Correio de Coimbra

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15 de janeiro de 2009

Há cada vez mais pessoas a recorrer à Cozinha Económica


A fome está a alastrar em Coimbra. Há cada vez mais pessoas a recorrer à “Cozinha Económica”, motivados pelo desemprego ou por outra determinada situação. Esta instituição é uma das respostas que, entre tantas outras carências constatadas, pretende dar de comer a quem tem fome. Diz quem sabe e quem diariamente convive com esta realidade que há mais gente a pedir ajuda, o equivalente a reconhecer que há muitas pessoas que não têm forma de se sustentar.
O cenário actual, marcado por graves problemas sociais, mostra a insuficiência do Estado para responder e suprir todas as carências. É face a esta realidade, de ser preciso agir para ajudar quem precisa, quanto mais não seja para matar a fome, que a sociedade civil é chamada a assumir a sua responsabilidade social e contribuir para ajudar a minorar as carências de muitos.
Falta pouco menos de meia hora para a Cozinha Económica abrir portas e já há gente à porta. O ritual repete-se duas vezes por dia, ao almoço e ao jantar, no n.º 7 do Terreiro Mendonça, um largo perdido no labirinto das ruas da baixa de Coimbra onde está instalado o refeitório social.
Embora a Cozinha Económica seja actualmente uma das valências da instituição particular de solidariedade social (IPSS) que inclui também um centro de dia e o apoio domiciliário, há muitos anos que esta obra, onde servem três irmãs da congregação das Criaditas dos Pobres, é o local onde muitos, mais que o desejado, têm uma refeição completa a troco de uma comparticipação. Mais do que simbólico, o preço tem o objectivo de salvaguardar a dignidade de cada um.
À porta daquele largo onde chegam cada vez mais pessoas – adultos, jovens e crianças – e daquela porta para dentro, a dignidade humana de cada um é valor intocável. “Ninguém deve ter de mendigar por um prato de comida. Pouco ou muito, cada um comparticipa na medida do possível a sua refeição”, sustenta a assistente social Ana Maria Cristovão, uma das responsáveis por esta obra.
A generalidade dos utentes do refeitório social são normalmente encaminhados por vários serviços da rede social, que identificam os casos de carência. Estes têm a sua refeição comparticipada enquanto que os restantes pagam na medida das suas possibilidades.
Para além da refeição, há uma outra vertente de apoio social que, trabalhando em rede com os responsáveis da Cozinha Económica, permite que os utentes sejam acompanhados por outras entidades e equipas multidisciplinares, com o objectivo de dar uma resposta adequada a cada caso.
Em azáfama constante, são servidos diariamente cerca de 300 almoços e 180 jantares. “As irmãs têm uma forma única de lidar com as pessoas”, afirma Ana Maria Cristóvão.
Ao longo de muitos anos, desde que a Cozinha Económica foi criada, em 1933, um sem número de rostos passaram por esta obra social onde a dedicação aos mais carenciados é o único propósito. A irmã Lucinda, encerra na memória e guarda no coração muitas estórias de vida, tantas, que dariam para encher por completo várias páginas de um livro. O seu testemunho, embora reservado, diz pouco do que lhe vai na alma e, no entanto, é claro no propósito das Criaditas dos Pobres: “A criadita está para servir, onde somos chamadas e onde é preciso. Bem gostaríamos de estar presentes em todas as situações, atender a todos os que precisam, ajudar todos os pobres, mas como sabemos que isso não é possível fazemos o que podemos”, confessa.
Para servir todos os que precisam, sem julgamento, sem distinção, depositando na confecção das refeições o amor e o carinho que nutrem por quem pouco ou nada têm, as três irmãs que servem na Cozinha Económica não reduzem às tarefas mundanas o seu serviço ao próximo. “Quando precisam e nos falam ou quando nós percebemos que precisam mas eles não dizem, somos a mãe, o pai, a irmã e o ombro amigo”, explica a irmã Lucinda.
A assistente social Ana Maria Cristovão sabe que só com um grande espírito de sacrifício e de solidariedade é possível suportar determinadas situações. E por isso, considera que “as irmãs são elementos fundamentais”. O respeito que os utentes lhes têm e um elevado espírito protector para com as Criaditas dos Pobre é o reconhecimento da prova de amor que as irmãs lhes dão diariamente.

Cozinha Económica dá de comer a quem tem fome
Os primeiros estatutos da Cozinha Económica datam de 1955. Mais recentemente, embora tenha surgido como obra social, houve uma passagem natural a IPSS, cuja direcção é actualmente presidida por Maria Emília Simões Soler. Apesar destas alterações formais, a assistente social Ana Maria Cristovão não tem dúvidas em afirmar que o lema e objectivo principal se mantêm. “Está fora de questão que alguém venha a esta casa e passe fome. Estamos aqui para suprir essa necessidade básica que todas as pessoas têm”, explica.
Uma refeição completa, com sopa, prato, pão e fruta custa ao utente 1,40 euros, um valor simbólico que só é possível graças à comparticipação do Estado, através da Segurança Social mas também, fruto da boa vontade e solidariedade de muitas empresas e particulares que, em géneros ou em dinheiro, contribuem para que o prato do refeitório social chegue cheio à mesa dos que mais precisam.
Aberta durante toda a semana, com refeições a serem servidas às 12h00 e às 18h30, a Cozinha Económica serve diariamente quase 500 refeições. Ao fim-de-semana, como já aconteceu, quando alguém bate à porta, apesar de não ser dia de almoço ou jantar, as Criaditas dos Pobres não têm coragem de manter do lado de fora alguém que tem fome. Excepcionalmente, do pouco que têm, muito vão partilhando.

Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos 2009


O tema deste ano para a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos é “Serão um só, na tua mão”. Durante esta semana, os cristãos de todo o mundo são chamados a rezarem pela unidade “para que estejam unidos na tua mão” (cf. Ex. 37,17). Ezequiel – cujo nome significa “Deus o faz forte” – foi chamado para restituir esperança ao seu povo, numa situação política e religiosa desesperada, que perdurou depois da queda e ocupação de Israel, com o exílio de grande parte do seu povo.
Com o objectivo de procurar a Unidade durante todo o ano, esta Semana de Oração é tradicionalmente celebrada de 18 a 25 de Janeiro, data proposta há 101 anos por Paulo Wattson e tem-se vindo a concretizar, particularmente na Diocese de Coimbra, por encontros e celebrações que reúnem a Igreja Presbiteriana e a Igreja Católica que integram a Comissão Ecuménica de Coimbra.
Os textos a considerar constituem como que um convite a procurar outras ocasiões, durante o ano, para exprimir o grau de comunhão que as igrejas já conseguiram, e orar juntamente para atingir a plena unidade desejada por Cristo. Os temas propostos para o Oitavário 2009 provêm da experiência das Igrejas na Coreia. Frente à divisão do seu país, as Igrejas procuraram inspiração no profeta Ezequiel, que também viveu num país tragicamente dividido e que desejava a unidade para o seu povo.
As vigílias, que contarão com os responsáveis da Igreja Católica e da Igreja Presbiteriana, terão lugar no dia 19 de Janeiro, pelas 21 horas na igreja de Santa Cruz, em Coimbra e no dia 21, na igreja Presbiteriana, no Bebedouro, concelho da Figueira da Foz.

Miguel Cotrim

14 de janeiro de 2009

Dia Provincial da Vocação Franciscana: 16 de Janeiro em Coimbra

Neste ano do 800º Centenário da Ordem Franciscana, terá lugar em Coimbra, no próximo dia 16 de Janeiro, dia dos Santos Mártires de Marrocos, Padroeiros da Província, a celebração do Dia Vocacional da Província, com os seguintes actos:

09H30 – Concentração (Fraternidade, na Rua Dr. Dias da Silva, 59)
10H00 – Laudes e Abraço Franciscano(com os Irmãos Conventuais em Santo António dos Olivais)
11H00 – Sessão de Evocação e Formação Permanente (Sede da Ordem Franciscana Secular)12H00 – Homenagem e Veneração das Relíquias dos Santos Mártires de Marrocos e Eucaristia da Vocação Franciscana (Igreja de Santa Cruz)
13H30 – Almoço e Partilha Fraterna (Sala própria de Restaurante a indicar)
15H00 – Visita guiada aos lugares franciscanos e Universidade de Coimbra
16H30 – Dedicação da Biblioteca Beato João Duns Escoto(Auditório da Fraternidade)
17H30 – Oração e Despedida (Capela da Fraternidade)

Semide: autarquia alerta para necessidade de obras no Mosteiro

Face à total inexistência de medidas que levem ao lançamento das obras da segunda fase da recuperação do Mosteiro de Semide, a autarquia de Miranda do Corvo voltou a alertar o Governo e a Presidência da República para o estado de degradação em que se encontra o edifício, classificado como monumento nacional.
Num ofício enviado no dia 7 de Janeiro, a presidente da Câmara, Fátima Ramos, considera que o “que se está a passar com este processo é uma autêntica vergonha para o Estado, que gastou dinheiro na primeira fase do restauro e que está sem qualquer utilidade».
A recuperação do mosteiro, que remonta ao século XII, foi alvo de um protocolo em 1999, entre o IEFP e a Direcção-Geral dos Monumentos Nacionais, numa cerimónia que juntou no edifício dois secretários de Estados.
Quase 10 anos depois da assinatura do protocolo, ainda só foi concluída a primeira de três fases da obra, que arrancou em 2003, com a consolidação e cobertura dos edifícios ardidos em 1964 e 1990, finalizada no primeiro trimestre de 2004.
De então para cá, falta concretizar a segunda e terceira etapa de um projecto ambicioso, que engloba a recuperação total dos imóveis, onde se inclui o claustro quinhentista, que ruiu parcialmente a 25 de Novembro de 2006, na sequência de uma noite de temporal.
A segunda fase de recuperação do Mosteiro de Semide estava prevista iniciar-se em 2006, mas um despacho emitido em 31 de Agosto desse ano, pela Direcção-Geral do Orçamento, adiou vários projectos de obras públicas na região.
Em Dezembro de 2007 foi publicada a portaria que deveria colocar um ponto final na questão burocrática, referindo a existência de um protocolo entre os ministérios das Finanças e do Trabalho e Segurança Social, com validade de dois anos, e a atribuição de uma verba de 2,5 milhões de euros, da qual 400 mil euros eram afectos ao ano de 2007.
Mais recentemente, em Junho, a presidente da Câmara de Miranda do Corvo afirma ter sido informada pelo ministro da Cultura, quando da apresentação da Concessão do Pinhal Interior Norte, “que iria ser contactado o Tribunal de Contas”, informando da publicação daquela portaria.”A Direcção Regional da Cultura informou a Câmara Municipal que uma vez que o processo de concurso já estava encerrado, deverá ser o Instituto de Habitação e Reabilitação Urbana (IHRU) a tratar”, refere Fátima Ramos no ofício, sublinhando que, apesar disso, o “IHRU não deu seguimento ao processo”.

Inventariação da Paróquia de Vila Seca

Por José Eduardo Reis Coutinho

A 14 deste mês, ficou completado o quanto faltava à plena inventariação da paróquia de Vila Seca, cuja tarefa inclui 54 novas fichas e a reportagem fotográfica de todo o património, sempre acompanhada pelo senhor Prior, o Padre Rolando dos Prazeres Simões, e pelo senhor Padre Amílcar dos Santos Neves.
Esta pequena circunscrição, decerto integrada na área influente de Conímbriga, da qual dista menos de duas léguas, deve ter tido habitantes, desde tempos recuados, sendo verosímil a designação composta que, na medievalidade, a circunstancia geograficamente, para nascente dos montes rochosos e colinas de Alcabideque, e desprovida dos extensos terrenos agrícolas, optimamente irrigados, neste fértil planalto da velha Condeixa, herdeira da civitas romana.
Isto tem perfeito enquadramento na panorâmica toponímica, datável da mesma periodização, exemplificada em Villa Sicca, denotando medievalismo, pré-nacional, através do termo arcaico villa, de sentido territorial, agrário e populacional, Alcouce – o arco -, e Balaus, maioritariamente de origem antiga, obscura, e de significação desconhecida, apesar de poderem provir de possíveis influências islamizadas, o que nada surpreende, nas cercanias de Coimbra, notável centro de moçarabismo, até finais do século XII.
Ocorre, pois, a suposição, consentânea com muitas outras situações similares, de os numerosos casais agrários serem, apenas, possuídos por gente do povo, facto suficiente para presumir que as respectivas fundações são devidas à população de povoadores locais, logo nos alvores da Nacionalidade, ou, em próximas épocas precedentes, até porque o próprio silêncio histórico, sobre tais aglomerados humanos, é, somente, devido à falta de documentação escrita, salvaguardada nos devidos cartórios senhoriais.
Um diferente horizonte surge acerca dos topónimos Bruscos e Ribaldo, porquanto traduzem indícios bem mais consistentes: este é o nome pessoal, medievo, de proveniência germânica e de uso corrente, até à centúria de Duzentos, e de manifesta ligação a Dom Rabaldo Afonso, importante autoridade dos tempos sesnandinos, henriquinos e, também, teresianos, da região conimbricense, o qual teve, nestas paragens e na zona periférica de Coimbra, principalmente, assinaladas possessões territoriais, sendo crível que dele descenda a estirpe medieva dos de Bruscos, algumas vezes mencionada nas Inquirições e nos enunciados linhagísticos, do mesmo século XIII, como aparece acerca de Dona Sancha Pais de Bruscos.
Basta lembrar a carta de venda, que Dom Afonso Henriques e a Rainha Dona Mafalda fizeram, em 25 de Outubro de 1147, de bens situados em Podentes, delimitados inter penela et inter miranda et inter bruscos et ladeia, quomodo diuidit (…) cum bruscos (ANTT, Documentos de Santa Cruz), ao alcaide de Coimbra, Dom Rodrigo Pais, pelos bons serviços recebidos, et uxori uestre eluire rabaldiz, facto que admite terem os compradores já, pelas vizinhanças, propriedades herdadas da rica-dona, indubitavelmente filha do referido magnate, que decidiram ampliar, pelo preço de 150 morabitinos, e ficaram vinculados na toponímia, secularmente respeitada.
Com a albergaria, lá existente, teria havido igual origem, no mesmo tronco familiar, visto tais instituições traduzirem atitudes piedosas da classe nobilitada, alto-medieval. O ter surgido adstrita à igreja, pelo homónimo título de São Pedro e pelas obrigações inerentes ao imóvel religioso, pode sugerir a causa eficiente da fixação humana, bem assim de várias garantias locais, como deter rendas suficientes para reparações do templo, socorrer os moradores pobres e os transeuntes, munidos de carta de guia, como constava nos finais do século XIX.
De facto, a sobrevivência, quase milenar, dessa fundação só fora possível a partir de uma substancial dotação e, isto, através da elevada importância dos instituidores, os quais, novamente, reaparecem presumidos no alto rendimento do valor de 150 libras, em que a igreja – de Bruscos – estava taxada, em 1321, e por ser, no século XVIII, priorado da apresentação da Sé de Coimbra que, em Janeiro de 1133, recebera benefícios de Álvaro Rabaldes, por prejuízos causados (Livro Preto, doc.440).
Felizmente, a componente patrimonial, ainda conservada, reporta boa imaginária, dos séculos XIV a XVI, em calcário; quatrocentistas, em madeira; azulejos hispano-árabes e barrocos; paramentaria, de Seiscentos; lambris azulejares, esculturas, talha, pratas, metais e livro antigo, setecentistas; vários utensílios, destas características estéticas; e materiais avulsos, informadores de preferências adoptadas, na sucessão das gerações crentes, acerca do embelezamento dos locais de culto, dos destaques devocionais e do fervor deposto na perenidade da veneração prestada aos santos e aos mártires, com evidente realce da centralidade cristológica.

A Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos e para todo o ano

«Eles serão unidos na tua mão» (Ez 37, 17)

Por Manuel Augusto Rodrigues

Mais uma vez se vai realizar de 18 a 25 do corrente a Semana da Unidade dos Cristãos. Estas datas foram propostas em 1908 por Paul Wattson de forma a cobrir o período que decorre entre a festa de S. Pedro e a de S. Paulo, o que tem um significado simbólico, ainda maior quando se celebra o ano paulino.
O tema geral escolhido para este ano foi extraído do livro de Ezequiel onde se lê: «Eles serão unidos na tua mão» que aparece em 31, 17, devendo contudo enquadrá-lo no seu contexto, tendo em especial atenção os vv. 15-28.
O Conselho Pontifício para a promoção da Unidade dos Cristãos e a Comissão Fé e Constituição do Conselho Ecuménico das Igrejas prepararam os textos à luz do projecto elaborado pelas Igrejas da Coreia, os quais seguimos de perto neste trabalho. Vale a pena lê-los atendendo à sua grande riqueza teológica, bíblica e litúrgica e também pelas valiosas considerações sobre problemas da actualidade.
Os textos desta Semana provêm da experiência das Igrejas da Coreia. As Igrejas procuraram face à divisão dos seus países a inspiração do profeta Ezequiel que viveu igualmente num país tragicamente dividido e aspirava à unidade para o seu povo. Ezequiel que era simultaneamente profeta e sacerdote foi chamado por Deus na idade de 30 anos e a sua actividade teve lugar de 594 a 571 a. C.
Foi bastante influenciado pelas reformas políticas e religiosas levadas a cabo pelo rei Josias em 621 a. C. Tentou restabelecer a lei e o verdadeiro culto do Deus de Israel. Tinha como objectivo eliminar a nefasta herança deixada pela precedente conquista de Judá pelos Assírios. Após a morte de Josias, seu filho, o rei Joaquim, prestou homenagem ao Egipto e o culto de muitos deuses espalhou-se por toda a parte. Os profetas ousando criticar Joaquim foram eliminados.
Depois da invasão e a destruição do templo em 587 a. C., entre os mais responsáveis do país contava-se Ezequiel e muitos foram capturados e deportados para Babilónia. Aí, Ezequiel, como Jeremias, criticou os «profetas» que suscitavam esperanças pouco realistas e, desse facto, endureceu a hostilidade e a rejeição de seus irmãos israelitas no exílio.
Apesar de tais sofrimentos, o amor de Ezequiel para com o seu povo não cessou de aumentar. Criticava os chefes que agiam contra os mandamentos de Deus e procurou levar o seu povo a Deus, pondo em destaque que Deus continua fiel à aliança que selara com o seu povo com o qual é solidário.
Ezequiel não esperava e proclamava uma mensagem de esperança: a renovação e a unidade do povo de Deus que Deus deseja acima de tudo e que poderia ser realizada.
Duas visões encorajaram o profeta nos seus esforços: a primeira é a do vale e dos ossos ressequidos que, pela acção do Espírito de Deus, retomam a vida (Ez 37, 1-14). Os textos da Semana da Unidade deste ano inspiram-se na segunda visão em que dois pedaços de madeira simbolizam os dois reinos em que Israel havia sido dividido. Os nomes das tribos de cada um dos dois reinos (2 das tribos do Norte e 10 ao Sul) são inscritos sobre esses pedaços de madeira que depois se aproximam de modo a formarem apenas um (Ez 37, 15-23). Ezequiel via a divisão como consequência do pecado e do afastamento de Deus. Formar de novo um só povo era possível com a condição da renúncia ao pecado e da conversão e de regresso a Deus. Mas em definitivo, é Deus que une o seu povo purificando-o, renovando-o e livrando-o das suas divisões.
Para Ezequiel, esta unidade não é uma simples renovação de grupos separados; trata-se sim de uma nova criação, do nascimento de um novo povo que devia ser um sinal de esperança para todos os povos e para a humanidade inteira. A esperança, a reconciliação e a unidade encontram-se onde Deus quer.
Num outro texto muito caro às Igrejas da Coreia, Apocalipse 21, 3-4, fala-se da purificação do povo de Deus que é chamado a incarnar a paz verdadeira, a reconciliação e a unidade: «Ele ficará com eles. Eles serão os seus povos e sucederá que Deus está com eles. Ele enxugará as lágrimas dos seus olhos. Não mais será a morte. Não haverá nem luto, nem grito, nem sofrimento». A unidade é um dom de Deus, mas necessitando a conversão e a renovação; a unidade entendida como nova criação e a esperança de que o povo de Deus possa finalmente ser um.
Aspectos em estudo para a Semana da Unidade reportam-se ao povo da Coreia, uma nação unida durante 5000 anos; ao Norte e o Sul: reconciliação e colaboração; à ultrapassagem dos conflitos e à divisão que causam obstáculo a unidade e à unificação; e à Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos no contexto do movimento ecuménico dos cristãos.
Eis os temas seleccionados para a celebração litúrgica dos oito dias da Semana Ecuménica (e para todo o ano). No primeiro dia, «As comunidades cristãs face às divisões antigas; no segundo, «Os cristãos face à guerra e à violência»; no terceiro, «Os cristãos face à injustiça económica e à pobreza»; no quarto, «Os cristãos face à crise ecológica»; no quinto, «Os cristãos face às descriminações e aos preconceitos sociais»; no sexto, «Os cristãos face à doença e ao sofrimento»; no sétimo, «Os cristãos face ao pluralismo religioso»; no oitavo, «Os cristãos proclamam a esperança num mundo dividido».
Estamos perante assuntos que, para além da sua dimensão religiosa, apontam para a resposta às prementes questões com que a humanidade hoje se confronta.

Velhice Abençoada

João Evangelista R. Jorge

Todos aspiram a chegar a essa idade com excepção de alguns doentes ou frustrados. E, uma vez lá chegados, que mundo de desilusões, de surpresas inesperadas, de angústias existenciais, de solidões!
Reconhecidos como adultos em pleno gozo dos seus direitos e deveres, os idosos (convém não usar a palavra velho, porque tem muitas conotações negativas) constituem uma categoria humana que se descobre na caminhada que vai da situação de Senhor à de Dependente. Esta categoria emparceira muitas vezes com a categoria dos pobres, dos abandonados ou angustiados, das crianças, das inutilidades (ou idades inúteis).
A comparação com a juventude, usada como expressão de simpatia ou de elogio para captar as graças dos idosos (Velhos) é um cumprimento enganador. Quando o velho precisa de imitar os jovens para valer, é sinal de que está mesmo velho. E quando o velho tem de reivindicar a sua autoridade e poder com um murro na mesa é sinal evidente de que já não se lhe reconhece essa autoridade. Entrou na categoria das pessoas idosas.
Poderá a velhice ser uma realidade humana abençoada?
Não pode deixar de ser, se a considerarmos um Dom de Deus, do Senhor da Vida. A longa vida não é mérito pessoal, Deus só precisará da colaboração das pessoas, na contenção de alguns naturais exageros no comer, no beber, no divertir-se e treino da cultura de hábitos virtuosos.
Tratando-se de um Dom de Deus a primeira reacção de quem tem a Fé e atingiu a idade avançada é dar graças a Deus e a segunda é assumir-se como pessoa idosa.
À luz duma velhice assumida, tudo adquire uma significação nova. A velhice torna-se tempo de avaliação e de acção de graças; tempo de rectificação de desvios; tempo de valorização do sofrimento como meio para atingir novos valores morais e espirituais e com eles a Sabedoria; tempo de distinguir o que é essencial à vida do que é acessório, o que é efémero e transitório do que é eterno.
A velhice não necessita ser comparada com a juventude para mostrar o que vale como reserva de sensatez, de equilíbrio nos juízos de valor, de criatividade no acerto em soluções para muitos problemas difíceis.
Longe vai o tempo em que a velhice era respeitada e aproveitada pela sua capacidade de aconselhar, de apaziguar, de moderar sonhos e utopias com a sua clara sabedoria dos tempos antigos. Não vamos cair no exagero de pensar repor as coisas como eram dantes, mas solicitamos o nosso direito de afirmar que partes da crise (ou crises) em que vivemos seriam menos penosas se se aproveitasse melhor o enorme potencial de energias e de saber de tantos velhos ainda válidos.
A Igreja Católica encontrou nos presbíteros (= mais velhos) e Bispos desde a sua origem a sua força e a sabedoria necessárias para bem servir a difusão da mensagem Cristã por todo o mundo. Ainda hoje os padres novos são integrados na ordem dos presbíteros, assim a missão que lhes é confiada, exige qualidades e méritos de pessoas idosas.
A sabedoria da velhice não é erudição é uma síntese da teoria e da prática, recolhidas ao longo da vida.
Velhice abençoada será por nos abrir os olhos e ajudar a descobrir a vacuidade de tantos sonhos da juventude, por nos acolher na sua penumbra onde se aperfeiçoam as sínteses da peregrinação vivida neste mundo e se enche a alma e o espírito de Vida Eterna.

Fé e Compromisso

Todos juntos venceremos

Por José Dias da Silva

Nestes últimos dias tenho lido e ouvido bastante sobre a crise. A conclusão, que tirei, é que ninguém, mesmo os “profetas do passado” (os que já tinha previsto tudo isto há muitos meses), sabe com razoável probabilidade o que vai acontecer: nem os governantes nem os outros; só que os governantes têm que decidir e aos outros basta mandar palpites.
No meio de tanta confusão de saberes e sobretudo de (não) propostas, encontrei na Liturgia de domingo passado duas passagens que bem podem servir-nos de guia. A primeira vem da boca de Pedro: “Deus não faz acepção de pessoas” (Act. 10,34). E eu até diria mais, Deus faz mesmo acepção de pessoas, mas numa descriminação positiva: os que mais necessitam têm prioridade na sua solicitude e amor. A segunda é a palavra de Javé: “(O meu servo) não quebrará a cana fendida nem apagará a torcida que ainda fumega; proclamará fielmente a justiça. Não desfalecerá nem descansará enquanto não estabelecer a justiça em toda a terra” (Is 42, 3-4). Isto é, vamos aproveitar tudo o que há de bom e está em dificuldades (“a cana fendida e a torcida que fumega”) e tudo fazer, sem desfalecimento nem descanso, até que a justiça seja praticada, de modo transparente e eficaz, a todos, especialmente aos que menos têm.
Estas duas boas regras, se cumpridas com transparência e rigor, ajudar-nos-ão certamente a superar a crise no respeito pela dignidade de todas as pessoas e de todos os grupos.
Aos governantes isto implica especial atenção aos que já viviam no pobreza e aos milhares de desempregados que irão escorregar para essa situação inaceitável. Reforçar ao máximo verbas para estes, que são os que irão viver a crise na sua plenitude. Uma ajuda seria pagar as dívidas às PME e não só abrir-lhes linhas de crédito. Não reter o dinheiro para os agricultores, mas exigindo-lhes projectos de modernização e rentabilidade mínima. Em qualquer dos casos, sempre com critérios rigorosos e transparentes e uma adequada vigilância. Apoiar os bancos parece necessário para suportar a economia, mas com regras claras e fiscalizações muito rigorosas para evitar tentações de desvios para proveito próprio e não para defesa dos clientes e da nossa confiança e credibilidade nacional e internacional. Não sei o que pode ser feito, mas é urgente moralizar as reformas escandalosas, que certos gestores se auto-atribuíram e agora estão a receber em vez de serem penalizados pela sua má gestão, bem como as de tanto funcionário público que se reformou com uma boa maquia mas agora está a ganhar bom dinheiro noutra actividade: em tempos de crise, ou uma ou outra; acumular é um insulto à justiça e aos que poderiam ocupar esses postos de trabalho.
Aos deputados exigimos uma real preocupação pelo bem comum. É lastimoso o que parece preocupá-los bem como a sua actuação. Para a semana poderá ser a monumental questão de saber se o orçamento é rectificativo ou suplementar. Nas semanas passadas foram, por exemplo, as votações atabalhoadas sobre o Estatuto dos Açores ou sobre a avaliação dos professores no activo, ignorando a situação bem mais dolorosa dos milhares de professores desempregados!
Crítica severa merecem alguns dos empresários do “Compromisso Portugal”, que defendia que os centros de decisão deviam ficar no país: mal lhes cheirou a dinheiro, venderam logo aos estrangeiros. E já agora recordo aos investidores as palavras de João Paulo II: “A opção de investir num lugar em vez de outro, neste sector produtivo e não naquele, é sempre uma escolha moral e cultural. Postas certas condições económicas e de estabilidade política absolutamente imprescindíveis, a decisão de investir, isto é, de oferecer a um povo a ocasião de valorizar o próprio trabalho, é determinada também por um atitude de solidariedade” (CA 36).
Há que obrigar as chefias intermédias, a todos níveis, a cumprirem a sua função e a valorizarem com transparência os seus serviços. Por exemplo, segundo informações de vários amigos, há instituições onde a avaliação (e não estou a falar dos professores) foi feita ou dando bom a todos ou dando excelentes às secretárias dos directores, mesmo quando eram reconhecidamente pouco eficientes. Nestes casos o medo, como já tenho referido, impediu os prejudicados de reclamar, utilizando os mecanismos que a lei lhes confere!
As classes médias terão de aprender a viver com menos vícios e de modo mais frugal. Certamente que se o fizerem diminuirão muito o risco de deslizar para a pobreza.
Tudo isto para dizer que a superação da crise tem de implicar um esforço de todos, incluindo os pequenos gestos dos cidadãos, que por pequenos que sejam, são sempre multiplicados por milhões: apoiar as instituições de ajuda aos mais carenciados, em dinheiro, géneros e tempo; limitar a economia paralela, exigindo sempre facturas por qualquer serviço (quase ninguém, incluindo eu, tem a cultura cívica que impeça esta atitude contrária à boa cidadania); não fugir ao pagamento dos impostos, sobretudo da parte dos profissionais liberais; gastar de modo realista e dentro das respectivas possibilidades; poupar sobretudo na energia, na água, nos combustíveis; lutar contra todas as formas de corrupção, cunha e compadrio.
Vamos deixar de atirar as culpas para os outros. Todos em conjunto, sem descanso nem desânimos, vamos vencer a crise. Até porque todos somos culpados.

13 de janeiro de 2009

D. Albino convida a Diocese a participar na celebração nacional do Ano Paulino



D. Albino Cleto, Bispo de Coimbra convida toda a diocese a participar na celebração nacional do Ano Paulino, marcada para Fátima, nos dias 24 e 25 de Janeiro. O momento alto das celebrações será, no dia 25, com a celebração da Eucaristia, às 11 horas, no recinto de oração do Santuário de Fátima. Foi convidado a presidir D. Antoine Audo, bispo sírio.
Trata-se de uma iniciativa da Conferência Episcopal Portuguesa e que terá como lema "Para mim viver é Cristo" (Fl 1,21).
O Bispo de Coimbra exorta as paróquias, movimentos e outros grupos e comunidades cristãs para participarem nesta evocação do bimilenário do nascimento do apóstolo Paulo.
Por ocasião do Ano Jubilar dedicado ao Apóstolo Paulo, nos 2000 anos do seu nascimento, a Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) publicou uma nota pastoral intitulada "Ano Paulino, uma proposta pastoral", na qual assinalam que a Igreja de hoje "tem dificuldade em anunciar Jesus Cristo a uma sociedade cada vez mais secularizada".
Numa reflexão sobre a "corresponsabilidade dos cristãos na missão da Igreja", a CEP afirma que "a importância e especificidade do ministério ordenado não pode significar a clericalização da Igreja". O documento lembra o trabalho do Apóstolo na "nova fronteira da evangelização", frisando que "este alargar do horizonte do anúncio do Evangelho é o desafio feito à Igreja por João Paulo II, lançando-a para uma nova evangelização".
Para os Bispos, as sociedades actuais "estão profundamente marcadas pelo hedonismo e pelo materialismo, reduzindo o problema de Deus ao arbítrio e à decisão humana, fiel a ritos, mas incapaz de reconhecer o Deus vivo e transcendente".
"A Igreja também hoje corre o risco de limitar o anúncio de Jesus Cristo àqueles que continuam no seu redil, compreendem a sua linguagem e conhecem as suas leis", alerta a CEP.
Destacando a "fidelidade de Paulo a Jesus Cristo", os Bispos portugueses falam de "caminhos de conversão para todos os evangelizadores, também eles chamados a deixarem-se possuir por Jesus Cristo para poderem anunciar o Seu Evangelho.
A nota justifica esta necessidade afirmando que "o alargamento do anúncio do Evangelho aos descrentes e aos que abandonaram a vida cristã, supõe evangelizadores com as características exigidas pela nova evangelização".
"No dizer de João Paulo II, esses evangelizadores têm de ser possuídos de um novo ardor, porque o seu testemunho é um primeiro anúncio de natureza querigmática. As Igrejas de Portugal necessitam de repensar estes dois elementos da nova evangelização", pode ler-se.
Para a CEP "é preciso identificar, preparar e enviar esses evangelizadores. Na pedagogia e nas atitudes a primeira evangelização é diferente da catequese. E muitas crianças, jovens e adultos que inserimos nas nossas catequeses organizadas, precisavam desse anúncio querigmático".
"O Ano Paulino oferece-nos estímulo para aperfeiçoar a nossa catequese e conceber a acção pastoral como um meio de aprofundar um processo contínuo de iniciação cristã", refere o documento.

Bispo sírio preside a celebração
D. Antoine Audo nasceu em Alep, na Síria, em 1946. Tendo entrado na Companhia de Jesus em 1969, foi ordenado Sacerdote, no rito caldeu, ao qual pertence, em 1979. Em 1992 foi ordenado Bispo na Síria, sendo actualmente Bispo na Diocese de Aleppo.
É também membro da Congregação para as Igrejas Orientais e do Conselho Pontifício para o Dialogo Inter religioso, em Roma.
De formação bíblica, de 1980 a 1990, foi professor de Sagrada Escritura no Líbano e fez parte de uma equipa que traduziu a Bíblia para a língua árabe.
Tem desenvolvido iniciativas de diálogo entre o Cristianismo e o Islão.

Semana de Formação Permanente do Clero


Vai decorrer de 26 a 29 de Janeiro, a Semana de Formação Permanente do Clero dedicada este ano à doutrina de S. Paulo. Assim no primeiro dia, D. Anacleto de Oliveira (Bispo Auxiliar de Lisboa) irá falar sobre o kerigma em S. Paulo e as suas incidências eclesiológicas. No dia 27, o Doutor José Maria de Miguel, Professor da Universidade Pontifícia de Salamanca profira uma palestra sobre "Paulo, forjador de uma espiritualidade de esperança". No dia 28, a Doutora Isabel Varanda, Professora da Universidade Católica de Braga abordará o tema "Morte e Ressurreição, ressonâncias paulinas". Por último, "A missão de S. Paulo e os seus desafios para uma pastoral na actualidade", será conferida pelo Doutor José Correia Vilar, Professor da Universidade Católica de Braga.

ACEGE: Basílio Simões aborda valores e desafios para um novo paradigma na gestão


O próximo encontro-debate do Núcleo da ACEGE de Coimbra está agendado para o dia 21 de Janeiro e terá lugar no salão da Sé Velha por volta das 20 horas. O Eng. Abílio Simões é professor na Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra e doutorado em Física Tecnológica, contando com uma experiência de 20 anos nas áreas da electrónica, telemetria e gestão remota, sistemas embutidos, processamento de sinais digitais e instrumentação. Prossegue assim o ciclo de debates com responsáveis de Empresas ou Instituições de reconhecido sucesso da responsabilidade do núcleo da Associação Cristã de Empresários e Gestores de Coimbra. Antes do encontro celebrar-se-á uma Eucaristia com início às 19,30 horas na qual deverão participar os associados. As inscrições deverão ser comunicadas até ao fim do dia 19 de Janeiro.

Secretariado Diocesano da Pastoral Juvenil promove peregrinação a Taizé


O Secretariado Diocesano da Pastoral Juvenil de Coimbra realiza uma peregrinação a Taizé de 21 de Fevereiro a 2 de Março. As inscrições são até ao dia 29 de Janeiro e o preço por participante é de 160 euros (com tudo incluído). Para mais informações poderão contactar o organismo através do 239 827926 ou por e-mail: info@sdpjcoimbra.net.

IV Net Paper SDPJ


Realiza-se no próximo dia 23 de Janeiro, pelas 21,30 horas o IV Net Paper. Para participar, basta ter uma conta no Messenger, adicionares o mail info@sdpjcoimbra.net e estar online. Os responsáveis por esta iniciativa prometem que vai si ser uma noite muito divertida e com a possibilidade de poder ganhar fabulosos prémios, como uma peregrinação a Taizé, um Topas 4.0, etc

IV Net Paper SDPJ


Realiza-se no próximo dia 23 de Janeiro, pelas 21,30 horas o IV Net Paper. Para participar, basta ter uma conta no Messenger, adicionares o mail info@sdpjcoimbra.net e estar online. Os responsáveis por esta iniciativa prometem que vai si ser uma noite muito divertida e com a possibilidade de poder ganhar fabulosos prémios, como uma peregrinação a Taizé, um Topas 4.0, etc

Seixo recorda visita dos Reis Magos



O tradicional Cortejo de Reis Magos, manifestação de raiz cristã que se realiza, no Seixo (Montemor-o-Velho), desde 1966, sem interrupção, foi encenado dia 11, no palco do Centro Cultural do Seixo, com a representação bíblica "O mistério do Natal".
"O primeiro Cortejo dos Reis Magos no Seixo realizou-se no dia 9 de Janeiro de 1966". Afirmação de Manuel Rama, um dos entusiastas desta iniciativa de raiz cristã, referindo que "foi uma criação do padre Manuel Pelino, hoje bispo de Santarém". Manuel Rama disse que "trata-se de um cortejo com características únicas no concelho" acrescentando que "ao longo do cortejo existem diversas encenações, retratando episódios com as principais personagens bíblicas, que culminam com a visita dos Reis Magos ao Menino Jesus".
Este ano, o Cortejo dos Reis Magos foi "trocado" por uma representação bíblica intitulada "O Mistério do Natal", com encenação no palco do Centro Cultural do Seixo. Não desvendando os motivos da alteração do "tradicional cortejo dos reis", Manuel Rama frisou que "o espírito cristão da iniciativa é o mesmo, representando as três dimensões de Cristo - realeza, divindade e humanidade".
Com sete encenações - Apresentação do Auto, Anunciação à Virgem, Anúncio aos pastores, a Estrela dos Reis Magos, na corte do Rei Herodes, Os Magos em Nazaré e o Natal do nosso tempo, - "O Mistério do Natal" foi corporizado por cerca de trinta intervenientes, dos quais a maioria são adolescentes que participam nas actividades da paróquia.
A festa natalícia, numa organização do Conselho Económico da Igreja Paroquial, com a colaboração do Grupo da Catequese, Grupo de Jovens e Grupo Coral, terminou com um Leilão de Oferendas ao Menino Jesus, cujo produto reverteu para a paróquia. Presenciaram esta encenação dezenas de espectadores, vislumbrando-se o vereador António Saltão, adjuntos da presidência, Abel Girão e Carlos Alberto Sousa.


Aldo Aveiro

Estudo encomendado pela Associação Académica



Frequentar a Universidade tem um custo de seiscentos euros por mês
Já todos sabemos que frequentar uma universidade não é (infelizmente) para todas as bolsas. Para além das propinas, há que fazer contas aos manuais, ao aluguer do quarto e a comida. Compreende-se a preocupação dos estudantes com todas estas despesas. Mas acabam por perdê-la quando um estudo encomendado pela AAC refere que cerca de 70 por cento dos inquiridos usam viatura própria na deslocação para as aulas!

Um estudante da Universidade de Coimbra gasta, em média, mais de cinco mil euros por ano, cerca de 600 euros por mês, segundo um estudo encomendado pela Associação Académica. "Estas conclusões não nos surpreendem, mas vêm provar que hoje o Ensino Superior não é para todos", disse o presidente da AAC, André Oliveira. O dirigente referiu que "diariamente procuram a AAC estudantes com situações preocupantes" por falta de meios para fazer face às despesas.
Segundo o estudo, o estudante--tipo da UC é de fora de Coimbra (70,4%) e não usufrui de apoio social (72,2%), deslocando-se a casa, em média, três vezes por ano. Os maiores gastos são com habitação - 200 euros mensais (incluindo gás, água e luz) - e propinas: cerca de 110 euros.
Quanto às despesas com alimentação, os alunos frequentam as cantinas da UC uma vez por dia e gastam mais cerca de 90 euros mensais nas restantes refeições. Em fotocópias e livros, o montante médio despendido por ano ultrapassa os 260 euros, mas há quem gaste mais de 600 euros.
Dos estudantes deslocados, a maioria (48,4%) está alojada num quarto, mas uma percentagem considerável (32,8%) opta por apartamento.
Um dado curioso do estudo onde foram inquiridos mil estudantes num universo de 20 mil inscritos na UC, é que cerca de 70% do total usam viatura própria na deslocação para as aulas.

MC