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29 de outubro de 2008

Capuchinhos deixaram Santa Justa

Mário Nunes



A Igreja de Santa Justa, no início da rua da Figueira da Foz e “plantada” a meio da colina que sobe para a rua de Aveiro, ficou sem os Freis, os designados Franciscanos Capuchinhos. A falta de vocações e a necessidade de dar apoio religioso e humano aos nossos irmãos de Timor foram as razões invocadas para a saída destes bons pastores da nossa cidade e da Diocese.
Nós, amigos de longa data destes homens de Paz e Bem, aureolados com a mística de S. Francisco e portadores de extraordinária cultura nas mais diferentes áreas do saber, recebemos, com mágoa e tristeza, a desagradável notícia da sua partida e lemos com emoção, a emotiva carta que Frei César nos enviou por mail. Frei, que a par dos Freis Américo e Banhos, mais partilharam connosco a sua sensibilidade cultural e a efectiva possibilidade para repartir o espaço sagrado em concertos de música e em visitas natalícias aos presépios da sua Igreja. Homens de Cultura acolheram alegres e conviviais os pedidos que, tantas vezes, lhe remetemos – autárquicos e anteriormente ao nosso cargo de Vereador.
Recordou-nos, nessa missiva de despedida, a coragem dos homens que abraçam a missão evangélica para servir os homens e louvar a Deus, como aceitou, resignado e respeitador, as orientações oriundas dos seus Superiores. “Nós, franciscanos, estamos sempre prontos a nova jornada. Onde precisam do nosso trabalho, no lugar do chamamento, para activar a nossa missão na Terra, é ali que se projecta a vontade do Senhor”. Paz e Bem, a sua divisa cumprida na pobreza que aceitam, afinal a sua grande riqueza envolvida na força da esperança que transportam, na alegria da vida que exteriorizam e no fervor da fé em Cristo que os acompanha. Sempre mensageiros da paz, dão o conforto e auxílio aos que necessitam da sua entrega total, desprendendo-se de tudo, ignorando os bens terrenos e declinando as palavras de agradecimento. Perseguem o exemplo de Francisco de Assis, estampando no rosto a grandeza da felicidade, porque é esse bem que levam aos tristes, desesperados, aos que não acreditam no amanhã, aos desprovidos de meios materiais e, quantas vezes, descrentes dos homens e até de Deus. Vão ao seu encontro, repartem o pão para alimentar o corpo e oferecem o pão do espírito, para suavizar os males físicos, psicológicos e espirituais que atormentam os infelizes, marginalizados, abandonados e pobres de carinho e amor.
A Igreja de Santa Justa, um património relevante na cidade, ficou sem padres franciscanos. Uma comunidade religiosa sempre aberta a receber, a dialogar e a apoiar os outros – espiritual e materialmente – partiu. Que futuro aguarda o templo? D. Albino está atento à situação para nós inesperada, que atingiu a população do Bairro de Santa Justa, os cristãos, católicos e os conimbricenses.
Acreditamos que o nosso Bispo saberá defender uma herança multissecular, um acervo de incontestado valor arquitectónico, de arte sacra e de respeitável pendor espiritual, um templo que ao longo de gerações acumulou história e valores inestimáveis, que as suas pedras e alfaias litúrgicas guardam, ciosamente, porque são pedaços da História de Coimbra e monumentos em honra de Deus. São vínculos sagrados que falam ao povo de Coimbra.
Os Franciscanos Capuchinhos deixam saudades. A carta de Frei Acácio é “enorme” na esperança e na paz. E, também, plena de gratidão à urbe do Mondego e às suas gentes. Os Capuchinhos, volvidos séculos, partem de Coimbra para continuar a missão dos seus antepassados: levam ao Mundo a fé de Cristo, a língua e a civilização portuguesas, erguendo, mais uma vez, o padrão da paz, do amor, da alegria e do Bem.

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