Correio de Coimbra

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24 de setembro de 2008

Coimbra no seu melhor


Miguel Cotrim


A Baixa de Coimbra ainda não tem metro, mas ficou com meio metro de água, no passado domingo, com as fortes chuvas que atingiram a região. Felizmente não houve estragos significativos, pelo menos, que tivessem sido registados pela comunicação social. Valeu a rápida intervenção dos Sapadores que nesse dia não tiveram descanso.
O Pina Prata desta vez não "meteu" água ao denunciar o acordo assinado por Norberto Pires, presidente do IParque, com data anterior à posse das suas funções. Melhor do que isso, apresentou na reunião quinzenal do executivo, provas de usurpação de funções por parte do administrador… È lamentável esta situação que compromete agora o futuro do projecto, essencial para a cidade e para a sua região.
Quando deixa de existir honestidade, já nada vale a pena…
Afinal a sede da nova Entidade Regional de Turismo (ERT) poderá ficar instalada aqui bem pertinho de Coimbra. Após a recente polémica, do facto do Governo ter anunciado Aveiro, como cidade que iria acolher esta estrutura, não faltaram críticas por essa decisão. Para tentar acalmar os ânimos, Henriques Fernandes, Governador Civil de Coimbra e candidato à Câmara Municipal de Coimbra (?), anunciou que a ERT poderá ficar no Luso, Buçaco ou em Anadia.
É com estranheza que observo a deslocalização de organismos regionais anteriormente sediados em Coimbra para outras cidades. Ainda, para mais, sem qualquer tipo de critério, de lógica plausível, racionalidade evidente, ou de poupanças para os contribuintes ou mesmo por outra razão qualquer que não seja o esvaziamento da cidade.
Nada tenho contra cidades como Aveiro, Viseu ou Castelo Branco. Nada tenho contra a repartição de organismos regionais entre as principais cidades da região centro. O que me espanta é que por decisão do Governo, tudo saia de Coimbra. Espanta-me sim, é que a entidade que regionalmente superintende as pescas, fique localizada em Castelo Branco, concelho que deu grandes pescadores ao mundo...
Eu não creio que tudo isto seja uma "cavala" do Eng. José Sócrates contra Coimbra. Podia ter sido um mau aluno enquanto foi estudante do ISEC, mas custa-me a crer que isso seja motivo de perseguição.
Há uma coisa interessantíssima no meio disto tudo: os Governos chegam e vão e o seu futuro será sempre passado. Enquanto que coimbra é e será sempre presente.

A Padroeira de Coimbra e o seu Mosteiro


Mário Nunes


Muitos conimbrinceses desconhecem, ainda, que a cidade de Coimbra escolheu dois padroeiros: D. Isabel de Aragão e S. Teotónio. Dois grandes santos pela grandeza do seu coração, pelo saber quantificado que possuíram, pelas obras sociais, religiosas, culturais e monumentais que nos legaram, e pelo prestígio, devoção e santidade que alcançaram ao longo da vida e depois da morte.
O dia 4 de Julho regista a data da morte da Rainha Santa Isabel, sendo feriado concelhio. O dia 18 de Fevereiro assinala a data da morte de S. Teotónio.
D. Isabel de Aragão deixou, como referimos, uma obra grandiosa que afirma o pendor da sua figura de mulher, de esposa e de santa. Sublinhamos, na herança que nos deixou, o que resta do antigo mosteiro de Santa Clara-a-Velha, a Igreja, templo revestido de originalidade nas suas conotações histórico-culturais e nas vicissitudes da sua história física, que se identifica como monumento emblemático e simultaneamente popular, provindo das fortes ligações, sobretudo, afectivas, que mantém com a Rainha Santa e com Inês de Castro, e que pela sobrevivência de séculos que o associou às cheias do Mondego, conferindo-lhe um desafio à imaginação, à investigação e ao estudo arqueológico, factores que lhe estão a devolver o valor de monumento único no País e de referência europeia.
Alguns episódios históricos e lendários que andam associados às vidas da Rainha Santa Isabel e de D. Inês de Castro tiveram por lugar este espaço, esta arquitectura gótica do início do século XIV, que ao longo dos séculos sofreu as investidas do Mondego e, gradualmente, se viu minguado nas suas funções. Do mosteiro, dos Paços e do Hospício restou, como dissemos, a Igreja, sagrada em 1330, e que logo no ano seguinte é inundada e com ela o túmulo de D. Isabel mandado fazer pela Rainha e para sua morada, depois da morte, ao catalão Mestre Pêro. O assoreamento fez-se sentir, continuamente, permitindo que qualquer enchente inundasse o mosteiro.
A degradação acentuou-se e perante a calamidade das cheias que persistiram e tornaram inabitável o mosteiro, as clarissas abandonaram-no, definitivamente, em 1677, dado que a área conventual era já um pântano insalubre, embora a igreja se mantivesse aberta ao culto. Esta, em 1910, foi classificada de monumento nacional para em 1925 ser arrendada ao Estado, que a adquiriu em 1976. Depois, em 1989 foi lançado um concurso de ideias para a valorização da Igreja. O projecto não foi executado.
Em 2004, o IPPAR lançou novo concurso de valorização do Mosteiro, concurso de arquitectura de que saiu vencedor o Atelier 15 do Prof. Doutor Alves da Costa.
O projecto arrancou em 2006. Desde a primeira hora o espaço respeitante à área do Mosteiro está sob a responsabilidade do arqueólogo Dr. Artur Corte-Real.
Tudo sob a bênção da Rainha Santa Isabel, Padroeira de Coimbra.

Solidariedade e formação


José Dias da Silva


Segundo um relatório da OCDE relativo aos 30 estados membros, no grupo etário entre os 25 e os 64 anos, onde se concentra a esmagadora maioria da população activa, 57% dos portugueses não têm mais do que o 6.º ano de escolaridade, quando em metade dos outros países este valor não ultrapassa os 10%. Além disso, 60% dos efectivos não têm qualquer formação específica e apenas 13% possuem cursos superiores.
Se a estes números juntarmos o facto de termos dezenas de milhares de licenciados sem emprego (Porquê? Por algumas das razões que mais abaixo analiso? Pela falta de articulação universidades-empresas? Por debilidade ou desinteresse do tecido empresarial?), vemos que nos encontramos numa situação grave e preocupante. Hoje as sociedades não podem desenvolver-se sem várias componentes, mas a formação é certamente uma das mais importantes. E o pior é que esta questão de fundo parece não interessar à generalidade dos portugueses. Discutem-se carreiras, avaliações, insucesso (apenas) escolar, autonomias, mas parece que não se pensa na escola como um elemento indispensável na formação dos cidadãos. Tudo aquilo, contudo, não passa de instrumentos ou pressupostos para o seu papel estruturante na formação integral dos alunos, que irão ser os futuros governantes, gestores, chefias intermédias ou simples cidadãos.
A escola não pode resumir-se apenas a transmitir ensinamentos mais ou menos técnicos, mas tem de ser um espaço de formação de cidadãos. Isto depende muito dos programas que o Ministério deveria rever de modo actualizado e realista, de políticas educacionais capazes de responder às limitações de muitas escolas e também do dinamismo e da dedicação dos professores, sujeitos a um esforço particularmente exigente pois as crianças são muito diferentes das de há uma geração atrás.
As sociedades modernas precisam de gente com capacidade de iniciativa, com abertura à inovação, com mentalidade participativa. Mesmo na área dos saberes, dentro de meia dúzia de anos há campos do progresso científico que pouco têm a ver com o que se ensina hoje. Por exemplo, dizem muitos peritos que as principais áreas serão coisas tão "esquisitas" como nanotecnologia, biotecnologia, tecnologia da informação, neurociência, energias renováveis. Os actuais programas têm isto em vista? Claramente que não, pois nem sequer parecem satisfazer, nos primeiros anos, os objectivos mínimos do saber "ler, escrever e contar" e nos anos seguintes perdem-se e afogam os alunos e os professores em pormenores irrelevantes em vez de sedimentar e interiorizar no aluno os conceitos fundamentais das várias disciplinas.
Tem que haver um estímulo e uma educação para a inovação que vai ser não só o principal motor de todo o desenvolvimento, mas também das competências da força laboral. Estão os programas e os professores preparados para este desafio, dado que a criatividade e a capacidade de iniciativa exigem um trabalho que vai muito para lá do mero ensino dos programas? Conhecemos várias escolas que têm sido premiadas por iniciativas nesta área, mas são muito poucas. Não valeria a pena analisar as causas desta situação? É só desinteresse dos professores? São as tão faladas assimetrias? É a falta de apoios do ministério? É a incapacidade de mobilização dos conselhos directivos? É a falta de estabilidade do corpo docente?
Há nas nossas escolas um ambiente e um ensino eficazes para a participação e a cidadania, num tempo em que o individualismo e o desinteresse pelo bem da sociedade são cada vez maiores? Torna-se indispensável um ensino para a solidariedade. Quando falo de solidariedade não me refiro apenas a estar atento aos mais pobrezinhos ou aos colegas marginalizados ou a fazer campanhas mais ou menos natalícias de envio de livros já usados para escolas do Terceiro Mundo. Falo sobretudo de uma solidariedade mais abrangente, que assume como preocupação primeira o bem comum, a consciência de que todos somos agentes da construção da nossa sociedade e do nosso futuro. É indispensável uma revolução de mentalidades que não imagine que tudo compete ao Estado: mais do que exigir tudo do Estado (que apenas pode gerir o dinheiro que os cidadãos lhe dão), devemos ver o que podemos fazer pelo nosso país e dar empenhadamente esse contributo. Todos devemos perceber que temos deveres e não apenas direitos, que a sociedade será sempre o que o conjunto dos cidadãos quiser e não pode ficar dependente apenas de dezenas de deputados, de meia dúzia de ministros ou da interpretação, às vezes ínvia, das leis feita pelos juízes.
Claro que estas exigências de cidadania efectiva, criatividade, capacidade de inovação não podem ser apenas exigidas à escola. Têm um papel também fundamental a família, as comunidades religiosas e a comunicação social. Mas as famílias andam perdidas neste tempo de mudança e muitas só estão interessadas em exigir da escola para os seus filhos não uma formação séria mas boas notas, mesmo imerecidas, para entrarem em cursos que dão muito dinheiro. As comunidades religiosas perderam a capacidade profética de nos convencer que todos somos irmãos e que o culto sem justiça social é uma burla. A comunicação social está mais preocupada em dar-nos "pão e circo", contribuindo, com raras excepções, para a crescente estupidificação e alienação dos "cidadãos". Assim sendo, a escola vê-se "obrigada" a assumir um papel primordial e, portanto, a estar atenta às mudanças sociais de modo a poder cumprir os seus objectivos.

ISET: abertura solene do ano lectivo



Tendo iniciado as aulas a 15 de Setembro, o Instituto Superior de Estudos Teológicos (ISET) de Coimbra faz a sua abertura solene no próximo dia 2 de Outubro.
Depois da celebração da Eucaristia, às 19 horas, presidida por D. Albino Cleto, terá lugar uma sessão solene, pelas 21, 15, na Biblioteca do Instituto, com a lição de abertura a cargo do Padre Doutor Carlos Cabecinhas, que desenvolverá o tema "o início do ensino da Liturgia como disciplina universitária". A entrada é livre.
O ISET, que congrega estudantes de teologia das dioceses de Aveiro, Coimbra, Cabo Verde, Portalegre e Castelo Branco e Leiria-Fátima, tem, este ano, trinta e três alunos matriculados.

Chuva lança o caos na Baixa de Coimbra


Igreja de Santa Cruz viu-se forçada a interromper os serviços litúrgicos da tarde de domingo. Bombeiros receberam mais de uma centena de pedidos de socorro. Carlos Encarnação promete obras para evitar novas cheias.

Chuva lança caos na Baixa


Um violento temporal provocou, no passado domingo, cerca de 40 inundações, em Coimbra. Na igreja de Santa Cruz, na Baixa, a água chegou ao primeiro degrau do altar. Próximo da estação dos caminhos-de-ferro, um carro ficou "preso" nas águas.
A chuva, que caiu com grande intensidade a partir das 15 horas (e se prolongou por cerca de uma hora, acompanhada de forte trovoada), levou a que houvesse mais de uma centena de telefonemas a pedir socorro. Segundo o Centro Distrital de Operações de Socorro de Coimbra, os casos mais graves ocorreram na Baixa, em especial na Praça 8 de Maio. Às 18.30 horas, ainda eram visíveis marcas do temporal em frente à Câmara Municipal de Coimbra (CMC), com várias camadas de lama no chão. Piquetes dos Bombeiros e da empresa municipal Águas de Coimbra procederam todo o dia à limpeza da zona. Na igreja de Santa Cruz, a missa das 18.30 horas foi cancelada.
O presidente da Câmara Municipal de Coimbra e responsável pelo pelouro da Protecção Civil, Carlos Encarnação, lamentou o sucedido, mas afirmou que a situação não era evitável. "Nestes períodos de maior intensidade, a água cai com demasiada força. E as grelhas, na parte de baixo, não aguentam a quantidade de detritos que estão acumulados", garantiu. O autarca lembra ainda a urgência do desassoreamento do Rio Mondego, uma vez que "a acumulação de areia no rio forma uma espécie de barragem, que prejudica o escoamento das águas".
Nas ruas paralelas à Praça 8 de Maio (na sua maioria compostas por lojas) também se verificaram algumas inundações, com os comerciantes a fazer contas aos estragos. António Abreu, proprietário da Casa Coelho (loja de vestidos na Rua da Louça) ainda não calculou quanto perdeu, mas revela que "o prejuízo é grande, uma vez que as peças são muito caras e são coisas que não são recuperáveis". A água inundou o piso de entrada da loja, um dia depois de a casa ter feito uma passagem de modelos "e os vestidos terem ficado no chão, visto que tínhamos chegado de madrugada", explicou o proprietário. No entanto, o problema foi menos grave do que o que se havia verificado em Outubro de 2006, quando houve também inundações na Baixa.
O director da Protecção Civil Municipal, António Serra Constantino, lembrou que as inundações na Baixa da cidade são já "uma situação recorrente", apesar de algumas melhorias feitas recentemente. "A Águas de Coimbra colocou há pouco tempo um conjunto de sarjetas novas para drenar melhor as águas. Mas naquela altura devia ser tanta água a cair que não deu para evitar esta situação".
Para além da Praça 8 de Maio, verificaram-se inundações na Avenida Gouveia Monteiro (que dá acesso aos Hospitais da Universidade de Coimbra), na Rua Almeida Garrett, entre a Penitenciária e a Praça da República, e na Avenida Fernando Namora, onde saltaram algumas tampas. Próximo da estação de Coimbra-B, um veículo ficou bloqueado e teve de ser rebocado
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Miguel Cotrim

Obras para evitar novas cheias


O presidente da Câmara de Coimbra, Carlos Encarnação, já pediu ao presidente da Águas de Coimbra, Jorge Temido, que estude soluções para evitar a repetição de cenários como o de domingo, em que a Baixa da cidade ficou alagada na sequência de fortes chuvas.
A Baixa carece de "obras de absoluta urgência", defendeu o autarca, lembrando que a sua realização está dependente de um "financiamento extraordinário" no âmbito do Quadro de Referência Estratégico Nacional (QREN).
"São intervenções muito onerosas. É importante dizer ao Ministério do Ambiente que estas soluções têm de ter acolhimento no QREN", reiterou o presidente social-democrata, já à margem da sessão.