igualmente pelo presbitério diocesano e sobretudo por um número incontável de leigos, de homens e mulheres que, com a sua presença, lhe quiseram significar quão grata é para todos a sua presença no meio de nós.
Foram várias as apreciações que ouvimos e lemos sobre a sua pessoa, sobre o seu modo de actuação pastoral, sobre a sua forma de ser Bispo aqui e agora, sobre a proximidade – que é sinal de comunhão fraterna – com as pessoas concretas que aqui vivem, aqui trabalham e aqui buscam um sentido para a sua caminhada humana.
De entre essas apreciações não podemos deixar de registar a daquele leigo que olha para o seu Bispo "como um pastor cordial da humanidade comum". Para logo acrescentar, aliás, que se trata de "um mestre pelo testemunho".
Também nos foi grato ouvir um professor afirmar que o nosso Bispo "tem um capital de simpatia enorme entre os intelectuais da Universidade e da Diocese de Coimbra", destacando o seu espírito de tolerância, "mas sem mal entendida de laicidade". Registe-se igualmente a afirmação de um sacerdote que, falando em nome de todos, recordou uma frase de D. Albino: "Eu amo os meus padres". Amor que se traduz na actuação de quem "não necessita de se colocar acima para se reconhecer que é o Pastor".
Não foi descabida a apreciação referente à capacidade de trabalho, ao desejo de ir ao encontro de todos, mesmo que "este dinamismo de querer estar em todo o lugar e resolver tudo tenha fragilidades", porque o mais importante é que se trata de "um sinal do Espírito".
Coimbra e o povo de Deus que aqui vive, reza, estuda e trabalha, vê o seu pensamento traduzido nestas afirmações que se recolhem entre tantas outras. Todas para significar o quanto estamos agradecidos ao Senhor pelo dom da pessoa do Pastor diocesano que nos concedeu, e pela sua entrega sem reservas ao serviço do anúncio da Boa Nova.

28 de janeiro de 2008

No Jubileu Episcopal de Dom Albino Cleto


Bodas de Prata da Ordenação Episcopal do Sr. D. Albino

Agradecendo, desde já, o convite que me foi dirigido pelo Mons. Leal Pedrosa… começo por saudar todos os presentes nesta sala.

Hoje é um dia de festa para o nosso Bispo D. Albino Cleto e, por isso, para a nossa Diocese de Coimbra.

Gostava de começar com um pequeno verso (poema) de Nunes Pereira, retirado do poema «Conselhos», apresentado no livro «Pedra d’Ara», recentemente re-editado.

Gostava de dedicar, especialmente, este poema ao nosso Bispo.

Tu és o princípio dum grande santo.
Não queiras, nesse princípio,
Atirar a obra para o canto.
Sê persistente:
Não deixes cair os braços;
Caminha para a frente,
Que Deus te guia os passos!
E um dia, na eternidade,
Dirás assim:
Feliz de mim,
Que me deixei guiar pela verdade
e gozo da felicidade
sem fim!
A.Nunes Pereira (20072). Pedra d’Ara. Versos (parte do poema «Conselhos»). Coimbra: Inatel. p.122.

De facto, todos nós somos mais do que pensamos ser… somos o princípio dum grande santo. Por que há Deus em nós e é Ele que nos faz caminhar, é Ele que guia os nossos passos.

Que cada um possa ser persistente nesta peregrinação da vida, para que um dia na eternidade, possamos celebrar a felicidade plena do encontro com Aquele que sabemos que nos ama tanto.

I Parte – 25º anos episcopais do Sr. D. Albino

O Sr. Bispo escolheu como frase orientadora do seu ministério episcopal a passagem dos Actos em que Paulo cita a (alegada) frase de Jesus: «A felicidade está mais em dar do que em receber». Esta frase do cap. 20, na seg parte do versículo 35, insere-se no discurso de adeus aos anciãos de Éfeso. São Paulo, na hora da partida está animar os responsáveis da comunidade a prosseguir o trabalho…

De facto, o nosso Bispo tem tido sempre esta presença que incentiva, que dá força aos projectos, que diz para não desistir. Em alguns casos, dá o primeiro passo. Quer ajudar todos. Este dinamismo de querer estar em todo o lugar e resolver tudo também tem fragilidades… Contudo, não deixa de ser um sinal do Espírito.

Falar pessoalmente de alguém não é fácil. Todavia, não posso deixar de dizer que sinto o meu Bispo como um «irmão mais velho»… que está próximo e que ouve a minha partilha, a sugestão e a opinião…

Por isso, nesta hora reitero o meu agradecimento pelo apoio e pela confiança que tenho sentido como padre mais novo. Um apoio e uma estima que sei se estende, em particular, aos outros padres, aos seminaristas e, até, aos pré-seminaristas.

Refiro ainda a presença simples, próxima e tão humana nas visitas às comunidades da nossa diocese, nas inúmeras visitas pastorais já realizadas. Esta presença tão comunicativa certamente se norteia pela expressão dos Actos: A felicidade está em dar… mais do que em receber…

II Parte – Desafios que temos de assumir

Falar do Sr. D. Albino significa necessariamente falar da Diocese de Coimbra e consequentemente de cada um de nós…Padres e leigos… Por isso, precisamos de protagonizar uma releitura actualizada da nossa identidade mais profunda.

Não podemos deixar de dizer que ainda somos uma Diocese bastante acomodada… Contudo, vamos percebendo a vontade de encetar novos futuros…
Gostava, por isso, de deixar oito interpelações (e também provocações) que nos pudessem ajudar a re-ler e a re-fazer o percurso da identidade que somos:

1. Somos uma Diocese que tem a alegria de poder falar da entrega e da generosidade de muitos leigos que dão gratuitamente de si e do seu tempo. Somos uma grande ‘escola de voluntariado’ (a maior escola de voluntariado da região)… Catequistas, ministros da palavra e da comunhão, membros dos coros, membros dos conselhos económicos e comissões de capelas, pessoas que cuidam e embelezam os templos… muitas pessoas ligadas aos diversos movimentos e secretariados… gratuitamente!

2. Somos uma Diocese que tem um clero dedicado, generoso e empenhado em dar o seu melhor… Dá bom testemunho. Os de idade mais avançada numa entrega até ao fim. Os mais novos na fidelidade ao ministério assumido… Aliás, podemos dar graças a Deus, porque são raros os casos polémicos e, nestes últimos anos, são nulos os abandonos.

3. Somos uma Diocese que vê com esperança todo um dinamismo vocacional… todo um trabalho com mais de 18 anos que, apesar de ser sempre insuficiente, tem estabilizado o número de ordenações, deixando a possibilidade de aumentar o número de vocações nos próximos anos… Quando ouvimos dizer que, pelo país fora e pela Europa, vão diminuindo os seminaristas e as ordenações. A consciência da necessidade e a oração generalizada por esta causa certamente que têm sido a razão principal desta esperança.

4. Todavia, não podemos deixar de dizer que somos uma Diocese que ainda convive mal com as novas tecnologias, mormente com a Internet… É verdade que já há vários exemplos do que de melhor se faz nestas matérias (algumas paróquias, alguns jornais, alguns secretariados…) todavia, é manifestamente pouco. Sem gabinete de comunicação social com relevância e expressão. Sem uma página actualizada da Diocese. Somos uma diocese que desconfia da tecnologia…Num tempo em que o computador, o Multibanco, a Internet, o telemóvel… fazem parte do quotidiano das nossas vidas não podemos deixar de apostar numa reorganização, menos burocrática e mais evangélica.

5. Somos uma Diocese com pouco Teólogos…Temos pouco padres formados em áreas específicas da teologia e quase nenhuns leigos. Num tempo que valoriza tanto a formação… Continuamos presos a generalidades e a uma formação que dá pouca credibilidade à mensagem de Cristo na relação com o mundo hodierno. Precisamos de dar continuidade a planos de formação já iniciados, nomeadamente com a Escola Diocesana de Leigos, nestes cerca de seis anos. Precisamos de desafiar mais presbíteros e leigos a estudar profundamente a teologia… Precisamos de valorizar a teologia como uma área importante do saber… Aliás, outras áreas do saber, mais acessíveis e mais divulgadas, têm menos conteúdo e menos implicação na existência humana.

6. Somos uma Diocese, em unidade com todas as mutações sociais existentes no nosso país, que se vê confrontada com novos desafios de mobilidade. Uma mobilidade que não é fácil acompanhar, que requer uma resposta pronta na atenção, particularmente, às novas áreas residenciais. Alegra-nos, ainda assim, a capacidade de neste capítulo estarmos a criar novas paróquias que ultrapassam as divisões das freguesias. Mas a mobilidade há muito que está aí e não é fácil lidar com todas as consequências pastorais que implica. As equipas pastorais não podem continuar a ser sempre e só uma utopia e o trabalho em conjunto tem que ser mais do que uma miragem. Precisamos de assumir projectos de evangelização mais sérios e mais englobantes…

7. Somos um Diocese que precisa de apostar ainda mais na valorização do seu riquíssimo património artístico… Uma aposta que seja catequética e capaz de falar por si mesma. Um património que vai desde a arquitectura, à pintura e à escultura até aos grandes mestres… Neste capítulo temos um bom exemplo com a valorização do trabalho de Mons. Nunes Pereira. Todavia, esquecemos de valorizar o papel e a obra do Padre Américo. Que neste ano em que celebramos os 250 anos de Seminário Maior de Coimbra o saibamos valorizar e dignamente celebrar.


8. Somos uma Diocese que tem dificuldade em parar para pensar… Avaliamos pouco e quando avaliamos raramente somos consequentes… Por isso, preferimos não parar. Precisamos de re-descobrir a nossa identidade mais profunda para depois podermos re-lançar os horizontes… Entre o importante e o urgente… Quase sempre optamos pelo urgente. Precisamos de perder o medo de arriscar, precisamos de nos virar para fora. Já não basta a tão defendida «pastoral do acolhimento» precisamos de uma pastoral que vá à procura da ovelha perdida. Uma pastoral que seja evangélica… que anuncie Cristo no século XXI


Apesar de todos os dilúvios, tempestades e falta de terra firme… é nesta Diocese que fazemos a experiência profunda da aliança… Na diversidade de cada um quero acreditar que procuramos todos dar o melhor. Onde o respeito pela história pessoal de entrega de cada um e a amizade que nos une não nos impeça o sonho. Há sinais de esperança que falam de terra firme, … Celebramos o Arco-íris que aparece no fim de cada dilúvio – Sinal da Aliança entre a humanidade que somos e a eternidade que nos habita.


Alicerçados na oração - troquemos o instante pelo eterno. Deixemos de lado o que não vale a pena. O que não faz sentido. O que não nos humaniza. O que não é essencial. Alimentados pelo Amor Trinitário procuremos o caminho da esperança e possamos ser, neste mundo de hoje, Peregrinos da Eternidade.
Padre Nuno Santos


No Jubileu Episcopal de Dom Albino Cleto



Exmo. e Reverendíssimo Sr. D. Albino
Excelências
Digníssima assistência


É com profunda alegria que participo nesta celebração comemorativa do Vigésimo Quinto Aniversário da Ordenação Episcopal do Senhor D. Albino Mamede Cleto.
Faço-o apresentando o meu testemunho humilde e sincero como Religiosa Consagrada e como colaboradora integrada no Secretariado da Pastoral das Vocações e no Núcleo das Escolas Católicas da Diocese de Coimbra.
É principalmente nesses campos que vou acompanhando e dando conta da dinamização, entusiasmo, empenho e labor do nosso Bispo, Dom Albino, na sua missão de contribuir para o crescimento na Fé da Comunidade Diocesana.

Em nome dos Consagrados Louvo O nosso Bom Deus pela sua Vocação, vida de dom e amor a Deus e à Família humana.
É com profundo reconhecimento que sinto o Senhor Bispo vibrar no dia do Consagrado marcando com a sua presença, as suas reflexões profundas, as palavras de ânimo e coragem para continuarmos a seguir um Deus de amor, vivo e verdadeiro, incentivando cada Consagrado a ser fermento de uma Igreja que se quer viva e actuante.

Na Pastoral, testemunho a entrega, doação e zelo Apostólico do Senhor Bispo ao estar sempre presente e muito actuante em todas as iniciativas Pastorais.
De todas as Celebrações saliento a Peregrinação Diocesana a Fátima cujo promotor e principal impulsionador foi o Senhor Dom Albino. A grande intenção desta Peregrinação, que envolveu toda a Diocese, era pedir pelas Vocações.
Em todas as Celebrações promovidas pelos Secretariados da Pastoral Juvenil e Vocacional da Diocese, o Senhor Bispo está sempre presente.
Destaco as vigílias de Oração pelas Vocações que se realizaram em diversos Arciprestados e alguns bem longe do aconchego de Coimbra como Ferreira do Zêzere, Mealhada e Arganil, Soure e Oliveira do Hospital, Pampilhosa da Serra e outros.
Recordo com admiração uma viagem de regresso que fazíamos, precisamente da Pampilhosa da Serra para Coimbra, durante a qual, o Senhor Bispo, à medida que passávamos por cada Aldeia, ia-nos informando do número de pessoas que lá viviam, o número de pessoas que constituíam alguns agregados familiares e até, por vezes, o nome de pessoas e suas situações de sofrimento e de vida.
Isto mostra bem o seu conhecimento, envolvimento e zelo pelos seus Diocesanos. É o pôr em prática o que nos diz o Mestre dos mestres no Evangelho de São João, “Eu sou o bom Pastor, conheço as minhas ovelhas e as minhas ovelhas conhecem-me” (Jo.10,14)

Quando estamos em momentos de oração, toca-me de forma particular, o profundo e silencioso recolhimento, vivido sem pressa, que se torna um convite a toda a assembleia a deixar-se envolver na intimidade de Deus e a confiar na Palavra de Cristo que nos diz “Permanecei em Mim e eu permanecerei em vós” (Jo.5,4)

E as suas reflexões com os jovens? Tem sempre muito presente a importância da Vocação e da missão de cada um, de modo a despertá-los para o Chamamento que Jesus continuamente faz “Vem e Segue-Me “

Impressiona-me e cativa-me a insistência e persistência do Senhor Bispo que não se cansa no incentivo contínuo que faz aos jovens para descobrir e Seguir Jesus Cristo. Alimentado pela Espiritualidade de S. João da Cruz que nos diz: “a alma que anda em amor não cansa nem se cansa”
Ou como nos diz S. Paulo na segunda carta a Timóteo; “Prega a Palavra, insiste oportuna e inoportunamente.” (2Tim.4,2)
Na preparação para o crisma, sensibilizam-me as reuniões que realiza com os crismandos. Com um discurso atraente, mas ao mesmo tempo profundo e muito próximo dos jovens, vai-os despertando para as verdades da fé de tal forma que já ouvi alguns jovens dizerem “um Cristo apresentado assim também eu quero seguir”.

Neste seu zelo Apostólico quero ainda aqui referir o empenho do Senhor Bispo em reunir as Escolas Católicas da Diocese, fazendo nascer o Núcleo das Escolas Católicas da Diocese de Coimbra denominado NEC

Este Núcleo é formado pelas seguintes Escolas:
- Colégio da Imaculada Conceição (Cernache), pertencente à Companhia de Jesus;
- Colégio da Rainha Santa Isabel (Coimbra), da Congregação das Irmãs de S. José de Cluny;
- Colégio de São José (Coimbra), da Congregação das Irmãs Dominicanas de Santa Catarina de Sena;
- Colégio de São Teotónio (Coimbra), pertencente à diocese de Coimbra;
- Escola da Casa de Nossa Senhora do Rosário (Tavarede, Figueira da Foz) do Instituto das Irmãs de Santa Doroteia.
- Externato de João XXIII (Coimbra), particular;
O Núcleo tem como Objectivos:
► Estimular as escolas (do “núcleo”) a assumirem a sua identidade cristã
► Promover o intercâmbio de ideias e projectos
► Potenciar energias e esforços em áreas consideradas, consensualmente, prioritárias, tendo, também, como referência as grandes linhas do Plano Pastoral Diocesano e outras temáticas de índole nacional e internacional
► Promover, intensamente, o valor da solidariedade

As reuniões do Núcleo são sempre iniciadas com uma breve mas profunda reflexão feita pelo Senhor Dom Albino, motivando os Educadores presentes para o papel essencial da Escola Católica e do Educador da Escola Católica.

O Senhor Bispo acompanha e incentiva as grandes campanhas de Solidariedade que o núcleo tem desenvolvido, nomeadamente a favor da ACREDITAR, da APPACDM e no presente Ano para a Casa dos Pobres de Coimbra. Exemplos destas campanhas são os festivais, venda de Jornais de Turma, quermesses, barraquinhas e outros.

A criação do Núcleo provocou um intercâmbio vivo entre as Escolas católicas desenvolvendo actividades comuns o que mostra o empenho do Senhor Bispo em fomentar o Espírito de união e caridade numa só Igreja. Todos juntos podemos fazer mais e melhor, tornando-nos numa Igreja viva e actuante. Desta forma não caímos no risco de uma fé que, sem obras, é morta, como nos diz S. Tiago no Capitulo segundo versículo vinte e seis. (Tgo.2,26)

Muito mais poderia salientar mas ficaria sempre aquém do muito que vamos recebendo do dinamismo, inteligência, dom de si e sabedoria do Senhor Dom Albino
Por tudo isto que nos vai dando quero em nome das Religiosas desta Diocese expressar o nosso profundo apreço, admiração e agradecimento. Como afirma Ana Maria Javouhey Fundadora da Congregação das Irmãs de S. José de Cluny, à qual pertenço,
“Com uma vontade forte conseguem-se grandes coisas.”

Muito obrigada, Senhor Bispo.

E a ti, Ó Bom Deus, te louvo pelo Dom da Vida que és em cada um de nós e pelo que manifestas através da força do espírito. Particularmente hoje te louvo pelo sim radical e assumido que brilha nas obras realizadas pelo nosso Pastor. Te louvo pelo apelo permanente que nos fazes através do seu exemplo de entrega.
Te peço, Senhor, Bom Deus, que continues a dar luz, força, entusiasmo, dinamismo e longa vida ao nosso Bispo Dom Albino para assim continuar a cuidar do rebanho que lhe confiaste.

Louvemos o Senhor

Bem Hajam.


Irmã Otília

No Jubileu Episcopal de D. Albino Cleto


Homenagem ao Senhor Dom Albino
25º Aniversário do Episcopado


Foi para mim uma grande honra o convite que me foi feito para dirigir algumas palavras nesta ocasião tão solene. Aceitei em atitude de serviço apesar de reconhecer que tão alta celebração exigiria uma outra pessoa mais à altura.
Celebrando o vigésimo quinto aniversário da ordenação episcopal do Senhor Dom Albino, Bispo de Coimbra, gostaria de sublinhar três aspectos. Um primeiro de Acção de Graças pela vocação e missão episcopal do nosso Bispo, em segundo lugar, fazer um conjunto de reflexões sobre a doutrina conciliar acerca da Pessoa do Bispo e, por fim, sublinhar algumas notas acerca da acção pastoral do Senhor Dom Albino na Diocese de Coimbra.
Este é o momento de acção de graças pela vida, vocação e serviço que, por mandato divino, o Senhor Dom Albino representa no meio de nós. Gostaria de unir nesta palavra de acção de graças, a diocese da Guarda que o viu nascer e lhe deu os primeiros sacramentos e à qual o Senhor Dom Albino sempre se encontrou ligado, realçando a sua família e a sua paróquia de Manteigas, e incorporando, ainda, a Diocese de Lisboa que o formou humana, teológica e culturalmente, na qual exerceu o seu ministério de presbítero em diversas tarefas pastorais e de bispo auxiliar. Dar Graças ao Senhor que chama e envia. O Senhor Dom Albino é, desde há 10 anos o enviado por Jesus Cristo como Apóstolo à diocese de Coimbra.
Tal como, no ano de 2001, a Assembleia do Sínodo dos Bispos colocou perante si o Bom Pastor como o Modelo de todo o Pastor da Igreja, também nós levantamos o nosso ser para o Bom Pastor da Igreja, Jesus Cristo, para Lhe dar Graças pela forma tão sublime como quis fazer participante do Seu Ser Bom Pastor ao actual Bispo de Coimbra.
Realmente não se pode entender nenhum ministério na Igreja sem a referência a Jesus Cristo e através dEle ao Mistério Trinitário de Deus. Como afirma a Exortação Apostólica Post-Sinodal «Pastores Gregis», «vista em toda a sua profundidade, a dimensão cristológica do ministério pastoral introduz na compreensão do fundamento trinitário do mesmo. A vida de Cristo é trinitária: é o Filho eterno e unigénito do Pai e o ungido do Espírito Santo, enviado ao mundo; é Ele juntamente com o Pai, que envia o Espírito Santo à Igreja. Esta dimensão trinitária, que sempre se manifesta no modo de ser e de agir de Cristo, plasma também o ser e o agir do Bispo»(n. 7).
Neste ambiente de acção de graças, penso que a Igreja diocesana deve aprofundar a sua consciência acerca da Pessoa do Bispo na vida da Igreja diocesana.
Afirma o Concilio Vaticano II (LG, 20) que «entre os vários ministérios que na Igreja se exercem desde os primeiros tempos, consta da tradição que o principal é o daqueles que, constituídos no episcopado em sucessão ininterrupta são transmissores do múnus apostólico». E continua, «Portanto, os Bispos receberam, com os seus colaboradores os presbíteros e diáconos, o encargo da comunidade, presidindo em lugar de Deus ao rebanho de que são pastores como mestres de doutrina, sacerdotes do culto sagrado, ministros do governo. E assim como permanece o múnus confiado pelo Senhor singularmente a Pedro, primeiro entre os Apóstolos, e que se devia transmitir aos seus sucessores, do mesmo modo permanece o múnus dos Apóstolos de apascentar a Igreja, o qual deve ser exercido perpetuamente pela Sagrada Ordem dos Bispos. Ensina, por isso, o Sagrado Concílio que por instituição divina, os Bispos sucedem aos Apóstolos, como pastores da Igreja; quem os ouve, ouve a Cristo; quem os despreza, despreza a Cristo e Àquele que enviou Cristo».
É este o mistério que hoje se nos torna presente na celebração que nos reúne aqui. Este mesmo mistério é descrito na «Pastores Gregis» com as seguintes palavras: «Cristo é o ícone original do Pai e a manifestação da presença misericordiosa entre os homens. O Bispo, agindo em lugar e nome de Cristo, torna-se, na Igreja a ele confiada, sinal vivo do Senhor Jesus, Pastor e Esposo, Mestre e Pontífice da Igreja. Aqui está a fonte do ministério pastoral, pelo que (…) a tríplice função de ensinar, santificar e governar o Povo de Deus deve ser exercida com os traços característicos do Bom Pastor» (7). E quais são esses traços característicos do Bom Pastor? Responde este mesmo documento: caridade, conhecimento do rebanho, solicitude por todos, acção misericordiosa pelos pobres, peregrinos e indigentes, busca das ovelhas perdidas para conduzi-las ao único redil. E, mais à frente, completa este elenco, somando-lhe ainda os critérios das Bem-aventuranças, dizendo: «Em suma, os fiéis devem poder contemplar, no rosto do Bispo, aquelas qualidades que são dom da graça e que nas bem-aventuranças constituem quase o auto-retrato de Cristo: o rosto da pobreza, da mansidão e da paixão pela justiça; o rosto misericordioso do Pai e do homem pacífico e pacificador; o rosto da pureza de quem constantemente e unicamente contempla a Deus. Os fiéis hão-de poder ver, no seu Bispo, o rosto também daquele que continua a compaixão de Cristo pelos atribulados e às vezes, como sucedeu na história e acontece ainda hoje, o rosto cheio de fortaleza e alegria interior de quem é perseguido por causa da verdade do Evangelho» (n. 18).
Estes são traços que mais adiante sublinharemos na acção do Senhor Dom Albino nestes 10 anos de exercício pastoral na Diocese de Coimbra. Mas mais ainda, ao sublinhar estes traços, sinto toda a Igreja diocesana, sacerdotes, diáconos, religiosos, consagrados e leigos, a ser interpelada pelas mesmas exigências, porque se o Bispo não realiza a missão da Igreja sozinho, também desperta em todos os fiéis as mesmas exigências da acção pastoral.
Há duas expressões que bem sintetizam o ser do Bispo, Sumo Sacerdote, no seu ser e na sua missão: perito em humanidade e homem de Deus. É preciso que a exemplo de Jesus Cristo que sabia o que existe no interior de cada homem, seja capaz de conhecer em profundidade a alma humana, intuir dificuldades e problemas, facilitar o encontro e o diálogo, obter confiança e colaboração, exprimir juízos serenos e objectivos (cfr. PdV, 43). A Pastores Dabo Vobis, define deste modo o sacerdote como homem de Deus: «O sacerdote é o homem de Deus, aquele que pertence a Deus e faz pensar em Deus (…) Os cristãos esperam encontrar no sacerdote, não só um homem que os acolhe, que os escuta com todo o gosto e lhes testemunha sincera simpatia, mas também e sobretudo um homem que os ajuda a ver a Deus, a subir em direcção a Ele» (n 47).
Mas sobretudo o Bispo é o homem da comunhão que vive no seu ser e a exprime no seu actuar pastoral. Por isso, a vivência da comunhão eclesial levará o Bispo a um estilo pastoral cada vez mais aberto à colaboração de todos. Há uma espécie de circularidade, diz a Exortação Post-sinodal «Pastores Gregis», entre aquilo que o Bispo tem em si mesmo como responsabilidade pessoal de decidir para o bem da Igreja confiada aos seus cuidados e o contributo que os fiéis lhe podem oferecer através dos órgãos consultivos. E enumera o sínodo diocesano, o conselho presbiteral, o conselho episcopal e o conselho pastoral.
A Igreja é uma comunhão orgânica, que se realiza através da coordenação dos vários carismas, ministérios e serviços em ordem à consecução do fim último que é a salvação. O Bispo é responsável pela realização desta unidade na diversidade, procurando favorecer de tal modo a sinergia entre os diversos agentes que seja possível percorrerem juntos o caminho comum de fé e missão. Isto exige do ministério do Bispo o suscitar de novas formas de participação e corresponsabilidade nas várias categorias de fiéis. Por isso, o Bispo, prossegue o documento citado, «esforçar-se-á por suscitar, na sua Igreja particular, estruturas de comunhão e participação, que permitam escutar o Espírito que vive e fala nos fiéis e, depois, orientá-los a fim de porem em prática o que o mesmo Espírito sugere para o verdadeiro bem da Igreja» (n.44).
Pretendo, nestas minhas palavras e em breve síntese de alguns aspectos doutrinais acerca do ser e da missão do Bispo, colocar-me em comunhão com toda a Igreja diocesana em atitude acção de graças e de escutar os apelos que o Senhor Jesus Cristo nos quer dizer através desta celebração.
No dia 11 de Janeiro de 1998, dava entrada o Senhor Dom Albino na Diocese de Coimbra, nos primeiros quatro anos permaneceu como Bispo Coadjutor do Senhor Dom João Alves, agora Bispo Emérito de Coimbra e que temos a graça de ter aqui presente. Logo desde o início vimos na pessoa do Senhor Dom Albino a riqueza da sua personalidade, perito em humanidade, com invulgares qualidades humanas e homem de Deus porque na sua simplicidade e transparência de homem serrano, descobre-se no interior de si mesmo uma alma apaixonada por Jesus Cristo.
Nas suas palavras e nos seus comportamentos sentiu a diocese que o animava uma grande fé, uma forte comunhão Episcopal e uma sólida amizade com o seu, agora, antecessor, o Senhor Dom João Alves. Várias vezes o ouvimos dizer da sua alegria pela riquíssima herança que recebia, nos diversos campos em que se exprime a vida pastoral da diocese: um presbitério unido, boa formação e corresponsabilidade dos leigos, boa dinamização vocacional e uma boa organização das estruturas pastorais. Parecendo, deste modo, um Bispo que viria dar continuidade ao trabalho já realizado, cedo se impôs pela sua forma original de ser pastor diocesano.
Um primeiro aspecto que gostaria de realçar na actuação pastoral do Senhor Dom Albino é o conhecimento directo de todos os homens e mulheres que pertencem à sua diocese. Não sei se o Senhor Dom Albino conhece todos os seus diocesanos, será uma causa quase impossível, mas tenho a certeza que conhece todos os fiéis mais responsáveis dos diversos sectores e serviços pastorais. Mas há algo que é incontestado, não há ninguém que na diocese não conheça o seu Bispo. Seja nas visitas pastorais que faz com tanto empenho, seja nas diversas actividades que se vão realizando e que contam sempre, ou quase sempre, com a presença do senhor Bispo, seja, ainda, em encontros ocasionais, todas estas ocasiões são aproveitadas para estabelecer laços de comunhão e de amizade.
Atento à sua responsabilidade de Bispo e à situação do tempo presente, bem cedo apresentou, na sua Carta Pastoral programática «À sombra dos seus ramos», como sua primeira prioridade, os que se encontram afastados da fé. Penso que tem sido este campo pastoral que mais o tem preocupado, porque sendo afastados da Igreja, não possuímos instrumentos adequados para ir ao encontro destes irmãos nossos e filhos de Deus mas que ainda não despertaram para a sua participação na Igreja de Jesus Cristo. Quantas intervenções suas sublinham a necessidade de se alterarem as prioridades da actuação pastoral, admitindo que não se devem esgotar os recursos humanos na manutenção dos serviços religiosos
Sabendo que hoje há novos areópagos onde deve ser proclamada a Palavra de Deus, como o Magistério da Igreja tantas vezes tem afirmado, o vasto mundo da comunicação social, das associações, onde se forja a cultura, no domínio da economia, da arte, cedo o Senhor Dom Albino sentiu que era necessário empenhar esforços na valorização dos meios de comunicação social, seja os da diocese, seja no diálogo com os que se situam no domínio da sociedade em geral; sentiu-se interpelado pela torre de uma universidade que domina não só o emblemático de Coimbra como desafia a novas preocupações pastorais. São tantos os cristãos que aí estudam e leccionam ou trabalham que são um desafio constante à Igreja para que assumam a sua responsabilidade de serem fermento de Evangelho no meio universitário e do Ensino Superior. Quanto às associações, quantas vezes já mereceram destaque nos programas de pastoral, não só no seu reconhecimento mas também no contributo dos cristãos para a sua valorização.
A Igreja segundo o ritmo do Vaticano II exige a corresponsabilidade de todos os fiéis cristãos não só no trabalho pastoral imediato mas na reflexão e na decisão sobre os melhores caminhos pastorais. A diocese de Coimbra, poucos anos antes da sua entrada, tinha celebrado o sínodo diocesano. Foi um trabalho profundo e de expressão máxima da Igreja que vive a comunhão e se corresponsabiliza na missão. Agora, o Senhor Dom Albino, logo que iniciou o seu magistério como Bispo diocesano, convocou toda a diocese para lhe indicar as linhas de orientação pastoral para o Plano de Pastoral que deveria nortear a acção pastoral de toda a comunidade diocesana ao longo de cinco anos. Assim, dedicou-se empenho que se traduziu em iniciativas e projectos no domínio da família, dos jovens, dos carenciados, no diálogo fé-cultura e na promoção vocacional. Está agora a diocese a fazer a avaliação deste trabalho, mas podemos desde já reconhecer como se tem avançado nestas áreas.
Para melhor preparar os leigos para assumirem as suas responsabilidades na missão da Igreja, cada vez mais exigente, o Senhor Bispo propôs-se, de imediato, a criação da Escola diocesana de Leigos com meritórios resultados.
Merece um especial carinho e dedicação do Bispo os mais pobres e marginalizados. Isto mesmo o tem manifestado na sua acção. Não só pelo empenho pessoal em acompanhar as diversas instituições que, como organismos da Igreja diocesanas, respondem aos mais desprotegidos da sociedade, como provocou a sua permanência durante diversos anos de vigência do plano pastoral, como a sua visível preocupação não só pela pobreza tradicional mas, sobretudo, pelas novas formas de pobreza, determinadas pelas situações económicas e sociais do mundo de hoje. Certamente que estamos perante um campo de grandes exigência e de novas respostas.
Eu amo os meus padres. Várias vezes o Senhor Dom Albino referiu esta expressão. Mas não era necessário dizê-lo, todos nós sentimos que o Senhor Bispo sofre com cada um dos seus padres, quando surgem as dificuldades, e alegra-se com cada um deles, na alegria do ministério, vivido no dia a dia. Exige o Concílio que o Bispo faça um todo com o seu presbitério que coopera com o seu Bispo no serviço pastoral. De tal modo o Senhor Dom Albino leva à risca esta recomendação, que por vezes ficamos com a sensação que ao fazer-se tão irmãos dos seus padres se coloca demasiado ao seu lado e não tanto acima. É fruto da sua simplicidade, humildade e grandeza de alma. Não necessita de se colocar acima para se reconhecer que é o Pastor.
Ligado ao amor pelos seus padres está a sua paixão pelas vocações de consagração em geral e das vocações sacerdotais em particular. Graças a Deus, a diocese tem vindo a fazer, já há muito tempo, um bom trabalho no domínio do trabalho da pastoral vocacional, no pré-seminário e na adequada formação nos seminários. Sem dúvida, que o Senhor Dom Albino não só continuou este trabalho como lhe imprimiu um interesse e dinamização pessoal.
Certamente, reconhecemos que em tão curto espaço de tempo, dez anos, muito foi realizado, mas também sentimos que as palavras são pobres e a memória atraiçoa. Damos graças a Deus Senhor Dom Albino pela sua acção pastoral na diocese de Coimbra.
Mas há uma característica que é essencial ao ministério episcopal, a sua colegialidade, pela qual cada bispo faz parte de um colégio apostólico, presidido pelo Santo Padre, e toma a seu encargo a solicitude por todas as Igrejas particulares. Com que entusiasmo e zelo o Senhor Dom Albino preparou, realizou e relatou a visita «ad sacra limina apostolorum», momento alto da expressão desta colegialidade; com que interesse, preparação e dedicação se entrega às tarefas das Comissões Episcopais onde está integrado; que belo é vê-lo a manifestar a amizade e simpatia com todos os outros bispos da conferência episcopal, e vice-versa, é animador ver como os bispos portugueses falam com simpatia e amizade do Senhor Dom Albino.
Realcei no Senhor Dom Albino a sua humanidade, profunda fé e zelo caritativo. Prestes a terminar esta minha intervenção, gostaria de sublinhar a faceta de Pastor da Esperança. Deixei esta virtude teologal para o fim de propósito.
É este o horizonte onde se quis colocar o Sínodo dos Bispos de 2001, ao reflectir sobre o ser e a missão do Bispo, cuja Exortação Pós Sinodal leva como título «O Bispo Servidor do Evangelho de Jesus Cristo para a Esperança do Mundo». Esta Exortação, no nº 4, refere a verdadeira Esperança, no contexto da falência das esperanças humanas, para exemplicar, sublinha os factos do 11 de Setembro, ocorridos, pouco mais de um mês antes, com o resultado de inumeráveis vitimas inocentes e o aparecimento no mundo de novas e gravíssimas situações de incerteza e de temor. E, continua o texto, «configuravam-se, assim, novos horizontes de guerra e de morte que, juntando-se às situações de conflito já existentes, mostravam em toda a sua urgência a necessidade de dirigir ao Príncipe da Paz a imploração para que os corações dos homens voltassem a estar abertos à reconciliação, à solidariedade e à paz». Mas o texto vai mais longe e analisa mais profundamente o que chama a falência das esperanças humanas, que «baseando-se em ideologias materialistas, imanentistas e economicistas, pretendem medir tudo em termos de eficiência e relações de poder e de mercado». Onde colocar então a verdadeira Esperança? O mesmo texto responde, na convicção que nos anima na fé: «só a luz do Ressuscitado e o impulso do Espírito Santo ajudam o homem a apoiar as próprias expectativas na esperança que não desilude». Por isso, prossegue:«A certeza desta profissão de fé deve ser tal que permita tornar de dia para dia mais firme a esperança dum Bispo, levando-o a confiar que a misericordiosa bondade de Deus jamais cessará de construir sendas de salvação e de abri-las à liberdade de cada homem. É a esperança que o anima a discernir, no contexto onde desempenha o seu ministério, os sinais da vida capazes de derrotar os germes nocivos e mortais. É também a esperança que o sustenta na transformação dos próprios conflitos em ocasiões de crescimento, abrindo-os à reconciliação. Será ainda a esperança em Jesus, Bom Pastor, a encher o seu coração de compaixão induzindo-o a debruçar-se sobre a dor de cada homem e mulher que sofre, para cuidar das suas chagas, mantendo sempre viva a confiança de que a ovelha perdida pode ser encontrada. Deste modo o Bispo será sinal cada vez mais luminoso de Cristo, Pastor e Esposo da Igreja. Agindo como pai, irmão e amigo de todo o homem, será junto de cada um a imagem viva de Cristo, na esperança, no qual se cumprem todas as promessas de Deus e realizam todas as expectativas da criação».
Quanta paciência (esperança) verificamos na sua actuação, Senhor Dom Albino, ao longo destes anos, nunca abdicando do diálogo, da compreensão, sem transigir no essencial, mas compreensivo nas fragilidades humanas que se traduzem em alguns casos de conflito que algumas comunidades suportam no seu seio. Obrigado, Senhor Bispo por este seu exemplo de simplicidade e de coragem evangélica.
Este é o mundo, cujos traços me escuso de enunciar, que Deus continua a amar. Este é o nosso mundo que, tantas vezes sem o saber, necessita do anúncio da Boa Notícia, o Evangelho de Jesus Cristo.
Por isso, apela João Paulo II a que o Bispo, tal como recomenda o Apóstolo, anuncie o Evangelho oportuna e inoportunamente, repreenda, censure e exorte com bondade e doutrina (cfr. 2Tim. 4,2). Vivendo como homens de esperança e reflectindo no próprio ministério a eclesiologia de comunhão e missão, o Bispo será verdadeiramente motivo de esperança para o seu rebanho. E insiste João Paulo II, nós sabemos que o mundo necessita da esperança que não confunde. Sabemos que esta esperança é Cristo. Sabemo-lo e por isso proclamamos a esperança que brota da cruz (cfr. PG, 5), que, no dizer do Apóstolo, continuará a ser escândalo e loucura para o mundo.
Fica muito por dizer. Nestas circunstâncias as palavras são sempre pobres. Mas gostaria de terminar com um pequeno texto retirado da carta de S.to Inácio de Antioquia ao seu amigo Bispo Policarpo:
«Pela graça de que estás revestido, eu te exorto a acelerar ainda o teu passo e a exortar também os outros para que se salvem. Justifica a tua posição, empenhando-te todo, física e espiritualmente. Cuida da unidade; nada melhor do que ela. Promove a todos como o Senhor te promove; suporta a todos com amor, como aliás o fazes. Dispõe-te para orações ininterruptas; pede ainda maior inteligência do que já tens; sê vigilante, dono de um espírito sempre alertado. Fala a cada qual no estilo de Deus. Vai levando as enfermidades de todos como atleta consumado. Quanto maior o labor maior o lucro.
(…) O tempo actual exige tua presença, para chegares até Deus, assim como os pilotos anelam pelos ventos e os açoitados da tempestade pelo porto (…)
Aqueles que parecem dignos de fé e no entanto ensinam o erro não te abalem. Mantém-te firme como bigorna sob os golpes. É próprio de um grande atleta receber pancadas e vencer. Não tenhas nenhuma dúvida temos de suportar tudo por causa de Deus para que Ele também nos suporte. Torna-te ainda mais zeloso do que és; aprende a conhecer os tempos. Aguarda o que está acima do oportunismo, o atemporal, o invisível que por nossa causa se fez visível, o impalpável, o impassível que por nós se fez passível, o que de todos os modos por nós sofreu».
Consigo, Senhor Dom Albino, damos graças a Deus pelo bem que tem feito.


Padre João Lavrador

No Jubileu Episcopal de D. Albino Cleto


“ Lisboa chamo mãe!
A Coimbra chamo esposa!”


“À Diocese de Lisboa gosto de chamar mãe; a Coimbra chamo-lhe esposa. A ela entrego a minha vida. E sei que é sobretudo a esposa que torna feliz aquele que se lhe entregou. Obrigado, Coimbra!” Foi com estas palavras que o senhor D. Albino Cleto quis encerrar a sessão solene comemorativa do seu jubileu episcopal, que decorreu no Auditório da Reitoria da Universidade, no passado domingo, 27 de Janeiro.

Na mesa da presidência, o senhor D. Albino foi ladeado pelo vice-presidente da Conferência Episcopal. D. António Montes Moreira, pelo magnífico reitor da Universidade, Prof. Seabra Santos; pelo Governador Civil de Coimbra, Dr. Henrique Fernandes; pelo Presidente da Câmara Municipal, Dr. Carlos Encarnação; pelo vigário geral da Diocese, Mons. Leal Pedrosa; e pelo pró-vigário geral, Cónego João Lavrador. Em lugar destacado encontra-se o representante do Núncio Apostólico em Portugal, Mons. Luigi Roboberto Conat. Na assembleia, além de quase todos os bispos portugueses e das autoridades convidadas, encontravam-se familiares de D. Albino Cleto e várias centenas de leigos dos movimentos apostólicos e das paróquias da Diocese.

“sentimo-nos bem
com a sua presença”

A saudação inicial ao senhor D. Albino foi feita pelo seu vigário geral, Mons. Leal Pedrosa, afirmando que “estamos gratos a Deus pela sua presença nesta diocese de Coimbra, a qual muito tem recebido da sua generosidade pastoral e das sua simplicidade e alegria”.
Falando em nome de todos os presentes e de todos os fiéis da diocese. Mons. Leal dirigiu-se a D. Albino nestes termos: “Quero dizer-lhe que nos sentimos bem com a sua presença e que lhe estamos profundamente reconhecidos pela acção humana e pastoral que tem desenvolvido no meio de nós”.
Coube, de seguida, ao Cónego João Lavrador traçar o perfil de D. Albino e da sua actividade apostólica na Diocese de Coimbra.
Depois de referir alguns princípios sobre o ministério dos bispos, auferidos sobretudo dos antigos Padres da Igreja, o orador desceu ao terreno concreto da vivência de D. Albino como Pastor da Igreja conimbricense. E recordou a sua entrada, como bispo coadjutor, a 11 de Janeiro de 1998. “Logo desde do início – referiu – vimos na pessoa de D. Albino a riqueza da sua personalidade: perito em humanidade, com invulgares qualidades humanas e homem de Deus, porque na sua simplicidade e transparência de homem serrano, descobre-se no seu interior uma alma apaixonada por Jesus Cristo”.
Realçando alguns aspectos da sua actuação pastoral em Coimbra, o Cónego João Lavrador referiu, em primeiro lugar “o seu conhecimento directo de todos os homens e mulheres que pertencem à sua diocese”. “Não sei – acrescentou – se o senhor D. Albino conhece todos os seus diocesanos; mas tenho a certeza que conhece todos os fiéis mais responsáveis dos diversos sectores e serviços pastorais”. Verdade incontestada, porém, é a de “não haver ninguém na Diocese que não conheça o seu Bispo”.
De entre os vários campos de actividade (referiu a cultura, a comunicação social, a corresponsabilidade com a Igreja a nível nacional), o orador sublinhou “a dedicação do Bispo aos mais pobres e marginalizados”. Destacou, pois, “não só o empenho pessoal em acompanhar as diversas instituições que respondem aos mais desprotegidos da sociedade”, mas sobretudo “a sua visível preocupação pela pobreza tradicional” e “especialmente pelas novas formas de pobreza, determinadas pelas situações económicas e sociais do mundo de hoje”.
Depois, falou da relação ímpar que quase se pode palpar entre o Bispo e os seus padres. “Eu amos os meus padres” – colocou o orador na boca do prelado diocesano. E referiu que “o senhor Bispo sofre com cada um dos seus padres, quando surgem as dificuldades, e alegra-se com cada um deles na alegria do ministério vivido no dia a dia”. Neste âmbito referiu, com igual ênfase, “a sua paixão pela vocações de consagração”.
O orador terminou referenciado D. Albino como um homem de esperança. “É a esperança que o anima a discernir, no contexto onde desempenha o seu ministério, os sinais da vida”; “é a esperança que o sustenta na transformação dos próprios conflitos em ocasiões de crescimento”. E concluiu: “Quanta paciência (esperança) verificamos na sua actuação, D. Albino, ao longo destes anos, nunca abdicando do diálogo, da compreensão, sem transigir no essencial, mas sempre compreensivo nas fragilidades humanas”. Por tudo isto, “D. Albino, damos graças a Deus pelo bem que tem feito”.

O primeiro padre diocesano
ordenado por D. Albino

Seguiram-se, no uso da palavra, um padre, uma religiosa e um leigo, todos representando o inteiro Povo de Deus. O Padre Nuno Santos, responsável pelo pré-seminário, foi o primeiro presbítero diocesano ordenado pelo senhor D. Albino. Foi ele, depois de um momento poético (recordando Mons. Nunes Pereira) afirmou que “falar pessoalmente de alguém não é fácil”. E acrescentou: “todavia, não posso deixar de dizer que sinto o meu Bispo como um irmão mais velho, (alguém) que está próximo e que ouve a minha partilha, a sugestão e a opinião”. Depois referiu que “falar do senhor D. Albino significa necessariamente falar da Diocese de Coimbra e, consequentemente, de cada um de nós”. Por isso, deixou algumas interpelações (oito, no todo), de que referimos algumas: “Somos uma grande escola de voluntariado, a maior da região” (e falar da generosidade de padres e, sobretudo, de leigos” que dão gratuitamente de si e do seu tempo”). Depois “somos uma diocese que tem um clero dedicado, generoso e empenhado em dar o seu melhor” (os demais idades numa entrega até ao fim).
Um terceiro aspecto referido é o desta Diocese “que vê com esperança todo um dinamismo vocacional”. Isto, a par, de alguns pontos deficitários: “somos uma diocese que ainda convive mal com as novas tecnologias, mormente com a Internet”; somos “uma diocese com poucos padres formados em áreas específicas da teologia e quase nenhuns leigos…por isso, precisamos de desafiar mais presbíteros e leigos a estudar mais profundamente a teologia”. Depois somos uma diocese que precisa de apostar ainda mais na valorização do seu riquíssimo património artístico”. E finalmente “somos uma diocese que tem dificuldade em parar para pensar”. De qualquer modo, não esqueçamos que “é nesta diocese que fazemos a experiência profunda da aliança”.

Um bispo que incentiva
a seguirmos Jesus Cristo

Em representação dos institutos de vida consagrada, falou a irmã Otília, da Congregação de S. José de Cluny (Colégio da Rainha Santa), afirmando que “é com profundo reconhecimento” que sente o senhor Bispo “vibrar no Dia do Consagrado, marcando com a sua presença, as suas reflexões profundas, as palavras de ânimo e coragem para continuarmos a seguir um Deus de Amor”.
Em nome dos leigos da Diocese falou o Prof. José Carlos Seabra que “excorde” começou por referir que o senhor D. Albino “é um pastor cordial da humanidade comum”. E logo acrescentou tratar-se de “um mestre disposto a orientar os leigos da sua diocese, um mestre pelo testemunho”. Recordou ainda, como leigo empenhado na Pastoral Universitária, que D. Albino “tem um capital de simpatia enorme entre os intelectuais da Universidade e da Diocese de Coimbra”. Referiu ainda o seu espírito de “tolerância que não se deve confundir com aceitação da laicidade”.

“É Coimbra, a minha esposa
que me torna feliz”

Momento breve foi o da entrega ao senhor D. Albino de uma lembrança por parte dos padres, dos religiosos e dos leigos da Diocese de Coimbra: as chaves de um automóvel. Nada de mais justo, para quem, nestes últimos dez anos, utilizou a sua viatura pessoal nas deslocações pastorais por toda a Diocese. Ouvimos, ali ao lado, que D. Albino merecia muito mais!
E foi o senhor Bispo quem terminou a sessão, agradecendo a oferta e a presença de todos. E declarou: “À diocese de Lisboa gosto de chamar mãe. A Coimbra chamo-lhe esposa, pois é a ela que entrego a minha vida”. E explicou: “É sobretudo a esposa que torna feliz aquele que se lhe entregou. Obrigado, Coimbra!” O agradecimento de D. Albino estendeu-se ainda a Manteigas, terra da sua naturalidade. “Foi a terra onde bebia a fé. Para ela, para a minha família basta um olhar, que mais, não é preciso”. Entre os amigos, com quem fez “esta feliz caminhada na estrada da vida”, D. Albino quis destacar “uma pessoa privilegiada da Universidade de Coimbra, o cardeal Doutor Gonçalves Cerejeira”; o “cardeal D. António Ribeiro que me distinguiu na sua escola”; e D. João Alves “que venero como mestre dos meus tempos de rapaz”.

“Um bispo que quer ser
profeta da esperança”

O segundo acto desta comemoração festiva do jubileu episcopal de D. Albino foi a celebração da Eucaristia na Sé Nova, que uma vez mais foi pequena para albergar todos os fiéis que quiseram participar. Rodeado de dezenas de bispos e presbíteros, com a participação de largas centenas de diocesanos, D. Albino presidiu à celebração. No momento oportuno, reflectindo sobre a Palavra de Deus ali proclamada, afirmou que “o bispo sabe, porque, tal como os apóstolos, assim o aprendeu de Cristo, que só por amor os homens se deixam atrair. E é Deus quem os atrai”.
Continuando a sua reflexão sobre a edificação da Igreja referiu que “importa preparar as pedras, que são vivas”. E acrescentou: “Escolhidas quando foram baptizadas, há-de o Bispo cuidar que estas pedras vivas sejam aparelhadas coma verdade do Credo, embelezadas com a santidade cristã, bem vivas pela graça dos sacramentos, bem unidas pela fé, pela esperança e pela argamassa do amor”.
Na sua alocução, D. Albino referiu ainda que “O Bispo tem de ser hoje um profeta da esperança”, daquela esperança que, como aponta o Papa Bento XVI, deve ser “ a certeza de que se mantém sempre aberta a porta por onde o mundo chega até Deus”.
A jornada jubilar terminou com um jantar em que todos participaram, como irmãos, à volta do Bispo, em todas as circunstâncias, é o sinal da unidade do Povo de Deus.