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29 de abril de 2008

Promover uma ética da comunicação




Na sua mensagem para o Dia Mundial das Comunicações Sociais, a celebrar no próximo domingo, o Papa Bento XVI dá um contributo apreciável para uma necessária reflexão sobre a presença ou a ausência de uma consciência ética, que deve conduzir à constituição de um código ético que sirva de referência a todos os integram este mundo incomensurável da comunicação. O Papa chega mesmo a propor que, tal como se foram impondo regras no campo da pesquisa científica relacionada com a vida humana, dando corpo a uma bioética, se comecem a adoptar medidas tendentes à criação de uma "infoética" que estabeleça princípios para um correcto uso dos meios informativos.
Bento XVI reconhece que os meios de comunicação, "graças a uma vertiginosa evolução da tecnologia", têm dado um contributo enorme para o progresso social. Sem esse contributo, "seria verdadeiramente difícil favorecer e melhorar a compreensão entre as nações" e "conferir uma dimensão universal aos diálogos de paz". Nem se esquece que os "media" têm sido, em muitos casos, "instrumentos ao serviço de um mundo mais justo e solidário".
Mas há também o reverso da medalha, pois muitas vezes os poderosos meios de comunicação são transformados em "sistemas que visam submeter o homem a lógicas ditadas pelos interesses predominantes", tentando-se até "legitimar-se e impor modelos errados de vida pessoal, familiar e social".
Perante tudo isto, a humanidade (as instituições internacionais, os areópagos dos povos, os legisladores, nós próprios que a constituímos) deve "interrogar-se se é sensato deixar que os instrumentos de comunicação social se ponham ao serviço de um protagonismo indiscriminado, ou acabem em poder de quem se serve deles para manipular as consciências". E pergunta o Papa: "Não se deveria, antes, fazer com que permaneçam ao serviço da pessoa e do bem comum, e favoreçam a formação ética do homem e o crescimento do homem interior?" Quase como que dando resposta à sua própria pergunta, o Papa escreve que é necessário "reafirmar que nem tudo aquilo que for tecnicamente possível é eticamente praticável".
De facto, "o papel dos meios de comunicação é hoje considerado parte da questão antropológica", pois, "de modo semelhante ao que verifica no sector da vida humana, do matrimónio e da família, e no âmbito das grandes questões contemporâneas relativas à paz,, à justiça e à defesa da criação, também no sector das comunicações sociais estão em jogo dimensões constitutivas do homem e da sua verdade".
Ninguém ignora, no entanto, que, "quando a comunicação perde as amarras éticas e se esquiva ao controlo social, acaba por deixar de ter em conta a centralidade e a dignidade inviolável do homem". É por isso que Bento XVI, afirmando que "a busca e a apresentação da verdade sobre o homem constituem a vocação mais sublime da comunicação social", aponta para a necessidade do surgimento de uma "infoética", à semelhança da "bioética no campo da medicina e da pesquisa científica relacionada com a vida".
A proposta do Papa, todos o reconhecemos, é tremendamente difícil de realizar. Mas, por isso mesmo, penso que se trata de uma proposta aliciante, altamente sedutora e a exigir o compromisso de todos os que continuamos a defender o primado da dignidade humana.



A. Jesus Ramos

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