Correio de Coimbra

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7 de novembro de 2008

Semana dos Seminários decorre de 9 a 16 de Novembro

Quem semeia com generosidade assim colherá


Decorre de 9 a 16 de Novembro a Semana dos Seminários.
Para a Semana dos Seminários, D. António Francisco dos Santos, presidente da Comissão Episcopal das Vocações e Ministérios, escreveu uma mensagem intitulada “Seminário: campo a semear e barco de amarras soltas”.
Para D. António Francisco dos Santos, “o Seminário é um campo a semear com generosidade para colher com abundância”. Segundo o Bispo de Aveiro, “o Seminário constitui no coração da Igreja o retomar constante da experiência pedagógica e espiritual da viagem vocacional e da aprendizagem da missão e do carisma do discípulo para que aí, pela oração, pela contemplação, pelo estudo e pela vida comunitária se preparem apóstolos de pastores” de Cristo.
O prelado indica que, apesar dos gestos de carinho por parte das comunidades cristãs para com os Seminários, é necessário olhar para eles com generosidade e esperança. Segundo D. António dos Santos, “os novos tempos exigem passos novos e gestos proféticos fazendo do Seminário um campo para semear com generosidade e esperança”.
Para o presidente da Comissão Episcopal das Vocações, “os Seminários precisam de estabilidade na missão e merecem de cada um de nós e de toda a Igreja afecto, oração, comunhão e generosidade”

Nesta Semana dos Seminários somos convidados, de alguma forma, a reflectir sobre o nosso desempenho no estímulo para com aqueles que corajosamente se preparam para serem discípulos de Cristo. A nossa maior contribuição é poder, pelo menos, esta semana, rezar com aqueles que se preparam para servir a Igreja neste ministério.
Assim, na próxima quinta-feira, dia 13 de Novembro, pelas 21,30 horas, terá lugar no Seminário Maior de Coimbra, uma Vigília de Oração, para pedirmos ao Senhor da Messe que conceda à Sua Igreja muitos e santos sacerdotes.

“Ad Limina”, um ano depois


- O que mudou?


Em Novembro de 2007, os bispos portugueses realizaram a visita “Ad Limina”. Levaram as realidades diocesanas a Bento XVI e trouxeram directivas do sucessor de Pedro. Passado um ano, a Agência Ecclesia contactou alguns bispos para saber que alterações foram introduzidas nas suas dioceses. No caso de Coimbra, D. Albino Cleto salientou que o Plano Pastoral da Diocese de Coimbra “tem em conta o que Bento XVI nos disse: inter-comunhão entre os arciprestados e integração dos leigos”. E completou: “se o fizermos estamos bem”. Aquando do encontro com Bento XVI, D. Albino Cleto salientou que o Papa mostrou-se “muito interessado” pela Pastoral Universitária da Diocese de Coimbra e “na preparação dos futuros responsáveis de Portugal”. Numa sociedade onde o consumismo ocupa lugar de destaque, esta instituição de ensino “tem um papel muito importante na formação das novas gerações”. A Pastoral Universitária desta diocese tem um novo coordenador, substituindo D. João Lavrador (nomeado bispo auxiliar do Porto), sendo “uma oportunidade para uma nova etapa”, acrescentou.
Há um ano, para lá dos parágrafos mediáticos sobre os “escolhos” da mudança, a chave do discurso do Papa aos bispos portugueses esteve numa frase que aponta o desafio das novas procuras e das novas “peregrinações”, onde se enquadra até o fenómeno de Fátima: “A Igreja não deve falar primeiro de si mesma, mas de Deus”.
Fazendo eco de relatórios confidenciais entregues pelos bispos portugueses, o Papa constatou que os católicos participam pouco na vida comunitária, logo, “é preciso encontrar novas formas de integração”.
Dadas as circunstâncias, o Papa não podia ser mais explícito. Quando pede uma mudança no “estilo de organização da comunidade eclesial” e uma nova “mentalidade dos seus membros para se ter uma Igreja ao ritmo do Concílio Vaticano II”, Bento XVI pede uma clarificação das funções do clero e dos leigos, “tendo em conta que todos são co-responsáveis”, numa referência ao Concílio que repôs alguma horizontalidade na Igreja.
O texto de Bento XVI avançou os traços gerais de um roteiro, deixando a mudança nas mãos dos bispos. Embora o “primeiro encontro” possa “revestir-se duma pluralidade de formas”, a iniciação cristã, defende o papa, deve passar pela Igreja, por isso, “à vista da crescente maré de cristãos (…), talvez valha a pena” os bispos verificarem a “eficácia dos percursos de iniciação”.

5 de novembro de 2008

Primorosa Lucerna Paleocristã




José Eduardo R. Coutinho



O antiquíssimo costume de colocar apropriados vasos de iluminação, nas sepulturas, foi comum a todos os povos da Antiguidade, pelo que muitos estudiosos viram esta prática, também seguida pelos cristãos, como uma influência, ou, imitação do paganismo, já cultor de válidos princípios éticos e morais, sintetizados no pensamento ciceroniano: virtus lucet in tenebris.
A verdade, todavia, é que os fiéis receberam-na da tradição judaica, e, para este hábito, como para o anterior, os referidos objectos eram o símbolo da luz eterna, que a Igreja implora, em favor dos defuntos, e, mais ainda, da glória que os Santos gozam, no seio de Deus, após ter-lhes brilhado, na própria vida terrena, os esplêndidos fulgores da fé, assevera São Jerónimo: Ad significandum lumine fidei illustratos sanctos decessisse, et modo in superna patria lumine gloriae splendere (Adversus Vigilantius).
Eles lembram, simultaneamente, a promessa do Salvador: os justos resplandecerão como o Sol, no reino de seu Pai (Mt 13, 43), porquanto alguns crentes gostavam de exprimir, nos epitáfios, sob distintas fórmulas variadas, as esperanças que a mencionada declaração fez aparecer, visto aquela luz ser uma das principais componentes da bem-aventurança eterna e traduzir a identidade de Cristo, segundo diz um desses textos: LVCE NOVA FRVERIS LVX TIBI CHRISTVS ADEST.
Isso faz supor, evidentemente, que certa percentagem das lucernas, integrantes de colecções museológicas europeias, tivera uma função funerária, comprovada pelos consecutivos achados arqueológicos, provenientes das catacumbas de Roma, de Nápoles e de Corneto, feitas de argila e colocadas junto do cadáver, enterradas ao lado do defunto, ou, deixadas à superfície, no loculus, caracterizando uma época mais recente, face às primitivas, em bronze, para suspender por finas correntes metálicas.
Um considerável número destes interessantes utensílios, encontrados naqueles lugares, estavam pousados em pequenos nichos e nas consolas, em diminutas saliências, dispostas ao longo das paredes dos corredores, pelo que recebiam o nome designativo, a partir do verbo luceo, a fim de fornecerem a necessária claridade aos fiéis, que frequentavam aquela obscuridade subterrânea, tão privada de qualquer luz natural.
As que pertencem à última categoria enumerada são desprovidas de particularizações estéticas e científicas, que reclamem um inerente tratamento especial, pois, configuram uma tipologia bastante divulgada, nas congéneres, apesar de testemunharem, por motivos de proveniência e do uso que tiveram, um interesse cultural e piedoso, bem como por terem símbolos análogos aos gravados nas pedras sepulcrais e nos sarcófagos, cujos principais são: a palma, o cordeiro, a coroa, o peixe, a pomba, o monograma de Cristo, o A e o W. As lucernas cristãs, que aparecem na Lusitânia, pouco diferem das anteriormente descritas, embora sejam menos frequentes e os tipos de maior realce surjam raramente.
Ora, o exemplar determinante desta notícia está íntegro, completo e foi recolhido, há décadas, de uma sepultura, delimitada por blocos de calcário, afeiçoados, de reduzidas dimensões e cobertos por lajes delgadas, facto que contribuiu para permitir a rara preservação da peça, procedente da provável jurisdição territorial da veneranda paróquia de Conímbriga, na área meridional, tendo sido adquirida por um ilustre médico que, recentemente, fornecera indicações acerca do achado e a disponibilizou, por venda.
Este tipo de lucernas, com motivos paleocristãos, é característico do século IV e distinto de todos os demais, quer pela decoração, quer pela forma e pelo fabrico. Tendo derivado das lucernas de canal, a própria variante mais tardia (tipo Dressel-Lamboglia, 5D) desenvolveu a directa tendência evolutiva, para um corpo volumoso e periforme, achatado.
O disco é circular, côncavo, prolongado por um canal largo; a orla é rebaixada, de dorso convexo, apresentando decoração relevada, constituída por motivos geometrizantes, repetidos, e finos perolados. Tem dois orifícios, largos e simetricamente dispostos, para alimentação do reservatório, com o Crismon, centrado e relevado, enquadrado pelos mesmos elementos geometrizantes.
A asa ficara reduzida à pegadeira, maciça, em forma de apêndice triangular (tipo Ponsich, 9), ligeiramente curvado, na parte superior, dotada de um sulco longitudinal, prolongado até à base, contornando-a, a qual possui um grosso anel, pouco saliente; in planta pedis, uma palmeta, relevada.
É moldada em argila vermelho-tijolo, cuja qualidade e natureza de fabrico são as mesmas da sigillata clara D, sua contemporânea, até pelo revestimento a engobe, vermelho-alaranjado. No bico, oblongo e à plena largura do canal, conserva vestígios de negro de fumo, da combustão do azeite, na torcida. Existe paralelo numa das ruínas de Conímbriga, exposta no Museu Monográfico. Tem 4 cm de altura, 11,5 de comprimento e 7 de largura.

Inflação de números e de letras?

José Dias da Silva


As notas agora publicadas sobretudo as de Matemática e Português, porque fora do esperado, devem merecer uma reflexão cuidada de todos nós. Governantes, professores, pais e cidadãos em geral devem interrogar-se seriamente sobre o que realmente queremos, tendo como pressuposto básico que hoje nenhum país se pode desenvolver, mesmo economicamente, se não tiver um bom suporte educativo humano e tecnológico e sem um eficaz exercício da cidadania.
Para mim, o falhanço do nosso sistema educativo reside no facto de não sermos capazes de ensinar as nossas crianças e, por arrastamento, os adolescentes e os adultos, a "ler, escrever e contar". Já várias vezes falei deste assunto. Mas a sua gravidade justifica que me repita e explicite melhor as minhas sugestões.
Que o Ministério defina objectivos claros, adequados e realistas para cada ano ou ciclo. É obrigatório para qualquer sucesso futuro que, nos primeiros anos, os alunos saibam ler (não apenas soletrar as letras, mas interpretar e saber explicar o que um texto transmite), escrever (não apenas saber o alfabeto, mas ser capaz de exprimir em palavras e frases inteligíveis, num texto "bem" elaborado, isto é, de acordo com as regras de uma composição, as suas ideias e opiniões) e contar (não apenas papaguear a tabuada, mas ganhar uma crescente familiaridade com a lógica e a linguagem da matemática, hoje base fundamental para muitas outras ciências). É necessário elaborar programas para o secundário que explicitem de modo claro os fundamentos conceptuais em vez de os apresentar perdidos em minudências sem suficiente hierarquização. E deixe-se para a universidade o seu aprofundamento e a explicitação, sem cair numa especialização dirigida apenas a "um emprego para toda a vida" (onde isso vai!?) ou a ser perito numa única matéria.
Que os professores dos primeiros anos, tenham como preocupação não só ensinar a "ler, escrever e contar", mas também passem a mensagem da exigência, de que o estudo não é uma brincadeira mas um exercício difícil que exige trabalho, responsabilidade e seriedade.
Que os professores em geral percebam que os métodos e até alguns saberes que lhes foram ensinados nem sempre são os mais indicados para hoje. As crianças mudaram. Os avanços tecnológicos trazem novas exigências. A criatividade e o espírito de inovação são hoje, num mundo em contínua mudança, tanto ou mais importantes do que a mera transmissão de conhecimentos técnicos. E aqui é também fundamental que o professor não saiba apenas a sua matéria específica mas que tenha um mínimo de cultura geral, que é cada vez mais pobre neste nosso país e, segundo parece, neste nosso mundo de "cultura inculta".
É urgente, por tudo isto, uma mentalidade nova, nomeadamente na educação, envolvendo ministério e professores. Mas isto não acontece por decreto nem num ano ou dois; implica a conversão e o sério empenhamento de todos. A ministra, que tem um papel importante na animação dessa nova mentalidade, deve saber resistir à tentação das estatísticas para o português ver ou a Europa nos considerar. Deve ter a coragem de "limpar" criteriosamente o ministério dos pedagogos de cátedra e de professores que há muito não dão aulas e, portanto, não fazem a menor ideia de que as suas brilhantes exigências e burocracias pouco ou nada têm a ver com a realidade (o mesmo poderia dizer de alguns sindicalistas profissionais): só com gente seriamente comprometida com o ensino poderemos ter programas adequados e provas e resultados acima de qualquer suspeita. Deve resistir à pressão de acabar com a avaliação. Desburocratize-a, simplifique-a, aperfeiçoe-a sem a reduzir a mero exercício para a estatística, mas não desista desse pressuposto necessário para dar credibilidade a todos. Com a nossa mentalidade – e os professores fazem parte da generalidade dos cidadãos – a avaliação é indispensável. A sua falta foi sempre o grande álibi da maior parte da baldice e da falta de empenho de muita gente e aqui não falo só dos professores mas de todos em geral, a começar pela grande maioria das comunidades eclesiais. Algumas até se reúnem para isso, mas muitas vezes a avaliação converte-se num exercício de auto-elogio ou de lamentações recorrentes.
Também não podemos ignorar um outro elemento comum à maioria dos portugueses: o medo. As pessoas têm medo, muitas vezes irracional, talvez porque nasce de uma consciência pouco tranquila, até da autoridade legítima. O resultado é tornar umas "mais papistas que o papa" e outras incapazes de assumir a crítica justa, fundamentada e frontal junto das instâncias competentes preferindo a crítica superficial, só entre amigos, à mesa do café. Acabam por aceitar, gregariamente, tudo o que vem de cima, mas só o cumprem, por medo, sem grande brio nem dignidade e se tiverem um "polícia" atrás de si.
Um país constrói-se com cidadania e conhecimento, um conhecimento actualizado, com transparência e responsabilidade, o que implica lutar aberta e honestamente contra o que está mal, enfrentando o risco de o dizer claramente aos responsáveis. Este risco, que efectivamente pode existir nos países com défice de cidadania e excesso de subserviência, desaparece logo que as pessoas se tornem cidadãs a sério dispostas a lutar pelos seus direitos mas também a cumprir os seus deveres.
Então teremos uma sociedade mais desenvolvida, mais justa e mais humana para todos.

A mensagem do Sínodo dos Bispos sobre a Palavra de Deus


Manuel Augusto Rodrigues


Concluídos os trabalhos do Sínodo que teve como tema "A Palavra de Deus na vida e na missão da Igreja" foi apresentada a Bento XVI a série de conclusões obtidas. Na missa de encerramento o papa disse a certa altura: "Nesta celebração eucarística, que encerra os trabalhos sinodais, advertimos de forma singular para a ligação que existe entre a escuta amorosa da palavra de Deus e o serviço desinteressado para com os irmãos. Quantas vezes, nos dias passados, sentimos experiências e reflexões que evidenciam a necessidade hoje emergente de uma escuta mais íntima de Deus, de um conhecimento mais verdadeiro da sua palavra de salvação, de uma partilha mais sincera da fé que se alimenta constantemente na mesa da palavra divina!".
Por seu turno os padres sinodais elaboraram uma mensagem final que está dividida em quatro partes e estas por sua vez em quinze pontos. A primeira é dedicada à voz da Palavra que é a revelação. Em Deut. 4, 12 lêem-se estas palavras de Moisés: «O Senhor vos falou do meio do fogo; vós ouvíeis o som das suas palavras, mas não apercebíeis nada senão uma voz!». Deus estava presente não como uma imagem ou uma efígie, ou uma estátua semelhante ao bezerro de ouro, mas como um «som de palavras». Uma voz tinha entrado em cena nos inícios da criação rasgando o silêncio do nada. O início do livro do Génesis e do evangelho de S. João coincidem: «No princípio era o Verbo…e o Verbo era Deus. Tudo foi feito por ele, e sem ele nada foi feito» (Gen. 1, 1. 3; Jo. 1, 1, 1. 3).
As criaturas não nasceram de uma luta entre deuses, como era ensinado na antiga mitologia mesopotâmica, mas de uma palavra que vence o nada e cria o ser. Trata-se de uma primeira revelação cósmica. A palavra divina está também na origem da história da humanidade. O homem e a mulher foram criados à imagem e semelhança de Deus. E nos livros do Pentateuco em que a figura central é Moisés encontramos a acção divina a favor do seu povo.
As Santas Escrituras são o testemunho, sob forma escrita, da palavra divina, são o memorial canónico, histórico e literário que atesta o acontecimento da Revelação criadora e salvadora. A Tradição vem depois esclarecer o texto sagrado.
A segunda parte trata do rosto da Palavra que é Jesus Cristo. No original grego há três palavras fundamentais: "Lógos sarx eghéneto" que equivalem a «o Verbo fez-se carne» (Jo. 1, 14). As palavras sem um rosto não são perfeitas, porque elas não cumprem em plenitude o encontro. Jesus é a imagem de Deus invisível. É carne frágil e mortal, é a história da humanidade, mas é também glória, divindade, mistério. A tradição cristã pôs em paralelo a palavra divina que se faz carne com a mesma palavra que se faz livro.
Importante é, pois, a necessidade da Tradição viva de toda a Igreja. Se seguimos apenas o texto, a Bíblia torna-se unicamente um solene documento do passado, um testemunho nobre, ético e cultural. Cristo projecta a sua luz, retrospectivamente, em todo percurso da história da salvação, revela a coerência, o significado e o sentido. Ele é o alfa e o ómega (Ap. 1, 8) dum diálogo entre Deus e as suas criaturas prolongado no tempo e atestado na Bíblia.
A terceira parte versa o tema da casa de Deus que é a Igreja. Como a sabedoria divina no Antigo Testamento ela construiu a sua casa na cidade dos homens e das mulheres fazendo-a descansar sobre sete colunas (Pr. 9, 1). Paulo diz que «a fé nasce da escuta, e a escuta relaciona-se com a palavra de Cristo» (Rom. 10, 17). A homilia é para muitos cristãos o ponto culminante da pregação, pelo que os anunciadores da mensagem de Deus devem igualmente actualizar estas obras segundo os tempos e os momentos vividos por aqueles que a escutam e suscitar no coração dos ouvintes a pergunta de conversão e de compromisso vital: «Que devemos fazer?» (Act. 2, 37). Ou seja, conhecer os acontecimentos da história da salvação e transpô-los para o presente.
A celebração eucarística e a liturgia alimentam-se dos textos sagrados e sem eles não têm qualquer sentido. Ouro pilar do edifício espiritual da Igreja, casa da Palavra, é constituída por orações, «salmos, hinos e cânticos inspirados» (Col. 3, 16). A "lectio divina", a "oratio" e a "contemplatio" devem fundamentar-se no Livro que encerra ensinamentos e factos que merecem ser lidos e meditados. A última coluna é a koinonia, a comunhão fraterna, outro nome de ágape, o amor cristão.
A quarta parte é consagrada aos caminhos da Palavra: a missão. A sociedade secularizada onde dominam a incredulidade e a indiferença carece de um conhecimento esclarecedor dos conteúdos insertos na Bíblia. Para isso é indispensável o recurso aos meios modernos de comunicação. E faz-se uma alusão especial ao papel da família que é o espaço privilegiado da Palavra.
A parábola do semeador diz-nos que há terrenos áridos, rochosos, sufocados pelos espinhos. É o que sucede com tantas desgraças que abalam o mundo: a miséria, as doenças, a exclusão social as guerras e a violência, etc. E, finalmente, levanta-se diante de nós o mistério da morte. Mas a figura de Cristo assegura a vitória do bem sobre o mal. A esperança proclamada nos livros santos representa a resposta a tudo quanto aflige o homem.
A palavra divina e o encontro intenso com o povo judaico, assunto a que Bento XVI tem dado particular atenção, são devidamente referidos. Mas também no diálogo com as outras religiões o texto escriturístico ocupa um lugar fundamental, pois ele constitui a base do diálogo e do encontro das religiões.
Na Carta aos Artistas (1999) João Paulo II lembrava que «a Santa Escritura se tornou assim uma espécie de imenso dicionário (P. Claudel) e de atlas iconográfico (M. Chagal) onde a cultura e a arte cristã se inspiraram». Goethe estava persuadido de que o Evangelho era a língua materna da Europa. A Bíblia é o grande código da cultura universal: os artistas recorreram à história, aos símbolos e às figuras que estão nas páginas da Bíblia. Também os músicos compuseram muitas das suas harmonias a partir especialmente dos Salmos. Os escritores retomaram amiúde as palavras da Bíblia para os seus trabalhos literários. A isto se chama a "via pulchritudinis", ou seja, o percurso da beleza para compreender e chegar a Deus.
Como património único a Sagrada Escritura enraizou-se em culturas e civilizações diversas enriquecendo-as de forma admirável. O facto de ser o livro mais vezes editado em numerosas línguas e de tantos comentários que têm aparecido ao longo dos tempos atesta a sua universalidade e o reconhecimento do seu valor.

4 de novembro de 2008

Encontro Diocesano de Acólitos

- Encontro de Acólitos no dia 1 de Dezembro de 2008.
O Serviço Diocesano de Acólitos vai realizar um dia de encontro e reflexão para todos os Acólitos da Diocese de Coimbra, no dia 1 de Dezembro, feriado, no Seminário Maior de Coimbra.
O Encontro terá início às 9,30h da manhã, seguido de um espaço de oração e reflexão.
O almoço será partilhado pelos vários grupos.
De tarde haverá a visita á Oficina - Museu Monsenhor Nunes Pereira, um espaço de informações sobre actividades a desenvolver durante o ano pastoral e terminará com a visita ao Museu da Irmã Lúcia e espaço de oração no Carmelo.
Os grupos paroquiais de Acólitos, que estiverem interessados em participar, devem informar o número de acólitos participantes, até ao dia 28 de Novembro para: Pe. António Nogueira – Largo da Igreja; 3105-195 Mata Mourisca ou através do endereço electrónico: antoniusmm@gmail.com

Semana dos Seminários


Do dia 9 a 16 de Novembro celebra-se a Semana dos Seminários. Semana em que somos convidados, de especial forma, a reflectir sobre o nosso desempenho no estímulo e descoberta vocacional e a intensificar a nossa comunhão orante, com aqueles que se preparam para servir a Igreja no ministério ordenado e fazem caminho em Seminário.
Assim, na próxima quinta-feira dia 13 pelas 21,30 horas, terá lugar no Seminário Maior de Coimbra uma Vigília de Oração, para pedirmos ao Senhor da Messe que conceda à Sua Igreja muitos e santos sacerdotes. Todos somos convidados a estar presentes nesta vigília.

Sé Velha assinala 500 anos de obra de arte


De 15 de Novembro a 7 de Dezembro, a Sé Velha acolhe as “Comemorações dos 500 Anos do Retábulo Gótico”, o mais antigo Retábulo-Mor conservado em território nacional.
Numa iniciativa da Comissão da Fábrica da Sé Velha, o programa é variado, incluindo desde uma missa com rito moçárabe e música medieval, até uma conferência ou sagração do templo.


Programa


15 Novembro 18h00
Missa de Santa Maria de Coimbra
Rito Moçárabe
Música Medieval

16 Novembro 11h00
Sagração do Templo
Evocação da Bênção das Pedras

25 Novembro 18h30
Retábulo Gótico – 500 Anos
Conferência pelo professor Pato Macedo

1 Dezembro 18h30
Concerto de Natal
“9.ª Sinfonia”
Ludwig Van Beethoven

7 Dezembro 11h00
Véspera da Imaculada Conceição
Homenagem à Rainha Santa

Reviver "Coimbra Judaica" através de percurso pedonal


Para reavivar a presença judaica na cidade, acaba de ser lançado o percurso pedonal “Coimbra Judaica”, uma sugestão de passeio que leva os participantes a descobrir as marcas deixadas pela passagem dos judeus.
O percurso abrange um extenso período da história da cidade de Coimbra, desde o século XII até à extinção da Inquisição, no século XIX, e integra as duas judiarias – a Velha (situada entre a porta de Almedina e a porta Nova) e a Nova (localizada nas imediações da Rua Direita) –, terminando nos edifícios da Inquisição.
Numa iniciativa da Câmara Municipal de Coimbra – Departamento de Cultura, através da Divisão de Museologia, o percurso complementa-se com a realização de duas exposições temáticas sobre a presença judaica em Coimbra durante a Idade Média e a Idade Moderna.
Na Torre de Almedina – Núcleo da Cidade Muralhada é dada a conhecer a história dos judeus, através de uma mostra de objectos, que se organizam em torno de quatro núcleos: “O espaço e quotidiano dos judeus na Idade Média”; “A identidade (religião e rituais)”; “A convivência” e “A sobrevivência”.
A exposição documental, a decorrer na Sala de S. Pedro da Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra, reúne um conjunto de documentos originais, incluindo códices iluminados (século XV), documentos impressos pela Inquisição Portuguesa ou manuscritos de António Homem (1564-1624).
O percurso pedonal e as exposições integram-se no âmbito do projecto “Coimbra Judaica”, cujo objectivo é contribuir para o aprofundamento e debate de todas as questões relacionadas com a presença dos judeus na cidade.
O projecto inclui ainda um programa pedagógico, com ateliers e outras actividades dirigidas a alunos do 1.º Ciclo até ao Ensino Secundário, bem como um ciclo de conferências, que marcou o arranque do programa.

PERCURSOAcesso gratuito
Horário: 3ª F a 6ª F: às 10h30 e às 14h30
Duração: 1h30
N.º Inscrições: Mín. 5/ Max. 20 participantes
Marcações: 239 833771
EXPOSIÇÕES1.º Núcleo – Torre de Almedina
Até 24 de Abril
BilhetesGeral: 1,69€
Estudantes e maiores de 60 anos: 1,06€

2.º Núcleo – Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra
Até 7 de Novembro
Entrada livre

3 de novembro de 2008

Bispo de Coimbra nomeou responsáveis para novos serviços diocesanos

Dando sequência ao se anuncia no Pano Diocesano de Pastoral para o próximo triénio, o Bispo de Coimbra acaba por tornar públicas as seguintes nomeações:
- Promotor de Justiça (Previsto pelo Código de Direito Canónico) – Padre Aníbal Castelhano
- Assistente Diocesano para os organismos da Acção Católica do mundo do Trabalho (JOC, LOC, MAAC) – Padre Manuel de Oliveira Simões
- Secretariado Diocesano de Evangelização e Catequese – Padre Dr. Rodolfo Santos de Oliveira Leite
- Secretariado Diocesano da Pastoral Familiar – Eng. Jorge Ferreira Cotovio
- Comissão Diocesana de Liturgia – Padre Dr. Luís Ribeiro de Olive
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CNE: Filiação do Agrupamento 1316 de Figueira de Lorvão

A direcção do Agrupamento 1316 de Figueira de Lorvão, do Corpo Nacional de Escutas informa num comunicado enviado à nossa redacção que, no próximo dia 9 de Novembro, às 15 horas, na igreja paroquial daquela localidade, irá decorrer a cerimónia de filiação do agrupamento.
A filiação do agrupamento é um acto solene em que são oficialmente reconhecidos como membros do Corpo Nacional de Escutas. O Agrupamento 1316 tem como patrono Santo Inácio de Loila e contará com duas secções: O Grupo Explorador n.º 81 que tem como patrono S. Jorge e o Grupo Pioneiro n.º 50 que tem como patrono S. João de Brito.

(ACTUALIZADA) - Cantanhede: Padre Henrique Maçarico leva património religioso de Covões ao Museu da Pedra



Vai estar patente no Museu da Pedra, em Cantanhede, ao longo dos próximos seis meses, a exposição de arte sacra da paróquia de Covões. A exposição foi inaugurada no passado dia 29 de Outubro, no dia em que o Museu da Pedra assinalou o seu sétimo aniversário.No dia da inauguração, o pároco de Covões, Henrique Maçarico, fez referência ao património religioso patente na exposição de arte sacra oriunda da sua paróquia e que integra cinco esculturas de elevado valor patrimonial datadas entre os séculos XV e XVII.

O padre Maçarico, pároco local, destacou a importância das imagens e o elo de ligação que entre a Igreja e os fiéis, já que muitas delas eram criadas para que pudessem rezar. “Muitos cristãos não apreciam a nova igreja de Fátima, simplesmente porque não tem imagens religiosas como as igrejas tradicionais”, justificou o padre face à importância dos pormenores revestidos em todos os santos ali expostos.
Datada do século XVI, a pia baptismal primitiva está localizada logo à entrada da sala de exposição, e por isso uma peça de destaque. “É aqui que começa a vida cristã, também conhecida por pia de água benta”, explicou o pároco Maçarico, enquanto os visitantes deambulavam pela mostra.
São João de Baptista, Nossa Senhora do Rosário, São Sebastião, São Brás e São Francisco são as imagens em calcário ali expostas. Este último, segundo o padre Maçarico, “é muito ligado ao nosso padroeiro Santo António”.
A Nossa Senhora do Rosário, também conhecida como a virgem com o menino, apresenta-se com um véu branco que lhe cobre a cabeleira e assenta-lhe uma coroa. A santa toca com dois dedos da mão direita o pé esquerdo da criança, e com a mão esquerda ampara-a. Já a imagem de São Sebastião é de culto quinhentista. “É rara a igreja que não tenha esta imagem”, assegurou o padre Maçarico, dando importância à veneração deste santo na religião cristã.
Uma das imagens mais presentes nas igrejas da região da Bairrada e Gândara é São Brás, que se exibe com uma roupa episcopal, com um báculo na mão esquerda. Na outra mão, dois dedos erguem-se em gesto de saudação. As mãos deste santo são desproporcionais ao restante corpo, evidenciando trabalho de arte popular. O menino que está ajoelhado, em gesto de oração é uma alusão à cura milagrosa de São Brás, que salvou uma criança de morrer engasgada ao retirar-lhe uma espinha de peixe da garganta.
A mostra estará patente ao público até Março de 2009, e pode ser visitada de terça a sexta-feira, das 10h00 às 13h00 e das 14h00 às 18h00; sábado e domingo, das 14h00 às 18h00.



Carla Assunção