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12 de novembro de 2008

DEMOCRACIA E CRISTIANISMO


O que é o CADC?


João Caetano*

É com muito gosto que inicio hoje, na minha qualidade de presidente da Direcção do CADC (Centro Académico de Democracia Cristã), uma colaboração, que espero que venha a ser muito frutuosa, no Correio de Coimbra. Na verdade, não serei só eu a escrever, mas várias pessoas. Nunca o CADC foi de uma só pessoa, nem ninguém o criou seu e só seu. O CADC é, como sempre foi, uma associação de estudantes, professores e investigadores católicos que sabem pensar pela sua cabeça e, sempre que necessário, sabem ser corajosos no espaço público, sem prejuízo da sua fidelidade à Igreja.
O Correio de Coimbra está íntima e visivelmente ligado à história do CADC. Poderia dar muitos exemplos, e exemplos visíveis, da nossa presença no Correio de Coimbra. Mas hoje vou dar só um exemplo. Aqui escreveu o P. Urbano Duarte, que eu ainda conheci e que foi, durante vários anos, assistente eclesiástico do CADC. Teve ele uma coluna famosa no Correio de Coimbra, que se intitulava "Sintomas". Ora muitas contradições do nosso tempo são sintomas. O que significa, por exemplo, a discussão em torno da proibição dos crucifixos nas escolas? Não é estranho que muitas escolas católicas, apenas porque são boas escolas, e apesar de terem crucifixos, sejam procuradas por pais que combatem a presença da Igreja no espaço público? Por que será que as escolas públicas não podem ter crucifixos? Será que é porque infelizmente são menos seguras e se destinam, crescentemente, aos filhos das famílias menos afortunadas? Será que essas pessoas não sabem pensar pela sua cabeça? O Estado deve ser laico, mas a sociedade não é laica. E é bom que seja livre.
Como ontem no-lo lembrava S. Paulo, na missa, a Igreja necessita de ser visível. Também o CADC, como associação de mulheres e homens livres, pretende ser visível, através da sua reflexão e da sua acção, na certeza de que os seus ideais, adaptados ao nosso tempo, são os ideais da Igreja.
As mais recentes descobertas científicas do neurobiologista António Damásio mostram duas coisas: que a liberdade humana existe e que a ética é muito conveniente para a vida humana. Nas suas palavras, existe "sobrevida com bem-estar" nas sociedades sempre que as pessoas, reconhecendo que são livres, fazem bom uso da sua liberdade, porque os comportamentos humanos só são eficientes se forem éticos.
Não é eticamente aceitável, por exemplo, que alguém, apenas porque lhe apetece, construa uma casa ou faça uma lei de qualquer maneira. É bem o exemplo do que se passa no campo das ciências da vida. Ora um sócio nosso, o Dr. Jorge Biscaia, foi, na semana passada, condecorado pelo presidente da República, juntamente com outras personalidades de grande relevo científico, pelos seus trabalhos pioneiros no campo da bioética em Portugal. É uma excelente razão para que nos congratulemos e associemos, no dia 15 de Novembro, ao Encontro celebrativo dos 20 anos do Centro de Estudos de Bioética (CEB) e dos 80 anos do Dr. Jorge Biscaia.
O Dr. Jorge Biscaia é sócio do CADC há mais de 60 anos. Tornou-se sócio quando ainda era estudante liceal. Mas foi já como estudante universitário que, durante vários anos, exerceu funções directivas na nossa associação. Ele é uma das nossas grandes referências vivas. Toca-me o coração o amor que ele devota ao CADC, a ponto de ter sempre ideias notáveis para o fazerem ressurgir. No meu discurso de tomada de posse, em Março deste ano, referi expressamente as suas palavras: "Não esqueça os estudantes." A frase ressoa ainda com a novidade de quem não pode trair a verdade.
A bioética, outro grande amor do Dr. Jorge Biscaia, levou-o a partilhar a fundação do CEB, há 20 anos, com o mesmo entusiasmo com que militara no CADC. O CEB está sediado na casa mãe do CADC, na Couraça de Lisboa, em Coimbra, onde tem lugar agora o Encontro. E é das suas actividades em Coimbra que sairá vida para o novo Círculo da Bioética do CADC, que, a par de outros Círculos, recria as suas antigas obras que o Dr. Jorge Biscaia ajudou a expandir.
Sabemos que a Igreja passará um dia, mas, enquanto isso não acontecer (assim como não nos é dado comer do fruto proibido, não nos é dado saber quando será o fim do mundo…), devemos trabalhar, com a certeza de que a Graça de Deus não nos faltará. Assim também não nos falte a vontade dos homens.


*(Presidente da Direcção do CADC)

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