Correio de Coimbra

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30 de abril de 2008

Fé e Compromisso


TRABALHO AO SERVIÇO DA PESSOA

José Dias da Silva


Primeiro de Maio, dia do trabalhador, devia ser um dia de festa. Contudo, as actuais condições são muito pouco propícias a grandes manifestações de alegria.
As profundas mudanças a que assistimos têm consequências extremamente negativas também para os trabalhadores. A situação torna-se mais difícil porque os principais agentes, trabalhadores, sindicatos, patrões e governos, não têm tido capacidade para abordar adequadamente o problema, pois parecem não ter tomado consciência de que a concepção e, portanto, a natureza do trabalho se alteraram radicalmente nestas últimas duas ou três décadas. E um problema mal colocado só pode ter soluções desajustadas.
Não vale a pena iludirmo-nos e agarrarmo-nos à nostalgia de um passado caracterizado por um emprego estável e para toda a vida, estruturante da vida pessoal e social. Hoje vivemos uma situação de insegurança, mesmo para aqueles que aparentemente têm um emprego estável. Efectivamente passou-se da estabilidade para a precariedade e não adiantará muito viver na ilusão de uma nova era de pleno emprego. Até porque a fronteira entre trabalho e exclusão é muito fluida e até acontece ter trabalho e estar numa situação de pobreza: em Portugal, 40 por cento das famílias pobres são famílias de pessoas empregadas. Efectivamente hoje "sair do desemprego não significa sair do espaço da precarização vital. Antes pelo contrário. O desemprego começa a fazer parte de uma zona cinzenta, de um território de vulnerabilidade laboral e vital, de modo que se sai do desemprego com relativa facilidade mas para voltar à mesma situação ao fim de pouco tempo depois de ter passado por um ou vários empregos precários " (I. Zubero). Esta situação de emprego precário levou já a OIT a introduzir um novo conceito: "trabalho decente" ou "trabalho digno" (decent work): já não basta criar postos de trabalho; é preciso que eles tenham uma qualidade de acordo com a dignidade da pessoa que trabalha. Hoje a precariedade laboral gera também precariedade vital.
A dificuldade está em querermos resolver este problema com soluções já ultrapassadas. É um erro esquecer a realidade, mesmo que ela seja muito dolorosa. Seja de quem for a culpa, a verdade é que a história vai avançando e, certamente, por culpa de todos nós, deixámos que ela avançasse sem controlo ou, pior ainda, sob o controlo dos interesses de um novo capitalismo selvagem para quem as pessoas apenas contam na medida em que lhes podem ser úteis.
Não basta acusar a globalização (económica). É preciso perceber que temos de mudar de paradigma, de mentalidade, de soluções. Não vale a pena pôr vinho novo (as novas condições) em odres velhos (as velhas soluções) que acabarão por rebentar sem benefício para ninguém.
Há já soluções propostas ou em experiência, como a economia social, a economia baseada no conhecimento ou o trabalho "a meia semana" (que implica ter duas pessoas para o mesmo posto de trabalho, por cada dia completo, e ter dois tempos para a mesma pessoa: um para «trabalhar» e outro para «amar e cuidar do outro"). Pode também implementar-se a reorganização dos transportes e redistribuição dos equipamentos sociais. Mas, perante a profundidade da mudança, há sobretudo que mudar as mentalidades.
É urgente interiorizar que o trabalho está, tem de estar, sempre ao serviço da pessoa, como diz João Paulo II: "O trabalho é ‘para o homem’ e não o homem ‘para o trabalho’. Cada trabalho mede-se sobretudo pelo padrão da dignidade do sujeito do trabalho, isto é, da pessoa, do homem que o executa". Isto é, "a finalidade do trabalho, de todo o trabalho realizado pelo homem permanece sempre o próprio homem" (LE 6). O que é o contrário da prática corrente.
Temos que alargar o conceito de trabalho: de gerador de riqueza a socialmente útil. Mas esta mudança implica profundas alterações nas políticas sociais: as soluções tradicionais perderam a sua validade e é preciso inventar outras com uma lógica radicalmente diferente das actuais. É preciso também que a flexibilidade laboral, que veio para ficar, seja uma flexibilidade sustentável de modo a combater não só a precariedade laboral, mas sobretudo a prevenir a precariedade vital que lhe está geralmente associada.
Ligada a esta conversão está outra não menos complicada: a de perceber que a pessoa não pode ser olhada apenas como trabalhador. Mais: antes de ser trabalhador, a pessoa é cidadão, isto é, membro de uma comunidade. Ora os direitos associados à cidadania não podem estar subordinados aos interesses do mercado. Na lógica divina, proposta pelo Antigo Testamento, cada pessoa, independentemente de estar ou não a trabalhar, tem também direito, "apenas" pelo facto de pertencer a uma comunidade, aos recursos e dons dessa comunidade, por força do princípio do destino universal dos bens: o homem-trabalhador deve dar lugar ao homem-cidadão. Por isso, cada pessoa, independentemente de estar a trabalhar, ter trabalhado ou não ter trabalho, tem direito, por ser pessoa, ao mínimo para poder viver com dignidade.
Para quem é tão conservador nos hábitos e interesses, como nós, tais mudanças são quase insuportáveis. O pior é que a história não vai parar à nossa espera. E nenhum de nós está livre das teias do desemprego e da pobreza. Nisto a história é muito mais democrática que nós.

Irmã Lúcia:


Processo de beatificação já pode avançar

Foi hoje apresentado no Carmelo de Santa Teresa o vice-postulador do processo de beatificação da Irmã Lúcia, durante uma visita a Coimbra do postulador Ildefonso Mariones.
A escolha conjunta entre o Bispo de Coimbra e o postulador recaiu num padre da Diocese de Coimbra: o Cónego Alberto Gil.
O Cónego Alberto Gil, que assinalou as bodas de ouro sacerdotais em Dezembro do ano passado, foi reitor e arcipreste da Mealhada, professor e reitor do Seminário Maior de Coimbra, pró-vigário geral da Diocese de Coimbra e capelão dos Hospitais da Universidade de Coimbra.
A este cónego, de 74 anos, formado em História pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, caberá a recolha de todo o material e enviar para Roma os milhares de documentos que irão fundamentar o pedido de beatificação.
Ildefonso Moriones, sacerdote italiano, antigo consultor da Congregação para a Causa dos Santos reuniu-se esta tarde com a madre superior do Carmelo, o Bispo de Coimbra e o Cónego Alberto Gil para iniciarem formalmente o processo.
O Cónego Alberto Gil mostrou-se surpreendido pela sua nomeação, tendo sido contactado nas últimas 48 horas pelo Bispo de Coimbra. D. Albino Cleto enalteceu as qualidades do cónego Alberto Gil, pelo facto, de reunir todas as qualidades para poder representar o postulador – “É um homem humilde e discreto”, disse.
Interpelado pelos jornalistas acerca da existência de algum milagre, Ildefonso Moriones respondeu que sim, mas terá que ser analisado cuidadosamente. Para já, o processo inicia-se com o estudo da história da Irmã Lúcia – a sua vida e obra – referiu o sacerdote italiano
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Miguel Cotrim

Domingo é Dia da Mãe



Um amor incondicional

A celebração de um dia dedicado às mães é praticamente universal, embora em datas diferentes. Muitos povos fazem coincidir esta festa com o início da Primavera. Outros, como o Brasil e os Estados Unidos, fixaram-na no segundo domingo de Maio. Entre nós, como aconteceu em Espanha, por exemplo, a comemoração foi transferida de 8 de Dezembro para o primeiro domingo de Maio, o mês dedicado a Maria, Mãe de Jesus.
Numa outra data, este é um dia marcado pela ternura, pelo carinho e pelo reconhecimento do amor incondicional de todas as mães. É isso mesmo que fica expresso em diversos testemunhos que fui buscar à Internet, e que aqui deixo para reflexão de todos.
Alguém, indo ao passado mais longínquo, recorda o ventre materno, afirmando que “nada poderá tirar a importância e a beleza desse diálogo inicial entre a mãe e o filho, que a todos nos leva a dizer: vale a pena viver, porque há alguém que me conhece e me ama assim como sou, sem condições…”.
Outro testemunho refere que o dia da mãe é sempre. E acrescenta: “Hoje vim a correr para casa. Não tornei o dia mais ou menos especial que os outros. Todos os dias a minha mãe é abusivamente repleta de beijos e abraços. Ela é a única pessoa a quem ainda consigo entregar todo o meu amor”.
Mas não são apenas os filhos a falar do amor que sentem pelas suas mães. Elas têm também ocasião para exprimir os seus sentimentos, como esta que escreve: “Ser mãe é ser parte de alguém, é trazer na alma as cores do céu, nos olhos os tons da terra, sentir cá dentro uma força imensa, e trazer ancorado ao peito o maior de todos os tesouros”.
Um último testemunho que recolhi podia ser o de cada um de nós: “é verdade que não é só no dia de hoje que devemos pensar na nossa mãe. Claro que a adoro todos os segundos de cada um dos meus dias. No entanto admito que hoje é um dia especial, um tempo que tiro ao resto do ano para não pensar em mais nada a não ser nela. E não venham cá com coisas: a melhor mãe do mundo é a minha”.
Associando-se a todos os que, neste dia, cantam estrofes de louvor e agradecimento, a Medalhística Lusatenas edita esta medalha que pretende, também ela, ser portadora de uma mensagem de gratidão, a todas as mães do mundo.




A. Jesus Ramos

29 de abril de 2008

Promover uma ética da comunicação




Na sua mensagem para o Dia Mundial das Comunicações Sociais, a celebrar no próximo domingo, o Papa Bento XVI dá um contributo apreciável para uma necessária reflexão sobre a presença ou a ausência de uma consciência ética, que deve conduzir à constituição de um código ético que sirva de referência a todos os integram este mundo incomensurável da comunicação. O Papa chega mesmo a propor que, tal como se foram impondo regras no campo da pesquisa científica relacionada com a vida humana, dando corpo a uma bioética, se comecem a adoptar medidas tendentes à criação de uma "infoética" que estabeleça princípios para um correcto uso dos meios informativos.
Bento XVI reconhece que os meios de comunicação, "graças a uma vertiginosa evolução da tecnologia", têm dado um contributo enorme para o progresso social. Sem esse contributo, "seria verdadeiramente difícil favorecer e melhorar a compreensão entre as nações" e "conferir uma dimensão universal aos diálogos de paz". Nem se esquece que os "media" têm sido, em muitos casos, "instrumentos ao serviço de um mundo mais justo e solidário".
Mas há também o reverso da medalha, pois muitas vezes os poderosos meios de comunicação são transformados em "sistemas que visam submeter o homem a lógicas ditadas pelos interesses predominantes", tentando-se até "legitimar-se e impor modelos errados de vida pessoal, familiar e social".
Perante tudo isto, a humanidade (as instituições internacionais, os areópagos dos povos, os legisladores, nós próprios que a constituímos) deve "interrogar-se se é sensato deixar que os instrumentos de comunicação social se ponham ao serviço de um protagonismo indiscriminado, ou acabem em poder de quem se serve deles para manipular as consciências". E pergunta o Papa: "Não se deveria, antes, fazer com que permaneçam ao serviço da pessoa e do bem comum, e favoreçam a formação ética do homem e o crescimento do homem interior?" Quase como que dando resposta à sua própria pergunta, o Papa escreve que é necessário "reafirmar que nem tudo aquilo que for tecnicamente possível é eticamente praticável".
De facto, "o papel dos meios de comunicação é hoje considerado parte da questão antropológica", pois, "de modo semelhante ao que verifica no sector da vida humana, do matrimónio e da família, e no âmbito das grandes questões contemporâneas relativas à paz,, à justiça e à defesa da criação, também no sector das comunicações sociais estão em jogo dimensões constitutivas do homem e da sua verdade".
Ninguém ignora, no entanto, que, "quando a comunicação perde as amarras éticas e se esquiva ao controlo social, acaba por deixar de ter em conta a centralidade e a dignidade inviolável do homem". É por isso que Bento XVI, afirmando que "a busca e a apresentação da verdade sobre o homem constituem a vocação mais sublime da comunicação social", aponta para a necessidade do surgimento de uma "infoética", à semelhança da "bioética no campo da medicina e da pesquisa científica relacionada com a vida".
A proposta do Papa, todos o reconhecemos, é tremendamente difícil de realizar. Mas, por isso mesmo, penso que se trata de uma proposta aliciante, altamente sedutora e a exigir o compromisso de todos os que continuamos a defender o primado da dignidade humana.



A. Jesus Ramos

28 de abril de 2008

Visita à Paróquia de Montes Claros



D. Albino quer ver concluída a igreja da Senhora de Lourdes


Na visita pastoral que efectuou na passada semana à paróquia de Nossa Senhora de Lourdes, D. Albino Cleto, Bispo de Coimbra, manifestou o desejo de concluir a nova igreja de Montes Claros o mais cedo possível.
"Acentua-se no espírito do bispo e mais ainda no do pároco preocupação de a ultimar o mais cedo possível". D. Albino Cleto manifestou, pois, vontade de ultrapassar os obstáculos que ainda existem. Concretamente, uma dívida (cujo montante não foi divulgado) à empresa construtora.
O Bispo de Coimbra acrescentou que se estudam saídas para a situação. "O que não significa que a igreja esteja concluída", frisou.
Segundo apurámos, falta ultimar as obras e adquirir o recheio da igreja o que comporta globalmente custos elevados.
D. Albino Cleto visitou no passado dia 24 de Março as valências do Centro Sócio-Cultural Nossa Senhora de Lourdes, em Montes Claros, tomando conta da realidade da instituição.
Na sede provisória descerrou uma placa alusiva à deslocação. "Estou a visitar aquilo que tenho obrigação de visitar", disse.
O Bispo de Coimbra recordou a propósito que foi das primeiras instituições que visitou quando chegou a Coimbra. "Vejo que não perdeu a vitalidade", observou.
O Centro Sócio-Cultural Nossa Senhora de Lourdes é uma instituição particular de solidariedade social e dispõe das valências de berçário, creche, ensino pré-escolar e ATL. Conta ainda com um centro de dia, centro de convívio, apoio domiciliário (atende 75 famílias diariamente, o que faz dele a terceira instituição da cidade nesta área) e de um "Clube Sénior". Tem 850 associados, 600 dos quais com mais de 55 anos. Por isso lançou o "Clube Sénior" para colmatar as necessidades deste grupo etário.

Cristãos e muçulmanos em Coimbra



- tema para conferências na Sé Velha


A convivência da religião cristã com a muçulmana ao longo dos séculos, quase sempre pacífica e tolerante, é o tema de um ciclo de conferências que vai decorrer na Sé Velha de Coimbra a partir de 9 de Maio.
As "Conferências do Claustro", que pretendem destacar o papel central da Sé Velha e de Coimbra no moçarabismo, começam com uma intervenção da docente universitária Luísa Azevedo sobre a influência dessa cultura na toponímia e na língua.
A segunda conferência será proferida pelo beneditino Geraldo Coelho, que abordará as questões ligadas à identidade religiosa, legislativa, jurídica, e a aculturação à civilização muçulmana.
"A convivência da religião cristã com a muçulmana está presente todos os dias nos nossos noticiários. Este não é um debate sobre os problemas do Iraque e Israel, mas o passado pode iluminar o que ainda hoje se sente e está em vivência", explicou à agência Lusa a historiadora Maria Helena da Cruz Coelho, coordenador das "Conferências do Claustro".
No entendimento desta professora da Faculdade de Letras de Coimbra, a Sé Velha é um dos exemplos da presença moçárabe pacífica, pois teve vários bispos moçárabes.
No período de governação da cidade pelo conde moçárabe D. Sesnando (1064-1092) viveu-se um período de grande tolerância, e chegou a nomear para Cabido da Sé o moçárabe D. Martin Simões, que a dirigiu para além do período do seu protector.
Segundo a docente, salvo um período no século VIII, aquando da fundação do Condado Portucalense e a nomeação de francos à frente da cidade por D. Henrique, e no período de dominação dos berberes Almorávidas e Almóadas, a convivência entre cristãos e moçárabes foi muito pacífica.
"Coimbra é uma cidade muito representativa e a Sé Velha é em si emblemática sobre as questões do moçarabismo que se vivem no seu interior", salientou.
Maria Helena da Cruz Coelho admitiu a possibilidade de após o primeiro ciclo de conferências se dedicar um segundo ao moçarabismo e à sua influência na arte.
O Mons. João Evangelista, pároco da Sé Velha, disse à agência Lusa que ao abordar-se esse período histórico realça-se igualmente o papel do templo na história da cidade e de Portugal.