Correio de Coimbra

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22 de julho de 2008

Padre José Salvador de Almeida: homenagem ao decano dos párocos da Diocese



Sessenta e três anos de serviço ininterrupto nas paróquias do arciprestado da Pampilhosa da Serra e vontade para continuar enquanto Deus lhe der forças para tanto – é este o percurso sacerdotal do Padre José Salvador de Almeida que, no passado domingo, no Cabril, se viu rodeado pelos seus paroquianos e por muitos amigos que ali se deslocaram para lhe dizer um grato bem-haja.
Aproveitando a ocasião de se completarem, em breve, cinquenta anos de presença nas paróquias do Cabril e Vidual, um grupo de gente reconhecida com o presidente da Junta à frente, resolveu organizar uma manifestação de simples, mas altamente justa homenagem ao senhor Padre Salvador, como carinhosamente é tratado por todas as pessoas do concelho.
O Bispo da Diocese, D. Albino Cleto, não quis deixar de estar presente, presidindo à missa de acção de graças, cuja homilia, pôs em relevo as qualidades humanas e sacerdotais do homenageado. Presente também D. Eurico Nogueira, colega de curso no Seminário de Coimbra, que recordou alguns episódios do tempo em que se os seminaristas do concelho enchiam um autocarro quando, no final das férias, regressavam para um novo ano lectivo.
Presentes igualmente os padres que trabalham no arciprestado, alguns da região pastoral e outros naturais do concelho ou a ele ligados por antigo trabalho pastoral. Presentes ainda muitos paroquianos de Cabril, do Vidual, de Janeiro de baixo, da Pampilhosa e das paróquias vizinhas. Todos reunidos com o objectivo de manifestarem a sua admiração e o seu reconhecimento a este homem bom e cordial, a este padre apostólico que, com a sua simplicidade, soube, ao longo dos anos, conquistar a simpatia e a amizade de todos.
Depois de receber algumas ofertas, de que se destaca uma salva de prata gravada com a data da efeméride, o Padre Salvador agradeceu o gesto de que era alvo, dizendo que "de todos as dádivas que me foram feitas as que mais apreciei foram, primeiro o rescrito de bênção enviado pelo Santo padre Bento XVI, e depois o carinho que sinto que as pessoas têm pelo seu pároco.



63 anos de serviço
em várias paróquias



Ainda em jeito de agradecimento, o Padre Salvador revisitou os lugares e as pessoas, sobretudo os colegas, que encontrou ao longo do seu ministério paroquial.
Nascido no lugar de Pescanseco (Pampilhosa da Serra) a 18 de Outubro de 1921, foi baptizado, como recordou, a 6 de Novembro seguinte pelo Padre José da Silva Álvaro. Recordou igualmente o padre Aníbal Pacheco, que o encaminhou para o Seminário, e os colegas da sua terra: Urbano Duarte, António Maria Domingues e Hermano de Almeida.
Ordenado sacerdote a 29 de Junho de 1945, logo foi nomeado pároco de Amoreira, de onde transitou, em 1948 para Janeiro de Baixo. Em 1956 foi nomeado pároco de Alvares, de onde, passados três anos, foi transferido para o Cabril e Vidual, onde se encontra há quase meio século. Entretanto foi igualmente nomeado pároco de Fajão e, mais tarde, de Janeiro de Baixo, cuja paroquialidade ainda mantém e onde é estimado por todos.
O "Correio", que esteve presente nesta homenagem através do seu director, que, como afirmou "teve a graça de receber o baptismo das mãos do Padre Salvador", e que é seu admirador indefectível, renova um forte abraço a este sacerdote exemplar que, há sessenta e três anos percorre os difíceis caminhos da serra, sempre com um sorriso nos lábios e uma palavra de afecto para todos os que estão entregues ao seu zelo pastoral.
Obrigado pelo seu exemplo, Padre Salvador!

Figueira da Foz: agrupamento de escuteiros das Alhadas


O Agrupamento em iniciação de escuteiros nas Alhadas teve o seu início em 19 de Dezembro de 2007, começando as actividades com 27 aspirantes a escuteiros, de idades compreendidas entre os 6 e os 18 anos. Número este que já ascendeu para 41 elementos e foram estes escuteiros que agora realizaram a cerimónia das promessas em missa campal, no largo das festas de S. Pedro.
Foram 15 lobitos, 13 exploradores, 12 pioneiros e uma caminheira que ganharam o seu lenço. Cerimónia com significado muito especial, pois foram as primeiras promessas realizadas no agrupamento.
Estiveram presentes, em representação do CNE, os chefes Victor Fernandes e Octávio Neves, da Junta Regional de Coimbra, o vereador Lídio Lopes, pela Câmara Municipal da Figueira da Foz, Jorge Oliveira, presidente da Junta de Freguesia de Alhadas, tendo estado representadas também as colectividades locais, assim como alguns agrupamentos da região.
Para além do apoio sempre muito importante dos pais, o agrupamento faz questão de endereçar um agradecimento especial ao agrupamento 1321/CNE Vila Verde, pela ajuda e disponibilidade sempre manifestada.

Miranda do Corvo: Padre Pedro na toponímia da vila


O nome do padre António Pedro dos Santos, falecido no dia 13 de Julho nos Hospitais da Universidade de Coimbra, com 82 anos, vai figurar na toponímia de Miranda do Corvo, conforme deliberação tomada no dia 16 de Julho pela Câmara Municipal.
O Padre Pedro dos Santos era pároco de Semide, Rio de Vide e reitor do Santuário do Divino Senhor Serra e um "homem que entregou muito da sua força à defesa do restauro do Mosteiro de Semide para que este importante monumento não caísse em ruína".
Era um homem que lutava por ideais e pela sua intensa fé religiosa. Foi também um grande pedagogo de ensino", refere a proposta, votada por unanimidade pela vereação.

Tempos de mudança


Não é novidade para ninguém que vivemos tempos de mudanças profundas. Tão profundas, tão rápidas e tão radicais que quase não damos por elas. É como se estivéssemos no "olho do furacão", aparentemente parado mas com tudo à sua volta em caótica agitação.
Mas nós, enquanto cidadãos e enquanto cristãos, não podemos ficar indiferentes a tal situação. A recente Carta Pastoral do Cardeal Patriarca (18.Maio) abre com um conjunto de observações que bem podem servir de regras que podem pautar a nossa conduta neste tempo de mudanças. De um modo muito simples enumeraria algumas delas:
- "a Igreja, para continuar a ser fiel à sua missão de enviada ao mundo, precisa de mudar, de se adaptar às exigências dessa missão. O desafio à mudança aparece como exigência da fidelidade da Igreja: o pôr-se em dia para a missão tornou-se a palavra de ordem" (2);
- "a Igreja não muda porque o mundo muda; a Igreja muda para poder ser mensageira da esperança num mundo em mudança. Este não lhe é indiferente, pode mesmo sugerir-lhe, no ritmo alucinante da aventura humana, sinais para a adaptação da Igreja à sua missão (3);
- a Igreja precisa de estar atenta às mudanças dentro dela própria, sugerida pela sua missão no mundo, não para copiar as mudanças do mundo, que, por vezes tem mesmo de denunciá-las, mas por causa da sua verdade interna e do imperativo da sua missão" (3);
- a Igreja na realização da sua missão no mundo através de lutas frontais com poderes estabelecidos da sociedade, até porque tais reacções não estão isentas do que resta de uma lógica de poder na sociedade. Ela não pode cruzar os braços e renunciar à sua mensagem, mas deve fazê-lo por outro caminho: o da fidelidade interna a Jesus Cristo e ao Seu Evangelho e o do serviço à sociedade, à pessoa humana. A autenticidade do seu serviço à humanidade deve impor-se por si, e não por mera lógica de poder (4).
Este é um verdadeiro programa de pastoral e de evangelização. São pressupostos que as comunidades e os cristãos têm de assumir nestes tempos fortes de mudança. Mas exigem uma reconversão de métodos e de estilos de vida, um olhar novo sobre a realidade da Igreja e da sociedade.
O problema grave a exigir solução imediata é se as comunidades cristãs e os seus membros estarão disponíveis para as necessárias transformações e capazes de assumirem um novo sentido da vida, individual e colectiva, que decorre do encontro com a Pessoa de Jesus Cristo.
É que, infelizmente, os cristãos, na sua grande maioria, foram buscar a "chave da interpretação da vida e da história na mudança da sociedade e não no Evangelho e na fé como fonte de uma compreensão global da existência" (4). E as consequências foram inevitáveis: progressiva ruptura entre a fé em que se acredita e o estilo de vida que se pratica; incapacidade de fazer uma leitura teológica e profética dos sinais dos tempos; perda de espaço da Igreja na sociedade como fonte inspiradora de valores da humanidade.
Esta conversão dos cristãos aos critérios do mundo em detrimento do Evangelho têm causas que devem ser analisadas e combatidas na sua raiz, sob pena desta "via sacra" continuar. Apontaria duas ou três, que, no fundo, se resumem a uma única: analfabetismo religioso.
Poucos são os cristãos que lêem a Bíblia. Menos os que a meditam e procuram tirar dela os ensinamentos perenes que devem nortear a nossa vida. Quem aprofunda a Pessoa de Jesus Cristo e a sua mensagem libertadora? Como se põe em prática as palavras de Bento XVI de que "no início do ser cristão, não há uma decisão ética ou uma grande ideia, mas o encontro com um acontecimento, com uma Pessoa que dá à vida um novo horizonte e, desta forma, o rumo decisivo" (DCE 1)? Quem procura perceber "esta medida alta da vida cristã comum" (NMI 31) que são as Bem-aventuranças?
Quantos cristãos leram e meditaram os documentos do Concílio Vaticano II, a "Carta magna" da Igreja nos tempos actuais? Quantos leram, meditaram e procuram pôr em prática os ensinamentos da doutrina social da Igreja que propõe as consequências directas da mensagem cristã "na vida da sociedade e enquadra o trabalho diário e as lutas pela justiça no testemunho de Cristo Salvador" (CA 5)? E quem os ajuda a fazer esta leitura, esta meditação, este aprofundamento da fé e a sua aplicação pública concreta?
Armados com este analfabetismo, os cristãos perdem a sua identidade e tornam-se incapazes de testemunhar este património de valores humanizadores e humanizantes que tanto marcaram os primeiros séculos da Igreja. E nós estamos muito mais perto do que imaginamos das condições degradantes que levaram à queda do império romano!
Sem identidade, não há mudança de vida, que torne os cristãos diferentes do cidadão comum: hedonista, consumista, insolidário, ignorando o bem comum, marginalizando os excluídos da sociedade. É como se a sociedade "convertesse" os cristãos em vez de serem os cristãos a "converter" a sociedade.
E esta é a maior traição que podíamos fazer a Jesus Cristo e ao seu Evangelho.

José Dias da Silva

Morreu o Padre Pedro!


A doença não perdoou e o Padre Pedro dos Santos partiu para o lugar que se desprendeu da sua voz, durante mais de três décadas: a vida eterna.
Escrevemos este texto amargurados e tristes com o desaparecimento de um homem que soube entender a sua missão de sacerdote e prodigalizar com a sua acção, as suas atitudes e as suas palavras, as virtudes que herdou da família, que aprofundou no seminário e que exerceu na Terra. Um padre energético, de uma actividade invulgar, um pedagogo exemplar, um homem de cultura, um pai com muito filhos e um pastor de muitas e muitas almas. Um homem que venceu os mais diferentes e difíceis momentos que o atingiram, que ultrapassou as angústias e os infortúnios, e que ofereceu, em troca, o amor, partilhou a paz e foi obediente na grandeza dos homens que se entregam a causas nobres e respeitam e vencem as adversidades que lhe procuram abalar as fímbrias mais íntimas do seu ser.
O Padre Pedro cumpriu uma missão difícil e ganhou as batalhas que teve de enfrentar. Militar/capelão em Angola, professor nos seminários da Figueira da Foz e Coimbra, director do colégio de S. Teotónio, coadjutor do prior de Santa Cruz, pároco de Semide, Rio de Vide e Vila Nova, reitor do Santuário do Divino Senhor da Serra, humanista, lutador incansável nas causas de defesa e valorização do património cultural/religioso (recordemos as tarefas que desempenhou e os actos que praticou para salvaguarda, recuperação e divulgação do Convento de Semide e do Santuário do Senhor da Serra), cidadão possuidor de invulgar cultura (escrevia, falava e ensinava latim, filosofia, história, teologia e francês, com mestria), docente estimado, cronista e arauto de elevada fé, corajoso e dedicado em extremo nas obras que idealizava e nas iniciativas que organizava.
Recordemos a Via-Sacra da Semana Santa, o apoio aos jovens, a salvaguarda da herança cultural, a revitalização da honra e da memória das freiras do Convento de Semide, a força e determinação com que impediu a ocupação abusiva do Colégio de São Teotónio, a campanha desenvolvida em favor do ensino particular e dos colégios de raiz católica, bem como a frontalidade dos seus discursos na hora e no lugar próprio, acompanhados do dinamismo que imprimia aos valores do homem e de Deus.
Conhecemos, trabalhámos e convivemos durante anos com o Padre Pedro dos Santos. Recebeu-nos, algumas vezes, na sua casa em Lobazes, demos aulas no colégio que dirigiu durante 25 anos, ajudámo-lo a criar a Associação de Pais e comungámos das suas alegrias e dos dias menos bons. Fomos confidentes em horas de amargura e em dias de júbilo. Sempre optimista, mas também apto a usar a firmeza e a justiça nos casos e nos momentos adequados.
Partiu a trabalhar, a cumprir a sua missão evangélica e humanística. Desprendeu--se da vida terrena. Goza, agora, as delícias da vida eterna, aquela vida que tanto apregoou, que o sustentou ao longo da sua existência, e que o encaminhou para a ser padre. Paz à sua alma.

Mário Nunes

Inventariação da Paróquia de Quiaios


A 11 deste mês, ficou concluída a inventariação da paróquia de Quiaios, realizada com a constante presença do pároco, Padre Carlos Augusto Noronha Lopes, e do senhor Armando Ferreira Redentor, a qual contabiliza um total de 97 fichas, bem como um elevado número de fotografias, inerentes ao espólio artístico-cultural da igreja matriz e das capelas.
Esta porção territorial – apesar de participar do remoto povoamento pré-histórico, comum às cercanias da serra da Boa Viagem, que entesta, num assinalável realce da cultura dolménica e da castreja – está exemplarmente documentada no segundo mais antigo diploma referente ao actual espaço português, um pergaminho autógrafo, consignado em escrita visigótica cursiva e datado de 21/22 de Fevereiro de 897, proveniente do mosteiro de Pedroso e atinente à fundação da várias igrejas, de entre Douro e Vouga.
Incluindo várias outras, até à bacia do Mondego, elencadas a fim de constituírem, também, um auto de partilhas, aí vem mencionado:de uilla quiaios IIIIª integra cum aiuncionibus suis et mediedate (sic)de eclesia uocabulo sancti mamete que in ipsa uilla fundata est (P. M.H., Diplomata et Chartae, XII).
Ora, o sentido territorial da exploração agrária, primitiva, é, logo, designado pelo topónimo, de remota origem, obscuro no sentido e caso raro de vocábulos com cinco vogais seguidas. Além disso, a explícita referência à já edificada igreja própria, cujo nome do orago figura, São Mamede, traduz a recuada implantação de uma considerável comunidade cristã, por certo ali estabelecida desde que, há vinte anos antes, Afonso III, de Leão, procedera à reconquista do vasto distrito conimbricense, até então dominado pelos muçulmanos.
Um outro dado, bastante significativo, provém do titular, martirizado ao tempo do imperador Aureliano (170-175), em Cesareia da Capadócia, e detentor de culto muito antigo, na Península, o qual consta nos calendários moçárabes, com festa litúrgica em 16 de Julho, ou 7 de Agosto, consoante as duas principais tradições, e deveras ligado à pastorícia que, juntamente com os intensos trabalhos agrícolas, alguma pesca e a exploração do sal marinho, justifica o poliedro de actividades praticadas naquela circunscrição dominial.
Bem claro aparece o historial da sobredita villa rústica, pertencente ao grande barão portucalense Gondesindo, ou, Gosendo Eris, casado com Dona Enderquina Mendes (Pala, por alcunha), aparentada com a casa reinante de Leão, por ser filha do célebre conde, ou dux, Mem Guterres e de Dona Ermesinda, irmã da rainha Dona Elvira.
Com efeito, só em 878 é que o território de Coimbra e Montemor foi conquistado aos mouros, por Ermenegildo Mendes, filho de Mem Guterres, sendo, assim, possível que este tivesse tomado de presúria, após o aludido feito, a villa Quiaios, da qual, depois, passasse, pelo menos, parte à filha, Dona Enderquina Mendes, ou Dona Pala.
De facto, já em 897, há muito havia falecido tal rica –dona; o viúvo, Dom Gosendo Eris fizera partição com o filho e filhas do casal, cabendo Quiaios, ao que parece, à filha Adosinda, que veio a ser tomada por um certo Ansur, isto é: raptada e rouçada (como se dizia) sine mea iussione, declara o próprio pai. Talvez, por isso, na faculdade conhecida do Código Visigótico, o pai viesse a deserdá-la, visto serem inexistentes os descendentes havidos do raptor, que morrera cedo, pois, antes da data deste diploma, Gosendo Eris deixava, ao mosteiro de São Cristovão de Sanguinhedo, na terra de Santa Maria – por ele fundado, por motivo dos receios da ira divina, que julgava ter-lhe sido manifestada, como aviso, no aleijão com que nascera a filha Froílhe, ou Froili – de uilla quiaios IIIIª integra cum aiuncionibus suis, quer dizer: a quarta parte da villa de Quiaios.
Faz sentido esta particularização, porquanto Gosendo Eris e Dona Enderquina tiveram um filho (Soeiro) e três filhas (Adosinda, Ermesinda e Froílhe). Partindo meo ganato et meas uillas et mea criazom, talvez tivesse distribuído a villa de Quiaios, na eventualidade de ser dono de toda ela, pelos vários herdeiros, e a quarta que o mesmo detinha seria o quinhão de Dona Adosinda.
Graves danos terá sofrido a região, quando das campanhas de Almançor, a partir de Dezembro de 987, visto que a documentação do século XI a revela um tanto selvática, porém, o grande barão maiato, Dom Gonçalo Testamires, recuperou-a, em Outubro de 1084, tendo principiado o repovoamento, que só ganhara dimensão com a política organizativa do Alvazir Dom Sesnando, após Julho de 1064.
Há, no tempo deste notável governador de Coimbra, um considerável desenvolvimento de Quiaios, a ponto de Dona Teresa, mais tarde, querendo recompensar os serviços do intrometido amante, Fernando Peres de Trava, lha doara, com os castelos de Soure e de Santa Olaia, cujos senhorios perdera, no seguimento dos acontecimentos nacionais, de 1127-1128.
Já no mês de Novembro de 1134, Paio Guterres e mulher cedem, ao Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra, metade da vila de Quiaios, da qual vendem metade, por 150 morabitinos, doando a outra metade, pela remissão dos pecados.
Logo no decurso de 1143, a outra parcela estava em poder de Dom Afonso Henriques que, em Junho desse ano, doa a metade e toda a de Lavos, ao mesmo Mosteiro de Santa Cruz, com o respectivo eclesiástico. Isso foi o factor determinante dos direitos de padroado crúzio no local, onde permanecia construída ou reedificada a igreja de São Mamede que, respeitando o sentido devocional dos fiéis, mas, orientando-o convenientemente, a fizera passar da condição de igreja própria à de colação, ou, paroquial.
Manifestando plena solicitude pelo crescimento orgânico do Mosteiro, repetidamente presenteado com numerosas ofertas do primeiro soberano português, os documentos pontifícios surgem a confirmar as dádivas recebidas, entre as quais constam a villa e a igreja de Quiaios, sucessivamente incluídas nos textos das bulas Ad hoc universalis, de Lúcio II, de 30 de Abril de 1144, Apostolice sedis, de Eugénio III, de 9 de Setembro de 1148, Ad hoc universalis, de Adriano IV, de 8 de Agosto de 1157, e a do mesmo título, de Alexandre III, de 16 de Agosto de 1163.
No censual diocesano, de finais do século XIV, está listada e referida na categoria das que pagavam a colheita, o foro devido ao Bispo, na ocasião da visita pastoral, efectuada uma vez ao ano, prestado em géneros, ou, em moeda de metal nobre.
Pelos finais do século XVII, a sede paroquial deixou a velha matriz, situada no local do actual cemitério, vindo valorizar a planície do povoado, ao aproveitar uma qualificada ermida, para capela-mor, sendo a nave construída de raiz, recebendo a pia baptismal e o património tido anteriormente, identificativo da comunidade dos fiéis e acumulado a partir de então.
Qualificado, de maneira bastante sugestiva, realça obras escultóricas, em calcário, dos séculos XV ao XVII; de terracota e de madeira, seiscentistas e setecentistas; paramentos, pinturas e ourivesaria coevos à remodelação paroquial, complementada pelos exemplares de livro antigo, em missais de altar; e de variadíssimas peças, recentemente recebidas do Museu Santos Rocha, a cuja guarda haviam estado entregues e que, nesta oportunidade, foram devolvidas ao legítimo proprietário, a paróquia.
Realmente, tal facto é devido à singular acção do novo pároco – quer pela lucidez, quer pelo equilibrado sentido estético-celebrativo – que, de maneira ímpar, sabe incutir à liturgia comunitária, ao corpo de bem formados acólitos e ao requintado esmero concedido à Eucaristia e demais sacramentos, em que a distinta apresentação, a música e o canto, e o envolvente decorrer dos actos sagrados, vai criando verdadeiros ambientes de acolhimento integrado, de enlevo orante e de participação personalizada, nestes magníficos enquadramentos, vitalizantes e dignificadores, os autênticos modelos de uma aferida sensibilidade religiosa, prestigiante e promovedora da melhor pedagogia da fé.

José Eduardo Reis Coutinho

2º ENCONTRO DO MESF

O lema do MESF "Deus precisa de instrumentos que sejam ponte entre o céu e a terra!" (Pe Manuel Antunes – Fundador do Instituto Secular da Sagrada Família), é um chamamento a todos os Seguidores do Movimento de Espiritualidade da Sagrada Família a viverem e transmitirem com fidelidade e entusiasmo o carisma que Deus doou ao Movimento: conhecer, viver e irradiar o Amor de Deus a todas as famílias, tendo como modelo a Sagrada Família de Nazaré.
No passado dia 13 de Julho/08 o 2º Encontro de famílias, Seguidores do MESF, teve a participação de mais de uma centena de famílias (casais, jovens, adolescentes e crianças), provenientes de todas as Paróquias da Diocese de Coimbra onde o MESF está implantado com algumas famílias que procuram conhecer, viver e irradiar esta Espiritualidade, através da consagração da sua própria família e recebendo como modelo das suas vidas a Família de Nazaré.
O Encontro geral que abordou o tema: “A família, ontem, hoje e sempre, à luz de Jesus Cristo – os desafios que nos são lançados?”, foi apresentado por 3 famílias do MESF.
Além desta reflexão realizaram-se, durante o dia, várias actividades: momentos de oração, partilha, convivência fraterna, culminando com uma celebração Eucarística e uma celebração de Envio de novos Seguidores do MESF, presidida pelo Rev.do Padre Fernando Pascoal, assistente do ISSF e do MESF.
Foi um grande momento de formação para todos os participantes, aproveitando a beleza natural que envolve a Casa da Sagrada Família em Praia de Mira, que levou cada um dos participantes, a reflectirem em família, e a assumirem um compromisso que os ajudará no concreto da vida, a serem “mais família”, segundo o projecto de Deus.
O MESF, nascido a 21/01/2007, conta já com cerca de 500 famílias na Diocese de Coimbra e algumas noutras Dioceses vizinhas. O seu crescimento deve-se ao empenhamento dos seus Seguidores e Servidores que são testemunho que irradia junto de outras famílias.
“Salvemos a família e salvaremos o mundo”, este é o desejo que impulsiona cada família a viver e irradiar o ser e o viver da Sagrada Família, na alegria de se sentir instrumento de Deus entre o céu e a terra.
- Se desejas conhecer as linhas Orientadoras do MESF,
- Se sentes que é necessário fazer alguma coisa para salvar este nosso mundo,
- Se sentes que Deus precisa de ti e podes ser Seu instrumento,
Contacta:
mesfcoimbra@gmail.com

Estrela de Noronha

Testemunham alguns participantes:

“Testemunho da Família Nunes”
“O encontro do MESF de 13 de Julho, na Casa da Sagrada Família na Praia de Mira, desafiou-nos a servir mais o Senhor, nos irmãos em Cristo. Os Temas desenvolvidos foram um impulso à família e empenho no seu compromisso e sociedade”
Anabela e Tó (Ervedal)

“Testemunho da Família Lopes”
Foi com muita alegria que participamos neste 2º Encontro de Famílias do Mesf, na Praia de Mira, onde saímos mais enriquecidos e constatamos que a vida em família hoje, tal como no tempo dos nossos pais pode ser uma realidade neste tempo de mudança. A família e os seus valores apesar de se encontrarem em crise, ainda existe a semente que germinará, para no futuro não se pensar só no comodismo e individualismo, gerando uma sociedade sem valores cristãos.
A família cristã, hoje, assume um papel importante na sociedade, através do matrimónio e da sua missão na sociedade. Matrimónio que será símbolo de hospitalidade, acolhimento, perdão, integração, aceitação, equidade, abertura ao dom da vida, abertura a Deus, através da oração.
Louvamos a Deus, através da oração, louvamos a Deus, porque pelo matrimónio, sacramento do amor da unidade, se constituíram muitas famílias cristãs, verdadeiras igrejas domésticas.
A verdadeira família cristã, tem que preservar os ideais transmitidos pelos nossos pais e formadores, que nos abriram o caminho à fé e nos colocaram hoje como parte desta grande família que continua a crescer e que com a ajuda de Deus e da Sagrada Família de Nazaré, nos reúne e nos faz participar a dar o nosso testemunho deste percurso ainda pequenino junto de todos os que compõem este movimento (O MESF).
Elsa, Luís e Filhas (Coimbra)

“Testemunho da Família Caetano”

“FAMILIAS, ONTEM E HOJE”
… Como sabem, quem decide enveredar pelos Caminhos da Luz, encontra, constantemente, as “trevas”, e, como nós não somos excepção, durante a preparação do nosso tema havia sempre “algo” que nos impedia de o fazer. Mas, revestidos do Espírito Santo conseguimos preparar e apresentar, com as nossas limitações humanas, o que nos foi solicitado, nomeadamente as diferenças da Família de Ontem e da Família de Hoje.
Esta experiência foi, sobretudo, muito enriquecedora, tanto no compromisso da Fé como também no despertar e no alerta para as dificuldades que todas as Famílias têm.
Como sempre, quem dá a sua vida e o seu tempo ao Senhor, acaba por receber infindavelmente mais. O esforço, a entrega e o serviço a Deus, resultaram na renovação das nossas forças e ficámos felizes por ver tantas famílias no caminho do reino de Deus.
Saul, Sandra e meninos (Febres)

“Testemunho da Família Francisco”

“Oportunidades”
Na vida são-nos oferecidas muitas oportunidades. Devemos seleccioná-las criteriosamente e aproveitá-las.
Em 21 Janeiro de 2007, dissemos SIM ao Movimento de Espiritualidade da Sagrada Família (MESF).
Em 13 de Julho de 2008, 2º Encontro geral, foi dia de balanço. Resultado: O resultado é positivo.
Quando conseguimos colocar-nos ao serviço dos “irmãos” e do “Pai”, é grande a recompensa.
Louvado sejas Senhor.
Isaura e Álvaro (Miranda do Corvo)