Correio de Coimbra

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24 de abril de 2008

Inventariação da Paróquia de Ançã


José Eduardo Reis Coutinho

A 17 deste mês, ficou concluída a inventariação da paróquia de Ançã, com um total de 74 fichas e o inerente fundo fotográfico, da matriz e das capelas, cuja tarefa contou com a prestável presença do senhor Maurício Teixeira Geria.
O 1º marquês de Cascais e 6º conde de Monsanto, Dom Álvaro Pires de Castro, foi donatário da vila e, com o afastamento de Dom Afonso VI, para cá foi desterrado, vindo a falecer em 1674 e sendo sepultado na capela-mor da igreja paroquial.
Por força desses acontecimentos, a referida casa marquesal interessou-se pela localidade, procedendo a numerosos melhoramentos e beneficências, patentes em diversos empreendimentos, por vezes assinalados com as respectivas armas heráldicas: o escudo, de seis arruelas, sob a coroa de marquês.
Entre nobilitadas tradições e sã convivência local, é demasiado pouco o património ainda conservado, tendo-se verificado a falta de qualquer exemplar de paramentaria, de livro antigo, de castiçais (nas várias feituras de talha, estanho e bronze), lampadários e, até, de bons objectos de prata, bem como alguma imaginária religiosa, que o Doutor António Nogueira Gonçalves menciona no Inventário do Distrito de Coimbra, publicado em 1953.
Tão estranhos desaparecimentos devem-se, na verdade, às muitas alienações desses bens, há décadas atrás, pelo então titular da sede paroquial, a troco de adquirir alfaias novas: meras vulgaridades!
Deste modo, aquelas desatinadas atitudes e delapidações deixaram uma parcela patrimonial, composta, maioritariamente, de retabulária, em talha e calcário, e de imagens bastantes interessantes, das quais fica determinada a percentagem de 55, 4 para as esculturas em calcário e 44, 6 para as de madeira.
Efectivamente, a produção escultórica mostra obras da melhor concepção, recuando ao século XV, e pela delicadeza de pormenores, numa técnica, mestria e perfeição visíveis em tratamentos anatómicos, caracteriológicos, sumptuários e naturalísticos, de considerável importância harmónica, peremptoriamente qualificadora das excelentes realizações esculpidas, segundo a longa prática conimbricense, em pedra calcária desta região de Ançã.

O desemprego: uma responsabilidade de todos


Manuel Porto (*)

O problema do desemprego assume proporções alarmantes, tendo-se chegado no ano de 2007 ao nível "histórico" de 8% e havendo o receio de que se agrave, designadamente como consequência da crise internacional.
Temos assim uma responsabilidade que cabe sem dúvida em grande parte ao Estado, mas não apenas ao Estado, não podendo fugir às suas responsabilidades todos os que, com projectos mais ou menos ambiciosos, possam criar nem que seja um emprego mais. Não é sério, face a quem tanto sofre por não conseguir trabalhar, sossegar as nossas consciências fugindo às responsabilidades que nos cabem.
Neste quadro, a exigência a fazer ao Estado é aliás muito diferente da que se julgava que devia ser feita algumas décadas atrás. Os exemplos são mais do que conhecidos, mostrando a miséria, "escondida" durante algumas décadas, dos regimes em que o Estado era omnipresente. Além de estar em causa a ausência de possibilidade de realização das pessoas, com afirmações e iniciativas próprias, na linha do que a Doutrina Social da Igreja sempre tem ensinado, são bem claros os resultados económicos a que se chegou.
É hoje inequívoco para toda a gente que o papel do Estado não é fazer tudo, muitas vezes pior, com sacrifício para os destinatários dos serviços e para os contribuintes. Cabe-lhe antes, o que é sem dúvida mais difícil e exigente, exercer uma função reguladora correcta, que não pode limitar-se a fixar e a assegurar o cumprimento das regras do jogo: no interesse de todos, exige-se dele também um papel promocional, criando as condições indispensáveis à realização plena das pessoas (numa linha reforçada já por Bento XVI, na Encíclica Deus é Amor.
É altura de ultrapassar de vez preconceitos e ideias feitas, de acordo com as quais o que é público é "virtuoso" e o que é privado é "pecaminoso", paradoxalmente sendo considerado privado o que é da Igreja…Com toda a clareza, importa que se sublinhe que é "pecaminoso" tudo o que seja ineficiente, mesmo sendo público ( especialmente sendo público ! ), e "virtuoso" tudo o que promova um aproveitamento mais eficiente dos recursos de que se dispõe, criando oportunidades de emprego e levando à realização das pessoas . Os resultados a que pode chegar-se ficaram bem ilustrados na última realização das Semanas Sociais Portuguesas, que teve lugar em Braga, de 9 a 12 de Março de 2006, sobre Uma Sociedade Criadora de Emprego ( tendo os textos respectivos sido publicados, em edição actualizada de 2007, da Conferência Episcopal Portuguesa )
Em particular, importa que o Estado promova um desenvolvimento espacialmente mais equilibrado, onde é mais fácil que essas iniciativas apareçam. Estará aqui a razão para que a Região Centro do país, não tendo favores públicos mas dispondo de um tecido urbano com maior equilíbrio, continue a ser um campo fértil de pequenas e médias iniciativas, só assim se explicando que continue a ter a taxa de desemprego mais baixa do continente português (5,6 % em 2007, quando era de 8,9 % em Lisboa).
Em vez de se apostar em magalopoles, além do mais com tremendos problemas sociais e um dispêndio enorme de recursos públicos, é bom que se caminhe para um tecido urbano em que seja mais fácil a afirmação de iniciativas criadoras de emprego.
Os exemplos dos outros países da Europa apontam igualmente neste sentido.
(*) Coordenador das Semanas Sociais e presidente da Assembleia Municipal de Coimbra

Dignidade do trabalho


José Dias da Silva

Pode dizer-se que a dignidade do trabalho decorre de duas fontes: da pessoa que trabalha e das características do próprio trabalho humano. Um dos princípios fundamentais da doutrina social da Igreja recorda que a dignidade do trabalho decorre da dignidade da pessoa que trabalha e não o contrário. João Paulo II insistia muito na prioridade absoluta da pessoa: "Embora seja verdade que o homem está destinado e é chamado ao trabalho, contudo, antes de mais nada o trabalho é ‘para o homem’ e não o homem ‘para o trabalho’… (pelo) que cada trabalho se mede sobretudo pelo padrão da dignidade do sujeito do trabalho, isto é, da pessoa, do homem que o executa". Até porque "em última análise, a finalidade do trabalho, de todo e qualquer trabalho realizado pelo homem - ainda que seja o trabalho do mais humilde ‘serviço’ ou o mais monótono na escala comum de apreciação ou o mais marginalizador - permanece sempre o próprio homem" (LE 6). Nunca é de mais insistir nisto, até porque a realidade é um contínuo desmentido desta prioridade da pessoa. Olhando à nossa volta o que vemos é a prioridade dada ao trabalho. As próprias sentem-se mais ou menos dignas conforme a "dignidade" do seu trabalho. Como se ser gestor fosse mais digno que varredor de ruas. Daí esta doença que ataca a sociedade portuguesa: a doutorite. O que os grupos de técnicos não têm feito para que os seus cursos sejam equiparados a universitários? O que os pais não fazem para que os filhos seja doutores? E que desonra para a família se eles não o forem!
Por outro lado, o trabalho, pelo facto de ser humano, tem características próprias que lhe conferem a dignidade de ser "um prolongamento da obra do Criador, um serviço aos irmãos e uma contribuição pessoal para o cumprimento do plano providencial na história" (GS 34).
O trabalho é uma vocação, já que é a resposta mais adequada ao mandamento primeiro de Deus que, ao criar a terra para todos, a todos mandatou para a cultivar e guardar (Gn 2,15). Estes dois verbos têm na Bíblia uma forte ressonância religiosa: "só o cristianismo deu um sentido religioso ao trabalho e reconhece o valor espiritual do progresso técnico. Não há vocação mais religiosa que o trabalho" (João Paulo II aos jovens; Inglaterra; 1982).
O trabalho é uma das formas privilegiadas para continuar a obra da criação, pois faz de cada pessoa um colaborador na acção divina, um verdadeiro criador: "Deus, que dotou o homem de inteligência, de imaginação e de sensibilidade, deu-lhe assim o meio para completar, de certo modo, a sua obra: seja artista ou artífice, empreendedor, operário ou camponês, todo o trabalhador é um criador" (PP 27). Esta dimensão criadora de cada ser humano é uma das mais esquecidas. A pessoa não é vista nesta sua dimensão estrutural; caso contrário, não haveria tanto desemprego.
O trabalho torna-nos também colaboradores de Deus na obra da redenção ao criar condições para uma melhor qualidade de vida, mais justa, mais fraterna, mais solidária, mais humana: "Tudo o que o homem faz para conseguir mais justiça, mais fraternidade e uma organização mais humana das relações sociais tem mais valor que os progressos técnicos. Porque estes podem fornecer a base material para a promoção humana, mas são impotentes, só por si, para a realizar" (GS 35).
O trabalho é ainda o principal instrumento de libertação e, portanto, de desenvolvimento harmonioso da pessoa, de cada pessoa, porque é meio de subsistência mas também de desenvolvimento e progresso sociais: "O homem, ao trabalhar em qualquer tarefa no seu ‘banco’ de trabalho, pode facilmente cair na conta de que, pelo seu trabalho, entra na posse de um duplo património; ou seja, do património daquilo que é dado a todos os homens, sob a forma dos recursos da natureza, e do património daquilo que os outros que o precederam já elaboraram, a partir da base de tais recursos, em primeiro lugar desenvolvendo a técnica, isto é, tornando realidade um conjunto de instrumentos de trabalho, cada vez mais aperfeiçoados" (LE 13).
Muitas vezes, porém, o trabalho, em vez de ser um instrumento para reforçar a dignidade da pessoa e estar ao serviço do seu desenvolvimento integral, converte-se, antes, em ocasião de degradação, alienação e desumanização: "A alienação verifica-se também no trabalho, quando é organizado de modo a «maximizar» apenas os seus frutos e rendimentos, não se preocupando de que o trabalhador, por meio de seu trabalho, se realize mais ou menos como homem, conforme cresça a sua participação numa autêntica comunidade humana solidária ou então cresça o seu isolamento num complexo de relações de exacerbada competição e de recíproco alheamento, no qual ele aparece considerado apenas como um meio e não como um fim" (CA 41). Mais, o homem não pode ser deixado de lado quando já não interessa, pois "uma sociedade, onde este direito seja sistematicamente negado, onde as medidas de política económica não consintam aos trabalhadores alcançarem níveis satisfatórios de ocupação, não pode conseguir nem a sua legitimação ética nem a paz social" (CA 43)

Igreja aprendente


Jorge Cotovio

Quero voltar à escola. Apesar de tão maltratada pela comunicação social, de tão enxovalhada por alguma opinião pública, não me é difícil encontrar práticas bem positivas, tendentes a acompanhar as profundas mutações culturais da nossa sociedade, que bem podem ajudar a nossa Igreja na sua missão evangelizadora – afinal de contas, a sua missão natural.
De escolas neutras, sem identidade, passou-se para escolas com projecto educativo, com regulamentos internos, com plano de actividades, com "missão" e com "visão" (muitas delas utilizando técnicas de marketing para cativar os seus clientes) e com prestação de contas, ou seja, avaliação. Que lições pode colher a Igreja? Talvez menos pastoral de "manutenção", de "rotina", e mais ambição nos projectos, mais trabalho colaborativo, mais eficácia na pastoral, mais imaginação, mais ousadia, sobretudo para não deixar fugir os "clientes" mais ou menos fiéis, e cativar os que fugiram, ou os que ainda não nos conhecem e andam por aí perdidos. E talvez um pouco mais de atenção à avaliação das nossa práticas, mesmo sabendo que a semente demora muito tempo a germinar e dar fruto. (Mas há sementeiras que dão logo indícios de má colheita, ou não há? Sejamos minimamente astutos para não repetirmos, sem nexo, projectos mal sucedidos).
Da figura do reitor todo-poderoso, a escola caminhou para a direcção colegial, coadjuvada, de perto, por uma assembleia representativa da comunidade educativa (e o previsível regresso à figura do "director", em nada se assemelha à velha estrutura reitoral). Nas nossas comunidades eclesiais, ainda terá cabimento um pastor centralizador, que tudo quer fazer, e que asfixia a criatividade e a acção das suas ovelhas? Temos conselhos paroquiais co-responsáveis e com espaços de liberdade, ou simples órgãos decorativos mais virados para a submissão do que para a missão?
De escolas centradas no ensino, passámos para escolas "culturais", abertas ao meio envolvente e inter-agindo com ele. De uma Igreja isolada nas suas celebrações e nos seus ritos, temos de caminhar para uma Igreja "aberta", em diálogo com o mundo (porque é neste mundo, com estes homens e mulheres concretos, que ela se santifica). Somos poucos, é certo. Mas se formos "bons", teremos genica suficiente (porque o Espírito torce por nós…) para, em comunhão, sem amuos e invejazinhas, derrubar muros, construir pontes e vermos nos outros, até nos que estão aparentemente contra nós (e sobretudo nestes!), os grandes protagonistas e destinatários da "nova" evangelização.
De uma escola com um currículo rígido, passou-se para a "gestão flexível do currículo" e para as "novas oportunidades", reconhecendo-se competências adquiridas e estimulando o gosto por aprender. Em Igreja, fala-se muito – e bem! - na necessidade de formação dos leigos. Mas desaproveitamos tantos com reconhecida formação humana, científica, com cursos e mais cursos de catequese, com participações em jornadas, colóquios e coisas do género. E não potenciamos adequadamente tantos leigos com uma base sólida nas ciências de Deus: os ex-seminaristas (muitos dos quais com o curso completo), os ex-sacerdotes, os ex-consagrados. Temos sabido acolhê-los e desafiá-los, mesmo sendo críticos relativamente a muitos aspectos?
De escolas distanciadas das famílias, quase as ignorando, passou-se para escolas próximas (e cúmplices) das famílias, vendo-as como parceiras privilegiadas para o sucesso educativo. E nós, Igreja, acreditamos que temos de investir nessa pequenina célula societária para a transformar em "Igreja doméstica"? Estamos convictos de que, com pais "bons" e crentes, com famílias estáveis, há muito mais probabilidade de termos filhos "bons", equilibrados e crentes? (Ou tudo isto não passa de "poesia"?). Temos investido a montante, na catequese, na pastoral da juventude, na preparação para o matrimónio? Temos acolhido e apoiado os novos casais, nas suas comunidades? Temos cativado aqueles pais e mães, novitos, que nos vão procurando quando pedem o baptismo para os filhos, ou quando os inscrevem na catequese e participam nas suas festas? Temos sabido amparar, compreender e acolher as famílias que perdem, dolorosamente, um dos seus membros? As celebrações fúnebres são bem preparadas? Já reparámos que nelas participam muitas das ovelhas perdidas, revoltadas e ignoradas? (Talvez urja reinventar a pastoral exequial).
Antigamente, a Igreja era pioneira. Em tudo. E ensinava. E "marcava". Hoje, em muitos aspectos, precisa de aprender. E precisa de passar (novamente) adiante, não para "ganhar" a competição, mas porque a escola e a sociedade precisam dos seus ensinamentos, da sua experiência, da sua espiritualidade, da sua vida. É que a Igreja tem a chave da salvação, chamada Jesus Cristo. Ele é a porta. Ele é o caminho. Com Ele, estaremos salvos, mesmo no meio das tempestades da vida. Com Ele, os sofrimentos e as provações são sublimados, as sextas-feiras de paixão transformadas em dias de Páscoa. Com Ele, com o Seu Espírito, somos capazes de "converter" esta sociedade, aparentemente "perdida".
E agora, só mais uma pergunta inquietante para terminar: nós – leigos, religiosos, diáconos, padres e bispos – estamos mesmo convencidos disto, ou… (ainda) não?

22 de abril de 2008

D. Manuel Almeida Trindade comemorou noventa anos



Se compararmos a vida a uma maratona, D. Manuel de Almeida Trindade está a entrar na recta final para o centenário do seu nascimento. Completou 90 anos de vida no dia 20 de Abril. O seu natal foi em Monsanto, mas saiu de lá com apenas três anos de idade. No livro "Memórias de um bispo", da autoria de D. Manuel de Almeida Trindade, realça que "ficou-me na memória a configuração do penhasco recortado no horizonte azul do céu, e também a de alguns ciclópicos que eu avistava da janela da nossa casa".
Monsanto viu nascer o bispo emérito de Aveiro e o Seminário de Coimbra soube acolhê-lo no primeiro mês da década de trinta: primeiro como seminarista e depois vice-reitor daquela instituição. "Estava eu a passar tranquilamente as férias na minha aldeia de Famalicão, quando, no princípio de Setembro de 1941, o correio me trouxe uma carta de Coimbra" – refere na obra citada. Dentro do envelope vinha um simples cartão de visita com estas palavras: "O bispo de Coimbra vem dizer que se prepare para assumir a direcção do Seminário Maior, no próximo ano lectivo".
Como era um jovem sacerdote, pensou que havia um engano no endereço. Depois de falar com D. António Antunes – na altura bispo de Coimbra – caiu-lhe "o coração aos pés" e invocou todas as razões "para dissuadir o meu bispo". Não conseguiu... e recebeu vários pedidos para que aceitasse a vice-reitoria do Seminário. Coimbra viu nascer um verdadeiro pastor e um orientador de vocações.
A sua fama ultrapassou os muros do seminário e a Faculdade de Letras de Coimbra convida-o para leccionar a cadeira «Origens do Cristianismo». "Creio que nessa altura, pelo que havia dito ou escrito, já se podia conhecer a feição do meu espírito. Sabiam quem eu era, e que não iria impor a ninguém o que penso sobre o cristianismo" – escreve na obra «Memórias de um bispo». A universidade marcou-o e D. Manuel de Almeida Trindade deixou o seu cunho pessoal naquela escola secular.
Dois anos depois (1962), D. Manuel de Almeida Trindade estava de férias no Algarve e recebe uma carta da Nunciatura. Teve medo de se trair e foi para uma açoteia abrir a correspondência. Foi naquele terraço, "sem que ninguém visse as cores por que passou o meu rosto, que eu soube que o Papa João XXIII me queria bispo de Aveiro". Naquela noite de Verão deixou o Algarve e deslocou-se a Lisboa. "Não consegui dormir. Nunca sou capaz de dormir num comboio ou mesmo num avião". No entanto, naquela noite existia um motivo especial para se manter acordado. "Pensei e rezei toda a noite". Em breve seria bispo de Aveiro.
Quando a diocese da ria foi restaurada foi-lhe dada a hipótese de optar por Coimbra ou Aveiro, "ao contrário dos outros padres ou seminaristas, a quem era imposta a diocese de origem". Optou por Coimbra. "Agora vinha a hora de dar a Aveiro a parte que lhe pertencia" – recorda.
Nesse mesmo ano desloca-se para o Vaticano a fim de participar no II Concílio do Vaticano. A cidade não lhe era desconhecida porque estudou lá. A participação neste encontro magno da Igreja foi uma espécie de noviciado episcopal. "Tomar parte num Concílio Ecuménico é um privilégio que nem a todos os bispos é dado a usufruir" – escreveu nas memórias.
Na festa da Imaculada Conceição desse ano recebeu a sagração episcopal na Sé Nova de Aveiro. Aí pastoreou durante muitos anos e imprimiu um cunho pessoal. "Há homens que se gabam de nunca terem chorado diante de uma dificuldade; eu não posso dizer o mesmo" porque "fui chamado a servir a Igreja num período difícil".
Para compreender os trabalhos da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) é fundamental visitar a obra «Memórias de um bispo». Aí, D. Manuel de Almeida Trindade mostra ao leitor os primórdios da CEP e a colegialidade episcopal. Foi durante três mandatos presidente deste organismo e deixa registos para a história da Igreja portuguesa nas últimas décadas do século XX.
Algumas semanas depois de ter sido ordenado bispo, D. Manuel de Almeida Trindade escreve na obra citada que recebeu uma carta do seu pai. Esta dizia: "Meu filho: até agora tens sido tu a pedir a minha bênção. Daqui em diante vamos inverter as coisas: não serás tu a pedir a minha bênção, mas eu a pedir a tua". Quando leu a missiva paternal, "as lágrimas rebentaram-me os olhos". E acrescenta: "meu pai compreendera o que eu passara a ser. E dado que a terra onde ele vivia pertencia à diocese que eu ia pastorear, eu passava a ser bispo de meu pai. Ele entendia estas coisas. Meu pai era um contemplativo".

Faleceu José Matos Cruz

- Antigo membro do Secretariado Diocesano das Comunicações Sociais
José Matos Cruz, antigo chefe de redacção "O Varzeeense" de Vila Nova do Ceira, concelho de Góis, faleceu no passado dia 17 de Abril em Lisboa. O seu funeral realizou-se no passado dia 18 em Vila Nova do Ceira, a sua terra natal.
Natural de Vila Nova do Ceira, José Matos Cruz emigrou cedo para o Brasil, de onde regressou para se fixar em Lisboa. Todavia, o seu forte amor à terra e o seu grande sentido de regionalismo, mantiveram-no com uma firme ligação, ao longo de décadas, à sua freguesia e ao seu concelho.
Homem activo e de uma dinâmica muito grande, foi presidente da Casa da Comarca de Góis, organismo relativamente ao qual exerceu, nos últimos anos, as funções de presidente do conselho geral. Fez parte da direcção do jornal "O Varzeense", onde exerceu, também, funções de Chefe de Redacção, e no qual mantinha actualmente um registo habitual, na qualidade de colaborador.
Foi membro do Secretariado Diocesano das Comunicações Sociais da Diocese de Coimbra na direcção do Cónego Adriano Santo. Participou em várias jornadas nacionais das comunicações sociais, em Fátima e nos congressos da Associação de Imprensa Cristã.
Em termos políticos, começou por estar ligado ao PSD, partido pelo qual foi eleito logo após o 25 de Abril, presidente da Assembleia de Freguesia de Vila Nova do Ceira. Integrou as listas de candidatos à Câmara Municipal de Góis, primeiro pelo PSD e mais recentemente pelo PS, e cumpriu dois mandatos como vereador, o último dos quais durante a presidência de José Cabeças.
Nos últimos tempos, os problemas de saúde agravaram-se e José Matos Cruz acabou por se despedir da vida aos 81 anos. José Matos Cruz era casado com Filomena Cruz e tinha cinco filhos, um dos quais é sacerdote.

Cadeia de oração pelo Dia da Igreja Diocesana (18 de Maio)


Rezemos pelos frutos desta Festa, que congrega a família diocesana, no Luso, nos dias 17 e 18 de Maio. Somos "a mesma família" e temos "o mesmo Pai". Juntos, em comunhão, temos condições para transformar o mundo. Associemo-nos nesta cadeia de oração.
Calendário: 25 de Abril: Irmãs Franciscanas Nª Srª das Vitórias; 26 de Abril Caminho Neocatecumenal; 27 de Abril Alfa; 28 Casa S. Pedro Servas de Jesus; 29 Filhas da Caridade de S. Vicente de Paulo; 30 de Abril Lar Teresiano; 1 de Maio Casa do Gaiato; 2 de Maio Franciscanas Missionárias de Maria; 3 de Maio Congregação Missionária do Imaculado Coração de Maria e 4 de Maio Por Um Lar Cristão.

21 de abril de 2008

REFLEXÃO

As leis do divórcio…

A alteração às leis sobre a família tem-se revelado, em épocas de frouxidão de vínculos, de lassidão, de descompromisso, de afrontamento ao poder de autoridade e de perda de valores, um investimento aparentemente rentável, por parte dos poderes públicos, pela atracção que exercem sobre os seus destinatários, sobretudo quando lhe são ofertadas, sem quaisquer contrapartidas, de mão beijada e, aparentemente, facilitando-lhes a vida.
O legislador sabe que assim é e intervém.
Fala-se de alterações às leis sobre o divórcio, causas legais, formas de o decretar e suas implicações, particularmente ao nível patrimonial entre os cônjuges, mas essa mutação é uma realidade, que ninguém, mas ninguém, reclama, pois as leis em vigor acautelam, com justiça, de forma adequada e a celeridade bastante, os interesses de quem pretende pôr termo ao casamento, sem justificação se apresentando qualquer mudança.
Se se pretende ficar na história pelo desburocratizar do processo, pelo suposto modernismo da solução ou simplicidade, então fica-se pela mais incompreensível das razões, sem qualquer base sociológica colectiva ou de massas, que se conformam com a lei em vigor.
Ao fazer-se desaparecer do horizonte legislativo o divórcio por via litigiosa, ou seja sem se discutir a culpa na infracção aos deveres conjugais de fidelidade, respeito e assistência mútuos e por coabitação, seus legais pressupostos, para se passar, até, a situações em que um dos cônjuges possa, sem mais, impô-lo ao outro cônjuge, não se vê como possa funcionar um dos princípios sagrados do nosso direito, seu pilar fundamental, que é o direito a ser ouvido, a contestar, a contrariar aquela grave e imputada violação.
E ao nível das relações patrimoniais uma boa parte dos casamentos já são celebrados em regime de comunhão de adquiridos e nos casos, muitíssimo mais raros, de comunhão geral de bens, a lei já prevê que o culpado não enriqueça à custa do cônjuge não culpado.
A vingar a alteração assistir-se-á a um golpe profundo numa instituição familiar que dia a dia se degrada, desde logo, moralmente, pelo fomentar do divórcio, agora mais facilitado, pela pobreza, em crescendo, mercê do desemprego, tornado flagelo nacional, pelo aborto, pela crise de autoridade, tornada um empecilho e não uma necessidade coexistencial.
O Estado não é, como se pensa, apenas, um somatório de números, de pessoas. Mais do que isso é um aglomerado de pessoas, sediadas num espaço geográfico delimitado, unido por elos de coesão, em que a família é factor fundamental.
É, decisivamente, nela, mais do que noutro local, que se aprende a viver a liberdade, responsabilidade, respeito, desempenhando um papel construtor, motor de um país. A sua desagregação apressa a de uma Nação.
Regulamentar um direito de compensação ou de crédito pelos serviços domésticos de um cônjuge em favor de outro em caso de divórcio é introduzir, a vingar, mais burocracia, de que, de certeza, não colhe dividendo o cônjuge economicamente mais débil.
Termino como comecei: nada justifica a alteração às leis actuais do divórcio, já de si suficientemente facilitantes da dissolução da família, sobre cujo rumo tenho dúvidas o Estado poderá ir tão longe, regulamentando à sua total revelia, sem que aquela lhe haja pedido o que quer que seja.
Importante, isso sim, seria, criminalizar, fortemente, sob a forma de omissão do dever de auxílio, aqueles pais que, escudando-se na mudança constante de patrão ou com a cumplicidade deste, culposamente, não prestam alimentos aos filhos e, normalmente, à cônjuge mulher.

Armindo Monteiro (jurista)
CAF

2.º Encontro de EMRC

A Diocese de Coimbra vai realizar no próximo dia 2 de Maio, o II Encontro Inter-Escolas, na Lousã, destinado aos alunos da disciplina de Educação Moral Religiosa Católica, subordinado ao tema “Juntos por um sonho - Um sorriso basta”. A organização prevê a participação de 1000 a 1300 alunos. O encontro decorrerá na Nave Exposições, prevendo-se a presença do Bispo de Coimbra, D. Albino Cleto e terá o seguinte programa: 9,30 horas. Recepção/Acolhimento; 10 horas – Montagem dos stands; 10,30 horas – Apresentação das actividades das diversas escolas; 12 horas – Intervenção/oração do Bispo de Coimbra; 12,30 horas – Almoço; 13,30 horas – Animação (jogos tradicionais, insufláveis, música) e as 16,30 horas – Encerramento.

1 de Maio: XXII Assembleia Diocesana do Renovamento Carismático

O Renovamento Carismático vai realizar a sua XXII Assembleia Diocesana no próximo dia 1 de Maio, na Igreja de Febres.
A assembleia terá como tema “Nada nos separará do amor de Deus!” (Rom.8,39) e o seguinte programa: 9 horas – Adoração do Santíssimo Sacramento; 10 horas – Louvor da Manhã; 10h 30m – Ensinamento; 11h 30m – Intervalo; 12horas – Eucaristia; 13horas – Almoço partilhado; 14h 30m – Dramatização; 15h 30m – Ensinamento; 16h 30m – Assembleia de Louvor; 17h 30m – Envio em Missão.
Todos podem participar, mesmo que ainda não façam parte dos grupos de oração.

Alunos das Escolas Católicas convivem com Casa dos Pobres no Basófias


Este ano, o Núcleo das Escolas Católicas da diocese de Coimbra (NEC) está a desenvolver um projecto de solidariedade com a Casa dos Pobres de Coimbra, procurando conviver com os seus utentes e angariar fundos para ajudar a equipar as novas instalações em fase de acabamento, em S. Martinho do Bispo. Desta forma, já trouxeram a Coimbra a madrinha do projecto – Dra. Maria de Jesus Barroso Soares -, já estiveram com os idosos no estádio Cidade de Coimbra a assistir ao desafio de futebol Académica x Sporting, já fizeram concertos e muitas visitas. Como a solidariedade dos jovens não pára, no passado dia 17 de Abril, e com a generosa colaboração da empresa Ódabarca, os alunos levaram duas dezenas de utentes da Casa dos Pobres a passear no Basófias, saboreando um passeio pelo Rio Mondego.
Neste percurso, e apesar da chuva forte que os acompanhou, não faltou animação, com muita música popular (do tempo dos avozinhos…), também música “moderna”, poesia alusiva ao Mondego e alguns presentes que deixaram os “velhinhos” mais felizes e bem dispostos.
Esta iniciativa insere-se no Projecto “Vida Plena” do Programa SOLNEC, do Núcleo das Escolas Católicas da Diocese de Coimbra, visando o incremento do voluntariado dos alunos destas escolas junto das pessoas idosas.
Neste âmbito, está prevista para o dia 16 de Maio uma “Noite pela Casa dos Pobres”, no Auditório do Colégio da Rainha Isabel, com a participação das Escolas Católicas (Colégios de Cernache, Rainha Santa, S. Teotónio, S. José, Externato João XXIII e Escola da Casa de N.S. do Rosário, em Tavarede), assim como a participação especial do P. João Paulo Vaz, apresentando algumas das músicas do seu último CD.
Em 7 de Junho, realizar-se-á o III Festival SOLNEC, no Estádio Cidade de Coimbra, congregando os alunos dos colégios, os utentes da Casa dos Pobres e utentes da APPACDM – instituição apoiada pelo NEC no ano transacto.

Associação Padre Manuel Marques envia contentor com destino a S. Tomé e Príncipe


A Associação Padre Manuel António Marques – Associação de Beneficência, Cultural e Cívica congregou esforços, mobilizando a vontade de bem-fazer que muitas pessoas têm e conseguiu “levar a bom porto” um dos seus sonhos, finalizando um trabalho que vinha sendo feito há vários meses.
Foi no passado dia 1 de Abril, que finalmente saiu o contentor com destino a S. Tomé e Príncipe, levando o nosso desejo de tornar um pouco mais felizes pessoas que, lá tão longe, falam a nossa língua, mantém alguns dos nossos costumes, são nossos irmãos de coração. Foi possível recolher, organizar e enviar 308 caixotes com diverso material (roupas, calçado, brinquedos, material escolar, livros, bens alimentares, material hospitalar, etc.), num total de cerca de 5 toneladas. É a Caritas Diocesana de S. Tomé a entidade que recebe este material com o compromisso de o distribuir gratuitamente pelas pessoas mais carenciadas.
Só com o empenhamento, a colaboração e boa vontade de todos, foi possível terminar com êxito esta tarefa.
A Associação está muito grata a todos. Foram dezenas de pessoas que se envolveram neste projecto: contribuíram monetariamente, ofereceram bens, passaram a palavra, recolheram, trataram, transportaram e carregaram todo este material.