Correio de Coimbra

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11 de julho de 2008

Nos caminhos da serra

Por A. Borges de Carvalho


As serras da Pampilhosa foram em tempo um outro mundo. Sem comunicações, sem transportes, o isolamento era quase total. Era quando as viagens de terra para terra se mediam por horas de caminho!
Entretanto, as populações da serra guardavam estilos de vida que pareciam herdados de qualquer paraíso terreal: a simplicidade no viver, a delicadeza nas relações, a ajuda mútua, a intimidade familiar que assentava no respeito, na educação e na Fé. Todos esses valores germinavam nas funduras dos montes onde à volta dos regatos semeavam e colhiam os escassos bens da terra. Parece ter andado por ali Rousseau com a sua teoria do homem naturalmente bom que a sociedade havia de corromper.
Quando puderam, os homens transplantaram-se para a capital e foram eles que deram vida aos bairros onde ainda hoje convivem porta com porta, como Alfama, o Castelo, Santa Engrácia. S. Vicente deixou de ser de Fora para integrar esses imigrantes que por lá se alistavam, ora na estiva, ora na estação como moços de fretes e almeidas. Mas sempre gente que se dava ao respeito e eram tratados da mesma maneira. Por eles, os tribunais podiam fechar!
Nas aldeias ficavam as mães, tratando das leiras e carregando com os filhos que, anualmente os maridos lhes confiavam. Alguns não vingavam que o trabalho era duro e a assistência do concelho, que é dela? Só o dr. Barateito, depois o dr. Afonso iam socorrendo como podiam os pedidos de socorro que choviam de toda a parte. Era, de facto, uma miséria imerecida.
Mensalmente, abasteciam-se no mercado da Pampilhosa e todos os anos peregrinavam até à feira do Montalto em busca de ferramentas, pipos e roupas.
À noite as mães rezavam pelos que morte levou e pelo regresso do pai, enquanto os pequenos a toscanejar com sono e apoquentados pelo fumo das lareiras treinavam para os martírios que a vida futura lhes havia de trazer.
E sempre sem manifestações ou revoltas. O que tinham de melhor deram-no aos da planície: a energia da barragem de Santa Luzia! E eles por lá ficaram às escuras ainda por muito tempo!
E que deu mais a serra? Deu homens e mulheres nascidos nesses berços de exclusão que vieram a honrar e a enriquecer os caminhos de Portugal. Foi no campo da Igreja onde mais brilhou a inteligência e a bondade dos filhos da serra. Lembremos o Cónego dr. Urbano Duarte, o Cónego dr. Brito Cardoso, os Bispo D. João Campos Neves, o Arcebispo Primaz de Braga, D. Eurico Nogueira e tantos outros.
E dos que ficaram por lá só encontramos gigantes que apostaram tudo e se empenharam em ser guias espirituais e companheiros solidários daqueles condenados da terra. O padre Alfredo, de Fajão, o padre Luciano, do Cabril, o padre André, do Colmeal, que atravessaram as serras para dar o "pasto espiritual" aos fregueses prestes a partirem para a outra vida. Não olhavam às tempestades, às invernias que os deitavam abaixo a eles e às cavaletas em que se transportavam. No Verão, com calor abrasador, fiéis ao jejum eucarístico, nem água podiam beber! Mas lá iam celebrar a missa dominical ou a festa do padroeiro.
Ainda anda por aí um dessa raça de Homens de Deus, totalmente devotado aos irmãos. Refiro-me ao padre José Salvador de Almeida. Oitenta e seis anos, sem qualquer espécie de privilégio a não ser com a única exigência de servir! Incarnou nele a Bondade, a Solicitude e a Misericórdia de Deus. Uma vida longa doada à serra, sem desistências. Não se lhe conhecem desânimos nem lamentações. Quem o conhece, venera-o como um pai e segue-o como pastor solícito e afável que ele é!
O padre Salvador tem uma maneira de abençoar! É um abraço bem apertado, bem forte que deixa jorrar amizade e carinho. Ainda há dias os drs. Raul Caçador e Manuel Campos se cruzaram com ele no Cabril e vinham espantados com a sua simplicidade, o seu acolhimento e o seu abraço que acorda para a verdade quem nunca a tenha experimentado. Os ossos rangem! Os braços estalam e faíscam centelhas de raios dum coração que se abre para o outro coração.
Ouço dizer que por estes dias, muitos vão ao seu encontro nos caminhos da serra para lhe dizerem quanto o veneram e estimam. Vou também. Destes santos, já se encontra pouco!

Fé e Compromisso


VIVER COM ESPERANÇA ESTES TEMPOS NOSSOS

Por José Dias da Silva

Este tempo que somos chamados a viver não é um tempo fácil. É certo que sempre temos tendência a supor que as nossas dificuldades são maiores que as de outros tempos, como se no passado tudo fosse facilidades. Contudo, bastará recordar, já no meu tempo de "trabalhador profissional" um ano em que recebemos apenas meio subsídio de Natal e Portugal não deixou de ser nação nem de se ir integrando numa Europa que se vai construindo aos soluços.
Acho que um dos méritos que se poderá atribuir ao governo de Sócrates foi ter feito com que as pessoas percebessem que vivíamos realmente um período difícil, que os tempos não estavam para brincadeiras e que todos tínhamos de tomar consciência dessa realidade. Já há muito se falava de crise, mas era uma palavra sem conteúdo e sobretudo sem repercussões na realidade concreta do dia a dia.
Mas não conseguiu efectivamente convencer as pessoas de que a crise era uma realidade cuja solução teria de passar pelo contributo de todos e não apenas de alguns. De repente todos passaram a vestir a camisola do clube "Os outros que paguem a crise". Assistimos então ao que assistimos: ameaças corporativas, manifestações quase imorais de egoísmos grupais na defesa dos ditos "direitos adquiridos", verdadeiros privilégios discriminatórios. Mas lá fomos vivendo. Pior que isso, foi a recusa em alterar comportamentos individuais. Assim assistimos hoje a um crescente endividamento das famílias: qualquer coisa como 130%! Pessoas e famílias vivemos muito acima das nossas possibilidades. Vamos no canto das sereias dos bancários que distribuem cartões a rodos, propõem "compre agora e pague com o próximo ordenado" e até há os que depositam sem autorização do próprio o ordenado do mês seguinte para o cliente poder continuar a endividar-se: sempre haverá uma casa ou um carro para enriquecer o património bancário! Outro exemplo: apesar dos aumentos contínuos da gasolina, quantos foram os que deixaram de andar de carro particular? As estatísticas falam de 8%, o que tendo algum significado está muito longe de corresponder ao volume das queixas. Mais um exemplo se poderá encontrar visitando os restaurantes e até parece que quanto mais caros mais cheios!
Outra ideia, que não foi possível desmontar na maioria dos cidadãos, é a de que o Estado é uma entidade autónoma, que nada tem a ver com os cidadãos e que além disso tem todo o dinheiro que quer. Daqui decorre várias consequências graves. A primeira é a de, sendo assim, o cidadão só não foge aos impostos se não puder. E agora que o fisco decidiu perseguir os faltosos estamos sempre mais prontos a valorizar os excessos e até injustiças cometidas (e é um exercício de cidadania não deixar cometê-los) do que a louvar essa "perseguição" exigida pela justiça social. E em vez de impostos, poderia falar na praga das "baixas" fraudulentas. Mas há outras consequências. Sempre que algum grupo, justa ou injustamente, vem reclamar dinheiros ao Estado esquece que não são do Estado, mas dos contribuintes: o Estado não tem uma máquina de fazer dinheiro para dar sempre que alguém pede. A sua função é gerir os dinheiros de todos com proporcionalidade e justiça social sempre ao serviço do bem comum. Isto é o que temos o dever de exigir do Estado. Mas esta exigência não acarreta apenas responsabilidades para os governantes que devem fazer o melhor uso possível de um dinheiro que não é seu; traz também responsabilidades para os cidadãos que devem, também em espírito de solidariedade e até subsidiariedade, aceitar e até exigir discriminações positivas para aqueles grupos ou pessoas que estão mais carenciadas ou são vítimas da nossa má organização social. E aqui o egoísmo dos cidadãos é proverbial: os mais carenciados somos sempre nós. Por isso se torna aqui particularmente exigente o papel do Estado numa atenção privilegiada aos mais necessitados, que neste momento começam a alargar-se à classe média (há já quem peça comida por mail), porque, como já dizia Leão XIII, os ricos sempre resolvem bem as suas dificuldades.
Finalmente, nestes nossos tempos difíceis que não acabaram, seria bom que todos tomássemos consciência de que esta situação exige o contributo de todos. Do Estado espera-se uma gestão dos nossos dinheiros públicos inovadora e com novos paradigmas (não tenhamos ilusões: os paradigmas passados já não servem!), o desenvolvimento de políticas ousadas e criativas nos vários âmbitos social, habitacional, laboral, familiar, educacional, sanitário e também a capacidade de transmitir um espírito realista de optimismo e confiança no futuro.
Mas também aos cidadãos é pedido que deixem de ser meninos mimados, exigindo birrentamente tudo o que lhes apetece, que mudem hábitos e costumes, que aceitem que têm de fazer sacrifícios. No fundo que ganhem juízo, se tornem adultos responsáveis e se disponham a dar o seu contributo para a construção de um país mais justo, mais solidário, mais humano.
Os tempos difíceis não se superam com pessimismos e lamentações, mas com a certeza de que todos juntos somos capazes. E sobretudo com muita esperança. Basta acreditar. Basta todos
querermos, dando cada um o contributo que lhe compete. Até porque um país com quase nove séculos de história já passou por muita coisa e já venceu muitas crises. Também vamos vencer esta. Porque we can, como dizia Obama.

Pré-Seminário: um testemunho da Comunidade Cura D’Ars


Já se passaram três anos. Agora, mal recordo como tudo começou, mas sei que nunca esquecerei a intensidade que esta experiência teve, que nada mais fez que mudar toda a minha vida.
Tudo começou quando pus a hipótese de vir a ser sacerdote. Este pensamento acabou por me transportar até à Comunidade Residente do Pré-Seminário da Imaculada Conceição, uma ideia recente que foi construída entre vários sacerdotes da Diocese de Coimbra e da qual eu acabei por me tornar, de certa forma, cobaia, pois pude ter a honra de ser um dos primeiros a dar alguma cor a esta Comunidade.
E se houve algo que ao longo dos tempos foi destacando esta Comunidade foi precisamente este carácter que permitiu que mesmo os participantes pintassem as paredes espirituais que constituem esta casa, que depressa se tornou também um lar de cada um de nós.
Este percurso não foi nada fácil, e se tendencialmente o ambiente era leve e sossegado para poder ser preenchido por estudos e trabalhos, também havia momentos pesados onde através de reuniões onde partilhávamos aquilo que nos atribulava, que achávamos errado, ou que sentíamos em falta, dávamos mais alguns passos no nosso desenvolvimento como pessoas e como cristãos.
Esta casa permitiu acima de tudo um desenvolvimento humano, académico e cristão únicos, pois ao invés de uma fábrica de padres, surge como uma Comunidade onde se aposta no desenvolvimento de cada um, de cada um consigo, com os outros e com Deus. Nunca nos podemos esquecer da nossa escola, o Colégio da Imaculada Conceição, que surgiu como ponto fulcral no desenvolvimento de cada um de nós, que lá pode encontrar um lar onde não só se estudava, mas também se crescia. Crescia-se através da relação entre os colegas e os professores e através das actividades extra-curriculares que proporcionava o Colégio e toda a Companhia de Jesus, que iam desde diversos grupos e clubes até actividades dinamizadas a nível nacional para os colégios jesuítas, entre muitas outras actividades.
Não menos importante foram todos os que dentro do Pré-Seminário, e da paróquia de Cernache (onde está inserida esta comunidade), se preocuparam em acolher-nos e formar-nos, elucidando-nos e aproximando-nos dos outros, de Deus e de nós mesmos.
Se há algo que trago guardado dos meus dias na Comunidade Residente é o prazer de me dar aos outros e a Deus e o desejo de querer ser mais Eu, algo que sei que cumpri nos meus dias enquanto pré-seminarista, uns dias melhor, outros pior, mas sempre através de, e com Deus.

Índios do Brasil em Coimbra pedindo ajuda para a sua causa


Dois activistas dos direitos dos índios da Amazónia participaram na passada segunda-feira no seminário "Raposa Serra do Sol – Brasil: direitos indígenas em debate", que decorreu no Centro de Estudos Sociais (CES) da Universidade de Coimbra.
Pierlangela Cunha e Jacir José de Souza, respectivamente das tribos Wapixana e Macuxi, têm estado a efectuar uma viagem por seis países da Europa, numa campanha de defesa da sua terra – "Anna Pata, Anna Yan" (Nossa Terra, Nossa Mãe) – e de denúncia dos crimes de que são alvos os povos indígenas na reserva Raposa Serra do Sol, em Roraima, Norte do Brasil.
Os dois indígenas da Amazónia estiveram em Coimbra na passada quinta-feira, para participar numa sessão no Café Santa Cruz, e têm entretanto desenvolvido contactos com várias entidades portuguesas, sensibilizando-as para a sua causa. Antes de chegarem a Portugal, foram recebidos pelo Papa Bento XVI e outras instituições de países da União Europeia.
Na passada segunda-feira, no seminário no Centro de Estudos Sociais (CES), foram analisadas as "dificuldades enfrentadas pelos índios em razão da invasão de seus territórios e da violação dos direitos fundamentais indígenas garantidos pela Constituição Brasileira e a Declaração dos Direitos dos Povos Indígenas da ONU". O director do CES, Boaventura Sousa Santos, é autor de um texto que serve de base a um baixo-assinado em defesa dos povos indígenas da Raposa Serra do Sol.
Numa entrevista à agência Lusa, os dois líderes indígenas afirmaram que Portugal pode ser determinante na luta dos índios brasileiros pela sua terra, tendo apelado ao Governo para que ratifique a Convenção da Organização Internacional do Trabalho (OIT) sobre direitos dos povos nativos.
"Temos a convicção de que Portugal nos pode apoiar bastante porque conhece muito bem a nossa realidade. Esperamos a solidariedade da população, das instituições e do Governo português para a nossa causa", sublinhou Pierlangela Cunha.
A reserva Raposa Serra do Sol, no Norte do Brasil, com uma área de 1,67 milhões de hectares onde vivem 19.000 indígenas das tribos Macule, Wapixana, Taurepang, Patamona e Ingarikó, tem sido alvo de disputa entre os índios e seis grandes fazendeiros, que são apoiados pelo governo estadual e se recusam a deixar o território.
"A nossa terra está em perigo. O governo estadual de Roraima quer diminuir a nossa terra para uso dos empresários [agrícolas] na zona", explicou Pierlangela Cunha, lembrando que os seis grandes fazendeiros já ocupam cerca de 6.000 hectares do território, que foi homologado e demarcado como reserva indígena pelo governo brasileiro em 2005.
"Aquele território é nosso há muitos anos. A vivência dos nossos antepassados e avós está gravado nas pedras, no chão, em todos os lados", afirmou.
"O que é que nós vamos poder passar aos nossos filhos? Como é que vamos conseguir viver em paz na reserva quando somos forçados a conviver com pessoas que invadiram o nosso território, que estão a destruir o ambiente, que afectam a nossa cultura e nos ameaçam constantemente através de actos de violência", questionou Pierlangela Cunha.

Seixo de Mira engalanado para receber D. João Lavrador


A paróquia do Seixo de Mira saudou no passado Domingo, D. João Lavrador, natural daquela localidade. O motivo foi mais que justificado, a sua ordenação episcopal que decorreu no passado dia 29 de Junho, na Sé Nova, em Coimbra. "Até, porque não é todos os dias que se fazem bispos cá na terra", gracejou um popular, que aguardava ansiosamente pela sua chegada.
De facto, o Seixo revestiu-se a preceito para receber o novo bispo auxiliar do Porto. O calor era muito. A rua principal até à igreja estava toda ela revestida de flores. O adro da igreja foi igualmente revestido de um belíssimo tapete de flores, fazendo lembrar as festas de S. Miguel, no arquipélago dos Açores. Os movimentos da paróquia, as associações culturais, assim como algumas entidades civis estiveram à chegada do novo bispo, junto às escolas do Seixo.
A alegria era visível nos inúmeros rostos presentes na cerimónia, como referenciou o pároco do Seixo, Jerónimo de Jesus Correia. Coube depois a Monsenhor João Evangelista Ribeiro Jorge, como padre mais antigo daquela comunidade, fazer a saudação ao novo bispo. Monsenhor recordou as diversas ordenações sacerdotais, assim como "as missa novas" e em particular a de D. João Lavrador que aconteceram naquela região. O Seixo, outrora fértil em vocações, atravessa hoje uma crise. Foi nesse sentido que o novo bispo da "terra" pediu aos jovens uma maior generosidade na entrega e no serviço aos outros. Pediu mais vocações sacerdotais, religiosas, missionárias, mas também uma maior aposta na família.
D. João Lavrador, visivelmente emocionado pelo carinho expresso pela povoação, agradeceu, pedindo oração para a sua nova missão pastoral.
Seguiu-se depois a procissão até à igreja, acompanhada da Banda Ressurreição de Mira e das forças vivas da região.
D. João Lavrador presidiu depois à Eucaristia, onde administrou o Sacramento do Crisma a 11 novos crismandos, entre os quais, duas suas sobrinhas. A festa terminou com um lanche partilhado pela comunidade.
D. João Lavrador tem 52 anos e é licenciado em Teologia. Foi até bem pouco tempo Pró-Vigário Geral da Diocese de Coimbra. Padre desde os 25 anos, foi reitor do Seminário de Coimbra, de 1991 a 1997, data em que foi nomeado Pró-Vigário Geral da Diocese. Era também director do Instituto Universitário Justiça e Paz, Cónego da Sé e Capelão do Carmelo de Coimbra tendo acompanhado, durante anos, o percurso espiritual da Irmã Lúcia, de quem era confidente.
A sua entrada "oficial" na Diocese do Porto, como Bispo Auxiliar, acontecerá no próximo domingo.
Miguel Cotrim

Rainha Santa Isabel: Construtora da paz e amiga dos pobres


"A Rainha Santa Isabel era rica, muito rica em valores". A afirmação é do Bispo de Coimbra, D. Albino Cleto na homilia proferida na missa solene da sua efemeridade, no passado dia 4 de Julho na igreja do Convento de Santa Clara-a-Nova.
Os devotos da Rainha Santa homenagearam na passada sexta-feira a padroeira de Coimbra, mensageira da paz e protectora dos pobres. Não faltaram as promessas e as rosas que invadiram o convento logo pela manhã.
O Bispo de Coimbra pediu aos fiéis presentes, as entidades civis e militares, assim como a Confraria da Rainha Santa Isabel, para seguirem o exemplo desta santa, na humildade e simplicidade que sempre a caracterizaram ao logo da sua vida. O prelado da Diocese de Coimbra descreveu-a ainda pelo "seu perfume que emanava do seu coração, pelo seu amor, paciência e bondade para com os outros".
Por seu lado, D. Carlos Azevedo, Bispo Auxiliar de Lisboa que presidiu ao Triduo nos dias 1, 2 e 3 de Julho caracterizou a Rainha Santa por
"construtora da paz e amiga dos pobres". O pregador convidado pela Confraria da Rainha Santa deixou forte interpelações para os cristãos que queiram crescer em Igreja neste terceiro milénio. "Que força está a guiar o mundo? Que força guia as nossas vidas? O terceiro milénio será construído por gente que acredita em Deus? Quais são os valores que ajudam a construir o mundo?" foram estas e outras interrogações deixada pelo porta voz da Conferência Episcopal Portuguesa no passa dia 3 de Julho, em Santa Clara.
Para D. Carlos Azevedo, "cancelar a fé em Deus, acaba por tirar património ético e moral das nossas vidas". "Não basta a razão, o bem e o mal são reais. O Homem tem necessidade do transcendente, de acreditar e de confiar em Deus", afirmou.
"Homens e mulheres de Deus como a Rainha Santa são património da humanidade, dos valores, da ética e da moral", sublinhou o prelado ao longo do seu sermão.
D. Carlos Azevedo advertiu que os cristãos irão passar por uma "crise" nos próximos anos. O Bispo não se referia aos problemas económicos e sociais, mas sim a falta de progresso nos valores e na fé. Para D. Carlos Azevedo, os sinais dos tempos são notórios, "a insegurança e a desordem no mundo estão a crescer, apontam-se caminhos sem Deus". "Quanto mais houver políticos parvos que queiram acabar com a religião, mais ela arrebenta", exclamou. Para o orador, o cristianismo está muito "light", pouco exigente e cómodo. Na sua opinião, "faltam pessoas «possuídas» por Deus, um pouco à semelhança de Santa Isabel.
Para D. Carlos Azevedo, "a maioria católica em Portugal não crê, nem deixa de crer. Assim não é possível ser cristão, se não for crente". Por último deixou um aviso aos fiéis presentes: "Os cristãos não poderão resistir aos novos tempos que se avizinham se não estiverem ligados às suas comunidades cristãs".

Miguel Cotrim

No dia da Cidade: Coimbra distingue Pedro Dias e Jorge Alarcão


Pedro Dias e Jorge de Alarcão receberam no passado dia 4 de Julho a Medalha de Ouro da Cidade e foram os protagonistas de uma cerimónia que, pela primeira vez, teve lugar nos Claustros da Sé Velha de Coimbra. Ambos docentes da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra (FLUC), com um percurso por demais reconhecido e premiado, são, nas palavras de Carlos Encarnação "dois homens de Coimbra, que têm sabido dar o devido relevo e o real valor a coisas que muitos ignoram ou teimam em não reparar", nomeadamente na sua cidade, "divulgando a sua história e a sua riqueza".
Lembrando a importância do "casamento entre a universidade e a cidade", o presidente da Câmara Municipal frisou a "disponibilidade manifesta" dos dois catedráticos sempre que lhes são solicitadas opiniões e considerou mais do que justificada a homenagem ontem prestada.
António Pedro Pimentel, pró-reitor e director do Instituto de História de Arte da UC, destacou a constante preocupação de Pedro Dias em projectar no exterior o conhecimento fruto do seu estudo e investigação. O antigo director do Museu Nacional Machado de Castro, ex-presidente do Arquivo Nacional da Torre do Tombo, distinguido em 2005 com a comenda da Ordem do Infante D. Henrique, reconheceu que tem dedicado "o melhor da sua energia" à História de Arte e à Universidade. Porém, "o que eu gostava verdadeiramente de ter sido era jogador de futebol. A vida prega-nos destas partidas", gracejou ao ser condecorado pelo município.
"As condecorações não se pedem, não se recusam, não se agradecem e, sobretudo, nunca se usam", diria Pedro Dias, recebendo "com enorme honra" uma medalha que dedicou a seu pai.
Coube depois a Raquel Vilaça, docente da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, o elogio de Jorge de Alarcão, professor de Arqueologia e eminente estudioso do período da ocupação romana da Península Ibérica. A discípula destacou "o investigador de excelência e renome internacional, o mestre exigente e tolerante, o orientador que indicou o caminha mas nunca o impôs, o gestor hábil e estratega, o amigo solidário". Um professor – honoris causa pelas universidades de Bordéus e de Santiago de Compostela – que "não gosta de guardar para si conhecimento e tem a rara capacidade de dizer em palavras simples, coisas complicadas".
Foi vereador da Cultura da Câmara Municipal de Coimbra e integrou a Assembleia Municipal, eleito pelo partido comunista. Ao agradecer a mais alta distinção do município, o arqueólogo quis justamente lembrar esta participação. "Teria merecido esta homenagem se pudesse ter feito o que pensava fazer e não pude, por diversas razões". Entretanto, e na área da Cultura, "há coisas que estão a ser feitas, outras que nunca serão feitas e há algumas que não faria", disse, referindo-se a um "projecto da Quinta das Lágrimas" que corresponde, a seu ver "a um infeliz segundo assassinato de Inês de Castro".
Marlene Correia Ferraz, com a obra de ficção "Na Terra dos Homens", foi a vencedora do Prémio Literário Miguel Torga 2008, galardão que recebeu ontem das mãos do presidente do município. Durante a sessão, com momentos musicais do Coro Municipal Carlos Seixas – constituído por meia centena coralistas, todos funcionários da autarquia e dos serviços municipalizados –, foram ainda homenageados os funcionários aposentados.


Bispo de Coimbra agradece a escolha da Sé Velha para comemorar o Dia da Cidade
A Sé Velha foi e será sempre, no entender do Bispo de Coimbra, D. Albino Cleto, "lugar de cultura e de fé", duas parte de "um mesmo livro que se dirige às pessoas". "É impossível pensar a cidade de Coimbra sem a considerar lugar de fé, uma vez que foi das primeiras comunidades crentes de Portugal", disse o prelado no início da cerimónia. Ao mesmo tempo, é de cultura, "porque a partir deste lugar de Santa Cruz se pensou pela primeira vez em estudos superiores".
Considerando a velha catedral um "ícone", D. Albino Cleto agradeceu a escolha do local para a comemoração do Dia da Cidade. "Obrigado por nos fazerem lembrar o que é Coimbra e a sua Sé Velha". Encarnação elogiou o trabalho que tem sido feito naquela catedral, destacando o papel de Monsenhor João Evangelista Ribeiro Jorge, e considerou a Sé Velha "um dos muitos tesouros que Coimbra tem por explorar". O centro histórico "não é uma reserva de índios, é um conjunto muito rico de monumentos e casas, que devem ter cada vez mais pessoas e mais vida", frisou.

Coimbra lembra “Carta a Salazar” de D. António Ferreira Gomes


Um grupo de cidadãos de Coimbra vai assinalar no próximo Domingo o 50.º Aniversário da Carta a Salazar, escrita por D. António Ferreira Gomes, Bispo do Porto, com uma "homenagem cívica". "Cidadãos de Coimbra, conscientes da importância política que teve na luta pela Democracia essa Carta, assinada um mês e cinco dias após as eleições presidenciais ganhas pelo General Humberto Delgado, surgida do interior de um dos pilares do Estado Novo, a Igreja Católica, a qual levou ao exílio do País o seu autor, entendem prestar Homenagem a quem teve tão profundo acto de coragem, que o Estado Democrático reconheceu ao atribuir-lhe a Grã Cruz da Ordem da Liberdade", refere comunicado enviado ao "Correio" pela organização do evento. A homenagem terá lugar às 11 horas junto ao monumento ao 25 de Abril, Rua Antero de Quental, praceta junto ao edifício da antiga PIDE/DGS. As intervenções estarão a cargo de José Dias, colaborador da Fundação Inatel, "Movimento Cívico Não Apaguem a Memória"; Amadeu Carvalho Homem, professor da Universidade de Coimbra, Alternativa Associação Cultural para o Desenvolvimento do Ser Humano; e de José Manuel Pureza, professor da Universidade de Coimbra, Comunidade de Acolhimento João XXIII.

D. Januário inaugura capela de Sant´Anna


D. Januário Torgal Ferreira, Bispo de Segurança e das Forças Armadas inaugurou no passado dia 3 de Julho a capela de Sant´Anna, nas instalações da Brigada de Intervenção (BrigInt), depois daquele espaço ter sido submetido a obras de restauro. Na cerimónia de "Dedicação da capela de Sant´Anna", o bispo das Forças Armadas aludiu a palavras de claridade, justiça e paz, num mundo que considerou ainda cheio de nuvens. A inauguração da capela foi precedida da cerimónia de entrega das chaves por parte do comandante da Brigada, major-general Martins Ferreira a D. Januário Torgal Ferreira. O espaço onde se encontra a Brigada de Intervenção já foi Convento de Santana e com a extinção das ordens religiosas foi transformado em quartel há cerca de três séculos.