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29 de outubro de 2008

Igreja Segura: um projecto a pensar nas pessoas


Promovido pelo Instituto Superior de Polícia Judiciária e Ciências Criminais em parceria com diversas instituições estatais e da sociedade civil, o projecto Igreja Segura – Igreja Aberta tem chamado a atenção de todos os interessados para os problemas que afectam a segurança e a conservação de um nicho muito relevante do património cultural português: os templos afectos ao culto católico espalhados um pouco por todo o País. Como é mais ou menos conhecido, muitos desses templos – igrejas, capelas, santuários – apresentam um conjunto sério de debilidades, nem todas resultantes apenas de uma progressiva degradação ditada por uma longa vida multissecular. Factores como o envelhecimento das comunidades, sobretudo em espaços rurais, ou como o cada vez menor compromisso em causas sociais alargadas, tão marcantes nos amplos anonimatos das cidades, obrigaram ao encerramento, definitivo ou sazonal, de muitos desses templos, que também por essa via ficaram ainda mais vulneráveis, desde logo ao abandono e aos assaltos.
De quando em vez, as notícias, por regra alarmantes, de roubos e de actos de vandalismos trazem os problemas da segurança ao convívio das preocupações
quotidianas dos cidadãos, que não apenas dos políticos. O certo, no entanto, é que ainda estamos longe de ver garantida uma atitude de empenhamento colectivo que contrarie este difícil cenário. Com efeito, não se encontram asseguradas rotinas tão simples como a verificação do estado dos edifícios, ao menos uma vez por ano, a constatação do estado das entradas e respectivas portas e janelas, o controlo de chaves, a implementação de um registo cadastral/inventário dos bens culturais, o resguardo particular daqueles bens que, por dimensão ou qualquer outro factor, requeiram especial atenção.
Nesse sentido, um projecto como o Igreja Segura – Igreja Aberta valerá sempre mais pelo que ele significa ao nível do despertar de consciências do que propriamente pelos resultados materiais que possa alcançar, sempre magros face à tremenda realidade a enfrentar. Seja como for, as intenções que mobilizam os seus protagonistas devem e têm de ser partilhadas por todos, pois intervir na custódia do património cultural é muito mais do que exercer um direito de propriedade. É sobretudo promover uma ampla comunhão entre gerações, as passadas e as futuras, por quem tem a graça de viver este presente que nos foi dado. Vamos declinar tal responsabilidade?


João Soalheiro,
Director do Secretariado Nacional para os Bens Culturais da Igrej
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