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28 de janeiro de 2009

"Quem dizem os homens que Eu sou?"


João Caetano*
A pergunta que dá título a este artigo encontra-se em Mc 8, 27, e é bem conhecida de todos nós. A caminho de Cesareia de Filipe, Jesus pergunta aos discípulos quem dizem os homens que Ele é. Mas como as respostas dadas pela generalidade das pessoas, reproduzidas, a várias vozes, pelos discípulos, não fossem verdadeiras, Jesus pergunta, de seguida, aos próprios discípulos: "E vós, quem dizeis que Eu sou?" (Mc 8, 29). É bem conhecida a resposta espontânea e convicta de Pedro, que em si assume a responsabilidade de responder pela comunidade nascente: "Tu és o Cristo" (Mc 8, 29).
Pouco depois estava Jesus a falar-lhes "abertamente" de muitas coisas. O advérbio "abertamente" está no Evangelho, onde também se diz que Jesus ensinava muitas coisas aos discípulos, embora estes não O entendessem, a ponto de Pedro O ter repreendido. Jesus não se amedrontou. Depois de olhar para os discípulos, Ele próprio repreendeu Pedro, em termos que podemos considerar duros: "Afasta-te de mim, Satanás, porque os teus sentimentos não são os de Deus, mas os dos homens" (Mc 8, 33). E Jesus não se fez rogado. Diz o Evangelho que, "convocando a multidão com os seus discípulos, disse-lhes: Se alguém Me quer seguir, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-Me. Porque o que quiser salvar a sua vida, perdê-la-á; mas o que perder a sua vida por amor a Mim e do Evangelho, salvá-la-á. Pois que aproveitará ao homem ganhar o mundo inteiro, se vier a perder a sua vida? Ou que dará o homem em troca da sua vida? Porque, se nesta geração adúltera e pecadora alguém se envergonhar de Mim e das Minhas palavras, também o Filho do Homem se envergonhará dele, quando vier na glória de Seu Pai com os Seus santos anjos" (Mc 8, 34-38).
Como o mundo seria diferente se nós, os cristãos, fossemos sinceros, verdadeiros e arrojados nas nossas vidas, tomando como referência o Evangelho. Jesus fala-nos a nós e aos outros, o que só aumenta a nossa responsabilidade. Onde está a nossa palavra certa e acutilante, tantas vezes necessária? Estas são qualidades dos bons discursos, que eu vejo em muito boa gente que não é cristã, quando não abertamente anti-cristã, mas que não vejo muito frequentemente nos cristãos, nomeadamente na universidade e na política.
Dizia-me há dias um jovem cientista, por sinal, um dos mais brilhantes que conheci na minha vida, e que, além do mais, tem uma vastíssima formação filosófica, teológica e literária, que se habitou a ver a ver as igrejas nos Estados Unidos, onde trabalhou, cheias de jovens. E perguntou-me: "Sabes por que razão as igrejas em Portugal têm tão poucos jovens, nomeadamente universitários?" Como eu estivesse a ensaiar uma resposta, ele disse-me: "Porque os padres estão mal preparados teologicamente". Discurso duro. E acrescentou: "Os padres e os leigos não sabem discutir as posições da Igreja e até parece que Deus é incompatível com a ciência. Mas não é". E falámos, num registo filosófico, do círculo que une ciência e transcendência.
Este jovem cientista vai agora iniciar a sua colaboração com o CADC. E já na próxima semana teremos um novo rosto do CADC a escrever nesta coluna. Outros estão já comprometidos. Vejo neste facto uma expressão da amizade cívica, que almeja a fraternidade cristã com todos os homens, de que falava Maritain, que nos conduz de Cristo para o mundo, bem preparados e sem medo.
*(Presidente da Direcção do CADC
relvaocaetano@gmail.com)

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