Correio de Coimbra

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21 de março de 2007

Aníbal Duarte de Almeida em entrevista ao “Correio”


Para alguns políticos, os pobres
não têm voto nem sindicato


Os pobres "são o resto de uma sociedade um bocado ingrata" - afirma em entrevista ao "Correio", Aníbal Duarte de Almeida, presidente da "Casa dos Pobres" de Coimbra, que está prestes a ter novas instalações em S. Martinho do Bispo.
Aníbal Duarte de Almeida, presidente da Casa dos Pobres de Coimbra, fala da história da instituição com o entusiasmo de quem fez da vida uma luta por aqueles que são, muitas vezes, tratados como "o resto de uma sociedade um bocado ingrata". Ainda a exercer a profissão de técnico oficial de contas e assumindo cargos como a presidência dos conselhos fiscais da Caixa de Crédito Agrícola Mútuo e da Santa Casa da Misericórdia de Coimbra, abraça projectos e causas em nome dos que se queixam de pobreza e de solidão. As novas instalações da Casa dos Pobres em S. Martinho do Bispo são um sonho quase realizado. Depois de uma construção de 300 mil contos, fica a falar o equipamento… À cidade e aos seus grupos e instituições agradece o apoio e a solidariedade, afirmando que os inimigos são sempre um motivo para seguir em frente. Utilizando o jornalismo e a sua colaboração em vários jornais, faz da sua vontade de alertar a sociedade "uma espécie de sacerdócio" e explica que "entre assistir a uma oração ou salvar uma ovelha que está no poço, prefere salvar a ovelha".


Como está, neste momento, o processo de construção das novas instalações da Casa dos Pobres em S. Martinho do Bispo?
Neste momento, estão a ser feitos os acabamentos por dentro e a ser preparada a instalação da electricidade e da canalização. São coisas que demoram muito tempo. O edifício é muito grande e, nesta fase, parece que o tempo não anda… mas anda! E queremos que tudo esteja preparado para dar o maior conforto possível àqueles que vão usufruir da casa, que são o resto de uma sociedade um bocado ingrata.


A futura localização da Casa em S. Martinho do Bispo é preferível à Baixa de Coimbra?
A Baixa de Coimbra tem a vantagem de permitir às pessoas a convivência com o pulsar da cidade. Em S. Martinho fica-se um bocadinho mais longe, embora aquela seja uma zona habitacional moderna, muito agradável e muito bonita. Mas tudo é compensado pelas instalações que serão muito melhores do que estas. Eu estou sempre "com o credo na boca" e ao fim-de-semana tenho sempre o telemóvel ligado por medo que, por exemplo, rebente uma botija numa casa que é toda de madeira.


As instalações actuais, na Praça Velha, estão cedidas à Casa dos Pobres?
Não. Estamos a pagar uma renda. Estivemos dois anos sem a pagar por compreensão dos donos do prédio. Esse era o período previsto para a construção da nova casa, mas, as burocracias e confusões inerentes ao início de qualquer obra fizeram com que os dois anos fossem ultrapassados. O contrato de ocupação definia que ao fim desse período começaríamos a pagar renda e é o que acontece desde Janeiro de 2004. Pagamos 1500 euros actualizáveis.


Como nasceu a Casa dos Pobres e com que sentido foi fundada?
A Casa dos Pobres nasceu no dia 8 de Maio de 1935. O comandante da polícia da época, muito preocupado com a mendicidade que grassava na cidade, com as pessoas andrajosamente vestidas, cheias de fome, a dormir nos vãos das escadas ou nas valetas, pensou, numa conjugação de esforços com o governo civil e com a Câmara Municipal de Coimbra, em criar a Casa dos Pobres. Foram feitos os registos em 1934 e, no ano seguinte, surgiu a casa no Pátio da Inquisição, numas instalações que previamente lhe foram atribuídas pela Câmara Municipal de Coimbra, no dia 1 de Fevereiro de 1934, depois de uma deliberação camarária que conseguiu a unanimidade. Mais tarde, a autarquia, no tempo do Dr. Manuel Machado, entendeu que devia fazer do Pátio da Inquisição um centro histórico, o que não se harmoniza com a presença de velhos depauperados, que não prestam para a sociedade, não têm voto nem sindicato. Portanto havia que retirá-los de lá e deram-nos como alternativa uma subcave no Bairro da Rosa. Chegou a ser assinado um protocolo entre a Câmara e a Casa dos Pobres mas nunca concordei com aquilo e, através do jornalismo, combati até ao limite das minhas forças, pela anulação daquele protocolo. E consegui. Começou, então, uma nova odisseia para arranjar umas novas instalações. Só a construção são 300 mil contos e falta ainda o equipamento… Entretanto, eu e outras pessoas criámos o grupo "Os Românticos", que todas as segundas sextas-feiras de cada mês almoça na Casa dos Pobres. Pagam a refeição e ficam sempre uns trocos… Têm sido a alavanca, o sustentáculo da Casa. São, agora, entre 50 e 60 pessoas. Um grupo muito mais numeroso também não caberia no nosso refeitório. Há também muitas iniciativas da cidade que nos apoiam, como os juízes do Tribunal da Relação de Coimbra, a ordem dos Engenheiros, dos Advogados e muitos outros.


Sente que a cidade valoriza o trabalho da instituição?
Sim. Talvez por ironia do destino, a Casa tem um presidente que é colaborador da comunicação social… Vou alertando a sociedade dessa forma para a nossa causa. Costumo dizer que é uma espécie de sacerdócio. Não sei se estou no bom caminho se não… Sou uma pessoa crente e não me custa dizê-lo, mas não sou praticante, ou melhor, sou praticante na obra concreta. E entre assistir a uma oração ou salvar uma ovelha que está no poço, eu prefiro salvar a ovelha. A cidade apoia-nos sim. Os bancos vão ajudando também, por exemplo. Há também quem reze muitos padre-nossos e quem se confesse a toda a hora e momento e, apesar disso, entendem que o auxílio à Casa dos Pobres está sempre abaixo de outros compromissos. E respondem-nos mecanicamente com uma carta: "Em virtude de outros compromissos assumidos, não podemos ajudar…" Recebemos esta resposta de alguns bancos de renome e falamos provavelmente de pessoas que até vão á missa todos os dias… Mas gostava de dizer também que o Sr. Bispo D. João Alves e o Sr. Bispo D. Albino Cleto sempre nos ajudaram. Este ano, recebi um telefonema do D. Albino a pedir para me ver na Casa dos Pobres no dia seguinte. Entregou-me um cheque de 100 contos, no dia seguinte. A colaboração com a instituição já começara com D. João Alves e o D. Albino não quebrou a cadeia. Na altura das lutas com a Câmara por causa das instalações, o Sr. Bispo D. João, que parece uma pessoa circunspecta, e sem que nunca tivesse falado muito com ele, deu uma conferência de imprensa e intercedeu pela Casa dos Pobres. Isso teve alguns reflexos, até pelo peso que a diocese tem na cidade. Entendi depois que devia agradecer-lhe e ele sorriu para mim e disse-me apenas: "Não tem de quê". Este é um pouco do meu percurso e do meu relacionamento com as entidades de Coimbra. Lembro-me também da sardinhada que fizemos com alguns políticos em S. Martinho, em Setembro do ano passado, em que esteve presente o Dr. Manuel Machado, o antigo presidente da Câmara. Tive que lhes dizer o que o professor Bissaya disse na inauguração da Casa da Infância de Soure: "Devo aos meus adversários toda esta obra". Porque eles dão-nos sempre motivo para uma luta. Quando estudei Física aprendi que numa força tem que se ter em conta o ponto de aplicação, o sentido, a direcção, a intensidade. Se eu tiver o ponto de aplicação, o resto eu procuro desenvolver.


"Quando estudei Física aprendi que numa força tem que se ter em conta o ponto de aplicação, o sentido, a direcção, a intensidade. Se eu tiver o ponto de aplicação, o resto eu procuro desenvolver."


Quantas pessoas acolhem agora?
Acolhemos 49 pessoas, maioritariamente mulheres, que nos chegam já muito fragilizadas...


Como é que os pedidos de ajuda chegam à Casa dos Pobres?
As pessoas dirigem-se a nós e pedem ajuda. Quem chega é inscrito e acompanhado por uma assistente social que visita a casa das pessoas e estuda cada situação. Na medida do possível, e se tivermos vaga, vamos atendendo os casos dos mais carenciados. Neste momento devemos ter cerca de 240 pessoas em lista de espera.


Que valências possui a instituição?
A valência de lar apenas, porque não temos outra hipótese. Temos dois casos em que servimos só a refeição mas não podemos, por exemplo, levar as refeições a casa das pessoas. Ideal seria não termos que desenraizar as pessoas dos lares e das famílias e queríamos apontar para aí mas é muito complicado. Até porque as famílias estão muitas vezes desagregadas, com problemas.


As carências de quem procura a instituição são também relacionais, afectivas, …
Sente-se muito um problema de solidão. Muitos chegam-nos a dizer isso mesmo, que estão sós. Mas não podemos atender a todos…E só quando morre alguma pessoa, podemos abrir uma vaga. Cada pessoa que está na Casa tem o seu drama, a sua história. E às vezes descarregam na comunidade toda esta carga que trazem atrás de si. É preciso uma paciência, um equilíbrio e uma força de vontade muito grandes.


"Cada pessoa que está na Casa tem o seu drama, a sua história. E às vezes descarregam na comunidade toda esta carga que trazem atrás de si. É preciso uma paciência, um equilíbrio e uma força de vontade muito grandes."


Quantas pessoas trabalham na Casa neste momento?
Trabalham 23 pessoas na Casa neste momento.


Que meios tem a instituição para sobreviver?
Temos à volta de oito mil associados. Ultimamente têm-se inscrito muitas pessoas a pensar já no amanhã e pensando que, inscritas como sócios, poderá ser mais fácil a sua entrada. Claro que pode não ser suficiente. Nesta avalanche, vamos recolhendo quem podemos, consoante as necessidades das pessoas e as nossas possibilidades. Recebemos também muitos donativos. Ainda há pouco tempo, uma empresa fez cinquenta anos, juntou os seus fornecedores e amigos e ofereceu mil contos. Também um empresário de Coimbra, que não quer ser nomeado, há cerca de um ano, ofereceu 25 mil euros. É aqui que se sente a prática do que nos diz a Bíblia. É nestas coisas.

O livro de Bento XVI sobre “Jesus de Nazaré”


Manuel Augusto Rodrigues

Está para breve, precisamente a 16 de Abril, dia em que Bento XVI perfaz 80 anos, o aparecimento do livro da sua autoria, "Jesus de Nazaré. 1.ª parte: do Baptismo no Jordão à Transfiguração". Começou a escrevê-lo em 2003, como nos diz na longa introdução datada de 30 de Setembro passado (dia de S. Jerónimo, o grande padre da Igreja que tanto valorizou a Sagrada Escritura), parte da qual já é conhecida. Nessas passagens, em síntese, Jesus é apresentado como o novo Moisés, o novo profeta que fala com Deus face a face, que é o Filho, profundamente unido ao Pai.
Trata-se de um estudo que se reveste de uma importância muito grande para os tempos que correm, um livro que interessa não só aos católicos mas a todos os que se dizem seguidores do Evangelho. Que tem o cristianismo a dizer acerca das questões fundamentais do homem de hoje? Esta pergunta está ligada a uma outra: quem é Jesus de Nazaré? Foi somente uma grande personalidade ou foi algo mais? O livro de Bento XVI surge pouco tempo depois de Corrado Augias e Mauro Pesce, professor de história do cristianismo em Bolonha, terem escrito «Inchiesta su Gesù», em que o primeiro autor pergunta e o segundo responde. Segundo Pesce Jesus era um judeu que não queria fundar uma nova religião. Estava convencido de que o Deus da Sagrada Escritura queria transformar o mundo instaurando na terra o seu reino. O próprio Jesus interessou-se também pelos problemas do mundo. Por fim, nada disso sucedeu e assim adveio a condenação. Depois houve reacções várias por parte dos discípulos. Também Vittorio Messori deu à luz da estampa o livro "Ipotesi su Gesù". No fundo os dois livros apresentam a pessoa de Jesus como um simples hebreu, apenas um homem que surgiu com ideias especiais dentro da mentalidade da sua época, mas que nada tinha de divino.
Neste texto seguimos de perto as suas palavras introdutórias. Começa por tratar da historiografia de Cristo a partir dos anos 30 – 40, que foram os da sua juventude, e diz qual a motivação que o levou a lançar-se agora nesta empresa. Naquele tempo, eram famosos os livros de Karl Adam, Romano Guardini, Franz Michel Willam, Giovanni Papini, Jean Daniel-Rops. Como diz, neles a imagem de Jesus Cristo é apresentada a partir dos evangelhos: como ele viveu na terra e como, sendo homem, trouxe Deus em si e ao mesmo tempo aos homens na terra, com o qual, enquanto Filho, era uma e a mesma coisa. Assim, pelo homem Jesus, tornou visível a Deus e a partir de Deus pôde ver-se a imagem do homem justo.
Com o decorrer dos anos a situação alterou-se: passou a fazer-se a distinção entre o Jesus histórico e o Cristo da fé afastando-se uma realidade da outra e criando-se mesmo um fosso entre ambas. Mas, interroga-se o pontífice: que significado pode ter a fé em Jesus Cristo, em Jesus Filho de Deus vivo, se depois o homem Jesus começa a ser tão diferente da forma como é apresentado pelos evangelistas?
Lembra que os progressos da investigação histórico-crítica conduziram a distinções sempre mais subtis entre os diversos estratos da tradição. Por detrás delas, a figura de Jesus, em que se apoia a fé, passou a ser cada vez mais incerta, e tomaram-se menos exactos os seus contornos; segundo não poucos especialistas, Jesus devia ser procurado para além das tradições dos evangelistas e das suas fontes, e assim se passou a interpretações sempre mais contraditórias: desde o revolucionário inimigo de Roma que se opõe ao poder constituído que naturalmente desaparece ao mito moralista que tudo permite e inexplicavelmente acaba por causar a própria ruína.
Acrescenta que quem lê depois um certo número destas reconstruções pode imediatamente constatar que elas são muito mais fotografias dos seus autores e das ideais que possuem do que a apresentação clara da imagem de Jesus; e assim a própria figura de Jesus afastou-se ainda mais de nós.
Desta forma, prossegue, todas as tentativas feitas deixaram como denominador comum a impressão de que nós sabemos muito pouco de seguro acerca de Jesus e que só mais tarde a fé na sua divindade viria a plasmar a sua imagem.
E prossegue: esta impressão, entretanto, penetrou profundamente na consciência comum da cristandade. Uma tal situação é dramática para a fé porque torna incerto o seu autêntico ponto de referência; a íntima amizade com Jesus, de que tudo depende, ameaça conduzir ao vazio.
Sentiu a necessidade de fornecer aos leitores estas indicações de método porque elas determinam o caminho da sua interpretação da figura de Jesus no Novo Testamento. Confessa que tem confiança nos evangelhos sem deixar de reconhecer naturalmente quanto o concílio e a moderna exegese dizem sobre os géneros literários, a intencionalidade das afirmações, o contexto comunitário dos evangelhos e a sua forma de falar neste contexto vivo. Aceitando tudo isso, quis fazer a tentativa de apresentar o Jesus dos evangelhos como o verdadeiro Jesus, como o Jesus histórico no verdadeiro sentido da palavra.
Está convencido e espera que também o leitor concorde em que esta figura de Jesus é muito mais lógica e do ponto de vista histórico também muito mais compreensível do que as reconstruções com as quais estivemos confrontados nas últimas décadas. Não duvida que este Jesus – o dos evangelhos - é uma personagem historicamente sensata e convincente. Só se tivesse sucedido alguma coisa de muito extraordinário, essa figura e as suas palavras que superavam radicalmente todas as esperanças e as expectativas da época, se poderiam explicar a sua crucifixão e a sua eficácia.
Recorda que, passados cerca de 20 anos após a morte de Jesus, encontramos plenamente desenvolvida no grande hino a Cristo na Carta aos Filipenses (2, 6-8) uma cristologia, em que de Jesus se diz que era igual a Deus mas se despojou a si mesmo, se fez homem, se humilhou até à morte na cruz e que lhe é devida a homenagem das criaturas, a adoração que no profeta Isaías (45, 23) Deus proclamou como a que só a ele se devia prestar. A investigação histórica coloca justamente a questão: o que sucedeu nestes 20 anos desde a crucifixão? Como se chegou a esta cristologia?
Afirma que a acção de formações comunitárias anónimas, de que se procura encontrar os expoentes, na realidade não explica nada, pelo que coloca a seguinte questão: como é possível que grupos desconhecidos pudessem ser tão criativos, convencer e em tal modo impor-se? Não é mais lógico do pondo de vista histórico que a grandeza se coloque desde o início e admitir que a figura de Jesus fez na prática ultrapassar todas as categorias disponíveis e só pôde ser assim compreendida a partir do mistério de Deus? Crer, sim, que como homem ele era Deus e deu a conhecer essa realidade nas parábolas, todavia sempre de uma forma que está para além do método histórico. Se a partir desta convicção de fé se lêem os textos com o método histórico a sua abertura é maior, e eles rasgam-se para mostrar uma vida e uma figura que são dignos de fé.
Tornam-se então claras também as diferenças presentes em muitos casos nos escritos do Novo Testamento à volta de Jesus; e não obstante, todas as diversidades, há um profundo acordo nestes textos. É claro que com esta visão da figura de Jesus eu vou para além do que diz por exemplo Schnackenburg em representação de uma boa parte da exegese contemporânea.
Diz que não é contra a exegese moderna, manifestando com grande reconhecimento os resultados por ela alcançados. Teve a preocupação de ir mais além da mera interpretação histórico-crítica aplicando os novos critérios metodológicos que permitem uma interpretação propriamente teológica da Bíblia e que naturalmente requerem a fé, sem por isso renunciar à seriedade histórica.
Afirma que não é um acto do magistério mas unicamente expressão da sua pesquisa pessoal do "vulto do Senhor" (Sal 27, 8) e que todos são livres de o contradizer. Como comentou alguém, o livro é um grandioso fresco em dois volumes sobre o que o próprio papa definiu "o mistério de Jesus". A sua leitura é originalíssima, o mesmo se podendo dizer da sua análise histórico-teológica do fundamento da fé cristã; um livro que está na sequência do trabalho científico produzido ao longo da sua vida com cerca de 600 artigos e uma centena de obras. Bento XVI manifestando uma grande paixão pelos temas que estuda e convidando o leitor a aproximar-se de Jesus, não descura o rigor científico que se impõe.

Fé e Compromisso


ALGUMAS DIFICULDADES

José Dias da Silva
Gostaria de voltar à Nota Pastoral dos nossos Bispos. Não tanto para recordar a "resposta urgente" que se impõe de "criar ou reforçar estruturas de apoio eficaz e amigo às mulheres a braços com uma maternidade não desejada e que consideram impossível levar até ao seu termo" (4), mas para reflectir algumas dificuldades que se colocam à missão da Igreja que "tem, de ser, cada vez mais, pensada para um novo contexto da sociedade" (3).
"A Igreja respeita a consciência, o mais digno santuário da verdade. Não a ameaça, nem atemoriza, mas quer ajudar a esclarecê-la com a verdade, pois só assim poderá exprimir a sua dignidade" (3). Esta afirmação dos nossos Bispos aponta para um pressuposto – o de que (só) a Igreja possui a verdade – que dificulta o diálogo defendido pelo Concílio e caracterizado pela Ecclesiam suam de Paulo VI. O Concílio proclama a "justa autonomia das realidades terrestres" (GS 36) que "não são apenas meios para o fim último do homem, mas possuem valor próprio, que lhes vem de Deus" (AA 7), afirma que "pela fidelidade à consciência, os cristãos se unem aos outros homens para procurar a verdade e a solução justa de tantos problemas morais" (GS 16), reconhece que é "à luz do Evangelho e da experiência humana" que devem ser analisadas as questões "que afectam profundamente o género humano" (GS 46) e admite que nem sempre tem "uma solução concreta para todas as questões, mesmo graves" (GS 43). Paulo VI apresenta o diálogo como parte estruturante da missão da Igreja, já que tem como fundamento o diálogo de Deus com o Mundo (70), pelo que deve obedecer a algumas condições: ir sem esperar que nos chamem, com amor fervoroso e desinteressado, "sem limites nem cálculos", respeitando a liberdade pessoal e civil, sem coacção externa, mas apenas pela força da persuasão interior e atendendo "às lentidões da maturação psicológica e histórica" (71-77).
É numa atitude de humildade e de atenção amorosa ao mundo que a Igreja, qual samaritano, se coloca ao serviço da busca da verdade, pois vivemos num mundo secularizado, onde se cruzam muitas outras propostas. A Igreja, frente a estes desafios, deve reconhecer que não tem competência exclusiva no campo da normativa ética nem é a única justificação das opções morais válidas, o que pode obrigar, em determinadas circunstâncias, a pensar em duas "versões" dos valores morais (M. Vidal): uma para o interior da comunidade, que sempre terá de respeitar uma ética de máximos, o Sermão da Montanha; outra para o exterior, pois deve, dando o seu contributo insubstituível, enquadrar-se na ética de mínimos que regule a ordem social
Há uma segunda afirmação que queria destacar: "Aos católicos… convidamo-los a examinarem… as exigências de fidelidade à Igreja a que pertencem e às verdades fundamentais da sua doutrina" (3). Enquadrando-se esta afirmação no âmbito da moral, torna-se urgente um diálogo dentro da própria Igreja em que todos os fiéis sejam tratados como sujeitos, inseridos na história e construtores dessa mesma história. Hoje, muitos cristãos sentem que há não só uma excessiva dogmatização neste âmbito mas também um discurso mais próprio de séculos passados do que da realidade presente, carente de uma adequada iluminação (cf. GS 4) e particularemente quem têm de lidar com crianças e jovens. Esta tendência dogmatizante, num campo tão sensível às mudanças históricas, não deixa espaço suficiente para o contributo insubstituível que, concretamente os leigos, aqueles que mais são confrontados com as mudanças, são chamados a dar (cf. FC 5) e pode esquecer a recomendação de "aplicar as verdades eternas à condição mutável das coisas humanas e anunciá-las de modo conveniente aos homens nossos contemporâneos" (OT 16).
E se há "uma hierarquia das verdades da doutrina católica, já que o nexo delas com o fundamento da fé cristã é diferente" (UR 11), também "a Igreja deveria proclamar uma hierarquia de verdades morais segundo a distância ao centro (da moral cristã) que é o amor" (G. Faus).
É que há cristãos que vivem angustiados com a carga de uma moral normativa que sentem desincarnada. E serão cada vez menos, se não houver capacidade para formar as consciências cristãs não apenas segundo normas e sanções (que pode facilmente transformar-se numa "pastoral do medo" ou da "culpabilidade") mas sobretudo segundo uma "ética de sentido", que nos aponte o rumo a privilegiar num tempo de permanentes mudanças e relativização de valores (privilegiando uma "pastoral da responsabilidade"). As palavras de Bento XVI, logo a abrir a sua primeira encíclica, são bem claras: "No início do ser cristão, não há uma decisão ética ou uma grande ideia, mas o encontro com um acontecimento, com uma Pessoa, que dá à vida um novo horizonte e, desta forma, o rumo decisivo" (DCE 1).
Como dizia alguém, "os católicos, quando entram na Igreja, são convidados a tirar o chapéu, não a cabeça". Se assim não for, continuará a haver muita dificuldade em transformar o "rebanho de Deus" em "Povo de Deus". E sem esta transformação, poderemos continuar a ter muitos fiéis, "cumpridores do preceito", mas sempre incapazes de assumir as responsabilidades que lhe cabem na missão da Igreja: "Reconhecendo quais são as exigências da fé e por ela robustecidos, não hesitem, quando for oportuno, em idear novas iniciativas e levá-las à realização. Compete à sua consciência previamente bem formada, imprimir a lei divina na vida da cidade terrestre… Esclarecidos pela sabedoria cristã e atendendo à doutrina do magistério, tomem por si mesmos as próprias responsabilidades" (GS 43).
É esta a distância entre católicos adultos e responsáveis ou católicos consumidores de serviços. A Igreja, que somos todos, deve decidir quais prefere.

Em dia de Aniversário



As (minhas) notas da semana
1. Fazer oitenta e cinco, de boa saúde, é uma graça de Deus!
Bastava esta afirmação, no pórtico deste número de aniversário, para todos entenderem que é de mãos erguidas que celebramos esta data festiva.
Gostava, no entanto, de, como actual responsável pela publicação, deixar duas notas de reflexão, porque sei que um órgão de comunicação social tem história, tem responsabilidades no tempo presente, e tem uma acção perspectivada para o futuro.
2. A história todos a conhecemos, desde o longínquo ano de 1922. Portugal vivia, então, um período conturbado, saído da primeira república, anticlerical, de tonalidade irreligiosa, mas sem grandes perspectivas de capacitar uma atitude de mudança. As ideias políticas e sociais estavam, naquele tempo, muito à frente da capacidade de realização. Proclamava-se a democracia, mas sentia-se, a cada momento, a incapacidade de traduzir em actos o desejo de o povo viver melhor, de sentir que, entre o velho e o novo, valia a pena apostar no futuro. Mostravam-se novos valores, como o da liberdade e, longinquamente, o da tolerância, mas sem qualquer apoio ou garantia de êxito que não remetesse para o passado.
Foi neste fundo panorâmico de cores incertas e pouco definidas que nasceu o "Correio", apostado em travar combate por valores que não passam com o tempo, nem morrem com o ligeiro mudar de opiniões ocasionais.

3. Isso mesmo. O "Correio", tal como no passado, quer continuar, agora, a terçar armas pelos valores que, às vezes mudando de nome, são os que sempre estão na base de qualquer sociedade que se proclama equilibrada e segura. Antes de mais, o valor da verdade! Eu sei que, aqueles que me lêem estavam à espera que eu pusesse à frente de todos, pelo menos um dos princípios proclamados pelos arautos do mundo liberal: a fraternidade, a igualdade ou a liberdade. Antes desses, a verdade! Porque eu penso que a fraternidade não é fraterna se não for verdadeira, nem a liberdade se manifesta livre se não tiver como base o eterno princípio da verdade que não mente, que não se desmente e que não deixa atrás de si qualquer traço de confusão com o que não possa ser verdadeiro.

4. Todos me dirão que a teoria está, no nosso caso, acima da prática. E, "eu pecador me confesso"! Mas este bater com a mão no peito não significa que não estejamos atentos à viagem que agora começa e que nos levará aos tempos futuros.
Aqui, no "Correio", desde o director ao administrador, passando pelos redactores e por todos os outros que colaboram na saída do semanário, todos estamos convencidos que o futuro passa por aqui. Todos sabemos que a Igreja (que integramos de modo livre e responsável) não se realiza em qualquer tempo de história sem um projecto de comunicação. Todos sabemos que Paulo, se agora fosse apóstolo, não dispensaria os meios de chegar a todas as pessoas através da palavra escrita, da reportagem, da entrevista ou da imagem. Todos sabemos que o próprio Jesus Cristo, em vez de entregar à transmissão oral o testamento das bem-aventuranças, teria proclamado ao mundo os fundamentos da alegria perene e duradoira num meio qualquer de comunicação social. Bem-aventurados os que ouvem, os que escutam, os que vêem, os que lêem a minha palavra!

5. Nesta linha de pensamento, completar oitenta e cinco anos não é um peso, embora seja uma responsabilidade. Sobretudo, é um momento de graça!

A. Jesus Ramos

Inventariação da paróquia de São Bartolomeu


O dia 13 deste mês de Março assinala o termo da inventariação realizada na igreja e paróquia de São Bartolomeu, em Coimbra, com um total de 207 fichas.
Com uma porção territorial bastante diminuta, entre o Mondego, o Largo da Portagem e as várias ruas mais directas a Santa Cruz, dos Oleiros, Corvo, Corpo de Deus e Figueirinhas, aquela unidade pastoral data do século X, tendo tido uma sede arquitectonicamente medieval, no século XVIII substituída pela actual, localizada sobre a anterior, mas, de sentido oposto e a um nível alguns metros mais elevado, com entrada para a vulgarmente chamada Praça Velha.
Desses tempos recuados, são conhecidas as diversas estruturas construtivas, descobertas durante as campanhas arqueológicas de finais dos anos 70, pedaços capitelares românicos e as siglas coevas, visíveis em certos silhares, reaproveitados como quinais do edifício moderno, cuja primeira pedra foi lançada em 16 de Julho de 1756.
Além da retabulária, de talha dourada, das telas datadas e assinadas por Pascoal Parente, e de algumas peças de mobiliário, a servirem o culto, podem referir-se outros bens provindos de tempos anteriores, como um sino de epígrafe em gótico minúsculo, do século XVI, o conjunto de lanternas processionais, do século XVII, e certos paramentos, na maioria seiscentistas.
De facto, as sucessivas referências documentais, dos séculos X, XI e XII fazem supor uma grande actividade, posteriormente continuada e bem admissível para o arrabalde da cidade, porém, os dados materiais, chegados ao presente, só recuam à transição de Quatrocentos para Quinhentos, e, por vezes, inerentes às colegiadas e a épocas de maiores possibilidades económicas.
Pela extinção dessas instituições canónicas, em 29 de Março de 1854, e face à redução do número das paróquias citadinas, em 20 de Novembro seguinte, por Dom Manuel Bento Rodrigues, a Igreja de São Bartolomeu veio a receber património da de São Tiago, algum de excelente qualidade, datado e mencionando, até, o nome e os graus académicos do doador.
Mas, o conjunto de maior quantidade, também sugestivo pela representatividade, a par da notória beleza da execução, deve a própria salvaguarda, defesa e protecção à invulgar delicadeza estética e primoroso bom gosto do Reverendíssimo Senhor Padre Jorge Manuel de Salles Sousa Barbosa Camejo, quando ali exercia funções de Coadjutor paroquial.
Percorrendo esse vasto espólio assim valorizado, disposto em vitrinas, mísulas e suportes adequados, a multiplicidade de boas imagens setecentistas sobressai pela perfeição, bem como pela frequente repetitividade. Graças aos esclarecimentos prestados pelo mesmo Senhor Padre Jorge, a quem se presta reverente homenagem e profunda gratidão, quase todos provêm de ofertas e legados, devidos a paroquianas de famílias nobres ou aristocratas.
Em suma, são bastantes os bens patrimoniais, mesmo impressos, alguns a reclamarem urgentes medidas de restauro, a fim de se evitar a futura destruição, por motivos de agentes degenerativos, deveras danosos em esculturas lígneas, tão singulares quanto excepcionais, entre congéneres em calcário.


Departamento dos Bens Culturais da Diocese de Coimbra

Cardeal Sodano preside à peregrinação de Maio em Fátima


O Cardeal Ângelo Sodano, secretário de Estado emérito do Vaticano, vai presidir à peregrinação internacional de 12 e 13 de Maio 2007, comemorativa dos 90 anos da primeira Aparição de Nossa Senhora.

Será a segunda vez que o Cardeal Sodano se desloca a Fátima. No ano 2000, acompanhou o Papa João Paulo II na cerimónia de beatificação de Francisco e Jacinta Marto.
A visita do secretário de estado do Vaticano, ficou ligada a Fátima de modo especial, uma vez que foi ele que, em nome do Papa, revelou, no final da beatificação, a terceira parte do segredo de Fátima.
Ângelo Sodano, encontra-se actualmente ligado às Congregações para a Doutrina da Fé, para as Igrejas Orientais e para os Bispos.
Antes desta peregrinação internacional e assinalando os 90 anos das Aparições decorrerá, de 9 a 12 de Maio, o congresso internacional "Santíssima Trindade Pai, Filho e Espírito Santo". O tema que guia a acção no Santuário de Fátima em 2007 é "Deus é Amor Misericordioso".

Viseu quer criar obra de apoio a maternidade


A Diocese de Viseu está a preparar a criação de uma obra de apoio à maternidade e às crianças em risco numa casa brasonada herdada no Tojal, Sátão, para a qual decidiu destinar o resultado da Renúncia Quaresmal.

Em vésperas do referendo sobre a despenalização do aborto, realizado em 11 de Fevereiro, o Bispo de Viseu, D. Ilídio Leandro, prometeu apresentar uma proposta que fosse um contributo "para que a mulher, mesmo na situação de mais desespero, possa acreditar que o seu filho pode ter um lugar".
"Às quatro da tarde do dia do referendo (11 de Fevereiro), ele reuniu um grupo e fez a proposta do Sátão, independentemente do resultado do referendo", disse à Agência Lusa o coordenador do projecto o ecónomo diocesano, padre Armando Domingues.
Neste mês entretanto decorrido, contou, vários passos foram dados, tendo a diocese encetado o diálogo com 15 instituições que trabalham na área, "toda a rede social, porque uma obra destas não se resumirá a uma casa", explicou o sacerdote.
"A casa será o «coração da obra», que funcionará em rede, terá de ter espaços de atendimento, de acolhimento", avançou o p sacerdote, frisando, neste âmbito, a importância das Instituições Particulares de Solidariedade Social, da Caritas e de outras instituições fora da Igreja.
"Propusemos que a Renúncia Quaresmal tenha já esta finalidade, não tanto pelo valor do dinheiro, mas também como um sinal, como uma sensibilização para esta questão", concluiu o ecónomo da diocese de Viseu.


Agência Lusa
Foto: Santuário de Fátima

Cardeal Saraiva Martins celebra em Portugal 50 anos de sacerdócio



O Cardeal Saraiva Martins está a celebrar 50 anos de sacerdócio em Portugal junto de familiares e amigos. Convidado para fazer uma comunicação sobre as religiões e a paz num Encontro de Estudantes de Teologia, que decorreu no passado dia 16 de Março, no Porto.
Foi em Roma que exerceu o seu ministério sacerdotal: primeiro como professor nas universidades romanas de teologia e filosofia, depois como membro de diferentes dicastérios do Vaticano.


Depois do dom da vida e da fé, olha hoje para o sacerdócio como "o maior dom que o Senhor nos pode dar". Em entrevista ao programa Ecclesia, D. José Saraiva Martins recordou a sua vontade de ser padre, que transmitia à sua mãe desde pequeno quando ela perguntava, lá na aldeia de Gagos do Jarmelo (Diocese da Guarda), o que queria ser quando fosse grande. "Depois de 50 anos de sacerdócio, se tivesse que fazer uma opção, faria a mesma", afirma. E recorda a necessidade "convencer" o pai que não era favorável, a entrada no seminário claretiano, o ano do noviciado e a chegada a Roma para os estudos filosóficos e teológicos.
D. José Saraiva Martins passou os 50 anos de sacerdócio no ambiente académico e nos corredores da Cúria Romana. Primeiro como professor da Universidade Urbaniana, onde leccionou durante 16 anos, onde foi também reitor por mandatos sucessivos; depois no trabalho dos "Ministérios" da Santa Sé. Em Maio de 1988 foi nomeado por João Paulo II como secretário da Congregação para a Educação Católica, tendo sido então elevado à dignidade de Arcebispo. Antes disso, tinha prestado importantes serviços na Cúria Romana como membro da Comissão de Teologia, espiritualidade e animação missionária da Congregação para Evangelização dos Povos; foi consultor do então Secretariado para os não-cristãos, da Congregação para a Doutrina da Fé, do Conselho Pontifício para o Diálogo Inter-religioso, da Congregação para os Bispos e do Conselho Pontifício para a Cultura. Desde Maio de 1998 desempenha funções como Prefeito da Congregação para as Causas dos Santos, cargo no qual foi reconduzido por Bento XVI.
È nestes ambientes que desenvolveu o seu ministério sacerdotal. Para o Cardeal português, "o trabalho na Cúria não é menos sacerdotal do que numa Diocese ou numa paróquia. Porque o conta num sacerdote, em tudo aquilo que faz, é a intenção, é o modo, é o contexto em que coloca o seu sacerdócio".
Texto: Agência Ecclesia
Foto: Samtuário de Fátima

Curso de liturgia em Oliveira do Hospital


Em Ervedal, realizou um curso Bíblico destinado a todo ao arciprestado. Os padres Carlos Cabecinhas, de Leiria, Emanuel Silva, de Portalegre, e Pedro Santos, de Coimbra, orientaram três sessões de formação, todas elas moderadas pelo padre Luís Costa. Participaram mais de 100 pessoas, ligadas à catequese, aos Ministérios e Grupos Corais.

Concerto de Canto Gregoriano em S. José


No próximo dia 25 de Março, pelas 21h30, na Igreja de S. José (Coimbra), o coro Capela Gregoriana Psalterium dará um concerto de música sacra sobre textos que abordam o mistério do sofrimento. Num tempo especialmente mais favorável a uma reflexão sobre o sentido da vida à luz do mistério de Cristo, propõe-se esta breve meditação em que a voz, pelo canto gregoriano, dá corpo à Palavra da Sagrada Escritura.

Encontro “Fé e Cultura” reflecte sobre “Conflitos da Intimidade”


No próximo Sábado, dia 24 de Março, a partir das 10h, tem lugar no Auditório da Reitoria da Universidade de Coimbra, a XXIV edição do encontro "Fé e Cultura", da responsabilidade do Centro Universitário Manuel da Nóbrega (CUMN). A iniciativa tem assumido, nos últimos anos, a forma de um conjunto de conferências ao longo do dia, habitualmente com a assistência de centenas de pessoas.
O evento, com uma periodicidade bianual, tem já longa tradição em Coimbra, e tem abordado temas como "O Corpo", "A Felicidade", "Que futuro queremos?" ou "Um olhar Feminino sobre o Mundo". Este ano, a temática "Conflitos de Intimidade" pretende reflectir, nas palavras de Filipe Martins, S. J., director do CUMN, "sobre as diversas inquietudes e desejos que habitam a pessoa contemporânea: da Ética à Política, da Arte às Questões Espirituais e de Sentido, das Relações Humanas ao Mundo dos Afectos". Entre outros serão intervenientes o poeta e biblista José Tolentino de Mendonça e o magistrado e ex-Procurador da República, José Souto Moura.
As inscrições podem ser feitas antecipadamente através do CUMN (239 829 712 – entre as 15h e as 24h) ouno próprio dia 24 de Março, no Auditório da Reitoria da Universidade de Coimbra.

No Colégio da Rainha Santa


Irmã Catarina Gomes comemora 70 anos de vida religiosa

A fidelidade ainda é possível! Prova-o a Irmã Catarina Gomes que está ao serviço do Senhor há 70 anos numa Congregação missionária.
Nasceu a 8 de Março de 1918 numa terra trasmontana – Carrazeda de Ansiães. Escutando o apelo do Senhor que a chamava para trabalhar na sua Messe ela responde " SIM " com prontidão e grande alegria.
Bem determinada entra no Noviciado, em Braga, onde faz a sua preparação interior, aprofunda os seus conhecimentos sobre Jesus Cristo e sobre Ana Maria Javouey, a Fundadora da Congregação de S. José de Cluny.
E porque tudo é dom, a 9 de Março de 1937 foi-lhe concedida a graça de se ligar a Jesus Cristo pelo voto de obediência, castidade e pobreza. Inteiramente disponível para servir os irmãos foi enviada em missão para várias casas da Congregação onde, como enfermeira, acolhia, tratava e aliviava as dores físicas e muitas vezes também morais, daqueles que a procuravam na esperança de suavizar os seus sofrimentos.
É em Coimbra, no Colégio da Rainha Santa Isabel , neste ano em que também se celebra o Bicentenário da Congregação, que a Irmã Catarina tem a alegria de celebrar as Bodas de Platina de Consagração ao Senhor. São 70 anos de fidelidade Àquele que ela escolheu desde a sua juventude para servir nos irmãos com alegria, disponibilidade e inteira doação. E ainda não parou, pois continua a acolher e a tratar quem dela precisa.
Com ela, todos louvamos e damos graças a Deus pelas maravilhas que realizou nela e através dela em tantas gente que por ela passou, ao longo destes anos!...
Pedimos a Deus, nosso Pai, o Senhor da Messe, que o seu testemunho de alegria e de entrega incondicional suscite na juventude vontades fortes e decididas, para que sem medo se deixem fascinar pelo olhar de Cristo que continua a chamar homens e mulheres de boa vontade para trabalhar na sua seara, pois a messe é grande e os operários são poucos.

Eduardo Sá falou, em S. José, das relações entre pais e filhos

O professor Eduardo Sá, da Faculdade de Psicologia da Universidade de Coimbra, foi o terceiro convidado das Conferências Quaresmais deste ano. Falando das "Relações Pais Filhos", o orador procurou desconstruir a ideia de que ser um bom pai é difícil e exigente. Tentando simplificar ideias, Eduardo Sá disse acreditar que a competência nasce da experiência e que, acima de tudo os pais precisam de convicção e de disponibilidade. Para este especialista, os erros e as tentativas constantes são importantes para quem quer educar da melhor forma.
No dia 29 de Março, D. Carlos Azevedo, bispo auxiliar de Lisboa e porta-voz da Conferência Episcopal Portuguesa, estará no salão paroquial de S. José, para apresentar, numa conferência, o tema "A Igreja e a Família". Esta é a última sessão de um conjunto de cinco, realizadas no âmbito das Conferências Quaresmais 2007, uma iniciativa das paróquias da cidade de Coimbra.