Correio de Coimbra

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25 de janeiro de 2008

Unidade dos Cristãos



A Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos, que decorreu de 18 a 25 de Janeiro, foi assinalado, na Diocese de Coimbra, por quatro momentos de encontro ecuménico, em que estiveram presentes a Igreja Católica, a Igreja Presbiteriana e a Igreja Ortodoxa Grega. Os encontros tiveram lugar na Região Pastoral da Beira-Mar que limitou a participação dos cristãos das outras zonas pastorais da nossa diocese.

“Orai sem cessar” foi a proposta para esta semana ecuménica que comemorou 100 anos.

A oração, não deve ser restringida aos oito dias de Janeiro, mas deve ser prolongada por todo o ano. Já foram dados passos importantes, impensáveis quando o Rev. Paulo Wattson, em 1908, iniciou esta semana, mas o caminho ainda é muito longo, ainda há muitas coisas que nos separa e nos divide. Passados 100 anos, apenas a oração nos têm unido. Claro, não posso esquecer os vários documentos publicados sobre esta matéria. E o resto? Como vivemos no nosso dia a dia com os nossos irmãos protestantes? Normalmente temos sempre uma atitude discriminatória. Aquilo que é diferente, temos tendência a rejeitar… e esquecemos que são pessoas como tu e eu, e que acreditam no mesmo Deus. Temos que nos deixar de preconceitos e aceitar o outro tal e qual com é… a unidade dos cristãos é isso mesmo. Aceitar e respeitar o próximo.
Este caminho inicia-se dentro da nossa própria Igreja, na nossa comunidade paroquial.

Miguel Cotrim

Bodas de Prata Episcopais de D. Albino Cleto


A Diocese de Coimbra celebra, no próximo Domingo, dia 27, as Bodas de Prata de Ordenação Episcopal do nosso Bispo, Sr. D. Albino Cleto.
Esta celebração começa com uma sessão solene no auditório da Reitoria da Universidade de Coimbra, às 15 horas. Seguir-se-á uma missa solene de acção de graças na Sé Nova, às 17,30 horas.
Vamos todos participar, ao menos, na Missa Solene de Acção de Graças pelos 25 anos de Episcopado do Sr. D. Albino, sobretudo pelos dez anos à frente desta nossa Diocese de Coimbra.
É dia para agradecermos a Deus o dom da vida e do exemplo apostólico do nosso Bispo e para demonstrarmos ao senhor D. Albino quanto apreciamos, não só, a sua simpatia irradiante, mas como o seu trabalho em favor deste povo que lhe foi confiado….

24 de janeiro de 2008

Oratória Homenageia D. Albino Cleto


Mário Nunes

A Catedral da Sé Nova encheu-se de cidadãos para assistirem ao concerto de homenagem a D. Albino Cleto, Bispo de Coimbra, comemorativo das suas Bodas Episcopais. Um momento "único" e inolvidável graças ao carácter do texto em que foi escolhida a forma musical, a "Oratória". Um concerto deslumbrante e invulgar pelo número de elementos participantes na sua execução, mais de três centenas e, pela expressiva linguagem musical que abraçou, transportando para o público uma impressionante beleza e harmonia, um inquestionável fervor espiritual e a plena essência da finalidade presente na sua criação "Fátima, sinal de Esperança para a Humanidade".
Uma obra fabulosa, diremos monumental, que exaltou, sobremaneira, a mensagem divina de Nossa Senhora e moldou o templo sagrado, por hora e meia, no centro ecuménico de Fátima. Brilhante em toda a dimensão, este concerto conciliou a grandeza do espiritual com a magnificência da Catedral e com o expoente máximo da capacidade humana em criar uma obra de tamanha amplitude musical, expressamente elaborada para assinalar um acontecimento de valor universal.
O concerto a que tivemos o privilégio de assistir testemunhou, mais uma vez, que a Catedral de Coimbra aufere de condições excepcionais para grandes iniciativas culturais/religiosas/artísticas consentâneas com a missão para que foi edificada.
A Oratória com o número de participantes activos que apresentou, e que manteve em permanente elevação sentimental e espiritual, mesmo emocional, aqueles dois milhares de pessoas (muitos e muitos em pé a "declinarem" o frio que na noite de Sábado se fez sentir), só era viável em Coimbra, na Sé Nova. Somente naquele lugar era possível comungar da beleza infinita e da expressividade musical que provém da Oratória.
Um "palco" de surpreendente dimensão acarinhou uma moldura humana de coralistas, orquestra e solistas, que só por si, marcaram a grandiosidade do concerto. Um cenário maravilhoso que comungou exemplarmente da natureza artística e mística do espaço. Em primeiro plano, a orquestra com o instrumental de cordas, de sopro e de percussão, acolitados pelos solitas (5 crianças e 3 adultos), que na altura própria faziam ouvir as suas vozes, enquanto, no momento indicado apareciam os três pastorinhos com a Nossa Senhora e o Anjo da Paz. Em segundo plano, o Coro de elementos femininos e masculinos. A dirigir este inesquecível concerto, o Maestro, Mário Nascimento.
A Oratória, criada para encerrar o nonagésimo aniversário das Aparições do Anjo (1916) e de Nossa Senhora do Rosário (1917) aos três Pastorinhos de Aljustrel, foi estruturada no texto organizado pelo Padre António Aparício em colaboração com o Padre João Paulo Quelhas e teve a exuberante música do Padre António Cartageno. Nela sobressai o papel do Narrador, que narra os acontecimentos e interliga as diversas partes da acção, contando o essencial da história de Fátima com base nas Memórias I, da Irmã Lúcia, acrescidas, de pronunciamentos de João Paulo II, Papa ligado à Mensagem de Fátima e, ainda, do Responsório Breve das Laudes do dia 13 de Maio.
Impossível descrever neste texto o vivido e sentido. O silêncio de oiro, a concentração total para beber a musicalidade das vozes e dos instrumentos, o desenrolar dos momentos históricos ligados ao mundo e a Fátima no período descrito pelo texto da Oratória e dialogado entre o narrador e o coro, o ritmo lento ou vivo conforme a passagem da história, o enquadramento perfeito do tradicional com o moderno, exemplo do "Ave-Maria", do "Rogai por nós", a "explosão" e o "rufar" do instrumento de percussão, o crescendo contínuo das sucessivas progressões harmónicas, num caminhar para a mensagem de luz, de paz e de esperança para o mundo inteiro, trazida por Nossa Senhora, e o coroar da Aleluia, a 8 vozes, promoveram a apoteose final, e deixaram o público emocionado e agradecido que, de pé, aplaudiu com expressivos e prolongados aplausos.
Sublinhamos, a concluir, as brilhantes palavras de D. Albino Cleto: Coimbra e Fátima estão ligadas, para sempre, por raízes e valores que jamais morrem.
De parabéns estão os membros organizadores desta memorável iniciativa, onde sobressai o dinâmico impulsionador do concerto, Cónego João Castelhano, um homem de arrojado dinamismo e de inquestionável esperança no futuro, bem acompanhado, como referiu o nosso Bispo, pelo Cónego Sertório (pároco da Sé Nova), por outros sacerdotes e pelo Vigário-Geral da Diocese, Monsenhor Leal Pedrosa.

Presentes com futuro


Jorge Cotovio

Vinte e cinco é, sem dúvida, um número distinto. E o nosso Bispo está a festejar os vinte e cinco anos de compromisso episcopal. "É obra", e merece justamente o nosso apreço e reconhecimento por esta entrega, com responsabilidade acrescida, ao seu múnus sacerdotal.
Li algures que o momento actual – o presente – é-nos oferecido (por Deus); por esta razão é que se chama "presente". Agradecendo nós a Deus este momento significativo da vida do Senhor D. Albino (e, afinal de contas, da vida da diocese de Coimbra), pus-me a pensar qual o melhor "presente" – "com futuro"! – que poderíamos oferecer ao nosso Bispo.
Como Pastor que é, que tal se fôssemos um rebanho unido, que ouve a voz do pastor e o segue com dedicação e carinho?
E se o pastor apela à co-responsabilidade laical, por que não oferecer-lhe mais empenho, mais testemunho de vida, mais envolvimento e intervenção na vida das paróquias e da diocese, mais sugestões criativas, menos passividade, menos dependência, menos comodismo?
E se o pastor quer valorizar o laicado e entrosá-lo harmoniosamente com o clero, por que não cada leigo assumir a sua "admirável" vocação, como baptizado, como membro de pleno direito, como forte "accionista" desta grande Assembleia que é a Igreja? Por que não cada consagrado assumir a sua "sublime" vocação e entender que, tal como os restantes baptizados, faz parte deste rebanho, com funções bem específicas, mas obediente ao mesmo pastor? Por que não leigos, padres, religiosos, leigos consagrados interiorizarem que é indispensável darem-se bem, "amarem-se", mostrarem "aos outros" exemplos de fraternidade, de simpatia, de alegria, apesar das diferenças de opinião e dos distintos papéis que cada um ocupa?
E se o pastor quer que o laicado aprofunde as suas convicções de fé, por que não alimentarmos essa mesma fé pela oração, pela leitura de (bons) textos e (bons) livros, pela participação em cursos, em colóquios, em jornadas, em retiros?
E se o pastor quer mais vocações consagradas, nomeadamente sacerdotais, por que não investirmos mais nas famílias e nos jovens? Por que não valorizarmos a pastoral juvenil e universitária, envolvendo os jovens em iniciativas por eles consideradas úteis e agradáveis? Por que não cativarmos meia dúzia de casais em cada comunidade para que eles cresçam (mais) como comunidade de vida e de amor (mau grado os conflitos conjugais, os amuos, as depressões, as dificuldades com os filhos, com os sogros, com o emprego, com a casa, com o fisco, etc.) e sejam promotores de iniciativas que atinjam outros casais e famílias, tornando-os mais felizes? Por que não percebermos que com famílias mais fortes, mais conscientes, há muito mais probabilidades de termos filhos equilibrados, realizados, prontos para a "luta", capazes de ser bons profissionais, constituir boas famílias e, quiçá, capazes de seguir a via sacerdotal/ religiosa?
Afinal, temos presentes para todos os gostos! É só escolher. Mas sejamos pessoas decididas a fim de darmos mais alegria e esperança ao nosso Bispo.
Depois, pus-me a pensar o que é que este rebanho – unido, co-responsável, generoso, obediente, criativo, onde cada um está convicto da sua missão imprescindível – espera do seu pastor. Ora, que seja "Pastor", que conheça as suas ovelhas e as chame pelo nome, porque cada um tem uma individualidade própria. Que atenda e entenda cada ovelha, porque considera que o mais importante é a re+lação, o acolhimento, a palavra amiga, confortante e oportuna. E porque considera que cada ovelha é a mais importante do rebanho, vai à procura da ovelha perdida e só descansa quando a encontrar. E quando a encontra, não quer grandes explicações nem exige pedidos de desculpa, mas trá-la aos ombros e faz festa. Mas dá espaço a cada ovelha para "ser ela", para se mover com algum à vontade, para desenvolver as suas capacidades e talentos. Não atrofia, nem absorve porque sabe que cada ovelha tem potencialidades inesgotáveis, não fossem elas de origem divina! Dá o seu tempo, apascenta-as, mas não lhes dá a comida na boca. É guia. Conduz. E como é um pastor especial, também conduz outras ovelhas que não são do seu aprisco, porque também as ama.
Finalmente, este rebanho espera que o seu Pastor esteja atento aos sinais dos tempos, "vigie" (porque é "bispo"), veja longe, para que as ovelhas se sintam em segurança, se sintam bem e sejam "produtivas", eficazes.
Com estes presentes e estas esperanças, creio bem que teremos uma diocese mais dinâmica e mais missionária e um Bispo mais feliz.

Fé e Compromisso


ENCRUZILHADA HISTÓRICA

José Dia das Silva

A palavra ética apareceu, nestes últimos dias, a propósito das confusões do BCP e da possível intromissão governamental. Não sei o que terá acontecido, até porque os 98% da lista vencedora tanto podem indicar que não se trata de um problema de intromissão como ilustrar a subserviência e dependência patológica de muitos dos nossos empresários relativamente ao Estado, o que é uma falta de ética bem mais gravosa, a de "comer à mesa do orçamento".
É claro que este episódio se pode enquadrar nos muitos milhares de outros casos que esta nossa sociedade produz e aceita como facto consumado. Quantas formas, subtis ou descaradas, de corrupção: desde coisas tão inconscientes, como passar à frente de outros numa fila demorada; ou mais intencionais, como as várias formas de "levar" o polícia a não considerar uma infracção, como se a lei não fosse para cumprir ou fosse só para os outros; até a formas mais institucionalizadas: como já se suspeitava, investigadores da Judiciária informaram que 40% dos casos de corrupção estão associados às autarquias, mas, diga-se em abono da verdade, de uma forma "democrática", isto é, envolve toda a gente, do presidente da câmara e vereadores até ao cantoneiro passando por toda a lista de "servidores" camarários. É assim mesmo: "ou há moralidade ou comem todos!".
Estes são exercícios de falta de ética pessoal, onde apenas contam os meus interesses, muitas vezes privilégios disfarçados em "direitos adquiridos": a quantas manifestações deste tipo temos assistido por parte dos grupos corporativos da nossa sociedade!
Mas há também a falta de ética da parte de todos os que não querem pôr os seus talentos e competências ao serviço do bem comum: cidadãos que recusam a política partidária porque a política é uma coisa suja; os que não aderem às várias associações cívicas por mero comodismo; empresários que não investem porque não estão para correr riscos; etc...
Pior ainda é a falta de ética dos que não tendo competência para um lugar se recusam a deixá-lo por falta de consciência das suas reais capacidades ou porque… perdem dinheiro ou prestígio social. É o problema da infinidade de chefias intermédias que já aqui referi no último comentário e que são uma das principais causas da falta de motivação e de transformação dos nossos cidadãos em agentes produtivos, responsáveis e comprometidos do futuro. E é também o caso de alguns cristãos que aceitam lugares de responsabilidade, como Conselhos Pastorais, Económicos, animadores de equipas, sem saber o que lhes compete e sem se prepararem minimamente como se os compromissos eclesiais fossem coisas secundaríssimas.
Claro que há outras dimensões deste fenómeno. Mas quero apenas referir a brutal falta de ética da nossa sociedade que admite, impávida e serena, que haja 2 milhões de pobres (cada 4 de nós não podia responsabilizar-se por um pobre?), que haja 200 000 pessoas a passar fome (cada 50 de nós não podia libertar um esfomeado desse flagelo?). A que grau de insensibilidade chegámos que não nos incomoda que um sem-abrigo morra de frio à porta das nossas casas ou que haja pessoas a sofrer fome todos os dias? E já não se trata apenas de um acolhimento pessoal: quantos pontos do PIB significaria acabar com esta fome e miséria primária? Certamente bem poucos. Eu sei que se não fossem as ajudas nomeadamente estatais o nosso índice de risco da pobreza em vez de 18% seria 40%, mas bem podíamos fazer mais um esforço.
Mas voltando à questão de fundo: como é possível que nos tenhamos tornado tão insensíveis, tão "brutos", tão desumanos? Não é uma questão de humanidade mudarmos?
Até porque há muitos sinais positivos. Em contraste com o individualismo da maioria, quantos milhares de voluntários visitam hospitais, prisões, pessoas isoladas, trabalham no Banco alimentar e similares. Em contraste com a baldice de tantos serviços, 75 000 servidores públicos (eu que sou má língua não diria um número tão baixo, mas este foi referido no último programa "Diga lá Excelência") aguentam este país trabalhando para lá do que a lei lhes exige. Em contraste com a ganância das multinacionais e bancos, temos as experiências do microcrédito, do comércio justo, da economia de comunhão, do apoio ao auto-emprego. Apesar de tremendas dificuldades, milhares de mulheres, no Terceiro Mundo, "aguentam" os filhos, muitas vezes tirando o pão da boca, e a própria sociedade e transmitem uma cultura libertadora enquanto os homens se dedicam à nobre arte da matança e da crueldade.
Este é o "resto" de ética que vai crescendo silenciosamente e que, como a semente, acabará por vencer e tanto mais rapidamente quanto maior for o nosso contributo pessoal. Até porque não temos grandes escolhas, já que estamos confrontados com o velho dilema bíblico: "Repara que coloco hoje diante de ti a vida e o bem, a morte e o mal" (Deut 30,15). Neste momento de encruzilhada histórica, a escolha é nossa: de cada um, de cada povo, da humanidade inteira.


As Jornadas de Teologia do ISET decorrem, de 15 a 16 de Fevereiro, no auditório do Instituto Português da Juventude (Rua Pedro Monteiro) e as inscrições podem ser feitas na secretaria do ISET (Tel. 239 792348 e e-mail: isetcoimbra@gmail.com), ou na redacção do "Correio de Coimbra" (Tel. 239 701785; e-mail: correiodecoimbra@mail.telepac.pt).

Padre Jesus Ramos fala ao “Correio” sobre as Jornadas de Teologia do ISET


"Antes de um laicado preparado
precisamos de um laicado convencido"


A propósito das jornadas de teologia do ISET, que este ano decorrerão nos dias 15 e 16 de Fevereiro, fizemos uma pequena entrevista ao Padre Doutor Jesus Ramos, director daquela instituição. Sendo o tema de reflexão o papel dos leigos no futuro da igreja, aquele professor afirmou-nos que "precisamos, agora e no futuro, de um laicado actuante". E acrescentou: "Mas não teremos um laicado actuante, se, antes, este se não tiver preparado; e não teremos ocasião de o preparar se, antes, o não tivermos convencido".


Correio de Coimbra (CC) – As jornadas de teologia do ISET vão reflectir, este ano, sobre "Os leigos e o futuro da Igreja". Alguma razão especial para a escolha deste tema?
Doutor Jesus Ramos (JR) –
Desde há mais de vinte e cinco anos que o ISET organiza as suas jornadas de reflexão, procurando, através desse meio, prestar um serviço às comunidades cristãs em que está inserido. A nossa missão principal é a de formar, sob o ponto de vista da preparação teológica, os futuros sacerdotes. Mas também nos cabe a obrigação de proporcionar uma adequada instrução doutrinal a todos os membros da Igreja.


CC – Não respondeu exactamente à nossa pergunta…
JR – Eu sei! Antes, porém, do objectivo particular destas jornadas, eu pretendi enquadrar a finalidade global da nossa acção como instituição dedicada ao ensino da teologia. Essa acção, podemos desenvolvê-la de diversas formas, nomeadamente através destes encontros de reflexão, sobre um tema específico, abertos a todos os que queiram participar.


CC – Mas qual a razão da escolha deste tema dos leigos no futuro da Igreja?
JR – Antes de mais, porque é um tema actual. Depois porque se trata de uma reflexão necessária. E, se quiser uma terceira razão, dir-lhe-ei que este tema faz parte das preocupações dos responsáveis da Igreja nestes últimos decénios. Isto, mesmo a nível da igreja local. O senhor D. João Alves, bispo emérito de Coimbra, tinha entre as suas preocupações a formação de um laicado empenhado, que testemunhasse a presença eclesial no meio do mundo do trabalho, da cultura, da família. E o senhor D. Albino Cleto, que agora completa vinte e cinco anos de episcopado, em entrevista à Rádio Renascença, enumerou entre os objectivos do seu pontificado pastoral em Coimbra, o da preparação dos leigos, nomeadamente de professores e estudantes que levem Cristo ao mundo da Escola.


CC – Trata-se de um objectivo difícil de realizar
JR – Muito difícil! A Igreja do século XXI tem, atrás de si, uma longa história de apostolado e de evangelização levada a cabo quase exclusivamente por elementos do clero. Nas paróquias, quem pontificava era o sacerdote; nas missões, nada se fazia sem o missionário eclesiástico; nas escolas teológicas não havia lugar para professores leigos…


CC – Mas tudo isso está a mudar…
JR – Lentamente! Mas, graças a Deus, estamos num tempo de mudança. O Concílio Vaticano II é um marco histórico, daqueles que assinalam a passagem para novas etapas, sem sobressaltos e sem esquecer ou pôr de parte o passado. Nesse sentido, o Concílio veio recordar-nos que a Igreja, para ser actuante no mundo, precisa do empenho de todos, a começar por aqueles que estão na base e são em amior número: os leigos.


CC – Está aí o fundamento da escolha do tema destas jornadas?
JR – De certo modo, sim! Hoje em dia, a Igreja tem que contar, na sua missão, com um laicado actuante. Mas não teremos um laicado actuante se, antes, se não tiver preparado. E não teremos oportunidade de o preparar se, antes, o não tivermos convencido da importância do seu papel no trabalho global da evangelização.


CC – Isso está já a ser feito?
JR – Claro que sim! Mas é muito mais o que está por fazer! Temos, hoje, dezenas, centenas, milhares de leigos empenhados na evangelização. Basta contarmos o número de catequistas, quase todos leigos, homens e mulheres, jovens e adultos, que trabalham em todas as nossas dioceses. Reparemos também no número crescente de jovens e até de casais que se empenham em tarefas missionárias, quer entre nós, quer em África ou na América Latina. No entanto, sobretudo a nível das nossas comunidades tradicionais, todos notamos a falta de um empenhamento laical que transforme a realidade. Nas nossas paróquias, estamos quase sempre à espera do pároco, mesmo que este tenha cinco ou mais freguesias, para decidir seja o que for. É preciso mudar a acção pastoral, o que só será conseguido se, antes, mudarem as mentalidades.


CC – Essa mudança necessita de modelos, de alguém que tenha começado, de bons exemplos…
JR –
Claro! Por isso, a nossa proposta, este ano, é a de serem os leigos a falar aos leigos. Ou melhor, os leigos a reflectirem sobre a condição laical. Nós temos, felizmente, muitos homens e mulheres, cristãos exemplares, empenhados nas mais diversas tarefas do mundo, desde a cultura à política, passando pelo trabalho e pela escola. Pois vão ser precisamente esses que vão testemunhar o seu empenho em favor da construção do reino de Deus, que começa aqui e agora. Entre outros, ouviremos o testemunho do Prof. Adriano Moreira, do Prof. Guilherme Oliveira Martins, do Eng. João Rebelo, do Dr. Abel Pinto, para citar apenas alguns.


CC – Mas a última palavra é reservada para a hierarquia…
JR – O fundamento da Igreja é o ensino apostólico. Eu creio na Igreja apostólica! Mas não houve intenção, ao pedir a intervenção do senhor D. Manuel Clemente, que fosse a sua a última palavra. Todos estamos no mesmo barco, e a evangelização é tarefa de todos.


CC – Por isso, todos os interessados podem participar nestas jornadas…
JR – Todos! Sacerdotes, religiosos e religiosas, leigos e leigas! Jovens, adultos e reformados. De todas as profissões. Todos os que integram o Povo de Deus!
Miguel Cotrim (Texto)

Encontro das Equipas da Pastoral Familiar da Região Pastoral da Beira-Mar

No próximo dia 10 de Fevereiro (Domingo), pelas 15 horas, no Centro Paroquial S. Pedro, em Cantanhede, o Secretariado Diocesano da Pastoral Familiar vai promover um encontro de Equipas Paroquiais da Família da Região Pastoral da Beira-Mar, tendo em vista o acompanhamento das suas actividades. Relativamente ao Projecto “Família jovem”, pretende-se fazer a avaliação dos 2º e 3º níveis, ou seja, o acompanhamento personalizado a casais que pedem o Baptismo para os filhos e aos que matriculam pela primeira vez os filhos na catequese. Cada paróquia dever-se-á representar com pelo menos um casal e, se possível, o pároco.

Misericórdia de Semide critica falta de apoio do Governo

“A recusa do Estado em viabilizar a construção do lar de idosos, via segurança social, revela-se incompreensível e insondável”, afirmou o provedor da Santa Casa de Semide.
O provedor da Santa Casa da Misericórdia de Semide (SCMS) criticou na passada semana, a não aprovação, no âmbito do programa PARES, da candidatura apresentada pela instituição para a construção de um lar de idosos. “Estamos manifestamente indignados com o desfecho produzido pelo Estado e pela Segurança Social, equacionando a tomada de posição que os irmãos entenderem justificar-se”, afirmou o provedor Luciano Colaço Martins, adiantando que o assunto será discutido na próxima assembleia-geral da instituição.
“Não aceitamos ser discriminados desta forma iníqua e injusta”, disse o provedor da Santa Casa de Semide, que apresentou no passado dia 21 de Janeiro, em conferência de imprensa, o processo e os compromissos assumidos para a apresentação da candidatura à construção do lar de idosos, com 28 camas, uma infra-estrutura que considerou “fundamental para a freguesia e zonas limítrofes”.
Depois da cedência do terreno, através de contrato-promessa, do direito de superfície e da elaboração do projecto, feitos pela autarquia, a SCMS apresentou a candidatura ao lar, na qual “solicitava ao Estado apenas 35 por cento do montante global da obra, comprometendo-se a Santa Casa a assumir, em parceria com a Câmara Municipal, os restantes 65 por cento do investimento global”.
Para fundamentar a candidatura, a SCMS recebeu o apoio do CEARTE, da Escola Ferrer Correia, da Junta de Freguesia e da Câmara Municipal, para além de outras entidades da freguesia, que atestaram a necessidade de construção do lar de idosos.
“A recusa do Estado em viabilizar a construção do lar de idosos, via segurança social, revela-se incompreensível e insondável”, afirmou o provedor, sublinhando que, nesta área, “a capacidade de resposta há muito se encontra esgotada, não só em Miranda do Corvo, mas em toda a região”, e “com existência de listas de espera”.

23 de janeiro de 2008

Presidente Cavaco em Coimbra nas Jornadas do Património



Na sua visita a Coimbra, integrada nas II Jornadas do Roteiro do Património, o Presidente da República foi recebido por D. Albino Cleto. E não foi por acaso. Grande parte do património existente está sob alçada da Igreja. D. Albino Cleto para além de Bispo de Coimbra é um especialista em Arte Sacra, Preside à Comissão de Arte Sacra da Conferência Episcopal Portuguesa. E conhece bem o património religioso existente na sua diocese… A sua presença significou um alerta à Presidência da República para a preservação deste tão grande e vasto património.
"Espero que a candidatura da Universidade de Coimbra a Património da Humanidade venha a ser bem sucedida". O desejo foi expresso pelo Presidente Cavaco Silva, durante a sua visita a Coimbra, no dia 21 de Janeiro, nas suas II Jornadas do Roteiro do Património. O Chefe de Estado visitou ainda, demoradamente, o mosteiro de Santa Cruz e a Sé Velha, elogiando o movimento de cidadãos que procuram valorizar e defender estes monumentos
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Foi na Igreja de Santa Cruz, que o Presidente da República deu início às II Jornadas do Roteiro do Património. E não foi por acaso. Cavaco Silva homenageou o fundador da nacionalidade, Afonso Henriques, na Igreja de Santa Cruz, onde depôs uma coroa de flores. "Foi um momento mais ligado à fundação da Nação portuguesa. Ali tratava-se, em primeiro lugar, de prestar homenagem àquele que foi o pai da Nação portuguesa", disse, mais tarde, aos jornalistas.
Depois da homenagem, o Chefe de Estado fez uma visita demorada ao monumento, acompanhado pelo Padre Dr. José Eduardo Coutinho, que lhe transmitiu toda a história do mosteiro.
Cavaco Silva, que se fez acompanhar, pela ministra da Cultura, por deputados da Assembleia da República e por entidades da cidade e da região, foi recebido às portas da Igreja de Santa Cruz pelo Bispo de Coimbra, D. Albino Cleto, que também o acompanhou na visita.
A viagem prosseguiu até à Sé Velha, onde o Presidente foi recebido pelo pároco João Evangelista Ribeiro Jorge. Ainda no interior do templo, no livro de honra, Cavaco Silva escreveu que "a Sé Velha é um monumento emblemático do património histórico e cultural português. Foi com imensa satisfação que nesta minha visita tomei conhecimento do movimento de cidadãos para a valorização e defesa deste símbolo de identidade nacional". O Presidente referia-se, concretamente, ao grupo de cidadãos que promove a defesa e a protecção da Igreja de Santa Cruz e da Comissão da Fabrica da Sé Velha.
"Não deixem morrer o entusiasmo", pediu Cavaco Silva.
Antes da hora de almoço, o Presidente da República esteve reunido com alguns professores e investigadores da área do património no Palácio de S. Marcos. No final, em declarações aos jornalistas, o Chefe de Estado disse que "podemos pensar na preservação como uma inspiração para andar para a frente, para construir um futuro melhor para Portugal. Por isso, tenho procurado chamar a atenção junto das entidades e dos cidadãos em geral, das empresas, das escolas para a defesa e a valorização do património histórico e cultural português porque faz parte da nossa identidade e é isso que marca a diferença do nosso país em relação aos outros países".
Espero que a candidatura da Universidade de Coimbra (UC) a Património da Humanidade "venha a ser bem sucedida"
À tarde, numa visita à Universidade, o Presidente da República fez votos para que a candidatura da Universidade de Coimbra (UC) a Património da Humanidade "venha a ser bem sucedida", de forma a que se torne "ainda mais visível", não só a qualidade sua arquitectónica, mas também a sua implantação na geografia e na história "desse outro bem – imaterial e imprescindível –, que é o saber".
Depois de uma visita à instituição universitária, Cavaco Silva disse ter ficado satisfeito ao ter tomado conhecimento dos projectos que a universidade, em articulação com a Câmara de Coimbra, está a desenvolver "para a requalificação dos seus espaços e para a apresentação de uma candidatura a Património da Humanidade".
"A Universidade de Coimbra nasceu praticamente com o Estado português. Desde então, até hoje, ela tem sido um dos pilares mais sólidos da nossa identidade, da nossa existência como Nação independente e da nossa afirmação internacional", salientou Cavaco Silva, enquanto intervinha no Museu da Ciência. O Presidente da República não deixou de elogiar as "importantes iniciativas" da autarquia em matéria de reabilitação do centro histórico urbano", que – realçou – "devem ser estimuladas" e que "contribuirão, decerto, para que a cidade obtenha o reconhecimento que merece". Quanto à universidade, frisou que "ninguém melhor do que ela poderá sensibilizar os responsáveis, investigar e divulgar os conhecimentos e técnicas que hoje em dia requer a conservação e promoção do património", referiu. Cavaco Silva disse ainda que em todo seu trabalho, a UC tem "um papel muito especial a desempenhar", ao lado das restantes entidades directamente envolvidas na causa do património.



Miguel Cotrim

A Cruz de São Damião visita a Diocese de Coimbra



A Família Franciscana vive um triénio de preparação para o grande jubileu do ano 2009. Nessa data celebram-se os 800 anos da conversão de São Francisco de Assis, do início do carisma franciscano e da aprovação da «forma de vida evangélica» por parte do Papa Inocêncio III.
Um dos passos decisivos nesta conversão foi o encontro do jovem Francisco com o Crucifixo de São Damião. Por isso, a Família Franciscana Portuguesa lançou, neste triénio de preparação, a peregrinação da Cruz de São Damião por todas as Fraternidades e Comunidades franciscanas de Portugal. Assim, no primeiro ano (2006/2007), a Cruz de São Damião percorreu as Dioceses do Sul. Neste ano de 2007/2008, está em peregrinação pelas dioceses do Centro. Finalmente, em 2008/2009, será a vez das Dioceses do Norte.
A Diocese de Coimbra acolheu o ícone franciscano no dia 7 de Janeiro, vindo da Diocese de Portalegre Castelo Branco. Várias Comunidades Franciscanas de Coimbra já receberam a sua visita. Neste fim-de-semana encontra-se na Igreja de Santa Justa passando de seguida pelas Irmãs Franciscanas de N. Sr.ª das Vitórias. No dia 30 é acolhido pela OFS da Figueira da Foz. No dia 1 de Fevereiro chegará ao Louriçal às 19.30 h. Depois da recepção na rotunda, junto ao Largo D. Luís de Meneses, seguirá para a Igreja do Convento. No dia 2, à tarde as crianças rezarão diante da Cruz e levá-la-ão até à Igreja Matriz. À noite as celebrações serão dinamizadas pelos jovens. No Domingo às 15.30 h. o Crucifixo estará de novo no Convento para uma oração que introduzirá o profundo simbolismo da Cruz de São Damião. Todas as Paróquias do Arciprestado de Pombal são convidadas a participar. O dia de 2ª feira está reservado às Irmãs Clarissas.
Na terça-feira às 20 horas no Convento um momento de oração e reflexão perante as interpelações que este sagrado ícone nos lança. Na quarta-feira, às 19,30 Missa e imposição das cinzas. Na quinta feira, às 16 horas será a cerimónia de despedida e entrega à Comunidade dos Franciscanos Conventuais.
Quem desejar pode participar nestas celebrações venerando o Crucifixo que dirigiu a palavra a Francisco de Assis, chamando-o para uma missão ousada: "Francisco, vai e repara a minha casa que, como vês, está quase em ruína".

Carapinheira dinamiza 3.º Curso Alpha


Dia 17 de Janeiro iniciou-se, na paróquia da Carapinheira, o terceiro Curso Alpha, abrangendo também algumas paróquias do arciprestado – Carapinheira, Meãs, Tentúgal, Arazede, Seixo e Montemor. Este curso, a decorrer no Centro Social e Paroquial "é uma evangelização de futuro", tem uma participação de cerca de 80 novos catecúmenos, sendo organizado pelo diácono Lusitano Rainho, coadjuvado por diversos monitores/animadores.
O P.e Jorge da Silva Santos, responsável dos Cursos Alpha em Portugal, veio até à Carapinheira para estimular os novos catecúmenos no mistério da fé, explanando, com entusiasmo, os princípios do Curso Alpha, Depois de saudar e dar as boas-vindas a cerca de 8 dezenas de novos "neófitos", o presbítero deu início a este terceiro curso, com uma brilhante palestra, referindo que "este método é uma evangelização de futuro e já está implantado em quatro dioceses portuguesas", adiantando que "a médio prazo pretende-se que o curso, de "tipo Kerigmático", que surgiu em Londres, na Igreja Anglicana, tenha uma abrangência nacional".
Ainda relativamente desconhecido em Portugal, "o Curso Alpha é um curso de cerca de dez semanas de introdução às bases da fé cristã; é apresentado pelos seus responsáveis mais como um instrumento de evangelização do que de catequese, tendo sido concebido para aqueles que não têm fé ou têm dela apenas uma experiência muito limitada: não baptizados, não crentes e não praticantes", referiu o padre Jorge.
Nesta sessão de apresentação do curso, o sacerdote da "Comunidade Emanuel" teve oportunidade de apresentar o primeiro tema: "O Cristianismo: uma religião falsa, aborrecida e ultrapassada?"
Nesta sessão de abertura marcaram presença o padre José Ferreira, pároco da Carapinheira e os padres Élcio Roberto e Martinho de Sousa, que acompanham as paróquias de Meãs e Tentúgal. Na edição passada dissertámos sobre os fundamentos e desenvolvimento de um curso Alpha.


Aldo Aveiro

A Paróquia de Santa Clara inaugura Centro de Convívio para idosos



No passado dia 17 de Janeiro foi inaugurado um Centro de Convívio para pessoas idosas no Centro Pastoral Rainha Santa Isabel.
É uma iniciativa da paróquia de Santa Clara e da Confraria da Rainha Santa Isabel e não tem qualquer Acordo ou apoio estatal.
Funciona de 2ª a 6ª feira, das 14 h às 17 horas. Trata-se de um espaço de convívio e encontro que pretende ajudar a quebrar o isolamento e a solidão em que muitas pessoas vivem.
Começou oficialmente a sua actividade no passado dia 21 de Janeiro e a entrada efectua-se pelo portão que dá acesso à sede dos Escuteiros.