Correio de Coimbra

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1 de julho de 2008

Saudação final ao Povo de Deus



Dou graças a Deus Pai que no Seu Filho Jesus Cristo e com a actuação do Espírito Santo me julgou digno de confiança, chamando-me ao ministério (cfr. 1Tim. 1, 12). É grande e profundo este mistério que nos toca quando Jesus Cristo, apesar das nossas deficiências e limitações, toma a iniciativa de nos chamar a partilhar com Ele da vida Trinitária e da missão de renovar todas as coisas mediante o anuncio do Evangelho.
Realiza-se novamente na Igreja a cena descrita por S. João (cfr. Jo. 21, 1-23), segundo a qual Jesus Ressuscitado manifesta as maravilhas do seu poder mesmo quando aos olhos humanos parece que as capacidades se esgotaram. Inseridos no âmago do Mistério Pascal, pela participação no Corpo e no Sangue de Jesus Cristo, ressurgindo como homens novos, primícias da nova criação, o Senhor estabelece um diálogo amoroso profundo, arrancando de dentro de cada um dos seus apóstolos a realidade mais sublime que configura todo o seu ser e da qual depende toda a sua realização, o convite a um amor maior, na entrega total de si mesmo, servindo a Deus e aos irmãos.
Hoje, Jesus Cristo convida-me a apascentar o seu rebanho. Faz-me participar do seu Ser Pastor. «Aquele que dá a vida pelas suas ovelhas» (Jo.10, 11). A força do convite que me é dirigido, através das palavras «Tu, Segue-Me» (Jo.21,22), encontram toda a expressão neste contexto apresentado por Jesus Cristo. Dar a vida pelas Suas ovelhas, as que pertencem ao redil e as que estão fora (cfr. Jo. 10, 16): eis a missão de que sou investido. «Para que tenham vida e a tenham em abundância» (Jo.10, 10).
Sinto, nesta hora, especialmente dirigidas a mim próprio as palavras de João Paulo II que dizem «Cristo é o ícone original do Pai e a manifestação da sua presença misericordiosa entre os homens. O Bispo, agindo em lugar e em nome de Cristo, torna-se, na Igreja a ele confiada, sinal vivo do Senhor Jesus, Pastor e Esposo, Mestre e Pontífice da Igreja. Aqui está a fonte do ministério pastoral, pelo que (…) a tríplice função de ensinar, santificar e governar o Povo de Deus deve ser exercida com os traços característicos do Bom Pastor: caridade, conhecimento do rebanho, solicitude por todos, acção misericordiosa pelos pobres, peregrinos e indigentes, busca das ovelhas perdidas para reconduzi-las ao único redil» (PG, 7).

Quero ser portador da verdadeira vida, que só em Jesus Cristo se pode encontrar, para todos os homens e mulheres, que nas diversas circunstâncias aspiram por Alguém que lhes mate a fome e a sede de realização, que a inteligência e a sensibilidade humanas provocam mas que só o Amor Infinito de Deus, revelado em Jesus Cristo, pode saciar.
Quero despertar o Verbo Eterno de Deus em todos os que andam sobrecarregados e oprimidos para que, através da minha humilde pessoa, Ele possa dizer-lhes: «Vinde a mim vós todos que andais sobrecarregados que eu vos aliviarei» (Mt.11,28).

Pede-me a Igreja que paute a minha vida pelos critérios das Bem-aventuranças de modo a que seja transparência de Jesus Cristo. De modo fascinante me interpela João Paulo II, dizendo: «os fiéis devem poder contemplar, no rosto do Bispo, aquelas qualidades que são dom da graça e que as bem-aventuranças constituem quase o auto-retrato de Cristo: o rosto da pobreza, da mansidão e da paixão pela justiça; o rosto misericordioso do Pai e do homem pacífico e pacificador; o rosto da pureza de quem constante e unicamente contempla Deus. Os fiéis hão-de poder ver, no seu Bispo, o rosto também daquele que continua a compaixão de Cristo pelos atribulados e às vezes, como sucedeu na história e acontece ainda hoje, o rosto cheio de fortaleza e alegria interior de quem é perseguido por causa do Evangelho» ( PG, 18).
Vejo nestas palavras do saudoso Papa João Paulo II as linhas força do meu programa de vida episcopal.

Reconheço, como descreve o Concilio Vaticano II, que vivemos numa nova fase da história da humanidade, cujas rápidas e profundas transformações, provocadas pela inteligência e actividade criadora do homem, «reincidem sobre o mesmo homem, sobre os seus juízos e desejos individuais e colectivos, sobre os seus modos de pensar e agir, tanto em relação às coisas como às pessoas. De tal modo que podemos já falar duma verdadeira transformação social e cultural, que se reflecte também na vida religiosa» (GS, 4). O Concílio recomenda o discernimento, novas análises e novas sínteses. Perante a bivalência da cultura de hoje, a Igreja acredita que Jesus Cristo oferece aos homens pelo Seu Espírito a luz e a força para poderem corresponder à sua altíssima vocação (cfr. GS, 10).
Tal como Salomão, imploro de Deus a verdadeira Sabedoria e Inteligência (cfr. 2Cron. 1,10) para poder discernir a vontade de Deus presente nos Sinais dos Tempos.

Sou convidado a ser profeta, testemunha e servo da esperança, é-me pedido que infunda confiança e proclame perante quem quer que seja as razões da esperança cristã (cfr. 1Pe. 3, 15). Hoje, sinto a Igreja a dizer-me que «o Bispo é profeta, testemunha e servo desta esperança sobretudo nas situações onde maior é a pressão de uma cultura imanentista, que marginaliza qualquer abertura à transcendência. Onde falta a esperança, também a fé é posta em questão; e o amor enfraquece, quando começa a exaurir-se aquela virtude. Com efeito a esperança, especialmente em tempos de crescente incredulidade e indiferença, é firme apoio para a fé e incentivo eficaz para a caridade. Extrai a sua força da certeza da vontade salvífica universal de Deus e da presença constante do Senhor Jesus, o Emanuel, que está sempre connosco até ao fim do mundo» (PG, 3).
Tenho a graça de celebrar a minha ordenação episcopal no início do ano Paulino. É graça, incentivo e missão. Tal como Paulo, no início da Igreja, fiel ao chamamento divino, soube rasgar novos horizontes na caminhada cristã e interpelar sabiamente, com os dinamismo do Evangelho, as culturas dominantes de então, imploro o seu auxílio para que me assista na obra evangelizadora da Igreja, que é de sempre na fidelidade ao único Salvador Jesus Cristo, mas que se quer sempre renovada nos seus métodos, no seu ardor e no seu ímpeto.

Este mistério do Amor infinito de Deus que hoje me envolve teve a colaboração de muita gente a quem hoje me compete agradecer.
Agradeço em primeiro lugar ao Santo Padre pela confiança que em mim depositou. Peço ao Representante do Senhor Núncio Apostólico, a quem agradeço a sua presença, que faça presente junto do Santo Padre a minha gratidão e o meu sincero desejo de fidelidade ao Sucessor de Pedro e de viver a colegialidade episcopal em comunhão apostólica.
Agradeço ao Senhor Dom Albino Cleto, Bispo de Coimbra, tudo o que desta diocese e da sua pessoa eu recebi, o exemplo de Pastor dedicado e amigo, o empenho que colocou na preparação desta celebração e o ter-se dignado presidir à minha ordenação episcopal. Igualmente agradeço ao Senhor Dom João Alves, Bispo Emérito de Coimbra, que me orientou na maior parte da minha vida sacerdotal e me confiou grande parte das tarefas que exerci nesta diocese de Coimbra, obrigado pela sua amizade e estimulo, e por se ter dignado aceitar o convite para ser ordenante nesta celebração. Agradeço ao Senhor Dom Manuel Clemente a confiança que em mim depositou ao aceitar a nomeação da minha pessoa para o ajudar no seu ministério episcopal, na Diocese do Porto, e a alegria que me deu em ser ordenante na minha ordenação episcopal. Peço a Vossa Ex.cia Rev.ma e a todo o Povo de Deus da Diocese do Porto, a quem renovo a minha saudação, que me ajudem no novo caminho de serviço que hoje começo.
Agradeço a presença do Senhor Arcebispo Primaz de Braga e Presidente da Conferência Episcopal Portuguesa, testemunho-lhe a minha disponibilidade para colaborar fiel e lealmente nos trabalhos da Conferência Episcopal. Agradeço aos Senhores Bispos que se disponibilizaram para estarem presentes e manifestarem de modo sensível a comunhão apostólica. Igualmente agradeço as mensagens de todos os membros do Episcopado Português que me testemunharam a sua união nesta hora.
Agradeço aos Senhores Cónegos de Coimbra e do Porto, tal como aos Senhores Padres de Coimbra, do Porto e de outras dioceses, estou grato pelo muito que recebi e peço que me acolham, agora, noutra família sacerdotal, com a qual quero continuar a aprender e a dar o melhor de mim próprio.
Agradeço a presença de todos os consagrados e leigos que quiseram participar na minha alegria.
Agradeço a presença das autoridades académicas, civis e militares. Agradeço a presença de homens e mulheres com responsabilidades na comunicação social.
Agradeço às pessoas e instituições que me formaram e que servi: os seminários diocesanos de Coimbra, a Universidade Pontifícia de Salamanca, o ISET de Coimbra, a paróquia de Pombal, o Secretariado Diocesano da Pastoral Juvenil e o Movimento dos Convívios Fraternos, o colégio de S. José das Irmãs Dominicanas, o CNE de Coimbra, a Pastoral Universitária e do Ensino Superior, O Instituto Universitário Justiça e Paz, o Centro Académico de Democracia Cristã, a Vigaria Geral, o Carmelo de Santa Teresa de Coimbra, as Auxiliares do Apostolado, a Comissão Episcopal da Cultura, dos Bens Culturais e das Comunicações Sociais, os movimentos de casais, CPM e outros movimentos laicais e serviços.
Agradeço a todos os que prepararam a celebração da minha ordenação, à comissão que se organizou para o efeito, ao grupo coral, na pessoa do Padre Dr. Manuel Frade, aos seminaristas, à Doutora Emília Nadal, ao Padre Alberto, ao Padre João Marcos, ao Padre Dr. José Moço e ao Padre António Nogueira, que se empenharam prontamente na realização dos sinais episcopais e nos arranjos para esta celebração. Igualmente agradeço à Gráfica de Coimbra e à Sé Nova pelo seu empenho na preparação deste acto.
Deixei para o fim, de propósito, a minha paróquia de Seixo de Mira, o seu pároco, o Senhor Cónego Jerónimo, e a minha família. Todos compreendereis a relação profunda que me une à minha paróquia de origem, onde nasci, onde fui baptizado e onde fui educado para a fé. Aí, senti a alegria do Povo de Deus que foi acompanhando a minha caminhada sacerdotal. Para todos muito obrigado.
Por último, agradeço à minha família, pais, irmãos, cunhadas madrinha, sobrinhos e sobrinhas netas, tios e tias e demais família que me acompanharam ao longo da minha vida, me ajudaram a ser padre e, certamente, continuarão a ajudar-me a ser Bispo. Permitam-me que apresente um agradecimento muito especial ao meu Padrinho, Padre Aníbal Castelhano, pela sua presença amiga, pelo incentivo próximo e pelo testemunho de vida sacerdotal que sempre me dedicou.
Imploro da Santíssima Virgem a protecção maternal e com ela louvo o Senhor pelas maravilhas que realiza em favor do Seu Povo.
Rezai por este humilde Lavrador da vinha do Senhor!



+ João Lavrador
Bispo Auxiliar do Porto

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