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12 de novembro de 2008

Inventariação da Paróquia de Sebal


José Eduardo R. Coutinho

Entenderam os reverendíssimos padres do arciprestado de Condeixa proceder ao registo de todos os bens, móveis e imóveis, das paróquias que pastoreiam, a fim de cada comunidade local ter salvaguardado e protegido o vário património que lhe pertence.
O facto, que constitui uma louvável acção pastoral, fundamentada in re, concretiza medidas nem sempre tidas na devida conta, porém, são a imprescindível base de partida para a justa encarnação da fé, nas dimensões historicamente situadas.
A tarefa começou em Sebal e, apesar de já contar algum anterior levantamento, elementar e parcial, ficou completada, no passado dia 11, deste mês, com um total de 101 novas fichas, referentes à igreja matriz e às capelas, todas integrando a componente descritiva e a fotográfica.
Pela primeira vez, houve um activo acompanhamento, no decurso destas acções, principalmente personalizado no senhor Prior, o Padre Vítor Manuel Cecílio Abrantes, bem como nos Padres Idalino Simões e Amílcar dos Santos Neves.
Investigando as remotas alusões documentais, que mencionem a localidade, elas datam de 22 de Fevereiro de 1149, através da relação dos bens que couberam, em sorte, ao Bispo Dom João Anaia, pela divisão da herança paterna, com o irmão, Martinho Anaia (Livro Preto, doc.4).
Então designada Senabal, a grafia mostra variantes, um tanto complexas, nos diplomas dos séculos XII e XIII, como sejam: Sinapalis e Sinapale; e Sinepalo, na relação das igrejas do Reino, de 1321, ao tempo já dedicada a São Pedro e taxada em 250 libras.
Desde que ficara na posse da Mitra e do Cabido, foi sendo enriquecida com significativas doações, algumas ainda conhecidas, enquanto outras resultaram de melhoramentos efectuados na igreja matriz, por mercê de famílias titulares, moradoras no povoado e responsáveis pelos diversos arranjos estéticos, que complementam a valorização arquitectónica do edifício, mandado erguer pelos Capitulares de Coimbra.
No âmbito da escultura, sobressaem imagens dos séculos XIV a XVIII, com o predomínio das obras em calcário, provindas das oficinas sediadas na cidade do Mondego e, maioritariamente, representadas pela produção renascentista.
Também as dotações em prata trabalhada, da centúria de Seiscentos, realçam um tempo de largo enriquecimento e ostentação do culto, quando as confrarias assumiam preponderância na celebração dos mistérios da fé e da salvação, e, publicamente, prestigiavam a honra da instituição fraterna, mediante o desvelo deposto na generalizada prática das obras de misericórdia.
Com o século XVIII, novas acentuações chegaram, como testemunham as lâmpadas de latão, as banquetas de castiçais, de estanho, e a urna eucarística, recentemente alienadas, na totalidade, mas, de cuja memória subsistem as provas, devidas ao trabalho há poucos anos efectuado.
Um outro fundo, bastante interessante e raro, nestes meios, é o vasto acervo de livro antigo, constituído por diferentes títulos de teologia moral, parenética, história da Igreja, latinidade, dogmática, hagiografia, ciências matemáticas e comentários bíblicos, a deixarem perceber a vastidão dos horizontes culturais de quem manteve preocupações assim evidenciadas, em numerosas publicações do século XVII e XVIII, frequentemente assinadas, através dos pertences, manuscritos e indicativos do delicado esmero gráfico, com que foram autografadas e deixadas à posteridade.

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