Correio de Coimbra

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12 de junho de 2007

Entrevista a Frei Domingos Celebrin

A religião vive mas a fé está a definhar


Na altura em que decorrem as festas de Santo António dos Olivais, o "Correio" falou com Frei Domingos Celebrin, responsável por esta paróquia, que falou da presença dos franciscanos em Coimbra, no local onde Fernando de Bulhões nasceu como António. O Santo é, este ano, comemorado como o "defensor dos direitos humanos". Lamentando o desaparecimento do tipo de fé que "toca na carne" e afirmando que, "hoje, é difícil ser cristão", sublinha a importância de regressar às origens de um cristianismo feito de contacto com as pessoas, nascido nas casas e na proximidade.



Entrevista de Lisa Ferreira



Estava previsto que as festas de Santo António se realizassem em anos ímpares, quando não se realizassem as festas da Rainha Santa. Mas, todos os anos, a paróquia tem organizado estas festividades em colaboração com a junta de freguesia. Porquê?
A festa realiza-se todos os anos e a procissão realiza-se já desde 2002. Mas surgiu a ideia, em 2005, de retomar uma antiga tradição de levar o Santo a Santa Cruz e ir buscá-lo no dia seguinte. Quando se pensou nisto, a ideia era fazer esta grande procissão de dois em dois anos, mas ela acabou por só acontecer dessa vez. O hábito foi retomado pelo Frei Eliseu e, agora, vamos caminhando devagarinho porque realizar a procissão até Santa Cruz exige muitos esforços. Nós temos uma vida normal paroquial e não podemos estar cinco ou seis meses a preparar somente uma procissão. É demasiado grande… O conselho pastoral decidiu, então, que, num ano, é tudo mais pequeno e, no ano seguinte, com a colaboração da Câmara Municipal e da Junta de Freguesia, realiza-se uma procissão um bocadinho maior mas também muito simples. Este ano, quisemos dar-lhe igualmente um sentido de cidade e ela irá passar dentro dos hospitais. Quanto ao resto dos festejos, vamos inaugurar uma pequena travessa dedicada a Santo António, por exemplo. No Dia da Comunidade, a que damos muito relevo, será distribuído o pão de Santo António, um pão muito pequenino, colocado num saquinho. A ideia deveria ser a das pessoas darem qualquer coisa para os pobres segundo a história que deu origem a esta tradição: uma senhora foi ter com Santo António porque o seu filho estava a morrer e o Santo curou a criança, tendo a senhora dado o peso da criança em pão ao Santo para que ele chegasse aos pobres. Nós, hoje, damos um pequeno pão e as contribuições dadas pelas pessoas são depois entregues à Caritas paroquial para chegarem aos que precisam. Depois, neste dia, durante toda a tarde, há um convívio e o encerramento da catequese com a participação das crianças e dos jovens. No final, há um torneio de futebol que se realiza no Centro de Reabilitação Social. Costumamos fazer algumas iniciativas como Centro e agora, que já não existe tanto um regime duro de prisão, é mais fácil entrar e estar com eles.
Santo António é cidadão de Coimbra?
Esta ideia foi lançada e fortalecida nos anos passados. Aqui Fernando de Bulhões tornou-se António. Podemos dizer que em Lisboa nasce Fernando e em Coimbra nasce António. E é um cidadão de honra. Mesmo que depois tenha escolhido um trabalho diferente na sua vida, a formação que teve com os cónegos regrantes em Santa Cruz moldou-o definitivamente. O homem que se manifesta ao mundo anos depois é fruto da formação que teve aqui, de uma riqueza humana extraordinária. Podem explicar-se assim o grau de cultura extraordinário dos seus sermões que deixam também uma marca da sua personalidade.
Porquê o tema "Santo António, defensor dos direitos humanos" para a festa deste ano?
Porque ele o foi, de facto. A Carta que consagra os direitos humanos surge em 1948, claro, mas se repararmos nalgumas acções da vida de Santo António, acerca das quais temos documentos históricos, e se analisarmos alguns dos seus sermões, podemos dizer que ele é um inventor dos direitos humanos. Com palavras duríssimas vira-se contra os usurários, contra os que aprisionavam políticos e adversários, e contra os Bispos e padres que, com o seu poder e cultura, dominavam o povo. E não se fica pelos sermões, dando passos concretos. Ele interessava-se pelas pessoas e intervinha politicamente. O que queremos realçar é esta faceta praticamente desconhecida de Santo António. Costumo dizer que ele é o santo mais famoso de todos e também o mais desconhecido.
Como frades franciscanos italianos têm a vosso cargo algumas das paróquias da diocese de Coimbra. Como surge a vossa presença aqui?
A família franciscana, hoje, em Portugal, tem três ramos, todos com presença em Coimbra: os frades menores, que, aqui, são conhecidos simplesmente como os franciscanos e que estão na Av. Dias da Silva; os frades menores Capuchinhos e, finalmente, os frades menores Conventuais, que somos nós. O nosso hábito religioso é preto. Nós saímos de Portugal, na sequência das várias expulsões, em 1678, penso, e regressámos em 1974. Este ano marca o regresso da nossa presença jurídica porque os frades regressam, a título pessoal, encarregados pelo provincial e depois de acordos com o Bispo de Coimbra, em 1968. Regressámos para voltar ao sítio onde Santo António se tornou frade. Aqui havia um outro pároco e, por isso, tomámos conta de uma paróquia aqui próxima, Nossa Senhora de Lurdes. Depois, o bispo entregou-nos o serviço da paróquia de Santo António dos Olivais.
Qual é a diferença entre os três ramos de franciscanos?
Hoje, ela praticamente não existe. Historicamente, quase sempre, a diferença estava na maneira como se geria a relação com o dinheiro, o estudo e o poder. Há sempre grupos que nascem dentro de outros e hoje é assim também. Nós não temos que possuir dinheiro, nem casas e isto é algo que permanece sempre vivo apesar das reformas que possam surgir dentro das famílias franciscanas. Nós, conventuais, tivemos a última há cerca de 18 anos, em Itália. Um provincial desligou-se para voltar às origens do ideal franciscano. É bom e saudável que, de vez em quando, voltemos a interrogar-nos. Hoje em dia, em muitos lugares, vivemos em casas. Acabaram os conventos e as propriedades. Isto é fruto do tempo e da crise vocacional que sofremos hoje, mas, também, da vontade de retomar o nosso carisma, que a Igreja nos confirmou. As diferenças entre os três ramos, hoje, têm a ver com regulamentos internos como a forma de eleger o provincial, por exemplo. O estudo é igual e obrigatório para todos os que se tornam padres. Quase todos temos ou casas ou conventos e todos temos responsabilidades temporárias e que nunca são para a vida.
Sentem-se bem recebidos em Coimbra?
Sim, muito bem. Estamos também em Viseu e em Lisboa, onde estive 14 anos, e também aí somos muito bem recebidos, não só pelo povo mas também pelo clero local.
Que impressões que guarda desta paróquia que acompanha, das pessoas, da sua participação na vida da Igreja?
Diria que o povo é mais religioso do que em Lisboa e há uma frequência religiosa maior. Contudo acho que, na cidade de Coimbra, por comparação com zonas mais rurais, a prática é diferente. Nós temos também, a nosso cargo, a reitoria do Dianteiro, Casal do Lobo, Rocha Nova e há diferenças entre as pessoas que vivem nas aldeias e as que vivem aqui, na cidade. As pessoas das aldeias sentem mais a Igreja como deles. Aqui, nos Olivais, sente-se o peso de uma paróquia que está a envelhecer. Temos mais de 300 crianças na catequese e houve 63 crismas este ano, mas já não se vêem casais jovens É uma paróquia que começa a ter os primeiros sinais de envelhecimento e isso vê-se até nas pessoas que frequentam a Igreja. Há um grupo de pessoas muito activas e penso que os frades que cá estiveram nos últimos 30 anos fizeram um trabalho excepcional, fantástico. O conselho pastoral funciona, o grupo de catequistas tem colaboradores extraordinários, há o coro, o apostolado da oração. É uma paróquia viva mas sente-se já o cansaço dos anos. Sente-se a necessidade de que as pessoas voltem a conhecer-se mais, mesmo humanamente, sem esquecer a formação para que o culto seja mais vivo e se transforme em caridade. De ano em ano, vamos construindo um projecto pastoral para que haja dinamismo. Este ano, optámos por uma forma nova de evangelização que passa pela lectio divina. No começo, dentro da Igreja, a resposta foi muito morna, apareceram 30 ou 40 pessoas e decidimos, a partir da Quaresma, que ela seja feita nas casas. Criámos 6 lugares, sendo quatro casas de pessoas particulares. Assim, o número de participantes aumentou porque cada grupo tinha 10, 15, 18 pessoas. Foi uma óptima caminhada e, depois, fizemos a conclusão todos juntos. Temos a consciência clara de que é preciso encontrar formas para ir de encontro às pessoas. A Igreja não pode continuar à espera. As pessoas precisam de se conhecer e de sentir que a fé é qualquer coisa que toca na carne. Pode ser duro mas tem que ser assim.
Referiu a falta de vocações. É difícil ser franciscano?
Penso que não é difícil ser franciscano. Hoje, é difícil ser cristão. Acho que isto vale para Coimbra, para Lisboa, para Itália. A religião vive mas a fé está a definhar. Tenho um colega que diz que a religião cria escravos e que a fé cria homens livres. As pessoas, apesar de continuarem muito dentro da religião, sentem-se presas. A falta de vocações, também franciscanas, acontece porque a nossa fé está a diminuir e as escolhas de fé são difíceis hoje em dia. Quando se propõe a nossa fé a um jovem é-lhe explicado que nada é nosso. Para onde vamos, nunca nos faltará nada mas, numa sociedade onde as pessoas querem o "meu", pensar em viver um estilo de vida onde nada é nosso… é difícil. Mas isto é evangélico.
O turismo religioso tem expressão aqui?
Houve uma altura de muito afluência, o ano passado houve uma pausa e agora o movimento voltou, também pelo nascimento do Centro de Estudos sobre Santo António. O turismo religioso é, sobretudo, irlandês, sendo algum italiano, francês e espanhol. As visitas passam em Fátima, vêm agora ao memorial da Irmã Lúcia e depois a Santo António. De Portugal, em grupos organizados, não vêm muitas pessoas. Cá, Santo António é um santo popular e o que é realizado à volta dos santos populares é muito particular.
Esse tipo de devoção popular é negativo?
Existe hoje muito esta questão: como é possível utilizar a devoção popular para evangelizar? É um desafio enorme e que levanta muitas dificuldades Antes, o povo tinha fé e ela dava vida às procissões. Hoje, mantemos vivas as procissões e não há fé. Não duvido que muitas pessoas que vêm a procissão tenham fé mas tenho algumas dúvidas que possa ressuscitar-se a fé através destes ritos.
É importante utilizar uma nova linguagem?
Nós, padres, não temos nada de poderoso. Temos somente uma força que é a palavra. Temos que conseguir usar uma palavra que toque nos corações. Sem isso, estamos a fazer o quê? Ritos? Sem isso, somos apenas funcionários e fazemos uma pastoral de manutenção. Talvez o cristianismo tenha que regressar às origens para renascer e tenha que voltar a estar nas casas e perto das pessoas.

Calçada de Santo António inaugurada Quinta-feira à noite


A Comissão de Toponímia da Câmara Municipal de Coimbra, atribuiu o nome de Calçada de Santo António a próxima artéria da cidade que vai ser inaugurada na próxima Quinta-feira, pelas 21 horas, em Santo António dos Olivais.

A cerimónia de descerramento da placa toponímia de homenagem ao padre Franciscano ocorrerá na rua que parte da Calçada do Gato, para norte, sem saída (atrás da "Diaton") e está integrada num mais alargado programa de festejos em honra de Santo António, que a Junta de Freguesia e a paróquia de Santo António dos Olivais promovem nos próximos dias.
A esta cerimónia, que terá como orador Frei Domingues Celebrin, segue-se uma actuação do Coro dos Antigos Orfeonistas do Orfeon Académico de Coimbra, às 21h30, no Anfiteatro de Santo António dos Olivais.
Fernando Martins Bulhões nasceu em Lisboa a 15 e Setembro de 1191 e faleceu em Arcella, nos arredores de Pádua, a 13 de Junho de 1231. Franciscano, foi canonizado por Gregório IX em 1232 e, em 1946, Pio XII dá-lhe o título de Doutor Evangélico.
Santo António é um grande Homem da Cultura, que encerra também uma forte componente devocional. Um santo de dimensão quase lendária que, desde o séc. XIII até à actualidade, se conservou na memória das gentes, que divulgou a sua história, esculpiu a sua imagem, estando presente na literatura, nas igrejas, casas particulares, estabelecimentos comerciais...
Após a chegada a Santa Cruz dos mártires de Marrocos, Fernando, tomado pelo desejo de se tornar mártir por amor a Cristo, decide passar um período de noviciado nos Olivais, em Coimbra, acabando por trocar o hábito de Cónego Regrante de Santo Agostinho pelo de S. Francisco, sendo no Eremitério dos Olivais que adoptou o nome de "António", em homenagem a Santo Antão.
Em 1220, parte para o Norte de África em missão apostólica. No ano seguinte adoeceu gravemente e quis regressar a Portugal, mas uma violenta tempestade desviou o barco para Messina. Desta forma, ficou em Itália dedicando-se completamente ao ideal de S. Francisco: a pobreza, a austeridade, a humildade, o jejum e a oração. Foi um pregador culto conhecido pela sua dedicação aos pobres.
Há um costume que é muito praticado pela Igreja e pelos fiéis. Todos os dias 13 de Junho – dia de Santo António – as igrejas distribuem aos pobres os famosos pãezinhos de Santo António. A tradição diz que esse alimento deve ser guardado, como garantia de que não faltará comida durante todo o ano. O pão não mofa, mantendo-se íntegro pelo período de um ano.

Fé e Compromisso


A DUAS VELOCIDADES
José Dias da Silva

Tive oportunidade de participar, embora parcialmente, em dois espaços de reflexão. Um, dedicado às relações entre cristianismo e islamismo, abordou várias e complexas questões que, caso não sejam resolvidas no respeito pela dignidade das pessoas e dos povos, desaguarão em problemas muito graves para o futuro imediato e deixarão as próximas gerações em situação muito difícil. O outro debruçou-se sobre graves problemas que já hoje atingem, mesmo em Portugal, milhões de pessoas. Organizado pela Comissão Nacional Justiça e Paz, analisou a problemática da pobreza no contexto do desenvolvimento e os números apontados foram verdadeiramente dramáticos sobretudo para quem percebe que por detrás de cada um daqueles frios números está uma pessoa concreta e situada, com as suas alegrias e tristezas, esperanças e angústias.
Vim de lá preocupado com a gravidade da situação, sobretudo porque muitas das denúncias feitas e das questões levantadas já foram publicitadas, talvez não da melhor maneira, mas são sobejamente conhecidas.
Estou a referir tudo isto porque, saído destas câmaras de reflexão e sensibilização, verifiquei um contraste enorme com as preocupações correntes que vimos, ouvimos e lemos. Quais são as grandes questões do nosso Pais, ou, pelo menos, as que preocupam a opinião pública? Há questões mais jocosas que sérias: a proclamação oficial de que o sul do Tejo é um deserto; os supostos comportamentos estalinistas de Marques Mendes; a questão de saber se Sócrates é engenheiro ou engenheiro técnico; a data das eleições para Lisboa cuja escolha terá sido para favorecer o PS, tramar os independentes ou não atrasar a governação de um câmara cuja situação parece mais do que lastimosas; ou a pítica questão de saber se a greve foi geral ou parcial.
Há questões sérias que se tornaram jocosas, mas que não têm graça nenhuma: a zelosa directora que castigou um contador de anedotas sem sabermos se o fez para cair nas boas graças do patrão, por dever de consciência profissional ou simplesmente porque não gosta de anedotas; ou a telenovela da Ota. Este assunto tem-se apresentado segundo um esquema muito nosso e que se caracteriza por um ciclo em quatro actos. Primeiro acto destaca a bondade do projecto: 30 anos de estudos acabaram por apontar a Ota; sucessivos governos de cores diferentes aprovaram a ideia; gastaram-se muitos milhões em preâmbulos. Segundo acto refere-se ao tempo de decisão: o governo, de acordo com esta avaliação, toma a decisão de actuar. Terceiro acto implementa a recusa: um político, que antes aprovara pelo menos pelo silêncio, argumenta, agora, com as dúvidas surgidas nos jornais ("vem no jornal; logo, é indiscutível" era um dogma que há meio século eu já ouvia na minha aldeia; na altura o jornal era O Amigo do Povo); multiplicam-se estudos, análises científicas, artigos de opinião, lobbies orquestrados para um lado e para outro. Quarto acto aponta para novo período de reflexão: vamos voltar aos estudos, definir os critérios políticos, fazer debates, ouvir a opinião pública, interrogar os técnicos. Quinto acto: depois de tudo bem estudado, debatido, aprovado, vamos reiniciar o ciclo, voltando ao Primeiro acto, pois sempre haverá um outro hipotético lugar que não foi considerado, sempre surgirá um estudo técnico que contestará a solução encontrada. É que, de um modo geral, os estudos técnicos servem não tanto para analisar objectivamente a realidade, mas muito mais para fundamentar uma opinião pré-definida. Na II guerra mundial nasceu o famoso slogan "A ciência é prostituta da guerra". Hoje ainda o é, só que os clientes aumentaram.
Mas há problemas sérios tratados seriamente embora de modo parcial. Refiro, por exemplo, o caso da menina inglesa desaparecida no Algarve. Trata-se de algo muito doloroso que cada pai ou mãe podem imaginar. Daí a importância que tem esta luta dos pais para que o assunto não caia no esquecimento. Tudo o que se ganhar nesta situação é ganho para futuras situações análogas.
Certamente que estamos todos solidários com os pais e com tudo o que se faça. Pena é que não tivéssemos esta mesma atitude com o Rui Pedro e a sua família. O drama foi o mesmo. As dores foram as mesmas. As angústias foram as mesmas. Só não foi a mesmo a mobilização policial. Não foi o mesmo apoio a uma família destroçada. E é pena que não aproveitemos agora esta onda de solidariedade (até porque as ondas tanto vêm como vão) com as crianças em dificuldades para agilizar a nossa legislação quanto à adopção, acabar com a potencial ditadura dos pais biológicos, acautelar expatriações idiotas, tendo como prioridade absoluta o bem da criança, de cada criança.
Pena é também que não tenhamos a mesma atitude para com os milhares de crianças que todos os dias morrem de fome (um bica chegaria para as salvar desta morte) ou de doenças perfeitamente evitáveis. Bastam apenas 5 dólares (de uma só vez e não 750 dólares por cada hora) para uma vacina e ter-se-ia salvo uma criança dando-lhe a oportunidade de vir a ser um adulto saudável e quem sabe um dos grandes vultos da história como um Mandela ou um Xanana.
Ouvi, na Conferência sobre a pobreza, que 40% dos nossos pobres são empregados e 30% são reformados, que continuamos com 2 milhões de pessoas pobres, que 47% das famílias portuguesas viveram pelo menos um ano em situação de pobreza nos últimos cinco anos. Números violentos? Não. "Apenas" milhões de pessoas violentadas na sua dignidade, privadas de qualidade de vida e excluídas da construção do futuro, do seu e do nosso.
É, portanto, tempo de nos preocuparmos com assuntos verdadeiramente sérios que afectam tanta gente neste país e por esse mundo fora, até porque todos sabemos que a luta contra a pobreza é um combate que se pode vencer, como se venceu a escravatura. Só precisa de vontade política. Só precisa de uma opinião pública que force governantes, forças económicas, organizações religiosas e cívicas e egoísmos pessoais a dar a máxima prioridade à dignidade da pessoa, de cada pessoa, tornando a nossa sociedade cada vez mais justa, mais solidária e mais humana.

Encerramento do ano na Escola Diocesana de Leigos


No próximo dia 22, na Figueira da Foz, a Escola Diocesana de Leigos encerrará mais um ano de trabalho e actividades, contando com a presença de muitos dos cristãos da Diocese que ainda frequentam esta proposta formativa ou já a tenham concluído num encontro presidido pelo Sr. D. Albino.
Criada em 2002, decorrente do Plano Pastoral Diocesano, a escola abriu o pólo de Coimbra, que vai no segundo curso; o pólo de Pombal, e de Cantanhede onde já se concluiu a formação; o pólo de Oliveira do Hospital, que concluirá no próximo ano; e o pólo da Figueira da Foz, que vai no segundo ano de funcionamento.
Cinco anos volvidos, e com a avaliação do Plano Pastoral que a Diocese irá fazer, também a Escola de Leigos irá avaliar o seu desempenho e a adequação da proposta que fez à realidade da Diocese, bem como o grau de consecução dos objectivos iniciais.
Contrariamente ao que se possa pensar, nunca foi objectivo proporcionar uma primeira evangelização, mas um aprofundamento da fé cristã numa linguagem crítica e actual que desencadeasse, sobretudo aos agentes de pastoral, uma maior e mais esclarecida corresponsabilidade eclesial.
Pelo testemunho de alguns leigos que passaram pela escola, foi um desafio exigente mas muito gratificante, que compensou todos os sacrifícios. Efectivamente, dispor de um ou dois dias por semana, durante três ou seis anos, com deslocações (algumas consideráveis), em período pós laboral, só por grande amor e dedicação à Igreja. Estou certo de que a renovação da Igreja não passa por grandes concentrações e manifestações mediáticas. Também são necessárias, mas num mundo globalizada e do culto do imediato, o que fica é a matriz do Evangelho e essa reveste a perseverança, a simplicidade, a discrição sincera, o compromisso autêntico com a comunidade.
Um dos aspectos metodológicos presente foi a flexibilidade da formação em função das disponibilidades das pessoas, podendo frequentar um ou dois dias por semana. Por esta razão, concluem este ano o seu curso geral sete leigos que iniciaram no primeiro ou segundo ano de funcionamento da escola. As paróquias de Santa Cruz e de São José, de Coimbra, de Torre de Vilela e de Poiares podem contar com cristãos já empenhados mas, estou certo, mais esclarecidos. É evangelizador o testemunho da persistência e clareza de objectivos destes cristãos.
Durante o próximo ano, a Escola irá fazer uma proposta diferente a toda a Diocese, num compromisso com a maior e mais eficaz organização das paróquias: será apresentado um pequeno curso para elementos dos Conselhos Económicos. Em cada Região pastoral, durante a manhã de quatro sábados, serão reflectidos temas importantes relacionados com a acção prática deste importante organismo paroquial.
Para quantos queiram participar no Encontro de Encerramento, a realizar na cidade da Figueira da Foz, fica o programa do dia 22 de Junho: acolhimento (17,30h, no auditório da Santa Casa da Misericórdia da Figueira da Foz); reflexão sobre a Exortação Apostólica de Bento XVI sobre a Eucaristia, proferida pelo Sr Dr. Alberto Seiça (18,00h); eucaristia e entrega de diplomas (19,30h na Igreja da Santa Casa da Misericórdia); jantar (20,30h, no restaurante Stella Maris, em Buarcos). Para o jantar é necessária prévia inscrição, pelo telefone 966018012. Apelo à presença dos ex-alunos da escola para este momento informal de convívio e partilha.

Manuel Carvalheiro

Escola Diocesana de Música Sacra

Em 10 de Junho, a Lousã acolheu alunos e professores da Escola Diocesana de Música Sacra (EDMS) que ali se deslocaram para o encerramento do XVI ano de actividade escolar.
O primeiro e mais importante momento de encontro da EDMS com a comunidade da Lousã foi a celebração solene da Santa Missa, transmitida em directo pela Estação de Rádio local. Presidiu à celebração o pároco, Pe Luís Pinho, tendo a seu lado o Pe Augusto Frade director da EDMS. O coro da Escola, dirigido e acompanhado ao órgão, respectivamente, pelos professores Dr. Alberto Seiça, Dr. Rui Vilão e a aluna Soraia (da Lousã), assumiu a parte do canto.
À tarde, pelas 15 horas, juntaram-se para um recital de música sacra, na igreja matriz, os coros litúrgicos de Lousã, Foz de Arouce, Vilarinho, Semide e o coro dos alunos da EDMS. De início, o director da Escola deu uma explicação do que se iria fazer e justificou a presença de alunos e professores. «Viemos, disse, para dar a conhecer melhor uma instituição diocesana criada propositadamente para "apoiar as comunidades cristãs, de modo particular as paroquiais, em ordem à valorização da música nas celebrações litúrgicas
O programa iniciou com música de órgão executada por 3 finalistas. Seguidamente, actuaram os alunos das classes de canto gregoriano e de direcção. Em terceiro lugar intervieram os 4 coros paroquiais a quem o director da EDMS lembrou a principal função de um coro litúrgico, isto é, estimular e conduzir a participação da assembleia na acção litúrgica. Isto consegue-se com uma formação adequada (espiritual, litúrgica e técnica) para que possam cantar bem. O grupo coral, disse, "não vai à igreja para se exibir nem para distrair o povo, mas para prestar um serviço à comunidade reunida, ajudando-a a orar melhor, cantando". Em último lugar actuou o coro dos alunos, sob direcção do Pe Pedro Miranda.
Na presença de uma numerosa assistência, aos 6 finalistas foi entregue o respectivo Diploma do Curso Geral. Uma nota a registar: pela primeira vez houve exame final da classe de órgão; três finalistas receberam também o certificado de aprovação nessa área.
Houve festa, seguida de convívio no salão paroquial. Cada grupo se esmerou em cantar bem. E receberam merecidos aplausos. Houve sã alegria e participação. O encontro terminou com o cântico «Deixo-vos a paz, dou-vos a minha paz» cantado, a 4 vozes, pelos cerca de 80 coralistas presentes. Foi belo, muito belo. Abriu o apetite para outros encontros.
Estão abertas as inscrições para o ano 2007 / 08: no Seminário de Coimbra, no Secretariado da Catequese e na Redacção do Correio de Coimbra.

Agrupamento de Ceira comemora 40 anos de escutismo

No dia 10 de Junho, o agrupamento de Escuteiros de Ceira comemorou oficialmente o seu 40º aniversário. A Eucaristia, celebrada com a comunidade, e a entrega de condecorações a alguns dirigentes foram os pontos altos de um dia que contou com a participação de antigos escuteiros, de representantes de associações e colectividades locais, de representantes da Junta de Freguesia e da Câmara Municipal e ainda do chefe nacional, Luís Lidington. A um dos antigos chefes de agrupamento, Hélder Santiago, elemento fundamental na fundação do agrupamento e ainda parte do seu efectivo, foi entregue a mais alta distinção do escutismo, o colar Nun’Álvares, pelo seu empenho, dedicação e exemplo.
Composto, actualmente, por 180 membros, o agrupamento fez festa pelos "40 anos a fazer o escutismo acontecer", lema das comemorações. Escola de crescimento em valores humanos e cristãos, espaço de desenvolvimento físico, intelectual e moral, de respeito pelo progresso individual, de realização de projectos e de sonhos, de vida ao ar livre e de actividades de serviço ao outro, o agrupamento foi louvado pelas entidades oficiais presentes como importante para a freguesia e para a região.
O dia contou ainda com uma visita à sede do agrupamento, erguida pelos escuteiros, depois de 11 anos de trabalho e esforço comuns.

Pastoral Juvenil propõe uma semana diferente no Verão


O Secretariado Diocesano da Pastoral Juvenil (SDPJ) propõe, este ano, aos jovens da diocese, uma semana diferente, vivida em partilha, em oração e, sobretudo, segundo um espírito de serviço aos outros. O Campo de Trabalho, que irá acontecer na aldeia de Campelo, de 24 a 30 de Julho, destina-se aos jovens com mais de 16 anos que se disponham a servir as pessoas de uma pequena comunidade, alternando o trabalho com tempos de convívio, de jogo e de vivência cristã.
As inscrições podem ser feitas até ao dia 30 de Junho através do e-mail info@sdpjcoimbra.net, contacto através do qual podem ser pedidas mais informações, disponíveis também na página electrónica http://www.sdpjcoimbra.net. O preço de participação individual na actividade será de 20 euros.

Concerto do Padre João Paulo Vaz reúne fundos para sede de escuteiros de Penela

No dia 7 de Junho, feriado do Corpo de Deus, nas muralhas do castelo de Penela ecoou a música do padre João Paulo Vaz, num concerto organizado pelo agrupamento de escuteiros em formação da vila. Os lucros do espectáculo reverteram para a construção de uma sede para os escuteiros, que subiram ao palco para agradecer o apoio das cerca de 400 pessoas ali presentes.
Em forma de testemunho de fé, as melodias e as letras, foram sendo intercaladas com palavras de louvor e de oração, e provocaram as palmas e as vozes de quantos partilharam sentimentos e ideais, no palco ou fora dele.
A festa fez-se também de convívio, ajudado pela barraquinha, montada pelo agrupamento, de venda de comes e bebes. Durante o concerto foram sorteados três prémios, atribuídos a três compradores de bilhetes para o espectáculo, previamente numerados.
A iniciativa foi apoiada pela Câmara Municipal de Penela e pelas Juntas de Freguesia da Cumieira, Espinhal, Podentes, Rabaçal, Santa Eufémia e São Miguel. No dia 8 de Junho, o padre João Paulo Vaz actuou também nas Meãs para cerca de 200 pessoas, num espectáculo organizado com a colaboração dos jovens da paróquia.

Consagrados seculares reúnem-se em Fátima


Os consagrados seculares vão realizar um encontro de formação, oração e convívio, no próximo dia 16 de Junho, para celebrar os 60 anos da Provida Mater Ecclesia, Constituição Apostólica promulgada por Pio XII, a qual abriu caminho à consagração secular.
O tema do encontro, Profetas da Esperança numa Sociedade Secularizada, será apresentado por D. Augusto César Alves Ferreira da Silva.
Será realizado em Fátima, na Casa dos Retiros do Instituto Secular das Cooperadoras da Família, Rua Mons. Joaquim Alves Brás, e é aberto aos que quiserem participar desta acção memorial, com os consagrados seculares.

Feira Medieval de regresso à Sé Velha

O cenário não podia ser melhor. Com a Sé Velha a servir de cenário para o negócio mercantil, que outrora, fora protagonista deste acontecimento. Estamos a falar da Feira Medieval, que uma vez mais, levou centenas de figurantes e visitantes, no passado sábado ao Largo da Sé Velha.




Organizada conjuntamente pela Delegação de Coimbra do Inatel, pela Câmara Municipal de Coimbra e pela Associação para o Desenvolvimento e Defesa da Alta de Coimbra, a XVI Feira Medieval cumpriu os objectivos que se impôs há muito. De realçar à celebração da Eucaristia na Sé Velha, presidida pelo Mons. João Evangelista (pároco da Sé), acompanhada por canto gregoriano e polifonia Medieval pelo Grupo Vocal e Instrumental da Academia Martiniana que deu um contributo espiritual a esta jornada cultural. Monsenhor João Evangelista aproveitou a ocasião para apresentar o monumento da Sé Velha e a importância que tem para a cidade.
Seguiu-se a bênção e leitura da Carta da Feira com toque de trombetas que marca a abertura deste evento.
Da abertura ao encerramento, o Largo da Sé voltou a acolher no sábado uma jornada cultural onde participaram diversos grupos que promoveram a animação permanente, entre saltimbancos, fantoches, bobos, cuspidores de fogo, e malabaristas, e onde também marcaram presença as diversas actividades artesanais ao vivo, pelas mãos de artesãos do concelho, que levaram petiscos e trajos medievais.
Entre a profusão de tendas no Largo da Sé Velha, mostraram-se e comercializaram-se produtos hortícolas e seus derivados, entre frutas, legumes, ovos, queijo, enchidos, aves, pão, cereal em grão, mel, vinho, e outros utensílios característicos da Idade Média.



Basilius, o mendigo solidário
A figura, andrajosa e coberta de chagas – a impressionar ainda e sempre pequenos e adultos –, transformou-se numa presença certa no largo da Sé Velha, tão certa como as trombetas anunciam mais uma reconstituição da Feira Medieval de Coimbra. Tanto assim é que Basilius – mendigo e profeta –, a personagem que o actor Joaquim Basílio já vestiu vezes sem conta, ultrapassou há muito as fronteiras da Sé Velha de Coimbra, para seguir por caminhos longos, um pouco por todo o país.
E em todos os caminhos, a solidariedade é a força que move o homem e que volta, uma vez mais e sempre, a dar alento e voz ao mendigo que pede, não para si, mas para os outros, que são muitos e que precisam de toda a boa-vontade que é ainda possível encontrar.
Desta vez, todo o provento que conseguiu juntar nas voltas que deu ao íngreme Largo da Sé, 265 euros, Basilius irá repartir entre a Casa dos Pobres de Coimbra e o Colégio de S. Caetano, antigo Colégio dos Órfãos de Coimbra.

“Media, conflitos armados e segurança” em debate na Faculdade de Economia


No âmbito do projecto "Rostos Invisíveis", decorre a 20 de Junho na Sala Keynes da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra, uma oficina de trabalho destinada a jornalistas sobre o tema "Media, conflitos armados e segurança".
O debate, promovido pelo Núcleo de Estudos para a Paz do Centro de Estudos Sociais da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra e pelo Instituto Marquês Valle Flor a partir das 10h00, pretende abordar a cobertura mediática de fenómenos de violência, quer macro social (guerra) quer micro-social (violência urbana, violência doméstica), incidindo também sobre o tratamento jornalístico do envolvimento do sexo feminino em contextos de violência.
"Media, conflitos armados e segurança" contará com as intervenções de Tatiana Moura, do Centro de Estudos Sociais; Pedro Caldeira Rodrigues, jornalista e mestrando em História e Cultura Europeia Contemporâneas pela Faculdade de Letras da Universidade Clássica de Lisboa; Diana Andringa, jornalista; e Rita Basílio, doutoranda em Jornalismo pelo Instituto de Estudos Jornalísticos da Universidade de Coimbra.

Dê sangue em S. José


A Associação de Dadores de Sangue de Coimbra organiza uma recolha de sangue, na Igreja de S. José (no salão de festas), no dia 17 de Junho, das 9h às 13h. Todas as pessoas saudáveis, dos 18 aos 65 anos, que pesem mais de 50 kg podem doar sangue. No local, estará uma equipa do serviço de Imunohemoterapia dos Hospitais da Universidade de Coimbra, composta por médicos, enfermeiros e técnicos.
"Para que seja possível salvar mais vidas", a associação promotora da recolha apela à participação de todos os que possam doar sangue, lembrando que "o sangue humano não tem substituto e que não se produz em laboratório como os medicamentos".