Correio de Coimbra

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9 de janeiro de 2009

Bispo de Coimbra celebrou Dia Mundial da Paz em Arganil

“O grande caminho para a paz é sermos irmãos”, disse D. Albino Cleto na celebração do Dia Mundial da Paz. O Bispo de Coimbra escolheu este ano a vila de Arganil para celebrar com a comunidade cristã a primeira eucaristia do ano de 2009. Para D. Albino, a melhor solução para a paz é combater a pobreza. Para o prelado da diocese, existem diversos tipos de pobreza, como o desemprego, as dívidas, etc. Mas abordou essencialmente na sua homilia o sofrimento das crianças. D. Albino não tem dúvidas que “as maiores vítimas da pobreza e da falta de paz” são as crianças. O Bispo de Coimbra pediu aos presentes para que unidos olhassem para o presépio e tirassem a sua lição, pedindo ao Senhor que nos ajudem a pô-la em prática neste ano que se avizinha nada fácil para a maioria das famílias portuguesas.

D. Albino Cleto celebra missa no Estabelecimento Prisional de Coimbra


O Bispo de Coimbra, D. Albino Cleto presidiu no passado dia 7 de Janeiro a uma eucaristia que se realizou no Estabelecimento Prisional de Coimbra (EPC). A celebração da Eucaristia, que foi improvisada no octógono, teve a participação do Choral Poliphonico de Coimbra. O prelado pretendeu com esta iniciativa levar uma mensagem de esperança aos cerca de 360 reclusos que se encontram naquele estabelecimento.

Conferências paulinas no CADC

Recomeçam no próximo dia 14 de Janeiro, pelas 21,15 horas, no Instituto Justiça e Paz, na Couraça de Lisboa, as conferências paulinas. Uma iniciativa conjunta entre os padres franciscanos e o Centro Académico de Democracia Cristã (CADC). D. Anacleto Oliveira, bispo auxiliar de Lisboa vai ser o conferencista desta primeira sessão do ano de 2009. Formado na área bíblica é um profundo conhecedor de S. Paulo. É dele a autoria do livro “Um ano a caminhar com São Paulo”. Esta obra é proposta pela Conferência Episcopal Portuguesa para que as comunidades cristãs meditem, ao longo do ano Paulino, a Palavra de Deus, tendo como base a vida e o testemunho do Apóstolo. O livro é composto por 52 temas de reflexão, uma para cada semana, que podem ser trabalhadas em grupo ou individualmente.

Pré-Seminário

Após ter participado no Encontro Europeu de Jovens de Taizé em Bruxelas, o Pré-Seminário vai levar a efeito nos dias 17 e 18 de Janeiro, no Seminário da Figueira da Foz, um encontro de jovens que estejam entre o 9.º e 12.º ano. A iniciática começa às 10,30 horas de sábado e termina às 14,30 horas no domingo.

Identificados autores de 35 furtos a igrejas e capelas na região Centro

A investigação estava a ser desenvolvida no âmbito de um processo de droga, mas acabaria na identificação de cinco indivíduos que terão sido responsáveis pelo assalto a 35 igrejas e capelas dos concelhos de Oliveira do Hospital, Arganil, Seia (dez assaltos em cada), Tábua (quatro assaltos), e Penacova (um assalto). O material apreendido na sequência dos mandados de busca indicia, segundo fonte do Núcleo e Investigação Criminal (NIC) da GNR da Lousã, os crimes de furtos a locais de culto verificados nos meses de Novembro e Dezembro.
Os cinco indivíduos, com idades entre os 20 e os 30 anos, são todos residentes no concelho de Oliveira do Hospital e terão, segundo fonte da GNR, antecedentes criminais, desde logo por estarem a ser investigados no âmbito de um processo de droga.
Contabilizados estão, pelo menos, 35 assaltos de que terão sido os responsáveis. O “modus operandi” era sempre o mesmo – arrombamento de portas – e, em muitos casos, os danos materiais causados eram superiores ao valor do material furtado, na sua maioria caixas de esmolas, com quantias que não foi possível apurar, e, nalguns casos, arte sacra. Há pelo menos, segundo fonte do NIC da Lousã, o registo de um furto de arte sacra num templo do concelho de Tábua, que está a ser investigado pela Polícia Judiciária, visto ser uma área da sua competência.Nas buscas efectuadas, a GNR apreendeu uma viatura, um sacrário em cobre, 42 isqueiros com a inscrição de Nossa Senhora dos Remédios, um rádio, uma serra circular e um pé-de-cabra, que seria, segundo a GNR, utilizado no arrombamento de portas. Ainda segundo a mesma fonte, não foi apreendida qualquer quantia em dinheiro, visto os valores envolvidos, obtidos pelos assaltantes através do furto de caixas de esmola, seriam baixos e gastos de imediato pelos assaltantes. A investigação continua.

Um ano para mostrar o que somos


Por José Dias da Silva
No começo deste ano, que todos prevêem difícil, veio-me à memória uma velha anedota. O comandante do quartel jogava xadrez com um alferes quando entraram em desacordo quanto a uma jogada. O comandante chamou um soldado, o campeão de xadrez, para dar a sua opinião. Mal chegou, mesmo sem olhar o tabuleiro, deu razão ao alferes. E explicou: "Todos os que aqui estão sabem jogar xadrez. Se ficaram calados, é porque o meu comandante não tem razão".
Esta poderia ser uma parábola do medo, com que se debatem muitos portugueses. Há muitos medos que vêm de fora de nós. Mas eu queria falar dos nossos medos interiores: o medo de tomar posição, porque posso ser penalizado; o medo de não participar porque posso ser criticado por tomar uma posição diferente; o medo de exigir direitos legítimos só porque podemos sofrer represálias e que leva a agradar aos chefes, mesmo que isso nos "custe a alma": estar de bem com o poder é uma tentação irresistível.
Hoje, há muita gente com medo. E o medo tem vários efeitos nefastos: pode gerar pânico e gestos de irracionalidade; cria irresponsabilidade, mostra-nos os outros mais como inimigos do que como colegas de caminhada; tira-nos a coragem para intervir, paralisando-nos e impedindo-nos de lutar pelo que é justo.
Na situação em que nos encontramos, todas as forças são poucas para a combater. Daí que a primeira atitude é vencer este nosso medo paralisante e oportunista. Só com coragem e determinação seremos capazes de nos assumir como autênticos cidadãos, prontos a participar, a tomar posição, a dar o nosso contributo.
Precisamos também de derrotar o desânimo, esse filho primogénito do medo, e fortalecer a confiança num futuro que todos, mas mesmo todos, em conjunto, somos capazes de melhorar: acreditar nas nossas potencialidades individuais mas também colectivas e juntarmo-nos mesmo com os que nem sempre pensam como nós. Porque neste momento, apesar das diferenças, todos concordamos numa coisa: é preciso vencer esta crise, para que ela não nos vença a nós. E este sentimento comum tem de ser mais forte que as nossas diferenças, às vezes mais superficiais e imediatas que reais e profundas.
O tempo de crise é sobretudo um tempo de agir, lealmente e sem segundas intenções: cada um deve ver o que pode fazer pelo seu país e fazê-lo espontaneamente e com dedicação. Dizia Paulo VI: "Seria bom que cada um procurasse examinar-se para ver o que é que já fez até agora e aquilo que deveria fazer. Não basta recordar os princípios, afirmar as intenções, fazer notar as injustiças gritantes e proferir denúncias proféticas; estas palavras ficarão sem efeito real se não forem acompanhadas, para cada um em particular, de uma tomada de consciência mais viva da sua própria responsabilidade e de uma acção efectiva. É por demais fácil alijar sobre os outros a responsabilidade das injustiças se se não dá conta ao mesmo tempo de como se tem parte nelas e de como a conversão pessoal é algo necessário, primeiro que tudo o mais" (OA 48).
Esta situação vai-nos obrigar a mudar de hábitos. E de modo doloroso, porque exige a alteração de "estilos de vida, de modelos de produção e de consumo, de estruturas consolidadas de poder" (CA 58). Já tínhamos a obrigação cristã e cívica de o fazer devido às nossas escandalosas desigualdades sociais. Mas agora é ainda mais premente e torna-se, até moralmente, inevitável o "nivelar por baixo". Os que mais têm devem aceitar e, se necessário serem obrigados, a perder privilégios, mordomias e até "direitos adquiridos" para que a distribuição seja mais equitativa e diminua o número de carenciados. Aos que têm possibilidade compete-lhes investir, não só em função do lucro, sempre necessário, mas sobretudo da criação de emprego. As chefias devem rentabilizar ao máximo os recursos humanos e técnicos e garantir uma gestão rigorosa e transparente. Os trabalhadores devem agir com honestidade e criatividade. Os desempregados, os que mais sofrerão com a crise, devem ser especialmente apoiados pelo Estado, com políticas adequadas, pelas comunidades (e as cristãs de um modo especial), com um apoio digno às "pequenas" situações locais, pelas famílias, com gestos de solidariedade e de hospitalidade; mas não podem ficar à espera destes apoios e viverem à sua custa: os apoios devem servir de incentivo para que aproveitem as oportunidades e tentem também eles soluções próprias. Os cidadãos, em geral, não vivam para ter cada vez mais, evitem gastar para lá do que podem, socorrer-se da cunha, alimentar a economia paralela, verdadeiro cancro da sociedade e tão lesiva do bem comum, praticar pequenos esquemas tão "normais" que nem notamos a sua natureza fraudulenta ou até corrupta. Sim, porque a corrupção não acontece só nas grandes traficâncias que os jornais vão denunciando. Acontece também em milhões de muitas das nossas pequenas decisões e acções anónimas.
Os tempos de crise podem empurrar-nos para o desânimo, o cruzar de braços, o "salve-se quem puder"ou estimular a criatividade, a vontade de vencer, o compromisso sério, a solidariedade. A escolha está condicionada pelo comodismo, hedonismo e o medo de perder a vida fácil a que a abundância nos habituou.
A escolha sempre compete a cada um. Mas as consequências, essas, quem as sofre são todos os outros.

Verdadeiros exemplos

Por João Caetano*


José Mourinho é um líder. Recordo-me de quando ele chegou a Portugal para treinar o Benfica. Vinha do F. C. Barcelona, onde completara, com Van Gaal, um percurso apreciável como treinador adjunto; iniciara-se nessas funções alguns anos antes, no Sporting, com Bobby Robson, e continuara, com o mesmo treinador, no F. C. Porto e no referido F. C. Barcelona. Como treinador adjunto teve muitas vitórias, mas foi duramente criticado pela imprensa portuguesa quando começou a trabalhar no Benfica como treinador principal, com o argumento de que não tinha curriculum nessas funções. Vale e Azevedo, que era à época o presidente do Benfica, foi mais inteligente do que todos os que levianamente criticaram Mourinho, ao confessar que intuía que Mourinho era um homem de carácter. Mourinho acabou por sair do Benfica, após um breve percurso em que teve momentos altos. Depois passou pelo União de Leiria e, logo a seguir, pelo F.C. Porto, com extraordinárias vitórias. Confesso que, por amor clubístico, desejei, durante esses anos, que Mourinho não ganhasse, salvo quando esteve no Benfica. Mas isso não obsta a que eu lhe reconheça grande mérito. Mais: reconheço em Mourinho a virtude, pouco usual em Portugal, de partilhar conhecimentos e até sentimentos. No auge da sua primeira grande vitória internacional, que foi a conquista da taça UEFA ao serviço do F. C. Porto, publicou, pela mão de Luís Lourenço, um livro onde dá a conhecer a sua maneira de pensar e concretizar o futebol, sem vanglória e com muito realismo. Mais tarde, veio a saber-se que já nos seus tempos de estudante partilhava os elementos de estudo com os colegas, com quem mantinha uma boa relação. E é neste livro que se penitencia de alguns exageros que cometeu com Manuel Vilarinho, o presidente do Benfica com quem não se entendeu mas que Mourinho considera ser um homem bom.
É mais fácil fazer tão bem ou melhor do que fez Mourinho do que criticar o seu trabalho ou a sua própria maneira de ser. De facto, existe larga evidência de que Mourinho é um excelente condutor de homens, não porque seja um tirano mas porque é um homem inteligente e amigo dos seus jogadores. Numa visita que fez a Israel, na altura em que era treinador do Chelsea, quando falava para uma plateia de cerca de 250 treinadores israelitas e palestinianos, mostrou uma fotografia em que estava abraçado ao jogador Frank Lampard e disse: "Parece um abraço, mas é mais do que um abraço… é um abraço que mostra que confiamos um no outro. Sem uma palavra, ele está a dizer-me: "Obrigado". É um abraço que repetimos, jogador após jogador, porque somos uma família". Cada jogador é para Mourinho uma pessoa, com características e necessidades próprias, o que é relevante tanto nas vitórias como nas derrotas. É sintomática a história que Mourinho conta quando o Chelsea perdeu as meias-finais da Liga dos Campeões contra o Liverpool. Quem ele consolou foram os jogadores que ainda não tinham ganho aquela competição e que estavam a perdê-la pelo segundo ano consecutivo na mesma fase da prova. Não foram os portugueses Ricardo Carvalho e Paulo Ferreira que com ele tinham ganho essa competição no ano anterior.
Os jogadores vêem que Mourinho é especial e consideram-no um modelo de comportamento, o que justifica a sua admiração por ele e, em consequência, motiva as vitórias, porque só se segue quem verdadeiramente se reconhece como bom. As palavras de John Terry, capitão do Chelsea, são claras: "Todos os resultados são para o treinador. Ele trabalha muito, ele e a sua equipa. No campo, lutamos uns pelos outros, mas, no fundo, é para ele. Ele é o maior, acreditamos que é o maior, e temos sorte por tê-lo connosco". O desejo dos jogadores impele-os para o treinador, que, nesse sentido, "domina" os seus jogadores, porque orienta a sua liberdade. Ele é diferente dos jogadores, e não se baixa às suas pretensas necessidades, que quantas vezes não passam de excentricidades. E os seus jogadores são também diferentes dos outros jogadores. Poderia dar muitos mais exemplos, mas não é necessário. Retirei as citações do livro de Luís Lourenço e Fernando Ilharco intitulado "Liderança: As lições de Mourinho", que foi publicado em 2007 pela editora Booknomics e cuja leitura recomendo.
Também Karol Wojtyla era "admirado" pelos membros da rede Srodowisko que criou na Polónia nos seus tempos de padre e, posteriormente, de bispo de Cracóvia, numa altura em que era conveniente que os católicos fossem inteligentes para vencerem a perseguição comunista. A rede Srodowisko, ainda hoje existente, era uma rede de jovens, intelectuais, cientistas, filósofos, teólogos, namorados, casais e noivos e constituía uma unidade pastoral particular e muito inovadora para a época. Esta descrição extraordinária não é minha, mas de Yves Semen, que a faz na sua obra "A sexualidade segundo João Paulo II". Este livro foi publicado em Portugal em 2006 pela editora Principia, e recomendo também a sua leitura. Acabo com o testemunho de um dos membros do Srodowisko - palavras ditas anos mais tarde, quando o estudante que convivera com Wojtyla ainda se mantinha como membro activo da rede: "Nos nossos dias, há muitos padres que se esforçam por ser como os jovens. Nós esforçávamo-nos por ser como ele". Voltarei a este assunto.


*(Presidente da Direcção do CADC
relvaocaetano@gmail.com)

Inventariação da Paróquia de Zambujal

Por José Eduardo Reis Coutinho
No passado dia 22 de Dezembro, ficou completada a inventariação da paróquia de Zambujal, com um total de 40 novas fichas, referentes à igreja matriz e às capelas, e um exaustivo levantamento fotográfico. A tarefa realizada contou, sempre, com a constante presença do senhor Prior, o Padre Idalino Simões, o acompanhamento do Padre Amílcar dos Santos Neves e a colaboração do senhor Luís Rafael, bem como do Conselho Económico.
A recuada ocupação deste território provém de tempos muito antigos, compartilhando, por certo, as comuns inerências da própria sub-região, habitada desde o Paleolítico, com interessantes vestígios epocais e, sucessivamente, valorizada na Idade do Bronze, do Ferro e na Romanização, porque o espaço geográfico, em que toma lugar, é um vasto sub-rectângulo, percorrido, longitudinalmente, pela via militar romana, de Lisboa a Braga, atravessado pelo Rio dos Mouros e incluído na área de influência do castro do Monte Figueiró, que o domina, a sul, e fora o mais importante da jurisdição meridional de Conímbriga.
O período romano está, por isso, bem documentado, mediante diversas estações arqueológicas, situadas na freguesia, porém, as fontes escritas, que melhor referem o local, datam da plena Idade Média e dos inícios da Nacionalidade: mencionado na carta de testamento e doação, de 9 de Abril de 1160, de Dom Afonso Henriques ao Mosteiro de Santa Cruz, integra o circuito de certas delimitações, ali expressas, justapostas às do bastante individuado território da Ladeia.
Diz a tradição lendária, inerente aos dois irmãos ferreiros, Melo (Germanelo) e Jerumelo, e explicativa da origem desta povoação - pelo quantitativo de plantas formadas a partir do cabo do martelo perdido, de zambujo - que o topónimo actual surge nos princípios da Nacionalidade, tem feição fitomórfica e origem rural, e manifesta uma etapa de segurança demográfica, parcialmente conseguida com o acastelamento afonsino do Germanelo e concluída depois de a Conquista ter tomado as praças fortificadas de Santarém e Lisboa, colocando a fronteira cristã no vale do Tejo.
Com efeito, aqueles diplomas incluem as formas azambugial e azambugeiro, com o a protético, próprio do vocábulo arcaico, deveras numerosíssimo em povoações, lugares, sítios e prédios rústicos, assim designados, visto a larga distribuição desta família toponímica estar de acordo com a fitogeografia e com o étimo do nome, de proveniência islamizada, entrada no uso corrente, onde a permanência muçulmana e moçárabe foi acentuada.
Em abono de tal frequência, indubitavelmente resultante da proliferação da variedade silvestris da Olea europaea, o zambujeiro, árvore ou arbusto desenvolvido como espécie de oliveira bravia, é caracterizado pelo fruto mais pequeno, pelos ramos espinescentes, sobretudo nos estádios arbustivos, e pela predominância nos bosques, sebes e, particularmente, nos terrenos pedregosos e áridos, por vezes detendo um tronco bastante avantajado. Alguns, com enormes proporções, recuam ao Império Romano, apesar de a maioria remontar aos arroteamentos medievais, o que os torna um factor histórico, indicativos dos sobreditos povoados, do desenvolvimento agrícola dos respectivos locais e a reclamarem, por isso, uma efectiva salvaguarda, botânica e factual.
Paralelamente, Janeanes, Fonte Coberta e Póvoa de Pegas asseveram idênticas origens agrárias e prestam indicações precisas acerca da implantação humana, promovida através de casais de lavradores, ao revelarem, sucessivamente: um povoador medieval, de nome Joane Eanes; uma nascente natural, protegida por cobertura e coeva da mesma ocupação do solo; e a pobra, o inicial aglomerado populacional, ali estabelecido.
Sugestivamente, enquanto a oliveira cresce no meio de pedras, o trigo, a aveia, a fava e o grão de bico medram enraizados no grosso cascalho das terras aráveis, porque os montes são para os rebanhos, fornecedores de crias, leite e lã, pois, os lacticínios, conhecidos por Queijo do Rabaçal, constituem um dos melhores produtos de leitaria do País. É fabricado, além da localidade nomeada, em Zambujal, Furadouro, Pombalinho e Alvorge, com leite de ovelha e pequena percentagem do de cabra, cuja alimentação é parca, devido à pobreza dos magros terrenos da serra, mas, local privilegiado para esta pastar a Erva de Santa Maria (Thimus zygis), que concede um inconfundível sabor ao queijo, assim preparado, em casas particulares.
Intensas actividades arroteadoras, do campesinato, fizeram aumentar as parcelas cultivadas, facultaram melhores colheitas e trouxeram algum efectivo da população, de baixa densidade, distribuída pelos quatro núcleos primordiais, onde fundaram aldeamentos e, neles, as ermidas de Nossa Senhora da Expectação, de Santa Inês e de Santa Cristina, cultos antigos e muito consonantes ao sentimento religioso medieval, ainda que influenciados pelo Mosteiro de Santa Ana, de Coimbra, que apresentava o Cura.
Já referida no elenco das igrejas, de 1321, a de Santa Maria de Zambujal está taxada em 130 libras, o que supõe o desafogo económico da comunidade local, depois, também, responsável pelos contínuos restauros e muitas beneficiações recebidas, a partir do século XV, como certificam as esculturas calcárias, os azulejos sevilhanos, do século XVI, outras imagens e utensílios da mesma centúria, os contributos de Seiscentos e, de maneira grandiosa, os arranjos do século XVIII, patentes em toda a renovação realizada na época da maior ostentação, social e litúrgica, demonstrada nas memórias encontradas e que realçam a dedicada vivência da fé, neste meio de minguados recursos de subsistência, todavia, sem diferenciação no geral das paróquias rurais, dotadas de maiores facilidades.

Cáritas de Coimbra tem nova direcção



- Uma palavra de reconhecimento e gratidão

A Direcção da Cáritas Diocesana no último triénio, a que presidiu o Padre Aníbal Castelhano, termina o seu mandato no final de 2008, sucedendo-lhe uma Direcção presidida pelo Padre Luís Costa.
Nesta hora do render das responsabilidades num dos organismos mais exigentes da Igreja diocesana, há uma palavra pública que deve ser dada de gratidão e reconhecimento para com a Direcção que presidiu aos destinos da Cáritas no último triénio, sendo que o Padre Aníbal e o Eng. Carlos Rodrigues (secretário) já tinham acompanhado o Padre António Sousa na Direcção anterior, o que alarga esta palavra de gratidão para os seis últimos anos.
A Cáritas é reconhecidamente um dos organismos mais exigentes da Igreja diocesana, onde se cruza a eclesiologia com o mundo sociopolítico, a caridade com o profissionalismo, o voluntariado com o rigor técnico, a pobreza com o equilíbrio financeiro, os direitos profissionais com a fé. A grande diversidade de frentes de acção, o alargado âmbito geográfico da intervenção, a instabilidade das políticas sociais públicas e a pluralidade de expectativas em relação a esta Instituição ainda mais aumentam tal exigência. Acresce que algumas das valências da Cáritas são dirigidas a populações tão marginalizadas da sociedade que as receitas são inferiores às despesas, o que gera permanentemente delicados problemas de gestão imediata. Sem querer dramatizar, serve todavia esta rápida descrição da Cáritas para tornar claro que ninguém que veja nesta exigência um motivo de lamentação aceitará fazer parte da sua Direcção; apenas quem vê nela um enorme manancial de oportunidades, a serem concretizadas dia após dia com muita fé, muito trabalho, muita dedicação e muito amor à Igreja, estará disponível para assumir tal responsabilidade; mais ainda no cargo de Presidente, até porque o volume e a urgência das decisões a tomar exige uma liderança bastante activa, imediata e personalizada. É essa enorme disponibilidade de fé e essa dedicação ao trabalho que ficamos a dever à Direcção que agora termina o seu mandato.
Consequentemente, é forçoso reconhecer desde já os mesmos atributos à Direcção que agora passa a presidir à Cáritas Diocesana. Pessoas diferentes terão naturalmente maneiras de agir e de dirigir diferentes; mas o nível mais profundo da fé, da disponibilidade para servir e da competência só pode ser o mesmo.
A Cáritas é a Igreja numa acção concreta. Se em relação à Cáritas e à sua Direcção há uma palavra de louvor, de reconhecimento, de dívida, de esperança…, é uma palavra da Igreja diocesana. Como membro desta Igreja e simultaneamente funcionário da Cáritas, venho apenas humildemente apresentar à Igreja diocesana o estímulo da atenção devida às pessoas concretas que nas Direcções desta Instituição voluntariamente dão o melhor de si para que a Igreja - à imagem do seu Pastor - incarne verdadeiramente na vida das pessoas e se torne autêntica companheira de caminhada com a humanidade nas sendas da libertação.


Carlos Neves

Banco Alimentar lança projecto "Hortas Solidárias"


Os Bancos Alimentares portugueses vão desenvolver já a partir do início de 2009, em conjunto com a Direcção Geral de Serviços Prisionais, uma iniciativa inovadora em Portugal e na Europa de plantação de "Hortas Solidárias" nos terrenos livres dos estabelecimentos prisionais. Esta acção vai contribuir para promover mais actividades de cariz laboral por parte dos reclusos e produzir legumes para entrega a populações com dificuldades económicas.
Os produtos hortícolas cultivados pelos reclusos vão ser entregues ao Banco Alimentar mais próximo. Sob a orientação de um orientador em cada local, a produção de legumes vai avançar a partir do início do ano em cinco estabelecimentos prisionais: Setúbal e Pinheiro da Cruz, em articulação com o Banco Alimentar de Setúbal; Leiria, em articulação com o Banco Alimentar de Leiria-Fátima; Santa Cruz do Bispo, em articulação com o Banco Alimentar do Porto; e Alcoentre, em articulação com o Banco Alimentar de Lisboa.

Crise financeira atinge os programas de mobilidade dos universitários


A crise económica também se reflecte nos programas de mobilidade da Universidade de Coimbra. No último ano houve menos alunos a estudar fora. No entanto, as dificuldades não são obstáculo para quem está muito motivado.
No último ano lectivo, foram 400 os estudantes de Coimbra que foram estudar para o estrangeiro, ao abrigo do programa Erasmus e de outros acordos de mobilidade. Nos anos anteriores, o número rondou os 500. Por outro lado, o número de estudantes vindos de fora está a aumentar. Em 2007/2008, Coimbra recebeu 801 alunos estrangeiros, com o Brasil no topo. "Nos últimos anos, o Brasil ultrapassou a Espanha e a Itália", conta a chefe da Divisão de Relações Internacionais, Imagem e Comunicação (DRIIC) da UC, Filomena Marques de Carvalho.
Para a responsável do programa em Coimbra, a redução do número de alunos portugueses a estudar no estrangeiro deve-se, não só à crise económica, como também a outros elementos. "A bolsa de mobilidade é apenas um subsídio de apoio e inibe o estudante. O Processo de Bolonha também está a ter um efeito contrário ao esperado, mas houve muita restruturação, e por isso agora também há algum receio inicial", explica Filomena Carvalho.
No entanto, a questão da motivação e a vontade de querer estudar no exterior supera os problemas. Filomena Carvalho alega que "o factor financeiro pode influenciar os de motivação média, porque os de alta motivação vão na mesma. Muitos deles até trabalham o ano inteiro para ter dinheiro. Os que põem dificuldades é porque não têm tanta certeza se querem ir".
Sónia Ferreira, estudante de Jornalismo em Salamanca, confirma a versão da chefe da DRIIC. "Já planeava fazer Erasmus há muito tempo, e neste último ano estive a trabalhar para poder juntar dinheiro", afirma.
A atribuição de bolsas costuma ser outro dos problemas. Sónia Ferreira lamenta que o critério de atribuição se baseie na proximidade geográfica. "Como estou em Salamanca, a minha bolsa é de 1000 euros, que não é grande coisa", conta. Isabel Marques, advogada estagiária que estudou um semestre na Corunha em 2005, lembra que na altura "a bolsa demorou cinco meses a chegar". Filomena Marques de Carvalho reconhece que os estudantes têm razão, mas defende que a DRIIC não pode fazer muito. "A distribuição com base na proximidade é feita através de estudos da OCDE. A nós cabe-nos defender essa posição junto da Agência Nacional nos relatórios finais, mas não podemos fazer mais", justifica.
A DRIIC é responsável pela divulgação aos estudantes sobre a mobilidade da UC, alertando para a página da Internet do programa. Em Outubro (início do ano lectivo) há sessões de informação em todas as faculdades para explicar o processo. Filomena Carvalho sublinha que "toda a candidatura é feita na DRIIC, o estudante está articulado connosco, e damos o máximo de informação possível". O gabinete sugere a melhor universidade ao aluno, sendo que o aconselhamento final parte do professor coordenador, responsável pelo plano de estudos.

O Sobreendividamento das famílias portuguesas


Esta é uma das conclusões do estudo conduzido pelo Observatório do Endividamento dos Consumidores (OEC) do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra sobre o perfil dos sobreendividados em Portugal.
O estudo, baseado na análise de 2120 pedidos de apoio chegados à Associação para a Defesa dos Consumidores - DECO - entre Janeiro de 2005 e Outubro de 2008, mostrou que mais de metade das pessoas que recorreram à DECO nestes anos apresentou como motivo principal do recurso ao crédito a existência de dificuldades financeiras (57,2%). Este motivo sugere um agravamento nas condições económico-financeiras das famílias nos últimos dois anos, dado que num estudo realizado em 2007 pela coordenadora da actual investigação, Catarina Frade, considerando apenas os anos de 2005 e 2006, este era apenas a segunda razão para a contracção de crédito. O segundo motivo, anteriormente o primeiro, está relacionado com a intenção de aceder a bens essenciais (45,4%), enquanto a necessidade de pagar outras dívidas (22,5%) surge em terceiro lugar.
A investigação levada a cabo pelo OEC mostra igualmente que mais de metade das famílias referiu o crédito pessoal como a sua principal dívida de crédito. Os créditos pessoais mais frequentes dizem respeito a produtos de sociedades financeiras para aquisições a crédito, a que acrescem os cartões de loja com vertente de crédito (por exemplo, de hipermercados). Muitos destes créditos pessoais são do tipo 'crédito por telefone' ou 'crédito fácil'. Catarina Frade alerta que "o risco é por isso evidente e muito elevado: trata-se de créditos com taxas de juro muito elevadas (próximas de 30%), de grande acessibilidade, que parecem ser pedidos para obstar a dificuldades financeiras correntes e ao incumprimento de outras dívidas de crédito, mas que acabam por redundar num agravamento do multiendividamento e da espiral de incumprimento".
O estudo demonstra que, desde 2007, aumentou o número de pedidos de apoio de famílias que não indicaram qualquer dívida de crédito. Nesse ano, verificou-se ainda que o número médio de dívidas de crédito diminuiu face aos dois anos anteriores, mas que o número médio de dívidas de crédito em atraso aumentou. Os dados apontam para um agravamento das condições financeiras das famílias, sobretudo das de nível de rendimento médio.
Da equipa de investigação fez parte Catarina Frade (investigadora responsável), Cláudia Lopes, Fernanda Jesus e Teresa Ferreira. Os dados foram obtidos através dos questionários preenchidos por Técnicos da DECO em que cada questionário correspondeu a um processo aberto na associação.
Dada a quase inexistência de estudos neste âmbito, Catarina Frade considera que "esta investigação é importante no sentido de avaliar tendências e comportamentos dominantes nos sobreendividados que devem ser ponderados e reflectidos em potenciais medidas preventivas e curativas do fenómeno do sobreendividamento se não se quiser continuar a oferecer soluções insuficientes e/ou desajustadas".

Familiares de crianças com Câncro vão ter alojamento grátis


Junto ao novo Hospital está a ser construído uma casa para acolher gratuitamente os familiares de crianças com câncro internadas naquela unidade de saúde. O projecto é da associação "Acreditar".


A casa que a Acreditar está a construir junto ao novo Pediátrico de Coimbra tem uma missão: acolher, gratuitamente, as famílias de crianças com cancro, permitindo que acompanhem os tratamentos e suavizem a dor.
Naqueles 1200 metros quadrados, cabem 20 famílias. E a estrutura está preparada para receber mais dez quartos, se necessário. Partilham-se cozinha e sala de refeições, mas cada núcleo familiar conserva a intimidade num quarto com casa-de-banho privativa. As salas de convívio estão divididas por faixas etárias, prontas para receber bebés, adolescentes e jovens adultos. Ponto assente é que, na casa, nada vai fazer lembrar o hospital.
"A doença é uma bomba atómica que cai na família", sintetiza, em visita à obra, Margarida Cruz, directora-executiva da Acreditar - Associação de Pais e Amigos de Crianças com Cancro. "A casa existe para que as pessoas se sintam acompanhadas, num sítio confortável, alegre, bem disposto. A troca de experiências também ajuda muito", garante.
Esta é já a terceira casa que a Acreditar ergue (primeiro surgiram as de Lisboa e Funchal, na Madeira). Por isso, a associação não duvida da importância que terá para estas famílias. Sabe das dificuldades que enfrentam por viverem longe dos centros de tratamento e terem de suportar deslocações regulares e alojamentos. Sabem o desgaste físico que isso implica para as próprias crianças.
A "bomba atómica", como lhe chama Margarida Cruz, devasta as vidas destas pessoas e expõe-lhes todas as fragilidades. "A doença não só é grave, como prolongada. Muitas vezes, um dos familiares perde o emprego. Vemos muitas mães jovens, com empregos precários. E o endividamento das famílias. Tudo se reflecte", lamenta.
"Esta casa nasceu da necessidade", frisa Margarida Cruz. "Há crianças em tratamento nos Hospitais da Universidade de Coimbra e no Hospital Pediátrico e há sempre famílias de longe que não conseguem ir e vir todos os dias. Os sítios onde ficam, por vezes não são os adequados", sustenta. Neste momento, a Acreditar está a prestar apoio financeiro a pais que não têm dinheiro para o alojamento, em Coimbra. A casa - que vai ter uma governanta e voluntários em permanência - está quase pronta. Faltam apenas alguns materiais, que a associação espera obter através da sua única fonte de financiamento: o mecenato. Prevê-se que abra a 15 de Fevereiro, o dia internacional da criança com cancro.
"Para os pais que estão a viver uma situação destas, completamente desprovidos de tudo, inclusive de esperança, é muito importante ter este apoio", realça Alexandra Correia, coordenadora do núcleo Sul da associação. Os pequenos também não ficam indiferentes. Segundo a responsável, muitos passam lá, curados, e perguntam: "Posso ir ao meu quarto?". Sinal de que aquela foi mesmo a sua casa.

Figuras do presépio de Cabal Antunes vandalizadas



No primeiro dia deste ano, várias figuras do presépio instalado junto à Câmara Municipal de Coimbra foram vandalizadas. A caixa de esmolas do presépio de Cabral Antunes, que este ano se destina a ajudar a Casa dos Pobres, também foi arrombada e assaltada em plena luz do dia. Segundo um comerciante da Baixa, tudo terá acontecido no primeiro dia de 2009, por volta das 17 horas e ao que tudo indica, o autor do roubo será indivíduo toxicodependente, presença assídua naquela zona da cidade. Pouco ou nada escapou, referiu Mário Nunes, vereador da Cultura da Câmara Municipal de Coimbra, que nem queria acreditar no estado em que ficou o presépio.

Penela mostrou solidariedade social



Assinalando o encerramento do "Penela Presépio", cerca de 300 pessoas participaram, no passado sábado à noite, no jantar "Penela Solidária", um evento que teve também o objectivo de angariar fundos para as Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS) do concelho.
Para o efeito contribuiu parte do dinheiro pago pela refeição, assim como os valores conseguidos com o leilão das peças vencedoras dos concursos de presépios e obras de arte doadas por vários artistas, na sua maioria residentes em Penela.
Foi assim, num clima de festa, que a comunidade penelense celebrou mais uma edição de sucesso do "Penela Presépio" - que voltou a atrair milhares de pessoas à vila e ao castelo - e deu o seu contributo para que o concelho seja mais solidário para com as instituições que prestam serviços de solidariedade social.
O presidente da Câmara Municipal de Penela justificou que se trata de uma forma de juntar as pessoas que representam, de forma genérica, as forças vivas do concelho, conseguindo, ao mesmo tempo, juntar algum dinheiro para ajudar os que mais necessitam.
Paulo Júlio enfatizou o sucesso do "Penela Presépio", lembrando que a iniciativa não se restringiu ao castelo, uma vez que, entre outras iniciativas, também o Rabaçal recebeu um presépio com 200 metros quadrados e o concurso de presépios teve cerca de 30 participantes.
Discursando para as cerca de 300 pessoas que se reuniram no pavilhão multiusos, o edil aproveitou para falar da estratégia para o desenvolvimento do concelho, deixando, desde logo, o aviso de que "não nos resignámos".
Mas como o tema da noite era a solidariedade, Paulo Júlio anunciou que os cerca de 50 mil euros de receita conseguidos no evento "Penela Presépio" vão ser usados na recuperação de casas degradadas no concelho.

“Queremos um ano que seja novo nas vidas, na felicidade das pessoas”


"Queremos um ano que seja novo nas vidas, na felicidade das pessoas", - afirmou o Bispo de Coimbra em mensagem de Ano Novo, aos microfones da Rádio Regional do Centro.

"Queremos um ano que seja novo. Apenas no calendário? Não. Um ano que seja novo nas vidas, na felicidade das pessoas. E a felicidade passa também pela Paz. Paz em casa onde nos encontramos ligados por laços de sangue, Paz nas escolas, Paz nas empresas - e para haver paz tem que haver segurança de que não haverá ameaça de um desemprego colectivo. Um ano novo passa também pela saúde e passa pela realização dos sonhos válidos que as pessoas têm. Para isso, a minha mensagem é esta: nós temos que ser construtores da paz. Ela não cai do céu. E ao olharmos para o presépio e vermos Deus feito menino, temos que tirar uma conclusão: Deus estende-nos a mão para nos ajudar a fazer a paz. E como é que havemos de construir a paz? Repartindo o que temos. Não estou a pedir que se abram as carteiras e se dividam os euros por todos, mas se repartirmos também o tempo que temos, o telefone ou o telemóvel, fazendo uma chamada a quem não tem ninguém que lhe ligue. Em tempos de crise sejamos irmãos de todos. Afinal, Deus veio ao mundo porque nele há sempre experiências de crise". Esta foi a mensagem de Ano Novo que o Bispo de Coimbra, D. Albino Cleto, deixou à diocese através dos microfones da Rádio Regional do Centro (96.2 FM). A crise foi tema quase constante durante o programa, considerando D. Albino Cleto que o mundo compor-se-á quando se compuserem as pessoas. "Não nos pertence [à Igreja] dar orientações de ordem financeira. A Igreja vê que o mal não esteve no dinheiro mas na forma como as pessoas o geriram. Haja consciência, justiça, clareza na administração das coisas, não haja mentira nem desvios e, sobretudo, haja procura de igualdade para que uns não tenham muito e não tenham os outros que ficar na miséria". Neste ano de crise, o Bispo de Coimbra pediu a todos que sejam "um pouco mais comedidos".
Mas, alertou, "não façamos de Deus um bombeiro", aludindo a quem só se lembra de Deus quando está aflito. "Deus é Pai e é um Pai bom que se lembra sempre dos filhos, no bem e no mal". É pois preciso "sermos mais irmãos uns para com os outros, saber analisar a crise com clareza e, finalmente, pedir a Deus que nos dê juízo para orientar bem as nossas vidas".