Correio de Coimbra

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15 de maio de 2007

Meios de comunicação: um bem ou um mal?


Por Miguel Cotrim
Celebra-se no próximo domingo, o Dia Mundial das Comunicações Sociais. O Papa Bento XVI faz incidir a sua reflexão deste ano no problema dos média e as crianças. Qualquer que seja o tema do Dia, o que se impõe é educar para o uso destes meios.
"Um grande bem ou um grande mal nos pode advir do uso dos meios de comunicação social: é a nós que compete usá-los para finalidades positivas e de modo correcto, ou para finalidades negativas e de modo incorrecto".
Ao reflectir sobre esta mensagem, veio-me ao pensamento o caso de Madeleine MCCann, a menina que desapareceu há duas semanas no Algarve. Não é propriamente o caso de Madeleine que pretendo partilhar com o leitor, mas sim a cobertura mediática dado a este caso. Não há memória de um caso tão mediático de um desaparecimento de uma criança em Portugal. Gostaria que outros casos, como do desaparecimento de Rui Miguel e Rui Pereira tivessem tido o mesmo critério dos média.
A pequena Madeleine entrou-nos todos os dias nas nossas casas. Sabíamos todo o decorrer das investigações até ao momento, em que a polícia judiciária deu por encerradas as buscas. Aí a Sky News decidiu deixar de fazer o que normalmente faz bem: dar notícias. A estação de televisão britânica pôs no ar uma reportagem de propaganda contra a polícia portuguesa. Os tablóides ingleses seguiram o mesmo caminho, ou pior ainda. Fizeram a exploração sentimental até a exaustão. Foram desenterrar todos os desaparecimentos que houve em Portugal e juntaram ainda o processo de pedofilia na Casa Pia. Tiveram o cuidado de seleccionar as imagens e depoimentos, sobre critérios que devem envergonhar qualquer jornalista que respeite a ética da sua profissão.
As palavras de apreço pelas autoridades portuguesas dos pais de Madeleine não tiveram qualquer referência nos meios de comunicação social ingleses.
A Sky News, tantas vezes apontada como um modelo jornalístico em Portugal não olhou a meios para reforçar as conclusões acusatórias que tirou sobre um caso que nada tem de diferente dos milhares que acontecem todos os anos em Inglaterra e no mundo. Conclusões injustas e desonestas por parte dos nossos colegas britânicos.
O caso não deixa de ser grave. De Inglaterra chegam-nos todos os anos, desde há décadas, muitos turistas que procuram o Algarve para passar férias. Notícias destas podem derrubar o trabalho de muitos anos elaborado no sector do turismo e ter repercussões económicas inimagináveis.
Como diz o Papa Bento XVI na sua mensagem para o Dia Mundial das Comunicações Sociais: "A qualidade e a liberdade dos média estão cada vez mais ameaçados pelo apetite económico dos grandes grupos industriais e mediáticos que, esfomeados, espreitam centenas de milhares de utilizadores, habitantes deslumbrados, dum ciberespaço imaterial".
Todos nós, profissionais da comunicação social, sentimos que algo não vai bem no funcionamento deste sistema de produção da informação. Onde está a honestidade de quem utiliza esta ferramenta?
Assim, "urge rever a importância da formação e educação dos cidadãos para o uso crítico dos média, com uma livre e responsável participação na construção dum maior diálogo, conhecimento, solidariedade e paz ao serviço da compreensão entre pessoas e entre povos", diz ainda o Papa na sua longa mensagem destinada essencialmente aos proprietários e profissionais do sector.
Convém possuirmos, sempre, um olhar crítico sobre a informação que consumimos dada a quantidade de informação que hoje é produzida. Reconheço que não é tarefa fácil. Eu próprio sinto isso. Basta apenas saber seleccioná-la.

Novo vigor e impulso missionário,precisa a Igreja nos nossos dias!


Por Armando Duarte

Assim o acaba de defender Bento XVI, na viagem ao Brasil. Esta mesma dinâmica pode, e deve, aplicar-se à Igreja que está em Coimbra, numa altura em que se faz avaliação do Plano Pastoral Diocesano, com vista ao relançamento do próximo, e na semana que antecede o Dia Mundial das Comunicações Sociais. Com esse objectivo, gostaria de partilhar algumas ideias mestras, que ajudem a situar-nos.
Curiosamente há, na história da Igreja, algumas etapas marcantes regulares do impulso evangelizador, que nos fazem pensar. Tudo aconteceu, a partir da fonte e lançamento do desafio evangelizador que Jesus Cristo, o protagonista de sempre, fez aos Doze, há dois mil anos, e a que se consagraram, num recanto do império romano, a Judeia, e lançando as redes ao mar da Galileia. Desde então a Semente é lançada, gerando ricos e diversificados frutos. Por volta do século V, a missão prossegue junto dos povos bárbaros e germânicos, tendo conquistado o coração do centro da Europa. Cerca do ano mil, são os povos eslavos que se abrem para a fé cristã. Aos mil e quinhentos anos é a descoberta do novo mundo, acompanhada da evangelização bem marcante, que continua a dar frutos nos nossos dias. Detendo-nos apenas no que aos portugueses, e aos conimbricenses em particular, diz respeito, demo-nos conta de que o Brasil é simplesmente o maior país do mundo, a abraçar a fé católica, não esquecendo África, em franco florescimento evangelizador, e o Oriente, sonho dos portugueses, e realidade duma Igreja que cresce espantosamente. Afinal, estamos a verificar que, de África e do Brasil, surgem os novos evangelizadores, que vêm lançar desafios às nossas comunidades e à forma como vivemos hoje a missão.
Naturalmente, não deve espantar que João Paulo II, no dealbar do novo século e milénio, desafie a Igreja a voltar a insuflar as velas de outras caravelas, com o sopro ou as rajadas de vento do Espírito, para dar continuidade à faina e lançar a Semente, com novos conteúdos, novos métodos e novo ardor. Mais do que uma visão cíclica, importa perceber que está aí um mundo novo, em mudança constante, com novos terrenos, novos ambientes, outros espaços e possibilidades. Não ignorando a variedade de instrumentos, com excelentes potencialidades, importa não insistir cansativamente no uso das ferramentas tradicionais, que têm o seu lugar, aliadas à corajosa e audaz decisão do emprego das novas técnicas e meios, inter mirifica, que seria culpável diante do Senhor não utilizar. Os meios de comunicação social são o principal instrumento de informação e formação, como bem sabemos. Mais do que isso, são desafios, hoje mais que nunca, a integrar a mensagem salvífica na «nova cultura».
Por isso mesmo, este apostolado de vanguarda lança um desafio para a educação. À Escola, à Família, à Igreja…, aos educadores, aos pastores, às crianças…, no uso apropriado, crítico, que exige a formação no exercício da liberdade, lembra o Papa na sua mensagem para o Dia Mundial das Comunicações Sociais. Diante deste imperativo, não podemos permanecer medrosos, sem confiança, à beira do mar. O Mestre continua como timoneiro da barca, manda fazer-nos ao mar alto! A sementeira continua. O Espírito é quem dá vida à Semente e faz com que frutifique.
Ao largo!

Museu Irmã Lúcia


inaugurado a 31 de Maio


As carmelitas de Coimbra preparam-se para inaugurar o Museu Irmã Lúcia agendado para o último dia deste mês.
Dentro em breve, todos poderão ficar a conhecer uma réplica da cela onde a Irmã Lúcia viveu grande parte da sua vida de clausura, assim como todo o seu espólio – o hábito, objectos pessoais (máquina de escrever onde dactilografava os seus escritos, óculos) cartas que a Irmã Lúcia recebeu, fotografias, etc…
A inauguração da obra, actualmente em fase de construção está prevista para o dia 31 de Maio, quinta-feira. Antes da inauguração do museu, que resulta de uma ideia das carmelitas, assente no projecto de autoria do arquitecto Florindo Belo Marques, D. Albino Cleto, Bispo de Coimbra, presidirá a celebração da Eucaristia a partir das 15 horas na igreja do Carmelo.
O edifício possui dois andares. No piso inferior, um painel de grandes dimensões com a imagem da Irmã Lúcia receberá os visitantes. Nesse piso ficará o hall, a recepção, um auditório, casas de banho e expositores. No andar de cima, cujo acesso pode ser feito através da escadaria ou de elevador panorâmico, encontra-se a reconstituição da cela da última vidente de Fátima.
A intenção inicial era que o museu ficasse concluído a tempo da celebração do centenário de Lúcia de Jesus, a 28 de Março passado, mas tal não foi possível.
Recorde-se que no início dos trabalhos foi necessário deitar abaixo uma antiga casa construída pelos soldados. Os trabalhos, essencialmente as fundações do edifício avançaram com o supervisionamento de um arqueólogo, que acabariam por desvendar alguns achados, entre os quais porcelana, ferro, peças de barro e de cobre, datados do século XVIII e pertencentes à comunidade que viria ser expulsa em 1910.
Avaliado o valor das peças, em Dezembro, os técnicos perceberam que estavam encontradas as condições para avançar com as obras, actualmente na fase final de acabamentos.
O Museu Irmã Lúcia implicou um investimento a rondar os 520 mil euros, custeado pelo Carmelo de Santa Teresa. Para que o sonho fosse possível, as irmãs contaram com donativos, chegados maioritariamente dos Estados Unidos, Espanha e Irlanda.
O cónego João Lavrador, capelão do Carmelo acompanha de perto este desejo das irmãs e é nelas que deposita toda a confiança de gerir espaço, que levanta um pouco do mistério que envolveu toda a vida da vidente. Nesta fase inicial, o sacerdote sabe que as carmelitas estão a contar com a ajuda de alguém do exterior, mas, de futuro, serão elas a dinamizar o museu que presta homenagem à mais célebre hóspede do Carmelo de Santa Teresa.
Recorde-se que Irmã Lúcia viveu no Carmelo de Santa Teresa desde 1948, tendo aí permanecido até à hora da morte, a 13 de Fevereiro de 2005, tinha na altura 97 anos. Sepultada ao longo de um ano numa campa térrea no convento onde viveu grande parte da vida, a 11 de Fevereiro do ano passado a vidente foi traslada para Fátima, onde se juntou aos primos, falecidos ainda em crianças.


Miguel Cotrim


Semana de Estudos da Associação de Estudantes de Teologia


Socióloga afirma que prática religiosa não influencia valores e atitudes


A Semana de Estudos da Associação de Estudantes de Teologia teve início na passada Segunda-feira, com uma conferência, seguida de debate, proferida por Paula Abreu, docente na Faculdade de Economia e investigadora do Centro de Estudos Sociais de Coimbra.
Na abertura oficial da iniciativa, esteve presente o Bispo de Coimbra, D. Albino Cleto, que sublinhou a importância de debater temas que nascem também de "reflexões sobre a vida e o mundo" e não apenas daquilo que é discutido nas aulas do Seminário. O tema escolhido para a edição de 2007 é a "Diferença Cristã" e, nas palavras de Renato Neves, presidente da Associação de Estudantes, o que se pretende é reflectir sobre uma possível atitude de indiferença social, marcando, ao mesmo tempo, a posição de diferença de uma Igreja que não pretende separar-se do mundo, mas antes ser testemunho nele.
Afirmando que, em Portugal, muito está por estudar e por saber no âmbito da sociologia religiosa, Paula Abreu apresentou alguns indicadores quantitativos, resultantes de estudos, realizados em pareceria com outros países, sobre a identidade e prática religiosa. 85, 8% dos portugueses afirma ter uma religião e desse conjunto de indivíduos, 97, 1% afirmam-se católicos. Sendo este um dos dados que têm justificado a designação de Portugal como um país católico, se analisada a prática religiosa, os números dissolvem-se passando a existir "entre o preto e o branco, várias tonalidades de cinzento". De acordo com os elementos apresentados pela conferencista, quando contextualizadas e avaliadas as respostas relativas a valores, atitudes e comportamentos sociais dos indivíduos, pode concluir-se que estes não são influenciados pela prática religiosa.
Deixando um repto à Igreja para que produza informações rigorosas e isentas relativas aos seus membros e para que as divulgue, Paula Abreu afirmou que talvez seja mais relevante conhecer "aquilo em que as pessoas acreditam e não tanto as suas práticas". Inserindo os dados apresentados numa análise das mudanças rápidas na sociedade portuguesa, nos últimos anos, a investigadora mostrou ainda que são as mulheres as que se vêem como tendo maior grau de religiosidade e que o índice de prática é mais elevado em zonas rurais e em pessoas com menores níveis de escolaridade.


Lisa Ferreira

Reunião do Conselho Presbiteral da Diocese de Coimbra, 9 e 10 de Maio de 2007


Conclusões

O Conselho Presbiteral da Diocese de Coimbra, reunido nos passados dias 9 e 10 de Maio, propunha-se reflectir sobre a revisão dos Estatutos do Conselho Presbiteral e a avaliação do Programa Pastoral Diocesano. Contudo, dados os últimos acontecimentos na paróquia de Taveiro, amplamente noticiados na comunicação social, os membros do Conselho Presbiteral sentiram necessidade de dedicar algum tempo à sua análise, porque envolvia um colega sacerdote e porque coloca em causa a acção da Igreja na sua legítima autonomia perante os poderes públicos.
Neste ponto, os sacerdotes presentes na reunião manifestaram a sua comunhão sacerdotal para com o pároco de Taveiro e repudiaram qualquer limitação à livre acção pastoral da Igreja, seja neste ou noutros casos, em que a legítimas autonomia da Igreja seja posta em causa.
A revisão dos estatutos do Conselho Presbiteral, além dos aspectos formais e normativos, foi uma oportunidade para a reflexão acerca da comunhão e corresponsabilidade eclesiais, a partir dos sacerdotes entre si e com o seu Bispo, da forma de ser presbítero no mundo de hoje, na sua dimensão espiritual, cultural, humana e pastoral, do modo de exercer a sua acção apostólica, atendendo à realidade presente da diocese, e da necessidade de integrar os religiosos e os leigos na vida das comunidades cristãs. Naturalmente, incidiu-se na melhor forma de valorizar o papel do Conselho Presbiteral, como senado do Bispo, na vida da Igreja diocesana.
Terminados os cinco anos da aplicação do Plano de Pastoral Diocesano, torna-se necessário fazer a sua avaliação. Esta tem como objectivo o tomar de consciência das implicações pastorais que provocou nas comunidades cristãs, seja na sua valorização seja nas suas insuficiências, e auscultar o parecer da diocese, em todos os seus membros e organismos, sobre o modo de avançar para um novo Plano Pastoral. Começou-se, já, nesta reunião, por fazer uma breve avaliação que continuará, no próximo ano no âmbito alargado de toda a diocese.
O parecer dos membros do Conselho Presbiteral foi francamente positivo, tanto no que diz respeito ao Plano em geral, como às temáticas nele propostas, ou seja a família, os jovens, os carenciados, o diálogo fé-cultura e as vocações. Foi sentir geral que a Diocese cresceu na consciência diocesana, aprofundou as referidas realidades pastorais e sentiu-se empenhada em tarefas comuns de resposta aos desafios que hoje, nos diversos domínios, são lançados à Igreja.
Qualquer Plano tem de ser elaborado com um conhecimento muito sério da realidade da diocese e do que o Espírito de Deus diz hoje à Igreja presente e actuante num mundo em profundas mutações.

J.L.

Entrevista ao padre Manuel Alves Maduro, vigário episcopal da região Beira-mar




Se a fé não incarna na cultura passa a ser virtual



O padre Manuel Alves Maduro, vigário episcopal da região Beira-mar, falou ao "Correio" do seu trabalho nesta zona da diocese e da forma como as comunidades têm respondido às propostas pastorais da diocese. Destaca a família, a juventude e a cultura como temas importantes a discutir e a implementar no futuro, defendendo que a fé tem que ser semeada nos jovens para, depois, incarnar na cultura. Referindo a falta de padres na região e a ajuda importante de sacerdotes estrangeiros, manifesta alguma tristeza pelo encerramento, no próximo ano, do pólo da Universidade Católica na Figueira da Foz. A falta de alunos leva da cidade um ponto importante de formação de pessoas com "critérios humanos sólidos".


Entrevista de Lisa Ferreira


Foto: Miguel Cotrim




É actualmente vigário episcopal da região pastoral Beira-mar. Que desafios lhe tem trazido esta função?
Sou vigário episcopal na região Sul, desde Outubro de 2004 mas já assumo esta função desde 1986, tendo trabalhado já na região Nordeste. Nós somos ordenados para servir a Igreja onde ela deve ser servida e devemos sempre manifestar essa disponibilidade. O nosso bispo, porque conhece a realidade mais ampla da diocese, entendeu que eu poderia vir trabalhar para esta região, muito diferente da Nordeste. Em termos populacionais, a região Sul tem cerca de 160 mil pessoas e a Nordeste tinha 45 ou 50 mil habitantes, mas a nível geográfico, a região Nordeste é muito mais ampla e esta mais concentrada. Como é mais populosa, aquilo que se procurou fazer aqui foi a dinamização dos arciprestados. Às vezes, diz-se que os vigários episcopais colocaram um bocadinho na sombra os arciprestes e eu penso que é importante que, localmente, exista dinamismo porque, dada a densidade populacional da região Sul, é também mais fácil, desta forma, a realização de algumas iniciativas concretas. A minha vinda é um bocadinho para tentar pôr de pé a equipa de arciprestes, criando uma proximidade entre eles para que, a partir dela haja uma articulação maior, dando continuidade às iniciativas locais. A nível pessoal, tenho muito boas recordações daqui. Nós, padres, temos mil ocupações que, por vezes, não nos dão espaço para, com alguma distância, pensarmos nas coisas e, com persistência, levá-los ao fim. E depois recebemos também tantas solicitações que não queremos deixar nada para trás. É precisa uma certa distância para, com dor, deixarmos algumas coisas mais de lado. Com fidelidade ao Espírito e ao povo temos que ir tentando discernir quais as melhores opções. Eu costumo dizer que a minha missão é unir para construir e sonhar para renovar. É importante sonhar.


Que impressão recolhe da região Beira-mar, no que diz respeito à prática cristã e à participação na vida da Igreja?
É uma região participativa. Claro que há excepções e zonas onde se participa mais do que noutras mas há muitas manifestações de actividade dos leigos. Quando é preciso dar continuidade, as coisas tornam-se um bocadinho mais difíceis. Funciona aqui, por exemplo uma Escola de Leigos que começou com cerca de 50 alunos e agora tem 30. Mas esta perseverança é positiva. As pessoas deixam as suas actividades familiares, profissionais e vêm até aqui porque querem valorizar-se e também prestar a sua colaboração nas respectivas comunidades. Há muito caminho a percorrer mas há pessoas despertas. Claro que a multiplicidade de compromissos familiares, profissionais e outros levam a que as pessoas, porque também desejam estar noutros lados e dar aí o seu testemunho como crentes, não tenham tanta disponibilidade para iniciativas de âmbito pastoral.


Outra das coisas que dá unidade à diocese é o plano pastoral que, este ano, procurou debruçar-se sobre a acção social e a atenção aos mais pobres. Como caracteriza a actividade da região neste âmbito?
Não podemos perder de vista algumas perspectivas. Assim como o ruído do mar é feito de milhões de ondas, esta acção social da Igreja depende do que cada pessoa faz. Quando nos congregamos e unimos, fazemos um caminho para potenciar iniciativas que, só com grupos pequenos, não era possível realizar, mas é importante não esquecer que há pequenas realizações locais que não tem visibilidade. Isso não quer dizer que as conferências vicentinas ou os grupos de âmbito sócio caritativo, por exemplo, não estejam activos. Têm feito um trabalho muito grande. As pessoas aparecem facilmente e em grande número se houver uma grande causa pela qual lutar mas, quando falamos de uma acção sistemática, estruturada é mais difícil que elas sejam notadas. As pessoas localmente vão tentando encontrar soluções para os problemas. Claro que há muito a fazer…


A juventude nesta região tem voz activa nas comunidades paroquiais?
Jovens é o que não falta na Beira-mar e penso que deve ser tido em conta que os jovens não são só aqueles que têm 15, 17 ou 20 anos mas podem ser pessoas até aos 40. Depende de nós essa atenção. Em relação aos grupos de jovens organizados, eles estão, sobretudo, nas paróquias. Há muitas que têm os seus grupos e que os acompanham em actividades muito diversificadas e mobilizadoras. Em 2005, quando houve, na região, um Festival da Canção Jovem muitos grupos, daqui e de toda a diocese, despertaram para algumas coisas, através da música. Falta a continuidade e o apoio. Também é necessário que haja gente, sacerdotes e leigos, que guie e oriente os jovens, que tenha uma idade um bocadinho mais próxima da deles e que use até algumas das suas linguagens. Nesta zona, era possível e necessário haver gente mais nova para estar com os jovens. Claro que este trabalho não se faz num dia, nem numa semana. Às vezes lembro-me de uma frase de Aristóteles que dizia que "para um barco que não tem rumo, não há ventos favoráveis". Se há um rumo, mesmo com dificuldades, avança-se, ainda que com altos e baixos. E as coisas fazem-se de pessoa a pessoa, no acompanhamento próximo. Temos que procurar os jovens para, a partir dos sítios onde eles estão sem ter medo de "sujar as mãos". Eles têm muitas qualidades e se a semente fica, ela está lá, mesmo que algumas folhas depois voem com o Inverno.



Diz-se muito que os jovens estão cada vez mais afastados da Igreja. Acha que é verdade?
A Igreja é o mistério da nossa comunhão com Deus. Então, onde está um jovem em comunhão com Deus, está um jovem em Igreja. O Espírito é que anima e podemos não ver os mais novos dentro das quatro paredes a que chamamos igreja mas eles são Igreja. Temos que descobrir essas manifestações da presença de Deus no seu coração e encontrar caminhos para que eles entendam a necessidade de participarem física e activamente. Cristo tem que ser o centro da nossa vida, o médico da nossa vida e o amigo que nos acompanha e temos que viver isto de uma forma viva e alegre. Quando pudermos fazer perceber isto aos jovens, assim como eles enchem estádios, eles vão deixar que as emoções venham ao de cima.


Que temas pensa que seriam importantes no próximo plano pastoral?
Tivemos agora a reunião do Conselho Presbiteral e foi feita uma avaliação do plano que agora termina. No próximo ano, esta avaliação continuará a ser feita, devolvendo à diocese a palavra para podermos encontrar novos rumos e pensar no que se vai fazer agora. Na avaliação já feita, salientaram-se muitas coisas positivas mas o tom geral dos meus colegas presentes foi no sentido de desenvolver mais alguns dos temas e potenciá-los, dando-lhes continuidade e rompendo com alguns esquemas e formas de trabalhar mais negativos. Não posso antecipar aquilo que vai ser decidido, mas se algumas áreas podem ser realçadas como pontos de trabalho a ser feito, elas são a área da juventude, com tudo o que ela implica, a área da família e a área da cultura. É preciso potenciar a família, levando as nossas propostas, as mensagens com as quais nos identificamos e pelas quais damos a vida, passando para o terreno. Os jovens são mais de afectos e mais disponíveis e tanto podem encalhar num beco sem saída como podem abrir horizontes. E a juventude é o terreno mais receptivo e capaz de agarrar propostas. Mas tudo isto tem que passar para a cultura e incarnar nela. Se a fé não incarna, não existe e passa a ser uma coisa virtual mas se ela se torna cultura vai transformando a sociedade porque este laicismo em que se vive não dura sempre e porque que tem fé tem a força de transformar coisas. A fé dá-nos capacidade para, a partir do nada ou do menos nada, reconstruir. Foi o que fez Jesus Cristo que nos envia e nos faz felizes.


Na região trabalham, neste momento sacerdotes de fora do país. É a falta de sacerdotes aqui que motiva a sua vinda?
A região tem 4 arciprestados e, neles, trabalham 27 sacerdotes. Um diácono da região vai ser ordenado no final deste ano e um seminarista de Ourentã está agora no 3º ano do curso de Teologia. Não temos ninguém no Pré Seminário, neste momento. Há dois sacerdotes do Preciosíssimo Sangue em Verride e chegaram, há pouco tempo, do Brasil, dois, enviados como missionários. Temos também dois de Benguela que estão aqui, na Figueira, um no pólo da Universidade Católica e outro no pólo da Universidade Internacional. Todos os sacerdotes de fora são incluídos no trabalho aqui. O caminho agora é potenciar o dinamismo na acção pastoral nas comunidades para que surjam vocações dentro delas. Esses sacerdotes são os que podem compreender melhor os problemas e lutas da comunidade. Mas são sempre bem vindos os que vierem de fora, que são absorvidos e integrados para poderem conhecer os nossos hábitos e formas de trabalhar e para poderem responder àquilo de que as pessoas vão precisando. Estou convencido de que eles estão integrados apesar das dificuldades. Mas a solução é termos força e capacidade para, a partir de dentro, cultivarmos vocações, acompanhando, um por um, os jovens.


O pólo da Universidade Católica aqui na Figueira da Foz vai encerrar no próximo ano por falta de alunos. Como vive essa situação?
Claro que é com alguma tristeza e com pena mas compreendemos as razões desta tomada de posição da Universidade. Esta é também uma perda de para a cidade porque tudo o que contribui para a formação intelectual e para abrir horizontes é bom. Estas pessoas, que são formadas com critérios humanos sólidos, são um apoio e um estímulo para reconstituir o tecido de uma sociedade, deixando sementes pequeninas e acendendo pequenas chamas que, depois, podem tornar-se maiores.

E depois do Adeus?


Alguns mais distraídos podem pensar que se trata de um aceno à dita "revolução dos cravos", mas não é. No dia em que escrevo (7 Maio) cumprem-se 365 dias que já passaram desde que fomos como Igreja diocesana em Peregrinação ao Santuário de Fátima.
Convocados pelo nosso Bispo fomos das diversas comunidades cristãs da diocese como um povo Pascal, um povo peregrino, marcados pela certeza de que há-de ser pela oração mais intensa e dinamizada pela esperança, pelo testemunho de uma fé viva e comprometida, que as nossas comunidades se hão-de tornar escolas onde é acolhido, celebrado e vivido o "evangelho da vocação", isto é, o espaço natural onde cada um se descobre chamado por Deus a participar no Seu projecto de amor. Podemos dizer que "colocar na agenda" das comunidades cristãs a necessidade de rezar pelas vocações ao presbiterado, à vida religiosa e missionária, à vida consagrada secular era o objectivo da peregrinação. Rezámos, fizemos festa, vimo-nos e testemunhámos que somos uma Igreja viva e com vida, descobrimos até facetas novas desta Igreja a que pertencemos e, animados pelo fogo de Deus semeado no nosso coração pelas palavras do nosso Bispo, lá dissemos adeus à Virgem do Rosário e rumámos a casa.
Um ano depois é altura de rever este regresso a casa, é altura para nos perguntarmos: O que ficou depois do adeus? Em que terreno semeámos a esperança que ali foi rejuvenescida? Este acontecimento foi um acto meramente acidental, isolado, ou fizemos dele uma oportunidade para dar pequenos passos, concretos, audazes?...
Não basta fazer coisas, muitas ou poucas, se essas mesmas coisas não implicarem de todos e cada um de nós uma fidelidade cada vez mais criativa, real, alegre e comprometida. Num tempo tão marcado pelo acidental, pela superficialidade, há que "ousar a esperança", não como alienação (como quem foge das dificuldades na esperança de um futuro que nunca chegará) mas com um olhar atento, realista, sábio, marcado pela profundidade de quem sabe ler em cada tempo os sinais de Deus.
Em algumas circunstâncias, permitam-me o desabafo, continuamos todos (padres e leigos) a pregar muito uma "esperança desesperada". Muitas vezes dedicamo-nos à oração para que haja mais padres, religiosas, missionários e leigos consagrados tão-somente tendo como motivação o "eles diminuíram…há menos…já não há suficientes para as paróquias". Não nego esta realidade, é verdade que há menos padres e consagrados. Temos de assumi-lo sem dramatismos esquizofrénicos. Mas o nosso horizonte, enquanto homens e mulheres de fé, não pode situar-se só aqui, seria paupérrima uma reflexão (e oração) pela realidade vocacional de uma diocese centrada apenas e só na míngua de padres e consagrados.
"Afinal rezámos (e rezamos) para quê? Não há mais padres por isso. Continua tudo na mesma" É o lamentos que tantas vezes me apresentam. É evidente que precisamos de mais padres e
religiosos, de mais missionários e leigos consagrados, mas precisamos igualmente de famílias cristãs que vivam com entusiasmo a sua vocação de "igreja doméstica", precisamos de jovens que se entusiasmem com o evangelho, precisamos de comunidades paroquiais onde se vive uma harmónica sinfonia de ministérios. Precisamos todos em primeiro lugar de dizer uns aos outros que somos profundamente felizes por sermos cristãos e precisamos todos (e cada um) de assumir sem medo o risco de fazer opções certas no tempo certo. Afinal rezamos sobretudo para acolhermos com lucidez o dom da fé, para a vivermos com alegre generosidade e para termos o discernimento necessário de não nos deixarmos ir na onda da lamentação e da pressão fazendo opções que mais não são do que remendos/paliativos.
A questão da vocação (e das vocações) diz respeito a todos nós que fazemos parte desta Igreja diocesana. Mais do que lamentação ela pede-nos, ou melhor, exige-nos ponderação, formação, projecto(s), comunhão de esforços e de ideias e sempre joelhos por terra diante de Deus. Tudo isto não nos pode preocupar apenas quando o drama for maior, mas deve ocupar-nos desde já, a partir de hoje.
É certo que gostávamos de ter mais jovens, famílias, padres, consagrados, comunidades, talvez eles nos faltem porque também nos falta a esperança.
É urgente que repensemos o que andamos a fazer, a dizer e a rezar. É urgente descruzar os braços e assumirmos o risco de interpelar com mais determinação "os que nos faltam" e "os que ainda estão", só assim a nossa esperança não adormecerá e só assim seremos uma Igreja que vive e vibra com a novidade da Páscoa.


Luís Miranda

Bento XVI reforça a esperança no Brasil


O Papa Bento XVI efectuou uma visita de cinco dias ao Brasil (de 9 a 13 de Maio). Foi a primeira viagem que fez fora da Europa. Num dos maiores países católicos do mundo (são cerca de 140 milhões ou seja 74 por cento da população), o Papa tentou reforçar a esperança na América Latina. A Igreja Católica perdeu adeptos para as seitas, talvez por ter prometido ideologicamente muito e realizado evangelicamente pouco. Mas Bento XVI foi encontrar uma América Latina marcada pelo pluralismo religioso e pelos problemas na relação com alguns dos novos regimes políticos na região. A pobreza e exclusão social foram outras grandes preocupações. Há, ainda, grupos fragilizados, alvo de constantes violações dos direitos humanos: menores, mulheres, presos, indígenas, negros, sem-terra, sem-abrigo, desempregados e refugiados.
Bento XVI teve um programa recheado. Ao todo foram proferidos 13 discursos. Presidiu à canonização do primeiro santo brasileiro, presidiu ainda a uma Eucaristia no Santuário da Aparecida (o mais importante da América Latina) e a V Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano (CELAM), onde os temas dominantes foram a pobreza e o compromisso dos cristãos na sociedade.
O Papa condenou por várias vezes o aborto, mas pediu também prioridade aos mais pobres e a defesa da ecologia e da Amazónia. Perante os bispos brasileiros, o Papa disse que "os tempos de hoje estão difíceis para a Igreja" e "muitos dos seus filhos estão atribulados". O Papa enuncia as principais causas: "justificam-se alguns crimes contra a vida em nome dos direitos da liberdade individual; atenta-se contra a dignidade do ser humano; alastra-se a ferida do divórcio e das uniões livres".
Os bispos também ouviram o Papa a falar dos novos movimentos religiosos, ou seitas, tema que angustia muitos deles. O abandono de fiéis católicos no Brasil terá como causa principal a falta de "evangelização em que Cristo e a sua Igreja estejam no centro de toda a explanação". E esses baptizados de fé frágil são "vulneráveis ao proselitismo agressivo das seitas", não resistem ao agnosticismo, relativismo e laicismo".
Antes de partir, o Papa deixou uma recomendação aos bispos brasileiros: "Não poupar esforços na busca dos católicos afastados e daqueles que pouco ou nada conhecem sobre Jesus Cristo, através de uma pastoral de acolhimento que os ajude a sentir a Igreja como lugar privilegiado do encontro com Deus e mediante um itinerário catequético permanente".
Na missa celebrada no passado domingo, no Santuário da Aparecida, o Papa centrou o seu discurso no futuro: referiu que a América Latina é o continente da esperança, mas vincou que essa "força" advém da fé e não de "ideologias políticas" ou de "movimentos sociais económicos". Palavras interpretadas como alusões à crescente influência dos movimentos de esquerda na região, que têm como expoente máximo o "socialismo do século XXI", do Presidente venezuelano Hugo Chávez.
Perante cerca de 140 mil pessoas presente na celebração eucarística, Bento XVI quebrou o protocolo por diversas vezes, aproximando-se dos fiéis, amenizando o discursos duro dos primeiros dias. Bento XVI parecia diferente: um Papa simpático que sorriu por diversas vezes ao povo brasileiro.
O Presidente brasileiro, Lula da Silva encontrou-se no início desta viagem com o Papa em São Paulo. O aborto, tema que tem sido polémico no Brasil, não foi discutido. O Vaticano preparava-se para assinar um acordo anti-aborto com o Governo de Lula da Silva, mas nem sequer chegou a ser falado. Lula falou da importância da laicidade do Estado e do desejo de ajudar África com o biocombustível. O Papa enalteceu a importância da família, da educação e dos valores espirituais.
Os objectivos desta viagem foram portanto alcançados.


Miguel Cotrim

Próxima grande peregrinação leva mais de 20 mil crianças ao Santuário em Junho


A próxima grande afluência ao Santuário de Fátima está agendada para 10 de Junho, também um domingo, com a peregrinação das crianças, que deverá levar à Cova da Iria dezenas de milhar de alunos da catequese de todo o país.
Mais de 20 mil crianças, muitas acompanhadas dos pais, são esperadas nas cerimónias subordinadas ao tema "Sou do Céu... A Senhora do Rosário", sublinhando a relevância que a oração do terço tem no contexto da mensagem de Fátima.
Em todas as dioceses do país está a decorrer a preparação para essa peregrinação, com as crianças a serem incentivadas a prepararem "uma prenda" para a Virgem, consubstanciada em "contas de rosário" feitas por elas próprias ou na recolha de tinteiros de impressora vazios ou radiografias fora de uso.
O valor apurado na reciclagem dos tinteiros e das radiografias será usado em obras de solidariedade a favor das crianças necessitadas.
O programa da peregrinação contempla uma encenação sobre "O drama dos Pastorinhos", no Centro Pastoral Paulo VI, além da eucaristia celebrada num palco especial montado no recinto do Santuário.

Bento XVI mais próximo de Moscovo


A visita de Bento XVI a Moscovo poderá acontecer nos próximos anos. É a convicção do antigo secretário de Estado do Vaticano, Cardeal Angelo Sodano, que esteve no passado fim-de-semana em Fátima para presidir à Peregrinação Internacional de Maio, comemorando os 90 anos das aparições, em Fátima.
O Cardeal Sodano recordou a relação da Mensagem de Fátima com os acontecimentos do séc. XX na Rússia. "Hoje existe uma liberdade religiosa fundamental. A perseguição religiosa terminou". Apesar disso, permanecem conflitos entre "irmãos", entre católicos e ortodoxos, "por questões de culto ou de rito".
Nos contactos que manteve com Moscovo, o Cardeal Sodano explicou ao Patriarca Alexis II que os católicos não fazem proselitismo. "Como discípulos de Cristo desejamos comunicar o Evangelho". "Para nós, proselitismo é forçar, é impor uma ideia. E isso é anticristão".
"Terminemos esta polémica!", disse o Cardeal Sodano sublinhando que "é mais o que nos une do que o que nos separa": "veneramos a mesma virgem, adoramos o mesmo senhor, temos a mesma a Eucaristia, temos os mesmo mandamentos…"

Bento XVI quer vir a Fátima – garantiu em Fátima, o Cardeal Ângelo Sodano



O Papa Ratzinger espera voltar a Fátima. É a certeza do Cardeal Angelo Sodano, Legado Pontifício às celebrações de 12 e 13 de Maio, no Santuário de Fátima.
Num encontro com jornalistas no passado dia 12 de Maio, Angelo Sodano revelou um breve diálogo que manteve com Bento XVI, antes da partida do Papa para o Brasil, que manifestou a vontade de vir a Fátima. "Espero também eu um dia, se Deus me der saúde, ir lá", disse o Papa ao Cardeal Sodano. "Estou seguro que um dia também o tereis aqui", garantiu o Ex-Secretário de Estado do Vaticano.
Angelo Sodano sublinhou a valorização que, no Pontificado do Papa João Paulo II, aconteceu aos santuários marianos, em todo o mundo. Por Fátima "tinha um amor particular", motivado pelo atentado acontecido em Roma a 13 de Maio de 1981.
Angelo Sodano recordou o rigor com que se analisam, no Vaticano, os processos de canonização. É por esse mesmo rigor que passam também os processos de canonização de Francisco e Jacinta, numa ocasião em que são muitos os processos de canonização a decorrer na Congregação para as Causas dos Santos. Angelo Sodano espera também que seja iniciado o processo de canonização da Irmã Lúcia.

500 mil peregrinos no 13 de Maio em Fátima



90 anos depois das primeiras aparições, o Santuário de Fátima recebeu no passado dia 13 de Maio, uma das maiores peregrinações da história.
A peregrinação internacional do passado dia 13 de Maio foi a maior que se registou, em Fátima, desde a visita de João Paulo II, há sete anos, quando este Papa veio beatificar os dois pastorinhos. Na noite do dia 12, na procissão das velas e na Eucaristia do dia 13, muitos fiéis ficaram do lado de fora do recinto.
Terão sido mais de meio milhão aqueles que ao longo da última semana rumaram a Fátima, a pé, em excursões de autocarro ou mesmo em carros particulares.
O Cardeal Angelo Sodano, presidente da celebração e legado pontifício (representante do Santo Padre), recordou a história das aparições – "Maria pousou o seu olhar sobre este lindo ângulo de Portugal" – e lamentou que a Europa esteja a "esquecer Deus". Esta "epopeia mariana" que se prolongou por cinco meses "impôs-se ao mundo, como é típico das obras de Deus".
Na procissão das velas o legado pontifício apelou para que a paz reine no mundo. "Queremos pedir a Maria que conceda ao mundo inteiro o dom excelso da paz. A guerra assola em várias regiões do mundo; há conflitos entre grupos étnicos e rivalidades no seio de numerosos povos".
"Não foi a Igreja que impôs Fátima mas Fátima é que se impôs à Igreja". Na homilia da Eucaristia do dia 13, o Cardeal Angelo Sodano recordou também a ligação de Fátima aos últimos papas. Ao fazer referência a João Paulo II, as palmas dos peregrinos soaram naquele recinto. "No dia 13 de Maio de 1982, ele veio a este belo santuário agradecer à Senhora por ter escapado ao perigo de morte" – disse.
Ao meio milhão de peregrinos, o legado pontifício salientou também que os homens e mulheres de hoje estão "tentados a esquecer Deus". "Maria sabe que está em risco a salvação eterna dos seus filhos" – afirmou durante a homilia. "Nos nossos países, está em curso uma apostasia sub-reptícia que não pode deixar-nos indiferentes", acentuou. E finaliza: "A Europa está tentada a esquecer a Fé que fez a sua força no decorrer dos séculos".


Texto: Miguel Cotrim
Foto: Luís de Oliveira (Santuário de Fátima)

Comissão Nacional Justiça e Paz


Conferência Nacional 2007: "Por um desenvolvimento global e solidário"

Em comemoração das encíclicas Populorum Progressio (de Paulo VI) e Sollicitudo Rei Socialis (de João Paulo II), a Comissão Nacional Justiça e Paz (CNJP) organiza a Conferência Nacional 2007, com o tema "Por um Desenvolvimento Global e Solidário – Um Compromisso de Cidadania".
Nos dias 25 e 26 de Maio, o Colégio de S. Brito, em Lisboa, acolhe vários especialistas, jornalistas, membros de Organizações Não Governamentais e representantes das comunidades árabe e ismailita, entre outros. Na sessão de abertura será orador o Subdirector Geral da UNESCO, Pierre Sané. Para além das conferências e debates em torno dos diferentes painéis, estão ainda preparadas actividades complementares como exposição de posters temáticos e de trabalhos audiovisuais sobre o tema, com a participação de escolas e centros sociais, exposição e venda de livros e sessões de vídeo.
Segundo os organizadores da iniciativa, esta pretende, entre outras coisas, "dar a conhecer a crentes e não crentes a riqueza da mensagem evangélica e da Doutrina Social Católica", oferecendo "plataformas de diálogo" abertas a outras igrejas cristãs, fomentando o "trabalho em rede" e "abrindo caminhos de esperança e motivação para um maior empenhamento na erradicação da pobreza e na construção de um desenvolvimento global e solidário para todos".
Para mais informações, pode ser consultado o site http://cnjp.ecclesia.pt/

Inventariação da paróquia de Almoster


O passado dia 15 deste mês assinala o termo da tarefa de inventariação da paróquia de Almoster, com mais de uma centena de fichas e numerosas fotografias a documentarem, visualmente, o espólio ainda subsistente de quanto teve de vasto património.
Embora o actual edifício da igreja matriz seja do 3º quartel do século XX, a totalidade das peças consideradas pertencera à anterior construção, parcialmente mantida e sem grande valor arquitectónico, mas, perpetuando espaços e locais outrora reservados para a celebração da fé, do culto e do sepultamento dos defuntos desta comunidade paroquial.
Pertencendo, desde tempos recuados, ao mosteiro de Lorvão – o próprio topónimo Al mo(na)ster assim o recorda, com reminiscência do venerando falar moçárabe – ,a documentação escrita mais antiga continuamente alude às diferentes situações encaminhadas para a responsabilidade das respectivas titulares e para casos cuja resolução nem sempre teve rápida conclusão aceitável.
Como pode ser provado, a solicitude prestada ao bem espiritual da população residente junto à planície perpendicular ao rio Nabão e nos diversos povoados das colinas, também dispersas nas faldas das serranias limítrofes e com algumas capelas, integralmente inventariadas, demonstra características próprias, ao acentuar o modo pelo qual as abadessas laurbanenses proviam o serviço litúrgico, com pleno desvelo.
Desde o século XV, há realidades patrimoniais deveras representativas, em vários materiais, certificando manufacturas bem executadas, peças primorosas e ocorrências raramente encontradas em outros locais da diocese; são, pois, interessantes exemplares, pelas tipologias e pelo exclusivismo patente, por vezes surgido onde menos seria de esperar.
Sendo de qualidade apreciável, atestam, de facto, quão zelosas foram as monjas cistercienses, quanto se empenharam na promoção religiosa dos meios rurais e, principalmente, como era efectiva aquela louvável assistência espiritual, logo anulada com a extinção das congregações, em 1834, todavia, reconhecidamente lembradas em condizente memória de gratidão.
Igualmente, aos últimos párocos efectivos, e a quem os tem coadjuvado na salvaguarda destes mesmos bens patrimoniais da igreja, se deve a conservação do significativo acervo agora acabado de referir, apesar de muitos outros dados poderem ser aludidos, em âmbitos da especialidade.

Departamento dos Bens Culturais da Diocese

Peregrinação a Assis e Roma


Os Capuchinhos de Coimbra organizam, de 13 a 18 de Julho de 2007, uma peregrinação a Assis e Roma, com a assistência espiritual de Frei César Pinto. A viagem inclui visitas a Assis, Siena, Florença e Roma, estando prevista, para o último dia, a participação na Audiência Papal. Organizada pelo Departamento de Turismo Religioso da Geotur, estarão previstos e incluídos no preço da viagem, transportes, alojamentos em hotéis com regime de pensão completa, taxas aeroportuárias e algumas das entradas em museus e monumentos. O preço de participação por pessoa, com um mínimo de 40 participantes, será de 998 euros, em quarto duplo. Acresce a esta quantia, o valor de 140 euros, no caso de preferência por quarto individual.
Para mais informações, pode ser contactado o Sr. António Santos, através do número 939 026 458.

Servas do Apostolado em Assembleia-geral


O Instituto Secular Missionário Servas do Apostolado realizou a sua XI Assembleia-geral ordinária, de 28 de Abril a 1 de Maio de 2007, em Coimbra. "O ser e agir da Serva do Apostolado, hoje" foi o tema central desta reunião que contou com a presença do Bispo de Coimbra, D. Albino Cleto, num dos dias de encontro.
Na Assembleia, como leigas consagradas, os elementos do Instituto "rezaram e escutaram a palavra de Deus, procurando perscrutar os sinais dos tempos e discernir a vontade de Deus, sob a acção do Espírito Santo, de modo a revitalizarem a sua entrega ao serviço do projecto de Deus e a planearem o agir do Instituto, para que seja uma resposta significativa ao desejo que Deus tem de salvar todos os homens".
Os cargos gerais da Direcção agora eleita foram entregues a Deolinda de Jesus Ferreira (directora), Casimira de Oliveira de Jesus (subdirectora), Maria do rosário da Cruz Virgílio (formadora), Maria Augusta Marques (administradora) e Josefa matos Alves (secretária).