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19 de novembro de 2008

O número dois do sonho americano…


Jorge Cotovio

Sob o título "O sonho americano", mas no número dois, o meu caro amigo Miguel Cotrim denuncia da pouca participação dos católicos nas actividades da Igreja. Estaticamente falando, concordo. E o mais grave é notar-se pouca intervenção até daqueles que mais catolicamente se assumem. Se na sessão de discussão da proposta de Plano Diocesano de Pastoral para as comunidades da Região Pastoral Centro as vinte presenças corresponderem a outras tantas comunidades, ainda estariam representadas cerca de 30% das paróquias. Mas desconfiamos que o absentismo terá sido bem maior do que 70%. Mesmo reconhecendo que os números valem o que valem, não posso deixar de ficar triste por verificar a aparente indiferença das comunidades perante um convite do Bispo, ademais para discutir (não só ouvir!) uma proposta orientadora para a diocese. Será que cada comunidade não tem, pelo menos, uma pessoa para estar presente numa assembleia deste tipo? (Ai que me apetecia tanto fazer apelo a metade do diâmetro da circunferência para qualificar estes comportamentos…). Lamenta-te, caro Miguel, mas por favor não culpes a eficácia dos festivais de música religiosa ou das festas das famílias! Esses e essas ainda se vão fazendo, a muito custo, mas com muita entrega – e fé! Falta-nos, isso sim, outras iniciativas que os complementem, outras ousadias, outra forma de trabalhar "em comunidade", quiçá mais concertadamente, que ponham os jovens a cantar a vida e as famílias festejando o amor.
No passado sábado foi a minha vez de participar num encontro deste género. Recebi uma convocatória do Bispo e "senti-me chamado". Reorganizei, a muitíssimo custo, a minha vida e estive presente. Foram convidados, directamente, todos os responsáveis dos secretariados, dos movimentos, das obras e serviços diocesanos. Ao todo seríamos perto de vinte. Faltariam, p’lo menos, outros tantos. Dos doze secretariados estavam representados somente quatro, dois dos quais, precisamente, da juventude e da família… Ninguém das comunicações sociais (estranho, não é?), da catequese, etc. etc. Mas, quanto a mim, foi extremamente produtiva esta reunião. Houve diálogo, houve avaliação pró-activa, houve (muitas) sugestões, não só de alteração do texto-base como de iniciativas futuras. Houve lamentações mas muitas esperanças. E o nosso Bispo não se sentiu, de certeza, sozinho neste projecto. Queremos ajudá-lo, queremos, com ele, como nosso pastor, construir uma diocese mas dinâmica, mais interventiva, mais "sedutora". E depois da reunião, ainda houve tempo para três leigos e um jovem sacerdote cavaquearem durante mais de uma hora – sobre a "nossa" Igreja.
É claro que, lá dentro, caro Miguel, não me contive… Disse que não entendia que tantos responsáveis não acolhessem um convite do nosso Bispo – desta vez um convite com destinatário certo, com nome. Disse que não entendia não haver uma pessoa – bastava uma! – que pudesse representar o secretariado, movimento, obra ou serviço, caso o responsável tivesse qualquer impedimento. Desculpem, mas tenho de fazer esta leitura: falta-nos "obediência" e espírito de comunhão, até na "nata" (?) dos católicos; achamos que "isto" – ou seja, a definição das linhas orientadoras para os próximos anos – tem pouco interesse. Mas então apareçam e digam isso mesmo, avançando com alternativas para melhor sermos Igreja evangelizadora. E ouçam os outros, porque nem sempre as nossas verdades e convicções são as mais convenientes para uma caminhada em conjunto. Continuamos a julgar que o nosso secretariado, o nosso movimento, a nossa obra, a nossa "capela", não precisa dos outros. E que os outros não precisam dos nossos contributos. Como dizia um dos participantes, nem todos os cristãos mais responsáveis (desde bispos a leigos) semeiam boa semente. Alguns semeiam joio, creio eu por engano.
Se esta situação acontece perante uma convocatória do bispo diocesano, como nos poderemos admirar da pouca participação dos cristãos "menos esclarecidos" nas reuniões, retiros, jornadas, assembleias, festas e festivais convocados por secretariados, movimentos e obras?
Mas somos a Igreja da Esperança! Este Deus é fantástico, é "extra-ordinário" e o Seu Espírito não se cansa de nos "convocar". E não se zanga. E não desespera. Tem paciência. Tem confiança. E continua a dizer-nos que Ele é "Trindade", que Ele age em comunhão.
Será que ainda não entendemos "isto"?

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