Correio de Coimbra

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9 de março de 2007

DECLARAÇÃO DE VOTO

Enviada à mesa, para publicação, relativa à votação do PROJECTO DE LEI nº 19/X (PS) SOBRE A EXCLUSÃO DA ILICITUDE DE CASOS DE INTERRUPÇÃO VOLUNTÁRIA DE GRAVIDEZ


Voto contra este Projecto de Lei, em coerência com os meus votos contra o Projecto de Resolução nº 148/X/PS, que propôs «a realização de um referendo sobre a interrupção voluntária da gravidez realizada por opção da mulher nas primeiras dez semanas», e a legislação relativa à Procriação Medicamente Assistida e, como nesses casos, parece-me essencial justificar a minha posição.
Com o recurso à objecção de consciência, para ter liberdade de voto e apresentar sugestões legislativas (estando sozinha nestas condições nesta bancada parlamentar), preferia deixar o meu lugar de deputada se não tivesse tido abertura para tal.
O séc. XX foi paradoxal: por um lado, a afirmação, através das Nações Unidas, de Direitos como, por exemplo, a Declaração Universal dos Direitos do Homem (1948), a Convenção para a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação das Mulheres (1980), a Convenção Relativa aos Direitos da Criança (1990), mas, por outro lado, foi um século de opressão dos Direitos Humanos como nunca aconteceu na História. Foi designado por «século de meganocídio», aludindo aos graves problemas que ameaçam a subsistência da Humanidade. Espera-se que a actual centúria se torne o «Século dos Direitos Humanos». Deve-se acentuar que não se podem sacrificar, nem confundir, grandes Direitos por menores.
Giulia Galeotti, autora de «História do Aborto», Edições 70, 2007 (com prefácio de Maria de Belém Roseira), disse em entrevista («Diário de Notícias», 05/02/2007): «A base para a legalização do aborto surgiu após a Segunda Guerra Mundial… Dito de forma brutal, o aborto pode ser legalizado porque o Estado não tem mais necessidade de vidas humanas para alicerçar a sua potência.» Tal aconteceu em várias democracias ocidentais, porque nos países comunistas a prática remonta a 1920.
As legalizações do aborto livre vão contra até a Declaração Universal dos Direitos do Homem, e em todos os países onde se liberalizou o aborto este aumentou (abortos legais + clandestinos). Antes da liberalização do aborto agora em Portugal, o Eurostat previu que em 2018 comece a diminuição da população do nosso país, mesmo com a imigração. Portugal está entre os seis países europeus mais afectados pela falta de natalidade.
A decisão do eleitorado no referendo de 11 de Fevereiro passado foi no sentido da opção da mulher, mas deviam ser incluídos neste Projecto de Lei princípios que estavam antes anunciados, inclusive na campanha eleitoral, ou fazem parte da legislação das melhores práticas europeias, por exemplo: a proibição de publicidade como meio de incitar à IVG; ser forçoso informar a mulher de alternativas, como apoios financeiros, sociais, a adopção (pois mais de 80% preferiam prosseguir a gravidez se fossem ajudadas); não discriminar os profissionais de saúde que queiram respeitar a sua ética; seguirem-se exactamente as mesmas regras no sector público e no privado, etc. Nos EUA, desde há meses, já se legislou a pensar nos fetos abortados, anestesiando-os previamente, e passando-lhes certidões de óbito, para certificar quantos abortos são realizados e para criar um registo público de quantas mulheres fizeram abortos.
Portugal, um país com História quase milenar e gloriosa, autor da primeira globalização, pode não chegar a cumprir o sonho de Fernando Pessoa (e de tantos outros) de espiritualmente se afirmar no mundo, até por poder desaparecer devido à falta de natalidade. Penso que Portugal só conseguirá ficar na História do Séc. XXI se apostar no apoio à maternidade e na solidariedade, para com crianças, idosos, pobres, doentes, deficientes, os quais têm muito poucos Direitos. Portugal, que sempre se distinguiu por ser um país diferente, mais humano, ainda poderá ser pioneiro no «Século dos Direitos Humanos».

Assembleia da República, 8 de Março de 2007


A Deputada do PS


(Matilde Sousa Franco)

Padre Vasco Magalhães nas conferências quaresmais da cidade:


“A Igreja tem que aprender a ser fermento”



“Família sim, Casamento não?”. As respostas da sociedade a esta questão são, hoje, muitas e diferentes e têm por base mudanças de mentalidade e de formas de viver que o padre jesuíta Vasco Magalhães disse exigirem uma readaptação contínua de cada um de nós. Falando na segunda Conferência Quaresmal deste ano, no Salão Polivalente de S. José, o director do Centro Universitário Padre António Vieira, no Porto, apontou o individualismo e a procura de segurança sem compromisso como as marcas de uma cultura que rejeita cada vez mais frequentemente o casamento.
“A Igreja tem, por isso, que aprender a ser o resto”, a minoria, o fermento na massa. Para o padre Vasco Magalhães é importante conferir ao casamento a dimensão de uma missão a dois que se transforma num ideal de comunhão. Numa sociedade onde o entendimento que se faz do amor se liga á satisfação do eu e à ausência de qualquer tipo de sacrifício, é importante também educar para a afectividade e, sobretudo para a maturidade afectiva que nos impele a tomar decisões fundadas no amor.
Num mundo em que a economia, a política e a ciência criam e recriam constantemente novas fórmulas culturais, o padre Vasco Magalhães sublinha a importância das novas gerações, afirmando que “não podemos deixar de acreditar nelas nem desistir delas”, já que a inteligência afectiva deve crescer com elas e tornar-se sólida pela educação.
Como caminhos e soluções, o conferencista dirigiu-se aos cristãos pedindo-lhes que denunciem o que está errado, que apresentem a família e o casamento de forma convincente, que anunciem e apliquem uma pastoral da felicidade assente na redescoberta do Amor sentido e vivido.
A próxima Conferência Quaresmal, no dia 15 de Março, sobre a “relação pais filhos”será conduzida por Eduardo Sá, professor da Faculdade de Psicologia.




Lisa Ferreira


8 de março de 2007

D. António Carrilho é o novo Bispo do Funchal


D. António Cavaco Carrilho é o novo bispo da diocese do Funchal desde do passado dia 8 de Março. A nomeação foi feita por Bento XVI. D. António Carrilho foi ao longo dos últimos oito anos bispo auxiliar do Porto e tomará posse da sua nova diocese no próximo dia 19 de Maio.

Na mensagem de saudação à diocese do Funchal, D. António Carrilho sublinha que tudo fará “para conhecer a realidade sócio-religiosa-cultural da Diocese, para me integrar nela o mais rapidamente possível e corresponder da melhor forma ao serviço pastoral que me é pedido e esperais de mim”.
Nascido a 11 de Abril de 1942, o novo bispo do Funchal é natural do Algarve (Loulé) e foi ordenado presbítero na Sé de Faro, a 28 de Julho de 1965. Depois de alguns anos a trabalhar na diocese que o viu nascer, D. António Carrilho foi nomeado director do Secretariado Nacional da Educação Cristã e, posteriormente, director do Secretariado Geral do Episcopado. Nomeado pelo Papa João Paulo II Bispo Titular de Tamalluma e Auxiliar do Porto, em 21 de Fevereiro de 1999, D. António Carrilho desempenhava também, nessa data, as funções de director da Lumen – revista de reflexão e documentação pastoral – e Membro da Comissão Paritária Igreja/Estado para estudo e resolução dos problemas do património cultural de interesse comum.
A ordenação episcopal de D. António Carrilho realizou-se na Igreja de S. Pedro do Mar, em Quarteira, Diocese do Algarve, no dia 29 de Maio de 1999 – Liturgia da Solenidade da Santíssima Trindade, sendo ordenante principal D. Manuel Madureira Dias, Bispo do Algarve e co-ordenantes D. Armindo Lopes Coelho, Bispo do Porto, e D. Júlio Tavares Rebimbas, Arcebispo-Bispo Émerito do Porto e antigo Bispo do Algarve. Iniciou as suas funções na Diocese do Porto, no dia 3 de Junho de 1999, na igreja da Trindade, na celebração da Missa da Solenidade do Corpo e Sangue de Cristo, a que presidiu o Bispo Diocesano, D. Armindo Lopes Coelho, que o nomeou Vigário Geral e lhe confiou a missão de acompanhar os sectores do Apostolado dos Leigos e da Educação Cristã e o Conselho Pastoral Diocesano.
Depois de 8 anos na diocese portuense, o Papa aceitou o pedido de renúncia de D. Teodoro de Faria, por limite de idade, ( Cân. 401 §1 do Código de Direito Canónico) e nomeou-o novo Bispo do Funchal.
“Partilhar a vida e a fé na Diocese do Funchal de hoje implica saber acolher os valores e as tradições das gerações passadas, mas também olhar em frente, discernindo os “sinais” deste tempo e promovendo o indispensável esclarecimento e aprofundamento da fé no diálogo fé-cultura-vida, como suporte da nova evangelização e de adequados dinamismos pastorais” – escreveu na mensagem de saudação.
A tomada de posse de D. António Carrilho na Diocese do Funchal será no próximo dia 19 de Maio, às 16 horas, na Solenidade da Ascensão do Senhor.

Vidas adsl: o desafio de optar

A Pastoral das Vocações da Diocese de Coimbra realizou nos dias 3 e 4 Março um encontro para jovens intitulado: Vidas adsl – o desafio de optar. Este encontro teve como objectivo levar os jovens participantes a reflectir sobre a vocação e a necessidade de fazer opções, de modo a que a vida tenha um rumo, um sentido e também contactar de perto com a vida consagrada, que procura ser sinal de uma vida adsl.
Tendo em conta a realidade juvenil de hoje, e partindo da proposta de um fim-de-semana com outros jovens, em ambiente festivo, para se perceber a importância de fazer opções, o encontro partiu do conceito adsl, habitualmente associado à net, à rapidez, à banda larga, dando-lhe um contexto mais vasto e de maior profundidade.
Em primeiro lugar adsl significando banda larga define desde logo a relação de Deus com cada um de nós, Deus é banda larga, isto é, é o Deus misericordioso, próximo, atento, o Deus que em Jesus se faz nosso companheiro de viagem;
Por outro lado adsl é também uma provocação a vencer a banalidade com a profundidade, com sentido, e por isso o conceito adsl é um apelo a que a todos e cada um, na vida de todos os dias e nos locais onde nos encontramos, amemos Deus sem limites.
É por causa disto então que a vida deve ser ADSL (amar Deus sem limites!).
Tendo como ponto de partida, e como ponto de chegada, esta realidade, a Pastoral das Vocações de Coimbra organizou este encontro onde participaram cerca de 50 jovens.
A manhã de sábado foi preenchida com um tempo de oração, apresentação dos participantes e com um painel de discussão com a Drª Maria de Lurdes (psicóloga) e o Pe. Manuel Carvalheiro que apresentaram razões para optar, para optar por Deus e para optar por uma vida adsl.
Depois os participantes partiram para as comunidades de consagrados que os acolheram (institutos religiosos e de vida consagrada, seminário e a comunidade residente do Pré-seminário de Coimbra).
Na noite de Sábado D. Albino Cleto, que nesse dia celebrava o seu 72º Aniversário, presidiu a uma vigília de oração na Igreja de S. José, na cidade de Coimbra, onde pediu aos jovens para “aprenderem com Jesus a serem servos, a serem apaixonados pela humanidade e a servi-la com o entusiasmo e irreverência das suas vidas” ao jeito de Jesus que “nos ensinou que há mais alegria em dar do que em receber”, acrescentou.
Na manhã de Domingo houve outros jovens que se juntaram a esta iniciativa e que durante a manhã fizeram um peddy-paper pela alta da cidade de Coimbra que tinha como temática a questão vocacional.
Pelas 11h, na Sé Nova, D. Albino Cleto presidiu à eucaristia onde interpelou os participantes pedindo-lhes que “na escuta de Jesus acolhessem sem medo o seu chamamento e fossem capazes de descer da montanha para ir ao encontro dos irmãos, sobretudo dos mais pobres”. Seguiu-se um almoço partilhado e a tarde foi de festa com música, teatro e alguns testemunhos de consagrados, padres e de um casal, cada um a partir da sua opção de vida, partilhou como é que a sua vida é adsl.
Terminado o encontro os participantes regressaram a casa com o desafio de fazer da vida de todos os dias uma vida ADSL.

JOVENS DAS ESCOLAS CATÓLICAS CONVIVEM COM DOENTES


Mais uma vez, um grupo de alunos do 9º ano dos Colégios de Coimbra: S. José, CAIC (Cernache), Rainha Santa Isabel e S. Teotónio se deslocaram à Casa de Saúde Rainha Santa Isabel, em Condeixa, pertencente à comunidade das Irmãs Hospitaleiras do Sagrado Coração de Jesus.
O ponto de encontro decorreu no salão de festas da instituição, onde houve oportunidade para conviver com muitas das trezentas e cinquenta e cinco utentes e participar num programa de variedades, onde não faltou a música, a dança, o teatro e um número especial, deveras animado, executado por um grupo de dança constituído por doentes e funcionários da Casa de Saúde.
Estes jovens e os respectivos professores tiveram ocasião de observar o requinte das instalações e, sobretudo, a forma carinhosa e estimulante como as pessoas internadas – maioritariamente atingidas por doenças do foro psiquiátrico – são acompanhadas, tanto pelas irmãs como pela centena e meia de leigos colaboradores.
A Casa de Saúde Rainha Santa Isabel é uma das instituições contempladas no projecto Vida Sã do programa SOLNEC, visando o incremento do voluntariado dos alunos das Escolas Católicas da diocese de Coimbra junto das pessoas doentes.

Gen Verde deu concerto pela Paz em Coimbra

Um manto de música, de palavras e de mensagens de amor

A música, a representação, os cenários feitos de projecções, imagens e biombos móveis, os pormenores de uma história que conta valores e ideais, o entusiasmo e a fé visíveis nas palavras e nos gestos, a simplicidade bonita de mulheres iguais às outras. Está tudo ao serviço de uma mensagem que chega ao público com a força das emoções misturadas e foram estes os sinais deixados pelo grupo Gen Verde, num espectáculo que teve lugar no Teatro Académico Gil Vicente, integrado na Semana Cultural da Universidade. Marcaram presença na plateia o bispo de Coimbra, D. Albino Cleto, e o bispo da diocese de Leiria-Fátima, D. António Marto.
O manto do mundo é um musical que relata e faz experienciar momentos marcantes do Movimento dos Focolares. A história começa na época da II Guerra Mundial. Chiara Lubich descobre, então, a certeza de que o Amor vence tudo e partilha a descoberta com uma comunidade que cresce, lentamente, fundada na raiz profunda de vida, que é o Evangelho. A partir de Trento, em mais de 60 anos, o Movimento une milhões de pessoas, de todos os cantos do mundo num espírito de fraternidade sincera. Num diálogo entre a fé e o agnosticismo, encontram-se a ética e a solidariedade como pontos comuns da humanidade.
Em palco, as feições, os sotaques, as cores de quem nasceu em cantos diferentes do planeta misturam-se nas danças e canções. O grupo viaja pelos cinco continentes, há mais de 30 anos. Actualmente, são 23 as mulheres de 13 nacionalidades que “cantam, dançam, compõem, guiam as suas próprias carrinhas e organizam as suas próprias tournées, por estarem convencidas de que há algo de extraordinário para viver e algo de vital para comunicar”. É nestas palavras que o grupo se define na página oficial na Internet.
Pelas palavras que prendem, pela originalidade e pela cor, pelas coreografias, pela harmonia de vozes distintas, o espectáculo mostra que em cada momento de vida podemos escolher amar. Foi essa a fórmula ensinada por Cristo para que possamos experimentar o céu na terra.

7 de março de 2007

Fé e Compromisso

MUTAÇÃO CULTURAL

José Dias da Silva

Hoje seria um dia oportuno para falar da mulher, das marginalizações e violências a que ainda está sujeita, mas também do seu papel insubstituível na construção de um mundo melhor. Contudo a Nota Pastoral a propósito do Referendo sobre o aborto merece uma especial atenção.
A afirmação inicial de que o "resultado favorável do "Sim" é sinal de uma acentuada mutação cultural no povo portugues" (1) é objectivamente verdadeira. Simplesmente já há bastante tempo que essa mutação cultural estava a acontecer e nós, toda a Igreja e não só os bispos, íamos metendo a cabeça na areia, iludindo-nos com os chavões clássicos: o fundo católico do povo português, a nossa história, etc.. Nunca levámos a sério essa mudança, de que falávamos… mas como se fosse algo abstracto. Foi preciso vir este referendo para abrirmos os olhos. Porém, uma pastoral baseada na casuística acaba por não abarcar a realidade toda. Além disso, dada a sua falta de criatividade e inovação, eu diria que a nossa pastoral é demasiado soft e bonzai. Soft, isto é, pouca "agressiva": mais verniz superficial que actuação em profundidade (cf. EN 20), mais interessada na quantidade que na qualidade (cf. EN 19), pouco preocupada em conseguir um homem novo (cf. EN 18), com dificuldade em fazer uma leitura profética dos sinais dos tempos, em utilizar uma linguagem compreensível e credível e em dialogar seriamente com a sociedade. Bonzai, isto é, pouco desenvolvida: embora haja definição de opções e projectos, geralmente não têm em conta a realidade concreta e "real" e a sua planificação e execução nem sempre são bem preparadas (sem uma definição clara de objectivos, meios e agentes).
Por isso, me congratulo vivamente com outra afirmação. "A mudança de mentalidade interpela a nossa missão evangelizadora, de modo particular a evangelização dos jovens, das famílias e dos novos dinamismos sociais. Toda a missão da Igreja tem de ser, cada vez mais, pensada para um novo contexto da sociedade. São necessárias criatividade e ousadia, na fidelidade à missão da Igreja e às verdades evangélicas que a norteiam" (3). Mas, parece-me, falta aqui também a fidelidade aos homens e mulheres do nosso tempo, porque cada tempo tem exigências específicas, como o Concílio ensinou: "de modo adaptado a cada geração" (GS 4).
Contudo, para sermos criativos e inovadores não basta escrever estas palavras.
É preciso preparar bem os cristãos em geral para serem cristãos hoje, tendo em conta não só as profundas mutações culturais mas também a profunda revisão doutrinal que o Concílio fez. Sem esta formação, os cristãos não estão em condições de saber quem são (desafio da identidade), de ler evangelicamente a realidade (desafio do discernimento), de perceber o que devem testemunhar (desafio da missão).
Depois é urgente encontrar formas de "fidelizar os cristãos", como diz D. José Policarpo à Visão: "O referendo fez-me reflectir na fragilidade da nossa catequese. Na qualidade, na acutilância… Nós não estamos a conseguir transmitir às gerações mais novas esta fidelidade aos valores do Evangelho. A catequese, a pastoral juvenil, o nosso trabalho com os jovens… está tudo em causa. Eu tenho a sensação de que as nossas catequeses não fidelizam cristãos. Estão a cumprir ritos mas não fidelizam cristãos". Há aqui mudanças profundas a introduzir nas nossas catequeses e nos nossos catequistas. Como os preparamos para as exigências do nosso tempo e das nossas crianças e jovens? Como formamos os demais agentes pastorais?
Mas há sobretudo que passar de uma pastoral de manutenção a uma pastoral missionária que evangelize em profundidade jovens e adultos, sem a qual não é possível "formar comunidades eclesiais maduras onde a fé desabroche e realize todo o seu significado originário de adesão à Pessoa de Jesus Cristo e ao seu Evangelho, de encontro e de comunhão sacramental com Ele, de existência vivida na caridade e no serviço" (ChL 34). Como afirmavam os nossos Bispos, "as actuais circunstâncias reclamam uma opção, que talvez exija uma reconversão das prioridades pastorais dos sacerdotes, de modo a deixarem aos leigos as tarefas não específicas dos pastores e a reservar à formação sistemática dos adultos o tempo e as energias que ela requer" (Instrução Pastoral A formação cristã de base dos adultos).
Necessitamos de instrumentos de análise e investigação. Pelo menos, a Conferência Episcopal devia dispor de um competente gabinete de Estudos sócio-pastorais, que fornecesse aos diferentes agentes pastorais uma indicação sustentada das principais linhas de força subjacentes às profundas mudanças, uma leitura evangélica dos sinais dos tempos e propostas capazes de responder melhor e de modo mais adaptado aos desafios novos. Particularmente hoje precisamos de saber olhar amorosamente, e não como inimigos, a sociedade e as culturas de hoje e descobrir novas linguagens e conceptualizações na actualização da mensagem cristã.
A Nota dos nossos Bispos insinua uma verdadeira "revolução pastoral", à qual há que dedicar "todos os meios ao nosso alcance" (1). Teremos coragem e capacidade para renovar as nossas prioridades pastorais e a nossa organização eclesial de modo a responder ao "novo contexto social"? Queremos mesmo mudar? Ou, graças a Deus, "estamos bem e podia ser bem pior"?

Um tempo para ter mais tempo …


Nuno Santos

Continuamos a correr e, cada vez mais, sentimos que nos vai faltando tempo para tantas coisas importantes. Mais grave ainda é quando nos começa a faltar o tempo até para as coisas urgentes. Temos que reconhecer que há coisas urgentes que não são importantes e coisas importantes que nem sempre são urgentes.
É aqui que a vida e o seu sentido se continua a jogar. É aqui que as pequenas opções podem fazer toda a diferença. É aqui que o tempo da Quaresma pode ser um sinal de mudança de atitudes. Pode ser um tempo especial e favorável para outros esforços. Pode ser um tempo para ‘ter’ mais tempo.
Claro que eu sei – e cada um de vós também – que o tempo não é uma questão de ter, mas de organização. Isto é, não se consegue ter mais tempo, consegue-se organizar o tempo para ter mais tempo para outras coisas…
A Quaresma deve ser, para cada um de nós, uma oportunidade para mudar o rumo (em grego diz-se metanóia – conversão de vida), rasgar outros horizontes mais significativos e mais profundos para a nossa existência. Não devemos, pois, desperdiçar esta oportunidade que nos é dada de novo para nos enriquecermos humana e espiritualmente. Um enriquecimento que faz de nós pessoas mais humanas quanto mais à imagem e semelhança de Deus.
Neste dinamismo de peregrinação – que a Quaresma é – procuremos ir preparando o nosso coração para podermos celebrar a grande festa da Páscoa. Aliás, a Quaresma não tem um fim em si mesma. Se é verdade que no séc. II se preparavam para a festa da Páscoa com um jejum de apenas dois dias, sexta e sábado antes da Vigília, desde muito cedo – inícios do séc. IV – a comunidade cristã fazia um jejum de 40 dias antes da Páscoa (aos domingos era proibido jejuar).
Todo este tempo revela a importância do que celebramos na Páscoa. Nesta grande festa celebramos o aspecto mais central e importante da nossa fé – a Ressurreição. Por outras palavras, podemos dizer: o Jesus morto afinal é o Cristo Ressuscitado. Esse horizonte da Ressurreição é que nos configura como cristãos.

Em vésperas do Dia Nacional da Cáritas, o Padre Aníbal Castelhano fala ao “Correio”


"A Cáritas está a viver tempos difíceis"



O padre Aníbal Castelhano é, há cerca de dois anos, presidente da Caritas de Coimbra, organismo que define como um serviço prestado à comunidade pela Diocese e pelo seu Bispo, "os verdadeiros dinamizadores de toda acção pastoral". A ajuda assistencial, a formação e sensibilização da Igreja nesta área, a resposta aos problemas sociais graves e a promoção das comunidades são assumidas como os grandes vectores de actuação da Caritas que, de acordo com o padre Aníbal, "não é a estrutura rica que se julga", estando, pelo contrário, a "viver tempos difíceis". Falando dos esforços de grupos e instituições locais, refere os problemas das comunidades paroquiais, a quem faltam, muitas vezes, "espírito, recursos económicos e capacidade técnica, para agirem eficazmente". O desconhecimento dos problemas que vivem ao nosso lado leva também ao "adiamento das respostas necessárias". Para o futuro, define prioridades sempre com uma certeza que diz "inabalável": "a acção sócio-caritativa é intrínseca à natureza da Igreja e, por isso a Igreja tem que a assumir, na sua pastoral concreta, como uma exigência absoluta da sua missão".

A Caritas de Coimbra toma a seu cargo a dinamização da acção social da Igreja na diocese. Que actividades concretas desenvolve?
Não é inteiramente correcto que a Cáritas de Coimbra tome a seu cargo a dinamização da acção social da Igreja na diocese. A Cáritas é um serviço da Diocese e do seu Bispo, os verdadeiros dinamizadores de toda a acção pastoral. Por outro lado, há imensa acção social na diocese (Misericórdias, Centros paroquiais, Associações de fiéis, Institutos religiosos, IPSS) que ultrapassa o âmbito da actuação imediata da Cáritas. Neste complexo estrutural, a missão da Cáritas ainda não foi claramente definida. De qualquer modo, são inerentes à identidade da Cáritas quatro grandes acções: ser o veículo facilitador da ajuda assistencial que a Igreja diocesana dá a pessoas muito pobres ou em situações de vida particularmente graves; sensibilizar e catequizar toda a igreja de Deus para a acção social e caritativa; responder com a maior qualidade possível aos problemas sociais graves (ex.: desemprego, prostituição, sem-abrigo, minorias étnicas, crianças em risco…) e promover as comunidades, assumidas como entidades globais e culturais. Intervimos em todas estas áreas. Em relação às comunidades, tentamos responder às solicitações concretas que nos são feitas e, simultaneamente, exercemos uma acção, relativamente intensa e próxima, na formação de grupos paroquiais e na formação técnica para a acção nas áreas da prevenção da toxicodependência, alcoolismo, educação afectivo-sexual, idosos e doentes, migrantes, doutrina social da Igreja… Depois há todo o universo de equipamentos de acção social e outros tipos de respostas, como o acompanhamento de mais de 300 casos de Rendimento Social de Inserção no Concelho de Coimbra.


Que infra-estruturas tem a Caritas diocesana neste momento?
Primeiro, temos a sede, com a valência família, comunidade e população activa, para além dos múltiplos serviços de apoio. Depois, na área da Infância existem 3 creches, 3 jardins de Infância, 1 Centro de Acolhimento Temporário, mais de 3 dezenas de centros de A.T.L.; na área da juventude, 2 lares, um masculino e outro feminino, para crianças e jovens desprovidos de meio familiar normal; na área da toxicodependência, 1 comunidade terapêutica, 1 Centro de Dia, 1 Apartamento de Reinserção, 1 Equipa de Rua); na área das mulheres em risco, atendimento próprio, actividades de formação e Empresa de Inserção Azul e Branco. Contamos abrir muito em breve um Centro de Acolhimento, residencial, neste âmbito; na área da doença e dependência, um Lar, uma Unidade de Longa Duração e Manutenção (integrada na Rede Nacional de Cuidados Continuados), uma clínica de fisioterapia; na área dos sem-abrigo, um Centro de Acolhimento, o Farol; na área do HIV-SIDA, apoio (alimentação, apoio jurídico, cuidados de saúde…) a 50 doentes socialmente desenraizados… Esperamos que em breve o Farol possa acolher residencialmente 14 doentes, para o que está devidamente equipado; na área dos Idosos, existem 4 lares, vários Centros de Dia, de Apoio Domiciliário e de Convívio; na área dos Bairros urbanos, um Centro Comunitário no Bairro da Rosa, com uma incidência muito grande sobre a população cigana, um Centro Comunitário no bairro do Ingote… Enfim, estou certíssimo de que neste rol alguma coisa me passou ao lado…Note que cada uma destas unidades é um mundo que escapa a este enunciado. Veja a distância que vai entre dizer "quatro lares de idosos" ou perceber um só desses Lares, como o de Buarcos, tem 106 utentes… Depois, há ainda parcerias que se estendem a muitos outros níveis. O melhor exemplo será o CEARTE, que é um centro de formação profissional completamente autónomo, mas que nasceu de um protocolo entre a Cáritas de Coimbra e o Instituto de Emprego e Formação Profissional, e que nos tem dado sempre um grande apoio na formação destas populações mais desfavorecidas.


Assumiu a presidência da Caritas há cerca de dois anos. A dimensão desta estrutura não o assusta?
Um ano e dois meses. Não sei se "assustar" é o termo certo. É motivo, com certeza, de extrema e contínua atenção, nem tanto pela dimensão, mas sobretudo por alguns sectores estruturais que, por motivos diversos, estão neste momento sob forte fragilidade, nomeadamente todo o sector de A.T.L., por razões políticas conhecidas e os equipamentos que não têm comparticipação dos utentes (como os sem-abrigo e outros) que são estruturas caras e economicamente muito deficitárias. Uma coisa é absolutamente clara: a Cáritas não é a estrutura rica que se julga. Pelo contrário, está a viver tempos difíceis, com uma gestão bastante apertada, como aliás acontece com muitas outras IPSS.


"A Cáritas não é a estrutura rica que se julga. Pelo contrário, está a viver tempos difíceis, com uma gestão bastante apertada, como aliás acontece com muitas outras IPSS."


Ao nível local e paroquial existem muitos organismos que trabalham na área social. Que tipo de acompanhamento é feito pela Caritas a estes grupos?
Depende da sua natureza e também da sua abertura. Quando digo "da sua natureza", é porque nós entendemos que somos credores imediatos de apoio para os grupos que comprometem "oficialmente" a Igreja paroquial, já que a Cáritas é ela própria assumida pela Igreja como "instância oficial" (C.E.P.). Mas não trabalhamos especificamente com grupos e organismos, mas com as comunidades. Não há grupos/organismos paroquiais "da Cáritas". Logo, também não há grupos paroquiais fora do âmbito do apoio da Cáritas. O nosso âmbito de acção é o conjunto das 266 paróquias da diocese. Ao nível de Misericórdias e IPSS não temos um "plano de acompanhamento" nem, até ao momento, ninguém nos incumbiu de ter. Temos um bom diálogo, sobretudo na concertação de respostas imediatas para situações concretas. Temos também algumas propostas formativas de âmbito diocesano, normalmente aproveitadas pelas mesmas. E, pontualmente, apoiamo-las, em coisas simples como formação técnica mais localizada, embora sempre em contexto comunitário. Com as Conferências Vicentinas estabelecemos basicamente as mesmas propostas que para os Grupos Sociocaritativos: são convidadas para as acções desenvolvidas nas comunidades, têm acesso aos Temas de Reflexão que produzimos para os grupos, tentamos auxiliá-las nos seus casos mais problemáticos, por exemplo em encaminhamentos. Elas próprias nos socorrem em muitos casos que nos são apresentados, por exemplo que precisam de ajuda material imediata, ou nalguns serviços de voluntariado, como agora, na cidade de Coimbra, no peditório de rua para a Cáritas. De qualquer modo, numa diocese tão grande e tão diversa, as situações são muito plurais, às vezes até dentro da mesma paróquia.


As paróquias da nossa diocese são activas na resposta aos problemas sociais actuais?
Diria que estão sobretudo numa fase de sensibilização para a dimensão pastoral dos problemas sociais de que já nos podemos orgulhar, sendo largamente reconhecido o longo e insistente trabalho do Pe. António Sousa nesta sensibilização. Estão também – muito mais do que aquilo que às vezes se pensa – bastante disponíveis para a organização pastoral da mesma. O grande número e qualidade dos Centros Paroquiais de Solidariedade Social e de Grupos Sociocaritativos atestam esta sensibilidade e esta capacidade. Mas faltam às comunidades, do meu ponto de vista, instrumentos de mediação comunitária, instâncias concretas, com "espírito", recursos económicos e capacidade técnica, para agirem eficazmente e a sua acção ser reconhecida na comunidade como "mediação" da acção da Igreja. Muitas das paróquias são extremamente pobres de recursos humanos e materiais, o que dificulta a organização de uma acção tão exigente. A partilha de bens para a caridade, em muitas comunidades, continua arredada da Eucaristia, e logo do coração da vida cristã… O desconhecimento dos problemas (sabe quantos deficientes há na sua paróquia?) acaba por legitimar muitas vezes o adiamento das respostas necessárias.


"A partilha de bens para a caridade, em muitas comunidades, continua arredada da Eucaristia, e logo do coração da vida cristã…"


Muitos párocos da diocese têm a seu cargo centros sociais, ainda que, muitas vezes não tenham formação na área. Esta falta de preparação é um problema?
Penso que pode ser uma dificuldade acrescida, embora não um problema absoluto. A qualificação que as comunidades lhes podem legitimamente exigir é na animação da vida da comunidade crente à luz do Evangelho. Se nós, padres, conseguirmos isto, teremos mais facilidade em despertar as sinergias comunitárias adequadas à gestão dos centros sociais. Mas continuam a persistir três tipos de dificuldades: a das comunidades onde efectivamente não há alternativas com mais "formação na área" do que o próprio padre; a do "carisma" do padre, isto é, tudo aquilo que do interior do padre o aproxima ou afasta da função de "gestão", mesmo que tenha uma boa formação neste campo; o da disponibilidade de tempo ou, se quisermos, o do papel que efectivamente cabe ao pároco enquanto ministro sagrado.


O voluntariado é outra área também promovida pela Caritas. Que importância tem esta vertente da acção social nos nossos dias?
Tem toda a importância, embora ele precise de ser tecnicamente muito bem enquadrado. A Cáritas tem promovido essencialmente dois tipos de voluntariado (sem considerarmos a acção local dos Grupos): o Voluntariado Hospitalar e o voluntariado concreto em projectos muito bem definidos (por exemplo, nas equipas de rua). Nos equipamentos, por razões técnicas e jurídicas, é mais difícil. Há um campo onde me parece que podemos potenciar o voluntariado e é minha vontade que isso aconteça, que é no apoio directo às paróquias, em animação pastoral e formação preventiva para os problemas sociais graves.


A Vértice é um movimento juvenil ligado à Caritas. De que forma são envolvidos os jovens na acção social?
A Vértice não é um "movimento", mas uma "associação". Tem um estatuto sobretudo jurídico. Neste momento, mesmo como Associação, não está nas prioridades do nosso envolvimento. A questão está em saber se a sua existência formal facilita a integração dos jovens na acção social da paróquia, ou dificulta essa integração, criando um "organismo à parte". A nossa ideia é que os jovens devem estar integrados na acção social a partir dos próprios dinamismos da comunidade paroquial: o seu Grupo de Acção Social, o seu Centro Social, a Conferência Vicentina… Se eu, como presidente da Cáritas, vou a uma comunidade paroquial falar da dimensão pastoral da caridade e não me aparece nenhum jovem da Vértice, porque estão ao lado a falar de ecologia, há aqui qualquer coisa que não bate certo. É esta a questão que estamos a reflectir. Isto não quer dizer que não haja núcleos da Vértice, assumidos como tal, e com uma intervenção na comunidade muito válida, nomeadamente junto de idosos, junto de outros jovens, na promoção de iniciativas desportivas e culturais... A questão é de integração e não de acção. Outro aspecto diferente é o trabalho que a Cáritas faz com jovens, que já fazia antes da Vértice e continuará a fazer, e que é sempre em dois campos: na formação para a intervenção na comunidade e na formação relativamente a problemas de natureza marcadamente juvenil, como as drogas, a sexualidade e outros. Sabe que na Cáritas há técnicos que trabalham exclusivamente em formação de jovens nestas problemáticas, tanto nas escolas como nas comunidades? Atingimos hoje (nestes últimos três ou quatro anos) mais jovens do que nunca: não meras centenas, mas milhares! De resto, os jovens integram-se na acção social como os adultos.

Que balanço faz deste tempo à frente da Caritas diocesana?
De uma coisa fui tomando uma consciência cada vez mais inabalável: a acção sociocaritativa é intrínseca à natureza da Igreja. Por isso a Igreja tem que a assumir, na sua pastoral concreta, como uma exigência absoluta da sua missão. A Cáritas está empenhada em fazer crescer esta acção na diocese, não como "coisa sua", mas como serviço ao bem comum eclesial e social. A Cáritas há-de ser um projecto e uma concretização da igreja diocesana, o que não é fácil. Respeitando estes princípios, o fazer concreto é relativo. Por isso fiz e quero continuar a fazer um exercício de reflexão com muitas outras pessoas, clero e leigos, sobre o lugar da Cáritas na Diocese. A feliz coincidência da publicação da Encíclica "Deus caritas est", neste período, foi também um factor potenciador desta reflexão.

E para o futuro, quais as prioridades que assume?
A animação pastoral das comunidades é sempre uma prioridade. É preciso criar na igreja, a todos os seus níveis, uma mentalidade para a pastoral da caridade e apostar inequivocamente na formação de agentes para esta acção. Uma segunda prioridade é a da formação do próprio corpo de profissionais da Cáritas, em ordem às duas exigências enunciadas por Bento XVI: competência técnica exigente e formação do coração sólida, a que acresce a mais valia do enriquecimento pessoal e do "dar alma" às valências. A terceira prioridade tem a ver com o reforço, criação ou reestruturação de algumas respostas em equipamento, nomeadamente no âmbito das mulheres em risco, das crianças e dos idosos, sem ignorar outras necessidades em estudo.

Ordem do Romeiro celebra missa por alma do seu fundador



A Ordem do Romeiro do Divino do Senhor da Serra vai mandar celebrar uma missa por alma do seu Romeiro fundador, Dr. Juiz Conselheiro Armando Pinto Bastos, no dia 11 de Março, pelas 12h, no Santuário do Divino Senhor da Serra.
O Dr. Pinto Bastos exercia o cargo de procurador desta ordem, quando faleceu. Segundo a mesa administrativa do grupo, "era um devoto fervoroso do Divino Senhor da Serra", tendo sido defensor da causa para que esta devoção volte a ser "uma realidade viva e actual". Empenhou-se ainda na consolidação da Ordem do romeiro e no cumprimento dos seus Estatutos.

Retiro para casais



O Secretariado Diocesano da Pastoral Familiar e a Região Pastoral Sul da Diocese vão promover um retiro para casais, no próximo dia 18 de Março, das 10 às 17 horas, no Centro Pastoral de Chão de Couce. Será orientado pelo Bispo emérito de Portalegre e Castelo Branco, D. Augusto César. Todos os casais da diocese podem participar (levando o almoço para partilhar), não sendo necessária qualquer inscrição.

Oração de Vésperas na Igreja de S. José



A paróquia de S. José celebrará, na tarde de cada Domingo da Quaresma, a Oração de Vésperas, parte integrante da Liturgia da Igreja. Através da reunião em oração, do canto dos salmos, da escuta e da meditação da Palavra de Deus, propõe-se à Assembleia um caminho para a Páscoa, a par de toda a Igreja. A celebração, em S. José, terá início às 18h, estando previsto um ensaio pelas 17h45.

Paróquia de Santa Clara



Peregrinação ao Santuário de Fátima


A paróquia de Santa Clara propõe aos membros da sua comunidade a participação numa peregrinação ao Santuário de Fátima, no dia 30 de Junho, sob o lema "Viver e Sentir em Paróquia".
A partida do Largo da Rainha Santa Isabel acontecerá às 7h30, estando o regresso a Coimbra previsto para as 18h. O dia inclui a participação numa Via Sacara, nos Valinhos, na Eucaristia na Capelinha das Aparições e num convívio no Albergue dos Peregrinos, depois de almoço. O preço da viagem em autocarro é de 7 euros, podendo a deslocação ser feita em automóvel próprio ficando o encontro marcado para o Parque 2, já em Fátima.
As inscrições e o pagamento deverão ser feitos até ao dia 15 de Maio, podendo ser contactados os funcionários da Igreja da Rainha Santa Isabel (239 441 674).

Papa vai falar aos jovens universitários de Coimbra por via satélite



No próximo dia 10 de Março, a partir das 14 horas na Capela de S. Miguel da Universidade de Coimbra, terá lugar, por transmissão Via Satélite, a participação dos Universitários da Diocese de Coimbra na Jornada Europeia de Universitários Católicos, sob o tema «A Caridade Intelectual, via para uma nova cooperação Europa-Ásia».
Poderemos assim dizer que o Papa estará em directo, via satélite, com os universitários de Coimbra.
Nesta iniciativa participarão ainda jovens universitários de Bolonha (França), Calcutá (Índia), Hong Kong (China), Manchester (Inglaterra), Manila (Filipinas), Praga (República Checa), Tirana (Albânia), Torino (Itália) e Rawalpindi (Paquistão).

Obra de Santa Zita comemora 75 anos em Portugal

Um artigo publicado neste órgão de informação a 15 de Fevereiro passado noticiava a comemoração dos 75 anos da Obra de Sta Zita nesta cidade de Coimbra. O artigo publicado, para além de uma breve história da OSZ, terminava: "brevemente tornaremos público o programa da efeméride e o respectivo convite". A presente notícia tem precisamente a função de tornar público o programa das comemorações e reiterar o convite a todas as pessoas que queiram solidarizar-se connosco, nesta celebração das Bodas de Diamante da OSZ à qual é associada, também a celebração do dia do seu Fundador, Mons. Brás, que há 41 anos nos deixou, 13 de Março de 1966.
A celebração que terá lugar a 11 de Março, deste ano, compreende o seguinte programa: 10h45: Cerimónia de Descerramento da placa toponímica Monsenhor Alves Brás (Hino Jubilar da Obra de Sta Zita – Oradora: Drª Mª da Conceição Rodrigues Brites - Presidente Nacional da OSZ;
12h00: Celebração Eucarística na Igreja de Sto António dos Olivais, presidida pelo Sr. D. Albino, Bispo de Coimbra
13h30: Almoço na Casa de Sta Zita
15h00: Tarde cultural, com apresentação de um Power Point: Evocação Histórica da Obra de Santa Zita"; Fados de Coimbra e outros.
Outros pormenores constarão no convite. Para mais informações contactar: e-mail - oszcoimbra@sapo.pt ou telef.:239 701 527.

Laurinda Alves, nas Conferências Quaresmais em Coimbra:

"A doença, o divórcio e o desemprego" são os maiores dramas da família

A morte, a doença prolongada, o divórcio e o desemprego são segundo a Dr.ª Laurinda Alves, os maiores dramas de uma família. A jornalista falou na primeira Conferência Quaresmal, realizada no dia 1 de Março, no Salão Polivalente de S. José, subordinada ao tema "Que modelos de família?", organizadas pelas paróquias da cidade de Coimbra.
Através do seu testemunho de vida, a jornalista que é directora da revista Xis, deixou vários desafios às famílias convencionais, monoparentais e refeitas. Quanto à primeira deixou uma interrogação "o que é que faz manter a chama numa família convencional?" Quanto à segunda, onde ela mais se identifica actualmente, pelo facto de estar a viver uma situação de divórcio disse que é necessário ter muita força para não nos deixarmos sucumbir porque é uma situação de muita dor, de dúvidas e de discernimentos. Quanto às famílias refeitas disse que implica muitas mudanças de atitudes porque encontramos pessoas novas…
Laurinda Alves disse ainda que é necessário viver o momento em cada dia. Revelou-se uma pessoa diferente depois de se deparar numa família monoparental. Processo que a levou a uma descoberta dela mesmo e da própria vida. Só com um grande empenho espiritual é que conseguiu enfrentar os obstáculos…
O Padre Vasco Magalhães abordará na próxima conferência "Família sim Casamento não?". A relação Pais Filhos" será motivo de debate orientado pelo professor Eduardo Sá, da Faculdade de Psicologia da Universidade de Coimbra, no dia 14 de Março.

Jornadas de Teologia 2007

Mulher e a Igreja: perspectivas para o século XXI
O Instituto Superior de Estudos Teológicos (ISET) de Coimbra, organiza, nos dias 23 e 24 de Março, no auditório do Instituto Português da Juventude, mais uma edição das Jornadas de Teologia, sob o tema “A Mulher e a Igreja: perspectivas para o século XXI”. Nas palavras do director do ISET, o padre doutor A. Jesus Ramos, o objectivo das Jornadas, com mais de 20 anos de existência, “tem sido sempre o de fazer uma reflexão sobre algum aspecto pertinente de actualidade eclesial e social”. Como explica este responsável, a escolha do binómio Mulher/Igreja como tema surge por se ter entendido que estava “na hora de fazer uma reflexão” sobre a questão, “abrindo perspectivas para uma clarificação teológica e doutrinal sobre este assunto, que está na ordem do dia”.
O programa científico terá início, no dia 23, com uma abordagem bíblica do tema (9h30), a cargo do Dr. José Carlos Carvalho, da Universidade Católica (Porto), a realizar uma tese de Doutoramento sobre a mulher na Sagrada Escritura. A partir das 11h, será percorrida a história da Igreja, através da intervenção da Doutora Filomena Andrade, do Centro de Estudos de História Religiosa da UC. Seguem-se as abordagens sob o ponto de vista da família e sociedade (15h), a cargo da Doutora Maria do Rosário Carneiro, e na óptica da comunicação social (16h30), da responsabilidade da Dr.ª. Laurinda Alves.
Já no dia 24, a irmã Dr.ª Laurinda Faria, Hospitaleira, orientará uma lição sobre a actualidade da consagração da mulher ao serviço da evangelização (9h30), seguindo-se a intervenção do Doutor D. Carlos Azevedo (11h), relativa à presença da Mulher na Igreja no século XXI. O encerramento das Jornadas (12h30) contará com a presença do Bispo de Coimbra, D. Albino Cleto.
A iniciativa destina-se a todos os que estejam interessados no aprofundamento de conhecimentos sobre o tema. As inscrições podem ser feitas na secretaria do ISET, no Seminário de Coimbra.