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11 de julho de 2008

Índios do Brasil em Coimbra pedindo ajuda para a sua causa


Dois activistas dos direitos dos índios da Amazónia participaram na passada segunda-feira no seminário "Raposa Serra do Sol – Brasil: direitos indígenas em debate", que decorreu no Centro de Estudos Sociais (CES) da Universidade de Coimbra.
Pierlangela Cunha e Jacir José de Souza, respectivamente das tribos Wapixana e Macuxi, têm estado a efectuar uma viagem por seis países da Europa, numa campanha de defesa da sua terra – "Anna Pata, Anna Yan" (Nossa Terra, Nossa Mãe) – e de denúncia dos crimes de que são alvos os povos indígenas na reserva Raposa Serra do Sol, em Roraima, Norte do Brasil.
Os dois indígenas da Amazónia estiveram em Coimbra na passada quinta-feira, para participar numa sessão no Café Santa Cruz, e têm entretanto desenvolvido contactos com várias entidades portuguesas, sensibilizando-as para a sua causa. Antes de chegarem a Portugal, foram recebidos pelo Papa Bento XVI e outras instituições de países da União Europeia.
Na passada segunda-feira, no seminário no Centro de Estudos Sociais (CES), foram analisadas as "dificuldades enfrentadas pelos índios em razão da invasão de seus territórios e da violação dos direitos fundamentais indígenas garantidos pela Constituição Brasileira e a Declaração dos Direitos dos Povos Indígenas da ONU". O director do CES, Boaventura Sousa Santos, é autor de um texto que serve de base a um baixo-assinado em defesa dos povos indígenas da Raposa Serra do Sol.
Numa entrevista à agência Lusa, os dois líderes indígenas afirmaram que Portugal pode ser determinante na luta dos índios brasileiros pela sua terra, tendo apelado ao Governo para que ratifique a Convenção da Organização Internacional do Trabalho (OIT) sobre direitos dos povos nativos.
"Temos a convicção de que Portugal nos pode apoiar bastante porque conhece muito bem a nossa realidade. Esperamos a solidariedade da população, das instituições e do Governo português para a nossa causa", sublinhou Pierlangela Cunha.
A reserva Raposa Serra do Sol, no Norte do Brasil, com uma área de 1,67 milhões de hectares onde vivem 19.000 indígenas das tribos Macule, Wapixana, Taurepang, Patamona e Ingarikó, tem sido alvo de disputa entre os índios e seis grandes fazendeiros, que são apoiados pelo governo estadual e se recusam a deixar o território.
"A nossa terra está em perigo. O governo estadual de Roraima quer diminuir a nossa terra para uso dos empresários [agrícolas] na zona", explicou Pierlangela Cunha, lembrando que os seis grandes fazendeiros já ocupam cerca de 6.000 hectares do território, que foi homologado e demarcado como reserva indígena pelo governo brasileiro em 2005.
"Aquele território é nosso há muitos anos. A vivência dos nossos antepassados e avós está gravado nas pedras, no chão, em todos os lados", afirmou.
"O que é que nós vamos poder passar aos nossos filhos? Como é que vamos conseguir viver em paz na reserva quando somos forçados a conviver com pessoas que invadiram o nosso território, que estão a destruir o ambiente, que afectam a nossa cultura e nos ameaçam constantemente através de actos de violência", questionou Pierlangela Cunha.

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