Correio de Coimbra

Jornal informativo da Diocese de Coimbra. Assine e divulgue o nosso semanário. 239 718 167. fax: 239 701 798. correiodecoimbra@mail.telepac.pt

A minha fotografia
Nome:
Localização: Coimbra, Portugal

22 de fevereiro de 2008

No âmbito das Conferências Quaresmais:



Bispo de Coimbra apela à unidade e sacrifício das comunidades

Um dos adjectivos mais utilizados por D. Albino na conferência quaresmal foi o termo “unidade”. Para o Bispo de Coimbra, a Igreja hoje não vive muito esse espírito, é muito fechada dentro de si. Apelou em S. José, ao sacrifício das comunidades cristãs para combater problemas e carências. Mas antes desse apelo fez uma reflexão sobre a história da Igreja diocesana e universal.

“Construir Comunidade, integrada na Igreja diocesana e universal”, foi o tema abordado por D. Albino Cleto, na última quinta-feira, no ciclo de Conferências Quaresmais organizado pelas paróquias da cidade.
O Bispo de Coimbra apresentou uma reflexão sobre a história da constituição da Igreja universal. “Para a Igreja não existem fronteiras e países. Somos um só povo” – realçou D. Albino perante uma centena de participantes. “É constituída por um conjunto de pessoas, unidas na mesma fé, pertencentes a determinadas comunidades” – já foram chamadas freguesias e hoje mais conhecidas por paróquias. explicou o prelado. Paróquia, termo grego que significa casa, onde se reúnem os cristãos.
Nos primeiros séculos do cristianismo não existiam mapas da Igreja. Era difícil para um apóstolo ou para o seu coordenador (Pedro) saber quantas comunidades existiam, mas tinham os contactos. A seguir aos apóstolos, vêem os bispos. Como surgem os bispos? A Igreja não regista – esclarece D. Albino. Os bispos aparecem pelo forte crescimento da Igreja, tem o mesmo poder que os apóstolos, só não aceitaram a mesma designação, por uma questão de respeito, por terem sido os primeiros a conhecerem pessoalmente Jesus Cristo. “Cada bispo é autónomo e responsável pela comunidade que tem, mas não é dono”, referiu o prelado. Os bispos são irmãos do mesmo colégio, têm como obrigação ajudarem-se uns aos outros.
Nos primeiros tempos, os bispos começaram a sentir a necessidade de ajudantes. Assim surgem os diáconos, depois os presbíteros.
Ao explicar os primeiros concílios locais, D. Albino, referiu-se aos problemas doutrinais das comunidades, como por exemplo, dos baptismos das crianças feitos na Europa. Os bispos de África procuraram, junto do bispo de Roma, saber a razão dessa iniciativa. Ficaram a saber que o baptismo de crianças era administrado somente àquelas que tinham pais cristãos.
Quando um bispo se desliga da verdade dos outros, criam-se rupturas. Foi o que aconteceu ao longo da história do cristianismo, na Inglaterra, quando surgiu a Igreja Anglo-saxónica, na Alemanha, com os protestantes. Tudo que um bispo faça, é válido, mesmo que entre em ruptura com o Papa, esclareceu ainda D. Albino. “Eu, como bispo de Coimbra, tenho como obrigação de manter a unidade para os dois sentidos: com o meu irmão Bento XVI e com todos aqueles que se afastaram do Papa.
Quanto ao celibato, surge, porque houve a uma determinada altura, muitas pessoas a querem ser padres. E a Igreja acabou por escolher só alguns, aqueles que não eram casados, para serem sinal de Deus.
Quanto aos títulos para designarem as comunidades cristãs: aparecem “paróquia”, termo grego que significa casa e “freguesia”, era o significado dado aos filhos da Igreja (os cristãos) que viviam espalhados pelo meio rural e se reuniam na paróquia. Aparece a área administrativa de cada bispo, chamada “diocese”, termo do império romano, uma herança da influência de Constantino.
Nas paróquias, aparecem várias designações, que hoje corresponde tudo ao mesmo. Um “Abade” (monge responsável pela comunidade, onde, por vezes existia um mosteiro); o “Prior” (Padre responsável por um conjunto de padres); O “Reitor” (havia existência de um colégio) e o “pároco” (hoje, o termo mais apropriado para a designação do padre de uma determinada localidade).

“Hoje a Igreja tem que saber lidar com o efeito da globalização”, disse ainda o bispo de Coimbra. “A globalização tem efeitos positivos e negativos. Quanto aos efeitos positivos, a globalização traz-nos informação, defesa e denúncia das injustiças”, disse o prelado. Quanto aos efeitos negativos: “os pobres são os mais afectados porque querem ser como os ricos e tornam-se mais pobres…”
Um dos adjectivos mais utilizados por D. Albino na conferência quaresmal foi o termo “unidade”. Para o Bispo de Coimbra, a Igreja hoje não vive muito esse espírito, é muito fechada dentro de si, disse fazendo comparação dos números de missionários que a sua diocese tem em relação a Viana do Castelo ou Bragança.
A Pastoral Escolar é outra das preocupações de D. Albino, que segundo ele, “é uma lástima” pelo facto de não existir espírito de sacrifício. Fazendo alusão à sua visitita pastoral que está a efectuar à paróquia de S. José, disse que “não pode ser esta paróquia a resolver o problema da pobreza em Coimbra”. “Tem que haver um espírito de unidade entre todas as paróquias”, referiu.
O Bispo de Coimbra lamentou o facto das comunidades, hoje, falarem mais de si, do que Jesus Cristo. “Temos que nos juntar para mudar esta situação”, concluiu

No próximo dia 28 de Fevereiro, a próxima conferência quaresmal é dedicada aos jovens, subordinada ao tema: “Construir Comunidade_ Linguagem da fé para os jovens de hoje” e será apresentada pelos padres Nuno Tovar (jesuíta) e João Paulo Vaz. No dia 6 de Março, a conferência quaresmal terá como tema: “Construir Comunidade no amor: Casamento, que futuro?”, orientados pelo jesuíta Miguel Almeida e o casal Jacinta e João Paiva.



Miguel Cotrim

Capelanias hospitalares debatido pela Comissão diocesana da Pastoral da Saúde

A Comissão diocesana da Pastoral da Saúde vai levar a efeito no próximo dia 1 de Março, no auditório do Colégio da Rainha Santa Isabel, mais uma reflexão sobre o tema “O serviço de assistência religiosa e espiritual no hospital”. Este tema será orientado pelo Padre José Nuno, responsável nacional pelas capelanias hospitalares.

Formação para ministros de Cantanhede e Mira

No dia 1 de Março, pelas 15 horas, no Centro Paroquial de Cantanhede, decorrerá uma acção de formação permanente para todos os ministros laicais já instituídos do Arciprestado de Cantanhede e Mira.

Viagem à Terra Santa

À semelhança dos anos anteriores, as paróquias de Cantanhede e Mira estão a organizar uma peregrinação. Desta vez o destino escolhido foi a Terra Santa, e a data entre os dias 15 e 22 de Julho. Os peregrinos serão acompanhados pelos padres Carlos Delgado e Jerónimo Correia, e visitarão, entre outros lugares, Cesareia, Nazaré, Cana, Mar Morto, Jerusalém e Belém. Os interessados podem obter mais informações na Secretaria Paroquial de Cantanhede e Mira, através dos telefones 231 422245 ou 231 451253.

Jornadas Quaresmais em Cantanhede

O Arciprestado de Cantanhede e Mira organizou as Jornadas Quaresmais, subordinadas ao tema “A palavra de Deus na Vida da Igreja”, este ano orientados pelo Padre capuchinho Herculano Alves. As sessões têm lugar no auditório do Centro Paroquial de Cantanhede, pelas 21,30 horas, tiveram início no passado dia 26 de Fevereiro, com o tema “A Bíblia na Vida da Igreja”. O segundo encontro está marcado para 4 de Março, à mesma hora, e será subordinado ao tema “A Penitência na Bíblia”. O ciclo de conferências termina a 11 de Março, com o tema “A Conversão na Bíblia”.

20 de fevereiro de 2008

Os excluídos

  • Miguel Cotrim


Há dias, o cardeal de Milão, D. Dionigi Tettamanzi, escreveu uma carta aos católicos divorciados e recasados da sua diocese, em que reconhece que os mesmos foram muitas vezes maltratados e ignorados pela Igreja e pede-lhes que participem na missa, mesmo que não possam comungar.
Um dos mais graves problemas pastorais, é de facto, o caso dos divorciados que voltam a casar. Muitos deles, após um casamento fracassado, procuram reconstruir a vida e, não raro, alcançam um maior equilíbrio emocional e reconstroem uma família estável.
Acontece que muitos não perderam a fé, e ficam, assim, sujeitos aos grande "castigo" de se verem afastados do Sacramento da Eucaristia com palavras muito corajosas, D. Dionigi fez um apelo a todos aqueles que se encontram nesta situação, para que, não abandonem a Igreja: "Também de vós a Igreja espera uma presença activa", e convida-os, concretamente, a "participar com fé na missa".
Esta situação é para mim, leigo, absurda. É como alguém ser convidado para uma festa e, depois não lhe ser permitido comer e participar. Dirão que a Igreja tem que ser fiel à sua doutrina, ou o casamento é indissolúvel, sendo para a vida eterna. Eu penso que quem casa não tem o propósito de se divorciar. Até, porque implica sofrimento para os conjugues e sobretudo para os filhos.
Quando o amor acaba, por vezes, a separação é inevitável. Se, depois casa um dos conjugues refizer a sua vida num novo casamento, em dignidade e responsabilidade, deverá a Igreja exclui-los da comunhão?
Ora, Jesus sentou-se à mesa com os pecadores – prostitutas, samaritanos, leprosos – todos aqueles que a sociedade excluiu.
Passados dois mil anos, ainda continuamos com a mania da perfeição, rejeitando tudo aquilo que consideramos impuro. Deveríamos, também nós, rejeitar os sem-abrigo, os doentes de sida, os toxicodependentes, da Sagrada Comunhão? Até, porque aqui, está uma questão de saúde pública…


O conflito entre os bispos espanhóis e o Governo de Zapatero atingiu o seu ponto alto numa nota pastoral da Comissão Permanente da Conferência Episcopal Espanhola sobre as próximas eleições de 9 de Março, deixando duras críticas por causa das medidas legislativas sobre a família e o matrimónio, bem como das negociações com a ETA. O terrorismo, escrevem os bispos, "é uma prática intrinsecamente perversa, de todo incompatível com uma visão moral da vida justa e razoável", condenando, "a negociação política com organizações terrosristas".
Ao apresentar "orientações morais para estimular o exercício responsável do voto", os bispos alertam para "o perigo de opções políticas e legislativas que contradizem valores fundamentais e princípios antropológicos e éticos enraizados na natureza dos ser humano, em particular no que diz respeito à defesa da vida humana em todas as suas etapas, desde a concepção até a morte natural, e à promoção da família fundada no matrimónio".
Por outras palavras, os bispos afirmam que, os católicos, antes de votar, devem avaliar as diferentes propostas políticas, tendo em conta o que os partidos, os programas e os respectivos dirigentes prometem quanto à dimensão moral da vida. "Não se deve confundir – dizem os bispos – a aconfessionalidade ou a laicidade do Estado com a desvinculação moral e a isenção de obrigações morais objectivas". Não podia estar mais de acordo com este documento. Não se trata aqui dos governos se submeterem a critérios da moral católica, mas sim, da moral humana, social e cultural de cada povo.
De facto, tanto em Espanha como em Portugal, precisamos de um laicado presente no mundo da política, não para submeter a doutrina da Igreja no Estado, mas sim, para submeter valores que defendam a vida na sua plenitude. São necessárias políticas para a família, liberdade e justiça social. Não me preocupa a laicidade do estado, mas sim, a tendência de laicização da sociedade.

Acuidade de sermão do Padre António Vieira à Universidade


Apenas um sermão o Padre António Vieira pregou em Coimbra, e tal oportunidade ocorreu na Real Capela de São Miguel, na Universidade, em 1663. Um evento intemporal e, também, muito incisivo nos dias que correm, a merecer ponderação em qualquer escola superior.
O propósito do Autor visava engrandecer Santa Catarina de Alexandria, realçando-lhe os méritos alcançados no singular encontro tido com os 50 prestigiados detentores do saber da Antiguidade Clássica, componentes da elite escolhida para, na presença do imperador Maximino, ser declarada a portentosa vitória daquela Academia sobre os conteúdos da fé e da salvação, que a jovem proclamava e defendia, com heróica coragem.
Quis iniciar a pregação a partir da parábola das virgens loucas e prudentes (Mt 25), para evidenciar a verdadeira Sabedoria que, para si própria, edifica uma íntima morada (Prov 9, 1), onde habita e da qual flui todo o seu densíssimo e cativante viver, constituindo, como assunto, as vitórias alcançadas, e, como título honorífico, a Sabedoria triunfadora; por tudo, a mais querida companhia da vida.
Um abundante recurso de similes e demais analogias é evocado, sucessivamente, a fim de estabelecer a percepção de tantos paralelismos antitéticos, suficientemente esclarecedores da arrogância petulante, sempre maior do que a soberba agigantada pela obstinação e rebeldia humana, quantas vezes inchadas de presunção.
Esse contínuo entendimento, correspondente à capacidade intuitiva da visão lúcida, é factor de receptividade dos autênticos valores divinos; de contrário, sucede a dúvida, como dos Apóstolos, face à notícia transmitida por Maria de Magdala, na manhã da Ressurreição, por vir de uma mulher e serem eles preconceituosos.
Relutante acerca de tantas práticas, programas e métodos, aceites como boas acções pastorais e catequéticas, mas, ineficazes na persuasão dos destinatários, porque destituídos da capacidade arrebatadora e alheios à necessária humildade, o Padre António Vieira insiste nesta dimensão, a única que poderá tocar por dentro, que desfaz couraças e move os corações.
Isso torna-se um mal ou obstáculo, pelo facto de conceder especial relevo a simples aspectos acidentais, empolados pela doutrina, honra e reputação da respectiva escola formadora, ou devido à ênfase transmitida; saber render-se é, manifestamente, diferente da pior e derradeira defesa, recorrendo ao arremetamento de pedras, como os opositores de Estêvão (Act 6, 9-10).
Daí, uns permanecerem duros e obstinados, enquanto outros persistem derrotados, mas, sem convicção, incapazes de assumir um comportamento crítico, perante o prévio crédito das opiniões individuais, da soberba e da certeza científica, tantas vezes esvaziadas da auto transcendência activa, que a tornaria plena de superior dignificação.
O exemplo dos tetramorfos de Ezequiel (1, 10) é paradigmático do resultado inerente à companhia e ao trato de qualquer ser humano com as pessoas próximas, que faz iguais ou outros que tais: o Boi – animal submisso e humilde –, que na primeira visão assim aparece, na segunda surge transformado em Querubim, porque da convivência com o Homem e com a Águia, respectivamente, recebe o rosto humano e as asas características, enquanto o Leão mantém a mesma forma, visto a inchação e a sobranceria impedirem a introdução de outra configuração.
Mediante a docilidade do coração, respondida por Salomão à benevolência divina (1 Rs 3, 5.9.12), Deus cumulou-o de Sabedoria, equivalente ao conhecimento claro do verdadeiro saber: a predisposição para procurar a consistente perenidade da luz de eterna formosura.
Isto contraria o relativismo, a fluidez das convicções, a simpatia servilista, o culto do somente querer ser agradável, pois, a maior tentação do letrado está em inclinar-se à vontade e ao empenho individualista do superior, a fim de ficar bem visto, em vez de persistir constante no que se impõe de categórico, num imperativo de recta consciência.
Liberto desta tendência calculista, o comum da sociedade teria dedicação ao bem público, manifestaria honra no trabalho, salutar empenho na construção da justiça, da paz e da fraternidade, colaborando na efectividade de um mundo melhor, solidário, corresponsável pelo harmonioso progresso integral dos povos.
Tais virtudes estão contempladas no início da poética hebraica (Sl 1, 1), quando proclama bem aventurados os que seguem aqueles preceitos, logo transpostos para o prestígio das nações, educadas e formadas por insignes universidades, onde preclaros mestres e doutores habilitassem, integralmente, as novas gerações, sendo autênticos professores humanistas.
O valor das cadeiras, sejam de Teologia, Letras, Filosofia, Cânones, Direito, Ciências, Economia, sejam de Farmácia e de Medicina, está dirigido à saúde pública, todavia, na condição de os catedráticos de sanidade se tornarem de peste – por serem movidos pela ambição, lisonja e temor – procedem consoante as circunstâncias, as conveniências, o oportunismo, levados como pó solto e leve, que o vento dominante sopra da terra, para enublar o ambiente geral.
Nesta perversão, enveredam muitos consentâneos, associados a outras notórias pseudo-mundividências sectárias, pelas quais mudam critérios, leis jurídicas, códigos deontológicos, procedimentos venerandos, disciplinas inestimáveis. A cathedra pestilentiae, emissora de veneno, ruína e peste aplaude quaisquer hereges das leis (mesmo que sejam canónicas – alusão aos inquisidores!), distinguindo-os como doutos conceituados, e despreza quem defende a sensatez, a razão e a verdade, contrariamente ao desgraçado Baltazar, homem coerente, premiando Daniel, pela integridade proferida no respeitante ao fim do próprio monarca e da preponderância babilónica (Dan 5, 7 e 25-30).

A vida profunda que se faz gesto concreto

  • Nuno Santos

Pois é… Estamos novamente na Quaresma. Claro que todos demos por isso. O que talvez já não seja tão claro é que este tempo questione profundamente a nossa vida quotidiana. Todavia, este é um «tempo favorável» que reclama uma atitude da nossa parte.
Neste mundo sentimos que as «anti-nomias» se vão eclipsando, que se esbatem os contrários… sim e não, real e ideal, bem e mal, semana e domingo, Tempo Comum e Quaresma… quase parece tudo a mesma coisa.
Assim confrontados tudo se torna mais difícil… não há etapas, não há processos de crescimento, não há distinções que nos ajudem a ver mais claro… Tudo vai acontecendo mais à superfície… Porque no fundo tudo «Tanto faz!». Tanto faz que seja assim ou de outra maneira… cada um é que sabe…
Mas não podemos ficar por aqui. Temos que agarrar a vida com as duas mãos. Este é o tempo de procurar o que se esconde a trás da aparência. Tempo para outros olhares… Olhares mais profundos que veja «dentro e não «por fora», que mergulhem no fundo da vida que acontece e que somos.
Em tempo de Quaresma este olhar em profundidade significa fazer caminho por dentro… não só pelos nossos «dentros» mas também pelos «dentros» dos outros e, especialmente, pelo «dentro» de Deus.
Claro que é mais fácil alinhar nas desculpas ou nas afirmações ‘modernas’… «É um tempo como os outros», «o que interessa é ouvir o meu coração», «porquê partilhar? Só é pobre quem quer!», «isso era antigamente»…
Mas a vida faz-se de gestos concretos e de pequenos sinais de desprendimento que nos aproximam dos outros e de Deus. Por isso, há que assumir desafios com muita criatividade. Dar sentido a uma privação para que me torne mais atento às necessidades do outro… e liberta-me do que tenho (tantas vezes) egoisticamente.
Gestos concretos que passam por maior intimidade com Deus (sacramentos da eucaristia e da reconciliação; leitura da Palavra de Deus…), por uma partilha efectiva (a Diocese de Coimbra já assumiu duas causas – Cabo Verde e São Tomé), por dar mais tempo aos outros especialmente aos que mais precisam (entre estes convêm incluir cada vez mais os Desempregados, Doentes e Divorciados)…
Que este tempo seja de intimidade, aproximação e de verdadeira comunhão entre a humanidade que somos e a divindade que nos habita.

19 de fevereiro de 2008

Mensagem do Bispo de Coimbra para a quaresma



"Amor do próximo, caminho para a Páscoa"
1. Quaresma é palavra e acontecimento que nos fazem pensar em penitência, ou seja, em conversão, mudança de vida.
Bem precisa é esta mudança: muitos a terão de fazer nos seus costumes, – ambições ou desleixos; e, perante a mediocridade de vida que, salvo algumas excepções, temos diante dos olhos, todos nós, cristãos conscientes, necessitamos de a alcançar.
2. Esta mudança, esta conversão consiste num regresso às raízes e estas vemo-las no nosso baptismo.
Efectivamente, ser baptizado como cristão significa ressuscitar dia a dia para uma vida melhor, uma vida como Deus a quer, vida num amor crescente.
Para isso a Igreja nos convida à oração mais atenta, proclamando-nos a Palavra de Deus cuidadosamente escolhida, e nos aconselha a jejuar de muita coisa em que andamos enredados e de outras que são supérfluas.
O dever de cada dia e os sofrimentos da vida, aceites com os mesmos sentimentos de Jesus e em união com Ele, são o melhor caminho para uma Páscoa de alegria cristã. A união com Ele, neste caminhar, é-nos oferecida e assegurada acima de tudo, pela graça dos sacramentos: a Eucaristia, a Reconciliação.
3. O amor ao próximo, vivido com paciência e generosidade, é como que um termómetro que mede a prática do caminhar quaresmal. E o próximo começa por ser aquele e aquela que vive em nossa casa ou trabalha ao nosso lado.
Nesta quaresma de 2008 lembra-nos o Santo padre que Jesus declarou os pobres como os mais próximos do seu coração. Na sua mensagem para a quaresma deste ano, Bento XVI motiva os católicos para que tomem consciência do escândalo que é permitirmos que países, que dizemos do 3.º mundo, cuja população é composta, na sua maioria, por cristãos, tenham dentro de si "multidões que penam na indigência".
Recorda o Papa que "segundo o ensinamento evangélico, não somos proprietários mas administradores dos bens que possuímos". E ainda que a esmola evangélica não é simples filantropia: trata-se antes de uma expressão concreta da caridade, virtude teologal que exige a conversão interior ao amor de Deus e dos irmãos, à imitação de Jesus Cristo".
4. No propósito de viver bem a Quaresma e atentos às palavras do Santo Padre, os cristãos da Diocese de Coimbra tomam como estímulo para as suas ofertas duas situações de carência que foram apresentadas ao seu Bispo, em cartas onde se pedia ajuda fraterna:
a) O funcionamento de um lar, em S. Tomé e Príncipe para formação de raparigas que, após a 4.ª classe, nada têm que as motive e prepare para a vida. Sobre ele teremos mais informações nos jornais da Diocese.
b) Ajuda ao Bispo de Santiago de Cabo Verde, que deseja remodelar e ampliar um Centro Social Paroquial, considerado de muito interesse no serviço da Igreja. Deste Centro se publicarão mais notícias.
5. Que a generosidade dos cristãos da nossa Diocese não consista apenas na recolha de um ofertório dominical. Que essa generosidade seja lembrada ao longo de todas as semanas quaresmais, recordada, aos adultos e às crianças no interior das famílias, motivada por sinais e cartazes apelativos que tomem mais "próximos" aqueles nossos irmãos.
E que ao amor cristão assim vivido nos perdoe os pecados e aqueça o coração para chegarmos com ele mais ressuscitado à Páscoa do Senhor.

+ Albino Mamede Cleto
Bispo de Coimbra

Jovens das Alhadas metem-se numa “alhada” com o Papa


Cerca de 130 jovens realizaram, no dia 16 de Fevereiro, uma caminhada, que teve início na localidade de Alhadas e que terminou na igreja de Maiorca. 85 jovens vieram de Aveiro, Porto, Braga e Viana do Castelo. A participação da juventude foi intensa, como é habitual, nestas circunstâncias. "A juventude move-se por causas que lhes interessa", referiu Verónica Parente, responsável pelo movimento Carmo Jovem. De acordo, com esta responsável, esta caminhada, "pretendeu estimular os jovens na pesquisa de um incentivo da vida que se procura. "A Igreja desde sempre tem vivido a fé a caminhara, a pôr os pés ao caminho", recorda por outro lado, o assistente espiritual do movimento, Padre João Costa. "Caminhar com os rapazes e as raparigas, não com o sentido de os converter, de os conquistar, mas de andar com toda a gente; do conjunto de acompanhantes, também fazem parte aqueles que já interiorizaram o Evangelho nas suas vidas", referiu. Esta caminhada teve como tema "Mete numa alhada com o Papa". Trata-se de uma alusão ao local onde se iniciou a caminhada (nas Alhadas), e uma chamada de atenção para o pensamento antropológico e teológico de Bento XVI.

Movimento da Mensagem de Fátima: Adoração ao Santíssimo com crianças e adolescentes


O Secretariado Diocesano do Movimento da Mensagem de Fátima programou dois dias de formação para catequistas e outras pessoas que se sintam vocacionadas para esta actividade: catequese. O primeiro turno será realizado a 15 de Março, com início pelas 9,30 horas, no Carmelo de Santa Teresa, em Coimbra, e o segundo será na data mais conveniente, a marcar depois com os participantes deste grupo. Estas acções só ocuparão o tempo da manhã. Para mais informações, poderão contactar para o seguinte número: 239 984067.

Estudantes católicos reúnem-se na Tocha


Nos dias 29 de Fevereiro, 1 e 2 de Março, na Quinta da Fonte Quente, na Tocha, o Movimento Católico de Estudantes vai realizar um encontro nacional de sector do Ensino Superior. Este terá como tema principal: "Escolhes?" A reflexão terá por base algumas questões: "como é o nosso espaço humano? Qual é nosso papel perante o mundo? Quais as atitudes que nós, estudantes do Ensino Superior, adoptamos no dia-a-dia?"

18 de fevereiro de 2008

Nas Jornadas de Teologia do ISET


O laicado em Portugal precisa de formação

As Jornadas de Teologia do Instituto Superior de Estudos Teológicos (ESET) decorreram nos dias 15 e 16 de Fevereiro, no auditório da delegação do Instituto da Juventude de Coimbra. Ao concluir estas jornadas, D. Albino Cleto deixou uma mensagem de esperança aos cerca de 100 participantes que se congregaram estes dois dias à volta do tema “Os leigos e o futuro da Igreja”. Para o Bispo de Coimbra, o laicado está a viver uma “autêntica primavera”. O prelado da diocese reconhece que a Igreja tem que saber melhor preparar o laicado. Congratulou-se pelo facto de alguns leigos sentirem a necessidade de formação doutrinal na área da política ou cívica. Desafio, esse, que foi lançado pelo vice-presidente da Câmara Municipal de Coimbra, João Rebelo, em que se poderá vir a traduzir na realização de umas jornadas nacionais, organizadas pela Comissão dos Bens Culturais da Conferência Episcopal. D. Albino reconhece que os leigos tem que ser presença no mundo de hoje, mas para isso, necessitam de formação. Quanto a esta matéria, todos os conferencistas foram unânimes: os leigos precisam de formação!


Abel Pinto: A organização do mundo do trabalho
acentua “cultura baseada no medo”
O economista Abel Pinto, o primeiro conferencista das Jornadas de Teologia, criticou, a organização do mundo do trabalho, considerando que acentua “uma cultura de gestão assente no medo e na subserviência ao chefe” e não privilegia uma cultura de excelência.
O especialista falava nas Jornadas de Teologia organizadas pelo Instituto Superior de Estudos Teológicos (ISET) de Coimbra, subordinadas ao tema “Os leigos e o futuro da Igreja”.
Pinto censurou um mundo do trabalho, característico do modelo económico dominante, “profundamente desigual” em termos remuneratórios e em que a facilitação dos despedimentos, ritmos intensivos de trabalho e “uma crescente precarização” são medidas apresentadas como necessárias para garantir a continuidade e competitividade das empresas.
Assiste-se ainda – adiantou durante a comunicação que proferiu – a “uma acentuação duma cultura de gestão assente no medo, na subserviência ao chefe e numa postura acrítica ao que se passa na empresa”.
Além disso, há “pouco estímulo à cultura da excelência e a que cada um dê o melhor de si, acompanhada por uma partilha mais equitativa do rendimento gerado em cada ano”.
“Temos um mundo do trabalho em que a maioria das pessoas estão muito descontentes do ponto de vista material, nem sempre motivadas do ponto de vista técnico e profissional e muito revoltadas com a forma como são tratadas pela hierarquia das empresas e das organizações, desde a chefia imediata à gestão do topo”, sublinhou.
De acordo com o economista, “a maioria dos trabalhadores encara o emprego, não como uma forma de realização pessoal e humana, mas como uma componente muito penosa da sua vida, mas da qual não pode fugir dado tratar-se da única via que lhes permite aceder ao dinheiro possível para assegurar a sua sobrevivência e do seu agregado familiar”.
Segundo o antigo dirigente da Juventude Operária Católica e ex-sindicalista, “é possível construir empresas competitivas cuja gestão assenta em princípios éticos, contabilidade transparente.
“É possível criar empresas competitivas e onde os trabalhadores sejam vistos como uma componente fundamental do seu investimento e não como componente de custo que urge racionalizar a qualquer preço”, sublinhou.

Guilherme Oliveira Martins: “O diálogo entre fé e razão é essencial!”
O presidente do Tribunal de Contas, Doutor Guilherme de Oliveira Martins, abordou na segunda sessão das jornadas do ISET, o tema os “Leigos e presença da Igreja no mundo da cultura”. O conferencista afirmou que “o diálogo entre fé e razão é absolutamente necessário para a compreensão do fenómeno cultural”. Ao analisar o fenómeno religioso nas sociedades contemporâneas, Guilherme de Oliveira Martins diz que há uma profunda ignorância sobre esta matéria. O fenómeno religioso é responsável pela falta de diálogo entre culturas, conduzindo a incompreensão, indiferença e mesmo à violência que se traduzem em choques entre religiões. Para contrariar este efeito, que na sua opinião é uma sociedade “vazia de valores”, o antigo ministro da Educação do Governo de Guterres, afirma que é necessário “garantir o diálogo entre a fé e a razão”.
Segundo o Professor Guilherme de Oliveira Martins, “é preciso fazer-se um percurso exigente na busca da liberdade e da autonomia”. O conferencista referia-se no dever do cristão em aceitar os outros, com as suas diferenças culturais, éticas e religiosas. “Nunca seremos os proprietários da verdade”, exclamou perante o auditório.
Noutro ponto Guilherme de Oliveira Martins, abordou a “cultura como sendo a afirmação humana perante a natureza, que permite-nos entender o nosso próprio lugar na construção do mundo”. Para o presidente do Tribunal de Contas, não se pode falar de cultura sem abordar a pessoa humana, na sua pessoa complexa, em diálogo com os outros e com a sociedade. Segundo Guilherme de Oliveira Martins, “quando se fala de cultura, fala-se de sementeira, tradição, herança e património (material e imaterial)”. “Uma cultura não pode ser uma cultura esquecida, amnésica”, disse, tem que ter uma “referência do “passado (memória), do presente (agora) e do futuro (com alguma projecção)”. “Falar de cultura hoje, é falar de relação entre memória e a criação daquilo que recebemos e legamos, aquilo que semeamos e aquilo que colhemos”, disse ainda ao abordar o tema.
“Falar de cultura é também falar da capacidade de aprender”, segundo Guilherme de Oliveira Martins. A sociedade hoje, é uma sociedade de aprendizagem, uma sociedade educativa. Por isso que “educar” e “cultivar” são termos próximos. No entanto, o conferencista chama a atenção para uma pequena particularidade: “aprender não é só acumular informação”. É necessário interpretar, entender e compreender.

Jorge Cotovio: “leigos a meio tempo, não dá!”
“O (bom) professor, na sua relação pedagógica, dá-se ao aluno, procurando criar condições para que desabrochem os seus talentos, as suas potencialidades”. Esta afirmação é de Jorge Cotovio, responsável pelo núcleo das Escolas Católicas da Diocese de Coimbra ao abordar o tema “O leigo na (sociedade e na) escola”. Jorge Cotovio referia a missão do papel do leigo na escola, mas também na sociedade e na Igreja
Para o director pedagógico do Colégio de São Teotónio, “leigos a meio tempo, não dá!”. “Se queremos leigos «em exclusividade», – a Igreja tem que lhes proporcionar – “condições e contrapartidas”, referiu o pedagogo. Quanto ao lugar dos leigos na Igreja, Jorge Cotovio afirma que “eles ainda esperam, em silêncio, por serem chamados para uma verdadeira participação”. Na sua opinião, “faz-se, hoje, muito apelo aos leigos, principalmente porque há falta de vocações sacerdotais”, se não, a Igreja já tinha despertado há muitos anos atrás, quando “os ventos do concílio eram favoráveis”.
Neste domínio, Jorge Ferreira Cotovio deixa algumas linhas de orientações à Igreja: “há que acolher os leigos, estimá-los, valorizá-los, não só ouvi-los, mas também torná-los participantes activos nas decisões, integrá-los nos órgãos de cúpula, não para mandar, mas para melhor se sentirem corresponsáveis no serviço.”

João Rebelo: “a política é uma arte de servir os outros”
João Rebelo, vice-presidente da Câmara Municipal de Coimbra abordou o tema «Leigos e presença da Igreja na actividade política». O autarca não gosta muito de diferenciar a participação cívica com a participação política. Segundo o seu testemunho, o cargo público que exerce actualmente na autarquia de Coimbra, é apenas de passagem, e tenta exercê-lo o melhor possível, servindo a comunidade. Para João Rebelo, a política é “uma arte de servir os povos e servir os outros”. Hoje é uma ciência e estuda-se política, apresentando-se em três tipos: doutrina; orientação e discussão de ideias.
A participação é um dever essencial de todos, disse, mas, para haver participação, é necessário que haja informação. “Não podemos opinar sem saber aquilo que estamos a dizer ou a escrever”. Por outro lado, na política, é necessário que haja “sentido de justiça social”. Um político deve preocupar-se com o bem colectivo e não com o bem pessoal. Não participar na vida política é segundo o autarca de Coimbra “pôr-se à margem da discussão pública”. Os cristãos devem ser os primeiros a participarem na actividade política e de visarem o bem colectivo, “deveriam estar na primeira linha de participação”, rematou. Quanto ao facto de um estado ser laico, João Rebelo é frontal e diz, “que nada pode inibir um cristão de agir e actuar, pondo em prática os valores e ensinamentos que fazem parte do seu percurso de vida”.
Para justificar, João Rebelo, salienta que a Igreja também diz que os cristãos não podem deixar de actuar e defender uma sociedade de valores. “Só participa quem se sente parte dela”, afirmou. João Rebelo salienta que alguns documentos devem servir de manuais para os políticos-cristãos, como o documento Gaudiam et Spes (que é muito conhecido na sua generalidade e pouco conhecido na sua profundidade); o compêndio da Doutrina Social da Igreja; a carta da CEP de 2000 e o documento “Comportamento dos cristãos na vida política”.
João Rebelo deixou algumas provocações a quem queira fazer política: agir com prudência; servir a pessoa humana; o Estado sendo laico, a sociedade não é; a laicidade só tem sentido quando se faz dela uma religião e relembrou para a necessidade de uma profunda reflexão sobre a Doutrina Social da Igreja.
Por fim, o vice-presidente da Câmara de Coimbra deixou um desafio à Igreja, para a necessidade de uma formação cívica e política para os cristãos que exercem determinadas actividades públicas, quer sejam nas autarquias, nas freguesias ou instituições públicas.


D. Manuel Clemente: “Falar no leigo no futuro da Igreja é a mesma coisa que falar da Igreja no futuro do laicado”
O Bispo do Porto, D. Manuel Clemente referiu que a hierarquia da Igreja tem o dever de apoiar o laicado. “Falar no leigo no futuro da Igreja é a mesma coisa que falar da Igreja no futuro do laicado”, disse ao terminar as Jornadas de Teologia do ISET. O presidente da Comissão dos Bens Culturais da CEP, reconhece que a Doutrina Social da Igreja deve ser muito mais contemplada que aquilo que é”. “Ao fim de 10 anos de catequese e da catequese para adultos, continuamos completamente em branco”, criticou o prelado, sentido, a necessidade de uma profunda mudança neste campo.

Padre João Paulo Vaz lança novo disco



Já passava das 17h, quando o Padre João Paulo Vaz entrou no auditório do Colégio São Teotónio a cantar a primeira música do novo disco «notas de um sonho». O espaço revelou-se pequeno para acolher as mais de 200 pessoas que assistiram, no passado domingo, ao lançamento deste terceiro CD que conta a história de dois pobres: o avô e a sua neta.
O excelente espectáculo montado pela sua nova editora, «caminhos sem atalho», permitiu toda uma envolvência capaz de nos fazer entrar na história do próprio CD que cada música ia revelando. São 15 faixas cheias de vida e que nos fazem pensar no sentido de muitos gestos, num compromisso claro com a beleza que somos e com o mundo que podemos re-criar.
Este lançamento ficou marcado ainda por uma clara opção de um projecto que não se quer apenas comercial mas perspectiva também a dimensão da solidariedade. Neste sentido, cada CD custa 15 €, revertendo 4 € para um projecto solidário.
Um desses projectos é precisamente assumido pelo Núcleo das Escolas católicas na angariação de fundos para a construção das novas instalações da Casa dos Pobres de Coimbra. Foi, por isso, interessante ver subir ao palco para agradecer o gesto do Padre João Paulo Vaz, quer o Sr. Aníbal Almeida (Presidente da Casa dos Pobres), quer o Sr. Eng. Jorge Cotovio (Presidente do Núcleo de Escolas Católicas de Coimbra).
Nascido em 1970, este padre da Diocese de Coimbra, não deixa de assumir uma perspectiva cristã de vida que transparece nas suas letras onde encontramos os valores da partilha, da entrega, do serviço, do perdão, da alegria, da esperança e do amor… Um CD que nos irá ajudar a viver melhor cada dia numa partilha com outros.

Conferências Quaresmais em S. José

Manuel Pureza e João Rebelo apelam à mudança de mentalidades das comunidades cristãs

José Manuel Pureza e João Rebelo abordaram o tema «Construir Comunidade numa sociedade em mudança». Dois políticos activos e comprometidos na Igreja, apelaram à uma mudança de mentalidades e atitudes das nossas comunidades cristãs.

“Nós na Igreja não somos uma comunidade de santos, somos uma comunidade de homens e mulheres, com defeitos, problemas e carências”. Esta afirmação foi proferida por José Manuel Pureza na primeira sessão de um ciclo de Conferências Quaresmais que decorre às quintas-feiras, no salão polivalente da igreja de S. José.
O Professor da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra apelou à uma mudança de mentalidades das nossas comunidades paroquiais perante os desafios que são colocados pela sociedade. O conferencista referiu os diversos tipos de problemas que atravessam as comunidades – como o desemprego, a crise da família, as dificuldades económicas, etc. – “É com esta comunidade com a qual temos que saber trabalhar”, disse. Apontou como falha grave, o facto, das nossas comunidades paroquiais não saberem trabalhar com estas situações, “trabalham para dentro e não para fora”.
Por outro lado, criticou a “prevalência da doutrina sobre a vida”. Segundo Manuel Pureza, “dá-se muita importância à doutrina (conjunto de normas) sobre a vida das pessoas, que acaba no seu ponto de vista, por prejudicar a vida comunitária”.
O vice-presidente da Câmara Municipal de Coimbra, em resposta à provocação de Manuel Pureza, salientou a necessidade dos cristãos saberem aplicar essa doutrina. “Temos pessoas com apetências para a reflexão, outras para acção, agora todos temos que ter convicção e dedicação para construir verdadeiras comunidades”, salientou o autarca.
A massificação das nossas sociedades, principalmente, do meio urbano, dificulta também o trabalho comunitário. Para o dirigente do Bloco de Esquerda, “não há espaço para as pessoas se conhecerem e dialogarem”. “As comunidades estão preocupadas com a conservação social e ética e não têm capacidade para colocarem no sei delas dados novos”, realçou ainda o dirigente do Bloco de Esquerda.
Para João Rebelo, o “conceito de comunidade, num território como Coimbra, é um conceito difícil de definição”, disse, para explicar que “temos um conjunto de pessoas que não têm prática religiosa e não constroem comunidades”. João Rebelo fazia referência a um inquérito elaborado pela paróquia de S. José, em que concluía que cerca de 30 por cento dos fiéis que vão à missa, em S. José, não pertencem àquela paróquia.
João Rebelo criticou ainda o facto dos cristãos serem muito passivos, o que dificulta a construção de uma comunidade. “Somos muito críticos, mas somos muito pouco activos”, rematou o autarca.
Por fim, José Manuel Pureza deixou alguns desafios para as comunidades que queiram ter alguma presença activa no mundo: Acolhendo a diversidade, cultivar a proximidade e promover uma comunidade de vida e não de distância.
Quanto à João Rebelo, pediu que as comunidades reflectissem mais sobre a doutrina social da Igreja, que soubessem interpreta-la e aplicá-la.

No próximo dia 21 de Fevereiro, D. Albino Cleto vai abordar o tema “Construir Comunidade, integrada na Igreja diocesana e universal”. No dia 28 de Fevereiro, os conferencistas Padre Nuno Tovar (jesuíta) e o Padre João Paulo Vaz (Responsável pela Pastoral Juvenil da Diocese de Coimbra) vão abordar o tema «Construir Comunidade: Linguagem da fé para os jovens de hoje».


Miguel Cotrim