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23 de fevereiro de 2009

O sinal da vida consagrada secular


Por Estrela de Noronha
A vida consagrada nos Institutos Seculares manifesta-se com um sinal, sensível, mas não evidente, Não evidente, pela sua própria natureza e pelo aspecto da vida de Jesus que a fundamenta - a vida oculta.
Vemos Jesus como Deus escondido, não escondido nas nuvens, mas escondido no ser humano, como quem
quer conhecer os nossos mais íntimos segredos de ser gente.
Tão ignorado Jesus passa na nossa juventude que, poeticamente alguns se lembram da jovem de Nazaré, referindo-se a Maria, mas é raro lembrar-se que houve um jovem Jesus de Nazaré. Com a crise de valores e de personagens de referência em que vive o nosso mundo, temos que fazer emergir a figura do jovem Jesus de Nazaré que ajudará a nossa juventude a olharem para horizontes mais amplos, além das experiências virtuais e dos shows de multidões. E eles poderão contemplar alguém único, que viveu todas as emergências e surpresas da juventude e quando se tornou homem, marcou definitivamente a vida e a história da humanidade.
Desde a perca e o encontro no templo aos 12 anos, até às bodas de Caná, com cerca de 30 anos, Jesus, é silêncio e anonimato.
Neste "vazio" de relatos, existe na Igreja um chamamento concreto para tornar visível algo deste escondimento que Deus viveu quando encarnou na nossa história: a proposta de vida dos Institutos Seculares.
A vida consagrada secular, por opção, não escolheu encarnar a vida pública de Jesus, mas escolheu encarnar os anos da vida oculta e, o estilo que Ele vive agora, depois de ressuscitado, presente em todas as realidades e espaços humanos, onde Ele volta a viver oculto aos olhos de quem não crê.
O Papa Paulo VI, no seu discurso aos Responsáveis dos Institutos Seculares, em Roma, a 20 de Setembro de 1972, diz que a "'Consagração' indica, a íntima e secreta estrutura do vosso ser e do vosso agir. É aqui que se encontra a vossa riqueza profunda e velada, que os homens em cujo meio viveis não sabem explicar e, muitas vezes, nem sequer podem suspeitar... Viveis uma verdadeira e própria consagração, segundo os conselhos evangélicos, mas sem a plenitude da visibilidade…"
Se não há visibilidade, como podemos falar de "sinal" que revela a vida consagrada secular?
Afirmamos que este sinal existe e é revelador do mistério que se propõe encarnar.
Trazer Deus para o quotidiano é o sinal daqueles que são "discípulos de Deus", como diz São João (6,45) e dos que o Espírito marca para o dia da redenção (Ef. 4,30). Sinal da "familiaridade divina", dos "imitadores de Deus como filhos queridos" (Ef. 5,1). Sinal que identifica e distingue os filhos e filhas predilectos do Pai, que correspondem radicalmente ao Seu amor e mantêm com Ele uma estreita e intensa relação de proximidade, de intimidade e familiaridade.
Quem convive intimamente todos os dias com uma pessoa amada, assimila os seus traços e acaba por se tornar parecida com ela. O Consagrado na Secularidade de tanto conviver em intensa familiaridade com Deus, começa a evidenciar os seus traços, a ponto de se tornar visível a semelhança com Ele, desde os traços fisionómicos até aos nossos sentimentos e pensamentos, a nossa voz, os nossos gestos e o nosso caminhar. Não foi como imagem, e para sermos cada vez mais imagem e semelhança de Deus que fomos criados?
É este o sinal próprio da Vida Consagrada Secular! É revelar Deus pela simples presença em qualquer ambiente do mundo, com todas as suas contradições, progressos e virtudes. É isto que justifica esta radical e opção exclusiva por Jesus como único Amor.
O Papa Pio XII no Motu Próprio "Primo Feliciter", diz que toda a vida dos membros dos Institutos Seculares deve ser convertida em apostolado, "que deve ser exercido, constante e santamente, por uma tal pureza de intenção, por uma tal intimidade com Deus, por um tal generoso esquecimento e abnegação de si próprio, por um tal amor das almas, que seja capaz de revelar o espírito interior que o anima e na mesma proporção o alimenta e renova sem cessar". Este apostolado "deve exercer-se fielmente não somente no mundo, mas a partir do mundo e, por consequência, através das profissões e actividades, formas, lugares e circunstâncias correspondentes a essa condição secular".

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