Correio de Coimbra

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4 de abril de 2009

Semana Santa na Catedral de Coimbra


A Igreja de Coimbra celebra, na Catedral, o mistério da Paixão, Morte e Ressurreição de Cristo.
As celebrações são presididas por D. Albino Cleto.
O Bispo de Coimbra, D. Albino Cleto preside na Sé Nova, às diversas cerimónias da Semana Santa que têm início no Domingo, dia 5 de Abril, com a celebração do Domingo de Ramos. O cerimonial começa às 10h45, no largo da Igreja de S. Salvador, com a bênção dos ramos, seguindo-se em procissão para a Catedral, onde é celebrada a missa da Paixão.
Na Quinta-feira Santa, às 10,30 horas, D. Albino concelebra a Eucaristia (Missa Crismal) com os sacerdotes do seu presbitério, em sinal de unidade eclesial. Nesta celebração salientam-se a renovação das promessas sacerdotais, a consagração do óleo dos catecúmenos e dos enfermos.
Na tarde de Quinta-feira Santa começa o Tríduo Pascal – os três dias em que a Igreja celebra o mistério da Paixão, Morte e Ressurreição do Senhor que «morrendo destruiu a morte e ressuscitando restaurou a vida». O Tríduo Pascal inicia-se com a celebração da missa da Ceia do Senhor, às 18 horas, recordando a instituição da Eucaristia e do Sacerdócio da Nova Aliança. O cerimonial inclui o lava-pés.
Na Sexta-feira Santa haverá, às 9h30, a recitação do Ofício de Leituras e Laudes. Às 18 horas, tem lugar a celebração da Paixão do Senhor e a Adoração da Cruz. Na primeira parte, a Palavra de Deus mostra-nos Jesus como vítima e como sacerdote – a Sua morte é acto de mediação universal e causa de salvação. Na Cruz, símbolo do nosso resgate, adoramos Jesus Cristo «Salvação do mundo». Às 21h30, faz-se a Via-Sacra, entre o Seminário e a Sé Nova.
No Sábado à noite, pelas 22 horas, celebra-se a solene Vigília Pascal. É ela o ponto culminante da Semana Santa, o coração da liturgia cristã, o centro do ano litúrgico, a mais antiga e a mais rica de todas as Vigílias. Santo Agostinho chama-lhe «a mãe de todas as vigílias».
Destaca-se, nesta celebração, a liturgia da Luz, com a bênção do Lume Novo. O Círio Pascal é símbolo de Cristo ressuscitado que vai à frente guiando o Seu Povo.
No Domingo de Páscoa, às 11 horas, é celebrada a Missa da Ressurreição, seguida de Bênção Papal.
A parte musical está a cargo do Grupo Coral da Sé, orientado e regido pelo Padre Dr. Manuel Augusto da Silva Frade.

Marcha pela Vida…uma marcha por uma boa causa


Miguel Cotrim


Milhares de pessoas participaram no passado domingo nas "Marchas pela vida", convocadas pela Igreja Católica e pela organização «Direito de viver» em mais de 80 cidades espanholas em simultâneo, para protestar pela lei de prazos do aborto que o governo espanhol está a preparar.
A manifestação mais importante aconteceu em Madrid, onde estiveram milhares de pessoas.
No Brasil, o domingo passado também foi dia de manifestação em defesa da vida. Na praça da Sé, em São Paulo, cerca de cinco mil pessoas se reuniram para um acto público em "Favor da Vida e Contra o Aborto". A manifestação contou com a participação do arcebispo de São Paulo, cardeal Odilo Scherer, do padre Marcelo Rossi e de representantes dos movimentos pró-vida daquele país.
Por cá, em vésperas de comemorarmos a Semana da Vida, que se realiza habitualmente em Maio, continuamos impávidos e serenos sobre as consequências do aborto aplicado em Portugal. A prática do aborto ilegal terminou em Portugal? Registou-se alguma diminuição dessa prática? As mulheres que pretendam abortar estarão a ser bem acompanhas ou aconselhadas? Evidentemente que Não! Assistimos há alguns anos a uma nova cultura entre nós, a do facilitismo, onde tudo é permitido e nada é proibido.
De facto, é mais fácil ir na "onda". Não se pretende que os cristãos sejam todos "clonados". A cada um é dado um dom especial para que possa desenvolve-lo em função da comunidade onde está inserido.
Temos o desemprego a acelerar constantemente, provocado pela epidemia da "crise". Leva-se um banco ou uma empresa à falência e ninguém diz nada. Fazem-se negócios de milhões em Portugal e ninguém desconfia…o bastonário da Ordem dos Advogados levanta suspeitas sobre a actuação da polícia judiciária e ninguém faz nada…
Pior do que isso, dizia-me esta semana um amigo que encontrei numa rua desta cidade, é o silêncio da Igreja. Concordando com ele, é deveras curioso que não haja da parte dos nossos bispos uma palavra em relação ao desemprego, à crise económica que atravessamos, ao caso do BPN, etc.
A Igreja à qual pertencemos, acomoda-se ao poder institucionalizado. Não se interroga, não interpela e… não chama…
Como dizia há dias, na Paróquia de S. José, D. António Couto, Bispo Auxiliar de Braga, "precisamos de um exército de missionários nas ruas para evangelizar" em vez de criarmos cismas e divisões entre nós.
Os cristãos hoje são muito perseguidos. Habitualmente, somos confrontados com reacções e afirmações que nos magoam pelo facto de professarmos a nossa fé. Por vezes, as reacções ocorrem a partir de dentro da própria Igreja, provocando o afastamento à prática cristã. "É o desligar do botão", dizia o meu amigo. Confesso que essa expressão incomodou-me...
D. António Couto foi muito claro nesse aspecto: precisamos de mudar radicalmente as nossas atitudes e a nossa forma de pensar o mundo, a Igreja e a vida. Corremos seriamente o risco de um dia ficarmos sozinhos...
Evangelizar muitas vezes não é só através das palavras, mas sim através de atitudes que tomamos para com os outros. Faz falta sair à rua, um pouco à semelhança da nossa vizinha Espanha, e manifestarmos o nosso apreço pela vida, pelo amor e pelo próximo. Faz falta uma cultura de afectos. E Porque não? Não foi aquilo que S. Paulo promoveu há dois mil anos?
Mas, a nossa Igreja não quer ser confundida com as estruturas sindicais, pretende continuar a elaborar uns documentos pastorais, mesmo que ninguém perceba muito bem o que lá está escrito. Quanto às leis saídas da Assembleia da República e que muitas vezes, nos envergonham como cristãos, acabamos por esquecê-las e apaziguamos a nossa consciência ao afirmar que aqueles políticos – "no fundo, são todos eles, bons rapazes". Até porque muitos deles passaram pela Acção Católica, pela JOC, LOC/MTC…

Inventariação da Paróquia de Cantanhede


José Eduardo Reis Coutinho


A 27 de Março, ficou concluída e completada a inventariação da paróquia de Cantanhede, com um total de 119 novas fichas, referentes à igreja matriz e às capelas, a qual teve, sempre, o dedicado acompanhamento do pároco, o senhor Padre Dr. Carlos José Neves Delgado.
No desempenho das actividades realizadas, e com especial incidência nas elucidações, inerentes a muitos acontecimentos do passado recente, são inestimáveis as pormenorizadas informações que o senhor Cón. Dr. Alfredo Ferreira Dionísio foi transmitindo, de maneira pronta e bastante segura, visto ter zelado pela defesa do património paroquial, em tempos difíceis, haver promovido a salvaguarda de importantes bens religiosos e ser quem melhor conhece a história desta circunscrição eclesiástica, certificadas pelo interesse de coligir todos os materiais publicados e manifestadas nos plúrimos esclarecimentos prestados, antecipada e deliberadamente. A justiça reclama, pois, o devido preito de gratidão.
Graças à colaboração destes ilustríssimos e reverendíssimos senhores, está solucionado um estranho deturpamento de certas situações presentes, contra várias descrições, da especialidade, ainda visíveis, há anos, e, até, descritas pela autorizadíssima conceitualização do sapientíssimo Doutor Nogueira Gonçalves.
O remoto povoamento humano, desta zona, é conhecido e teve notória desenvoltura, comprovada pelos significativos achados arqueológicos romanos, deparados na própria área do adro, da sede paroquial, servilmente desfeito, cujo lamentável desaparecimento participa do similar paradeiro de descobertas epigráficas romanas.
A localização desse sítio, com ocupação distinta, de componente pagã e, posteriormente, de feição cristianizada, localiza o assinalado campus de sacralidade telúrica, onde, tempos depois, fora edificada, para celebração do culto divino, a primitiva igreja, uma vez que, após a Reconquista, houve grande desenvolvimento na região e, no texto do testamento de Dom Sesnando, efectuado a 15 de Março de 1087, aparece mencionada medietatem de uilla cantoniede (Livro Preto, doc.19), a declarar a subsequente prosperidade agrária.
Essa existência está documentada numa epígrafe fúnebre, que assinala o falecimento de Dom Honorico, presbítero de Cantanhede, ocorrido a 18 de Março de 1282, e que ocupa 10 linhas de enunciado; ao centro, tem a representação iconográfica de Nossa Senhora, coroada, sentada em trono, com o Menino, e, aos pés, o visado, de joelhos e mãos erguidas.
Incluída no senhorio capitular de Coimbra, consta no rol das igrejas do Reino, de 1321, aparecendo dedicada a São Pedro, indicada na condição de vigararia e taxada em 60 libras. No final da centúria, outra lápide congénere, de 1362, regista o falecimento de Domingos Aparício, também sacerdote, da mesma comunidade paroquial.
Com o crescimento demográfico e a presença de personalidades da nobreza, de dignidades eclesiásticas e da aristocracia, como a família condal dos Meneses e o Cónego da Sé de Goa, surgem capelas privadas, autónomas, ou, incorporadas no edifício paroquial, enriquecidas de retábulos e de diversas esculturas, no melhor calcário das vizinhanças (Portunhos, Outil, Pena), dando continuidade à produção executada, nas respectivas oficinas, honrando a tradição implantada, no século XIV.
Seguramente, pelos termos consignados na inscrição da matriz de Oliveira do Hospital, a pedra das referidas origens tem excepcionais qualidades e concede, além da manifesta durabilidade inalterável, a especial particularidade de ficar patinada, com um lustre parecido à translucidez do alabastro, individuação que teria contribuído para ser preferida, nos reconhecidos trabalhos e na
projecção nacional, notoriamente alcançada, embora, nem sempre com a devida justiça, acerca da origem.
Por isso, o repositório das imagens, dos séculos XV e XVI, assume vasta frequência, também verificada no XVII, apesar da inferior qualidade, logo seguido pelas de terracota e de madeira estofada, de Setecentos, cuja centúria ficara ligada aos arrobos barrocos, pela talha, pelos utensílios de estanho e pelos de latão.
Todavia, existem interessantes indicadores da invulgar notoriedade dos bens em uso, na comunidade, quer pelo tom de sintonia estética, quinhentista, quer pelos sucessivos adicionamentos patrimoniais, detectados nos antigos centros de culto, cada qual acentuando a causa do surgimento, seja na matriz e no monumento de Varziela, seja nas capelas das povoações e nas de tradicional romaria, de tradições agrárias.
Raros painéis azulejares, de fabrico sevilhano; a memória das significativas ofertas manuelinas, da encomenda régia, vinda da Flandres; os afamados paramentos, em veludo lavrado, das indústrias italianas; os têxteis nacionais, executados durante o post 1640; o apreciável sentimento, resplandecente na pintura hagiográfica; e o minucioso perfeccionismo dos mestres prateiros, exímios decoradores de peças inconfundíveis, reflectem apurados critérios de honesto trabalho dedicado, perdurável, através de séculos, e de superior grandeza, merecedora do mais elevado apreço e consideração.
Vários exemplares de missais, de altar, de leccionários, rituais e publicações de humanidades, pedagógicas e didácticas, culminam o sector do livro antigo, inigualável na qualidade do bom papel, no equilíbrio da disposição gráfica, no complemento das visualizações, expostas em óptimas gravuras, na profusa ornamentação das encadernações, nos delicados motivos incisos, nas goteiras, e no singular esmero dos fechos, de bronze lavrado.
Justifica, por isso, proceder a diferentes actividades culturais e catequéticas, a promover em pequenas assembleias de fiéis, empenhados, incentivando a valorização integral dos baptizados, a fim de velarem pelas riquezas patrimoniais, da sua própria identidade, assim distintamente evocativas da fé católica, em terras de longa tradição perene.

31 de março de 2009

Universitários de Coimbra matam a fome aos sem-abrigo



Um grupo de estudantes da Universidade de Coimbra sai à rua uma noite por mês para ajudar cerca de 40 sem-abrigo, com comida, roupas e cobertores. Os alunos vêem o contacto com a rua como "um mundo paralelo".
A expressão é de Rita Rocha, estudante de Medicina e coordenadora-geral do pelouro da Intervenção Cívica da Associação Académica de Coimbra (AAC), principal impulsionador da iniciativa "Refeição (de)Vida". "A primeira vez que fiz esta ronda foi muito difícil, um choque muito grande. Agora já parece mais normal", explica a jovem.
Rita é um dos três elementos da AAC que, juntamente com duas pessoas da Associação Integrar, fizeram a segunda ronda mensal da "Refeição (de)Vida", anteontem à noite. A iniciativa é, no entender do presidente da AAC, Jorge Serrote, "uma preocupação social da associação, ainda mais num ano em que a crise vem agudizar a situação". O projecto conta com o apoio dos Serviços de Acção Social da Universidade de Coimbra e da Secção Gastronómica da AAC.
Por volta das 20 horas, a equipa conjunta da AAC e da Associação Integrar parte do Centro de Acolhimento da Associação, na Rua do Brasil. Na bagagem, vai uma panela de sopa, várias embalagens com arroz e atum, pão, café e pastéis. A primeira paragem é o Terreiro da Erva, em plena Baixa, onde são recebidos por mais de uma dezena de utentes. "Fazemos muito a zona da Baixa, mas também outras, como Celas, Eiras e a Conchada", relata Rita Pereira da Associação Integrar, completando que fazem outros locais, quando solicitados. "Não viramos costas quando é solicitada ajuda", sublinha. Para além da ronda mensal com a AAC, a Integrar faz giros nocturnos regulares pelos sem-abrigo, levando comida, às terças e quintas-feiras, e quinzenalmente ao domingo.
A relação dos elementos da Integrar com os utentes já é de proximidade. Numa perpendicular à Rua da Sofia, a equipa passa para ajudar um utente já conhecido. "Já esteve na nossa Casa Abrigo, mas saiu porque disse que não gostava de estar preso a regras", conta Rita Pereira. O homem não perde a boa disposição, sempre com anedotas e histórias novas.
"Muitos passam por nós durante o dia e cumprimentam-nos, muitas vezes nem se sabe que são sem-abrigo", afirma Isabel Fernandes, da Integrar. Explica ainda que há casos de sucesso entre os utentes. "Quando vão para o Centro de Acolhimento, ao fim de seis meses são incentivados para o mercado de trabalho", conta.

Faleceu o Padre Carlos Alberto Gomes de Carvalho



"Quem se dá a Deus, dá-se aos outros. E os "outros" para o Padre Carlos Alberto foram os paroquianos de S. Martinho da Cortiça, de Tentúgal, da Sé Velha, os jovens da Escola Técnica, os escuteiros, os homens e mulheres dos Cursos de Cristandade".
Assim se referiu D. Albino Cleto ao trabalho pastoral do Padre Carlos Alberto Gomes de Carvalho, no dia 28 de Março, na igreja de Nossa Senhora de Lurdes, repleta de fiéis, durante a missa exequial, concelebrada por cerca de cinquenta sacerdotes.
O Padre Carlos Alberto Carvalho faleceu no dia 26 de Março, acometido de doença súbita, tende servido até ao fim", como referiu D. Albino na sua homilia. De facto, até à data do seu falecimento, e apesar da sua idade e de alguns padecimentos físicos, continuava a colaborar na paróquia de Santa Cruz, onde deslocava todos os dias da Casa do Clero, onde residia desde da sua fundação, tendo sido mesmo um dos maiores impulsionadores da criação desta casa destinada a receber o clero idoso e doente.
Sacerdote apostólico, colocou ao serviço da Igreja os seus dotes pessoais de acolhimento, de abertura e de grande simpatia, tendo deixado muitos amigos por todos os lugares e serviços em que desempenhou a sua missão pastoral. O Padre Carlos era um sacerdote frontal, dinâmico e próximo de todos quantos procuravam o seu conselho ou os seus serviços, distribuindo a Palavra de Deus com convicção e com alegria contagiante.
Oriundo de Cantanhede, o Padre Carlos Alberto nasceu em Coimbra em 1925. Entrou para o Seminário da Figueira em 1936. Tendo interrompido os estudos por doença, terminou o curso teológico em Coimbra, em 1951, sendo ordenado na Sé Nova, por D. Ernesto Sena de Oliveira, a 15 de Agosto, e celebrando a primeira missa em Cantanhede no domingo seguinte.
Foi pároco de S. Martinho da Cortiça (1951), Tentúgal (1958) e Sé Velha (1963).
Durante três dezenas de anos foi professor de moral, na Escola Técnica, deixando marcas indeléveis em muitos jovens, que o continuaram a estimar pela vida fora. Igualmente deixou vincada a sua presença nos Escuteiros e nos Cursos de Cristandade, movimentos de que foi um dos grandes entusiastas em Coimbra.

Depois da jubilação como professor, em 1989 aceitou continuar a servir a Igreja como vigário paroquial de Santa Cruz, onde se manteve até às vésperas do seu falecimento.
O seu funeral, em que participaram centenas de antigos alunos e de muitos amigos, realizou-se para o cemitério da Conchada.
O "Correio", que contava o Padre Carlos no número dos seus amigos e leitores atentos, apresenta à família as mais sentidas condolências.



J.R.

Conferências Quaresmais em S. José


"Precisamos de um exército de missionários"


– afirmou o Bispo Auxiliar de Braga, D. António Couto.


"Cooperadores precisam-se para formar uma rede de evangelizadores. Já ouviste chamar pelo teu nome?" O apelo é de D. António Couto, Bispo Auxiliar de Braga na última conferência quaresmal da cidade realizada no dia 26 de Março no Salão Polivalente da Paróquia de S. José.
Para D. António Couto, "Cristo precisa de uma rede de missionários, não bastam os catequistas que temos, os movimentos que possuímos, precisamos de um exército que viva o Evangelho, que viva e morra por amor".
"Comunidades e capelinhas" foi o tema abordado por D. António Couto e que congregou centenas de fiéis provenientes das diversas paróquias da cidade. O Bispo Auxiliar de Braga, seguindo as cartas de S. Paulo aos Coríntios, deixou várias recomendações para construirmos verdadeiras comunidades cristãs e deixarmos de fazer "capelinhas", divisões ou cismas entre nós.
Para isso, D. António Couto, aconselha a sermos, à semelhança de Pedro, "remendadores de redes". Expressão que foi muito usada por S. Paulo. Na constituição das primeiras comunidades havia muitas divisões e cismas entre os cristãos – uns diziam que pertenciam a Paulo, outros a Apolo, outros a Ceifas, outros a Cristo pelo facto de terem sido baptizados por eles. Aqueles que baptizavam tornavam-se também uma espécie de "donos" dos novos cristãos. Segundo a reflexão de D. António Couto, Paulo insistiu muito junto das comunidades para não alimentarem as diferenças "porque Cristo é de todos e Ele não envia a baptizar, mas sim a evangelizar".
"O anúncio da morte de Jesus não é um memorial do luto, mas sim uma atitude de dar a vida, o amor pelos outros", afirmou o prelado da arquidiocese de Braga. E isso, é o verdadeiro sentido da Eucaristia, acrescentou.
Noutro ponto, D. António Couto pediu para anunciarmos Cristo para sempre, advertindo que pregar Cristo não é "argumentar, demonstrar com artes retóricas e malabarismos da linguagem, mas sim mostrar com vida, testemunho de modo a identificarmos com Cristo".
D. António Couto insistiu para não criarmos divisões nas nossas paróquias. "Cristo tem que estar sempre no meio dos nossos objectivos", advertiu. "Quando afirmamos que o padre ou o coro da nossa paróquia é melhor que o da paróquia ao lado já estamos a criar divisões entre nós", exemplificou.
D. António Couto afirmou ainda que "é necessário tocar no coração das pessoas, ir ao encontro, estar com elas, conhecê-las e não ficarmos apenas a pregar num monte". Segundo o prelado, "o grande sucesso de Paulo foi o facto de ele se ter tornado humilde e servo das comunidades. E isso demonstra como devemos ser hoje" – refere o bispo – "isto gera afectos e não cria capelinhas".
Ao concluir, D. António Couto disse que "podemos estar bem vestidos, mas podemos estar nus por dentro, então é preciso revestirmos de bondade, humildade, mansidão e magnanimidade". Mas, acima de todas estas coisas é preciso o amor…
O último conferencista do ciclo de conferências quaresmais em S. José, é o Padre Carreira da Neves, que apresentará logo à noite o tema "Desafios da Evangelização, hoje". O Padre Carreira das Neves é professor jubilado da Universidade Católica Portuguesa e é assídua presença no programa Ecclesia, transmitido de segunda a sexta-feira na RTP 2.


M.C.

Renúncia Quaresmal da Diocese


Uma colónia de férias para filhos de pais desempregados


A par da ajuda à Casa da Praia de Mira da Obra de Frei Gil, as ofertas da nossa renúncia quaresmal na Diocese de Coimbra vão também proporcionar uma colónia de férias, junto do mar ou na frescura da serra, a algumas dezenas de crianças cujos pais se encontrem desempregados.
São crianças que, à partida, iriam passar os meses de Verão no mesmo ambiente em que vivem todo o ano lectivo. Por isso, oferecer-lhes deste modo uma alegria que a sua família não pode agora proporcionar-lhes é um gesto de amor cristão que tocará também o coração dos pais.
Fala-se hoje insistentemente de novas situações de pobreza. Importa que as comunidades cristãs não se limitem a apregoá-las mas se dinamizem para as conhecer e procurar dar-lhes respostas.
Esta colónia de férias é uma iniciativa que pretende tornar presente e visível a atenção da Mãe Igreja aos que sofrem.
Encontra-se já em curso a preparação da colónia. Uma Equipa Coordenadora, encabeçada pela Cáritas Diocesana e integrada também por jovens voluntários da Universidade, irá brevemente anunciar o local e a data da colónia, a idade dos destinatários, o modo de inscrição.
Praza a Deus que a este entusiasmo corresponda a nossa generosidade de cristãos.

Tentúgal celebrou Senhor dos Passos

Procissão nocturna de sábado, apresentando os tradicionais candeeiros de três bicos, confere originalidade à celebração dos Passos do Senhor.

Perdem-se nas brumas do tempo e no passado das memórias, as profundas tradições de Fé e Religiosidade das gentes de Tentúgal, de que ganham especial relevo as piedosas Celebrações Quaresmais. A Vila ganha uma ambiência especial, sobretudo com a realização da peculiar Procissão dos Candeeiros, a Celebração da Liturgia, e a Procissão dos Passos do Senhor, retrato de grande simbolismo e imponência, com o Sermão do Pretório, Sermão do Encontro, em plena Praça do Rossio, e Sermão do Calvário, registando uma verdadeira manifestação de fé.
A procissão nocturna, também designada "procissão dos candeeiros", realizada dia 28, à noite, confere à comunidade e à assistência um cenário de grande misticismo. Simboliza o caminho de Cristo que vai do Cenáculo, depois da ceia, para o Horto das Oliveiras, onde faz a sua "Oração da Agonia". Por tal motivo, o andor do "Senhor dos Passos" vai velado por um "véu" de tecido roxo. A Procissão dos Candeeiros, particularidade que, ao que tudo indica, apenas se verifica em Tentúgal, reside no facto das mulheres, em vez de levarem velas de cera, apresentam candeeiros de três bicos, os quais, eram um "instrumento de luz" muito utilizados no velório dos mortos. É esta tradição que distingue este cortejo litúrgico, quiçá um cenário original e único na região ou no país.
Os candeeiros são praticamente sempre os mesmos, pois vão ficando de pais para filhos, fazendo-se transportar pela mulher da família, a iluminar "os Passos do Senhor". Este rito também simboliza o desprendimento das "amigas de Cristo", pois as mulheres foram as únicas que não o abandonaram no seu sofrimento e representa, também, uma das luzes da casa, que aquece e ilumina os caminhos.
Segundo José Craveiro, "os candeeiros são peças vistosas, podendo apresentar tamanhos variados e adoptam uma magnífica confecção; são candeeiros de latão, que apresentam uma base de apoio, possuem espigão rematado por pega de mão e suporta uma bolsa cilíndrica, ao centro, para receptáculo do azeite, apresentando três orifícios de onde saem as torcidas de tecido, embebidas em azeite (símbolo de Luz Divina), para produzir a luz e iluminar; estes candeeiros apresentam ainda como acessórios, a pinça (para puxar o morrão, impedindo que saia fumo ou cheiro), o protector de vento, o espevitador e o apagador".
Nesta noite, os candeeiros acompanham todo o cortejo processional, dando luz e brilho ao mesmo, fazendo a trasladação da imagem do Senhor dos Passos da Igreja Matriz (Igreja de Nossa Senhora da Assunção) para a Igreja da Misericórdia, numa lógica que personifica a caminho do Horto no Monte das Oliveiras. Porém, este ano, a forte ventania que se fez sentir impediu que os candeeiros prosseguissem "dando luz". Só mesmo junto da Igreja da Misericórdia alguns candeeiros se acenderam.
No domingo, após a Recitação do Terço e do Sermão do Pretório, na Igreja da Misericórdia, o pano caiu deixando a descoberto a imagem do "Senhor dos Passos", Verónica, Madalena e S. João Evangelista. Momento, em que a Verónica cantou, em latim: "O vós omnes qui transitis per viam atendite et videte si est dolor sicut dolor meus" (Ó Vós todos que passais pela via – caminho – Olhai e vede se há dor igual à minha dor), causando uma certa emoção aos mais sensíveis. Inicia-se a procissão que, percorrendo o trajecto habitual, vai celebrando alguns episódios da caminhada de Jesus até à sua Morte, onde se ouve o cântico da Verónica, destacando-se o Sermão do Encontro e o Sermão do Calvário. A festividade terminou com nova procissão, chamada "da Soledade" da Igreja Matriz para a Igreja do Convento da Natividade, transportando a Virgem Mãe, após a Morte de Cristo. Particularmente, na Procissão da Soledade, os Irmãos da Misericórdia que levam opas pretas, colocam a romeira sobre a cabeça, símbolo de luto e solidariedade para com a Mãe de Jesus. Os actos litúrgicos foram presididos pelo padre Élcio dos Santos, auxiliado pelos padres Martinho de Sousa e Lucas Pio, enquanto os sermões foram proferidos pelo padre Carlos Eduardo Cavallieri (com funções paroquiais em Itália), todos do Instituto Fraternidade Jesus Salvador, da Diocese de Santo Amaro-S.Paulo-Brasil. As procissões foram acompanhadas pela Filarmónica 25 de Setembro de Montemor-o-Velho.
A celebração do Senhor dos Passos resulta de uma parceria da Santa Casa da Misericórdia e da Comissão Fabriqueira da Igreja, em colaboração com os movimentos litúrgicos e apoio da comunidade.



Aldo Aveiro