Correio de Coimbra

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27 de março de 2009

Hoje, dia 27 de Março

Às 21.30H, na Igreja Paroquial de Cernache - Coimbra

QUE LINGUAGEM PARA TRANSMITIR A FÉ, NO DIÁLOGO COM A CULTURA CONTEMPORÂNEA...

Com D. CARLOS AVEVEDO,
bispo auxiliar do patriarcado de Lisboa...


ENTRADA LIVRE

ORGANIZAÇÃO:

COMUNIDADE ECLESIAL SAL E LUZ ::
Paróquias de Almalaguês, Antanhol, Assafarge, Cernache e São Martinho do Bispo


Contacto:
P. Luís Francisco :: 963886964
Luisfranciscomarques.gmail.com

Via Sacra ao vivo no Bordalo, Santa Clara

O Agrupamento 706 do Bordalo do Corpo Nacional de Escutas vai levar a efeito no próximo dia 10 de Abril, pelas 15,30 horas uma Via Sacra ao vivo.
Este acontecimento tem a participação da Paróquia de Santa Clara, do Choro Polifónico de Coimbra, do Departamento da Cultura da Câmara Municipal de Coimbra e do Museu Monográfico de Conímbriga, com o apoio da empresa Coimtrónica - Adérito Lamas & Filho, Lda.

Família Cristã hoje

Os participantes no módulo ”A Família na DSI” (Pólo Assafarge do ISCRA), conscientes das suas responsabilidades baptimais e em resposta ao apelo de João Paulo II (FC 5), vêm dar o seu contributo para “a elaboração de um autêntico discernimento evangélico” sobre a família.

1. Em cada época, surgem novas formas e modos de ser e de estar, a exigir uma permanente actualização doutrinal (cf GS 4) que só pode ser feita em diálogo dialéctico entre o Magistério, os teólogos e todos aqueles que procuram o Reino de Deus nas realidades temporais (cf. LG 31), tendo de viver com normas e directrizes, por vezes desincarnadas da realidade actual. Por isso, pensar a família e o seu papel numa sociedade multicultural e globalizada, em que tudo é “consumível” e está a acontecer uma mudança de paradigma, obriga a descobrir, em conjunto, as raízes das complexas redes relacionais, que melhor conduzam à Felicidade.
2. A Igreja tem o direito e o dever de, com clareza e de modo positivo, propor a bondade da sua doutrina não transigindo com o facilitismo, mas também não ignorando ou condenando sem mais situações novas que necessitam de ser amorosamente iluminadas pela luz do Evangelho.
3. Compete às comunidades (cf. OA 4) e às famílias cristãs testemunhar “a missão de guardar, revelar e comunicar o amor, reflexo vivo e participação real do amor de Deus pela humanidade e do amor de Cristo pela Igreja, sua esposa” (FC 17), particularmente num tempo em que os critérios de vida são definidos pela opinião pública e não pelo Amor que nos une a todos e a Cristo.
4. A defesa do direito inviolável à vida não se esgota na luta contra o aborto ou a eutanásia, mas tem de estar presente em todas as situações em que os direitos fundamentais são ignorados ou violados, porque “o titular do direito à vida é o ser humano, em todas as fases do seu desenvolvimento, desde a concepção até à morte natural, e em todas as condições, tanto de saúde como de doença, de perfeição ou de deficiência, de riqueza ou de miséria” (ChL 38). Estar ao serviço da vida passa, pois, não apenas pela procriação, mas também pela permanente preocupação de ajudar o outro a crescer na liberdade e na responsabilidade próprias de um ser livre e amado por Deus e numa relação social justa, equitativa e solidária que dê prioridade ao bem comum.
5. As condições actuais não permitem ter “os filhos que Deus nos dá”, exigindo uma paternidade generosa e responsável que não é possível com o método de continência periódica porque não só é demasiado falível mas sobretudo pode pôr em perigo a fidelidade conjugal e comprometer o bem dos filhos (cf. GS 51). O Magistério deve estar aberto a outros métodos não abortivos, que “resolvam dignamente os múltiplos e delicados problemas da transmissão da vida” (MM 199).
6. A separação demasiado nítida entre as funções materna e paterna já não retrata a situação actual, que valoriza cada vez mais, com as inerentes vantagens mas também dificuldades, uma complementaridade, para a qual devem ser formados os futuros casais.
7. Com o aumento crescente de casos, é urgente repensar a pastoral dos recasados, especialmente quando “se verifiquem condições objectivas que tornam realmente irreversível a convivência” (Sacramentm caritatis, 29) e se vivam situações de reconhecida estabilidade afectiva, emocional e moral, de modo a que a Igreja, “mãe e mestra”, seja sinal cada vez mais visível, como é sua vocação, da misericórdia e do amor de Deus. Na beleza do mistério de um Deus que é Pai - “ABBA”-, que ama cada um de nós “único e irrepetível” (ChL 58), que nos propõe um projecto de vida e de amor, a pessoa e a família na sua totalidade são chamadas a responder a esse projecto com autenticidade e humildade, conscientes das suas fraquezas de “filho pródigo”.
8. A Pastoral Familiar, indispensável em “qualquer projecto de pastoral orgânica” (FC 70), deve ir para lá dos problemas da moral conjugal e familiar, ajudando as famílias a assumir as suas responsabilidades eclesiais, assistenciais, promocionais e sociais. Deve lutar por uma política da Família, que defenda a sua estabilidade e articule na justa medida políticas laboral, assistencial, habitacional, de transportes. Ficar pelos aspectos eclesiais é correr o risco de se tornar numa pastoral “familiarista”, alienando as suas responsabilidades de afrontar com lucidez e espírito de fé evangélica a complexa problemática de todo um mundo que desaparece e de outro que surge.
9. Cada cristão e cada família, que formam a Igreja, são chamados a testemunhar, de modo vivo e eficaz, a missão salvífica e um horizonte de Felicidade, “pondo em prática todas as possibilidades cristãs e evangélicas escondidas, mas já presentes e operantes, nas coisas do mundo” (EN 70), de modo a que os “novos céus e a nova terra” se vão materializando já, no aqui e agora.
Assafarge, 23.Março.2009

Escolas Católicas promovem «mercadinho infantil»


O início da Primavera congregou, no Atrium Solum, as seis escolas católicas da diocese de Coimbra, em mais uma acção conjunta no âmbito da campanha a favor da Comunidade Juvenil de S. Francisco de Assis (CJSFA).
Durante a tarde, as escolas católicas, em colaboração com a BioContacto (Ciência Divertida) e com o patrocínio da Caixa de Crédito Agrícola e do Atrium Solum, promoveram neste espaço comercial o “mercadinho infantil”. Cada Escola Católica, ao longo de semanas, recolheu diversos produtos de necessidade para os utentes da CJSFA. Esses produtos estiveram em exposição e puderam ser “comprados”, isto é, as pessoas davam o dinheiro que entendessem por um determinado produto mas não o levavam, revertendo esse contributo para a CJSFA. A par deste “negócio” pouco habitual (em tempo de crise, só possível devido ao amor ao próximo), os alunos das escolas católicas cantaram e dançaram, espalhando uma onda de solidariedade e animação para os familiares e os muitos frequentadores daquele espaço. No final, diversos pais foram entregar directamente centenas de litros de leite, de caixas de cereais, de dentífricos, de papel higiénico e de outros produtos de higiene, assim como o resultado pecuniário desta iniciativa, que se cifrou em mais de cinco centenas de euros.
A par de outras iniciativas do género, fomentadas para estabelecer convívio e desenvolver a solidariedade para com as pessoas mais desprotegidas da sociedade, as escolas católicas afirmam-se como espaços de formação integral assente nos valores evangélicos.
É, desta forma, que o aluno aprende a “ser pessoa” e a “ser com os outros”, mormente com o próximo mais necessitado, devido a muitas circunstância adversas
Esta actividade insere-se no projecto Vida Nova do programa SOLNEC, visando o incremento do voluntariado dos alunos das escolas católicas junto das crianças e jovens mais desfavorecidos.



J. C.

Condeixa: Comemorações dos 50 Anos das Irmãs Hospitaleiras

A Fundação Concelho de Condeixa promove um ciclo de comemorações para assinalar os 50 anos da chegada das Irmãs Hospitaleiras do Sagrado Coração de Jesus a Condeixa.
As Irmãs Hospitaleiras fundaram hà 50 anos a sua Casa de Saúde Raínha Santa Isabel, para acolher e tratar mulheres deficientes mentais, desenvolvendo actividades de grande qualidade pedagógica e espiritual, segundo o caminho traçado pelo seu fundador, S. Bento Menni, hoje com estátua na rotunda rodoviária, nas proximidades da Casa de Saúde.
O ciclo de comemorações, que integra 3 momentos, desenvolve-se sob o lema “O Coração da Hospitalidade”.
O primeiro desses momentos é a 18 de Abril, às 15h, no auditório do Museu de Conimbriga, tendo como orador principal, o Presidente da Cáritas Portuguesa, Eugénio da Fonseca. A atenção aos mais desfavorecidos e as respostas à crise que Portugal hoje vive, entre outras valências, estarão presentes nesta realização.
O segundo momento, também ele à volta da hospitalidade para com os mais débeis, será a 23 de Maio, também a um sábado e no mesmo local, sendo orador principal o Presidente da União das misericórdias portuguesas, Manuel de Lemos.
O coroamento deste ciclo de comemorações será a subida ao Santuário de Nossa Senhora do Círculo, a 21 de Junho, domingo, para a celebração solenizada de Missa de acção de Graças, às 13h, seguida de confratenização.
A Fundação Concelho de Condeixa pretende assim dar expressão pública ao muito apreço que toda a população do Arciprestado e do Concelho de Condeixa devota às Irmãs do Sagrado Coração de Jesus e ao seu magnífico desempenho, exemplo de hospitalidade, caridade e misericórdia.
O Prof. Cardozo Duarte, presidente do Conselho de Fundadores, o Coronel Narciso dos Santos, presidente do Conselho de Administração da Fundação, e o Pe. Amilcar dos Santos Neves responsável do Santuário de Nossa Senhora do Círculo, estão a envidar esforços para enriquecer ainda mais este ciclo de comemorações, pela participação e a sinergia de entidades e pessoas que, nas paróquias e em diversas outras instituições, se dedicam ao trabalho nestas áreas, hoje tornadas, devido à crise que atravessamos, tão sensíveis, tão humanizantes e tão evangelizadoras. A Fundação espera assim, em tempos de crise, reforçar o voluntariado e consolidar a consciencialização a favor da hospitalidade, da caridade e da misericórdia, em ordem a garantir mais visibilidade e maior apoio ao pulsar deste coração da hospitalidade, em toda a região de Condeixa e à sua volta.
Todos estão cordialmente convidados a participar em todos e cada um destes eventos.

25 de março de 2009

Editorial



A viagem do Papa à África foi ocasião para uma denúncia corajosa de alguns dos maiores problemas que entravam o progresso económico e o equilibrado crescimento social daquele grande e esperançoso Continente. Em Angola, diante das autoridades que governam o país, mas dirigindo-se a todos os dirigentes africanos, colocou o dedo nas grandes feridas da corrupção, da apropriação indevida por parte de alguns bens que são de todos, da opressão escravizante de que são vítimas populações inteiras, do autoritarismo acompanhado da violência, do desrespeito por muitos dos direitos fundamentais da pessoa humana, nomeadamente o desrespeito pela vida de homens, mulheres e crianças.
A denúncia teve algum eco nos meios de comunicação social, que dedicaram ao assunto páginas no interior dos jornais ou nas segundas partes dos boletins noticiosos. Porque o espaço nobre dos noticiários foi ocupado com a referência feita pelo Papa ao uso do preservativo como forma de travar o avanço assustador da sida, essa terrível doença que vitima milhões de africanos todos os anos.
Muitos ficaram escandalizados com a afirmação do Papa, acrescentando ou mesmo concluindo precipitadamente que Bento XVI estava a abrir as portas da condenação de populações inteiras a uma morte aviltante e prematura. Nada mais falso do que isso, até porque é do conhecimento de todos que as instituições ligadas à Igreja Católica têm estado sempre na primeira linha de combate a essa terrível e dizimadora epidemia. Sempre foi apanágio da Igreja, seguindo o exemplo de Jesus Cristo, prestar redobrada atenção aos doentes. Quem, mais do que a Igreja, criou leprosarias em todo o mundo, levando o testemunho até à doação da própria vida, como aconteceu com Damião de Molokai? Quem, mais do que a Igreja, assistiu os doentes da peste negra, sendo quase incontáveis, por exemplo os discípulos de Camilo de Lellis, os que contraíram essa contagiosa doença no contacto com aqueles a quem procuravam aliviar as dores?
Quem, mais do que a Igreja, anda aí, pelas grandes cidades a recolher os moribundos, para que tenham uma morte digna, como fazem os irmãos do português João Cidade ou as missionárias de Madre Teresa Calcutá? A atenção que é devida aos que sofrem de lepra, de peste ou de sida não pode, no entanto, riscar do campo dos princípios aquilo que é anterior à própria doença: a norma inscrita na consciência de cada ser humano. Quer isto dizer que devemos usar todos os meios ao nossa alcance para curar os doentes e para prevenir que outros venham a contrair a doença, não esquecendo porém que o preservativo é a solução mais fácil, mas não é a solução que mais dignifica o homem. A educação para o uso equilibrado da sexualidade humana não pode ser posta de lado apenas pelo facto de se terem descoberto meios que permitem práticas que, em vez de enobrecerem, apenas, servem para aviltar o homem. O Papa não pode nem deve fazer mais do que defender o princípio da humanização e de chamar a atenção para as tentativas de tornar o transitório em definitivo, e de transformar a excepção, aceitável num certo momento e em determinadas circunstâncias, em norma inultrapassável. Cuidemos, pois, dos doentes infectados pela sida, dêmos-lhes todo o conforto e carinho que merecem e precisam, mas continuemos também a proclamar que o ser humano e a sua sexualidade não são redutíveis a recursos tendentes a privar o homem da sua racionalidade e da sua capacidade de autodeterminar, através do exercício da vontade, o seu próprio comportamento.


A. Jesus Ramos

Curso Alpha vai crescendo na Diocese de Coimbra


São já vários milhares de pessoas que, na Diocese de Coimbra, participaram num curso Alpha. Vão também crescendo o número de paróquias que vão evangelizando com este método simples e eficaz.
Este curso pode fazer-se três vezes por ano, um por trimestre, mas poucas paróquias o fazem, por ser muito cansativo. Muitos fazem-no duas vezes, outros só um por ano, até que tenham mais gente na equipa para fazer mais vezes.
Actualmente, na Diocese, estão a decorrer vários cursos Alpha: Em Cantanhede e Ançã, cerca de 50 pessoas estiveram em Fátima no fim-de-semana do curso, e vieram cheias de alegria e entusiasmo pela experiência de Deus que viveram. O responsável do curso, Eng. Óscar Camarneiro, confidenciou-me: "Parece que de curso em curso, a experiência que se vive é cada vez mais profunda. Este foi o melhor fim-de-semana que vivemos em todos os Cursos Alpha que já realizámos em Cantanhede."
Febres, realizou há 15 dias o seu fim-de-semana e é sempre o mesmo assombro ver como Deus actua no coração daqueles que se abrem a Ele. Muitos dos participantes nos cursos em Febres vêm, além das paróquias confiadas aos párocos da unidade pastoral, de paróquias de Aveiro e de outras limítrofes de Coimbra, porque são convidados por amigos. Um casal veio, todas as semanas, do Cartaxo fazer o curso Alpha a Febres e depois ficou mais um curso como animador da equipa. Quando Deus toca o nosso coração as dificuldades ultrapassam-se todas, mesmo as grandes distâncias. Em Santa Clara, Coimbra, um grupo desta paróquia, de S. Martinho, da futura paróquia de S. João Baptista e de Semide, irá no próximo sábado para Penacova, viver também o fim-de-semana. Ansião está quase a terminar o primeiro curso em que participaram cerca de 50 pessoas na sua quase totalidade casais jovens com os filhos em catequese, pois foi essa a salutar aposta do pároco. Também está a começar um novo curso na Carapinheira para toda aquela Unidade Pastoral. S. Paulo de Frades e Eiras, está a finalizar o único curso deste ano, e assim, pouco a pouco o curso Alpha vai trazendo novos cristãos à fé. Terminado o curso já se estão a preparar para colocar toda a equipa e os novos que o quiserem em formação da fé, pois a seguir ao kerigma vem a catequese sistemática.
Grande Encontro Nacional Alpha em Viseu
Todas as pessoas que já fizeram um curso Alpha há dez anos para cá estão a ser convidadas para um grande encontro Nacional, que terá lugar a 9 de Maio no Pavilhão Multiusos da cidade de Viseu. Esperam-se cerca de 2 a 3 mil pessoas. Neste encontro além de momentos de estudo e reflexão, haverá espaço para a música, (será inaugurada uma banda musical cristã, feita por músicos profissionais, que animará grandes encontros Alpha e que tentará evangelizar através da música) para testemunhos, para a oração e para o convívio. O encontro é aberto e os que fizeram um curso Alpha podem convidar os amigos e familiares que quiserem e organizarem-se em autocarros, ou em carros particulares. Não haverá inscrição. Todos poderão participar.
Esclarecimento sobre o artigo de opinião do Eng. Jorge Cotovio no Correio de Coimbra
Não tinha lido a notícia, mas alguém que conhece o curso Alpha, me chamou a atenção para o ler. É bom sinal que as pessoas estejam atentas e se dêem conta de que não há justeza no que é dito sobre o curso que conhecem.
O Eng. Jorge Cotovio, escreveu neste mesmo jornal, na semana passada, um artigo intitulado "boas práticas", em que foi chamando a atenção de muita coisa positiva que na nossa Igreja se faz para ir rejuvenescendo as comunidades cristãs através de novas linguagens e métodos. Penso que o autor estava bem intencionado, e o seu artigo ia repassado de esperança e de olhar positivo sobre muita coisa que se faz na Igreja onde incluía o curso Alpha. Só que não foi muito feliz no pouco que disse, em relação a este curso, pois muita gente que já conhece e já participou no curso Alpha, me fez saber que deveria fazer um esclarecimento. Ao ler o que escreveu, vi que se ficou no superficial e nos chavões como fazem habitualmente os meios de comunicação social quando falam da Igreja. A única coisa que o autor do artigo soube dizer do curso Alpha, embora colocando-o entre as muitas coisas que se fazem, como "boas práticas ", foi deixar a ideia "que são uma meia dúzia que se sentam uns ao lado dos outros para comer e beber, bem sentadinhos à volta de uma mesa". Repito: ao ler o contexto, creio sinceramente que a ideia do Eng Cotovio não era desdenhar do curso, mas apenas colocar numa frase simples as boas práticas que vinha enumerando. No entanto, como deixou a ideia que o curso Alpha é só comer e beber, convém esclarecer, pois, que este método, é uma apresentação da mensagem central da fé cristã, feita de um modo fraterno, mas profundo, onde a refeição inicial em que todos participam serve para gerar laços de amizade e de confiança, pois o Evangelho não entra nos corações enquanto não houver um clima de tranquilidade e de confiança na Igreja que anuncia. E muitas pessoas quando chegam a estes cursos trazem muitas resistências ligadas a preconceitos ou mesmo a feridas reais que sofreram com outros membros da Igreja. A refeição, no início de cada sessão, segue o método que Jesus tantas vezes seguiu ao aceitar e até oferecer-se para comer em casa dos pecadores como Mateus, Zaqueu, Simão, Lázaro, Pedro, e tantos outros. Esta prática frequente levou a que até o apelidassem de glutão em contraste com João Baptista que era um penitente. Mas cada sessão do curso Alpha dura à volta de 2.30h, e na refeição gasta-se cerca de 30-40 minutos. O resto do tempo é o anúncio da fé, o trabalho de discussão em grupos, e a oração partilhada. A outra expressão utilizada diz: "ali pelo menos meia dúzia olha-se nos olhos, frente a frente…", a expressão não está incorrecta, pois embora os cursos Alpha em Portugal, sejam cursos que têm sempre para cima de 30 pessoas, chegando frequentemente a ter mais de 50 participantes, como a discussão se faz em grupos pequenos de 10 pessoas, não está mal dizer que cerca de meia dúzia se olha olhos nos olhos. No entanto a leitura parece fazer perceber que o curso consiste nessa meia dúzia de pessoas, o que em si, é possível, já que se fazem muitos cursos Alpha com 3 a 10 pessoas, e com muitos frutos, mas a prática em Portugal, na Igreja Católica não é essa.
Jorge Santos

Alhadas: Promessas de Escuteiros

Estimados é com muita alegria e humildade que vos comunicamos, a promessa de 8 aspirantes a Escuteiros, 4 lobitos, 3 exploradores e 1 pioneira do Agrupamento de Escuteiros de Alhadas.
Esta cerimónia terá lugar dia 29 de Março, na Capela de Nossa Senhora da Esperança, na Freguesia de Alhadas.

A promessa será a confirmação em como os aspirantes conseguiram atingir o proposto, as 5 finalidades do escutismo; Desenvolvimento do carácter, da criatividade, do sentido dos outros, do físico e do sentido de Deus.

Muito nos agradaria a vossa presença neste momento tão importante na nossa caminhada escutista. Solicitamos desde antemão a publicação do mesmo anúncio no vosso jornal.

Programa:
Pelas 21h de Sábado, Velada de Armas na capela de Nossa Senhora da Esperança, presidida pelo Padre Pedro Hoka, como preparação para as promessas, sendo os aspirantes incentivados ao cumprimento dos Princípios e da Lei do Escuta.

Domingo da Promessa:
Pelas 12h, haverá almoço convívio, aberto a população com o fim de angariar fundos para a compra de materiais para o Agrupamento.
Às 15h Eucaristia e Promessas Escutistas presidida pelo Assistente do Agrupamento Pe Pedro Hoka.
Os aspirantes após as provas prestadas farão a seguinte promessa: “Prometo pela minha honra e com a graça de Deus fazer todos os possíveis por: Cumprir os meus deveres para com Deus; Igreja e Pátria, auxiliar o meu semelhante em todas a circunstancia e obedecer à Lei do Escuta.”

No final da eucaristia realiza-se a assinatura do protocolo de cedência de Instalações, da nossa sede de agrupamento, a Escola Primária da Esperança.
Segue-se um lanche de confraternização, preparado com muito carinho pela Comissão de Pais que desde já agradecermos aqui publicamente pela ajuda prestada sempre que solicitados.

O Chefe de agrupamento
Márcio Santos

24 de março de 2009

"O Padre Pedro dos Santos era um homem empreendedor"

- afirmou D. Albino Cleto na sessão de homenagem ao antigo director do Colégio de São Teotónio
O Colégio de São Teotónio homenageou no passado dia 20 de Março o seu antigo director, Padre Pedro dos Santos, com uma eucaristia e uma sessão solene presidida pelo Bispo de Coimbra, D. Albino Cleto.


Esta homenagem integrou-se no âmbito da inauguração de três novas salas de aula equipadas com quadros interactivos e equipamento multimédia.
Segundo D. Albino Cleto, "a própria doença não lhe conseguia tirar da cabeça os projectos". "Sempre que o visitava no hospital, dizia-me sempre que estava melhor para retomar a actividade", salientou o prelado da Diocese de Coimbra. Para D. Albino, o Padre Pedro dos Santos era um "homem empreendedor", fazendo o clero e o seu bispo sentir-se honrado.
O Padre Manuel Carvalheiro Dias, actual director do colégio, caracterizou o seu antecessor como "um homem de sonhos", que, agindo com determinação, deixou uma "manifesta e reconhecida obra feita". Dos 45 anos do Colégio de São Teotónio, "25 tiveram a assinatura do Padre Pedro dos Santos", realçou o sacerdote. Aproveitou a oportunidade para tecer algumas críticas aos "atentados que hoje" são dirigidos às escolas particulares. "Há que estar atento", afirmou o director.
Segundo a professora Luiza Nora, o Padre Pedro dos Santos "foi uma referência em todas as nossas vidas". A docente testemunhou as dificuldades e sacrifícios pelas quais o Padre Pedro passou para arranjar dinheiro para salários, subsídios e outras despesas da instituição. A professora Idalisa Ferreira falou da bondade e da generosidade do homem que a convidou a fazer parte do corpo docente.
Antigos alunos que também se pronunciaram acabaram também por exprimir esse mesmo sentimento. A ele se referiram não apenas como o Padre e director, mas como o "amigo", "familiar e "pai" que não obstante nos últimos anos ser o pároco de Semide, gostava de ter notícias do colégio que ajudou a erguer. "Como está o nosso colégio?", perguntava sempre o Padre Pedro dos Santos.
Segundo a direcção do colégio, outras iniciativas de homenagem póstuma irão acontecer. Para já fica patente junto ao auditório do colégio, uma exposição fotobiográfica sobre o Padre Pedro. Nesse dia, também foi distribuído aos convidados uma fotobiografia no formato de revista.


MC

D. Ximenes Belo: Educação é fundamental para erradicar a pobreza


Numa conversa informal no auditório da Faculdade de Ciências e Tecnologia de Coimbra, no Pólo II da Universidade, D. Ximenes Belo classificou como muito positiva a recolha de livros para Timor promovida pelo Núcleo de Estudantes de Engenharia Electrónica e de Computadores da Associação Académica de Coimbra (NEEEC/AAC). O Prémio Nobel da Paz aludiu à importância da educação no desenvolvimento de Timor e referiu que a "gente deve pensar que nascemos, estudamos e trabalhamos não tanto para nós próprios mas para o bem dos outros". Para D. Ximenes Belo, a erradicação da pobreza naquele país passa pela melhoria dos serviços de saúde, por consolidar a política da agricultura e ainda pela consciencialização dos timorenses de que têm de mudar a sua maneira de ser.

Ciclo de Conferências na Ordem Terceira de S. Francisco


No âmbito das comemorações do 350.º aniversário da Fraternidade de Coimbra da Ordem Terceira de S. Francisco, vai decorrer um ciclo de conferências na sede, à rua da Sofia, 114. A primeira terá lugar no dia 6 de Abril, a partir das 15,30 horas e será proferida pelo Professor Doutor Marcelo Rebelo de Sousa, que abordará o tema "Portugal 2009". As inscrições são gratuitas e deverão ser feitas na sede da Ordem ou pelo telefone 239 822938 (horas de expediente) e telemóvel 96 6377550 até ao dia 31 de Março, sendo que o número limite de participantes é de 150. O ciclo continuará, em data a anunciar oportunamente, com conferências proferidas pelo Dr. Mário Ruivo, Director do Centro Distrital da Segurança Social e pelo padre Dr. Vítor Melícias, Provincial dos Frades Menores Franciscanos.

Renúncia quaresmal apoia Obra de Frei Gil



Apoiar a Casa da Praia de Mira da Obra de Frei Gil é um dos objectivos da renúncia quaresmal da Diocese de Coimbra. Nesta edição damos-lhe a conhecer a instituição que alberga crianças e jovens carenciados.

A Casa da Criança da Obra do Frei Gil, situada em Praia de Mira, é um dos três Lares de Acolhimento de Crianças e Jovens em Risco, pertencente à Obra do Frei Gil, Instituição fundada em 1942 por Frei Gil Alferes, frade Dominicano, natural do concelho de Oliveira do Bairro.
Actualmente, o Lar acolhe permanentemente quarenta rapazes de idades compreendidas entre os 8 e os 20 anos. Estas crianças e jovens chegam à Instituição através dos pedidos oficiais dos Tribunais Judiciais ou de Família e Menores, das equipas de menores da Segurança Social (EMAT - Equipa Multidisciplinar de Assessoria aos Tribunais), ou ainda das Comissões de Protecção de Crianças e Jovens espalhadas pelo país.
As crianças e jovens são essencialmente da zona Centro e Norte do país, nomeadamente Distritos de Coimbra, Leiria e Aveiro.
A equipa de colaboradores da Instituição trabalha diariamente para o cumprimento rigoroso do projecto de vida de cada criança e jovem, tendo em vista a satisfação das suas necessidades físicas e psicológicas, com a finalidade de atingir, no menor espaço de tempo possível, a sua reintegração na família biológica ou alargada, em família de acolhimento ou adoptante ou apoiar a sua inserção na vida activa, através da autonomização.
Todas as crianças e jovens frequentam o ensino regular nos 1º, 2º, 3º Ciclos do Ensino Básico, Ensino Secundário, Universitário e Profissional, algumas com Necessidades Educativas Especiais, tendo em conta as suas dificuldades de aprendizagem, sendo acompanhadas diariamente pelas Psicólogas e Professoras da Instituição.
Além do ensino, é também proporcionado a cada criança e jovem a sua participação e inserção nas actividades culturais, desportivas e religiosas da comunidade envolvente. A grande maioria das crianças pratica desporto nos clubes desportivos locais, frequenta a catequese na Paróquia de Praia de Mira, na qual assistem também à Eucaristia Dominical, e frequentam alguns grupos de actividades culturais e recreativas, tais como a dança ou as marchas populares.
A sustentabilidade financeira do Lar é assegurada principalmente com o Acordo de Cooperação estabelecido com o Instituto da Segurança Social de Coimbra, o qual assegura cerca de metade das despesas mensais da casa, estando a restante dependente de donativos de particulares e colectividades, os quais têm decrescido significativamente nos últimos anos.
Além deste apoio financeiro, a Instituição conta ainda com o apoio em géneros alimentares ou em espécie, provenientes de entidades como Banco Alimentar Contra a Fome, Programa Comunitário de Ajuda Alimentar a Carenciados do Instituto da Segurança Social, Hipermercados, Empresas, Associações Culturais e Religiosas, Agrupamentos de Escuteiros, Grupos de Catequese e particulares em geral.
Tendo em conta a necessidade urgente de requalificar e melhorar alguns dos espaços da Instituição, nomeadamente casas de banho, balneários e quartos, encontramo-nos actualmente a recolher fundos que nos permitam efectuar essas obras, indispensáveis ao bom funcionamento do Lar.

Conferências Quaresmais em Coimbra



Maria do Loreto Paiva Couceiro defende "reforma do pensamento"


Maria do Loreto Paiva Couceiro do movimento do GRAAL abordou no passado dia 19 de Março, no ciclo de Conferências Quaresmais, em S. José, o tema: Que Igreja num mundo global?" Apesar da conferencista não ser nenhuma especialista em S. Paulo, abordou o fenómeno da globalização na era de S. Paulo e dos nossos dias. Para Maria do Loreto Couceiro, "podemos conhecer o mundo todo, mas continuamos individualistas". Para antiga paroquiana de S. José, "há uma homogeneização" do mundo, "uma perda de identidade cultural, onde todos se vestem de igual e comem as mesmas coisas". Segundo Maria do Loreto, "impera no mundo uma cultura do sucesso, do dinheiro e do poder. Não há cultura da sensibilidade e do amor", referiu a conferencista perante uma centena de participantes das diversas paróquias da cidade. "Vivemos num mundo com guerras de religiões e o fenómeno do terrorismo e tudo isto entra nas nossas casas através dos meios de comunicação social", salientou para explicar o fenómeno da globalização.
Maria do Loreto afirmou que na sociedade ocidental, vive-se uma crise, onde a maioria, por sinal, são cristãos - a crise da cultura da felicidade. "Todos andamos cansados, vivemos a um ritmo alucinante, há necessidade de medicamentos para descansar/dormir", alertando para que a Igreja reflicta muito seriamente sobre isto. Maria do Loreto disse ainda que "é necessária uma reforma do pensamento, que regresse às fontes, que nos dê alegria e a possibilidade de viver doutro jeito. "São necessárias novas formas de pensar a política, o ambiente, a economia, referiu ainda Maria do Loreto. Desta forma, Maria do Loreto iniciou a sua reflexão sobre S. Paulo. Ao interrogar-se sobre aquilo que o S. Paulo tinha a ver com isto tudo, Maria do Loreto responde que "Paulo criou uma nova ordem e começou a pregar uma nova civilização para um mundo globalizado". Para a conferencista, S. Paulo alterou uma nova forma de pensar, de agir, de viver, de estar e se relacionar com os outros.
As Conferências Quaresmais decorrem às quintas-feiras, pelas 21,15 horas, no Salão da paróquia de S. José. No dia 26 de Março caberá ao Bispo Auxiliar de Braga, D. António Couto falar sobre o tema "Comunidades e capelinhas?". D. António Couto foi ordenado bispo em 2007 e pertencia aos Missionários da Boa Nova. No dia 2 de Abril, o Padre Doutor Joaquim Carreira das Neves falará sobre o tema "Desafios da Evangelização, hoje". O Padre Carreira das Neves é professor jubilado da Universidade Católica Portuguesa e é assídua presença no programa Ecclesia transmitido de segunda a sexta-feira na RTP 2.


Miguel Cotrim

Reunião do Conselho de Presbíteros


Nos dias 17 e 18 de Março, sob a presidência do Bispo da Diocese, D. Albino Mamede Cleto, reuniu, na praia de Mira, o Conselho de Presbíteros.
O Conselho apreciou e votou algumas linhas de orientação no sentido de ajudar as comunidades e os seus agentes pastorais a pôr em prática as indicações do Plano Diocesano.
Chamou-se a atenção para prioridade que, desde sempre, se tem dado ao testemunho e verdade pessoal dos evangelizadores. Salientou-se a experiência dos pequenos grupos de cristãos que devem ser o espaço privilegiado de crescimento na fé, de uma fé adulta que é necessariamente sinal e referência para o chamamento de outros para o seguimento de Jesus de Nazaré.
Sublinhou-se ainda a necessidade de promover uma abordagem da religiosidade popular como espaço de encontro com muitos cristãos e que pode ser ponto de partida para uma integração verdadeira na experiência eclesial.
Anotou-se, também, a necessidade de elaborar um elenco das experiências significativas que em variados sítios da Diocese têm vindo a acontecer e que podem propiciar alguns caminhos de esperança nesta abordagem, de uma Igreja que deve estar permanentemente em missão.
O Conselho foi informado, pelo Ecónomo da Diocese, sobre a situação económica do Fundo Diocesano do Clero, que tem sinais de alguma estabilidade, podendo continuar a proporcionar as ajudas aos que, pela sua idade ou pela situação económicas das paróquias, têm necessidade de apoio.
O Secretário Diocesano da Catequese deu algumas informações sobre as iniciativas que têm vindo a ser implementadas em ordem à formação de catequistas com as reuniões nos vários arciprestados. Está também marcado para breve um encontro com os Párocos para uma reflexão sobre o desenvolvimento da Catequese e das Catequeses.
O Senhor Bispo encerrou os trabalhos depois de informar sobre algumas questões importantes para a Diocese, tal como a reformulação do ISET e a necessidade de obras no Seminário de Coimbra.

Praia de Mira, 18 de Março de 2009
O Secretário do Conselho

Peregrinação de Jovens a S. Paulo de Frades


Antecipando o "Dia Mundial de Juventude", mais de trezentos jovens cristãos das paróquias e arciprestado de Coimbra peregrinaram até S. Paulo de Frades no passado domingo.
A iniciativa resultou de um projecto elaborado pelos párocos do arciprestado, a que aderiram com entusiasmos grupos juvenis de quase todas as paróquias.
A marcha, sempre a pé, iniciou-se às 9,30 horas, partindo de vários pontos: Monte Formoso, Casa do Sal, Santo António dos Olivais.
Após repetidas interrupções, em que se evocaram as três viagens apostólicas de S. Paulo, os grupos concentraram-se na capela e salas do Lordemão. Ali se almoçou.
Após nova caminhada, celebrou-se a Eucaristia em S. Paulo de Frades, presidida pelo senhor Bispo.
Seguidamente, houve ainda tempo para grupos de reflexão, onde vários temas foram abordados: "As loucas viagens do Dr. Lucas" (S. Lucas e S. Paulo); "O rapaz da bicicleta" (Frei Roger e Taizé); "O grupo da Chapadinha" (férias missionárias); e outros.
A jornada terminou com uma festa ao ar livre… e com o coração de todos cheio de alegria no regresso a casa.

A.M.

Escolas Católicas promovem "Uma noite pela Comunidade"



No âmbito da campanha de solidariedade para com a Comunidade Juvenil de S. Francisco de Assis (CJSFA), em Eiras, o Núcleo das Escolas Católicas da Diocese de Coimbra (NEC), promoveu no passado dia 20 o espectáculo "Uma noite pela Comunidade". O auditório dos HUC foi pequeno para acolher as centenas de alunos, pais e professores que, com a sua presença e entusiasmo, mostraram que o valor da solidariedade é efectivamente sentido e promovido no dia-a-dia destas escolas.
Pelo palco, passaram os cavaquinhos do Colégio da Imaculada Conceição (CAIC), as canções e danças do Externato de João XXIII, as músicas corais do Colégio de S. Teotónio, as danças jazz do Colégio de S. José, as percussões do Colégio da Rainha Santa Isabel e as músicas e danças da Comunidade Juvenil de S. Francisco de Assis. A Irmã Teresa Granado, directora da CJSFA, agradeceu, sentida, esta festa de convívio proporcionada pelas escolas católicas e cuja receita reverteu integralmente para ajudar os cerca de cinquenta crianças, adolescentes e jovens que têm na CJSFA a sua casa e a sua família.
Este percurso solidário do programa SOLNEC contempla outros gestos, tais como o acolhimento de crianças da Comunidade durante um dia ou um fim-de-semana, e uma série de actividades a concretizar nos próximos tempos, nomeadamente a assistência a um jogo de futebol no Estádio Cidade de Coimbra, um passeio no Basófias e o IV Festival SOLNEC. Também as Associações de Pais das Escolas Católicas estão a colaborar nesta campanha, propondo-se remodelar os pavilhões mais antigos, proporcionando assim mais conforto aos utentes.
É também desta forma que as escolas católicas se afirmam como espaços privilegiados de evangelização junto das camadas mais jovens e das suas famílias, além de, como "escolas", cultivarem a educação integral. E será esta síntese entre a Fé, a cultura e a vida que configurará a pessoa do aluno e o projectará para a sociedade, como cidadão responsável e interventivo.
Estas actividades do NEC inserem-se no projecto Vida Nova do programa SOLNEC, visando o incremento do voluntariado dos alunos das escolas católicas junto das crianças mais desfavorecidas.


J.C.

Com profunda religiosidade

Carapinheira reviveu Procissão de Passos



A centenária “Procissão do Senhor dos Passos”, que saiu à rua dia 22, culminou numa significativa manifestação de fé e devoção, reunindo centenas de fiéis que viveram intensamente este acto litúrgico.
Através dos séculos, na época quaresmal, os cristãos souberam traduzir, por diferentes formas, os mistérios principais da nossa Fé na Morte e Ressurreição do Senhor. A Procissão dos Passos é uma maneira visível e silenciosa de proclamar o Mistério da Paixão e Morte de Jesus Cristo. A comunidade cristã da Carapinheira, gozando a felicidade de acolher no seu seio algumas das mais antigas manifestações de religiosidade popular, tem por tradição reconstituir os momentos mais marcantes alusivos à morte de Cristo, com a realização de soleníssimas procissões do “Senhor dos Passos”, no fim-de-semana que engloba o Domingo IV da Quaresma. Os pontos altos das cerimónias de domingo residem na Celebração da Eucaristia e Sermão do Pretório, além do Cantar da Verónica, no Sermão do Encontro, numa simbologia do encontro de Cristo com sua Mãe, a caminho do Gólgota e no sermão do Calvário. As cerimónias foram presididas pelos Padres José Luís Ferreira e António Domingues, enquanto os sermões foram proclamados, com elevação, pelo Padre Luís Manuel Bairrada, pároco das comunidades de Bencatel, Pardais e S. Bartolomeu de Vila Viçosa (diocese de Évora), todos da Congregação dos Missionários do Preciosíssimo Sangue.
A solene Procissão dos Passos ofereceu a participantes e espectadores, em quadros alegóricos e encenação dramática, a caminhada de Cristo até ao Calvário. Nela seguiram as figuras que “intervieram” no julgamento, condenação e morte de Jesus: soldados, algozes e inimigos; mas também Cireneus e amigos, Madalenas arrependidas e piedosas mulheres. O próprio Jesus, o “Senhor dos Passos”, levando a cruz às costas (a imagem do Senhor dos Passos, apresenta-O com um dos joelhos no chão e a Cruz aos ombros), percorreu as ruas da vila, como outrora percorreu as de Jerusalém, numa autêntica “Via-sacra”. Representando a caminhada dolorosa de Jesus, desde a sua condenação até à sua Morte, esta “via-sacra” apenas celebra sete “estações”. A primeira estação – Jesus é condenado à morte – ocorre na Igreja, com o Sermão do Pretório; a segunda estação – Jesus toma a cruz aos ombros – é invocada num painel pintado, na Capela de Santo Cristo; a terceira estação – Jesus cai pela primeira vez – é contemplada num painel pintado, em frente à Igreja, próximo da Junta de Freguesia; a quarta estação – Jesus encontra sua Mãe – é celebrada no Largo do Alhastro, com o Sermão do Encontro (os andores com as Imagens de Cristo e Maria Mãe são colocados frente a frente); a quinta estação (a sexta na via-sacra) – Verónica limpa o rosto de Jesus – é evocada num painel pintado, na Capela de Santo Amaro; a sexta estação (oitava na via-sacra) – Jesus exorta as filhas de Jerusalém – é meditada num painel pintado, na Casa Paroquial; a sétima estação (a décima segunda na via-sacra) – Jesus morre na Cruz – é exaltada na Igreja Matriz, com o cenário do Gólgota e o Sermão do Calvário. O Calvário, já armado e encimado com Cristo Crucificado, é composto pelas figuras bíblicas que integraram a procissão. Antigamente era a Imagem do Senhor Morto que presidia ao Calvário.
Nas “sete estações”, a Verónica entoa a oração cantada em latim (“O vos omnes, qui transitis per viam, attendite, et videte si est dolor imilis sicut dolor meus” - Ó vós todos que passais por este caminho, vede se há dor igual à minha dor”), causando alguma emoção aos mais sensíveis.
Na semana anterior, ocorreram diferentes actos litúrgicos e sociais preparatórios deste piedoso acto litúrgico: visitas aos doentes, jornadas de reflexão e via-sacra, reconciliação, celebração da Eucaristia e procissão de velas.


Aldo Aveiro

Adeus a Brito Cardoso


Mário Nunes*

Por motivos de saúde, segundo nos informaram, o Cónego Doutor António Brito Cardoso deixara de colaborar, como era seu hábito, há muitos anos, em o Correio de Coimbra. Lamentámos que um historiador da Igreja Católica, com acentuado pendor nos valores da Diocese de Coimbra, em diferentes áreas da sua jurisdição, e abrangendo muitos séculos de existência, findasse a sua agradável e científica colaboração. Hoje, Domingo, lemos com pesar, que as suas investigações, interpretações, leituras e redacção de textos acabaram, definitivamente. A morte chegou e com ela fechou-se o ciclo terreno da vida de Brito Cardoso.
Por razões óbvias, dialogámos e trocámos pontos de vista históricos e sociais com o Doutor Brito Cardoso. Inúmeras vezes nos deslocámos ao Arquivo do Seminário e, ali, encontrámos, sempre, debruçado sobre livros e papéis amarelecidos e amarrotados ou até difíceis de ler pela impiedade do tempo, o escritor, mas sobretudo, o historiador de imensa obra editada, respeitante a Bispos, Diocese em si própria, santos, colegas sacerdotes, encíclicas papais, documentação inerente à criação e evolução do território jurisdicional e religioso da Diocese, criação de bispados, alusão a eventos relacionados com o clero, património monumental, inventário de bens, formulação de índices bibliográficos e tanto e tantos outros textos que preenchem centenas de páginas dos livros e brochuras que elaborou e publicou. A maioria das obras estão esgotadas. Nós possuímos, graças à sua amizade, alguns desses volumes, oferecidos com expressivas e imerecidas dedicatórias.
De lhaneza de trato, simpático, conversador, apaixonado pela História, dava os seus passeios, quer no jardim do Seminário, quer nos corredores - longos - que se semeiam no interior do edifício. Algumas vezes fomos companheiros de mesa na refeição do refeitório da Instituição, quando nos convidaram a partilhar o momento material e também espiritual que acontece naquele lugar.
Com mágoa vemos partir para a vida eterna o Cónego Brito Cardoso. E, dizemos com pesar, porque há pessoas, por mais espaçados que sejam os encontros esporádicos que tenhamos com elas, marcam-nos e jamais as esquecemos. Aconteceu connosco no tocante ao Doutor Brito Cardoso. Por isso, nesta hora de desapego terreno da sua pessoa do mundo dos vivos, deixamos a nossa prece, sentida, para que Deus o tenha em sua glória e ali permaneça vigilante e activo continuando a grandeza da sua acção clerical, humana e de riqueza intelectual e espiritual. Paz à sua alma.

*(Vereador da Cultura
Câmara Municipal de Coimbra)

Democracia e Cristianismo


A minha Quaresma

Manuel J. Matos *

A Quaresma é um período que se repete num ciclo anual. Essa repetição pode favorecer a sua desvalorização como uma fonte de influência sobre a nossa vida. Com todos os problemas que nos afligem, acrescentados este ano pela crise económica profunda que vivemos, sobra pouco para viver mais esta Quaresma.
No entanto, neste período particular, neste ano preciso, tenho-me colocado questões fundamentais que gostaria de partilhar com os leitores. Vimos do Natal e estamos a caminho da Páscoa. No Natal, revivemos o mistério da Encarnação, com toda a carga que acompanha esta escolha de Deus de partilhar a nossa vida feita de limitações. Atrevo-me a sugerir que essa seria uma razão principal: demonstrar-nos que, mesmo com as limitações da vida humana, é possível aspirar a mais, fazer mais.
Na Quaresma, confrontamo-nos com a caminhada para a morte do Deus feito homem, essa escolha terrível de uma morte terrível. Pergunto-me porquê. Uma decisão assim requer, para mim, uma explicação racional que não alcanço. E isso deixa-me perplexo, insatisfeito. Seria mesmo necessário?, pergunto-me.
Racionalmente falando, sem morte não haveria Ressurreição, isso é muito claro para mim. Mas não chega. Preciso de entender o sacrifício, a sua forma em particular. Preciso de entender por que é que isso tem, hoje, para mim um significado sobre a forma como olho a minha vida e como meço as minhas acções quotidianas. Valho esse sacrifício (mesmo que não o entenda)? Que meios utilizo para procurar entender melhor e reflectir sobre as consequências dessa busca para a minha vida?
Felizmente, graças às iniciativas ligadas ao Ano Paulino, outros vão-me ajudando a reflectir sobre estas (e outras perspectivas) à luz do entendimento de S. Paulo.
Apesar de ter o desejo, mesmo a urgência, de entender, não estou dependente da realização do mesmo para viver melhor a minha Quaresma deste ano. Tenho essa bênção que é a repetição, no próximo ano (e nos seguintes), do convite da Igreja para reflectir de novo os mistérios que desejo esclarecer (caso me esqueça).
A vida é feita de escolhas, mas também de não-escolhas. Posso ficar confortavelmente em casa a usar a televisão ou a internet para ocupar o meu tempo. Posso usar o tempo que passo no emprego da maneira que for mais conveniente para que o mesmo tempo passe depressa sem qualquer produção para além do mínimo exigível. Posso utilizar as minhas conversas de café para referir as banalidades que os "media" nos impõem quotidianamente. Mas também posso escolher não seguir a corrente de cada jornada, assumindo o incómodo de deixar de encaixar na forma como os outros me vêem. Ou usar o tempo livre para a reflexão, em que arrisco o incómodo de ser levado a mudar-me para permanecer coerente com a forma como penso.
Termino com uma imagem sobre a morte de Jesus, muito paulina, para a qual o meu pároco me chamou a atenção há já algum tempo: o Crucificado é também o Jesus de braços abertos para nos receber. Que faço, nesta Quaresma de 2009, para responder ao convite?

Membro da Direcção do CADC
manolo@bioq.uc.pt/manolo@ci.uc.pt

Inventariação da Paróquia de São José de Lavegadas


José Eduardo R. Coutinho

A 12 deste mês, ficou concluída e completada a inventariação da paróquia de São José de Lavegadas, com um total de 24 novas fichas e o respectivo registo fotográfico do património encontrado, na igreja matriz e nas capelas, o qual merecera, igualmente, a particular atenção manifestada pelo senhor Padre Anselmo Ramos Dias Gaspar, no decurso da paroquialidade, ali realizada. O encargo, agora cumprido, teve o constante acompanhamento do actual Prior, o Padre Joaquim Lopes Ribeiro Natário, e da senhora D. Maria Isabel Coimbra Coelho.
O longo passado histórico, destes sítios, é o mesmo da paróquia de São Miguel, da qual foram desmembrados e que tem o destaque na primazia, pelos testemunhos ancestrais, ainda materializados na serrania sobranceira, consignados nas fontes diplomáticas medievais e fixados nas explicitudes toponímicas, anteriormente contextualizadas, com especial relevância na Vila Chã, o designativo da vasta exploração agrária (villa) implantada na planura, em conformidade chamada plana para indicar o território, topograficamente rodeado de cumeadas.
Esse particularismo pode conter a origem do povoamento local que, independentemente da possibilidade inteira de ter principiado com a Reconquista cristã, estaria dependente do vizinho castro e podia, perfeitamente, produzir topónimos atinentes ao gradual fluir das continuadas gerações humanas: forçados, pelos romanos conquistadores, a descerem das submetidas eminências castrejas, para os campos das imediações, os povos autóctones obtiveram, ali, mais amplas condições de vida, pelo que prosseguiram o crescente desbravamento de terras, em breve designadas na dimensão de propriedades rústicas, onde vieram a surgir povoações.
Isso certifica o caso de villa Valaildi, de Valaildus, o nome pessoal germânico, recordado no topónimo Vale de Vaíde, que, pelo uso da preposição e pela existência do genitivo, mostra o grau de independência deste Vaaidi face a Vila Chã, também pré-nacional, sendo aquele acompanhado por três outros índices de antiguidade, como Alveite - uma eventual Alviti villa, de Alvitus -, Celas - as salellas, saellas, derivadas de sala, o apêndice urbano da circunscrição agrária - e Vale do Gueiro, indubitavelmente suevo-visigótico, como qualquer um dos elencados.
Um penedo ciclópico, vulgarmente designado dos Mouros, reporta, mediante o vocábulo empregue, aquilo que a nomenclatura popular prefere para mencionar âmbitos de carácter arqueológico, no geral atinente à Romanização, à proto-história e aos monumentos megalíticos, anteriores a esta. Tal é o caso do dólmen situado na passagem planáltica da serra do Bidoeiro para a da Atalhada, existente na linha do viso; a notória mamoa e os restos da câmara funerária volumetrizam a grandiosidade da construção, parcialmente visível, implantada nos confins ocidentais do território, que lhes pertencia.
Por mais incrível que pareça, este facto traduz a demarcação de uma fronteira natural, imemoriável, assim assinalada por grupos tribais, de caçadores-recolectores, na fase de incipiente sedentarização, que, com a deposição dos enterramentos - de modo primário, ou, secundário -, transferiam para os defuntos a perene função de vigilância sobre o exterior, e transmitiam, aos adventícios, estranhos, a sacralidade telúrica do lugar, a reclamar pleno respeito, enquanto declarava deter uma organização autónoma.
Deste sítio incomparável, constituído paradigmático, pela justa percepção admiravelmente captada pelos camponeses da sociedade neolítica, o panorama visual alcança os maciços do Caramulo, a cordilheira da Estrela, parcialmente nevada, os picos da serra da Rocha, a mole da Lousã e montes direccionados ao Atlântico. Num ângulo giro, a observação do horizonte paira sobre alargados domínios transterritoriais, enquanto, no sentido Nascente, as rampas, precipitadamente íngremes, definem os confins imediatos, debruçados sobre os profundos meandros do rio Alva, um outro reforço delimitativo do dito território.
Com efeito, esta precisa circunstância tem permanecido inalterável, desde o V milénio a.C., e, a partir da generalizada cristianização das tradições e dos costumes religiosos, cuja maior intensidade provém de Trento, fora construída uma ermida, dedicada às Almas, a curta distância e frente ao tumulus, reafirmando a velha crença (supersticiosa) acerca do cruzamento dos caminhos, todavia, com o novo enquadramento cristão, só que uma perdida/obscura menção medieval - porque tão repetida, no fluente facilitarismo reducionista e deturpador, característico da cultura oral, popular - acabou finalizada na expressão capela de São Pedro Dias, quando tal invocação é recentíssima e deve redundar das tónicas em que figurava um substantivo, talvez a serra ao pé do Dordias, como parece crível, salvo certeza em contrário.
Nos plainos da vertente levantina, de parcelas com óptimos terrenos agrícolas, tinha o Presbítero Ismael vários bens fundiários, que, em 946, dispusera, em testamento, para o mosteiro de Lorvão, e no qual começa por incluir a uilla mucella integra per suis locis terminis antiquis (…) et est illa uilla pernominata in ripa de aluia. Et illa ecclesia uocabulo sancti martini cum omni illorum seruitio (Diplomata et Chartae, 55). Novamente, o titular é, de facto, das melhores devoções da pré-nacionalidade, repetidamente citado nos documentos antigos, entre os favoritos.
Volvidos séculos, a plataforma sacralizada do lugar, estabelecida sobre vertiginosas ravinas, nas ribas abruptas da margem do rio, sintoniza circunstâncias típicas de remotas idades, permanecendo singular e, sugestivamente, reveladora de particularidades egrégias, tanto mais importantes quanto do posterior povoado de Lavegadas nenhum rasto subsiste.
Restam uns lugarejos habitados, a paróquia instituída pelo desmembramento da de São Miguel e a comum inclusão no enorme senhorio do Mosteiro de Santa Cruz, aqui, transferido, também, para a Universidade, a partir de 1537, depois referido como curato, desta apresentação académica. A par das interessantes informações histórico-arqueológicas, enunciadas, prevalece um diminuto acervo patrimonial, onde a escultura calcária, de tradição quatrocentista e quinhentista, a imaginária do século XVII e XVIII, vários estanhos e apreciáveis manufacturas, em metal, e outras peças omnipresentes, como missais setecentistas, ocupam os principais haveres, felizmente conservados.