Correio de Coimbra

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25 de fevereiro de 2009

Mensagem da Sicília

Caminhando com São Paulo
Desde o passado dia 21 de Fevereiro e até à tarde do próximo sábado que nós, peregrinos de Coimbra, vamos caminhando para Roma, evocando Paulo, o prisioneiro de Jesus, que passou por estas terras.
E certo que ele ia como prisioneiro; nos como peregrinos que não desprezam as belezas que os olhos contemplam.Preside-nos o nosso bispo que, com a ajuda dos padres presentes, vai orientando os momentos celebrativos da manhã e da tarde de modo que sejam momentos de crescimento na fé.
Em Malta, onde aterramos, tudo nos falou de S. Paulo: os templos, as grutas; as estátuas e os nomes.
Agora, tocando nos lugares que o Apostolo viu, meditamos e rezamos.
Só que ele não teve a beleza desta manhã, com as vertentes do Etna cobertas de neve que fomos pisando.Agora subindo a costa italiana, acompanhamos o prisioneiro até Roma. A Diocese esta sempre presente.
P. Carlos Delgado

(Mensagem enviada este quarta-feira por e-mail)

Paróquia de S. José: “Este é o tempo favorável, este é o dia da salvação” – Oração de Vésperas

Escutando a voz do Apóstolo, a paróquia de S. José celebrará, na tarde de cada domingo da Quaresma, a Oração de Vésperas, parte integrante da Liturgia da Igreja. Reunida em oração, cantando os salmos, escutando e meditando a Palavra de Deus, a Igreja caminha confiada para a Páscoa de Cristo. A celebração, na igreja de S. José, inicia-se às 18 horas (ensaio da Assembleia às 17h e 45 ).

O tempo da Quaresma

A Quaresma é uma caminhada para a Páscoa em três tempos, fases ou momentos:
O primeiro tempo vai da Quarta-feira de Cinzas até ao fim da segunda semana e expõe o sentido global da Quaresma, o que se pretende com ela e os meios para se alcançar a renovação pessoal, como fruto do mistério pascal. Apresenta uma temática bem definida: a nossa situação neste mundo e a nossa vocação celeste com os Domingos das Tentações e da Transfiguração.

O segundo tempo vai do terceiro Domingo ao fim da quinta semana e apresenta o mistério de Cristo em nós, através da participação e renovação dos sacramentos da Iniciação Cristã. Este é o tempo das grandes catequeses sobre os sacramentos pascais, que fazem do catecúmeno um cristão adulto na fé que nasce da Palavra e conduz ao sacramento. Este tempo está orientado para os que se preparam para o Baptismo e para os que vão renovar as promessas do Baptismo. Estes três Domingos oferecem três grandes catequeses sobre o Baptismo, o Espírito Santo e a Eucaristia.

O terceiro tempo vai do Domingo de Ramos e Paixão – que celebra a solene entrada do Senhor em Jerusalém para sofrer a Paixão, passar pela morte e alcançar a ressurreição – até Quinta-feira Santa e apresenta o mistério pascal de Cristo nos Seus últimos passos sobre a terra: encontro com Lázaro ressuscitado e com os discípulos à mesa, diálogo com João acerca do traidor e com Judas acerca da hora («o que tens a fazer, fá-lo sem, demora») e com Pedro «não cantará o galo sem Me haveres negado três vezes»). Na Quarta-feira escutamos o acordo de Judas com os sumos-sacerdotes e a despedida de Jesus: («o Filho do homem vai partir»). Na Quinta-feira Santa de manhã, na Missa Crismal, temos uma celebração que faz a transição das celebrações quaresmais às pascais: a bênção dos óleos e a renovação das promessas sacerdotais indicam a nova forma de presença do Senhor que parte no corpo que tomou, mas que perpetua a Sua presença nos sacramentos que instituiu e nos ministros que consagrou e fez participar do Seu ministério. Segue o Tríduo Pascal em que a Igreja celebra a partida de Cristo deste mundo para o Pai, mediante a realização da Páscoa.

Secretariado Nacional de Liturgia

23 de fevereiro de 2009

Nota Pastoral do Bispo de Coimbra


Renúncia quaresmal apoia férias de crianças carenciadas



Apoiar a Casa da Praia de Mira da Obra de Frei Gil e organizar uma colónia de Férias para filhos de desempregados - são os objectivos da renúncia quaresmal dos diocesanos de Coimbra.

Nota Pastoral para a Quaresma 2009



O nosso jejum e a fome de tantas crianças




1. Vamos iniciar a celebração da Quaresma e, com ela, o caminho que nos deve conduzir à Páscoa de Jesus vivida neste ano de 2009.
Será Páscoa de Jesus, que a Igreja viverá com Ele; e bom é que esta Páscoa da Igreja cada cristão a experimente na sua vida pessoal, integrando-se pelos sentimentos e pela prática, na assembleia de oração a que pertence.


2. Nas comunidades de toda a Igreja vai proclamar-se a palavra de Deus, que sabiamente nos propõe os caminhos garantidos e milenarmente experimentados para celebrarmos uma Páscoa verdadeiramente cristã, que seja morte e ressurreição com Jesus, que seja morte para o pecado e ressurreição para uma vida nova, aquela vida que se iniciou em nós pelo Baptismo. Estes caminhos são os da escuta da palavra de Deus, da oração mais frequente, da penitência e do jejum, do amor do próximo.


3. Na sua mensagem para a Quaresma do presente ano o Santo Padre Bento XVI valoriza particularmente o jejum, acentuando que ele não é mera prática do passado mas um meio que nos é proposto a todos nós, entorpecidos pelo pecado e suas consequências, como muito conveniente para restabelecermos a amizade com o Senhor.
Efectivamente, privando-nos do alimento corporal, dispomo-nos a aceitar outro alimento: "O verdadeiro jejum destina-se a comermos o verdadeiro alimento, que é fazer a vontade do Pai".
Lembra também o Santo Padre que esta antiga prática penitencial "pode ajudar-nos a mortificar o nosso egoísmo e a abrir o coração ao amor de Deus e do próximo", levando-nos a "tomar consciência da situação em que vivem tantos irmãos nossos" nos dias de hoje e por vezes à nossa porta.


4. Nesta perspectiva e sublinhando agora a dimensão da ajuda fraterna nos caminhos da Quaresma, quero lembrar aos membros da Igreja Diocesana de Coimbra as considerações arrojadas do mesmo Papa sobre a pobreza no mundo incluídas na sua Mensagem para o último Dia Mundial da Paz, mensagem em que a pobreza das crianças ganha particular evidência.
Assim, fazendo-nos eco da mensagens do Santo Padre e unindo ao jejum uma generosa prática do amor cristão, vamos tomar como destino da nossa campanha de renúncia quaresmal o auxílio a crianças que experimentam privações. Concretizaremos este auxílio no apoio à Casa da Praia de Mira da Obra do Frei Gil e na organização de uma colónia de férias para filhos de desempregados.


5. Que estes motivos e práticas para a vivência de uma autêntica Quaresma cristã não se reduzam à realização de um peditório em um qualquer domingo do tempo quaresmal. Que eles estejam frequentemente presentes nas mensagens e nas orientações dos pastores; em propósitos de grupos apostólicos e de espiritualidade; nas conversas e nos gestos das famílias cristãs, onde as próprias crianças são por vezes as mais genuinamente generosas.
Deixo a informação de que, na anterior Quaresma, a nossa campanha permitiu-nos distribuir 29.800 euros por uma casa de formação para raparigas em S. Tomé e Príncipe e uma actividade sócio-pastoral em Santiago de Cabo Verde, a que se juntaram ainda 1.650 euros enviados para um fundo assistencial da Conferência Episcopal Portuguesa.
Que o apóstolo São Paulo seja para nós exemplo provocante, ele que tanto se empenhou em reunir as ofertas das suas Igrejas para acudir à pobreza da Igreja de Jerusalém.



+ Albino Mamede Cleto
Bispo de Coimbra

S. Paulo foi tema de reflexão nas Jornadas de Teologia do ISET


"Paulo desafia-nos a cultivar
o amor à verdade"



O Bispo de Viseu, D. Ilídio Pinto Leandro, na lição de encerramento das Jornadas de Teologia do ISET, abordou o tema da Verdade, da Liberdade e da Consciência em S. Paulo. "A consciência é a casa, o santuário, o lugar do encontro com Deus" - afirmou o prelado.

S. Paulo foi tema de reflexão nas Jornadas de teologia promovidas pelo ISET


D. Ilídio: "Paulo desafia-nos a cultivar o amor à verdade"



"A verdade para S. Paulo é Cristo". A afirmação é de D, Ilídio Pinto Leandro, bispo de Viseu no encerramento das Jornadas de Teologia do Instituto Superior de Estudos Teológicos, realizadas a 20 e 21 de Fevereiro no Instituto Justiça e Paz, em Coimbra.


Segundo o bispo de Viseu, "o Evangelho é para Paulo tudo, ou seja, é o seu agir moral, é a sua missão e a sua vocação". "Paulo está consciente que é apóstolo, chamado pelo Senhor. Ele sabe que o Evangelho é a verdade. Sabe que tal como o recebeu, também o deve transmitir", explicou D. Ilídio a cerca de uma centena de participantes presentes numas jornadas dedicadas exclusivamente a S. Paulo.
Segundo o prelado da diocese de Viseu, "tal como Paulo cultivou o amor à verdade, para corrigir, ensinar e servir", também nós somos hoje desafiados a aceitar a verdade para corrigir e anunciar. Quanto à liberdade em S. Paulo, D. Ilídio é peremptório a dizer-nos que esta "está ao serviço da verdade". "A lei antiga (AT) prendia-nos e escravizava-nos, com Jesus Cristo a lei completa-se ou seja com Cristo, a verdade torna-nos livres", afirma o bispo na sua reflexão teológica sobre S. Paulo. Segundo D. Ilídio, "Deus está presente no coração da pessoa humana, tornando a consciência o arauto de Deus". "A consciência em S. Paulo é a casa, o santuário, o lugar de encontro com Deus", explica ainda o prelado. "A consciência não é a fonte da verdade, mas procura que se pratique a verdade, aproximando-nos da luz", afirma por fim D. Ilídio.
O Doutor José Carlos Carvalho, outro dos conferencistas destas jornadas partilhou a sua reflexão sobre o tema "Jesus de Paulo e Jesus dos Evangelhos". João Duque falou sobre "Paulo e os desafios inter-culturais". O Professor da Universidade Católica retratou o mundo de S. Paulo num mundo multicultural, desde das raízes judaicas de Paulo à influência cultural greco-romana. "S. Paulo exerceu grande parte da sua actividade evangelizadora em cidades portuárias, onde existia naquela época um grande fluxo de navios mercantes, hoje todas as cidades são portuárias, porque hoje não navegamos somente pelo mar, mas também pela Internet", explicou o conferencista em jeito de crítica, para que a Igreja não descura este mundo. "Assim como o cristianismo teve que abandonar o mundo rural em S. Paulo, hoje também tem que mudar a sua forma de estar no mundo através da Internet", afirmou.
O Doutor António Moiteiro abordou o tema "Paulo e a Formação de Comunidades Cristãs". Comparou as nossas comunidades com a de S. Paulo. Para António Moiteiro "temos ainda muitos cristãos nas nossas comunidades que ainda não descobriram Jesus Cristo e não fizeram a reconversão inicial. O problema não é da catequese, mas sim do Karigma (Primeiro anúncio de JC)".Segundo a ideia do conferencista, o objectivo seria de aplicar o método de S. Paulo na formação das primeiras comunidades cristãs nas comunidades de hoje. António Moiteiro também apelou à formação dos leigos. Segundo o conferencista, as "comunidades cristãs estão muito marcadas pela secularização. É um erro dar como adquirido um baptizado", disse. Para António Moiteiro, a nossa Igreja tem estado a fazer uma "Pastoral de conservação e vez de promover uma pastoral mais diversificada, com itinerários de formação nas comunidades". "Os bispos têm estado há três anos a debater esse problema e não há maneira de se ver uma luz", enfatizou. "Fazem-se não sei quantos anos de catequese e o que é que fica?", interpelou o conferencista.
O Padre Doutor Vítor Coutinho abordou a ética em S. Paulo e o Padre A. Jesus Ramos explicou o itinerário histórico de S. Paulo, abordando as três grandes viagens pelo mediterrâneo. -


* Miguel Cotrim.

O sinal da vida consagrada secular


Por Estrela de Noronha
A vida consagrada nos Institutos Seculares manifesta-se com um sinal, sensível, mas não evidente, Não evidente, pela sua própria natureza e pelo aspecto da vida de Jesus que a fundamenta - a vida oculta.
Vemos Jesus como Deus escondido, não escondido nas nuvens, mas escondido no ser humano, como quem
quer conhecer os nossos mais íntimos segredos de ser gente.
Tão ignorado Jesus passa na nossa juventude que, poeticamente alguns se lembram da jovem de Nazaré, referindo-se a Maria, mas é raro lembrar-se que houve um jovem Jesus de Nazaré. Com a crise de valores e de personagens de referência em que vive o nosso mundo, temos que fazer emergir a figura do jovem Jesus de Nazaré que ajudará a nossa juventude a olharem para horizontes mais amplos, além das experiências virtuais e dos shows de multidões. E eles poderão contemplar alguém único, que viveu todas as emergências e surpresas da juventude e quando se tornou homem, marcou definitivamente a vida e a história da humanidade.
Desde a perca e o encontro no templo aos 12 anos, até às bodas de Caná, com cerca de 30 anos, Jesus, é silêncio e anonimato.
Neste "vazio" de relatos, existe na Igreja um chamamento concreto para tornar visível algo deste escondimento que Deus viveu quando encarnou na nossa história: a proposta de vida dos Institutos Seculares.
A vida consagrada secular, por opção, não escolheu encarnar a vida pública de Jesus, mas escolheu encarnar os anos da vida oculta e, o estilo que Ele vive agora, depois de ressuscitado, presente em todas as realidades e espaços humanos, onde Ele volta a viver oculto aos olhos de quem não crê.
O Papa Paulo VI, no seu discurso aos Responsáveis dos Institutos Seculares, em Roma, a 20 de Setembro de 1972, diz que a "'Consagração' indica, a íntima e secreta estrutura do vosso ser e do vosso agir. É aqui que se encontra a vossa riqueza profunda e velada, que os homens em cujo meio viveis não sabem explicar e, muitas vezes, nem sequer podem suspeitar... Viveis uma verdadeira e própria consagração, segundo os conselhos evangélicos, mas sem a plenitude da visibilidade…"
Se não há visibilidade, como podemos falar de "sinal" que revela a vida consagrada secular?
Afirmamos que este sinal existe e é revelador do mistério que se propõe encarnar.
Trazer Deus para o quotidiano é o sinal daqueles que são "discípulos de Deus", como diz São João (6,45) e dos que o Espírito marca para o dia da redenção (Ef. 4,30). Sinal da "familiaridade divina", dos "imitadores de Deus como filhos queridos" (Ef. 5,1). Sinal que identifica e distingue os filhos e filhas predilectos do Pai, que correspondem radicalmente ao Seu amor e mantêm com Ele uma estreita e intensa relação de proximidade, de intimidade e familiaridade.
Quem convive intimamente todos os dias com uma pessoa amada, assimila os seus traços e acaba por se tornar parecida com ela. O Consagrado na Secularidade de tanto conviver em intensa familiaridade com Deus, começa a evidenciar os seus traços, a ponto de se tornar visível a semelhança com Ele, desde os traços fisionómicos até aos nossos sentimentos e pensamentos, a nossa voz, os nossos gestos e o nosso caminhar. Não foi como imagem, e para sermos cada vez mais imagem e semelhança de Deus que fomos criados?
É este o sinal próprio da Vida Consagrada Secular! É revelar Deus pela simples presença em qualquer ambiente do mundo, com todas as suas contradições, progressos e virtudes. É isto que justifica esta radical e opção exclusiva por Jesus como único Amor.
O Papa Pio XII no Motu Próprio "Primo Feliciter", diz que toda a vida dos membros dos Institutos Seculares deve ser convertida em apostolado, "que deve ser exercido, constante e santamente, por uma tal pureza de intenção, por uma tal intimidade com Deus, por um tal generoso esquecimento e abnegação de si próprio, por um tal amor das almas, que seja capaz de revelar o espírito interior que o anima e na mesma proporção o alimenta e renova sem cessar". Este apostolado "deve exercer-se fielmente não somente no mundo, mas a partir do mundo e, por consequência, através das profissões e actividades, formas, lugares e circunstâncias correspondentes a essa condição secular".

Uma Igreja que precisa de recomeçar


Por Nuno Santos


O mundo de hoje lança a todos novos desafios. Em particular, faz novas perguntas à Igreja que exigem necessariamente novas respostas… mais adequadas e fundamentadas. Neste sentido, temos de dar mais espaço à criatividade do que às (neo)repetições; temos que valorizar cada vez mais as 'buscas' do que procurarmos as sínteses; temos de oferecer mais as 'sementes' do que continuar a dar os 'frutos'. Hoje tudo isto parece demasiado sereno e óbvio… mas nem sempre é.
Não gosto de falar da Igreja como se fosse um 'treinador de bancada'… Gosto de me pensar a partir de dentro. Assim, descubro-me tensão entre passado e futuro, perguntas e respostas, alheamento e presença, transparência e hesitação, coerência e 'quedas'… graça e pecado. Sou eu!
É assim 'todo dentro de' que quero falar da Igreja começando por chamar a atenção para os (primeiros) sinais de nostalgias pastorais. Deparamo-nos com o querer restaurar o passado que pensávamos já sem retorno. (E aqui os piores exemplos nem sempre vêm de baixo!)
De facto, em tempos de crises há mais 'gente' que procura segurança… numa pertença "doutrina pura" e não numa vida em permanente diálogo e tensão entre as perguntas e as respostas. Parece-me que há cada vez mais interesse pelas 'marcas' de incenso numa liturgia rubricista em detrimento do compromisso político e social… (Não continuo os exemplos porque são muitos… acreditem e o espaço é pouco).
Que fique claro que eu não estou disponível para 'patrocinar' este restauro (não é artístico mas que tem muitos artistas…). Não posso (não podemos) negar o 'mistério da incarnação' como um permanente acontecer na história da humanidade que exige fidelidade autêntica à experiência fundante e originária do cristianismo - Jesus Cristo.
Precisamos de protagonizar uma coragem evangélica que assuma a 'tacitura do risco' (Rahner), numa 'renovação pessoal' e numa 'renovação comunitária da Igreja' (Kasper), sempre conscientes que seremos uma 'minoria'… mas que devemos ser cada vez mais - 'minorias criativas' (Ratzinger).
Por isso, a missão da Igreja não pode ser estritamente espiritual ou religiosa. Efectivamente, a Igreja, na sua identidade mais profunda, sintoniza com as grandes aspirações da humanidade da qual todos os cristãos partilham o mesmo destino (GS). Neste ser 'Sacramento do Reino' e 'transparência do divino' precisamos de 'reprojectar a missão evangelizadora', 'refontalizar a identidade da Igreja' e 'renovar a Instituição eclesial' (Brighenti).
Consciente da acção do Espírito pedimos a coragem reencaminhar permanentemente as nossas acções e palavras até ao Pentecostes. Trata-se da necessidade da garantia de futuro que a Igreja quer celebrar na entrega - por amor - de Jesus na Cruz o sinal da morte e ressurreição (S. João). Na Jerusalém das nossas vidas voltemos a Pedro e a Paulo que nos habitam e nos desafiam.
Boa Quaresma.

Fé e Compromisso


CIDADANIA E DEMOCRACIA
José Dias da Silva
A cidadania é um conceito que está, de um modo genérico, relacionado com o direito e o dever que cada membro de uma sociedade tem de contribuir para a construção do bem comum. Não se trata, pois, de um mero acidente, mas de uma exigência essencial, estruturante da sua identidade. Pode até dizer-se que a cidadania é uma expressão máxima da dignidade humana, pois implica a participação e a realização efectiva do cidadão, num diálogo fecundo com os outros, contribuindo para o seu próprio crescimento e para que a sociedade em que vive se torne mais justa, mais solidária, numa palavra, mais humana.
Recordar isto é hoje uma necessidade. Os tempos de crise facilmente nos fazem esquecer os fundamentos últimos, angustiados que estamos com os acontecimentos imediatos. E a tentação de esquecer os valores construtivos é grande, face ao desejo de "sobreviver" no meio de dificuldades que obrigam a renunciar aos muitos hábitos hedonistas que a sociedade consumista nos fez interiorizar. Efectivamente ela conseguiu com um feito notável: a transformação dos cidadãos em consumistas.
Por isso, muitos vivem uma moral pragmática de vários tipos: a "moral do camaleão", que permite uma hábil e desleal adaptação às contínuas mudanças para assegurar o sucesso, ou a "moral do flamingo", que ora se apoia numa pata ora noutra, conforme os interesses imediatos. Há também a "moral do dinossauro", que nos amarra ao passado e nos incapacita de ver o que há de bom no que vai surgindo de novo.
No meio destas posições situam-se os que procuram discernir, em cada tempo, quais os valores e convicções que vale a pena viver, procurando fazer uma leitura contínua e atenta dos sinais dos tempos (GS 4). Especialmente os cristãos são chamados a descobrir "todas as possibilidades cristãs e evangélicas escondidas, mas já presentes e operantes, nas coisas do mundo" (EN 70) e a pô-las em prática.
No actual contexto, é hora da cidadania moral. Têm que ser os cidadãos, no seu todo, no seu pluralismo de ideias, a encontrarem um denominador comum, uma base para uma ética de mínimos que permita descobrir, em conjunto, as decisões nada fáceis que urge tomar em tempos de crise profunda.
É certo que, se sem democracia não há cidadania, o exercício da cidadania é um elemento estruturante de uma democracia de qualidade. Acontece que, não sendo a cidadania intuitiva nem fácil, tem de ser aprendida: é, pois, necessária uma educação para a cidadania. E não há educação sem conteúdos. Neste sentido gostaria de deixar um contributo. Se os adultos não quiserem levá-lo a sério, que, ao menos, os saibamos apresentar aos futuros cidadãos que são as nossas crianças e os nossos jovens.
São valores que retiro do ensinamento social da Igreja, mas que são de aplicação universal.
Numa sociedade fundada no dinheiro, torna-se indispensável viver uma justa liberdade frente aos bens materiais que promova um estilo de vida sóbrio e austero, sobretudo neste tempo em que milhões de pessoas passam fome e a exploração da natureza se faz de um modo desenfreado absolutamente inaceitável.
Numa sociedade onde a corrupção e a marginalização estão demasiado presentes, temos de interiorizar o sentido de uma verdadeira justiça que conduza ao respeito pela dignidade de todas as pessoas e povos e a uma promoção eficaz dos direitos humanos fundamentais.
Numa sociedade em que o individualismo e egoísmo marcam demasiado as relações humanas, é urgente implementar um verdadeiro "amor fraterno" (referi-me no último comentário à sociedade como comunidade moral) que faça da solidariedade um estilo de vida. E por solidariedade entendo a definição de João Paulo II: não se trata de "um sentimento de compaixão vaga ou de enternecimento superficial pelos males sofridos por tantas pessoas, próximas ou distantes", mas antes de uma "determinação firme e perseverante de se empenhar pelo bem comum; ou seja, pelo bem de todos e de cada um, porque todos nós somos verdadeiramente responsáveis por todos" (SRS 38).
Numa sociedade tão manipuladora, onde temos dificuldade em perceber o que é verdade e o que é mentira, seja na comunicação social, seja "nas letras miudinhas" dos contratos, seja nas diferentes interpretações políticas, por exemplo dos números e dos relatórios, necessita-se de um espírito crítico bem fundamentado. Porque, como diz o Concílio, estamos precisados de "homens e mulheres que não sejam somente cultos mas que tenham uma forte personalidade, como o nosso tempo vivamente exige" (GS 31).
Finalmente, numa sociedade onde a cidadania quase não existe, temos de desenvolver uma verdadeira consciência social que estimule cada um a, "contribuindo para o bem comum segundo as suas próprias capacidades e considerando as necessidades alheias, preocupar-se também com a promoção das instituições públicas ou privadas que servem para melhorar as condições de vida humana" (GS 30).
Um país só pode progredir com o contributo de todos, pessoas e grupos.
Mas o contributo de cada um e de cada grupo depende da sua consciência social, ou por outras palavras, do grau e da qualidade da sua cidadania.

Cearte mostra restauro de arte sacra


Encontra-se patente na Galeria Ferrer Correia, da Casa Municipal da Cultura de Coimbra, uma exposição de Restauro de Arte Sacra, promovida pelo Cearte - Centro de Formação Profissional do Artesanato.
"Trata-se de uma iniciativa que pretende mostrar, de uma forma didáctica e pedagógica, os trabalhos finais de restauro de arte sacra, realizados pelos nove formandos do curso de Especialização Tecnológica de Restauro de Arte Sacra, Escultura e Talha. Ministrado pelo Cearte e acompanhado por uma equipa de formadores especializados, em parceria com o Museu Grão Vasco", explica uma nota da autarquia.
A mostra, que resulta de uma parceria do Cearte com o Instituto dos Museus e da Conservação, através do Museu Grão Vasco (Viseu), "manifesta aproximação da formação à realidade em contexto de trabalho, já que as peças apresentadas (depois de sujeitas a uma intervenção de conservação por parte dos formandos nas instalações do Museu Grão Vasco, integram o próprio acervo do museu e já estiveram expostas, também, no Museu de Lamego".
Os trabalhos estarão expostos até 14 de Março, de segunda a sexta-feira, entre as 9 e as 19,30 horas e aos sábados, entre as 13,30 e as 19 horas.