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23 de fevereiro de 2009

Uma Igreja que precisa de recomeçar


Por Nuno Santos


O mundo de hoje lança a todos novos desafios. Em particular, faz novas perguntas à Igreja que exigem necessariamente novas respostas… mais adequadas e fundamentadas. Neste sentido, temos de dar mais espaço à criatividade do que às (neo)repetições; temos que valorizar cada vez mais as 'buscas' do que procurarmos as sínteses; temos de oferecer mais as 'sementes' do que continuar a dar os 'frutos'. Hoje tudo isto parece demasiado sereno e óbvio… mas nem sempre é.
Não gosto de falar da Igreja como se fosse um 'treinador de bancada'… Gosto de me pensar a partir de dentro. Assim, descubro-me tensão entre passado e futuro, perguntas e respostas, alheamento e presença, transparência e hesitação, coerência e 'quedas'… graça e pecado. Sou eu!
É assim 'todo dentro de' que quero falar da Igreja começando por chamar a atenção para os (primeiros) sinais de nostalgias pastorais. Deparamo-nos com o querer restaurar o passado que pensávamos já sem retorno. (E aqui os piores exemplos nem sempre vêm de baixo!)
De facto, em tempos de crises há mais 'gente' que procura segurança… numa pertença "doutrina pura" e não numa vida em permanente diálogo e tensão entre as perguntas e as respostas. Parece-me que há cada vez mais interesse pelas 'marcas' de incenso numa liturgia rubricista em detrimento do compromisso político e social… (Não continuo os exemplos porque são muitos… acreditem e o espaço é pouco).
Que fique claro que eu não estou disponível para 'patrocinar' este restauro (não é artístico mas que tem muitos artistas…). Não posso (não podemos) negar o 'mistério da incarnação' como um permanente acontecer na história da humanidade que exige fidelidade autêntica à experiência fundante e originária do cristianismo - Jesus Cristo.
Precisamos de protagonizar uma coragem evangélica que assuma a 'tacitura do risco' (Rahner), numa 'renovação pessoal' e numa 'renovação comunitária da Igreja' (Kasper), sempre conscientes que seremos uma 'minoria'… mas que devemos ser cada vez mais - 'minorias criativas' (Ratzinger).
Por isso, a missão da Igreja não pode ser estritamente espiritual ou religiosa. Efectivamente, a Igreja, na sua identidade mais profunda, sintoniza com as grandes aspirações da humanidade da qual todos os cristãos partilham o mesmo destino (GS). Neste ser 'Sacramento do Reino' e 'transparência do divino' precisamos de 'reprojectar a missão evangelizadora', 'refontalizar a identidade da Igreja' e 'renovar a Instituição eclesial' (Brighenti).
Consciente da acção do Espírito pedimos a coragem reencaminhar permanentemente as nossas acções e palavras até ao Pentecostes. Trata-se da necessidade da garantia de futuro que a Igreja quer celebrar na entrega - por amor - de Jesus na Cruz o sinal da morte e ressurreição (S. João). Na Jerusalém das nossas vidas voltemos a Pedro e a Paulo que nos habitam e nos desafiam.
Boa Quaresma.

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