Correio de Coimbra

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19 de dezembro de 2006

Mensagem do Bispo de Coimbra aos seus diocesanos

Um Natal em louvor da vida



Celebrar o Natal é contemplar um Menino!
É maravilhar-se perante a beleza da vida!
A nossa vida humana, com a riqueza do pensamento, da liberdade e do amor, foi sempre, ao longo de milénios, o nosso maior tesouro! Mas, neste Menino que nasceu em Belém, o existir ganhou ainda mais valor! Deus tomou para Si, num corpo igual ao que temos, a nossa condição!
Este Menino, depois Homem feito, deu à vida alturas de valor divino! E ensinou a cada um como fazer da vida, mesmo quando ela tem uma cruz, uma construção e uma oferta de valor incalculável!
Ansiosos de sugar o que os anos nos proporcionam de prazer e liberdade, estragamos a vida, esquecendo o que ela tem de melhor: amar...
O Menino de Belém foi por amor que veio ter connosco.
É urgente defender a vida.
É necessário empenharmo-nos em preservá-la, não apenas na batalha de alguns dias que passam, mas durante anos e anos que vão seguir-se.
Quem for cristão e quiser, como os pastores e os magos de Belém, beijar e cultivar a vida, há-de encontrá-la e defendê-la no seu começo, quando é semente no seio materno, e no seu termo, enquanto for árvore no Outono da velhice. Há-de acarinhar a vida na criança, a quem se dá o calor indispensável do lar, e nos doentes, magoados pela chaga da demora ou pela dor da solidão. Há-de respeitar a vida. A sua e a dos outros, na velocidade do automóvel e no respeito pelas águas límpidas da fonte onde se bebe...
Estas são tarefas que nos esperam. Temos para elas a ajuda de Deus, que é o princípio e o termo do caminho.
É certo que a vida por vezes incómoda, mesmo a quem a embala nos seus braços... A vida deste Menino que agora contemplamos no presépio incomodou o Rei de Jerusalém... e até a sua família, que o viu nascer em palhas e com ele teve de emigrar...
O remédio para estas aflições da vida é amar a vida! A sua e, mais ainda, a do outro!
Que o Menino, que um dia proclamou: "Eu sou a Vida", nos ensine estas lições de Natal.
E que Ele nos dê a todos festas abençoadas.

+ Dom Albino Cleto

NATAL: a grande festa da fraternidade universal


O apóstolo S. João, logo no início do seu Evangelho, proclama que o Verbo de Deus, “a luz verdadeira que ilumina todo o homem que vem a este mundo, fez-se carne e habitou entre nós” (cf. Jo. 1, 9-14). Este acontecimento, que todos os anos celebramos no dia de Natal, foi o mais importante de toda a história da humanidade. De facto, descendo ao meio dos homens, o Filho de Deus, gerado no seio da Virgem Maria, torna-se um de nós e introduz-se na esfera do divino. Com o nascimento de Jesus Cristo a história da humanidade ganha um novo rumo, deixa de ser limitada pelo tempo e pelo espaço, adquirindo a dimensão da plenitude, porque “Ele vem restaurar todas as coisas que há na terra” (cf. Ef. 1, 10), de tal modo que será tudo em todos.
Mesmo sem, muitas vezes, nos apercebermos da dimensão e da profundidade deste mistério da vinda do Filho de Deus à cidade dos homens, todos o celebramos, servindo-nos dos mais diversos meios. Porque o Natal é a verdadeira festa da humanidade que se sente renovada em Jesus de Nazaré. Não nos admira, pois, que nesta quadra se multipliquem os gestos de fraternidade e de partilha. Uma festa que não tem sentido se aquele que a faz estiver sozinho, isolado, olhando apenas para dentro de si. A verdadeira festa exige abertura àqueles que caminham ao nosso lado, todos com os olhos postos na mesma direcção. Que outra coisa significavam, até há poucos anos, as dezenas de cartões de “boas festas” que enviávamos uns aos outros, a não ser esta necessidade interior de abertura aos que connosco partilham a condição da grande família humana? E, nos nossos dias, as centenas de mensagens através dos novos meios de comunicação têm sentido diferente? E as prendas, essas pequenas coisas inúteis que nos oferecemos nesta quadra, não significam, também elas, este impulso em festejarmos o maior acontecimento da história humana?
Esta não é apenas uma celebração religiosa, no sentido mais comum do termo, mas uma celebração humana, que adquire o seu inteiro sentido neste reconhecimento que, aos poucos, a humanidade vai fazendo da dignidade de todos presente em cada um, sem exclusão de ninguém por razão alguma, nem de raça, nem de credo, nem de opção de vida. O Natal, comemorando o nascimento de Cristo, o restaurador da humanidade, é verdadeiramente a festa da fraternidade universal! Nem outro sentido tem a mensagem do Anjo que, de novo, desce das alturas para desejar “paz na terra aos homens que Deus ama” (cf. Lc, 2, 14).


A. Jesus Ramos

Fé e Compromisso


O DOM DO NATAL

José Dias da Silva

Embora publicada mais tarde, a encíclica Deus caritas est vem datada de 25 de Dezembro de 2005. Este pormenor talvez clarifique uma questão que alguns puseram. Por que escreve Bento XVI, um teólogo encarregado da "defesa da fé", a sua primeira encíclica, não sobre um tema teológico de fundo, mas sobre a caridade, que é o tema mais "batido" pelos cristãos?
A data pode ajudar, porque faz referência ao Natal, a grande manifestação do infinito amor que Deus tem à humanidade. O que o Papa quis, penso eu, foi alertar os cristãos não tanto para o exercício, sobre o qual dá orientações pastorais, mas sobretudo para os fundamentos da caridade. E o fundamento aparece logo nas primeiras palavras: "Deus é amor" (1Jo 4,16).
Efectivamente a prática da caridade pelas comunidades cristãs pode estar demasiado ligado a um sentimento de filantropia, ter-se deixado burocratizar ou mesmo, sob pressão do Estado e da angústia perante tanta miséria, ter-se tornado uma extensão da Segurança Social.
Porque a Igreja não tem o exclusivo nem o monopólio da ajuda aos pobres nem da luta contra as injustiças e desigualdades sociais, onde está o específico da acção dos cristãos e das suas comunidades?
Não se trata de algo exterior a nós, exigido pelo esquecimento ou a violação de direitos fundamentais. Não se trata de mero sentimentalismo. Para os cristãos tem de ser muito mais que isso. É necessário ir às raízes bíblicas para perceber a nossa especificidade.
Temos, portanto, de começar por conhecer melhor o nosso Deus que é amor, que quis partilhar connosco o seu amor, que quis ser dom-graça para nós: dom puro; não um dom mercantilizado como são tantas das nossas ofertas, que insinuam reciprocidade.
Por isso, numa sociedade, e até numa Igreja, que têm objectivamente separado o amor de Deus das outras formas de amor, o Papa quis "retornar" à sua unidade através da noção e da experiência da caridade. Bento XVI foi mais longe que qualquer outro papa, ao recusar a separação entre o eros, entendido como desejo humano expresso sexualmente, e o agapé, que representa a forma mais elevada do amor, a doação oblativa do amor que pode ir até ao sacrifício total do eu em favor do tu. E apresenta a transição entre estes dois amores como "um movimento interior que transforma o amor erótico em generosidade entre um homem e uma mulher, fundada sobre o dom total de si, um ao outro" (cardeal Francis George). Então, tomando esse amor entre o homem e a mulher como paradigma, todos os outros amores humanos, também e especialmente aos mais pobres, têm de ser um dom total de si ao outro, como Deus se deu totalmente ao homem, indo até à morte de cruz.
Não se trata apenas de dar e, muito menos, coisas materiais, pois todos, pouco ou muito, damos. O que é necessário é dar-se, como Deus que desceu do céu à terra, da divindade à humanidade, da sua "instalação" intratrinitária ao compromisso histórico na libertação do homem e do mundo. Até porque no mundo, o amor de Deus só pode derramar-se e atingir toda a humanidade através do nosso amor, amor oblativo, amor doação. Esta é a grande, a única, missão da Igreja: testemunhar pela palavra e pelas obras o amor indesmentível de Deus à humanidade.
Por outras palavras. Nós temos de amar como Deus nos ama, porque Deus nos ama. Temos de amar prioritariamente os mais fracos, porque Deus ama prioritariamente os mais fracos. Se assim não for, seremos bondosos, solidários, filantropos, muito humanos, mas não seremos cristãos. Porque o amor não é algo exterior ou acidental ao nosso Deus mas faz parte da sua essência, então o amor também faz parte obrigatória da essência do ser cristão. Portanto, somos obrigados a amar como Deus ama.
Assim, esta encíclica desafia as comunidades e os cristãos a interrogarem-se sobre a sua vivência da caridade e sobre a razão do seu compromisso caritativo. A propósito vêm-me à memória palavras do P.e Acílio num dos últimos Gaiatos: "Gosto dos Vicentinos. A maioria são gente de primeira na linha de acudir aos Pobres. A visita frequente às famílias pobres da sua devoção e empenho, traz-lhe sempre um senso comum e uma visão de enorme largueza que nenhum estudo académico transmite. A inteligência e o coração trabalham a par". O espírito vicentino é ainda hoje um modelo a não perder: na sua simplicidade, na sua exigência de acompanhar o outro, de ir a sua casa e à sua vida (dar-se) e não apenas na "distribuição do cabazes" ou na resolução de problemas pessoais (dar). Temos de construir comunidade e não apenas oferecer serviços que melhorem a vida das pessoas.
Não estou a propor modelos. Estou apenas a recordar um espírito – dar-se – que deve ir sendo traduzindo nas novas realidades. Porque só seremos cristãos quando nos dermos em vez de darmos.
É Natal: Deus deu-se-nos para que nos demos, a nós próprios e não apenas as nossas prendas!

Obra de Rua – um encontro com o Evangelho e com os outros



A quem chega e a vê pela primeira vez, a Casa do Gaiato de Miranda do Corvo, que existe desde 1940, lembra uma quinta antiga, bonita, encaixada no meio da vila e de aspecto tranquilo e seguro. As caras e sorrisos que a habitam agora, pertencem a 45 rapazes acolhidos por esta instituição e às pessoas que, com eles, vivem e trabalham, num ambiente familiar onde a proximidade se sente nas palavras e nos gestos.
A Obra de Rua, nome dado pelo Padre Américo ao seu projecto de recuperação social, de auxílio aos pobres e de acção educativa com rapazes de rua, reúne hoje cinco Casas do Gaiato em Portugal, três em África, residências para rapazes (estudantes e trabalhadores), o Património dos Pobres, respondendo ao problema de habitação de famílias pobres, e ainda o Calvário, para pobres com doenças incuráveis. Nas palavras do padre João Rosa, já nomeado responsável pela Obra de Rua, "os valores fundamentais na base da obra do Padre Américo são, em primeiro lugar, os do Evangelho" porque foi com Jesus Cristo, o grande encontro da sua vida. Acrescenta ainda que, "quem se encontra com o Evangelho tem que se encontrar com os outros e ele, Pai Américo, encontrou-se principalmente com os mais pobres e, sobretudo, com as crianças das ruas de Coimbra".
Se, no início, era sobretudo à rua que iam buscar-se os rapazes, agora os que chegam à Casa vêm através do tribunal de menores, da comissão de protecção de menores, de grupos de assistência social organizados ou mesmo a pedido das próprias famílias que reconhecem não ter capacidades económicas ou educativas suficientes. As crianças chegam, muitas vezes, sem referenciais afectivos, como explica o padre João Rosa que acrescenta que "vêm mais esfaceladas intimamente do que no tempo do padre Américo". Por isso o ambiente familiar e de proximidade assume uma grande importância. A Casa do Gaiato chegou a acolher cerca de 100 crianças mas, para este responsável pelos gaiatos, "os grupos menores são importantes para que se estabeleça um relacionamento educativo capaz e a personalização e a proximidade são a resposta indicada hoje".
Aquilo que os gaiatos encontram assenta no princípio base de uma obra pensada para ser "de rapazes, por rapazes, para rapazes". A eles estão entregues muitas tarefas da casa e a eles cabe organizarem-se, liderados por um chefe. Como explica o padre João Rosa, e utilizando uma expressão do padre Américo, escolhe-se o "mais avisado" e o trabalho que lhe cabe "é muito importante mas também muito difícil. O chefe é um companheiro. Ninguém pode viver sem amigos mas a certa altura ele tem que estar acima dos amigos. Tem que ser o mais consciente, o mais responsável, capaz de defender o rapaz e de ser justo, sério e autêntico. Os rapazes, em geral, não são parvos e sabem escolher". Este é também um exercício de liberdade que parte da confiança depositada em cada gaiato. A responsabilidade, a educação pelo trabalho e o cultivo de valores humanos são outras das directivas de uma pedagogia que, ainda hoje, funciona e dá frutos.
A independência dos rapazes é sempre o objectivo último. Não se pede a ninguém que saia da Casa quando faz dezoito anos e alguns permanecem ligados a ela, habitando um quarto individual, ocupando já um lugar no mercado de trabalho. O projecto da Obra vai no sentido de conseguir para o rapaz uma autonomia progressiva depois de este concluir a escolaridade obrigatória e de receber formação profissional: "queremos, primeiro, servir estes rapazes, acolhê-los no drama que foi e é a sua vida e tentar, com persistência, que eles sejam os gestores da sua própria vida, com os instrumentos que a casa do gaiato lhes dá – vida familiar, relação inter-pessoal, responsabilidade, confiança". É isto que, para o padre João, define uma Casa do Gaiato.
Casa do Gaiato – em diálogo com o mundo
A Obra nasceu em Portugal numa altura em que poucas estruturas organizadas se dedicavam ao apoio social. Numa espécie de estremecimento de estruturas e formas de pensar, o padre Américo pôs mãos à obra e misturou-se no mundo. Para o actual responsável pala Casa do Gaiato de Miranda, "este movimento gerou, na sociedade portuguesa, uma onda de simpatia que ainda persiste" e que não nasce só na Igreja mas também na sociedade civil. É esta "onda de simpatia" que está na origem de uma espécie de sentimento de partilha fraterna que sustenta uma instituição que nunca precisou de pedir dinheiro ao Estado e que não o faz, mesmo por princípio. Porque, para o pai que sonhou a Obra de rua, "negócios nem com o Vaticano". O problema maior não é, portanto, económico, mas antes humano e os que trabalham com os rapazes pedem, sobretudo, gente que queira entregar a sua vida, servindo a Obra de Rua.
Depois das acusações dirigidas recentemente à Casa do Gaiato que a associavam à violência sobre as crianças, a trabalho infantil exagerado e a uma falta de rigor técnico nos processos educativos, o padre João Rosa espera que seja possível um diálogo sereno e aberto com um mundo que nunca se quis separado da Obra de Rua. Para combater uma falta de conhecimento das pedagogias, do trabalho e dos valores propostos por esta Obra, a instituição quer, sobretudo, trazer a sociedade à Casa do Gaiato. Do diálogo com o Estado, mais concretamente, com a Segurança Social, nasce o Conselho Pedagógico-Social assente também na necessidade de repensar formas de fazer. "Há acertos a fazer na pedagogia e isso leva-nos a algumas cedências para entrarmos no mundo em que vivemos. Queremos recuperar o respeito que sempre tivemos. O Estado achou interessante a nossa pedagogia dos rapazes para os rapazes e houve uma receptividade e uma tentativa de perceber o nosso modo de estar mas nós tivemos também que ir ao encontro. A pedagogia é evolutiva. Diziam-nos que estávamos sozinhos e isolados e nós fomos para o terreno".
Este Conselho, que existe agora em todas as Casas do Gaiato, é formado por pessoas da sociedade civil que, não fazendo parte da comunidade residente, apoiam com regularidade o funcionamento das casas, num contacto directo com os gaiatos. Em Coimbra, uma professora catedrática dá, todas as semanas, explicações aos gaiatos, um jurista fornece apoio em casos de dúvida quanto à aplicação da lei ou quando se põe um problema de adopção, um psicólogo acompanha o crescimento emocional e psíquico dos rapazes. "Esta gente funciona como uma equipa de apoio e o Estado neste momento respeita-nos apesar da baralhada que houve na comunicação social".
Um "servidor da Obra"
São alguns os desafios que o padre João Rosa assume com a ocupação do cargo de responsável geral da Obra de Rua e diz querer, antes de mais, "ser um servidor da obra". Como primeiros passos, assume alguns objectivos: "Precisávamos de sangue novo e esse é o primeiro desafio. Os nossos padres estão já numa idade avançada e não há renovação. Depois é importante procurar serenar depois destes problemas que houve e estabelecer diálogo sem medo, não nos julgando o emblema principal da sociedade, na acção de bem-fazer. É também com os outros que crescemos. Finalmente, é importante nunca esquecer que esta é uma obra da Igreja. O padre Américo costumava dizer que nós somos dos Bispos. Queremos centrar-nos na comunhão com a Igreja porque não há verdadeira eficácia se não houver unidade e comunhão".
A Obra de Rua celebra, este ano, o cinquentenário da morte do padre Américo e, a casa de Paços de Sousa, acolheu, no dia 16 de Junho, uma grande celebração. Em Coimbra, "talvez tenha havido um bocadinho de esquecimento", diz o padre João Rosa que afirma, no entanto, que sabe "que não é por falta de respeito". Para este servidor de uma Obra que coloca os pobres e os que mais precisam no centro, "há marcas profundas, há memória profunda da presença e da passagem do padre Américo. Os homens como ele são imortais e, por isso, há sempre tempo de repor a verdade".

Irmã Lucinda (das Criaditas) em entrevista ao “Correio”




A Cozinha Económica atravessa algumas dificuldades monetárias. A Irmã Lucinda, responsável pelas Criaditas dos Pobres em Coimbra reconhece esta dura realidade. Esteve nas origens da fundação da Cozinha Económica. São reconhecidas carinhosamente por "madres de Teresa de Calcutá" da cidade. Não gostam muito de falar daquilo que fazem, muito menos com os jornalistas. Levam o Evangelho à prática. Servem cerca de 500 refeições por dia, 30 por cento dessas refeições são gratuitas. A comparticipação dada pela Segurança Social é de apenas um euro e cinco cêntimos por refeição. O que tem valido, tem sido a generosidade de muitas pessoas e ajuda do Banco Alimentar Contra a Fome.
A Irmã Lucinda numa entrevista gentilmente cedida ao "Correio" fala-nos de novas formas de pobreza existentes na nossa cidade que aumentam de dia para dia.
As Criaditas dos Pobres, como qualquer outra congregação, sentem a falta de vocações. Há 17 anos que não possuem uma única noviça. Estarão as nossas criaditas em vias de extinção?

Que trabalham realizam as Criaditas do Pobres em Coimbra?
Nós nascemos para servir. Para servir os pobres. O nosso trabalho que é uma missão porque somos investidas para anunciar Jesus Cristo mais pela vida do que propriamente por palavras. É essencialmente que nós tentamos fazer. Depois temos umas acções mais concretas que temos que fazer para aqueles que chegam até nós…

Como nasceu a vossa obra?
A nossa obra nasceu das Conferências Vicentinas em Coimbra. A nossa fundadora antes de ser Criadita dos Pobres já participava juntamente com a mãe nas conferências vicentinas e iam à casa dos pobres fazer trabalhos… Mais tarde, ela achou, por bem, que seriam necessárias vicentinas a tempo inteiro. E foi por isso que juntamente com outras irmãs formou esta congregação.

Em que locais da cidade vocês se encontram?
Aqui na cidade estamos só na Rua da Ilha, junto a Sé Velha, onde até o ano passado tivemos um jardim-de-infância e uns tempos livres que entregamos depois a Caritas porque já não tínhamos possibilidades de continuar. E estamos na Baixa, na Cozinha Económica, onde servimos cerca de 500 refeições diárias a um preço simbólico.

Porque razão entregou o jardim-de-infância à Caritas? Foi por falta de vocações sentidas na vossa congregação?
Sim. Devo-lhe dizer que já era uma coisa que nos transcendia actualmente. Quando foi fundado, chamavamos-lhe "O Abrigo". Foi o primeiro jardim-de-infância a ser construído em Coimbra. Sabe que ao princípio nada era organizado… Antigamente quando nós íamos às famílias, elas não tinham onde deixar as crianças, e nós trazíamo-las connosco para casa. Era como um prolongamento do nosso trabalho na família. Essa creche ou o "Abrigo dos Pequenitos" como lhe nós chamávamos-lhe era um prolongamento da nossa acção para ajudar a família. Nós trabalhávamos em casa deles e quando não tinham onde deixar os pequenitos, trazíamo-los connosco. Começamos a erguer essa casa "O Abrigo" com as nossas posses, conforme nos podíamos.
Até que um dia a instituição, por nós criada, começou a ser subsidiada porque precisávamos de dinheiro. Sabe que depois isto criou um certo volume que nós não tínhamos capacidade de resposta…Tínhamos que investir com mais pessoal. E não podemos nos esquecer que o nosso trabalho específico é os pobres, daí termos entregue isso a Caritas que é uma instituição mais vocacionada para esse meio. E além disso também vivemos a falta de vocações como referiu. Há 17 anos que não temos uma única vocação!

"Sabe que a pobreza hoje grita mais que antigamente"

Como vão percebendo quem precisa de ajuda?
Muitas vezes são outros que nos lembram. Outros são casos que nós conhecemos ou que nos vêm bater à porta.
Sabe que a pobreza hoje grita mais que antigamente. Pode parecer que não, mas temos mais pobreza. Pobrezas novas que eram desconhecidas até há bem pouco tempo.

Como nasceu a Cozinha Económica?
A Cozinha Económica nasceu em 1933. Como o nome também indica tem por objectivo servir economicamente e dignamente uma refeição forte e saborosa e abundante. Para pessoas que trabalhavam e não podiam comer tão bem, podiam vir aqui, e obterem uma refeição a um preço simbólico e boa.
Antigamente muitos estudantes que hoje são doutores, médicos ou professores, comeram aqui na Cozinha e dizem hoje que devem o seu curso à Cozinha Económica. Até há pouco anos atrás ainda se juntavam neste mesmo sítio para comerem todos uma refeição afim de confraternizarem e recordarem os seus tempos difíceis de estudante. E pagavam o triplo do dinheiro que dariam na altura enquanto estudantes.
Ao princípio quando servíamos aqui as refeições apercebíamo-nos que algumas pessoas comiam só sopa. Depois de falar com elas e saber porque razões comiam só sopa, víamos que existia grandes tragédias naquelas famílias. Havia pessoas que poupavam ao máximo para poderem ter mais um bocadinho para os filhos. Através deste serviço mergulhamos no mundo dessas famílias…

Disse há pouco que temos mais pobreza… É uma pobreza diferente ou encoberta?
Não. A pobreza encoberta é mais difícil de descobrir. Estava a falar de outras formas de pobreza….
Temos umas pobrezas novas que são aquelas pessoas que estão desintegradas da sociedade, nos vícios, no álcool, na droga, etc… que muitas vezes arranjam o dinheiro para sustentar esses vícios.
São estas pessoas que procuram hoje a Cozinha Económica. Temos muitos emigrantes dos países de Leste que também nos procuram. E aí a pobreza é maior porque essas pessoas não se integram na sociedade e não querem ser ajudadas. Porque Coimbra agora tem muitos apoios.


Que problemas sentem na gestão da Cozinha Económica?
Temos muitas dificuldades de meios económicos. Temos muitas pessoas que colaboram connosco. Temos um apoio de cooperação com a Segurança Social. E se não fosse isso a Cozinha não tinha capacidade de se poder manter…


Quantas pessoas aqui trabalham?
Temos 10 funcionários só na Cozinha. Temos um motorista para o apoio domiciliário, como também temos um Centro de Dia agregado à Cozinha Económica. Temos aí quatro funcionários. Temos ainda os voluntários que vêm e ajudam e dão do seu tempo. Não são muitos, mas são assíduos, não falham.
Aproveito para falar do nosso pessoal. Temos funcionários maravilhosos, generosos, preocupados com a Cozinha.


O que é mais difícil no contacto com estas pessoas?
O mais difícil é tentar repor a dignidade nesta gente. É a defesa da vida e a dignidade porque muitos pobres são capazes de se rebaixarem um bocadinho só para pedir. A Cozinha Económica nasceu para servir a um preço acessível todas as pessoas com menos posses, uma refeição forte, como disse há pouco, de maneira que cumpram dignamente sem terem a necessidade de a mendigar. E era isso que gostava muito de sentir no princípio.

"Há 17 anos que não temos uma única vocação"


O apoio domiciliário… temos casos muito complicados?
Já não temos tantas pessoas a trabalhar nesse sentido… Sentimos a falta de vocações e de voluntários. Temos dado apoio, essencialmente, às pessoas que vivem na solidão. Só na zona da Sé Velha são muitas.
Acompanhamo-los ao médico, vamos aviar as receitas quando estão doentes ou vamos a mercearia quando é necessário. Não temos é actualmente grande capacidade para responder aos pedidos, também sentimos o peso da idade e como lhe disse há pouco há 17 anos que não temos uma única vocação. O trabalho que fazemos baseia-se essencialmente na Cozinha Económica.


Quantas casas possuem?
Em Coimbra, temos duas, uma na Rua da Ilha e a Cozinha Económica, depois estamos nos Açores (Ilha Terceira e a Ilha S. Miguel), Aveiro e Portalegre.
As Criaditas dos Pobres nasceram nesta linda cidade a 1 de Novembro de 1924, quando a Irmã Maria Carolina saiu da sua casa para ira para casa do Dr. Elysio de Moura. A nossa fundadora esteve primeiramente a tomar conta de crianças. A nossa congregação só passou a existir oficialmente muitos anos depois, mas marcamos essa data, porque foi a data que a Irmã Maria Carolina saiu da sua casa e já existia este carisma de querer auxiliar os mais desfavorecidos. A congregação foi aberta oficialmente em 1966.


O trabalho aqui realizado é reconhecido e valorizado pela cidade?
(Risos) Essa pergunta é muito difícil para eu responder. De facto, o nosso trabalho foi reconhecido pela Câmara Municipal de Coimbra, onde nos atribuíram uma medalha de mérito no Dia da Cidade. Essas coisas não são importantes para nós. É como agora no Natal, uma vez por outra lembram-se que os pobres existem… Nós gostaríamos que fosse Natal todos os dias.
Como é que gostaria que os cristãos da Diocese de Coimbra celebrassem o Natal?
Um Natal de alegria, de partilha, de fraternidade e de amor verdadeiro de uns para com os outros. Desejo que seja um Natal de proximidade e de paz de uns para com os outros…

José Dias da Silva – “Os homens bons não precisam de apresentação”



"Os homens bons não precisam de apresentação". Esta afirmação é do padre Doutor A. Jesus Ramos, proferida no decorrer da apresentação do último livro do Dr. José Dias, no passado dia 12 de Dezembro, no Seminário dos Combonianos, no Areeiro, em Coimbra. E acrescentou: "Quem quiser escrever uma biografia tua (...) tem forçosamente que subir e dever com os próprios olhos onde é que teve início o pequeno fio de água quer brotando de um rochedo, foi descendo por montes e vales até se transformar, primeiro em riacho promissor, depois neste largo rio que torna férteis os campos que tiveram a sorte de se plantar nas suas margens".
Rodeado por uma centena de amigos no decorrer da apresentação, o autor propôs sempre, através dos seus escritos, dar um contributo pessoal para o desenvolvimento da cidadania. Faz agora 23 anos que José Dias escreve quinzenalmente para o Correio de Coimbra. E são muitos os seus apreciadores.
A apresentação do livro foi feito pelo Dr. José Vieira Lourenço, professor de Filosofia. A obra reúne alguns dos seus artigos publicados na revista Além-Mar e no Correio, muitos deles de carácter circunstancial, e elaborados ao longo de vários anos. Por isso o autor convoca para o título a palavra «memórias». Não se trata de um repositório de textos do passado, uma espécie de compilação ou arquivo. Podemos encontrar ao longo de toda a obra, uma textura vivencial sobre diversos temas actuais. É uma obra em que o autor dialoga com o leitor e o interpela. O livro surge assim com um grande testemunho de um homem de fé, que reconhece, aceita e enfrenta as perplexidades e desafios do seu tempo.
O maior especialista em Portugal da Doutrina Social da Igreja, José Dias oferece-nos, neste livro, um texto recheado de citações e ensinamentos colhidos na fonte dos documentos oficiais do Magistério da Igreja Católica aplicados aos mais variados temas.
No fim, José Dias teceu algumas palavras sobre os seus escritos. "O que me propunha era fundamentalmente dar um contributo pessoal (...), para o desenvolvimento da cidadania, tendo em conta três aspectos: a sociedade civil, a comunidade eclesial, as relações da Igreja com a sociedade", disse.
O título da obra também fala-nos de "tempo futuro". O autor é ainda um homem de esperança. Como o disse na sua apresentação: "Está nas nossas mãos torná-lo humano ou desumano".
Alguns criticam a escrita de José Dias por ser demasiado radical. O Zé (como é carinhosamente chamado entre o seu círculo de amigos) é essencialmente um profeta, um profeta do nosso tempo.
O Bispo de Coimbra que também esteve presente na apresentação do livro caracterizou o autor como "um irmão" em que desejou que tivesse "mais leigos como o Dr. José Dias". D. Albino Cleto confessou que "temos que trabalhar muito para que os leigos garantem o futuro da Igreja".

O autor
José Dias da Silva nasceu em 1942, no Souto do Brejo, concelho da Pampilhosa da Serra. É casado e tem dois filhos. Frequentou durante oito anos os seminários da Diocese de Coimbra. Licenciou-se em Físico-Químicas pela Universidade de Coimbra. Foi assistente do Departamento de Química da Universidade de Coimbra e investigador em Química de produtos naturais e em Química Teórica, procurou contribuir para a construção de uma sociedade mais justa, mais solidária e mais humana. Reformou-se ao fim de vinte anos de serviço para se poder dedicar melhor às responsabilidades familiares e a tarefas eclesiais e sociais.
É membro da Comissão Nacional Justiça e Paz, da Comissão Coordenadora Nacional das Semanas Sociais, da Comissão Permanente do Conselho Pastoral Diocesano de Coimbra e da Comissão do Conselho Pastoral da Paróquia de São José (Coimbra). É também responsável pelo módulo de Doutrina Social da Igreja na Escola de Leigos da Diocese de Coimbra e orienta algumas formações sobre a matéria em paróquias, movimentos e grupos de reflexão.
Publicou o livro Viver o Evangelho Servindo a Pessoa e a Sociedade – Introdução à Doutrina Social da Igreja.
Assina as colunas «Fé e Compromisso», no Correio de Coimbra; «O Futuro Depende de Nós», no Notícias de Vila Real; «Sinais», na revista Além-Mar e «Pedra a Pedra», no Mensageiro de Santo António. Também colabora com a revista do Instituto Superior de Estudos Teológicos de Coimbra (ISET) Estudos Teológicos.

Fundação S. João de Deus:


uma instituição de caridade universal

Vai nascer em Portugal uma nova instituição de solidariedade social: a Fundação S. João de Deus. Esta fundação terá por missão apoiar projectos na área da saúde e qualidade de vida, do bem-estar social e do desenvolvimento humano, de promoção dos direitos e dos deveres de cidadania. A sua acção será desenvolvida em prol das comunidades mais pobres ou que necessitam de auxílio humanitário, tanto em Portugal como nos países lusófonos.
O Superior da Província Portuguesa da Ordem Hospitaleira, o Irmão José Paulo Pereira, explica que na génese deste projecto esteve o objectivo de querer "tornar vivo o espírito ousado e profundamente humano de S. João de Deus, o português irmão de todos, especialmente dos mais pobres e dos que necessitam de um olhar e de gestos de misericórdia".
Fomentar uma verdadeira sociedade da inclusão e combater a crescente marginalização a que são votados os doentes, os idosos, os sem-abrigo, os imigrantes e outros grupos ou pessoas em situação de sofrimento, serão assim um dos principais propósitos desta instituição, criada pela Ordem Hospitaleira de S. João de Deus com a aprovação da Conferência Episcopal Portuguesa.
Neste âmbito, a Fundação S. João de Deus (FSJD) irá apoiar os hospitais, as casas de Saúde do Instituto S. João de Deus e as missões no exterior da Ordem Hospitaleira na dinamização de projectos naquelas que são as suas principais áreas de actuação em Portugal: a psiquiatria e a saúde mental; a alcoologia; a toxicodependência; cirurgia e ortopedia; medicina física e de
Vai nascer em Portugal uma nova instituição de solidariedade social: a Fundação S. João de Deus. Esta fundação terá por missão apoiar projectos na área da saúde e qualidade de vida, do bem-estar social e do desenvolvimento humano, de promoção dos direitos e dos deveres de cidadania. A sua acção será desenvolvida em prol das comunidades mais pobres ou que necessitam de auxílio humanitário, tanto em Portugal como nos países lusófonos.
O Superior da Província Portuguesa da Ordem Hospitaleira, o Irmão José Paulo Pereira, explica que na génese deste projecto esteve o objectivo de querer "tornar vivo o espírito ousado e profundamente humano de S. João de Deus, o português irmão de todos, especialmente dos mais pobres e dos que necessitam de um olhar e de gestos de misericórdia".
Fomentar uma verdadeira sociedade da inclusão e combater a crescente marginalização a que são votados os doentes, os idosos, os sem-abrigo, os imigrantes e outros grupos ou pessoas em situação de sofrimento, serão assim um dos principais propósitos desta instituição, criada pela Ordem Hospitaleira de S. João de Deus com a aprovação da Conferência Episcopal Portuguesa.
Neste âmbito, a Fundação S. João de Deus (FSJD) irá apoiar os hospitais, as casas de Saúde do Instituto S. João de Deus e as missões no exterior da Ordem Hospitaleira na dinamização de projectos naquelas que são as suas principais áreas de actuação em Portugal: a psiquiatria e a saúde mental; a alcoologia; a toxicodependência; cirurgia e ortopedia; medicina física e de reabilitação; a prestação de cuidados de geriatria e gerontopsiquiatria; cuidados continuados e acolhimento aos sem-abrigo.
Paulo Bernardino será o presidente da FSJD e o Provincial da Ordem Hospitaleira, Irmão José Paulo Pereira, irá presidir à Assembleia de Curadores.
A FSJD vai promover "a hospitalidade e a caridade universal"
Paulo Bernardino, natural de Alcobaça, será o presidente da recém-criada Fundação S. João de Deus. Licenciado em Filosofia, estudou também Teologia e Ciências Religiosas na Universidade Católica Portuguesa, em Lisboa. Realizou pós-graduações em Gestão de Empresas e Marketing e um Programa de Direcção de Empresas (PDE). Desenvolve actualmente investigação na área dos Direitos Humanos na Doutrina Social da Igreja.
Durante onze anos foi presidente da Fundação Ajuda à Igreja que Sofre, instituição que fundou em Lisboa no ano de 1995. A Ajuda à Igreja que Sofre é uma instituição caritativa internacional, criada em 1947 pelo monge holandês Werenfried van Straaten, que apoia as Igrejas locais nos países onde os cristãos são perseguidos, discriminados ou necessitam de ajuda humanitária de emergência.
Paulo Bernardino, que assumiu recentemente a presidência da FSJD, guarda na memória o seu primeiro contacto com os Irmãos de S. João de Deus, que aconteceu em 1969, quando foi internado no Hospital Infantil em Montemor-o-Novo, para ser submetido a uma série de intervenções cirúrgicas. Seguir-se-iam vários outros internamentos e operações até 1985.
Em Montemor-o-Novo pode contactar de perto com o trabalho de benevolência e dedicação da ordem: "A Ordem Hospitaleira de S. João de Deus é um exemplo «silencioso» do bom samaritano da Bíblia, na continuidade do carisma do seu fundador, procurando fazer o bem a todo o ser humano, principalmente aos doentes e aos pobres", refere.
Apontando o caminho que irá seguir a nova fundação, Paulo Bernardino explica que "a Fundação S. João de Deus tudo fará para pôr em prática a hospitalidade e a caridade universal, tal como a praticava o Santo português de Montemor-o-Novo".
"Queremos promover a dignificação e a integração social dos que hoje não têm estatuto numa sociedade exclusiva e sem coração, onde o primeiro excluído é o próprio Deus", acrescenta.
Para além de Paulo Bernardino, a administração da FSJD contará também Acácio Catarino no cargo de vice-presidente. Também natural de Alcobaça, Acácio Catarino é licenciado em Sociologia e fez carreira profissional nas áreas do emprego e da formação. Foi presidente da Caritas durante 17 anos e assessor para os assuntos sociais da Presidência da República no mandato de Jorge Sampaio. Actualmente colabora com várias organizações sem fins lucrativos.
Integra ainda o Conselho de Administração, o advogado João Carlos Boléo-Tomé, licenciado em Direito pela Universidade Católica Portuguesa e especializado em Estudos Europeus. Está ligado à Ordem Hospitaleira de S. João de Deus desde 2002.
A Fundação S. João de Deus vai dar inicio às suas actividades no dia 2 de Janeiro de 2007 e os corpos sociais da fundação serão apresentados numa conferência de imprensa, que terá lugar no dia 2 de Fevereiro, na sede da instituição em Lisboa (Rua Júlio Dinis, n° 23, ao Campo Pequeno).

David Silva

Cruz Vermelha pede ajuda para as vítimas do tufão Durian


A Cruz Vermelha portuguesa apela ao contributo monetário da sociedade civil, no sentido de apoiar a Cruz Vermelha Filipina na assistência, durante os próximos 9 meses, a 200.000 pessoas afectadas pelo tufão Durian. Este contributo pode concretizar-se através do Fundo de Emergência, criado pela Cruz Vermelha Portuguesa para que, numa situação de emergência, nacional ou internacional, resultante de catástrofes, seja possível intervir de forma rápida e eficaz junto das pessoas que têm a sua vida, saúde ou dignidade ameaçadas.
O tufão Durian atingiu as Filipinas no dia 1 de Dezembro e, de acordo com as estimativas, pelo menos 600. 000 pessoas foram afectadas pela vaga de tempestades que se iniciou em Setembro. Cerca de 300 pessoas morreram, mais de 400 encontram-se desaparecidas e um número ainda incerto encontra-se ainda preso nas suas casas.
Para mais informações sobre as formas de contribuir, consulte os sites www.cruzvermelha.pt e www.ifrc.org

SOS VOZ AMIGA PRECISA DE VOLUNTÁRIOS


A linha telefónica de emergência SOS Voz Amiga lançou um apelo à sociedade civil a pedir voluntários para que possa aumentar a capacidade de um serviço que só este ano atendeu 4.341 de pedidos de ajuda.

O Centro SOS-Voz Amiga nasceu em 1978 e foi o primeiro telefone de ajuda em Portugal, tendo atendido até hoje milhares de pessoas com apelos causados pela solidão, pela doença, pela ruptura nas relações familiares, pela toxicodependência e pelos maus-tratos.
Este tipo de serviço, que visa prevenir o suicídio, existe em todo o mundo e funciona com voluntários não profissionais. Segundo Paulo Silva, um dos coordenadores da equipa, a linha de emergência que funciona das 16:00 à meia-noite precisa agora de mais voluntários de forma a estender o tempo de atendimento.
O objectivo, adiantou, é conseguir ter a linha de emergência a funcionar 24 horas por dia pelo que os candidatos poderão inscrever-se no site da organização www.sosvozamiga.org para que possam iniciar um programa de formação que os habilite a participar neste serviço.
Para se ser voluntário é necessário ser maior de idade, morar na área metropolitana de Lisboa e ter a possibilidade de prestar um serviço mínimo de 12 horas mensais.
O SOS-Voz Amiga tem actualmente 40 voluntários inscritos que sob anonimato e confidencialidade atendem chamadas telefónicas de todo o país, procurando diariamente prevenir o suicídio.
Entre 2003 e Outubro de 2006 foram recebidas 21.176 chamadas a maioria das quais relacionadas com solidão, medos, doenças psicológicas e problemas conjugais.
A faixa etária entre os 36 e os 50 anos foi a que mais procurou o serviço nos últimos três anos e segundo dados estatísticos do SOS Voz Amiga são as mulheres que telefonam mais para a linha de emergência.
Entre Janeiro e Outubro de 2006, o serviço recebeu 4.341 chamadas das quais 2.305 (53 por cento) foram feitas por mulheres.
O Centro SOS-Voz Amiga está integrado na IFOTES - Federação Internacional dos Telefones de Ajuda (www.ifotes.org) e os voluntários obrigam-se a respeitar as suas normas.
A confidencialidade, o duplo anonimato (de quem telefona e do voluntário que atende) e a recusa em exercer qualquer pressão religiosa, política ou ideológica são algumas das normas.

Oliveira do Hospital:CPM comemora 25 anos



O Centro de Preparação para o Matrimónio (CPM) do Arciprestado de Oliveira do Hospital está a comemorar as Bodas de Prata. Trata-se de um movimento pastoral, contando com duas equipas, voltado para os noivos que se preparam para o Matrimónio.
Do programa projectado faz parte um ciclo de Conferências, palestras na Rádio local, a "Rádio Boa Nova" e a abordagem dos casais que passaram pelo CPM para um trabalho de continuidade. Recentemente teve lugar uma reunião de todos os casais que ao longo destes 25 anos animaram e deram o seu contributo para a realização dos encontros. Alguns vieram de longe: lá vimos o casal Augusto e Isabel Veiga Miranda que pilotaram a primeira equipa, bem como o dr. José Dias Marta e esposa D. Maria Fernanda Marta e ainda os actuais dirigentes diocesanos professores Francisco e Odorinda Henriques.
Todos participaram na Santa Missa celebrada pelo pároco e animada por alguns jovens, seguindo-se depois um almoço. Tudo decorreu em animado convívio durante o qual se escutaram também vários testemunhos. Foi distribuída a cada casal uma medalha comemorativa. Num ambiente de entusiasmo e alegria os participantes tiraram uma fotografia em grupo e retiraram-se visivelmente satisfeitos. (C)

Se nas dez primeiras semanas não há vida, para que se mata?

Não deixar viver alguém que já tem vida, independentemente de estar no início da sua duração, é sempre um crime, aliás, como tem sido oficialmente considerado até hoje.
Agora qualquer lei que venha a despenalizar o aborto será sempre uma atitude nefasta e horrenda para quem a pratica que deixará sempre marcas para o resto da vida. Só DEUS dá a vida e a pode tirar. Ressalvam-se, aqui, as outras situações excepcionais de manifesta infelicidade em que as suas consequências já estão salvaguardadas pela lei.
Somos um grupo de oração, com apostolado activo, e à luz da nossa fé são inumeráveis os argumentos que poderíamos apresentar, baseados no amor de Cristo e na sua doutrina, além das razões já proclamadas pela reunião plenária dos bispos em Fátima.
Dos nossos dias podemo-nos lembrar do que fez e foi a Beata Teresa de Calcutá e dos seus exemplos para que houvesse vida. Em Coimbra, a Madre Teresa Granados.
Mas o que ainda mais nos custa é aceitar a irresponsabilidade com que se quer viver na sociedade actual. Poucos querem ser responsáveis pelos actos que praticam e poucos querem assumir as suas culpas por aquilo que fazem.
Procuram, aqueles, sempre atirar para os outros as causas dos seus devaneios, das suas atitudes, como se fossem marionetas ao serviço de alguém. Vivem num mundo de inconsciência em que libidamente se afundam no lamaçal da mediocridade irracional, para os racionais com cultura cívica, suportarem mais este fardo de concupiscência alheia na sua ética de vida.
Tudo isto é tanto mais grave por também nesta circunstância serem os contribuintes, ainda que mais limitados, a arcar com os custos dos seus prazeres, das suas diversões, quando precisam mais de garantir a sua própria sobrevivência. Tanto se tem falado, escrito e gasto acerca da educação sexual e dos perigos adjacentes e a burrice é tão latente como se nada tivesse acontecido.
Só engravida quem quer e o aborto nunca pode ser considerado um contraceptivo. E nada será capaz de substituir a sublimidade, o orgulho e a realização como MULHER, do que a idoneidade de ser MÃE.
Deixe viver o seu filho, se souber ser mãe, ele a recompensará.

O grupo de Presença Eucarística que se reúne na Igreja de Santa Justa