Correio de Coimbra

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1 de junho de 2007

Inauguração do Museu Irmã Lúcia

Inauguração do Painel dedicado à Irmã Lúcia







Missa em memória da Irmã Lúcia







A inauguração do Museu Irmã Lúcia foi antecedida por uma missa presidida pelo Bispo de Coimbra, D. Albino Cleto.



Individualidades da cidade tomaram parte nesta iniciativa.





Na foto podemos apreciar o presidente da Câmara Municipal, Carlos Encarnação e sua esposa.

Memorial da Irmã Lúcia é um “livro da sua vida”

Para o Bispo de Coimbra, D. Albino Cleto, o memorial da Irmã Lúcia, inaugurado no dia 31 de Maio no Convento do Carmelo, é “um livro da sua vida humilde” que deve ser lido com a sabedoria de quem entende os sinais que ela deixa e os usa para rezar e interiorizar a mensagem de Fátima.
Parte do espólio exposto esteve, durante anos, guardados em cerca de 60 malas que foram sendo trazidas do Carmelo e que contêm centenas de cartas de todo o mundo endereçadas à vidente. O padre Pedro Lourenço Ferreira, confessor de Lúcia no Convento e padre provincial da comunidade das Carmelitas Descalças, recorda a convicção expressa pela pastorinha de que os seus escritos haviam de ser “apreciados” depois da sua morte. Contrariando a tradição das irmãs do convento de se desfazerem do que possuem, o padre Pedro Ferreira foi juntando em malas o que pareceu importante a Lúcia, como os documentos em que fala da “mensagem que a Senhora lhe confidenciou”, deixando de lado, na altura, os seus objectos de uso pessoal, mais tarde recolhidos pelas carmelitas e agora também parte integrante do espólio do memorial.
Berta Duarte, responsável pelo programa museológico do espaço, explicou que, ainda que os elementos expostos possam não ter muito valor “artístico”, ganham, sobretudo, em “significado”, já que “cada objecto conta uma história”. O memorial organiza-se de acordo com um percurso que segue imagens e pensamentos de Lúcia, para que seja ela a mostrar aos visitantes o caminho que seguiu em vida e a mensagem deixada pela sua forma de viver. A réplica exacta da cela onde viveu durante 55 anos, a batina que João Paulo II vestia quando sofreu o atentado ou o paramento romano oferecido a Lúcia pelo rei Humberto de Itália convivem de perto com expositores onde podem ser vistos os seus óculos, a saia que usava no dia em que entrou no Carmelo, a caixa de costura, a bengala, a máquina de escrever, uma mantilha que confeccionou com lã do rebanho da irmã mais velha, o hábito, canetas ou fotos que percorrem o tempo desde as Aparições até aos anos mais recentes. Nas palavras do cónego João Lavrador, capelão do Carmelo de Coimbra, este é um “itinerário com sentido humano e cristão, testemunhado através da uma vocação de carmelita” e, por ele, é também possível imaginar o que é próprio da vida destas religiosas no seu essencial: “a modéstia, a simplicidade e o despojamento”.
No dia da inauguração, a igreja do Convento, onde se realizou a Eucaristia, acolheu cerca de 300 pessoas. D. Albino sublinhou o valor do novo memorial que se assume como “sinal de uma pessoa que viveu sempre com o coração cheio de Deus”, num encontro com Ele, de encanto, respeito e amor. O Bispo de Coimbra disse ainda que, mais do que cartas e textos, “a mensagem de Lúcia foi a sua consagração, a sua presença em atenção aos outros, a sua vida dada desta forma”. Obrigadas à clausura, as irmãs do Carmelo de Santa Teresa não estiveram presentes nas cerimónias de abertura do novo espaço, idealizado e preparado por elas num terreno anexo à casa religiosa, para que a comunidade não seja perturbada. No final da Eucaristia, e do lado de lá das grades da igreja, a madre Celina de Jesus manifestou a “alegria da comunidade” por poder estar à disposição de todos o espólio da vidente e explicou ser “tudo por causa de Nossa Senhora, como diria a Irmã Lúcia”
No novo edifício, projectado por Florindo Belo Marques, poucos assistiram à bênção e cerimónias oficiais já que o espaço era pequeno para todos os que acorreram ao memorial. Muitos aguardaram à porta a sua vez de lembrar o caminho físico e espiritual de Lúcia. Entre os presentes estiveram o presidente da Câmara de Coimbra, Carlos Encarnação, o presidente da Região de Turismo do Centro, Pedro Machado, o reitor do Santuário de Fátima, monsenhor Luciano Guerra, e o padre Luís Kondor, coordenador do processo de beatificação de Jacinta e Francisco. Antes das cerimónias no memorial, foi ainda descoberto e benzido um painel de azulejos alusivo ao centenário do nascimento da Irmã Lúcia, no qual pode ler-se a frase “O Mundo para mim é apenas caminho para Deus”, da vidente de Fátima. Colocado na fachada da igreja do Carmelo, o painel foi oferecido pela Junta de Freguesia da Sé Nova e pretende, nas palavras do presidente desta Junta, Hélder Rodrigues de Abreu, “lembrar aos vindouros o testemunho de fé e honestidade” de Lúcia.
O memorial, estará aberto, todos os dias, das 10h às 17h, a partir da próxima segunda-feira. O bilhete normal custa dois euros e as crianças e seniores pagam um euro. Há ainda preços especiais para famílias, cinco euros e para grupos com mais de 50 pessoas, 75 euros.

A CASA DE FORMAÇÃO CRISTÃ DA RAINHA SANTA CELEBRA ESTE ANO OS 75 ANOS DA SUA ACTIVIDADE

No dia 30 de Novembro de 1930 o Senhor Bispo-Conde, D. Manuel Luís Coelho da Silva, a pedido do Presidente da Confraria da Rainha Santa Isabel, Dr. António Garcia Ribeiro de Vasconcelos, erigiu em Coimbra, segundo as disposições do Direito Canónico, uma Associação Católica de Beneficência, constituída por pessoas do sexo feminino.
Esta Associação a que foi dado o nome de “Refúgio da Rainha Santa”, tinha como objectivos não só “atrair, regenerar e reeducar” as jovens que tinham caído em degradação moral e social, como também “preservar e amparar” as jovens que se encontrassem em risco.
Em Março de 1931 o Refúgio da Rainha Santa tinha já os seus primeiros Estatutos aprovados pelas duas autoridades competentes: por Provisão do Exmº Bispo-Conde e por Alvará do Exmº Sr. Governador Civil do Distrito de Coimbra.
Ainda neste ano foi eleita a primeira Direcção constituída por Senhoras das quais foi eleita para Presidente a Senhora Dona Maria Eugénia de Castro e Almeida que foi, desde a fundação da Casa, uma das suas maiores benfeitoras e protectoras até falecer, em 1960. Foi com a influência desta Senhora que se conseguiu comprar parte da Quinta das Varandas, situada nos arredores de Coimbra, na margem direita do Rio Mondego, para Sede da nova Instituição.
Começaram logo as obras de restauração e adaptação das velhas casas que havia na quinta, mas só no dia 4 de Julho de 1932, dia da festa da Rainha Santa Isabel, o Senhor Bispo-Conde, D. Manuel Luis Coelho da Silva, executou a cerimónia da benção da Casa, do seu Oratório semi-público, das Imagens, Objectos e Paramentos que iriam ser utilizados nos actos religiosos.
A Direcção da Instituição, com um grupo de Senhoras consideradas Sócias-Fundadoras e a total aprovação do Sr. Bispo-Conde, resolveram, em boa hora, convidar as religiosas da Congregação do Bom Pastor como pessoal técnico, de minuciosa especialização, de longa experiência já comprovada nas suas casas espalhadas pela Europa e pela América, para virem encarregar-se da espinhosa e importante missão a que este refúgio se propunha. Também em Portugal, antes da implantação da República em 1910, estas Irmãs eram bem conhecidas pelos melhores sucessos apresentados na regeneração de mulheres de vida social degradada, tanto em Lisboa no seu “Instituto Feminino de Santa Madalena” como no Porto, em Vila Nova de Gaia, no “Instituto Feminino de Educação e Regeneração”.
As primeiras quatro religiosas do Bom Pastor, vindas duas da Argentina e duas do Brasil, entraram no Refúgio da Rainha Santa no dia 11 de Outubro de 1932, dia em que se praticaram os actos religiosos de inauguração de todas as instalações prontas para servir os objectivos para os quais foram restauradas.
No dia 7 de Novembro do mesmo ano bateu à porta da Instituição a primeira jovem a pedir auxílio. Em breve se admitiram outras e em poucas semanas estava a lotação esgotada. A Casa já não tinha capacidade para albergar mais, embora continuassem a surgir outras e cada vez mais jovens a pedir ajuda.
Era necessário e urgente ampliar as instalações. Com o decorrer dos anos, com o auxílio do Governo, da Confraria da Rainha Santa e de grandes beneméritos conseguiu-se transformar a quinta num pomar rentável e ampliar as casas de maneira a poderem admitir 95 jovens dos 8 aos 18 anos e 30 Religiosas. Através dos anos o refúgio da Rainha Santa tentou acompanhar a evolução e as mudanças da Sociedade. Em 1971 renovaram-se os primeiros Estatutos e achou-se por bem mudar o nome da Instituição para “Casa de Formação Cristã da Rainha Santa”.
Tempos difíceis foram surgindo, mas têm sido superados com a ajuda, a boa vontade e a dedicação de todos. Presentemente esta Casa continua a ser uma Instituição Particular de Solidariedade Social, sem fins lucrativos, de orientação católica, que conta com o auxílio da Confraria da Rainha Santa, do Banco Alimentar contra a Fome e é subsidiada pela segurança Social do Distrito de Coimbra.
Faz este ano de 2007 precisamente 75 anos que as Irmãs do Bom Pastor puderam começar a sua actividade nesta Instituição, dedicando-se de alma e coração, com zelo e amor, a centenas, senão milhares de jovens, tentando incutir-lhes a auto-estima, a paz, a tranquilidade e os valores que nos ambientes donde provêm não lhes puderam ou não souberam dar.
Aqui aprendem hábitos de higiene, têm alimentação regrada e adequada, educação consoante as suas capacidades, chegando a conseguir alcançar cursos Técnico-Profissionais e até cursos Superiores, afim de poderem ser lançadas no mundo do trabalho e de se inserirem dignamente na Sociedade.
No âmbito das comemorações dos 75 anos do início das actividades desta Instituição, fundada para concretizar a espiritualidade e acção de solidariedade social que encheu toda a vida o coração bondoso da Rainha Santa Isabel, a Direcção desta Casa propõe-se levar a efeito os eventos que se seguem, abertos a todos quantos neles quiserem e tiverem a bondade de participar:

1. Um passeio/convívio das jovens residentes nesta Instituição e de todos quantos nela trabalham. O passeio terá lugar dia 16 de Junho, com destino a Nossa Senhora do Castelo, em Mangualde; Nosso Senhor dos Caminhos, em Rãs; e Santuário de Nossa Senhora da Lapa em Sernancelhe. Haverá um almoço partilhado.
2. Uma conferência subordinada ao Tema “Rainha Santa Isabel – a Confraria da Rainha Santa Isabel e a Casa de Formação Cristã da Rainha Santa”, a realizar na Casa Municipal da Cultura, no próximo dia 4 de Julho, às 21.30 horas. Esta conferência será realizada pela Presidente da Direcção da Instituição, Manuela Carvalhão Teixeira Santos, que será apresentada pela Senhora Drª Isabel Jardim, Presidente da Assembleia Geral da mesma Instituição e Ministra da Ordem Terceira de S. Francisco de Assis.
3. Uma Missa, em acção de graças, celebrada pelo Exmº Sr. Bispo, Dom Albino Cleto, concelebrada pelo Capelão da Confraria da Rainha Santa Isabel, Senhor Padre António Sousa, pelo Rev. Cónego João Castelhano, pelos Rev. Padres Joel Antunes e Jorje Camejo, no dia 20 de Outubro, às 15 horas, na Igreja da Casa de Formação Cristã da Rainha Santa. Seguir-se-á uma Tarde de Arte pelas jovens da Instituição, um “Power-Point” sobre a Casa e um lanche de confraternização.
4. Um “Dia Aberto” no dia 11 de Novembro, data aproximada do dia 7 em que foi recebida a primeira jovem na Instituição. Será um dia dedicado a visitas guiadas à Casa e suas instalações.


(Drª Manuela Carvalhão Mendes Teixeira Santos)
Presidente da Direcção da Casa de Formação Cristã da Rainha Santa

29 de maio de 2007

Vigário episcopal da Região Nordeste fala ao “Correio”

Em entrevista a Lisa Ferreira, o vigário episcopal da Região Pastoral Nordeste, faz um retrato da actividade naquela zona da diocese. A família continua a ser, apesar de tudo, um dos sectores em que a acção da Igreja pode e deve ser mais interveniente. A juventude, essa, tirando o escutismo, praticamente não está organizada na região.

Vigário episcopal da Região Nordeste fala ao "Correio"
"Na Região Pastoral, a prática cristã não é frequente nem coerente"
O cónego Manuel da Silva Martins está há três anos na região pastoral Nordeste como vigário episcopal. Na altura em que termina o plano pastoral da diocese dos últimos cinco anos, fala ao "Correio" dos desafios da função como coordenador pastoral da região e como pároco de Arganil, Sarzedo e Secarias. Chamando a atenção para a crise na família, acredita que seria mais proveitoso elaborar um plano pastoral "menos ambicioso", mais concreto e feito em articulação com o terreno. Quanto à ligação entre fé e cultura, afirma que "a Igreja tem que aprender a dialogar".

É vigário episcopal da região Nordeste. Quais sente serem os maiores desafios na coordenação desta região pastoral?
Um dos maiores desafios é atender à pastoral dos núcleos principais que o ambiente da serra obrigou a formar. A serra foi-se tornando deserta e formaram-se alguns núcleos, onde se concentrou a população: Oliveira do Hospital, Tábua, Arganil, Góis e Pampilhosa. E esta população deslocada tem características especiais… Desenraizou-se do seu espaço e encontrar um ritmo mais ou menos certo para a vida, num novo lugar, leva o seu tempo. Esta gente ainda não encontrou esse ritmo. O atendimento a esses poucos núcleos é o grande desafio, bem como o modo de lidar com eles, em vários aspectos. No âmbito da família é onde noto uma dificuldade maior. A família atravessa aqui uma crise muito grande.
Porquê?
Não identificamos facilmente as causas ou as origens do fenómeno. É verdade que, a nível nacional e europeu, as coisas também estão complicadas mas tenho a impressão de que, nestes espaços assim, as coisas se fazem notar mais depressa. Isto assusta-nos… Quando cá cheguei, há cerca de três anos e meio, o que me chamou mais a atenção foi, de facto, ter verificado que mais de 50% das crianças são filhos de pais separados, em união de facto, solteiros e sem terem nenhum tipo de ligação com outra pessoa. De lá para cá as coisas pioraram. No momento presente, há muitos casamentos a desfazerem-se.
Quais sente serem as soluções possíveis?
Temos conversado muito sobre isso, aqui. A aposta, já aconselhada por muitos, deve ser na formação, mas esta precisa de elementos que a tornem adequada às pessoas, aos locais, às situações. Dizíamos que ela estava garantida pela catequese, pelos grupos de jovens, no sentido de uma pastoral juvenil integrada, pelo CPM (Curso de Preparação para o Matrimónio) e, principalmente, pela existência de equipas da pastoral familiar. Mas são realidades que não têm implantação fácil aqui no nosso meio. Temos apostado muito na formação de equipas da pastoral familiar mas tem sido muito complicado... Em geral, os noivos passam pelo CPM. São é poucos os que se casam…
Os jovens deslocam-se muitas vezes dos meios rurais para os centros urbanos para estudar ou trabalhar. Sente que isso tem influência no número de grupos de jovens nas paróquias da região ou nos movimentos juvenis com actividade aqui?
Não tenho bem noção do que esteve para trás de mim, no que respeita a grupos de jovens. Tenho lembrança do que acontecia há 40 anos, quando estive, de 1966 a 1971, em Pombeiro da Beira, que é aqui a dois passos de Arganil. Nessa altura, havia uma movimentação grande de juventude e havia bons grupos de jovens. Muitos dos adultos que hoje estão por aí, pertenceram a grupos dessa altura. Mas depois há um intervalo grande. Hoje, fora do escutismo, praticamente não temos grupos de jovens apesar de haver muitas tentativas.
Fazendo um balanço da forma como foi vivido o plano pastoral na região Nordeste, sente que a distância do centro da diocese tem alguma influência nas respostas dadas pelas comunidades?
Penso que, em relação ao resto da diocese, a diferença no modo de entender e de nos sintonizarmos com o plano não é muita. Quando este plano teve início, ainda estava na região Sul. Vim para aqui a 30 de Novembro de 2003, quando ele já estava em acção, e não encontrei muitas diferenças na maneira de o viver. Mas encontrei, num lado e noutro, várias dificuldades, que foram até analisadas agora, no Conselho Presbiteral. Os problemas podem não estar propriamente no modo como as pessoas abraçam e entram no plano, mas antes no próprio plano. E, se calhar, as coisas deviam começar exactamente por aí. Ele não pode ser tão vasto, não pode querer abranger tanto. Ainda que tenha que dizer respeito a tudo, devem acentuar-se aspectos mais concretos. O nosso plano foi, talvez, ambicioso demais. Num ano foi a família, no outro a juventude, no seguinte a atenção aos mais pobres… Nestas coisas, não há muros a dividir umas áreas das outras. Penso, também, que não foi bem levado à diocese porque não houve uma articulação suficiente entre regiões. Em conclusão, ele tem que ser menos ambicioso e tem que ser feito em articulação com o terreno, com as regiões. Tem que ser mais concreto e depois aplicado e adaptado a cada zona. A diocese tem ainda que apostar mais nos serviços de ligação, nos chamados secretariados. Alguns nem sequer existem. Estes serviços fazem muita falta na execução do plano. Digo, no entanto, que, em relação a este plano, apesar destes problemas, fez-se muito.
Que temas seriam importantes num próximo plano, tendo também em conta a realidade da Nordeste?
Tem que se insistir muito na família e encontrar formas de a Igreja estar muito próxima dela. Não digo que a Igreja tenha que adaptar-se às circunstâncias nem que estas tenham que adaptar-se à Igreja. Tem que haver uma caminhada para conhecer melhor a realidade da família e para, de muitas formas, nos podermos apresentar como "pessoa de bem" em relação à família. Não que não o tenhamos sido mas não se tem acertado…O plano tem que contemplar também a acção social.
Como caracteriza a região em termos de prática cristã e quanto ao envolvimento de leigos na vida da Igreja?
Penso que a prática cristã não é frequente nem coerente. E isto é quase geral. Há manchas em que a situação é melhor mas, na grande maioria, a prática é fraca. Quanto à aposta na acção dos leigos, penso que é essencial em toda a diocese e, aqui, talvez ainda mais, pela rarefacção da população. Existem os tais núcleos centrais e para esses terá que haver sempre a presença de um presbítero, mas nas aldeias fica sempre alguém e também são filhos de Deus. É importante que, para essa população espalhada pelas aldeias, que são muitas, haja o que é possível haver, com uma boa articulação feita pelo presbítero que concentrará a prática nos tais núcleos.
Uma outra aposta do plano passava pela articulação entre fé e cultura. Ela foi conseguida?
Há vários aspectos a considerar quando se fala da ligação entre fé e cultura. Às vezes, quando se fala disto, parece que só nos concentramos nos sítios onde estão as grandes escolas, os serviços públicos e onde está a sensibilidade "mais para a frente", que dá a impressão de estar mais afastada da Igreja. E a Igreja tenta ver de que modo pode estabelecer uma ligação com essas novas sensibilidades. Mas a ligação entre fé e cultura é mais universal e é de outros lugares. Há sensibilidades que percorrem os espaços de forma veloz e vertiginosa e esse problema põe-se em qualquer lugar. Penso que não estamos preparados para este diálogo entre fé e cultura. Tem que haver, se calhar, uma cadeira específica nos seminários, que trate este assunto que tem muita importância e que é, precisamente, um dos grandes problemas hoje. Nós partimos do princípio de que temos uma mensagem para transmitir e de que a comunidade que nos procura, ou à qual somos enviados, é o destinatário e basta. Pensamos que podemos anunciar como sabemos e que está tudo feito. Mas não é assim. Este diálogo, hoje, tem importância e o que fazia parte do plano anterior não correspondia bem a esta questão actual. Falo de comunicar e, principalmente, da capacidade de dialogar com todos os agentes. A Igreja, não só os padres, tem que aprender a dialogar, a estar lá com o outro, que pode ser um filósofo, um cientista ou a pessoa mais simples e mais humilde. Também é verdade que já se pôs, a certa altura, a questão da atenção às sensibilidades diferentes das pessoas que nos procuram, quanto ao modo de as atender, por exemplo. Houve até encontros sobre o acolhimento no plano anterior. Tem que ser nesta linha mas é preciso mais para se chegar à aprendizagem do diálogo.
Como caracteriza as paróquias onde está actualmente, Arganil, Sarzedo e Secarias, e a sua acção como pároco nestas comunidades?
Já tenho 66 anos…Mas tenho uma visão deste espaço que me está entregue directamente. Nestas três paróquias, penso que este tempo tem sido positivo. Temos trabalhado bem apesar de não haver coisas muito vistosas. As celebrações têm tido qualidade, a prática cristã tem melhorado e tem-se dado ocasião para a formação de adultos. A catequese estava dispersa por quase todos os dias da semana e concentrámo-la ao Sábado e ao Domingo, com uma atenção maior a cada grupo; os catequistas têm-se encontrado e feito a preparação dos encontros e avaliações em conjunto; as reuniões têm sido mais periódicas e frequentes. Quanto à parte social, talvez ela esteja mais descurada, também porque nos apoiamos nas estruturas que já existem. Reconheço que há muito a fazer nesse sector. A Santa Casa da Misericórdia e o Centro Social, no Sarzedo, têm um trabalho meritório e atendem mesmo muita gente mas há sempre quem fica de fora e há situações não atendidas. Temos aqui a Conferência Vicentina e o Património dos Pobres, com quem estou em ligação frequente. Vão fazendo o seu trabalho mas temos que ir muito mais longe. Quanto à família, para além do CPM, temos em formação o CAF. Desejaríamos que entrasse em funcionamento o mais rápido possível. No dia 9 do próximo mês, haverá um encontro de casais para decidirmos definitivamente se avançamos ou não. Desse encontro, que não é restrito às paróquias que sirvo directamente, esperamos muito. Queremos que dele nasça abertura para que, onde não haja uma estrutura da pastoral familiar, haja ligações aos sítios onde ela existe. É importante esta referência estruturada da pastoral familiar para que ela esteja, inclusive, aberta a espaços fora das paróquias onde trabalha directamente. Aliás, o Secretariado da Pastoral Familiar tem vindo a dar este conselho há muito tempo mas não o temos posto em prática porque valorizamos demasiado as fronteiras das freguesias ou das paróquias. Hoje, elas têm que ser esbatidas ou diluídas até porque os párocos já não estão só numa, nem em duas... São importantes estruturas que abranjam depois lugares onde elas não possam ser implantadas. Em relação à pastoral da família, queremos que ela chegue onde puder chegar.

Católicos e a luta contra o fascismo

A livraria Almedina Estádio apresenta “Entre as Brumas da Memória”, da autoria de Joana Lopes, numa sessão que terá lugar em Coimbra, no dia 31 de Maio (Quinta-feira), às 21h15, e contará com a apresentação de Rui Bebiano, professor na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, e José Dias, presidente do Conselho da Cidade de Coimbra.
“Entre as Brumas da Memória”, livro publicado pela Ambar este ano, retrata o papel que as elites católicas tiveram na luta contra o regime fascista vigente em Portugal, durante a década de 60.
Apesar de a acção dos católicos da oposição nas últimas décadas da ditadura já ter sido objecto de algumas publicações, Joana Lopes decidiu dar a essa luta uma abordagem mais aprofundada, dando conta da dimensão do movimento, em termos de número de iniciativas e de pessoas envolvidas.

28 de maio de 2007

Crianças e idosos celebram Dia da Criança em conjunto

No dia 5 de Junho, terça-feira, a Casa de Repouso Rainha Santa comemora o Dia da Criança, numa iniciativa que pretende unir idosos e crianças. Cerca de 150 crianças de escolas dos arredores de Coimbra apresentarão uma peça de teatro, participando algumas com surpresas da sua autoria. Num recinto para isso preparado, algumas brincadeiras permitirão um contacto próximo e alegre entre os mais pequenos e os mais velhos. O encontro terá início às 14h30.

Festival das Escolas Católicas


O Colégio da Imaculada Conceição, em Cernache, acolhe, no dia 2 de Junho, o II Festival SOLNEC "Juntos na Diferença". O encontro é uma forma de celebrar a campanha de solidariedade realizada pelo Núcleo de Escolas Católicas (NEC), em favor da Associação de Pais e Amigos do Cidadão Deficiente Mental (APPACDM), uma das instituições contempladas no projecto Vida Corajosa. Este projecto faz parte do programa SOLNEC, que visa o incremento do voluntariado dos alunos das escolas católicas da diocese, junto de pessoas portadoras de deficiência.
Sendo também uma forma de celebrar o "Ano Europeu da Igualdade de Oportunidades para Todos", o programa do dia é extenso e variado e prevê várias actividades em simultâneo, sempre com vista à interacção com os utentes da APPACDM. Durante a manhã haverá passeios de BTT, podendo as pessoas com mais de 18 anos colaborar numa campanha de recolha de sangue. Para a tarde, estão previstos jogos tradicionais, passeios de canoa e barco, momentos musicais, pinturas colectivas, fantoches e desafios de futebol. Pelas 16h, os utentes da Associação oferecem um espectáculo. A Eucaristia realiza-se ao final da tarde, para os que desejarem participar.
Durante a campanha de solidariedade, os alunos tiveram já ocasião de conviver com utentes dos centros de Coimbra, Montemor, Arganil e Tocha, assistindo a um desafio de futebol e aderindo á campanha da APPACDM "traz…tinteiros vazios e zás…temos carrinha nova". O NEC reuniu já cerca de 2000 euros como resultado de participação no jogo de futebol e está a vender cupões a sortear no dia do festival.
Integram este núcleo de escolas, o Externato João XXIII, a Escola da Casa de N. S. do Rosário (Tavarede) e os Colégios de S. Teotónio, S. José, Rainha Santa e da Imaculada Conceição (Cernache).

A Escola Diocesana de Música Sacra vai encerrar ano lectivo


No próximo dia 10 de Junho, a EDMS vai encerrar o ano lectivo, na vila de Lousã. O primeiro momento será a participação na Eucaristia das 11:30 horas.
Às 15 horas haverá uma audição de música sacra, na igreja matriz, realizada pelos alunos da Escola e pelos Coros Litúrgicos das paróquias do arciprestado que para tal foram convidados. Espera-se que este encontro proporcione a todos os participantes uma grande alegria pelo serviço prestado às suas paróquias.
Será também uma boa oportunidade para se obterem informações acerca desta escola diocesana. Desde já estão abertas as inscrições para o ano lectivo 2007/08.