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20 de janeiro de 2009

"As boas práticas do paizinho"


Por Luís Carlos Coelho Martins

A figura do P. Nogueira Gonçalves já foi largamente retratada e, diga-se em abono da verdade, que quem a retratou não só conhecia muito bem este homem, mas também sabia e sabe manejar de forma cuidada os instrumentos da escrita.
Resta-me portanto lançar aqui um pequeno contributo, uma leve pincelada, numa descrição tão bem feita. Oxalá não estrague a pintura!
Nos tempos em que vivemos fala-se muito de "boas práticas", embora não se especifiquem quais são e de que modo se concretizam. Muito menos se diz quem é o seu produtor, o seu depositário, o distribuidor autorizado, quem as certifica e onde se podem adquirir.
Uma das áreas mais sensíveis sempre foi e será a que diz respeito à avaliação. Muitas são as teorias e ainda mais os teóricos. Estes lá vão governando a sua vidinha, ainda que possam estragar as dos outros.
Ora o nosso P. Nogueira Gonçalves, de saudosa memória, sem alaridos e por mérito próprio, atingiu o lugar de Professor na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. Foi no entanto no Seminário de Coimbra que, ao longo de dezenas de anos, foi transmitindo o seu saber a sucessivas gerações de jovens. As suas aulas de Literatura Portuguesa e de História de Arte não se apagam da mente e do coração de todos os que tiveram a felicidade de o ter como mestre.
Ao terminar o primeiro período lectivo, antes das férias do Natal, era habitual reunirem-se os professores para procederem à avaliação dos alunos. Ora reza a história que o nosso P. Nogueira Gonçalves, ao ditar as"notas", apenas se lhe ouviu repetir no mesmo tom monocórdico "doze","doze","doze"…. E daqui não saiu. Correu os alunos todos a "doze", assim, sem mais nem menos! E ninguém se atreveu a levantar a voz, nem a propor a alteração da nota, nem a exigir a votação de qualquer classificação alternativa e, por isso, os alunos foram todos taxados com a mesma tabela.
Já no exterior da sala de reuniões, um professor, um tanto a medo, abeirou-se do P. Nogueira Gonçalves e interpelou-o:
- Ó Sr. Padre, não haveria algum aluno que merecesse uma classificação superior a doze ou, eventualmente, um outro que não tivesse atingido este nível?
O "Paizinho" olhou-o de soslaio e prontamente retorquiu:
- Ó filho, ele haver há, mas vá-se lá saber quem é… nesta altura do ano.

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