Correio de Coimbra

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7 de dezembro de 2007

CICLO DE CONCERTOS CANTAR O NATAL

Dias 7, 8, 9, 15 e 16

O Ciclo de concertos CANTAR O NATAL, integrado no projecto que o Pelouro da Cultura promove, ao longo do ano, designado "Viver com a Cultura - Périplo pelas freguesias", decorre em diversas freguesias da área urbana e não urbana do concelho, na perspectiva de que a tradição dos cantares de natal seja anunciada por diferentes localidades, sobretudo, naquelas onde a fruição cultural é menos notória.
Os espectáculos são preenchidos por Grupos Corais ou por Grupos Folclóricos e Etnográficos da Região de Coimbra, com apresentação de repertórios que incidem em cânticos natalícios, de louvor e adoração ao menino Jesus, cantados durante a cerimónia do beijar do menino, ou alusivos à visita dos pastores, cânticos populares da tradição natalícia cristã - alguns deles do Cancioneiro Popular de Coimbra do séc. XIX - entoados nos dias antecedentes ao Natal, durante as Missas na quadra natalícia, ou aquando das visitas aos presépios.

Dia 7 [Sexta-feira]
Casa Municipal da Cultura
18h30
Coro da Capela da Universidade de Coimbra
Coro D. Pedro de Cristo


Dia 8 [Sábado]
Igreja da Graça
21h00
Grupo de Danças e Cantares Viver com Alegria
Rancho Folclórico e Etnográfico da Associação Recreativa da Cova do Ouro e Serra da Rocha
Rancho Folclórico Moleirinhas de Casconha
Rancho Típico Estrelas do Cabouco

Dia 9 [Domingo]
Igreja Matriz da Pedrulha
17h00
Grupo Etnográfico da Casa do Pessoal dos Hospitais da Universidade de Coimbra
Grupo Folclórico e Etnográfico do Brinca - Eiras
Grupo Etnográfico da Casa do Povo de Souselas


Dia 15 [Sábado]
Igreja de S. José
20h00
Grupo Folclórico da Casa do Pessoal da Universidade de Coimbra
Grupo Etnográfico Cantares e Danças de Assafarge
Grupo Etnográfico da Região de Coimbra
Grupo Folclórico e Etnográfico do Brinca—Eiras
Grupo Folclórico de Coimbra


Dia 15 [Sábado]

Igreja Matriz de Cernache
21h00
Coro Misto da Universidade de Coimbra


Dia 16 [Domingo]
Igreja de Santo António dos Olivais
21h00
Choral Poliphonico de Coimbra
Coro da Casa do Pessoal dos Hospitais da Universidade de Coimbra
Grupo Coral Vox Ætherea

Exposição de Presépios artesanais na Casa Municipal da Cultura


De 7 de Dezembro de 2007 a 6 de Janeiro de 2008

Numa organização do Departamento de Cultura da Autarquia, é inaugurada no próximo dia 7, às 18h00, na Galeria do Átrio da Casa Municipal da Cultura uma exposição de presépios artesanais, representações de inúmeros artesãos provenientes de diversas regiões de Norte a Sul do país, a título de exemplo, de Barcelos, Coimbra, Óbidos, Vila Nova de Poiares, Arraiolos, Canas de Senhorim, Fafe, Santarém, Vila do Conde, Sever do Vouga, Caldas da Rainha, Fundão, Arganil, Maia, Castelo Branco, Manteigas, Olhão, Marinha Grande, Lourinhã, Lousã, Mealhada, Lixa, Estremoz, Penacova, Molelos, Lafões, Monforte, S. Pedro do Corval e Açores.
Nesta exposição são apresentados mais de uma centena de Presépios da colecção da Autarquia, ofertados pelos mais prestigiados Artesãos nacionais como contrapartida pela sua participação na Feira de Artesanato de Coimbra 2007.
A exposição reúne, ainda, uma série de presépios concebidos pelos utentes da Associação Nacional de Apoio ao Idoso (ANAI) - IPSS, executados no âmbito do ateliê de cerâmica integrado na "Oficina do Idoso", projecto que tem vindo a desenvolver actividades promotoras da qualidade de vida dos idosos.
O escultor Luís Miguel Alenquer foi, também, convidado pela Autarquia a apresentar trabalhos sob a temática dos Presépios, executados utilizando o xisto, granito e madeira recorrendo, por vezes, também ao ferro.
Pretende-se, assim, enquadrar as diferentes sensibilidades artísticas artesanais com a forma como cada artesão perspectiva e constrói o presépio, em função dos materiais que utiliza. O resultado é uma grande diversidade de concepções representativas de várias regiões do país. As peças são, assim, concebidas utilizando-se várias técnicas artesanais de que resultam peças em cerâmica, tecido, linho e juta, vidro, registo, artefacto de madeira, couro, madeira e junco, tapeçaria, linho bordado, renda de bilros, salgueiro, chapa zincada, palha e prata.
O presépio é, talvez, uma das mais antigas formas de caracterização do Natal rivalizando, neste momento, com a árvore de Natal e com os presentes. A palavra presépio significa “um lugar onde se recolhe o gado; curral, estábulo”. Porém, esta também é a designação dada à representação artística do nascimento do Menino Jesus num estábulo, acompanhado pela Virgem Maria, S. José e uma vaca e um burro. Por vezes acrescenta-se outras figuras como pastores, ovelhas, anjos, os Reis Magos, entre outros.
A criação do cenário que hoje é conhecido como presépio deu-se no século XVI, altura em que surgiu o primeiro presépio criado num lar particular, em 1567, na casa da Duquesa de Amalfi, Constanza Piccolomini (Itália). No século XVIII, a recriação da cena do nascimento de Jesus estava completamente inserida nas tradições de Nápoles e da Península Ibérica (incluindo Portugal).
Os presépios portugueses constituem importantes obras de arte. Grandes barristas nacionais conciliam, de forma perfeita, o folclore português com as correntes estéticas. E não é nenhum exagero dizer que aqui foram feitos alguns dos mais belos presépios de todo o mundo, sendo de destacar os realizados pelos escultores e barristas Machado de Castro e António Ferreira, no século XVIII. Dos mais conhecidos presépios de Machado de Castro, destacam-se o da Igreja da Sé Patriarcal de Lisboa (1776) e o da Basílica da Estrela (1782). António Ferreira criou, também, importantes presépios, entre outros foi ele o escultor do enorme presépio da Igreja Madre de Deus, em Lisboa.
Os presépios têm uma presença constante em igrejas, conventos e lares particulares. Ainda hoje subsistem montados bons exemplares de presépios, como é o caso do da Igreja de S. José, o da Capela da Senhora do Monte e o da Igreja dos Mártires; desmontados ou apenas com figuras avulsas estão em vários museus, como o Museu da Arte Antiga e o Museu do Azulejo. No século XIX, o presépio começou a ser objecto da arte popular, caindo em desuso a criação de presépios monumentais.
Actualmente, o costume de armar o presépio, tanto em locais públicos como particulares, ainda se mantém em muitos países europeus. Contudo, com o surgimento da árvore da Natal, no século XX, os presépios ocupam, cada vez mais, um lugar secundário nas tradições natalícias.

Imediatamente a seguir à inauguração da exposição, actuam, às 18h30, na Sala Polivalente da Casa daCultura, o Coro D. Pedro de Cristo e o Coro da Capela da Universidade de Coimbra dando-se, assim, o arranque ao ciclo de concertos "Cantar o Natal" (Programa anexo), que o Departamento de Cultura da Autarquia promove na época natalícia, por diversas freguesias do concelho, e onde actuarão dezassete grupos da Região, entre Coros e Grupos Folclóricos e Etnográficos.

Beethoven em Concerto de Natal na Sé Velha

A Comissão da Fábrica da Sé Velha e a Turismo de Coimbra – E.M. abrem as portas da Sé Velha para o “Concerto Anúncio de Natal 2007”
Num tributo a Ludwig Van Beethoven, a Orquestra Filarmonia das Beiras, o Choral AEminium e o Coro Regina Coeli (Lisboa) actuam no próximo domingo, 9 de Dezembro, pelas 19h00, na Sé Velha.
Trata-se da segunda edição do “Concerto Anúncio de Natal”, uma iniciativa da Comissão da Fábrica da Sé Velha, que este ano promove o espectáculo em parceria com a Turismo de Coimbra – E.M..
Durante hora e meia, 150 músicos interpretarão a mais conhecida e popular obra de música erudita europeia. Com direcção de orquestra de António Vassalo Lourenço, são ainda de destacar as actuações da soprano Isabel Alcobia, da romena Liliana Bizineche (mezzo-soprano), do tenor Paulo Ferreira e de Jorge Vaz Carvalho (barítono).

A Nona Sinfonia, um das últimas obras compostas por Beethoven, foi apresentada pela primeira vez, no ano de 1824, em Viena. A partitura foi editada em 1826 pela Casa Schott, em Mainz.
Esta foi a primeira sinfonia da história a utilizar a voz humana, que figura no quarto andamento, com um coro e quatro solistas, sobre a poesia, modificada por Beethoven, do original Friedrich Shiller “Ode na dir Freude” (Ode à Alegria). Este andamento, assim como uma versão modificada do poema de Schiller, foi escolhido como Hino da União Europeia, pela síntese que faz de ideais clássicos ligados ao humanismo, fraternidade, liberdade e igualdade.

6 de dezembro de 2007

Natal anima a Baixa de Coimbra


Um Pai Natal gigante no cimo de uma chaminé vai ser a principal atracção das actividades promovidas pela Agência para a Promoção da Baixa de Coimbra (APBC). Esta estrutura, com cerca de seis metros, foi colocada na Praça 8 de Maio e foi concebida pela Escola Universitária das Artes de Coimbra (EUAC).
Segundo o presidente da APBC, a iniciativa visa “atrair um maior número de pessoas à baixa da cidade e, consequentemente, um maior número de consumidores”.
As comemorações englobam também uma exposição de presépios, em material reciclado, elaborados pelos alunos das escolas de Coimbra, patente de 15 de Dezembro a 6 de Janeiro na Liga dos Combatentes.
Um concerto de jazz e um desfile de figuras de um “Presépio Vivo”, no dia 22 de Dezembro, são algumas das restantes actividade levadas a cabo pela agência. O comércio da Baixa vai estar aberto em horário alargado aos sábados à tarde, domingos e feriados, até 31 de Dezembro.

Centro de Bem-Estar Infantil: o exemplo de bem-fazer


O Centro de Bem-Estar Infantil do Movimento dos Casais de Santa Maria, na Casa Branca, junto à PSP possui um novo parque infantil. Esta instituição tem sido um marco importante na defesa dos valores cristãos…Como gesto de reconhecimento, Carlos Encarnação decidiu “apadrinhar” este novo equipamento.


Representando um investimento que ronda os 38 mil euros, o novo parque infantil vai “servir” as 180 crianças que frequentam o Centro de Bem-Estar Infantil do Movimento dos Casais de Santa Maria.
Vestidas de Pais Natal, as crianças agradeceram ao autarca com canções desta quadra. E não era para menos, apesar da instituição ter levado a efeito diversas actividades com o objectivo de angariar verbas para este novo equipamento, (nomeadamente festas, colectas aos pais e empresários), se não tivesse sido a autarquia a comportar os custos, tal não teria sido possível. Há muito que os funcionários desta instituição sonhavam com este equipamento exterior para as suas crianças. O Centro de Bem-Estar Infantil é a única estrutura a nível nacional que pertence ao movimento dos Casais de Santa Maria. Sendo uma IPSS, acolhe crianças de todas as classes sociais, dando prioridade às crianças mais desfavorecidas, mal tratadas e mães solteiras. Apesar da instituição viver com algumas dificuldades financeiras não deixam de ajudar quem precisa – exemplo, disso é a existência de um aluno ucraniano em que as suas despesas são suportadas pela instituição dirigida pela Dr.ª Anabela Cristóvão. Algumas necessidades são tão básicas, que chegam a mandar comida e roupa para casa…
Esta instituição surgiu em 1972 pelas mãos do Padre Saúde. As suas actividades iniciaram-se a pedido de alguns casais, num apartamento junto à igreja de S. José. Depois em 1988, este Centro de Bem-Estar Infantil abriu as suas portas, mas, só foi inaugurado em 1990 pelo então ministro da Presidência e da Defesa, Dr. Fernando Nogueira. A instituição tem neste momento 43 funcionários e tem as valências de creche e infantário.
A Câmara Municipal tem encetado esforços com o Ministério da Administração Interna e com a PSP para libertar um depósito de carros, situado em terrenos contíguos à Escola Básica 2/3 Dr.ª Maria Alice Gouveia e ao infantário do Centro Bem Estar dos Casais de Santa Maria. “É uma mágoa que tenho porque ainda não consegui resolver essa questão”, referiu Carlos Encarnação.
O objectivo seria a ampliação do centro, aproveitando aquele espaço, para que pudesse acolher mais crianças, “criando assim a valência do primeiro ciclo”, salientou também ao “Correio” Anabela Cristóvão, directora da instituição, que alertou ainda para necessidade de uma passadeira à porta do infantário. Mas, a grande preocupação desta técnica é tirar o lixo à porta de casa. A presença da polícia não lhe incomoda, antes pelo contrário, agora o depósito de “carros que ali fica durante muito tempo (para não “anos”), trazem algumas pragas, o que não favorece muito uma instituição que trabalha com crianças”.
Outro dos objectivos de Anabela Cristóvão é procurar renovar o movimento em Coimbra. São cerca de 50 casais que pertencem presentemente ao movimento e a grande maioria são já idosos. Para isso vai apostar na divulgação deste organismo que começou em Coimbra.



Miguel Cotrim

5 de dezembro de 2007

Fé e Compromisso


PASTORAL ERÓTICA

A expressão não é minha. Mas veio-me à memória para ilustrar a minha reflexão de hoje, na qual pretendo continuar o meu contributo para a renovação profunda da nossa Igreja, que Bento XVI propôs aos nossos Bispos e através deles a todos nós: uma pastoral do inesperado, do atractivo, que mobilize a atenção do ouvinte, como Jesus fazia tão bem.
Com esta expressão estou a pensar apenas na qualidade que deveria ter a nossa patoral: sedutora, irresistível, "bem apresentada", capaz de estimular o desejo de ser aceite. Se nós, os cristãos, não formos capazes de seduzir, de interpelar, de cativar com a palavra e sobretudo com o testemunho, como poderemos proclamar credivelmente o nosso Deus? Ora a nossa pastoral, como já aqui referi algumas vezes, é demasiado "soft", isto é, pouca "agressiva": mais verniz superficial que actuação em profundidade (EN 20), mais interessada na quantidade que na qualidade (EN 19), pouco preocupada em conseguir um homem novo (EN 18), com bastante dificuldade em fazer uma leitura profética dos sinais dos tempos (GS 4).
Mas para tal confrontamo-nos com alguns problemas de fundo.
Precisamos, em primeiro lugar, de acreditar realmente no projecto de Jesus Cristo, porque "o pior não é o vazio numérico, mas o vazio interior que sente uma Igreja sem autoestima, sem rumo, sem projecto" (Bautista). Sem um "novo ardor" (João Paulo II), sem o "fervor dos santos" (EN 80), vivemos na defensiva, amargurados pelo complexo da perseguição, refugiando-nos num atitude dogmática e apologética ou mesmo de guetto. Assim não é possível o diálogo com o mundo de hoje e a nossa credibilidade irá de mal a pior. Sentimos orgulho em ser cristãos? Sentimos / sinto uma alegria tal que seria capaz de vender tudo para comprar o campo que tem a pérola (Mt 13,44)? Sentimos / sinto a alegria do carcereiro de Paulo que teve de fazer uma festa para celebrar a sua conversão (Act 16,34)? Ser cristão faz parte da nossa / minha identidade ou é um apêndice que tenho receio de expor? É que ninguém convence se não estiver convencido.
Um segundo aspecto é que temos de mudar profundamente. Todas as comunidades têm de "assimilar o essencial da mensagem evangélica e de a transpor, sem a mínima traição, para a linguagem que os homens entendam… no campo das expressões litúrgicas, na catequese, na formulação teológica, nas estruturas eclesiais secundárias e nos ministérios" (EN 63). O mundo em que vivemos mudou muito e não podemos continuar prisioneiros de conceitos e linguagens do passado, o que nos faz correr o sério risco de sermos incompreensíveis para as pessoas de hoje. É que "as ideias da nossa espiritualidade e o vocabulário das nossas orações remontam a muito mais de dois mil anos, que os nossos conceitos teológicos levam quase sempre a marca ou até a estrutura íntima elaborada na Patrística e na Idade Média, que a nossa estruturação comunitária e os modos de governo têm uma antiguidade semelhante". Superar tal desfasamento é "uma tarefa global, de dimensões imensas, que implica a reconfiguração da oferta cristã toda!". O que só será possível com a colaboração de todos e, mesmo assim, "impõe-se contar com o tempo e a paciência necessários para a maturação dos projectos, para a ruptura das inércias, tanto institucionais como conceptuais" (Queiruga). Depois, das revoluções cosmológica (heliocêntrica), com Galileu, sociológica, com Marx, biológica, com Darwin, psicológica, com Freud, informática, com a Net, e depois também do Vaticano II, não seria já mais que altura para renovarmos os suportes intelectuais dos nossos principais formadores?
Já não bastam rectificações pontuais, ajustamentos de linguagem ou vontade sincera de diálogo. Estamos numa outra cultura, num outro tempo, mas que é uma cultura e um tempo que é o nosso. Somos chamados a ser cristãos de hoje e não da Idade Média. Seria uma traição ao Evangelho querer vivê-lo com categorias medievais, pois cada tempo é chamado a viver segundo o seu tempo. O mundo está em permanente evolução e a Igreja não pode querer responder aos tempos de hoje com respostas de ontem: o vinho é sempre novo; mas os odres continuam velhos.
Um outro problema prende-se com o Reino de Deus, que Jesus nos veio pregar. Ainda no domingo passado, no Prefácio, ouvimos uma definição lindíssima do Reino: "um reino eterno e universal: um reino de verdade e vida, reino de santidade e de graça, reino de justiça, de amor e de paz". A fidelidade a este Reino implica, portanto, uma conversão com duas componentes inseparáveis: uma espiritual, pois trata-se de um reino de santidade e de graça; outra social, pois esse mesmo Reino é também um reino de justiça, amor e paz.
Muitos outros lutam pela justiça e pela paz e muitas vezes melhor que nós, os cristãos. Mas nós devemos fazê-lo não só por razões humanitárias, mas antropológicas e teológicas: antropológicas, porque o que está em causa é a pessoa, cada pessoa, como "imagem de Deus", e teológicas, porque o que está em causa é a credibilidade do Deus a quem dizemos amar acima de todas as coisas. Por isso, temos de nos converter e introduzir no Mistério de Deus, um Deus que é Deus da justiça, de amor e de paz. Mas convertermo-nos a este Deus é também convertermo-nos à luta pela justiça e pela paz, por amor. O nosso Deus não é um Deus de intenções, mas sim de motivações e de vida, de vida em plenitude. Por isso, o Sínodo dos Bispos de 1971 afirmava que "a acção pela justiça é uma dimensão constitutiva da pregação do Evangelho" (JM 6).
José Dias da Silva

4 de dezembro de 2007

Paróquia de Buarcos une pessoas através da construção de presépios


Dando continuidade ao projecto iniciado há cerca de dois anos, a paróquia de Buarcos vai unir as pessoas das diversas zonas da freguesia na construção de vários presépios, dando ao Natal o seu verdadeiro significado – o Nascimento de Jesus –, informa um comunicado do pároco enviado à redacção do nosso jornal.
Segundo o Padre Carlos Noronha, os presépios serão construídos em vários lugares da comunidade, entre os dias 8 e 16 de Dezembro.
Também o presépio da Igreja Paroquial de Buarcos será construído depois da Festa da Imaculada Conceição, podendo ser visitado de 25 de Dezembro a 6 Janeiro de 2008, entre as 14 e as 19 horas.

Encontro de reflexão para o Advento


O Secretariado Diocesano de Evangelização e Catequese tem projectado um Encontro de Reflexão Espiritual de Advento aberto a todos os(as) catequistas da Diocese. Terá lugar no dia 9 de Dezembro próximo, das 9,30 às 17,30 horas, no Seminário de Coimbra – Rua Vandelli, n.º 2 da mesma cidade. Tel. 239792340.
As inscrições devem ser feitas até ao dia 30 de Novembro para Secretariado Diocesano da Catequese – Casa Episcopal – Rua do Brasil – 3001-401 COIMBRA.

Penela afirma-se como vila presépio


O maior presépio animado do país vai estar no castelo de Penela, vila que promove, até 6 de Janeiro, todo um conjunto de iniciativas à volta do Natal. A autarquia espera a presença de muitos visitantes.
Penela pretende afirmar a sua marca enquanto vila presépio, por isso, nesta quadra todas as atenções estão viradas para as várias iniciativas à volta do Natal. Durante um mês (entre 8 de Dezembro e 6 de Janeiro) o castelo acolhe o maior presépio animado do país e, por todas as freguesias há presépios, elaborados pela comunidade, à espera de ser contemplados. Paralelamente há uma pista de gelo instalada na Praça da República e vários espectáculos musicais e teatrais.
O presidente da Câmara Municipal de Penela espera a presença de muitos visitantes de todo o país. As expectativas são grandes, ou não fosse este um evento no qual se tem trabalhado desde há seis meses. «Pretendemos projectar Penela a nível nacional à volta da marca presépio», explica Paulo Júlio.A grande originalidade da iniciativa reside no presépio animado que vai estar instalado no castelo, numa tenda gigante de 250 metros quadrados que vai acolher cerca de 90 figuras de madeira, todas elas em movimento graças a um mecanismo de fios auxiliado por um motor que "dá vida" às personagens. "Acaba por ser o ex-libris de todo o evento", diz Paulo Júlio, que não deixa de dar o mérito ao autor do projecto, Jaime Roxo, natural de Alcobaça, que cedeu o presépio para exposição em Penela.

“Pobres dos pobres”


A esta mensagem do poeta poderá juntar-se esta outra do Mestre: "pobres sempre os tereis convosco". E o contraste não poderia ser mais chocante. Os programas da ONU, ambiciosos e bem apoiados financeiramente, propõem-se acabar com a pobreza. Na mesma linha vão muitos discursos políticos, a criação de lares e centros de dia apoiados em acordos entre a Segurança Social e Instituições Sociais muitas delas inspiradas na Caridade Cristã. E a rnultifacetada acção sócio-caritativa, misericordiosa e vicentina directamente ligada à própria missão da igreja não é suficiente para acabar com a pobreza. Continua a haver muitos marginalizados, viciados, carentes de tudo e solitários abandonados.
Para acabar com a pobreza seria preciso acabar com a preguiça, com os vícios, com a violência, com o egoísmo, com o orgulho que destroem o Amor.
Seria preciso que os próprios agentes dos centros e obras de bem-fazer sejam bondosos, pacientes, dedicados, numa palavra, virtuosos.
Seria preciso que as instituições se aprimorassem no respeito pelos utentes, pelos seus direitos e pelas suas fragilidades. Eles são a razão de ser das próprias instituições.
É preciso salvaguardar a solidariedade entre as próprias instituições, Os conflitos inter-institucionais, ditados por questões de interesses particulares acabam por ofender e prejudicar o ambiente de paz e amor que deve rodear os utentes. É que o bem, se não foi bem feito também não presta.
Não faz nenhum sentido obrigar os utentes a tomar decisões graves que os afectam nas suas convicções e hábitos razoáveis ameaçando-os com a recusa de um benefício que lhes é devido. Tais procedimentos ferem também as próprias instituições.
"Pobres dos pobres, são pobrezinhos"
João Evangelista Ribeiro Jorge

INVENTARIAÇÃO DA PARÓQUIA DE CERCOSA


No dia 27 do passado mês de Novembro, ficou completada a inventariação da paróquia de Cercosa, com um total de 59 fichas e o respectivo registo fotográfico, excepto no lugar onde a comissão recusou respeitar e cumprir as instruções do senhor Bispo e as recomendações do senhor Prior. Apresentou-se, justamente.
Mencionada na relação das igrejas, de 1321 e, nela, associada à de Carvalho, é possível que a primitiva edificação medieval se situasse no mesmo sítio da actual construção, pela singularidade do local: uma pequena elevação rochosa, de xisto sedimentar, metamórfico, implantada na planura de vastos campos agrícolas, atravessados pelo ribeiro, no talvegue.
Tal como se pode verificar, os bens patrimoniais existentes, na matriz e nas capelas, inserem-se na habitual ocorrência de imagens esculpidas em calcário, de pequenas dimensões, boa execução técnica e datadas do século XV, logo secundadas de outras, da centúria de Quinhentos à de Seiscentos, de menor qualidade, apenas superadas pelas produções barroquizantes.
Permanecem acentuadamente ilustrativas as peças de estanho, seiscentistas e setecentistas, sendo estas detentoras de profusos ornatos, a que nem faltam as expressas menções de autoria produtiva, o que serve de partida para futuras áreas de investigação, na especialidade dos metais, por vezes facilmente deterioráveis e deitados às ignominiosas montureiras das arrecadações, aptas a pronto desaparecimento.
Vários missais romanos, elaborados nos parâmetros da liturgia tridentina, certificam cidades impressoras, estrangeiras, e, sobretudo, o primor gráfico, pela agradável distribuição dos textos, pelo esmero das gravuras e pela robustez das encadernações, revestidas a couro, ornado de motivos aprazíveis, com nervuras consistentes e fechos em bronze, cuja solidez material e manufactureira jamais será superada pelas fraudulentas imitações deficientes dos vulgarizados na actualidade.
Lembrando venerandas sobrevivências da tradição arquitectónica moçárabe, dos séculos IX ao XI, um arco cruzeiro, em forma de ferradura e sem apoio em colunas monolíticas, evoca modelos distantes, executados por artistas distintos, todavia, unidos pelo mesmo ideal de fidelidade ao esforço de manter as práticas construtivas visigóticas, perante a generalizada investida das preferências islâmicas.
Contudo, a ocorrência de maior amplitude subsiste no conjunto de bens com que a sede paroquial foi dotada, na segunda metade do século XVIII, através da magnânima, variada e benemerente oferta de distinta paramentaria, de apreciáveis alfaias de culto, de vistosos ornatos e de categorizados objectos devocionais, efectuada pelo paroquiano que, pertencendo ao clero secular, muito novo fora elevado à dignidade episcopal.
Dom Bartolomeu Manuel Mendes dos Reis era natural de Cercosa, onde foi nascido em 23 de Agosto de 1720. Era Doutor em Teologia e, a 22 de Novembro de 1752, estava eleito Bispo de Macau, sendo confirmado a 28 de Janeiro de 1753 e sagrado em Lisboa, na igreja de São Roque, a 25 de Julho do mesmo ano.
Quando regressava daquela diocese, do padroado português no Oriente, presenteou a igreja em que, na fé dos pais e padrinhos, recebera o supremo estatuto cristão, pelo sacramento do Baptismo, num acto de penhorado reconhecimento e gratidão, pelo que é lembrado e perpetuada a memória, bem como de outros fiéis, empenhados no compromisso vivencial, em Igreja.
Seguidamente, após algum tempo no Reino, foi transferido para a diocese de Mariana, no Brasil, a 8 de Março de 1773, da qual renunciara três anos e sete meses depois, vindo a falecer em Lisboa, a 7 de Março de 1799.
José Eduardo Reis Coutinho

3 de dezembro de 2007

Mostra de Presépios no Convento de S. Francisco


“O Menino dos Meninos” é o tema de uma magnífica exposição de presépios que se encontra patente no Convento de S. Francisco. Sob a responsabilidade do Museu Nacional Machado de Castro, podemos apreciar diversas peças artísticas, algumas emprestadas pelo Museu da Fundação Ricardo Espírito Santo. O local também não podia ter sido o mais bem escolhido. Uma forma de prestar homenagem ao franciscano que inventou esta forma artística de fazer presépios.
Esta exposição foi inaugurada no dia 28 de Novembro pela primeira-dama, Dr.ª Maria Cavaco Silva, apreciadora e coleccionadora de pequenos presépios. Estando na presença de alguns alunos do Externato João XXIII, a primeira-dama recordou que na sua infância, o elemento principal desta quadra era o presépio e não a árvore de Natal. E era o Menino Jesus que dava as prendas e não o Pai Natal, como ditam hoje as regras do consumo. A Dr.ª Maria Cavaco Silva disse ainda que lhe causa “imensa aflição” o consumismo que se verifica nesta época e que “não faz bem a ninguém”.
Estas palavras não podiam ser mais adequadas para nós cristãos. A celebração de Natal tem vindo a perder a sua identidade. De facto, em muitas casas a árvore de Natal deu lugar ao presépio. O Pai Natal destronou o Menino Jesus, tornando-se o rei por excelência, um velhinho gordinho e bondoso, com barbas, sempre carregado com um saco e uma obsessão por chaminés.
Muitos cristãos ficam confusos com a profusão de símbolos díspares e interpretações laicas nesta quadra. Na realidade, no meio de toda esta enorme confusão, alguns são capazes de conhecer o sentido original do Natal. A prova está na mostra desta exposição de presépios que retrata nada mais, nada menos que o nascimento de Jesus. Outro dos sinais bem visíveis está no presépio de Cabral Antunes, que todos os anos, a Câmara Municipal de Coimbra faz questão de colocar na Praça 8 de Maio. Claro que o leitor deve estar a interrogar-se – e o presépio da minha igreja ou capela? Isso é uma obrigação dos cristãos, recordar aquele menino que há dois mil anos revolucionou toda uma humanidade.
Toda a gente sabe que o Natal é a festa do nascimento de Jesus. Alguns podem fingir, e até mesmo ignorar. Mas a verdade é que ninguém desconhece a suprema provocação da presença desse Menino. Não faltam aqueles que o querem estilizar, espiritualizar, conceptualizar e mistificar o Natal. Mas mesmo esses não podem impedir a presença perturbadora dessa criança de braços abertos, sorrindo no meio das palhas.


Miguel Cotrim

Empresários promoveram jantar de apoio para com a Sé Velha

O Clube de Empresários e a Associação Comercial e Industrial de Coimbra organizaram no passado dia 29 de Novembro, nas suas instalações, um jantar de angariação de fundos com vista à reabilitação da Sé Velha. A marcar esta iniciativa esteva a palestra proferida por monsenhor João Evangelista Ribeiro Jorge, denominada “Sé Velha: sua dignificação e sustentabilidade”.
O presidente do Clube de Empresários de Coimbra (CEC), Hermínio Palmeira lamentou o facto daquele monumento ter estado votado ao esquecimento dos últimos 30 anos. Mas aos pouco, vai rejuvenescendo, tanto para Coimbra como em termos nacionais. Ao todo, este monumento recebe cerca de 80 mil visitantes por ano. O presidente do CEC salientou ainda que as pessoas foram a este jantar de “beneficência” com o objectivo do contribuir monetariamente (com o preço do jantar) para que a Sé Velha possa ser sustentada em termos de conservação. Presente na ocasião esteve também o Bispo de Coimbra, D. Albino Cleto, que aproveitou para tecer algumas considerações relativamente à realidade da Sé Velha.

D. Albino quer combater o pessimismo que percorre a Igreja



Na sua primeira homilia de Advento, D. Albino Cleto criticou o pessimismo existente na Igreja da Europa. “Lamentamos que somos cada vez menos, mas nada fazemos para mudar isso”, disse O Bispo de Coimbra na Eucaristia do passado domingo a que presidiu na igreja de S. José por ocasião do encerramento das comemorações do centenário de nascimento de Monsenhor Nunes Pereira. Fazendo referência à liturgia daquele domingo, o prelado retomou a expressão de S. Paulo, afirmando que: «são horas de acordar!».
D. Albino disse “que está na hora de deixar de lado o pessimismo e ir à luta”. “Temos que nos convencer que a Europa é terra de missão e temos que nos tornar missionários. Temos que tomar iniciativas e testemunhar a nossa fé (…) indo ao encontro dos mais necessitados e dos doentes”, referiu na sua longa homilia. “Fazei este tempo de Advento, tempo de amor”, exclamou.
Neste tempo de Advento, D. Albino Cleto pediu aos cristãos da diocese para a necessidade de fazerem “silêncio”. “É fundamental que cada qual encontre o seu tempo para a oração. Somos incomodados com os barulhos desta quadra, desde das luzes ao consumismo que é propício nesta altura”, referiu ainda o pelado ao concluir a sua reflexão do primeiro domingo do Advento.




Miguel Cotrim

Monumento a Nunes Pereira vai nascer na Quinta da Fonte da Cheira






No encerramento das comemorações do centenário do nascimento de Augusto Nunes Pereira, a comissão organizadora apresentou no passado dia 2 de Dezembro, o projecto do monumento de homenagem a Nunes Pereira, a erigir em Coimbra.



A apresentação do monumento ocorreu ao fim da manhã de domingo na Quinta da Fonte da Cheira (Casa Branca), junto da rua com o seu nome, depois da missa de encerramento das comemorações, que contaram com a presença do Bispo de Coimbra D. Albino Cleto, que presidiu à cerimónia, o vice-presidente da Câmara Municipal de Coimbra, João Rebelo, e o presidente das comemorações do centenário e vereador da Cultura da CMC, Mário Nunes.
Desde Dezembro do ano transacto que Nunes Pereira é figura de homenagem em Coimbra. Da organização fazem parte a Câmara Municipal de Coimbra (CMC), o Movimento Artístico de Coimbra, a Delegação Regional da Cultura do Centro, o INATEL e o Seminário Maior de Coimbra.
Ninguém é capaz de ficar indiferente aos painéis que colocaram provisoriamente junto ao local onde será erguido o futuro monumento. Coube a D. Albino Cleto descerrar a placa alusiva ao futuro monumento de homenagem a Monsenhor Nunes Pereira, que vai resultar de um concurso público e a promover em 2008 pela Câmara Municipal de Coimbra, com localização na nova praça unidade residencial da Quinta da Fonte da Cheira, no fim da nova artéria, junto ao Instituto Técnico e Artístico e Profissional (ITAP).
Mário Nunes em poucas palavras fez uma retrospectiva de um ano de comemorações que decorreu em todos os lugares e concelhos onde o homenageado exerceu a sua actividade pastoral, artística e jornalística. O presidente da Comissão Organizadora das comemorações do centenário do nascimento de Monsenhor Nunes Pereira destacou os mais de 500 intervenientes nas acções levadas a cabo, assumindo ter-se tratado de “uma jornada inesquecível”.
D. Albino Cleto agradeceu a forma exaustiva como um sacerdote da sua diocese foi homenageado, referindo-se às diversas actividades que exerceu como artista, sacerdote, poeta, jornalista. Na missa a que presidiu antes na igreja de S. José, D. Albino recordou o sacerdote como “homem que muito caminhou através de passos de artista, que via beleza em tudo quanto produzia”. Segundo o prelado da diocese de Coimbra, “Nunes Pereira soube através da arte, falar de Deus”.
João Rebelo, vice-presidente da Câmara Municipal de Coimbra fez saber que há cerca de três anos atrás foi decidido requalificar aquela zona urbanística (Quinta da Fonte da Cheira), onde irão surgir novos prédios destinados à habitação. Dentro em breve irá surgir também uma rotunda, praça de dimensões significativas que marcará a entrada na cidade para quem vem da estrada da Beira.

Um homem de ofícios
Nunes Pereira nasceu a 3 de Dezembro de 1906, em Mata de Fajão, na Pampilhosa da Serra. Ingressou no Seminário Maior de Coimbra, onde foi ordenado sacerdote em 1929. A par da vida religiosa, destacou-se também enquanto artista. Poesia, escultura, desenho, aguarela, vitral e xilogravura fizeram parte da sua actividade. Par além de sacerdote e artista, Nunes Pereira foi jornalista, enquanto chefe de redacção do “Correio de Coimbra”.
Miguel Cotrim