Correio de Coimbra

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5 de dezembro de 2006

Livro do Dr. José Dias apresentado na próxima semana


“Memórias de um tempo futuro” é o título do livro de José Dias da Silva, colaborador do nosso jornal, que será apresentado no dia 12 de Dezembro, pelas 18h30 no Seminário dos Combonianos, no Areeiro, em Coimbra. A obra reúne alguns escritos do autor publicados no Correio de Coimbra e na revista Além-Mar.
Para além do autor, intervirão ainda, no dia da apresentação, o padre Manuel Augusto, director da revista Além-Mar, o padre Doutor A. Jesus Ramos, director do Correio de Coimbra, que caracterizará o autor, e José Vieira Lourenço que analisará a obra.

EXEMPLO DE TENACIDADE


José Dias da Silva
De acordo com números recentes, um americano consume, em energia, o correspondente a 8 toneladas de petróleo por ano, um europeu fica-se pelas 6, enquanto um cidadão dos países em desenvolvimento gasta menos de 0,5 tonelada. Dito por outros números, os Estados Unidos, que há poucos dias atingiram os 300 milhões de habitantes (um vigésimo da população mundial), delapidam um quarto da energia gasta em todo o mundo. Isto é, se todos vivêssemos ao nível energético dos Estados Unidos, a energia necessária seria cinco vezes a que se produz actualmente: a produção de petróleo teria de ser cinco vezes superior, bem como a da energia nuclear, hidroeléctrica, termoelétrica, etc., o que seria um verdadeiro cataclismo.
Esta introdução serve apenas para mostrar que não é possível a todos os habitantes do mundo viverem ao nível dos mais desenvolvidos, até porque a Terra já não dá sequer para o que gastamos aos níveis actuais.
Se não podemos todos viver "à rica", restam apenas duas alternativas: ou os mais ricos baixam o seu nível de riqueza e se tornam solidários com os mais pobres ou, muito em breve, entraremos numa convulsão social cujos efeitos não são fáceis de imaginar. Esta é uma realidade que ninguém quer encarar. João Paulo II recordou que criar as condições para que o pobre – indivíduo ou nação – possa desenvolver-se de uma maneira humana "é a tarefa de uma concertação mundial para o desenvolvimento, que implica inclusive o sacrifício das situações de lucro e de poder, usufruídas pelas economias mais desenvolvidas. Isto pode acarretar importantes mudanças nos estilos consolidados de vida, com o objectivo de limitar o desperdício dos recursos ambientais e humanos" (CA 52).
O pior é que agora já não se trata apenas de controlar os desperdícios, mas de muito mais substancial; já não basta não estragar o supérfluo mas temos também de renunciar a algum necessário. É aqui que entra a cultura da pobreza (I. Zubero). Cultura da pobreza não significa cultura da miséria ou da pauperização universal, mas a um cultura mundial baseada na solidariedade, na partilha de bens e dons, em contraposição ao individualismo fechado e competitivo que constitui a dinâmica fundamental de uma cultura de riqueza.
O objectivo não é que todos tenham muito ou o máximo, mas que todos tenham o necessário para viver com dignidade. A transformação exigida é grande demais para o nosso egoísmo, porque não se trata "apenas" (o que já não é pouco) de partilhar o que temos com os outros, mas também de nos colocarmos na pele do outro, especialmente do necessitado. Obriga, portanto, a uma mudança radical de perspectiva que se comprometa a avaliar os nossos mecanismos sociais, políticos e económicos não tanto a partir dos que "triunfaram na vida", mas sobretudo a partir do pobre, dos "de baixo", dos "vencidos", das "vítimas da história".
Esta é uma conversão difícil. É difícil fora de nós, pois tem como condição a partilha do supérfluo mas também do necessário. Mas é sobretudo difícil dentro de nós, porque nos obriga a olhar a história do outro lado, do lado que eu não quero conhecer e que não sei o que significa porque nunca lá quis estar ou nunca fui obrigado a estar lá.
E, no entanto, pelo menos para os cristãos não há outra opção. É que os critérios do Reino são tão clarinhos: "Tive fome e deste-me de comer, tive sede e deste-me de beber, era peregrino e recolheste-me, estava nu e vestiste-me, adoeci e visitaste-me, estive na prisão e foste ter comigo" (Mt 25,4-5)! Estas palavras, que de tanto as ouvirmos já não nos dizem nada apesar de serem parte estruturante do núcleo duro da nossa fé, foram traduzidas para linguagem moderna pelo Concílio: "As alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos homens de hoje, sobretudo dos pobres e de todos aqueles que sofrem, são também as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos discípulos de Cristo" (GS 1).
Esta cultura da pobreza não é só um desafio a nível mundial; é-o também a nível nacional. A nossa riqueza não dá para ganharmos todos como directores gerais ou como juízes. O que significa, aplicando o raciocínio atrás desenvolvido, que os "de cima" deveriam ter os seus vencimentos reduzidos e os do meio congelados para que os "de baixo" pudessem não só viver com dignidade mas também proporcionar uma educação adequada os seus filhos. E isto não só a nível geral, mas também dentro de cada carreira profissional.
Até porque uma sociedade só com directores gerais ou com juízes rapidamente entraria em colapso, o que prova que os "de cima" só podem sobreviver se houver os "do meio" e os "de baixo", ou seja, todos, independentemente do que ganhamos e do que fazemos somos igualmente indispensáveis a um são funcionamento da sociedade. Ela só pode manter-se, nas condições actuais, se todos formos militantes empenhados da cultura da pobreza.

Coimbra celebra três centenários


- Nunes Pereira, Manuel Antunes e Hospitaleiras

No passado fim-de-semana, o Bispo de Coimbra presidiu a três celebrações centenárias que assinalaram as seguintes efemérides: o centenário do nascimento de Mons. Nunes Pereira (Padre e Artista), o centenário do nascimento do Padre Manuel Antunes (fundador do Instituto da Sagrada Família) e a celebração jubilar (125 anos) da fundação das Irmãs Hospitaleiras do Sagrado Coração de Jesus (Condeixa).

Nunes Pereira evocado na Câmara, em Santa Cruz e em S. Bartolomeu
"Deus manifesta-se também através da beleza produzida pelos artistas". Esta expressão é do Bispo de Coimbra, D. Albino Cleto e foi proferida durante a homilia que marcou o dia do centenário do nascimento de Mons. Nunes Pereira, no passado dia 3 de Dezembro.
Ao falar da recente viagem do Papa Bento XVI à Turquia, D. Albino Cleto falou das coisas boas e menos boas que são produzidos pelos meios de comunicação social, nomeadamente a televisão. "Temos que saber tirar proveito daquilo que nos oferecem os meios de comunicação social", disse o prelado perante uma centena de fiéis na igreja de Santa Cruz. "A arte também é sinal disso mesmo", disse ao referir-se às comemorações do centenário de nascimento de Mons. Nunes Pereira. O prelado recordou a vida deste sacerdote, pároco de S. Bartolomeu ao longo de 25 anos e vigário geral da diocese.
A anteceder a celebração litúrgica, decorreu uma sessão solene na Câmara Municipal de Coimbra, onde foi recordado a obra de monsenhor Nunes Pereira pela Professora Doutora Elizabete Oliveira, pelo Professor Doutor Aníbal Pinto de Castro e pelo Professor Doutor António Pedro Pita. A sessão que foi presidida pelo Professor Doutor Manuel Porto
(presidente da Assembleia Municipal), contou ainda com a presença de D. Albino Cleto (Bispo de Coimbra), Mário Nunes (vereador da Cultura) e por João Fernandes (delegado do Inatel).
O presidente da Assembleia Municipal considera que "a obra de monsenhor Nunes Pereira nunca estará totalmente descoberta". "Se calhar vão ser os meus filhos ou os meus netos que vão ter consciência do seu valor", considerou na sessão solene.
O Professor Aníbal Pinto Castro é, assumidamente, um "admirador" do "homem, do artista e do sacerdote". O actual provedor da Santa Casa da Misericórdia de Coimbra considera a obra de monsenhor Nunes Pereira "uma alma aberta a todas as formas de beleza, sempre vista pelos olhos do menino de Fajão", mas destaca o grande vitral da capela-mor da igreja de S. José como a que "coroa e sintetiza toda a produção do sacerdote artista".
"É chegado o momento de aqueles que conheceram e estiveram com ele passarem à prova mais difícil e mais exigente dessa admiração: situar o artista no tempo das artes portuguesas do século XX", afirmou Pedro Pita, delegado Regional da Cultura do Centro, justificando esta sua afirmação como uma obrigação da sua adesão às comemorações do centenário de mons. Nunes Pereira que se prolongarão por um ano, um pouco por toda a região.
A paróquia de S. Bartolomeu também assinalou o centenário do nascimento de Monsenhor Nunes Pereira com a celebração de uma missa, que contou com a presença de muitos fiéis.
As comemorações prolongar-se-ão até Dezembro de 2007, mas até final deste ano haverá mais dois momentos de homenagem a monsenhor Nunes Pereira. Um acontece já amanhã, com a abertura ao público da oficina-museu monsenhor Nunes Pereira, no Seminário Maior de Coimbra. A exposição estará patente até ao próximo dia 3 de Dezembro do próximo ano, aos Sábados das 15 às 17 horas.
No Sábado, às 21,30 horas a igreja de S. José acolherá um concerto de Natal com a presença do Coro dos Pequenos Cantores de Coimbra, do Choral Poliphonico de Coimbra e o Grupo de Instrumentos de Sopro de Coimbra.

Padre Manuel Antunes evocado na Sagrada Família
Os membros do Instituto da Sagrada Família comemoraram no passado dia 2 de Dezembro o centenário de nascimento do padre Manuel Antunes, fundador daquela obra. Esta efemeridade foi assinalada com uma missa presidida pelo Bispo de Coimbra, D. Albino Cleto, com a presença de alguns sacerdotes e várias famílias da diocese. Ao longo da tarde, decorreu uma partilha de testemunhos dos vários membros do instituto, assim como respectivos familiares e pessoas que o conheceram bem de perto.
Esta efemeridade foi assinalada com muita humildade e simplicidade ao jeito do seu fundador. Para a responsável do Instituto da Sagrada Família, Laura Fernandes, o objectivo "foi redescobrir a vida e obra do Padre Manuel Antunes e aprofundar a sua mensagem quer para os membros do instituto quer para as famílias que acompanhamos e apoiamos".
Neste momento, os membros do Instituto da Sagrada Família encontram-se empenhados na recolha de dados e testemunhos para completarem a bibliografia do seu fundador, para brevemente ser editado.
A obra do padre Manuel Antunes resume-se na assistência incansável que teve com as famílias da cidade e da diocese. Laura Fernandes, recordou "a sua acção que teve para com as raparigas que vinham servir para a cidade, e não tinham qualquer tipo de formação, eram muitas vezes exploradas e abusadas pelos patrões". Teve ainda uma acção louvável no bairro da Conchada, antigo bairro da lata de Coimbra onde se registava uma pobreza significativa.
A responsável pelo Instituto da Sagrada Família salientou ao Correio que ainda hoje continuam a apoiarem as famílias, apesar que o apoio "é hoje mais espiritual do que económico". Laura Fernandes salientou ainda o acompanhamento efectuado a muito doentes, vítimas de cancro, o apoio a várias famílias com encontros de formação, de convívio e ainda o trabalho de evangelização feito em várias paróquias.

Irmãs Hospitaleiras celebram 125 anos
As irmãs hospitaleiras de Condeixa também celebraram no passado domingo 125 anos de fundação com uma missa presidida pelo Bispo de Coimbra, D. Albino Cleto, pelas 15 horas na Sé Nova.
Foram muitos os colaboradores, familiares de doentes e voluntários que quiseram evocar a memória dos 125 anos de presença hospitaleira na sociedade.
"Dar Voz" é o nome da Associação de familiares e amigos dos doentes da Casa de saúde Rainha Santa Isabel (Condeixa), onde as Irmãs Hospitaleiras assistem doentes do foro psíquico.
A irmã Maria Isabel Santos escreveu há tempos, neste mesmo jornal, que pretende continuar a "cultivar o carisma e os valores hospitaleiros" da instituição.
A irmã Maria Isabel explicava como se podia ser voluntário nesta associação, servindo assim os que mais precisam.

Profetas da vida

O Presidente da República tomou a decisão de convocar o povo português para o referendo, marcado para o dia 11 de Fevereiro de 2007, a favor ou contra o aborto. Digo-o assim, porque é disto que se trata, demarcando-me claramente da pergunta decidida pelos deputados, pois usaram uma linguagem claramente ambígua. E neste capítulo da vida não pode haver subterfúgios e desvios, como parece que existe em muitas mentes dos defensores da apregoada “despenalização”. Assim, cada um de nós é chamado a tomar uma posição coerente e honesta, numa consciência bem formada, que não pode levantar suspeitas de ser errónea.

Fiquei estupefacto, quando o Canal 1 da RTP, no telejornal do dia 30 de Novembro, noticiou com surpresa ter a Rádio Renascença, na nota de abertura das 8H00, tomado a decisão clara contra a despenalização, prometendo total liberdade e isenção, como é seu timbre, no acompanhamento desta problemática. Parece que alguns jornalistas ignoram que as empresas de comunicação social possuem estatuto editorial, para servir de orientação superior à definição deontológica do serviço que prestam. É estranho haver muita gente a pensar que vai descobrir só agora, ao avizinhar-se o debate que antecede o referendo, quando começa a vida humana. Isso sim, que saibam descobrir a distinção entre o corpo da mulher e o novo ser, não se identificando nem confundindo. E que se procurem as medidas acertadas para resolver os problemas da mulher, que deve ser tratada com toda a dignidade, sem que se tenham de lesar os direitos às vítimas inocentes. Não se resolve nenhum problema, pelo contrário se agrava mais, quando se ataca e menospreza totalmente os que não se podem defender.

Não será altura de encarar o problema na sua raiz? Não deveremos ser intelectualmente honestos, para descobrir o sentido da sexualidade, da natureza do corpo, feito para o amor e a vida, da capacidade de autodomínio, face aos impulsos biológicos da natureza, da educação dos afectos, do respeito pelos outros, etc., etc.? Ou achamos que a liberdade tem que ser total, sem regras nem limites, entregando-se aos instintos, à satisfação insaciável do prazer, à escravidão do egoísmo, que sacrifica tudo e todos? Não será altura de termos juízo e equilíbrio, sem atirar a culpa para fora, sacrificar os inocentes, e não conseguir resolver os problemas de frente? E não venham querer acusar-nos de reaccionários, conservadores, fundamentalistas e retrógrados, contra um pseudo progressismo, e não sei que mais, porque afinal essa carapuça serve a quem no-la quer enfiar.

Meus amigos, a verdadeira questão está aqui, Resolva-se cada problema dentro do seu âmbito, não se procurem falsas soluções. E então entender-nos-emos. Se, afinal, os defensores do sim dizem não ser pelo aborto, então tenham a coragem de chamar cada coisa pelo seu nome, de resolver cada problema por si, e não atirar sobre bodes expiatórios, porque inclusive se pode apresentar como a mais requintada cobardia, ainda que seja legal.

Com o dever de formar uma consciência recta, é preciso começar pelo princípio. Duma forma isenta, aceitar as verdades da investigação e do saber, bem fundamentado. E, para isso, um bom apoio será o do Dicionário de Bioética, que no tema da vida, quando se refere ao nascimento e desenvolvimento do indivíduo, afirma textualmente: “O zigoto, com a combinação dos dois genomas paterno e materno, é um indivíduo” (p. 1133). Como tal, é sujeito, e assim devem respeitar-se os seus direitos, o primeiro dos quais é o da vida (Declaração Universal dos Direitos do Homem). Ainda por cima é inocente e indefeso…
Não queiram lançar-nos mais poeira para os olhos. Somos profetas da vida. Esse é o verdadeiro estatuto que reclamamos.

P. Armando Duarte

Campanha do Banco Alimentar contra a fome

No fim-de-semana de 25 e 26 de Novembro, cerca de centena e meia de alunos dos Colégios de Cernache, S. José, Rainha Santa Isabel e São
Teotónio estiveram envolvidos na campanha de recolha de produtos alimentares promovida pelo Banco Alimentar contra a Fome. Distribuídos por cinco hipermercados da cidade de Coimbra, e acompanhados por professores ou pais, os adolescentes e jovens tudo fizeram para estimular aos clientes o valor da partilha, a fim de recolherem o máximo de alimentos. Alguns destes voluntários prestaram, igualmente, ajuda no complexo trabalho de triagem e acondicionamento, nos armazéns do Banco Alimentar, em Antanhol.
Esta actividade insere-se no Projecto Vida Melhor do Programa SOLNEC, visando o incremento do voluntariado dos alunos das Escolas Católicas da diocese de Coimbra junto das pessoas mais carenciadas.

Projecto “Vida Corajosa”

Este ano lectivo, no âmbito do programa SOLNEC, as EC estão a desenvolver o projecto Vida Corajosa, com APPACDM. Além do convívio e da partilha de experiências com as pessoas portadoras de deficiência dos Centros da APPACDM de Coimbra, Arganil, Cantanhede e Montemor-o-Velho, haverá outras iniciativas, designadamente a recolha de tinteiros e toners vazios, a participação num desafio de futebol com os utentes destes Centros e a realização do II Festival SOLNEC, procurando angariar fundos destinados à compra de uma carrinha para a Associação.

Entrega de donativo à ACREDITAR


No passado dia 27 de Novembro, na Quinta das Lágrimas, o Núcleo das Escolas Católicas da Diocese de Coimbra (NEC) – que integra o Externato de João XXIII, Escola da Casa de N. S. do Rosário (Tavarede) e os Colégios de S. Teotónio, S. José, Rainha Santa e da Imaculada Conceição (Cernache) – entregou à Associação ACREDITAR o resultado “tangível” da campanha que desenvolveu ao longo do ano lectivo transacto – um cheque no valor de 9 644,66 € –, tendo em vista a construção de uma casa de acolhimento, em Coimbra. Neste percurso solidário, os alunos das Escolas Católicas tiveram ocasião de conviver com crianças vítimas de cancro internadas no Hospital Pediátrico, assistir a um jogo de futebol no Estádio Cidade de Coimbra (dando visibilidade ao projecto), construir uma pintura colectiva juntamente com consagrados pintores da região centro (cujos quadros estiveram expostos no auditório da Livraria Bertrand, no Dolce Vita, e cuja venda irá, por certo, aumentar o montante acima referido) e realizar o I Festival SOLNEC no Pavilhão Multidesportos, em Coimbra.
Presidiu a esta cerimónia – que contou com um momento cultural a cargo dos alunos de cada EC – o Senhor D. Albino Cleto. Associaram-se ao evento um conjunto alargado de instituições e empresas de âmbito local, regional e nacional que patrocinaram a campanha, os artistas que colaboraram na colectiva de pintores, assim como diversas entidades oficiais. Dada a relevância da iniciativa das Escolas Católicas – que manifestou, mais uma vez, o empenho dos alunos junto das pessoas mais necessitadas de afecto – a RTP 1 esteve presente, entrando em directo no seu programa diário “Portugal em directo”.
A Associação ACREDITAR (Associação de Pais e Amigos de Crianças com Cancro) é uma das instituições contempladas no projecto Vida Sã do programa SOLNEC, visando o incremento do voluntariado dos alunos das Escolas Católicas da diocese de Coimbra junto das pessoas doentes.

Coimbra fica em 2º lugar no Festival Jovem da Canção


O VI Festival Nacional Jovem da Canção Mensagem reuniu em Fátima, no dia 2 de Dezembro, centenas de jovens de todo o país, que celebraram, pela música, a mesma fé. Foram interpretadas no auditório do Centro Pastoral Paulo VI, 16 canções, seleccionadas pelas diferentes dioceses para participarem nesta iniciativa do Departamento Nacional da Pastoral Juvenil (DNPJ) que lançou como tema, um convite feito por Cristo: “Se alguém quiser vir comigo, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-Me”.
Um grupo de jovens de Mortágua levou ao palco a canção de Coimbra, “Se queres ser feliz”, votada pelo júri para o segundo lugar do festival, tendo o primeiro prémio sido atribuído à diocese de Aveiro, pela canção “Brilha como o Sol”, interpretada pelo grupo Jovens em Movimento. O terceiro lugar coube à diocese de Leiria-Fátima, cuja canção mereceu também o prémio Mensagem.
No Festival, estiveram presentes, entre outros, o reitor do Santuário de Fátima, Monsenhor Luciano Guerra, o bispo emérito de Leiria-Fátima, Dom Serafim e o bispo de Viseu, Dom Ilídio. Nas palavras dirigidas aos jovens, pediram-lhes que se comprometam e que sejam capazes de pôr em prática a mensagem transmitida através da música.
Segundo o director do DNPJ, M. Oliveira de Sousa, este festival é uma forma de dinamizar a pastoral dos jovens, incentivando o uso da criação poético musical para evangelizar. Para além disso, o acontecimento é ainda uma forma de reunir jovens de dioceses, grupos e movimentos diferentes, num encontro entre aqueles “que sonham com um mundo mais humano, portanto, mais cristão, mais jovem, mais solidário, mais santo, mais harmonioso”.
Também neste sentido, coube ao Secretariado Diocesano da Pastoral Juvenil de Coimbra, organizar e dinamizar uma caminhada feita com os concorrentes de todo o país, que teve início ainda antes do festival. Num ambiente de alegria e entusiasmo, foi possível através da Internet e vivendo momentos em comum, rezar, partilhar e aprender a ser jovem e cristão à maneira de Jesus Cristo.

Obra do Padre Serra recolhe donativos

A Obra do Padre Serra está a recolher donativos para as crianças e jovens que ali residem. Esta campanha assume-se como uma forma de proporcionar aos que usufruem do apoio da instituição, um Natal e um Novo Ano mais feliz. Os donativos poderão ser entregues no Lar de S. Martinho, na Quinta do Chafariz – Fala 3080- 083, no Lar O Girassol 3020 – 395 Alacarraques (Trouxemil) ou no Lar de Santo António 3090 – 641 Vila Verde (Figueira da Foz)

O “meu padre”

Mário Martins (*)


Não é fácil – mas, ao mesmo tempo, não é difícil – escrever sobre o padre Augusto Nunes Pereira.

Não é difícil porque vivi largos anos na pobre paróquia de que era responsável, a de S. Bartolomeu, em Coimbra. Conheci-o bem e ele também me conhecia. Foi ele que me baptizou, deu a primeira comunhão, presidiu à celebração da “profissão de fé”, esteve presente no Crisma e, mais tarde, teve a gentileza de se deslocar a Castanheira de Pêra, do “outro lado” da serra da Lousã, para estar no meu casamento. No plano afectivo, era uma pessoa da família.
Foi ele, também, o primeiro chefe de Redacção que conheci, no cubículo apertado onde se delineava o “Correio de Coimbra” – ele, o cónego Urbano Duarte e a escritora Maria Espiñal foram os meus primeiros “modelos vivos” de jornalista.
Por tudo isto, é muito fácil escrever sobre o padre Nunes Pereira – e permitam-me que assim o refira, porque foram estes os vocábulos que mais utilizei para comunicar com ele. (Nos últimos anos, quando o encontrava, tratava-o por monsenhor, mas achei sempre que era uma palavra que não se coadunava com a sua personalidade. Monsenhor parece transmitir um certo “estatuto” de diferença – e o padre Nunes Pereira foi sempre um homem simples e humilde, pobre entre os pobres, ignorado entre os ignorados da vida.)
Não é difícil escrever sobre o padre Nunes Pereira. Poderia recordar a azáfama tranquila com que preparou a primeira exposição na galeria de “O Primeiro de Janeiro”, a dois passos da sua igreja. Ou recordar como justificou os valores tão baixos que atribuiu às peças que iria mostrar: “Não estás a ver? Estão assinadas ‘NP’. Sabes o que quer dizer?... Que não prestam!”. O excesso de humildade.
Ou lembrar as tertúlias, em que nunca participei, n’”A Brasileira”, também ali ao lado, que olhava deslumbrado da porta do café. Ou a distribuição de leite e queijo oferecidos por Cáritas internacionais, que ele e a irmã, a D. Maria Adelaide, distribuíam nos anos 60 pela gente mais carenciada da paróquia – quase todos.
Tantas, tantas recordações... Como a daquela manhã de sábado, já ele vivia na casa de madeira pré-fabricada, junto à ponte da Portela, em que alguns amigos lhe foram levar um gravador de video, comprado entre todos, para que pudesse registar o programa/entrevista que nessa tarde a RTP2 iria transmitir.
Estive com ele menos de uma semana antes de morrer. Não sei ainda hoje porquê, naquela tarde de sábado decidi pegar no carro e ir a Montemor-o-Velho, assistir à inauguração da exposição de trabalhos do padre Nunes Pereira. Foi a última. E também ainda hoje não consigo explicar a “febre” que senti e que me levou na altura a tirar umas boas dezenas de fotografias. São as últimas.
Não seria difícil lembrar tantos outros episódios. Mas a verdade é que continua a ser muito difícil escrever sobre o padre Nunes Pereira e recordar que ficou por cumprir um pedido que tantas vezes fez: “Quando é que vamos a Fajão, para conheceres a casa-museu?”. – Um dia destes, padre Nunes Pereira – respondia-lhe mecanicamente, convencido que, mais dia menos dia, faríamos a viagem.
Ficou por fazer.
Acompanha-me essa mágoa.
No entanto, a maior dificuldade em escrever sobre o padre Augusto Nunes Pereira são estas lágrimas teimosas que toldam a visão e dificultam o encontrar das teclas.

(*) texto publicado na edição de Dezembro de 2006
da revista "Mensageiro de Santo António"

Cerca de 30 jovens fazem Convívio Fraterno 1000 em Coimbra

Foram cerca de 30, os jovens que, no dia 3 de Dezembro, e no âmbito do Convívio Fraterno 1000, da diocese de Coimbra, deram testemunho, na Igreja de Nossa Senhora de Lurdes, de uma fé segura num Cristo sentido por dentro e levado aos outros por fora.
A Casa da Sagrada Família, em Mira, foi, desde o dia 30 de Novembro e até ao último Domingo, o espaço que acolheu estes jovens, num encontro que acontece regularmente na nossa diocese e por todo o país, proporcionado pelo Movimento dos Convívios Fraternos. O Convívio 1000, número atribuído a todos os encontros realizados este ano, nas várias dioceses, reuniu, mais uma vez, os que aceitaram o desafio de viver um encontro consigo próprios, com Deus e com os outros.
O Bispo de Coimbra esteve presente no Encerramento, momento de assumir compromissos e de mostrar aos outros o que ficou de um tempo preparado para os jovens e para que estes se deixem seduzir por Cristo. Depois de ouvir os testemunhos, D. Albino, falou aos presentes da importância de sentirmos este Cristo que vem todos os dias e que continua a chamar a juventude. Lembrou ainda a necessidade de não nos esquecermos de Lhe deixar caminhos abertos na nossa vida, para que a nossa vontade de O seguirmos não desapareça. Nos jovens ficou a vontade de viver bem o 4º dia, a vida que se segue ao encontro, agora marcada pela vontade de dar e de servir dentro da Igreja.
O padre Fernando Pascoal, referindo os mais de 50 Convívios realizados em Coimbra e os muitos em que tomou parte, anunciou também o novo trabalho que assume agora na diocese, como orientador espiritual daqueles que procuram apoio, acompanhamento ou uma preparação mais profunda para o sacramento da reconciliação. A Igreja de Santiago será o espaço de acolhimento.

Mons. Nunes Pereira (3)

Nunes Pereira / FOTO de José Maria Pimentel

Mons. Nunes Pereira (2)


Nunes Pereira FOTO de José Maria Pimentel

Mons. Nunes Pereira

Nunes Pereira / FOTO deJosé Maria Pimentel

Faleceu o Padre José Augusto Correia


O Padre José Augusto Correia faleceu no dia 29 de Novembro. O funeral realizou-se no dia seguinte, no Espinhal, Penela, tendo as cerimónias sido presididas pelo Bispo de Coimbra, D. Albino Cleto. Estiveram presentes centenas de sacerdotes.
Ordenado em 1944, foi, até 1952, pároco de Tavarede, professor e director espiritual no Seminário Menor e professor da Escola Comercial da Figueira da Foz. Assumiu depois a responsabilidade de paroquiar a comunidade da Mata Mourisca e, em 1954, foi nomeado pároco de Vilarinho. Estava à frente da paróquia do Espinhal, desde 1970.