Correio de Coimbra

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6 de julho de 2007

Secretariado Diocesano da Pastoral Familiar reúne-se na Região Sul

O Secretariado Diocesano da Pastoral Familiar vai levar a efeito no próximo dia 20 de Julho, pelas 21 horas e 15 minutos, no Centro Pastoral de Chão de Couce um reunião com os párocos e equipas da pastoral familiar da Região Pastoral Sul.
O objectivo deste encontro é partilhar o trabalho que se vai desenvolvendo na região na área da família. O Secretariado da Pastoral Familiar também aproveitará a ocasião para divulgar algumas metas traçadas para o próximo ano pastoral, nomeadamente, a constituição de equipas de pastoral familiar, preparação dos noivos para o matrimónio em colaboração com o CPM, acompanhamento de casais novos (projecto Lar Jovem), acompanhamento de casais em situação difícil, serviço da vida, XIV Festa das Famílias, no Dia da Igreja Diocesana (marcada para 18 de Maio de 2008) e a dinamização da página do secretariado na Internet.

Nasce um novo movimento de espiritualidade da Sagrada Família


O MESF (Movimento de Espiritualidade da Sagrada Família) nasceu, oficialmente, no dia 21 de Janeiro de 2007. Ano em que se celebra o Centenário do nascimento do Padre Manuel Antunes, fundador da Sagrada Família. Este Movimento que nasceu a partir da Diocese de Coimbra e que passados apenas cinco meses conta já com cerca de 200 famílias, já se encontra implantado noutras dioceses e a ser solicitado por outras mais.
Tem sido um movimento que cresce e se alastra à imagem do fundador, Padre Manuel Antunes, que olhava e procurava responder às preocupações e necessidades da família em todos os aspectos: materiais, sociais e espirituais. Os problemas e necessidades de então não são menores nos tempos que correm, são sim diferentes porque diferente é também o estilo de vida das famílias e da sociedade em geral.
Os responsáveis por este novo movimento vão realizar no próximo dia 8 de Julho um grande encontro. Será um dia de reflexão mas fundamentalmente de partilha e convívio para que toda a família do MESF se conheça.

Igreja do Ingote já tem terreno


Em plena festa de S. Pedro, a Câmara Municipal de Coimbra assinou o acordo de cedência de um terreno com uma área de 5700 metros quadrados para a construção da futura Igreja e Centro Paroquial e Social do Ingote.
São mais de 5700 metros quadrados de terreno, no valor de 107.800 euros, junto à Escola do 1.º Ciclo do Ingote. O desejado espaço para a construção da Igreja e do Centro Paroquial e Social já é uma realidade, falta agora a verba para avançar com a obra. Para o padre Fernando Gonçalves, há que "dar um passo de cada vez", agora que está concretizado o acordo de cedência do terreno pela Câmara Municipal de Coimbra.
"Deus nos inspirará a ir buscar as fontes. A Reitoria da Igreja de Nossa Senhora de Fátima (que tem responsabilidade jurídica, canónica e civil da capela de S. Pedro) não tem qualquer hipótese de pagar. Aqui também não há dinheiro", sublinhou o sacerdote.
Sem prazos para colocar a empreitada no terreno, o padre Fernando Gonçalves acredita que com "coragem e confiança em Deus" se irão encontrar soluções que colocarão de pé a desejada igreja.Enquanto tal não acontece, o culto religioso cumpre-se numa espécie de "loja-capela" instalada há cerca de duas décadas no lote 17 do bairro. É lá que todos os sábados, às 8 e meia da noite, muitos vão assistir à missa do padre Fernando, apesar de haver quem opte por procurar "outras comunidades". Mesmo assim, "a capelinha enche", continuou Fernando Gonçalves, que há quase três anos convive de perto com as comunidades do planalto.

Centro Operário Católico comemora Festas da Rainha Santa a 7 e 8 de Julho


A Rainha Santa também vai ser relembrada a 7 e 8 de Julho no Centro Operário Católico (COC), no Bairro da Conchada, em Coimbra. No dia 7 de Julho pelas 21,30 horas decorrerá, na sede da COC, uma palestra proferida pelo Padre Doutor A. Jesus Ramos. No dia 8 de Julho, pelas 10,30 horas, realiza-se pelas ruas do bairro uma arruada pelo grupo "Zé Pereiras". Às 14,30 horas decorre uma apresentação da filarmónica de Barcouço pelas ruas do bairro. O momento mais significativo acontecerá às 16 horas com a celebração da Eucaristia, seguida de procissão pelas ruas do bairro da Conchada.

“Um novo humanismo para a Europa”


Professores universitários de Coimbra participaram num simpósio em Roma

A propósito do 50º aniversário do tratado de Roma, o Vicariato de Roma e a Presidência das Conferências Episcopais da Europa organizaram um simpósio, cujo tema «um novo humanismo para a Europa – o papel da universidade» se propunha ser uma ocasião de reflectir o papel do cristianismo na construção da cultura europeia. Foram convidados os docentes e investigadores das universidades europeias que, durante quatro dias, de 21 a 24 de Junho, partilharam ideias, experiências, preocupações e, sobretudo, a esperança de um futuro a construir com o empenhamento de todos, nomeadamente dos cristãos inseridos nos meios académicos. De Coimbra, na maioria membros do CADC, participaram dezena e meia de docentes.
Logo a abrir foram lembrados a paz e a dignidade da pessoa humana como os grandes objectivos dos fundadores da União Europeia e foi sublinhado que sem identidade ela não poderá apresentar-se com autoridade, e a identidade depende de um projecto de futuro. Este será o de criar uma nova humanidade. Mas, também não há identidade sem se abrir ao passado e, aí, encontramo-nos com a necessária referência às suas raízes cristãs.
Eis algumas das ideias que estiveram presentes nas diversas intervenções: a Europa é uma comunidade de comunidades, pautadas pela diferença sem destruir a unidade; a dignidade humana é das maiores das suas conquistas; o humanismo cristão convida-nos a abrir-nos aos outros, distintos mas complementares; o seu grande poder é o poder do exemplo que atrai; na linha dos «pais» fundadores, a Europa necessita de líderes credíveis; ela não pode ser apenas uma comunidade económica, mas tem de unir a economia à cultura, e, para tal, é insubstituível o papel da universidade e da religião; o conhecimento tem de levar aos valores éticos; a Europa deve tornar-se líder de humanidade e de solidariedade.
Mas, foi sobretudo a intervenção do Cardeal Camillo Ruini, subordinada ao tema «o humanismo cristão e a questão antropológica», que marcou o tom de todo o encontro. Começou por realçar a problemática das novas tecnologias e os consequentes desafios éticos, o relativismo e nihilismo no contexto da modernidade e a desumanização provocada pela visão unidimensional do ser humano a partir das ideologias. Sublinhou que o humanismo cristão tem a sua origem e o seu sentido em Jesus de Nazaré que se apresenta como um teocentrismo e cristocentrismo, na humildade e na exaltação do valor do homem, que é objecto da loucura do amor de Deus e é chamado a ser filho no Filho. Mas em Jesus Cristo unem-se também o teocentrismo e o antropocentrismo e apresenta-se para o ser humano como um processo sempre aberto. Importa, contudo, que o humanismo cristão estabeleça diálogo com a ciência e, para tal, deve integrar a ciência, a filosofia e a teologia. Recordou, a finalizar a sua intervenção, que o homem permanece para si mesmo uma questão insolúvel e que o caminho da Igreja é o homem.
No contexto das áreas temáticas foram aprofundados os seguintes temas: a pessoa humana, genética e biologia; a cidade do homem: sociedade, ambiente e economia; a visão da ciência: descobertas, invenções e tecnologia; criatividade e memória: história, literatura, língua e arte.
No primeiro tema foi sublinhado o reducionismo humanista provocado pela cultura ocidental nos últimos séculos e, para responder a esta situação, o humanismo cristão deve propor uma fundamentação metafísica da realidade humana, deve pugnar pelo valor da lei natural, deve encontrar na fenomenologia o lugar de encontro com os não crentes, deve proporcionar uma racionalidade ampla entre todos os intervenientes na cultura e deve unir, no espaço universitário, a mística e a inteligência.
O segundo tema focou três palavras chave: um novo personalismo que implica que a universidade seja um lugar de educação nos valores; a democracia como proposta de liberdade e de justiça social o que implica que seja norteada pela ética; fraternidade que trata todos os cidadãos como iguais mas sem extinguir as diferenças. Daqui falar-se de economia fraterna, direito fraterno e de bem comum. A grande exigência que se coloca à Europa é a de uma racionalidade sempre maior.
No terceiro tema, foi denunciada a redução do ser humano a um produto genético fruto da ambição das novas tecnologias e foi sublinhado que a vida humana e a sua dignidade colocam limites a certas investigações, exige-se a procura ética do melhor para o ser humano e que se tenha em conta as raízes humanistas europeias. Para tal, a Europa deve voltar-se para as suas raízes para ser garantia de um optimismo antropológico. Frisou-se ainda que a racionalidade é uma condição para o conhecimento mas deve orientar-se pelo Amor.
O quarto tema deu lugar à análise da caminhada humanizadora da pessoa humana no espaço europeu. Mas isto só aconteceu quando se contou com o contributo da religião em união com a cultura. Foi enaltecido o contributo dos Papas do século XX para a cultura da paz e para a visão integral do ser humano. A centralidade do ser humano que tanto agradou à modernidade só poderá existir na lógica de Deus.
O simpósio contou com um momento particularmente gratificante com a reunião dos reitores das diversas universidades europeias. Para nós, a presença do reitor e da vice-reitora da universidade de Coimbra e da sua intervenção acerca do desenrolar do processo de Bolonha, actualidade, exigências e possibilidades, foi motivo de grande alegria.
Mas o momento alto, sem dúvida, para além da beleza e profundidade das celebrações litúrgicas, foi a audiência com o Santo Padre. Só a presença do sucessor de Pedro já se revestiria de um significado incalculável para a fé dos docentes católicos, mas foi jubilosamente sentida a sua intervenção na qual ofereceu uma reflexão profunda sobre as raízes cristãs da Europa, o contributo do cristianismo para um verdadeiro humanismo de futuro, o papel das universidades na promoção das dignidade humana e na construção da civilização do amor. Para tal, convocou os docentes e investigadores à virtude da caridade intelectual, abrindo os horizontes científicos para que os saberes ofereçam uma visão global do ser humano, onde se inclui a dimensão religiosa. Segundo as suas palavras, todos em conjunto, professores e alunos, devem proporcionar que o espaço universitário se torne num «laboratório da cultura».

João Lavrador

“Do cadeiral de Santa Cruz”


Lançada uma nova edição
desta obra de Mons. Nunes Pereira

Foi no passado dia 4 de Julho apresentado publicamente, na igreja de Santa Cruz, a reedição da obra de monsenhor Nunes Pereira, "Do Cadeiral de Santa Cruz". A sessão foi presidida pelo Bispo de Coimbra, D. Albino Cleto. A obra foi apresentada pelo historiador Marco Daniel Duarte. A reedição desta obra é da responsabilidade da Câmara Municipal de Coimbra e esta iniciativa integrou-se nas comemorações do Centenário do Nascimento de Monsenhor Nunes Pereira.
Numa nota de abertura, o actual prior de Santa Cruz, Padre Anselmo Tamos Gaspar, escereve que com esta reimpressão do texto acompanhado das respectivas gravuras, divulga-se, em duplo sentido, o nosso património cultural. Porque, se o Cadeiral dos cónegos regrantes é uma maravilha escultural em madeira do nosso séc. XVI, os desenhos à pena, de cada um dos motivos esculpidos, são o repositório das sensibilidade artística de A. Nunes Pereira, que se notabilizou igualmente nos campos da pintura, do vitral e sobretudo da xilogravura.
O Cadeiral de Santa Cruz, que hoje se pode visitar no coro alto da igreja, esteve implantado na capela-mor até 1531, data em que foi mudado para o lugar onde agora se encontra, e então acrescentado de catorze cadeiras. Da parte mais antiga é autor o escultor Machim, que terminou a sua obra em 1513, e do acrescento o francês Francisco Lorete, que ali trabalhou na década de trinta, do século XVI, sendo possível distinguir, até pelos motivos representados, o que pertence a cada um dos artistas.
Cumprindo a finalidade para que fora construído, até à extinção das ordens religiosas, em 1834, o Cadeiral é hoje uma bela peça museológica, visitada e apreciada por milhares de pessoas, a par de outras obras de arte ainda conservadas, e que são testemunho da grandeza passada do mais célebre mosteiro dos crúzios em Portugal.
De 1977 a 1981, Mons. Nunes Pereira, então pároco da vizinha freguesia de S. Bartolomeu, deu-se ao labor de estudar cada um dos motivos esculpidos por Machim e por Lorete, desenhando à pena, minuciosamente, cada um deles. Para que o seu trabalho não servisse apenas para deleite pessoal, resolveu, a partir de Outubro de 1978, publicar os seus desenhos, com a respectiva explicação iconográfica, no "Correio de Coimbra", semanário diocesano de que fora chefe de redacção durante um quarto de século. Muitos dos leitores, alguns deles com conhecimento da matéria, sugeriram ao padre-artista que reunisse em volume, a série dos apreciados artigos que, regularmente, iam saindo a público. Com o apoio da paróquia de Santa Cruz, a obra foi publicitada em 1984, vindo a lume agora esta nova edição, que nada vai desmerecer da primeira e que vai em 1984, vindo a lume agora esta nova edição, que nada vai desmerecer da primeira e que vai continuar a ser um bom meio de estudo e de divulgação, quer do património deste antigo mosteiro de Cónegos Regrantes, quer da obra do grande artista conimbricense que foi o Padre Nunes Pereira.

Padre Manuel Francisco Rumor:


uma vida dedicada aos pobres


Comemorou no passado dia 27 de Junho, 70 anos de sacerdócio. O padre Manuel Francisco Rumor abriu o livro da sua vida numa entrevista concedida ao jornal Boa Nova.
Nascido a 23 a Setembro de 1914, na Gândara – freguesia de Covão do Lobo, concelho de Vagos – Manuel Francisco Rumor entrou para o Seminário de Coimbra com 12 anos. A ordenação como padre chegaria a 27 de Junho de 1937, assumindo funções como coadjutor na Pampilhosa da Serra e pároco em Pessegueiro.
Em 1939 muda-se para Cadima, e por cá ficou. Durante os 62 anos que esteve à frente da paróquia foi arcipreste de Cantanhede, fundador da Obra dos Pobres e do Centro Social e Paroquial de Cadima, em 1988, onde tem um busto em sua homenagem.
Nas suas várias viagens pelo Brasil e pelo país desempenhou um papel importante como pregador, sendo até hoje o único assistente diocesano da Liga Eucarística.
Deixou de exercer as funções de pároco a 15 de Janeiro de 2001, passando os seus dias na antiga cada da Obra dos Pobres, a rezar o rosário.

Entrevista de
Carlos Delgado
Mirla Ferreira Rodrigues


Quando surgiu a vocação sacerdotal?
Como eu gostava muito de galinha, a minha madrinha de baptismo disse-me uma vez, na minha juventude: “Hás-de ir para padre, porque os padres comem sempre galinha”. (risos). Era uma brincadeira, mas o certo é que pouco tempo depois, em 1925, entrei para o Seminário de Coimbra por intermédio do prior Augusto Gomes da Silva, de Covão do Lobo, por sinal muito amigo da família.

Foi um grande compositor para a época e deixou a sua marca. De onde veio o gosto pela música?
Andava no Seminário e tinha muitas dificuldades em aprender o francês, e em vez de ir às aulas de música, ficava no quarto a estudar. Até que o cónego Albino me interpelou pela ausência e eu justifiquei-a com o facto de não ter voz. Respondeu-me: “Voz até os cães têm!”. Aquelas palavras sacudiram-me e fizeram juntar ao grupo coral, tornando-me primeiro tenor.
A composição de músicas aprendi-a com seminaristas mais velhos, mas as composições a sério só as comecei a partir dos 18 anos. Hoje posso dizer que a música foi o grande auxiliar da pregação: ao cantar, os homens e as mulheres gravavam a mensagem de Deus, e gostavam do que ouviam. Recordo-me de fazer missões em Guimarães, Lisboa, Leiria (Caranguejeira e Monte Redondo) e na diocese, e posteriormente encontrar em Cadima pessoas que, tendo participado nesses encontros, aqui vinham propositadamente só para me ouvir.
No concelho, recordo-me de em 1953 a banda de Covões tocar toda uma Semana Santa na Palhaça, paga pelos emigrantes americanos, para a qual eu compus todas as músicas, e que ainda hoje são tocadas. Mas naquela altura não havia policopiadores, os cânticos eram todos feitos à mão, via-me à rasca… dava-os aos padres nos retiros em Fátima, para depois divulgarem. Por isso perdi muito do material que criei.

Um facto que a maioria desconhece é que foi o padre Rumor quem introduziu em Portugal a música “Parabéns a você”.
É verdade. Foi em 1957, quando viajava no Vera Cruz. Lá encontrei uma revista intitulada “O Cruzeiro”, onde estava a canção “Happy Birthday to You”. Uns primos meus de Santos, no Brasil, traduziram a letra, e eu, chegado a Lisboa, casualmente deixei a música na sacristia da igreja de São Roque, sem que ninguém soubesse que era minha. O certo é que a música ganhou fama ao ser difundida na Emissora Nacional, perdurando até hoje.

Levou uma vida fundamentalmente dedicada aos pobres, e a sua “Obra” é prova disso.
Quando eu vim para Cadima deparei-me aqui e na região com muita pobreza e muito abandono de crianças. Os pais tinham de trabalhar e os mais novos ficavam fechados em casa, mas alguns acabam por sair e fugir. Naquele tempo as crianças morriam muito porque eram roídas pelos animais, ou porque ficavam fechadas ou embriagadas… Em 1947, fui fazer um retiro à rua das Amoreiras (Lisboa), na Obra do Amparo à Criança, e em troca facultaram-me três irmãs para começarmos a fazer em Cadima uma Obra para guardar as crianças.
Esta casa de abrigo foi dada pelo cónego Manuel Gonçalves Salvador, que perdoou uma dívida a um irmão caso ele doasse a casa à Obra dos Pobres. E assim começou: os pais que não tinham posses para criar os filhos deixavam-nos na nossa instituição, e chegámos a ter sob a nossa guarda cerca de 100 crianças de todo o país.
Ao início, tínhamos rapazes e raparigas; depois, quando a Obra se transformou em internato, ficámos só com meninas, que estavam ao cuidado de 12 irmãs. Iam à escola, ficavam no dormitório e aprendiam os trabalhos de mão, especialmente o ponto cruz; depois empregavam-se e saíam para casar. As que tinham mais capacidades continuaram os estudos, e foi para isso que comprei a casa em Coimbra, para elas poderem estudar e terem um sítio onde ficar a viver.
A superiora, a “mãe Margarida”, como era conhecida, tinha um feitio especial e nunca largou a chefia; eu, como pároco, fiquei com a formação das irmãs e com a angariação de fundos para a Obra. Saliento que a Igreja nunca aqui gastou dinheiro: este foi sempre dado por pessoas da freguesia e do resto do país. Também angariávamos alguns fundos com as ofertas às irmãs ou com os donativos que vinham dos retiros, das missões e das pregações.

Porquê essa ligação com as crianças?
Os adultos governavam-se como podiam, mas as crianças ficavam abandonadas nas suas casas, sem defesas. Além de uma preocupação religiosa, era também uma preocupação humana, para permitir que pudessem singrar na vida.

Também teve uma preocupação especial pelas vocações…
Levei até ao sacerdócio 14 padres através dos seminários de Coimbra, Aveiro, Lisboa e Porto e 12 irmãs, algumas das quais ainda estão vivas. Destas algumas passaram da Obra do Amparo à Criança para as Irmãzinhas da Assunção, dedicando-se aos operários. Na paróquia também apoiei e estimulei vocações para a Congregação do Amor de Deus, Congregação da Sagrada Família e Congregação Jesus, Maria e José.
Também fui, juntamente com o padre Jaime Cunha, de Coimbra, e o padre Amaral, de Aveiro, um dos grandes pioneiros da catequese, já que os primeiros catecismos nacionais são obra nossa.

Muitos paroquianos consideram-no um padre demasiado exigente. Concorda com essa visão?
Tinha essa fama, mas sempre pensei assim: aquilo que é, é; aquilo que não é, não é. Sempre fui rigoroso e também era exigente comigo próprio. Recebia aquilo que estava nas tabelas diocesanas e nunca saía daí.
O dinheiro empregava-o na paróquia, na Obra dos Pobres e na formação das moças, que tinham de pagar os livros e a escola. A minha família, que ainda hoje me ajuda, nunca recebeu nada. Tudo o que consegui angariar foi sempre em benefício dos outros, nunca para mim. Claro que guardava alguma coisa para o dia de amanhã, mas nunca acumulava para mim. As pessoas sabem que nunca gastei em coisas desnecessárias, e isso está à vista.

Também houve alguma polémica na freguesia com a atribuição do seu nome a uma rua que já tinha o nome do padre Mário Brito. O que pensa dessa questão?
A rua está consagrada ao padre Brito e está muito bem assim. A minha opinião é de que não deve mudar, até porque foi uma homenagem ao fundador da Boa Nova.
Não me importo nada com o nome da rua, acho isso uma vaidade. O que realmente interessa é ser útil ao próximo; o que pudermos fazer pelo próximo é que traz a verdadeira paz espiritual e temporal.

Solidariedade promovida através da Internet

“Sermais.org” é o nome de um portal que pretende no futuro ligar as instituições de acção social a um público utilizador da Internet, especialmente os mais jovens.
O portal foi apresentado no passado dia 4 de Julho, na Livraria Fnac Coimbra e os seus promotores pretendem divulgar notícias, contactos e necessidades urgentes que aquelas instituições possam registar naquele momento. De acordo com a Madalena Abreu, os pedidos variam ente dinheiro, coisas materiais, notícias ou mesmo voluntariado. Este portal foi desenvolvido por um grupo de 10 amigos, todos ligados à Igreja, que trabalham e estudam em áreas como Economia, Bioquímica, Arquitectura, Gestão, Direito e Informática, e sentiram a ausência deste serviço, que no futuro poderá dar muita utilidade às instituições de solidariedade social, bem como as pessoas que as procuram.
O futuro está na Internet. Qualquer serviço, nos dias de hoje, é feito ao recurso desta poderosíssima ferramenta, que se tornou indispensável para grande parte das pessoas. Foi a pensar nisso que este grupo desenvolveu este projecto, após o conhecimento da realidade de outros países em termos de donativos via Internet…
Miguel Cotrim