Correio de Coimbra

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16 de novembro de 2007

Noite inaciana de oração vai juntar 400 pessoas



Mais de 400 pessoas vão esta noite sair à rua. Cernache e Coimbra vão se unir para mais uma noite inaciana. Promovida pelos jesuítas esta é uma proposta bem diferente para passar a noite de Sexta feira, mas com um grande sentido espiritual.
A primeira noite inaciana surgiu há nove anos e oferecia a oportunidade de reunir, numa peregrinação nocturna, a juventude que partilha a espiritualidade e inspiração inaciana, vindas dos centros universitários, de colégios, paróquias, movimentos, campos de férias. Habitualmente rumavam a Fátima, mas que este ano o destino é Coimbra.
Em anos anteriores, o cunho espiritual centrava-se em Santo Inácio de Loyola. Este ano, celebrando os 100 anos de nascimento, a organização centrou a caminhada na vida de Pedro Arrupe.
Com início às 23h, o primeiro momento da caminhada vai contar com uma evocação da “simpatia que Deus tem pelo mundo, partindo das palavras e vida do Pe. Arrupe”, explica à Agência ECCLESIA um dos responsáveis pela organização da caminhada, o Pe. Carlos Carneiro. A abertura da noite vai contar com palhaços de circo, fogo de artifício, coros “num grande espectáculo montado”.
Segue-se uma celebração eucarística, onde se “pretende mostrar a transformação do mundo”. Um terceiro momento vai proporcionar um momento de oração, “em silêncio ou conversando com alguém”, sobre os “mundos interiores”, conta o responsável.
O quarto momento quer “apresentar o lado positivo do mundo”, altura em que os participantes vão passar a ponte da cidade, dirigindo-se para a Sé Catedral de Coimbra, para o último momento, onde haverá uma celebração e um envio, “enchendo o mundo de esperança”. O percurso total compreende cerca de 12 quilómetros.
A adesão dos muitos jovens constituiu sempre um factor surpreendente. Se no princípio imperava a aventura, a organização foi percebendo que face à exigência da noite, que a opção é sobretudo pela “proposta de oração”, apesar de em caminhada, os jovens valorizam esta vertente. “É uma proposta espiritual de qualidade e inovadora”, aponta o Pe. Carlos Carneiro.
“O mundo caminha sem nós”, indica. A opção de caminhar com o mundo, “depende de nós”. O Pe. Carlos Carneiro relembra as palavras de Pedro Arrupe que dizia “não podemos dar ao presente, soluções do passado”. Esta proposta quer dar “uma ideia de fé e de Igreja que possa ser vivida no concreto, com novas linguagens, novas experiências afectivas mas também teológicas”. Este é o grande objectivo que quer dar às pessoas: oportunidade para essa reflexão.
Durante a noite será evocado o momento em que no Japão, caiu a bomba atómica, pois nessa altura o Pe. Arrupe estava no local. “Poderá ser um momento bastante intenso”. Na vida quotidiana “vão caindo «bombas atómicas» e não podemos desanimar”, acrescenta o responsável. Por isso, indica que a mensagem que gostaria de passar nesta noite, é que “quanto mais dificuldades temos na vida, mais alegria e mais esperança devemos ter”.
Agência Ecclesia

Universidade de Coimbra assinala o Dia da sua Padroeira


A Universidade de Coimbra assinala no próximo dia 8 de Dezembro, o Dia da sua Padroeira: Nossa Senhora da Conceição. O reitor, Seabra Santos convida todos os cristãos que queiram participar na solene Eucaristia, pelas 12 horas, na Capela da Universidade presidida pelo Bispo de Coimbra, D. Albino Cleto.

Jovens organizam “uma hora por Darfur”

“Olha a hora! Uma hora por Darfur” é o título da iniciativa promovida por um grupo de jovens dos Missionários Combonianos e agendada para o dia 24 de Novembro. A proposta lançada pelos jovens combonianos de Coimbra, Santarém e Vila Nova de Famalicão e destinada a todos os portugueses, pretende que “durante uma hora se organizem grupos de sensibilização, informação, reflexão ou oração” para recordar e não deixar esquecer o drama que se vive no Darfur, a maior crise humanitária de sempre, como é considerada pelas Nações Unidas.

Curso de Iniciação de Acólitos


Coordenado pelo Serviço Diocesano de Acólitos, vai realizar-se um Curso de Iniciação de Acólitos – para jovens com mais de 13 anos e que pretendam adquirir formação adequada para este serviço litúrgico
Terá lugar na Casa de N.ª Senhora das Dores, no Santuário de Fátima, entre os dias 27 e 29 de Dezembro. As inscrições são limitadas e devem ser remetidas para: Casa Paroquial de Mata Mourisca, 3105 – Mata Mourisca PBL, até ao dia 20 de Dezembro. Para mais informações poderão contactar o Padre Nogueira através do telef. 236 951178; telem. 96 9208532 ou Fax. 236 950931.

15 de novembro de 2007

UM LIVRO POR SEMANA


Para um curso de catequese de Doutrina Social da Igreja


Ainda existe entre os cristãos, mesmo os que se dizem praticantes, alguma desconfiança quando se fala de catequese de adultos. Pensamos que o ensino da doutrina da Igreja se deve limitar à idade da infância e, quando muito, até ao limiar da juventude. E não é assim! Todos os baptizados devem ter uma formação contínua, ministrada nas homilias dominicais e em cursos organizados especificamente nesse sentido.
Hoje em dia, um dos temas mais importantes na formação dos cristãos adultos, é o da chamada "doutrina social da Igreja" que é, segundo o autor deste livro, "a tradução para os dias de hoje da mensagem evangélica". Estão nesta obra, à disposição de todos, os esquemas de um curso sobre a doutrina social, possível de organizar em paróquias e em grupos de reflexão e de militância cristã.
O autor, José Dias da Silva, além de nosso apreciado colaborador habitual, é, hoje em dia, o mais profundo conhecedor português dos documentos do magistério eclesiástico desde a publicação da "Rerum Novarum" em 1891. Vale a pena, pois, não apenas ler este livro, mas sobretudo utilizá-lo como compêndio de lições de grupos paroquiais e outros que queiram aprofundar os seus conhecimentos como base de uma acção social da Igreja de um texto orientador, indispensável para quantos pretendem formar e catequitizar grupos de acção eclesial, nomeadamente no campo do compromisso social.

A. Jesus Ramos


José DIAS DA SILVA, Em Nome de Jesus Cristo, Paulinas Editora,
Prior Velho, [2007]

Pastoral da Saúde promove formação

A Comissão Diocesana da Pastoral da Saúde, coordenada pelo padre Luís Costa, em colaboração com o serviço de Assistência Religiosa dos Hospitais da Universidade de Coimbra promovem, a partir do próximo Sábado, dia 17 de Novembro, e até Novembro de 2008, um “Curso de formação para profissionais da saúde, cooperadores voluntários do serviço de assistência religiosa hospitalar e visitadores paroquiais”.

Trata-se de um curso pensado para responder a duas grandes questões: “Como ajudar uma pessoa quando ela está a viver uma situação de sofrimento? Com que recursos contamos e como utilizá-los para que a relação seja eficaz e gratificante?” Sendo certo que só a boa vontade não é suficiente, podendo até ser contraproducente, é necessária uma formação que muna as pessoas com o necessário para desempenharem um papel tão delicado e importante.

O curso terá lugar no Colégio Rainha Santa Isabel e iniciar-se-á pelas 09h30m! O acolhimento abrirá uma hora antes, portanto às 08h30m. Neste sábado dia 17 contaremos com a presença do Professor João Duque que apresentará o tema: “Questões antropológicas fundamentais”.

Para mais informações estamos disponíveis no endereço electrónico
cdpscoimbra@gmail.com e nos números 239 400 467 ou 914 631 973 (P.e Luís Costa ou P.e José António Pais).

14 de novembro de 2007

Visita Ad Limina







O que eu vi e senti em Roma (1.ª Parte)



Não acreditaria se os meus olhos o não confirmassem: em Roma aumenta espantosamente o número de peregrinos. Sim, são peregrinos, porque a curiosidade cultural não basta para explicar a longa fila que cercava toda a Praça de S. Pedro, constituída por gente que teria de esperar pelo menos duas horas até conseguir entrar na Basílica.
Era um sábado vulgar, aquele dia 3, só beneficiado pela "ponte" do feriado dos Santos. Motivos de festa, não os havia...Repito: o motivo da longa espera tem a ver com a fé católica que nos traz a Roma e, embalados por ela, com o desejo de venerar o túmulo dos últimos Papas, destacando o do saudoso João Paulo II.
Mas Pedro, o Pescador da Galileia, que Jesus tornou firme no alicerce da Igreja, é quem continua a dar sentido a este lugar de peregrinação e ao seu actual sucessor. Assim o sentimos quando no Sábado seguinte as Confrarias da Itália encheram a Praça à espera do Papa, ou quando vimos o mesmo no dia da audiência geral, agora com milhares de rostos de tez indiana ou vindos do Extremo Oriente.
Não é difícil sentir ao vivo que o sucessor de Pedro é chave para a unidade da Igreja. Para isso nos encontrávamos ali, os Bispos de Portugal: para expressar e reforçar a unidade das nossas Dioceses como parcelas vivas da Igreja, que Jesus quer una, santa, católica e apostólica.
Esta unidade é, antes de mais, unidade de fé. Sentimo-lo ao proclamar, na Eucaristia celebrada junto do túmulo de S. Pedro, o Credo que professamos. Confesso que o rezei em nome de toda a Diocese de Coimbra, lembrando os meus padres, os nossos catequistas, todos os baptizados que Jesus me confiou.
Mas a unidade católica não é apenas unidade de fé. É também de amor e, por isso, cultivada com repetidos gestos que, ao longo do ano, nos tornam presente o Santo Padre, por quem rezamos, a quem ouvimos, de quem gostamos de acompanhar iniciativas, viagens, decisões. Por isso, o encontro individual de cada Bispo com Bento XVI é sempre particularmente significativo. Sabe bem ouvir dizer ao Papa que conhece Coimbra e recorda perfeitamente a beleza da cidade; e não posso esquecer o seu interesse pela pastoral universitária, nem a sua aprovação à tarefa de um velho "Centro Académico de Democracia Cristã": "É um serviço louvável preparar quadros superiores para uma Europa democrática".
Esta união ao sucessor de Pedro, proclamada, desejada, rezada por um país que se intitula "Nação Fidelíssima", voltei a considerá-la no passado dia 11, quando toda a Conferência dos Bispos concelebrou solenemente a Eucaristia dominical na igreja de Santo António dos Portugueses, de que é agora Cardeal Titular o Sr. Patriarca de Lisboa, D. José Policarpo. Na sacristia, à espera da hora, entretive-me a ler placas comemorativas de visitas àquela igreja feitas por Cardeais do Vaticano e até por um Papa. Em duas das lápides li: "rebus compositis", que em boa tradução significa "resolvidas as questões", ou seja, " feitas as pazes"...
Sim, em âmbito político, a história de Portugal regista melindrosas desavenças com o Vaticano. Em âmbito político ou protocolar, que no plano da fé não conheço desvios do nosso povo crente; e no campo do afecto pelo Santo Padre estou em crer que ele é cada vez maior.
Que esta visita a Pedro e ao seu sucessor nos dê, ao Bispo e a toda a Igreja de Coimbra, uma alegre firmeza no amor à Igreja de Cristo.


+ Albino Cleto, Bispo de Coimbra

Papa apela à mudança de mentalidade da Igreja portuguesa



O Papa apelou a uma mudança de mentalidade da Igreja portuguesa, mas na sociedade em geral. Bento XVI, que falava, no passado sábado aos bispos portugueses em vista ao Vaticano, exortou a Igreja portuguesa a construir caminhos de comunhão, tendo, para tanto, convidado os bispos a valiar a eficácia dos meios de formação cristã.
"É preciso mudar o estilo de organização da comunidade eclesial portuguesa e a mentalidade dos seus membros para se ter uma Igreja ao ritmo do Concílio Vaticano II, na qual esteja bem estabelecida a função do clero e do laicado, tendo em conta que todos somos um, desde quando fomos baptizados e integrados na família dos filhos de Deus, e todos somos corresponsáveis pelo crescimento da Igreja", realçou o sumo pontífice.
O apelo foi feito aos bispos portugueses durante a visita Ad Limina ao Vaticano que terminou no passado dia 12 de Novembro. Bento XVI chamou a atenção dos prelados para o facto de os cristãos portugueses estarem afastados da participação na vida comunitária, motivo pelo qual pediu aos bispos a procura de novas formas de integração na comunidade. "A palavra de ordem era, e é, construir caminhos de comunhão", salientou.
Segundo Bento XVI, "esta eclesiologia da comunhão na senda do Concílio, à qual a Igreja portuguesa se sente particularmente interpelada na sequência do Grande Jubileu, é (…) a rota certa a seguir, sem perder de vista eventuais escolhos tais como o horizontalismo na sua fonte, a democratização na atribuição dos ministérios sacramentais, a equiparação entre a Ordem conferida e serviços emergentes, a discussão sobre qual dos membros da comunidade seja o primeiro (inútil discutir, pois o Senhor Jesus já decidiu que é o ultimo)".
Bento XVI referiu-se, ainda, à maré crescente de cristãos não praticantes" nas dioceses portuguesas. Com base nessa observação, o sumo pontífice apelou aos bispos no sentido de verificarem "a eficácia dos percursos de iniciação actuais, para que o cristão seja ajudado, pela acção educativa das nossas comunidades, a maturar cada vez mais até chegar a assumir na sua vida uma orientação autenticamente eucarística, de tal como que seja capaz de dar razão da própria esperança de maneira mais adequada ao nosso tempo".
POR outro lado, o Papa elogiou a caminhada que a Igreja portuguesa tem feito, presente no recenseamento da prática dominical, no retomar da caminhada sinodal feita ou a fazer, na realização nacional do encontro de movimentos e novas comunidades eclesiais e do congresso da família, entre outras actividades.
D. Jorge Ortiga, presidente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) reconhece que "é preciso mudar o estilo de organização da comunidade eclesial portuguesa e a mentalidade dos seus membros para se ter uma Igreja ao ritmo do Concílio do Vaticano II.
O arcebispo de Braga, em declarações à Agência Ecclesia, salientou ser fundamental requalificar o trabalho dos padres e dos leigos. "Estamos a procurar cumprir o II Concílio do Vaticano e temos consciência que ainda não realizámos", realçou o prelado.
D. Jorge Ortiga disse, ainda, que sendo Portugal um país com uma maioria católica, tem que "intensificar a vivência da fé". "Evangelizar cá dentro e partir para fora" é, no seu entender, uma tarefa dos cristãos.
Ao referir à visita Ad Limina dos bispos, o prelado afirmou que ela deu "outro ânimo para trabalhar".



Miguel Cotrim

Ad limina


Na pág. 42 do "Público" do passado dia 2 de Novembro, nas habituais "Cartas ao Director", um título chamou-me a atenção: "E quem examina os bispos?". Um leitor de Viseu, a propósito da visita Ad limina dos bispos portugueses a Roma, foca alguns aspectos que me parecem muito pertinentes. Para ele, há muita insatisfação nas bases e o episcopado é o grande culpado. E acrescenta: "Os cristãos sentem-se abandonados, mostram-se desapoiados. Por decoro não falam em público do que sentem, mas também não ocultam o seu mal-estar. Os seus pastores não estão próximos. Falam muito ex cathedra, e pouco no dia-a-dia. Falam muito de comunhão, mas não a estabelecem com as pessoas (…). Os padres dificilmente ocultam uma sensação de desconforto. São atirados para as dificuldades e, frequentemente, não têm direito a uma palavra. (…) Parece que estão mais perto dos que exercem o poder do que com as suas vítimas", etc., etc. E termina assim: "Os bispos voltarão de Roma todos contentes. Mas esse contentamento não será ditado pela melhoria das coisas. Tudo continuará na mesma. Ao menos, vale-nos Deus".
Curiosamente, nesse mesmo dia leio, no "Correio de Coimbra", a entrevista que D. Carlos Azevedo concede à ecclesia a propósito da visita Ad limina e das últimas (desconfortantes) estatísticas da Igreja portuguesa (p. 7). Sem "papas na língua", o porta-voz do episcopado considera que as dioceses "não têm tido a preocupação de lançar uma pastoral vocacional", que as celebrações têm pouca beleza, com homilias mal preparadas, que existe pouca formação para a comunhão, que temos de "reconsiderar a forma de fazer pastoral", que "os padres devem dedicar-se mais à sua missão específica" e libertarem-se de tarefas que foram acumulando e que nada têm a ver com o seu múnus, e questiona a eficácia dos dez anos de catequese paroquial.
Já este texto estava praticamente concluído, surge (in)esperadamente um terceiro testemunho, que não posso deixar de o registar telegraficamente - o de Bento XVI, dirigido aos bispos portugueses e à Igreja portuguesa. Num discurso que merece ser bem analisado, o Papa pede mudanças de estilos de organização e mentalidade, quer mais eficácia no trabalho que realizamos, deseja "bem estabelecida a função do clero e do laicado", recorda que todos os baptizados são corresponsáveis pelo crescimento da Igreja e cria uma palavra de ordem: "construir caminhos de comunhão".
Felicito o leigo de Viseu pela coragem de partilhar publicamente a sua opinião, questionando o papel dos bispos. Aplaudo D. Carlos Azevedo pela sua ousadia. Não esconde nem sublima a realidade, incomoda (quase) todos e é perspicaz na análise. E não esqueçamos que ele falava em nome dos bispos. Ao Papa só posso dar os parabéns. Diz o que muitos leigos (a maioria dos quais afastados da Igreja) e alguns padres andam por aí fartinhos de dizer e escrever. E diz aquilo que os nossos bispos, no íntimo, também já reconhecem há muito (basta ler a entrevista de D. Carlos), mas que não têm tido a coragem de assumir, por medo, por ineficácia, porque também estão (pre)ocupados com muitas coisas administrativas e pouco pastorais.
Recuso, todavia, transformar os problemas que assolam a Igreja em lutas entre bispos, padres e leigos. Todos têm "culpas no cartório" e não gostaria de ver o bispo de Roma dizer que o mal está no episcopado português, os bispos dizerem que o mal está nos padres e leigos (esquecendo-se que eles são os primeiros responsáveis da Igreja e têm a gravíssima obrigação de serem os primeiros a mudar), nem os padres a culpabilizar os bispos e os leigos (esquecendo-se que, como responsáveis pelas paróquias, têm de dar muitos exemplos), nem os leigos a criticarem os consagrados (esquecendo-se que eles, como baptizados, têm a obrigação de sair do comodismo do sofá e evangelizar e ser testemunhas de Cristo por tudo quanto é sítio).
Mas congratulo-me pelos três testemunhos "irreverentes" – de um leigo, de um bispo e do Papa – coisa a que estamos pouco habituados. Na nossa Igreja há pouco diálogo (e, por isso, pouca comunhão), há muito pouco debate de ideias (por medo?), há pouca ousadia e criatividade e, sobretudo, muda-se pouco. Ou melhor, muda-se de vez em quando qualquer coisita para poder continuar tudo na mesma…
Com estes sinais de ousadia episcopal e laical, e com estas afinadas recomendações do sucessor de Pedro, talvez venhamos a ter uma Igreja com bispos mais próximos e mais pastores, padres e restantes consagrados mais realizados, acolhedores e cientes da sua missão específica, leigos mais dinâmicos, empenhados, autónomos, corresponsáveis e convencidos de que muito do "sucesso" da Igreja passa por eles. E quem sabe se daqui a um lustro, na próxima visita Ad limina, o discurso seja outro, as estatísticas também, e os bispos venham efectivamente contentes (embora sempre inquietos) de Roma, porque fizeram bem o "Trabalho de Casa"?
Jorge Cotovio

Um testemunho na primeira pessoa


No Seminário cresce o futuro


A Eucaristia é o centro da vida da Igreja e do sacerdote. Na verdade, aí o sacerdote encontra a principal e central razão da sua existência. Ele nasceu no momento da instituição da Eucaristia e juntamente com ela, no mistério da Quinta-feira Santa. Entre ambos há uma ligação intrínseca, uma união singular e excepcional, de facto, o sacerdote exerce o seu ministério principalmente na celebração da Eucaristia. Em certa medida, segundo as palavras de João Paulo II, os sacerdotes são "a partir dela", "para ela" e também, de certo modo, responsáveis "por ela".
Se a Eucaristia é o centro da vida do sacerdote, também o é para o seminarista. Chamados por Cristo Eucaristia, em Igreja, a fazer uma experiência de apostolado, em Seminário, aí entramos numa relação amorosa com Aquele que atraiu os nossos corações. Esta relação acontece, de modo particular, na Palavra e nos Sacramentos, especialmente na Eucaristia: aí Jesus revela o rosto amoroso do Pai e envia-nos o Seu Espírito. Realmente, a celebração eucarística ocupa o lugar central do nosso dia-a-dia, em Seminário: aí, aprendemos a acolher o dom de Deus, no Seu Filho que nos amou até ao derramamento de sangue; aí comungamos o Corpo-doado do Senhor e nele tornamo-nos corpo-doado aos irmãos, seguindo o Seu exemplo. Assim, toda a nossa existência é transfigurada numa autêntica "pró-existência", um existir para os outros: ser servidor de Deus e dos seus filhos, nossos irmãos. Realmente, na Eucaristia, ao ouvir a Palavra de Deus, a fé é iluminada e fortalecida; ao comungar o Pão Eucarístico não apenas recordamos o mistério da Última Ceia, mas ele é tornado presente; Cristo está aqui Vivo, no meio de nós. O entusiasmo é reacendido, a resposta vocacional confirmada, com a certeza de que Cristo jamais me abandona: EU QUERO SER PADRE, COM A AJUDA DE DEUS E COM A ORAÇÃO DA IGREJA!
Facilmente compreendemos, desta forma, que o seminarista, antes de tudo, tem que ser um apaixonado pela Eucaristia. A sua vida ou é eucarística ou então trai-se a si mesmo! Esta verdade guardo-a no meio coração, sabendo que, entre Palavra, Eucaristia e Caridade, há uma ligação estreita e dinâmica de mútua influência enriquecedora. Sobre isto, ao longo destes anos de Seminário, fui e vou aprofundando as ciências humanas e a teologia, para melhor amar e servir a Deus e ao Seu Povo. É um caminho percorrido, conjuntamente com os meus irmãos seminaristas, coadjuvados pela equipa formadora, sob a acção do Espírito Santo: caminho feito, por um lado, com alguns sobressaltos, mas com o incentivo e o exemplo dos companheiros, e com a certeza que o Divino Mestre caminha connosco, tal como caminhava com os discípulos de Emaús. Tudo isto, vou levando ao Altar para que seja transformado em pão e vinho de salvação… a minha vida transfigurada em Cristo! Tomo consciência que ser discípulo de Cristo é fazer-se ao caminho, um caminho de permanente conversão à Vontade do Pai, é querer ser santo, não herói; é ser amante e servidor da Eucaristia. Grande é o dom, grande é a responsabilidade. Graças te dou Senhor!
Como víamos há uma relação intrínseca entre eucaristia e sacerdócio, mas também há outra relação que jamais podemos esquecer: a Igreja faz a Eucaristia, mas a Eucaristia também faz a Igreja. Sem Eucaristia não há Igreja; assim, sem o ministério sacerdotal, não há celebração eucarística e sem esta já sabeis a conclusão… João Paulo II, na sua carta sobre a Eucaristia, afirma: "A assembleia que se reúne para a celebração da Eucaristia necessita absolutamente de um sacerdote ordenado que a ela presida, para poder ser verdadeiramente uma assembleia eucarística. Por outro lado, a comunidade não é capaz de dotar-se por si só do ministro ordenado. Este é um dom que ela recebe através da sucessão episcopal que remonta aos Apóstolos" (EE 29).
Esta é a reflexão que gostaria de partilhar convosco e que me surge a partir do tema, desta Semana dos Seminários, No Seminário cresce o futuro: cresce o futuro daqueles que ao, convite do Senhor, se tornam instrumentos da Sua salvação; cresce o futuro das próprias comunidades: os padres que presidem à celebração eucarística, sem a qual as comunidades perecem: nós não podemos viver sem a eucaristia!!!
Que Deus nos ajude nesta semana a aumentar em nós o amor ao sacerdócio e aos sacerdotes. Obrigado pela vossa oração e generosidade; unido a vós rezarei por nós seminaristas para que sejamos fieis à vontade divina e pelos seminaristas vindouros! Rezemos também pelo Pré-Seminário! Jesus continua a chamar: vem e segue-me!


João Fernandes

Inventariação da paróquia de Cortegaça


No dia 30 do passado mês de Outubro, completou-se a inventariação da paróquia de Cortegaça, com um total de 26 fichas e numeroso quantitativo fotográfico. Na data mencionada, realizou-se o levantamento das capelas; na véspera, o da igreja matriz.
O património, como indicam as unidades atrás referidas, abrange a maioria dos âmbitos que são supostos existirem numa comunidade paroquial, simplesmente, em diminuta presença, sendo relevantes alguns bons utensílios litúrgicos, as frequentes alfaias setecentistas, em estanho, e a imaginária devocional, com exemplares dos séculos XV, XVI, XVII e XVIII.
As talhas douradas e os missais datados de finais de seiscentos, bem como de meados da centúria seguinte, compõem o geral do panorama, bastante condizente com o meio geográfico do território.

José Eduardo Reis Coutinho

Vendas de Natal na cidade


Confraria da Rainha Santa Isabel
As Irmãs Zeladoras da Rainha Santa Isabel vão levar a efeito a sua tradicional Venda de Natal desde do dia 19 deste mês de Novembro até ao dia 7 de Dezembro, no Centro Comercial do Arnado, na loja n.º 32.
O produto desta Venda de Natal destina-se à compra de géneros alimentares para se distribuírem pelas famílias consideradas mais carenciadas de Coimbra, numa acção de partilha a exemplo da nossa padroeira, a Rainha Santa Isabel.

Associação Nacional de Apoio ao Idoso
A Oficina do Idoso, equipamento social da ANAI – Associação Nacional de Apoio ao Idoso, irá promover entre 12 de Novembro e 24 de Dezembro uma exposição e venda de Natal. A referida exposição terá lugar na Rua João Cabreira, n.º 18 e contará com diversos trabalhos realizados pelos idosos, tais como: rendas, bordados, bainhas abertas, pintura em óleo, pintura em tecido, cerâmica, destacando-se os presépios em barro. Esta é uma forma de dar a conhecer as potencialidades dos menos jovens e estimular a criatividade da população que esta associação tanto apoia.

Encontro nacional de jovens sobre oração apela à disponibilidade



A necessidade de dar espaço à oração e colocá-la como prática, levou a que 60 jovens de várias dioceses, se juntassem no passado dia 3 de Novembro, num Encontro Nacional de Jovens, organizado pelos Institutos Seculares, em Coimbra.
Sob a orientação do Pe. José Melo, do Instituto Secular dos Padres de Schoënstatt, os participantes tiveram oportunidade de escutar algumas reflexões acerca da oração, mas também de exercitar, pessoal e comunitariamente.
Um comunicado enviado à redacção deste jornal, dá conta das várias metodologias que os jovens puderam experimentar, pois "não basta saber o que é rezar" e acrescenta que a oração "não se reduz a um conjunto de actos, é antes uma atitude de vida".
Foram dadas pistas sobre as várias formas de oração – de louvor, de petição, de intercessão, de acção de graças, de adoração, de meditação, de bênção – e foram lançados desafios no sentido de gerar escuta e disponibilidade.

Homenagem a Santa Isabel da Hungria


No próximo dia 17 de Novembro, a Ordem Terceira de S. Francisco vai homenagear a Santa Isabel da Hungria, no 8.º centenário do seu nascimento em Bratislava – República Eslovaca (1207-2007).
Tia-avó da Rainha Santa Isabel de Portugal, entrou na Ordem Terceira de S. Francisco, sendo considerada sua padroeira, a nível mundial. Morreu aos 24 anos, deixando atrás de si uma história de devoção a Deus e aos mais desprotegidos.
Do programa da festa, a iniciar pela 15 horas no auditório da sede, Rua da Sofia, 114, consta a actuação do Coro dos Professores de Coimbra, uma palestra intitulada Santa Isabel da Hungria – uma curta vida, uma vida exemplar, a cargo da Mestre Isabel Jardim, ministra da Fraternidade de Coimbra da Ordem Terceira de S. Francisco (Ordem Franciscana Secular) e Eucaristia (na Igreja do Carmo). A entrada é livre.