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24 de março de 2009

Adeus a Brito Cardoso


Mário Nunes*

Por motivos de saúde, segundo nos informaram, o Cónego Doutor António Brito Cardoso deixara de colaborar, como era seu hábito, há muitos anos, em o Correio de Coimbra. Lamentámos que um historiador da Igreja Católica, com acentuado pendor nos valores da Diocese de Coimbra, em diferentes áreas da sua jurisdição, e abrangendo muitos séculos de existência, findasse a sua agradável e científica colaboração. Hoje, Domingo, lemos com pesar, que as suas investigações, interpretações, leituras e redacção de textos acabaram, definitivamente. A morte chegou e com ela fechou-se o ciclo terreno da vida de Brito Cardoso.
Por razões óbvias, dialogámos e trocámos pontos de vista históricos e sociais com o Doutor Brito Cardoso. Inúmeras vezes nos deslocámos ao Arquivo do Seminário e, ali, encontrámos, sempre, debruçado sobre livros e papéis amarelecidos e amarrotados ou até difíceis de ler pela impiedade do tempo, o escritor, mas sobretudo, o historiador de imensa obra editada, respeitante a Bispos, Diocese em si própria, santos, colegas sacerdotes, encíclicas papais, documentação inerente à criação e evolução do território jurisdicional e religioso da Diocese, criação de bispados, alusão a eventos relacionados com o clero, património monumental, inventário de bens, formulação de índices bibliográficos e tanto e tantos outros textos que preenchem centenas de páginas dos livros e brochuras que elaborou e publicou. A maioria das obras estão esgotadas. Nós possuímos, graças à sua amizade, alguns desses volumes, oferecidos com expressivas e imerecidas dedicatórias.
De lhaneza de trato, simpático, conversador, apaixonado pela História, dava os seus passeios, quer no jardim do Seminário, quer nos corredores - longos - que se semeiam no interior do edifício. Algumas vezes fomos companheiros de mesa na refeição do refeitório da Instituição, quando nos convidaram a partilhar o momento material e também espiritual que acontece naquele lugar.
Com mágoa vemos partir para a vida eterna o Cónego Brito Cardoso. E, dizemos com pesar, porque há pessoas, por mais espaçados que sejam os encontros esporádicos que tenhamos com elas, marcam-nos e jamais as esquecemos. Aconteceu connosco no tocante ao Doutor Brito Cardoso. Por isso, nesta hora de desapego terreno da sua pessoa do mundo dos vivos, deixamos a nossa prece, sentida, para que Deus o tenha em sua glória e ali permaneça vigilante e activo continuando a grandeza da sua acção clerical, humana e de riqueza intelectual e espiritual. Paz à sua alma.

*(Vereador da Cultura
Câmara Municipal de Coimbra)

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