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14 de novembro de 2008

“Saber envelhecer é uma arte”



Adriano Santo



Este pensamento tem sido apresentado em vários encontros e actividades de formação das instituições de apoio aos idosos como sua ideia – força.
Sim: "Saber envelhecer é uma verdadeira arte" para que o caminho, rumo ao final da vida, se torne mais humano e mais feliz e jamais um pesadelo triste.
Para isso há que lutar, não se deixando cair no desalento ou no pessimismo doentio, devendo enfrentar-se com coragem e fé, enfrentando as sequelas da idade e as circunstâncias que limitam a vida de cada dia. Há que, afinal, cultivar a todo o custo os meios que levem a uma autêntica alegria de viver.
A propósito a revista "Notícias Magazine" do "Diário de Notícias" publicou recentemente um curioso artigo sobre este tema. Dele permiti-nos transcrever os seus subtítulos que ajudam a um belo programa de saúde para os idosos. Eis: "Goste mais de si", "tenha hábitos saudáveis", "vá a pé", "tome dez copos de água por dia", "não fume", "aprenda a respirar", "domine a ansiedade", "procure conviver", "cultive e viva a sua fé", "cuide da sua saúde", "enfrente a vida com optimismo".
Martin Descalzo, um extraordinário comunicador da T.V. espanhola, falecido há pouco, escreveu no seu belo livro "Razões para Viver" que "a solidão é um dos maiores motivos de sofrimento dos idosos", exclamando: "que solidão mais profunda existe do que a das pessoas que já perderam as suas esperanças, as suas ilusões, a sua liberdade, e acabam até por esquecer o rosto dos seus filhos e netos, que aparecem uma ou duas vezes por ano, talvez no dia do seu aniversário e véspera de Natal?"
É aqui que está um dos maiores problemas do idoso. Por isso é importante saber rodear-se de meios que vençam tal solidão e um certo sentido de optimismo, animado pela fé com os meios possíveis para alimentar uma necessária auto-estima.
A propósito não resisto citar um testemunho rico escrito por um tal "J.F.", que diz assim: "Quando eu envelhecer, não quero ser um desses velhos rabugentos, sempre prontos a resmungar, insuportáveis.
Quero continuar a sorrir e a rir-me, mesmo que mostre dentes artificiais. Desejo manter o sentido do humor e saberei servir-me das minhas limitações para gracejar. Já que pouco poderei dar aos outros, oferecer-lhes-ei um pouco de alegria.
Quero também continuar a amar, pois para isso tenho no meu peito um coração de carne. Não me fecharei numa concha nem dentro de quatro paredes. Terei um coração aberto a todos os que me rodeiam e uma mão sempre disponível para apertar outras mãos...quero ser uma pessoa que recorda o passado com suas alegrias e tristezas, sabendo apreciar o momento presente e compreender as crianças e os jovens. Não me quero esquecer da minha juventude e alegrar-me-ei. Desejo que a minha última estação seja bela. Seja ela uma preparação para a minha eterna Primavera na festa de Deus".
Belos propósitos, sem dúvida, apresenta este testemunho.
Cultivar esta "Arte do envelhecer" há-de conseguir-se quando cada um der maior atenção e disciplina a si próprio, com o seu querer e a vivência de um ideal superior.
Tudo o que este caminho envolve realizar-se-á quando encarado como um dever. Dever – sim! Pois há que preservar a vida e a sua qualidade, como dons preciosos que estão para além de tudo.

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