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29 de outubro de 2008

À descoberta da Sé Velha, um tesouro do nosso Património

João Evangelista R. Jorge


Encaixada no velho casario da Alta de Coimbra, com péssimos acessos e sem sinais de trânsito a indicar caminhos, a Sé Velha, “qual esposa adornada para o seu esposo”, vai cumprindo o destino de revelar aos homens que Deus mora aqui. Catedral de Coimbra desde 1180 nesta configuração de muralha medieval, cheia de símbolos religiosos que muito a valorizam, despida de ornatos convida à concentração do espírito, ao silêncio. A cidade de Coimbra e as instituições culturais e assistências que a animaram ao longo de 8 séculos tiveram aqui o seu início. Ela é de facto a Alma Mater de Coimbra.
E foi assim, que acumulou um capital de riqueza histórica incomparável até 1772, ano em que o regime ditatorial do Marquês de Pombal decretou a sua ruína.
A sua sobrevivência deve-se ao facto de ser uma igreja.
O povo de Coimbra e a sua Academia nunca deixaram de lhe chamar Sé. E a anomalia que resultou da abusiva interferência da autoridade política concretizou-se na existência de duas igrejas com o título de Sé, uma das quais sem nenhum documento da autoridade da Igreja a reconhecê-la como tal. Os livros litúrgicos só reconhecem a igreja Santa Maria de Coimbra (Sé Velha) como igreja Catedral e no discurso da Saudação do Bispo de Coimbra ao Papa João Paulo II, aquando da sua visita a Coimbra, é referida a Sé Velha como a igreja símbolo da unidade de todas as igrejas da Diocese.
A dignificação da Sé Velha não é uma questão de hegemonias fundamenta-se na teologia, na história e no direito canónico.
Em várias ocasiões o Senhor Bispo D. Albino Cleto reconheceu que a Sé Velha é a sua Sé histórica.
O poder político de Portugal pela via das suas mais altas autoridades apoia e honra as iniciativas que temos em mãos.
A Câmara Municipal marcou solenemente a sua homenagem à sé Velha, com a realização da reunião extraordinária da Assembleia Municipal, nos Claustros, no dia da cidade. A Universidade com as inúmeras colaborações dos seus Mestres e Professores em actividades culturais e com a presença do seu representante na festa litúrgica anual da Sagração da igreja.
Coimbra e as suas gentes, a sociedade civil, já começou a dar-se conta de que a Sé Velha é o tesouro patrimonial mais significativo e emblemático da cidade e que se conserva vivo e actuante.
Os próximos meses de Novembro e Dezembro estão particularmente recheados de celebrações festivas, por ser o mês de aniversário da Sagração da Igreja e do Natal e com especial referência aos 500 anos do Retábulo.
Sinal de Vida será, também, a aglomeração de gente nova que, todas as noites, converge para o Largo da Sé Velha para as suas farras nocturnas. Num ponto merecem louvor: o de demonstrar que os caminhos da Sé Velha são praticáveis e que a desculpa dos crentes para faltarem aos actos de culto por inconveniência de acesso não é verdadeira.
No entanto, o barulho em excesso toda a noite, sem respeito por quem precisa de dormir; a transformação das escadas de acesso à igreja em esplanada de comes e bebes, com as consequentes sujidades e que todos os dias obrigam a remover o lixo, vómitos e outras coisas indignas; a utilização de qualquer abrigo ou esquina para urinar, é feio, atenta contra a saúde pública e à higiene da cidade. Tais ocorrências não dignificam em nada a Sé Velha e merecem ser modificadas.

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