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4 de dezembro de 2008

Inventariação da Paróquia de Ega

Por José Eduardo R. Coutinho


A 24 do passado mês de Novembro, ficou terminada a inventariação da paróquia de Ega, que, sempre, contou com a dedicada e pronta presença do Reverendíssimo Senhor Prior, o Padre Amílcar dos Santos Neves, e, na qual, ficaram feitas 60 novas fichas, respeitantes às capelas e à matriz, bem como o registo fotográfico do que também já havia sido tratado, a fim de ser constituído num todo coeso.
Quando, em 1128, a rainha Dona Teresa doara todas as terras compreendidas entre Coimbra e Leiria, da zona ocidental e sob domínio muçulmano, à Ordem Militar dos freires-cavaleiros Templários, a eles coube a fastidiosa tarefa de reconquistar esse considerável território, promover o desbravamento das áreas de provável aptidão agrícola, repovoá-las com famílias cristãs e fundar, por isso, as primeiras igrejas, entre as quais a deste aglomerado populacional, por certo beneficiado pelos bons campos das imediações, extensos, de óptima qualidade, atravessados por cursos de água e de fácil vigilância.
Este gradual evoluir de condições favoráveis à efectiva ocupação local teve confirmação régia, outorgada por Dom Afonso Henriques e, perante o desenvolvimento verificado, motivou a habitual intervenção dos bispos, que exigiam os direitos eclesiásticos, pela cobiça dos rendimentos, ocasionando mais um conflito institucional, apenas solucionado mediante a composição feita, em 1206.
O Grão-Mestre Dom Frei Estêvão de Belmonte concedeu carta de foral, à vila, em 1 de Setembro de 1231, o que manifesta uma vivência complexificada e, principalmente, a imprescindibilidade das estipulações acordadas com os moradores e firmadas em documento público, de carácter jurídico e regulador das condições vigentes, como garantia de direitos e de obrigações a observar, pelas partes envolvidas.
Tendo sido extinta, em 1311, pelo Papa Clemente V, por deploráveis enredos políticos e funestas intrigas infundadas, disfarçadamente religiosas, El-Rei Dom Dinis funda, em 14 de Agosto de 1318, a Ordem de Cristo, num exemplaríssimo e habilíssimo processo de salvaguarda dos bens e dos honrados colaboradores da Reconquista, também defensores da soberania nacional, mantendo-lhes a total integridade, de pessoas, de prerrogativas e de haveres, todavia, com a nova designação, cujo procedimento foi assumido de parceria com o genro, Fernando de Castela, para evitarem, na Península, o desenlace ocorrido em França, o que os antecipara a qualquer acção, dita diplomática, de Roma.
Pelo teor constado na relação das igrejas, de 1321 – que a diz de Santa Maria, da Ordem de Cristo e da mesa do Grão-Mestre, da referida Ordem –, aparecem, ainda, duas outras importantes notícias: de ser taxada em 280 libras, um valor bastante alto, para o tempo, e o acréscimo de 1860, pela parte temporal da mesma.
Isso merecia justas contrapartidas, como atestam os autos de visitação, ali realizados, com início a 26 de Fevereiro de 1508, incluindo-a nas chamadas comendas velhas. Tinha, então, a comenda-mor entregue a Dom Frei Fernando de Sousa, Nossa Senhora da Graça, por invocação, e uma significativa quantidade de objectos litúrgicos, especialmente em prata, sendo, alguns, já antigos, e outros em latão, entre os quais uma caldeira de água benta, felizmente, ainda (?), existente.
Dessa época datam as obras da igreja, decorada com motivos manuelinos, efectuadas por Marcos Pires, e beneficiada com diferentes melhoramentos, no sector arquitectónico, escultórico, azulejar e pictórico que, além do patenteado, também comporta vários murais, recentemente identificados e de manifesto valimento, até pela raridade verificada, na região Centro.
Situado no morro sobranceiro, está o antigo Paço dos comendadores, naquela data encontrado muito degradado, pelo que os visitadores ordenaram grandes trabalhos de recuperação, realizados entre 1508-1510, e chegados à actualidade, cuja remodelação quinhentista o fez assemelhar ao Paço Régio, de Coimbra: um longo corpo sobradado, a norte, similarmente prosseguido a nascente e poente, com imenso pátio, parcialmente munido de alpendre, corrido, e fechado, a sul, por sólida parede, com amplo portal, de entrada.
No conjunto patrimonial, disperso pela paróquia, sobressaem as esculturas calcárias, dos séculos XV, XVI e XVII, as significativas do XVIII, estofadas, a cuja centúria pertencem objectos metálicos e poucas pratas, bem assim alguns livros antigos, incluindo missais de altar, publicações pedagógicas e de piedade, e a par de certas ocorrências comuns, manifestadas em modelos eruditos e populares, por vezes ligados a tradições arreigadas.

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