Correio de Coimbra

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14 de outubro de 2008

Acto de falta de cultura


Por Teresa Martins


No «Correio» do dia 18 de Setembro, li que o Bispo auxiliar de Braga, D. António Couto, quando presidia a uma Peregrinação, falou sobre a importância do crucifixo, considerando-o como «imagem e lição de amor divino», daí a nossa absoluta necessidade em mantê-lo presente nos espaços públicos, «nomeadamente em hospitais e escolas», acrescentando que «retirá-lo corresponderia a um acto de estupidez e falta de cultura». Li toda a notícia com particular interesse, percorrendo com ela (e por ela), uma longa vida, visitando lugares e pessoas de um longínquo passado. Recordei imenso! Rezei, sem palavras. Também há dias (4 do corrente), no auditório do Centro Pastoral Paulo VI, em Fátima, o Conferencista, D. Manuel Clemente, na sua belíssima intervenção, nos falou da Cruz, relacionando-a com «a luz que nos vem de Cristo» e dando-nos todo o seu sentir nesta peremptória afirmação: «Não há ressurreição sem cruz.» Enquanto o ouvia, ia (à velocidade da luz), associando memórias, momentos, até pessoas… Foi deste modo que recebi, de novo, D. António Couto: «…sendo a Cruz o texto de Deus escrito perante nós, temos de o saber ler… preservando o seu verdadeiro sentido», isto no momento em que D. Manuel Clemente partilhava connosco a pergunta que, perante um Crucifixo, lhe havia feito um rapaz em Lisboa: «Que é Aquilo (ou Aquele…)?»
Nos tempos da minha meninice, os livros escolares não tinham gravuras nem cores, mas tinham lições maravilhosas que eram lidas ao serão, junto da lareira e da família… Como não recordar, naquele momento, João de Deus e o seu inesquecível "Minha mãe, Quem é Aquele pregado naquela cruz? Aquele, filho, é Jesus, é a santa imagem d’Ele"… Nos longínquos tempos em que a "falta de cultura e o analfabetismo eram o prato forte", nem pais nem professores (nem manuais escolares) permitiriam que um jovem, crente ou não crente, sentisse necessidade de se interrogar ("que é aquilo?"), perante um Crucifixo!… Há dias ouvi referir num noticiário que uma sondagem havia provado terem os crentes muito maior aceitação do sofrimento (com menor revolta à dor física) que outros sofredores não crentes, e também o pensamento me levou àquela cama do hospital de S. Teotónio, em Viseu, onde se encontra a professora do ensino secundário que, depois de aposentada, passou a dedicar-se de alma e coração à Sociedade de S. Vicente de Paulo, dando-se por inteiro aos mais carenciados, e que um terrível acidente de comboio (24/09/2008) deixou sem as duas pernas. «Não deixarei de ser vicentina», afirmou-nos, com lágrimas nos olhos mas um sorriso calmo, inspirador da maior confiança e reflexo de uma fé inteiramente adulta. «É claro que tenho de refazer a minha vida, mas ficou-me intacta a cabeça, tenho mãos e conhecimentos de informática. Tenho livros, uma cadeira de rodas e, muito principalmente, tenho-vos a todas vós num abraço amigo. Só tenho graças que dar a Deus!»
Nós também as damos, por esta grande lição de fé!…

Comunhão


Por Jorge Cotovio

Quanto a mim, é esta a palavra de ordem para a nossa sobrevivência. E se estivermos atentos, facilmente verificamos que tudo o que nos rodeia faz apelo à "comunhão".
Fomos criados por um Deus que é comunhão íntima de três pessoas. E quando este Deus criou a humanidade, fez nascer o homem e a mulher, para viverem em comunhão humana. E deu-lhes um jardim – o "paraíso" – para aí viverem "felizes" em comunhão com a natureza.
Olhemos esta natureza. Também ela nos projecta para a comunhão. O nosso planeta é um ecossistema, todo articulado, todo em inter-relação permanente, todo em equilíbrio dinâmico perfeito. Quando algo corre mal num lado, logo o outro é afectado. Mas, misteriosamente, quando há um acidente, mesmo não natural (como um incêndio), logo esta "oikós" congrega todas as suas forças e energias para recuperar o equilíbrio e voltam a surgir a vida, a vegetação, as árvores, as flores, os passaritos.
Também nós nascemos da comunhão (carnal e "espiritual") de dois seres. E temos um corpo e muitos membros, cada qual com a sua função, trabalhando para o mesmo fim. Se, acaso, algo corre mal, quantas não são as reacções químicas que se processam imediatamente, fruto do trabalho solidário de muitos órgãos, de muitas células, para tentar remediar o problema?
Verificamos, pois, que tudo o que nos cerca, tudo o que foi criado por Deus, nos projecta para a comunhão. Ele próprio nos disse que estará sempre presente quando dois ou três (ou mais) estiverem reunidos em Seu nome. O número um e o singular, não predominam lá muito na matemática e na gramática deste Deus…
Antigamente, era a Igreja a pregar tudo isto. E tanto pregou, que hoje é o mundo da política e das empresas a sentir a necessidade da comunhão. A União Europeia é um exemplo cabal, nascida, curiosamente, da mente de dois grandes estadistas cristãos: Jean Monnet e Robert Shuman. E o sonho da união concretizou-se. E veio a paz, o progresso, a estabilidade. (Tudo relativo, é claro, mas muito melhor do que a guerra, os muros e as cortinas de ferro, o subdesenvolvimento). Também as empresas aprenderam a associar-se, a agrupar-se ou a fundir-se para serem mais fortes, mais eficientes e mais resistentes às ameaças externas. Toda esta gente aprendeu o significado de sinergia e de economias de escala…
E nós, Igreja? Temos o Mestre, temos a doutrina, temos a pregação e pouco exemplo damos de comunhão, de articulação de esforços, de luta em comum. Fechamo-nos nas dioceses, nas paróquias, nas capelas, nos movimentos, nos secretariados, nos institutos religiosos, nas escolas católicas, sempre com receio que os outros façam mais e melhor do que nós. Temos muros a mais, alguns tão espessos que o próprio Espírito terá alguma dificuldade em penetrar. Desgastamo-nos, não potenciamos esforços, assumimos atitudes farisaicas. Desculpai, mas apetece perguntar: "Afinal, que testemunho damos nós?" É assim que queremos ser fecundos, eficientes, audazes? É assim que queremos ser fortes e reabilitarmos a nossa "missão"? É assim que queremos seduzir as pessoas afastadas de nós? É assim que queremos "salvar" a humanidade? É assim que queremos ser "cristãos", isto é "como Cristo"? É assim que queremos ser Igreja, isto é "assembleia re+unida", comum+unidade dos crentes"? É assim que queremos mudar estilos de organização e mentalidades e "construir caminhos de comunhão", como recomendou Bento XVI aos nossos bispos há mais ou menos um ano?
Será que ainda não entendemos que quanto mais nos abrirmos aos outros, mais nos enriquecemos (todos)? Será que ainda não entendemos que não temos outro caminho senão juntar vontades, energias, entusiasmos, porque somos todos muito frágeis, muito limitados, muito pecadores (e, ao mesmo tempo, paradoxalmente, muito "divinos")?
Como diz o pedagogo espanhol Miguel dos Santos Guerra (que até me parece nem ser muito assíduo às missas dominicais) "Somos anjos com uma só asa. Precisamos de nos abraçar para poder voar…"
Estamos mesmo convencidos disto? Ou será que (já) não acreditamos em anjos?

Escuteiros de Santa Cruz reactivam agrupamento


A direcção do Agrupamento de Escuteiros do Corpo Nacional de Escutas (CNE), n.º 163 Santa Cruz, informa através de comunicado enviado à nossa redacção que no próximo dia 19 de Outubro, pelas 15 horas, na igreja de Santa Cruz, celebrar-se-á a cerimónia de (re)filiação do agrupamento daquela paróquia que se encontrava extinto desde de 1975. O agrupamento vai ter como patrono D. Afonso Henriques, Dele fazem parte a Alcateia Santa Maria; o Grupo Explorador S. Teotónio; o Grupo Pioneiro Infante D. Henrique e o Clã D. Afonso Henriques.

13 de outubro de 2008

Conferências sobre S. Paulo no Instituto Justiça e Paz

No ano dedicado a S. Paulo, o CADC (Centro Académico de Democracia Cristã) e os Padres Franciscanos vão levar a efeito um ciclo de conferências sobre S. Paulo.

A primeira conferência decorre, no próximo dia 15 de Outubro (quarta-feira), com a presença do teólogo Padre Totentino Mendonça. Professor auxiliar na Universidade Católica Portuguesa de Lisboa e director do Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura da Conferência Episcopal Portuguesa, o Padre Tolentino Mendonça vai debruçar-se sobre a figura de “Paulo, o homem. De judeu a Apóstolo”.

A próxima conferência realizar-se-á a 12 de Novembro, no auditório do Instituto Justiça e Paz, pelas 21,15 horas, com a presença do Professor João Lourenço. “O mundo judaico de Paulo” será o tema abordado por este docente da Universidade Católica Portuguesa de Lisboa.

Associação de empresários cristãos promove formação sobre a “excelência na gestão”

A Associação Cristã de Empresários e Gestores (ACEGE) de Coimbra retoma o início das suas actividades propondo aos seus associados, mais um ciclo de formação, este ano dedicado as questões concretas da gestão. O ciclo denominado “Excelência na gestão”, segundo uma nota enviada por João Paulo Craveiro, responsável pelo núcleo de Coimbra, pretende fomentar aos associados, através de gestores e empresários, uma partilha de histórias de sucesso das suas organizações. “Os bons exemplos são sempre de realçar, constituído fonte de aprendizagem para todos”, refere ainda o comunicado enviado à nossa redacção. O primeiro encontro agendado para o dia 28 de Outubro, na sede do Clube de Empresários de Coimbra, pelas 20 horas, contará com a presença de Ernesto Vieira que irá falar do percurso da Auto Sueco Coimbra, empresa que cumprirá em 2009 os seus 50 anos de actividade. Trata-se de um empresário de Coimbra ligado à ACEGE há muitos anos, pelo que seu testemunho reveste-se de grande interesse para os empresários cristãos.

Cooperadoras da Família comemoram 75 anos de existência

O Instituto Secular das Cooperadoras da Família, em Coimbra, vai celebrar os 75 anos de existência a 26 de Outubro. O aniversário é comemorado na sede desta instituição com diversas actividades, desde de partilha de testemunhos e uma encenação sobre a vocação actual. Às 12 horas, na igreja de Santo António dos Olivais é celebrada uma eucaristia de acção de graças presidida pelo Bispo de Coimbra, D. Albino Cleto.

Bispo da Diocese com Leigos na Região Pastoral do Sul

Leigos representantes das 57 comunidades paroquiais da Região Pastoral do Sul reuniram no passado dia 11 sob a direcção de D. Albino Cleto, no Centro Pastoral desta Zona, em Chão de Couce ( Ansião ), para reflexão final do Plano Pastoral do próximo triénio.
Partindo da palavra de Jesus “Ide e fazei discípulos “- o lema do Plano – o nosso bispo analisou a perspectiva de Jesus no seu tempo, sugerindo caminhos de tal imperativo para a actualidade.
D. Albino deteve-se concretamente na reflexão das áreas prioritárias da Catequese (infância e adultos), família, juventude, comunicação social, sentido de comunidade, oração e vocações de consagração, acentuando a eficácia dos pequenos grupos quando bem motivados e a importância da acção pessoal. Referiu mesmo que o grande desafio deste ano na Diocese é a formação de tais grupos com cristãos decididos e comprometidos com Cristo e com a sua Igreja. Neste sentido indicou a realização de uma caminhada com o estudo e a vivência do apóstolo São Paulo a quem é dedicado o ano presente.
A assembleia apresentou sugestões de trabalho e estratégia pastoral nesta linha, os quais serão consideradas na elaboração do Plano Pastoral Diocesano a publicar em breve.
No final D. Albino Cleto anunciou a realização de duas peregrinações diocesanas na rota de S. Paulo – uma à Turquia e outra a Malta e Roma – e deixou uma palavra de esperança quando à dedicação apostólica dos leijos cristãos desta Região Pastoral.