Correio de Coimbra

Jornal informativo da Diocese de Coimbra. Assine e divulgue o nosso semanário. 239 718 167. fax: 239 701 798. correiodecoimbra@mail.telepac.pt

A minha fotografia
Nome:
Localização: Coimbra, Portugal

19 de novembro de 2008

Inventariação das paróquias de Anobra e Belide


José Eduardo R. Coutinho


No passado dia 12, deste mês, ficou completada a inventariação da igreja e das capelas da paróquia de Anobra, e, no dia seguinte, outro tanto ficara efectuado para com a paróquia de Belide: aquela, com 10 novas fichas; esta, com 9, porque já contavam algumas realizadas. Agora, o procedimento foi exaustivo, abarca um pleno levantamento fotográfico e teve o constante acompanhamento do senhor Prior, o Padre Vítor Manuel Cecílio Abrantes, bem como a visita do Padre Amílcar dos Santos Neves.Enquanto a primeira daquelas localidades aparece mencionada, expressamente, no testamento do Presbítero Sendamiro Moniz, em 19 de Abril de 1086, acerca de dois moinhos que deixava à Sé de Coimbra, in uilla anlobria, subtus castro Antoniol, territorio civitatis Condeixe (Livro Preto, doc.170) – e, desde então, reveste seguidas variantes de grafia toponímica (Aniobria e Anlubria), até aparecer fixada na relação das igrejas, de 1321, com a titularidade de Santo Ildefonso e taxada em 60 libras – a outra parece proceder do possível herdamento local, de algum possessor deste nome, de origem judaica, tal como consta no testamento do Alvazir Dom Sesnando, de 15 de Março de 1087, entre cujas testemunhas figura Domnus belide (Livro Preto, doc.19; cf, àquele propósito, o Livro Santo de Santa Cruz, doc.166).A vasta frequência deste muito difundido onomástico, grafado sob doze formas conhecidas, conjectura, nos primórdios da Nacionalidade, o acentuado desenvolvimento agrícola e demográfico, através do referido proprietário inicial, por certo implantado numa porção geográfica da melhor aptidão agro-pastoril, também catalisadora de mais um exemplo, da mesma configuração religiosa: o topónimo Casal do Missa explicita similar procedência hebraica.O património verificado, apesar da boa imaginária esculpida, em calcário, nos séculos XV, XVI e XVII, e em terracota e madeira, seiscentistas e setecentistas, tem diminuta representatividade nos metais, apenas subsistindo algumas peças em latão e bronze, porque os objectos em estanho tiveram o encaminhamento dos paramentos de Seiscentos, alienados na totalidade, em negócios infames.Incluindo painéis azulejares, do barroco pleno, coimbrão, a par de significativos missais, datados daquela última centúria, e da precedente, a globalidade dos materiais averiguados comprova os condicionalismos inerentes às pequenas comunidades rurais, tal como certifica o referido depauperamento, resultante da lamentável devastação a que estiveram sujeitadas.

0 Comentários:

Enviar um comentário

Subscrever Enviar comentários [Atom]

<< Página inicial