Correio de Coimbra

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3 de setembro de 2008

Frades Capuchinhos deixam Santa Justa


Depois de mais de seis décadas de presença em Coimbra, os Frades menores Capuchinhos deixam o trabalho pastoral que mantinham na cidade, na igreja de Santa Justa. A saída estava já prevista há meses, concretizando-se no próximo domingo, dia 7 de Setembro, na missa das 10.30 horas, sob a presidência de D. Albino Cleto e com a presença de vários dos sacerdotes capuchinhos que animaram esta comunidade nos últimos decénios.
Durante muito anos, os Frades Capuchinhos fizeram da igreja de Santa Justa um centro de espiritualidade e de fervor religioso, sendo notável o serviço de atendimento aos fiéis, nomeadamente através do sacramento da reconciliação.
No próximo domingo, muitos dos que beneficiaram com a sua presença, irão por certo demonstrar quanto lhes estão agradecidos pelo seu trabalho e pelo seu testemunho apostólico.

Manuel Augusto Rodrigues galardoado pela Academia de História


O Professor Catedrático da Universidade de Coimbra, Manuel Augusto Rodrigues foi recentemente galardoado com o prémio "Fundação Calouste Gulbenkian", atribuído pela Academia Portuguesa de História. A obra intitulada "A Universidade de Coimbra – Figuras e factos da sua história", constitui um trabalho histórico/científico, em dois volumes e abrangendo 1760 páginas, que além da História da Universidade, aborda algumas das figuras e factos que marcaram no seu longo e rico percurso histórico. Manuel Augusto Rodrigues, apreciado colaborador do nosso jornal, foi director do Arquivo da Universidade. Parabéns!

Manuel Antunes salva criança de quatro anos


A equipa do cirurgião Manuel Antunes realizou no passado dia 27 de Agosto um transplante de coração a uma criança de quatro anos. A intervenção demorou cerca de três horas, decorreu sem incidentes e o menino de Peso da Régua, internado no Centro de Cirurgia Cardiotorácica dos Hospitais da Universidade de Coimbra (HUC), apresenta uma evolução clínica bastante favorável, confirmou o especialista ao nosso jornal.
A criança sofria de uma carrdiomiopatia dilatada, que a impedia de se alimentar e condicionava seriamente o seu crescimento e capacidade física. Desde o nascimento foi acompanhado pelo Serviço de Cardiologia dos Hospital Pediátrico de Coimbra, mas no último ano a insuficiência cardíaca tornou-se mais grave. O transplante era a solução de tratamento que se impunha. "Há mais de um ano que a criança era alimentada por uma sonda, desconhecendo já o sabor do leite", disse o cirurgião, explicando que a criança deverá, gradualmente, começar a fazer pequenas refeições. "O objectivo agora é que ela ganhe mais peso", disse ainda o médico. Segundo Manuel Antunes, foi a criança mais pequena que até gora transplantou em toda a sua carreira, mostrando-se impressionado com a boa evolução clínica.

Em solene liturgia, a 14 de Setembro

Santa Cruz volta a ter
"o melhor órgão de Portugal
"



Depois de devidamente restaurado pela Oficina de Pedro Guimarães, o órgão de Santa Cruz volta a poder ser ouvido naquele templo, nos diversos serviços litúrgicos e em concertos.
O regresso deste "monstro de harmonia" (como era classificado no século XVIII) vai ser assinalado com uma solene liturgia, no dia 14 de Setembro, presidida pelo Bispo de Coimbra D. Albino Cleto.

Santa Cruz volta a ter “o melhor órgão de Portugal”



No dia 14 de Setembro, dia Exaltação de Santa Cruz, D. Albino Cleto preside a uma eucaristia solene que assinala o restauro do histórico órgão dos cónegos regrantes.
A este propósito foi publicado uma brochura que relata a história daquele instrumento musical e os passos dados para o seu restauro.
Em nota introdutória, o pároco, Padre Anselmo Ramos Gaspar, afirma que, "entre o vasto património que nos foi legado pela comunidade claustral de Santa Cruz de Coimbra – com obras artísticas de valor inestimável, umas que ainda se encontram no espaço original e outras entretanto deslocadas, sobretudo a quando da extinção das ordens religiosas, em 1834 – conta-se um dos mais notáveis exemplares da organaria portuguesa e peninsular".
De facto, um documento do século XVIII, depois de afirmar que o Convento dos Cónegos Regrantes "sempre se esmerou em ter o melhor órgão de Portugal", acrescenta que o instrumento fabricado (sobre o que restava de um primitivo órgão de Portugal", acrescenta que o instrumento fabricado (sobre o restava de um primitivo órgão do século XVI) pelo insigne mestre Manuel Benito Gomes de Herrera, entre 1719 e 1724, "é sem dúvida o melhor de toda a Espanha". O autor do memorial, o mestre de capela e organista Dionísio da Glória, classifica o órgão como "um monstro de harmonia da Europa, incluindo os de Hamburgo, de Pádua, de Trento e de Palência.
Após a saída dos cónegos regrantes do seu mosteiro em 1834 e da entrega da igreja, vinte anos depois, para servir de paroquial, o órgão, pelo pouco uso, foi-se degradando. Em 1867 foi aberto um concurso para o seu restauro, que acabou por ser entregue a um organeiro do Porto, cujo trabalho não conseguiu fazer regressar o instrumento ao seu antigo esplendor. Nas décadas seguintes a utilização do órgão foi-se tornando cada vez mais rara, acabando este por quase emudecer; e praticamente mudo chegou ao nosso tempo.
Em boa hora um grupo dinamizado pelo então prior de Santa Cruz, cónego José Bento Vieira, propôs-se, nos anos 90, dar os passos necessários para que aquele que no século XVIII era considerado "o melhor órgão de Portugal" voltasse a ressoar no templo dos antigos crúzios. Depois de várias tentativas, de sucessivos contactos e de diversos pedidos, o Ministério da Cultura, através do IPPAR, decidiu financiar o restauro levado a cabo, entre 2004 e 2008, pela Oficina e Escola de Organaria de Pedro Guimarães e Beate von Rodhen, que se propôs recuperar completamente o instrumento, fazendo-o regressar ao nível harmónico de 1724.
Este regresso será assinalado com um concerto de uma organista suiça, no dia 19 de Setembro, e com uma solene celebração litúrgica, a 14 de Setembro , dia da festa da Exaltação de Santa Cruz, presidida pelo Bispo de Coimbra, D. Albino Mamede Cleto.


Miguel Cotrim

Semanas da Pastoral Social, uma história com êxito

D. António Marcelino


As Semanas da Pastoral Social foram iniciadas em 1983 e completam agora 25 anos. Nasceram com uma finalidade concreta: a formação dos agentes pastorais e das comunidades cristãs para um campo apostólico, na altura pouco privilegiado, mas determinante na linha do testemunho evangélico da caridade e da solidariedade.
O exercício da caridade, como ajuda fraterna, era a acção eclesial menos atendida na Igreja em Portugal, se a compararmos com a catequese das crianças e a liturgia, sobretudo das celebrações e devoções religiosas. Era como que uma acção meramente individual, escondida, realizada em geral apenas pelos vicentinos e por grupos reduzidos de voluntários em algumas paróquias, uma minoria no conjunto de cada diocese.
A Caritas Nacional exercia, desde o princípio, sobretudo uma actividade assistencial, e organizava campanhas por altura de calamidades graves. Estendia-se às paróquias por essas razões, sem grupos permanentes. A sua necessária renovação oferecia dificuldades, por motivo da rotina que vivia. As instituições de solidariedade social não eram numerosas, porque a política do Estado lhes era pouco favorável. As Misericórdias viviam uma crise prolongada, porque eram orientadas, na maioria dos casos, por gente com pouca sensibilidade cristã. Concentravam a sua acção nos hospitais concelhios, bem aceites pelas populações do interior, sem outras valências sociais, que só mais tarde proliferaram.
O tempo que se seguiu ao 25 de Abril, por razões óbvias, trouxe fortes dificuldades às instituições sociais da Igreja, com assaltos populares a centros sociais e uma ameaça renovada de nacionalização, em pleno gonçalvismo, travada à última hora, já com sentença lavrada.
Pouca sensibilidade e alheamento das comunidades cristãs; amadorismo dos agentes voluntários, sempre poucos, bem como impreparação do clero; múltiplos campos havia apelando para uma necessidade de resposta, a descoberto da acção da Igreja; instituições orientadas por gente com deficiente formação cristã e técnica; dificuldades provenientes dos serviços estatais, marcados pela ânsia da colectivização das respostas sociais ou da entrega das instituições ao "povo".
Era um panorama doméstico, não obstante algumas obras muitos válidas nas mãos de várias congregações religiosas e mesmo de algumas paróquias e dioceses do país. Não andavam por aí as grandes preocupações pastorais da Igreja em Portugal por meados do século.
As Semanas Nacionais de Liturgia, pelo êxito alcançado e fruto da renovação imposta pelo Concílio, incitavam a que se tentasse igual caminho na pastoral social. Mas era necessário acordar os cristãos e as paróquias para este campo. Foi então possível, porque a Caritas Nacional, com o caminho já andado e depois dos problemas graves porque passara, era conhecida e estava agora pacificada. Orientava esta instituição gente preparada e com espírito cristão. O Episcopado indicara-a como Secretariado Nacional da Pastoral Sócio Caritativa, uma tarefa a cargo da Comissão Episcopal respectiva. A esta a Caritas proporcionava o apoio logístico e humano para as iniciativas a tomar. Por sua vez, o Conselho Nacional da Pastoral Social, entretanto constituído com um espectro alargado, garantia a ligação normal e a sensibilização às carências no terreno e às necessidades dos diversos serviços e instituições que o constituíam.
Em 1983, pareceu à Comissão Episcopal e aos órgãos que a assessoravam, que se podia arrancar com as Semanas da Pastoral Social. Assim aconteceu. As primeiras três Semanas iam proporcionar, pelos temas tratados, um alicerce de acção continuada e um motivo de renovação urgente e inadiável.
Foram estes temas os seguintes: Pastoral Social, o que é? (1983); Pastoral Social, que objectivos? (1984); Pastoral Social, agentes e meios (1985).
Os 400 participantes na I Semana, eram já cerca de 500 na II Semana e mais de 600 na III Semana, vindos de todas as dioceses do país, com grupos significativos da Madeira e dos Açores.
A publicação rápida dos textos destas Semanas e o esforço por levar a reflexão às dioceses que assim quiseram, ajudaram a enraizar o projecto.
A IV Semana (1986), com mais de 800 participantes, foi realizada no centenário do Padre Américo e teve como tema Marginalidade dos jovens. Assim se abriu caminho às Semanas seguintes, reflectindo sempre temas objectivos e actuais, com o interesse manifesto de quem nelas participava.
A pastoral social ganhara, por fim, normal cidadania como acção eclesial.
É de realçar o empenhamento das Comissões Episcopais que se seguiram para manter e desenvolver o projecto inicial, o que nem sempre acontece com iniciativas válidas da Igreja, interrompidas e nunca mais retomadas, com prejuízos pastorais manifestos e esforços não respeitados.
Os problemas sociais têm-se multiplicado e agravado na sua complexidade e nos seus efeitos. A Igreja, ao serviço das pessoas, que não é outra a sua vocação, tem de estar cada vez mais atenta e interventora, sabendo ler atempadamente os sinais dos tempos e ouvir, com coração sensível, os gritos de dor dos inumeráveis "feridos da vida".
Dispomos hoje de mais meios humanos e técnicos, há mais abertura à colaboração entre os diversos agentes sociais, cresceu na Igreja a consciência de serviço às pessoas, faz-se um diagnóstico mais objectivo das situações e das necessidades. Já ninguém pensa que a pastoral social se esgota em acções assistenciais, mas sem se negar a estas quando necessárias, o caminho vai na linha da promoção em ordem ao desenvolvimento, à justiça e ao bem comum. Complementarmente, à defesa e implementação das estruturas indispensáveis. As três acções devem conjugar-se para uma melhor resposta aos problemas e maior empenhamento das pessoas e das comunidades.
Parece ser claro o êxito de uma iniciativa que já conta com 25 anos de acção, sem desvios nem cansaços.
A Igreja de Cristo se não favorece o exercício da caridade em todas as suas dimensões e com os meios mais válidos e, ao mesmo tempo, não se esforça por comprometer nesta acção as suas comunidades, está pondo em causa, por falta de testemunho, a sua acção profética e esvaziando de sentido e valor as suas celebrações litúrgicas, especialmente a celebração da Eucaristia, fonte que alimenta toda a acção sócio caritativa e a sua intervenção na sociedade.

Criminalidade: Posso entrar?

João Gonçalves*


Mas as notícias são por demais evidentes, para sabermos que o crime anda por aí, em todo o lado, a incomodar meio mundo...ou o mundo todo.
Cada qual dá a sua opinião sobre o modo como resolver esta ingente questão, que parece não abrandar; abrimos o jornal e, as primeiras quatro ou cinco notícias, são de assaltos, com fotos a ilustrar; as televisões fazem o mesmo, e parece que o mundo e as suas novidades se ficam por aqui!
Eu acredito que o outro lado do mundo também existe: o harmonioso, o arrumado, o trabalhador, o respeitador; por aqui também se movimentam pessoas, sabemos até que a maior parte. Por favor...digam também isto!
Quero entrar na lista dos que apresentam "soluções". Sei que não resulta a opinião de "um polícia para cada cidadão"; também sei que pôr um privado em cada esquina, não resolve; nem uma câmara de filmar; nem o "chip" em cada punho, nem a ameaça de muitos anos de prisão efectiva; nem sequer o risco que o sequestrador corre ao fazer alguns reféns.
...Então...não há soluções?
Elas não são um acto de magia, nem se encontram por aí em qualquer loja de ocasião ou nos armazéns onde nos habituámos e comprar de tudo. Trata-se de lidar com pessoas! E pessoas que têm, muitas vezes, marcas de histórias incontáveis; e não precisamos de ser especialistas em psicanálise para perceber razões e fundamentos para tantas coisas que vão acontecendo e que vão incomodando; os primeiros sofredores destes erros, e das suas causas são, a maior parte das vezes, quem os comete! Nem sempre e nem toda a gente assim pensa, e é muito fácil atirar uma pedra ao lobo mau que roubou a galinha para o seu pequeno-almoço.
Mais policiamento? Maior vigilância? Mais meios de controlo a indivíduos e grupos? Mais grades nas nossas janelas? Mais alarmes nas nossas entradas?...Mas o mundo não pode transformar-se numa enorme cadeia, onde todos somos prisioneiros ou onde todos nos vigiamos uns aos outros e de todos desconfiamos...Que mundo?! Assim, ninguém lá quererá viver!
...Então...não há soluções?
Eu entro neste cortejo de opiniões, se me derem licença, e dou a minha, que nem vale mais do que nenhuma outra...
Técnicos destes assuntos de criminalidade, dizem que algumas das explicações serão os baixos salários, o desemprego, as dependências, as exigências do nível social imposto pela propaganda... e muitas outras, que tentam explicar ou mesmo justificar; não discordo.
Vamos ensinar que é preciso ter mais respeito pela vida humana? – Não matar.
Vamos ensinar outra vez que é preciso respeitar o bem alheio? – Não furtar.
Vamos reaprender a respeitar os conselhos sábios dos mais velhos? - Honrar pai e mãe.
Vamos dizer que temos de viver com o nosso essencial? – Não cobiçar as coisas alheias.
Toda a gente anda preocupada – e o caso é para isso. – Mas... falemos de PREVENÇÃO! E prevenir o crime não é armadilhar avenidas e ruas, prédios e bairros com vigilância de vinte e quatro horas. A verdadeira e eficaz prevenção tem de ser feita na cabeça e no coração de cada pessoa. Por isso, eu entendo que é preciso ir também – e mais – com o coração, com o diálogo, com a criação de campos de proximidade – sem dispensar todos os outros meios.
Está garantido, por quem sabe, que o aumento da criminalidade não vai além dos 10%: mas 10% de crescimento é demais: porque é de crescimento! E vai crescer até quanto e até quando?
Neste cortejo de opiniões, junto as minhas; sou cidadão e também vejo à minha volta e percebo que há outras forças para mobilizar. Por exemplo: imagino que em muitos dos Bairros ditos "sociais", onde algumas coisas destas têm acontecido, haverá Instituições de Solidariedade Social, Centros Sociais, Comunidades Religiosas, Centro Cívicos, etc. Todas estas verdadeiras forças sociais terão de ser chamadas e maximamente apoiadas para uma intervenção de real trabalho de prevenção; estou certo de que, com os seus saberes e com o seu coração, muito se pode e deve fazer neste campo.
...Então...não há soluções?
Para as doenças bravas que por aí estão, a ciência, sem descurar as tentativas de cura e de tratamento, está a fazer um enorme esforço na área da prevenção. E isso estuda-se e obriga a recursos humanos e financeiros grandes. Talvez, se todas as Instituições de Voluntários, sem complexos, fossem chamadas e apoiadas a valer, se fizesse um mais eficaz e complementar trabalho de prevenção.
Também na PREVENÇÃO da criminalidade, eu acredito que a maior força é a do AMOR, isto é, a força de corações desarmados!


*(Coordenador Nacional da Pastoral Prisional)

O ABORTO DE DEUS

Teresa Martins


Para celebrar os dois mil anos do nascimento de São Paulo (o autor sagrado mais citado na Liturgia), o Papa Bento XVI instituiu o "Ano Paulino", que teve início em 29 de Junho de 2008, dia consagrado a S. Pedro e S. Paulo, e que deverá terminar um ano depois. Assim, todos somos particularmente convidados a melhorar os nossos conhecimentos e fortalecer a nossa responsabilidade evangelizadora, com mais e melhor consciência da missão que a todos nos toca. Para apoio, a Conferência Episcopal Portuguesa coloca ao nosso dispor o livro «Um Ano a Caminhar com S. Paulo», da autoria do Bispo Auxiliar de Lisboa, D. Anacleto de Oliveira, um trabalho catequético, muito completo, que, programado para cinquenta e duas semanas e tendo o Apóstolo Paulo como guia, nos proporciona uma grande aquisição de conhecimentos, enriquecida e facilitada com cânticos e oração.
Na 1ª Carta aos Coríntios, Paulo, ao afirmar-nos a ressurreição dos mortos, assume-se como «aborto de Deus», não se achando digno de ser considerado Apóstolo… «…foi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras, e apareceu a Cefas (cognome dado por Jesus a Simão Pedro, chefe dos Apóstolos), e em seguida aos doze. Depois apareceu a mais de quinhentos irmãos de uma só vez… Depois a Tiago, e a seguir a todos os apóstolos, e em último lugar apareceu-me também a mim, como a um aborto… É que eu sou o menor de todos os Apóstolos, e não sou digno de ser chamado Apóstolo, porque persegui a Igreja de Deus» "Só Deus é juiz da verdadeira grandeza, porque Ele conhece o coração dos homens", dizia Gandhi.
«O Aborto de Deus» é também o título de uma obra excelente da autoria de Alain Decaux, que nos confessa ter necessitado de vinte anos para se encorajar a colocar em livro toda a verdadeira vida de S. Paulo, de tal modo a tarefa lhe parecia «difícil e tortuosa»!… Mas conseguiu-o, e com grande mestria!… Utilizando permanentemente notas em rodapé, facilita-nos a aquisição de conhecimentos bíblicos sem esforço e até com um "sabor a romance" que nos delicia. Por exemplo, na Bíblia, o episódio ocorrido em «Tróade, ressurreição dum morto» (Act. 7, 12) S. Lucas relata o acontecimento. No livro, Alain Decaux mantém, como sempre, uma absoluta fidelidade nos factos, mas completa-os com vivências exteriores: «No século XVIII, Jonathan Swift, o famoso autor das Viagens de Gulliver, e que também era deão da Igreja de S. Patrício, em Dublin, escolherá para tema de um dos seus sermões "O sono da Igreja", referindo-se ao caso de Eutico para demonstrar que até São Paulo induzia o sono naqueles que o escutavam», muito embora, ao contrário de Jesus Cristo, que não escreveu nada, mas falou muito, Paulo, o «Grande Apóstolo da Palavra», tivesse falado muito pouco, se comparado com o muito que nos deixou escrito… Neste Ano Paulino, meditemos na frase soberba que Paulo nos legou, como herança: «Sede meus imitadores, como eu o sou de Cristo!…»

Projecto “Família Jovem” – 1ª avaliação de uma aposta

Jorge Cotovio


Há cerca de um ano, a diocese decidiu avançar com o projecto "Família Jovem". Com ele, pretende-se ajudar os casais novos que ainda nos vão procurando de vez em quando (na preparação para o casamento, aquando do baptismo dos filhos e na matrícula destes na catequese), acompanhando-os "na prosperidade e nas provações", prevenindo, assim, possíveis rupturas irreversíveis.
Deixemos os dois últimos momentos para outra oportunidade e debrucemo-nos sobre o acompanhamento dos casais que frequentaram o CPM e foram sensibilizados para este projecto.
De Janeiro a Julho p.p., 17 noivos aceitaram ser ajudados pelas estruturas da Igreja. A responsabilidade está agora do nosso lado e não podemos desiludi-los. São 17 potenciais famílias que têm de ser "comunidades de vida e amor". Conforme consta do projecto, o Secretariado Diocesano da Pastoral Familiar (SDPF) contacta o sacerdote responsável da paróquia de residência do casal. O pároco, em conjunto com a Equipa Paroquial da Pastoral Familiar (EPPF), ou com outras estruturas paroquiais, escolhe um casal amigo para acompanhar, "com engenho e arte", a nova família. Se não houver na comunidade um casal disponível para o efeito (será mesmo que não há?), então o SDPF recorrerá aos movimentos de espiritualidade familiar para destacarem um casal que se disponha assumir esta tarefa. É claro que este cenário será sempre o último recurso, pois compete à comunidade local fazer o acompanhamento destes novos casais, muitos deles a residir pela primeira vez na região.
E o que deve fazer o casal amigo para acompanhar e apoiar o "casalito"? Entra aqui a criatividade da EPPF e da comunidade local. Tendo os contactos dos cônjuges, não será difícil enviar uma mensagenzita de vez em quando (via mail, telemóvel ou telefone), ou trocarem umas palavras num café e se "cativarem" mutuamente, criando "laços". Depois de se "relacionarem" (e estamos a ver que o acolhimento é fundamental), podem surgir milhentas coisas, como por exemplo, convites para participarem numa festa, para frequentarem um encontro de formação, para integrarem uma estrutura paroquial (quiçá a própria EPPF) ou um movimento, etc. E assim tornávamos estes casais jovens, já "maduros", evangelizadores de outros casais.
É obvio que para tudo isto se tornar exequível (e não passar das "boas intenções") há que ter muito cuidado na escolha deste casal amigo. Convém que sejam pessoas com (boa) experiência matrimonial e com capacidade de acolher, isto é, de saber sorrir, mesmo no meio das dificuldades e com humildade suficiente para partilhar os seus êxitos, mas também os seus fracassos. E mais: que saibam dizer aos noivitos que as dificuldades, os amuos, as indecisões, as frustrações, o sofrimento, etc., fazem parte desta caminhada a 2 (e a 3, e a 4, e a 5, se tiverem filhos, como todos desejamos); que também saibam dizer que vale a pena superar as dificuldades, pois é fantástico viver o amor conjugal; que também saibam dizer que uma família "feliz" (ou seja, que aceita a provação e a transforma em prosperidade) é mais de meio caminho para nos sentirmos bem.
Vamos "agarrar" (isto é, prender com garra, com entusiasmo) estes 17 casais (e todos os outros que, futuramente, também nos vão pedir ajuda) com muita Fé e Esperança. Nós precisamos urgentemente desta pastoral de pessoas com rosto, com nome, em detrimento da tradicional pastoral de massas. Meia dúzia de bons casais numa comunidade bastarão para "converter" muitas famílias.
Uma sociedade com novos paradigmas, novos comportamentos e novas formas de estar, exige novos desafios. Precisamos de ser ousados e criativos, e acreditar que um casal "salvo" (já) é extraordinário.
Avancemos, pois, para um novo ano pastoral na certeza de que as nossas comunidades vão ter a vitalidade suficiente para acarinhar estes casais e apetrechá-los com as defesas necessárias para sublimar (isto é, "tornar sagradas") as contrariedades da vida. Custe o que custar!