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16 de setembro de 2008

GANDHI, PRECISA-SE!

Teresa Martins



Não é do homem que se precisa, mas sim da sua doutrina, porque a alarmante onda de violência, no país e no mundo, está a tomar conta das nossas conversas, mesmo das dos mais pacíficos, e o "já viu isto" está a tomar conta do nosso sossego e da nossa tão desejada e necessária tranquilidade… A essa onda de violência, como que por inexplicável atracção, vem juntar-se a onda de acidentes, quer no ar quer nas estradas, ou mesmo no mar e na Natureza… Uma violência que não respeita idades nem condições… Começa com o aborto e a sua liberalização (dizia-se na minha terra que "quem com ferros mata, com ferros morre"…), seguindo-se a violência doméstica e partindo daí para a violência generalizada, atingindo santos e pecadores… Ao falar em violência doméstica, que sempre houve e talvez, em termos estatísticos, seja até a que menos cresceu ou mais diminuiu, mas, ao falar dela, veio-me à ideia o antiquado conceito de acreditar que só com violência se podia educar e/ensinar, "pau numa mão e pão na outra", passando daqui ao livro numa mão e régua na outra e, sem sombra de dúvidas, "quem bate pensando corrigir, está a ensinar a bater"… E nem será despropositado passar daqui ao quem toma por tema permanente a violência, está a ensinar a ser violento… Está a encorajar!… Será que o direito a informar e ser informado não pode e deve ter, por razões morais e até pedagógicas, condicionamentos e limites? De vez em quando, quase em segredo, semi clandestinidade, vem uma das muitas (muitíssimas…) notícias boas, de não violência e franca solidariedade, mas, para lhes colhermos os frutos, temos de engolir tantos amargos venenos…
Foi neste contexto que senti necessidade de recorrer a uma leitura calmíssima que tem por título «A Sabedoria de Gandhi», uma compilação de mensagens e atitudes de Gandhi, considerado «um dos homens mais notáveis do século XX», organizadas por Sir Richard Attenborough, a partir das cartas, dos discursos e dos escritos deste célebre adepto da não violência, o homem de quem o grande Físico e Matemático, criador da teoria da relatividade, Albert Einstein, seu contemporâneo, diz que «as gerações vindouras mal poderão crer que um homem assim, em carne e osso, tenha alguma vez andado por este mundo». É este pequeno/grande homem quem nos garante ser a não violência uma poderosa arma destinada aos valentes… Porque só os valentes são capazes de amar sem limites, amar até os que são inimigos ou, simplesmente, não desejáveis… Curiosamente, Attenborough diz no posfácio que foi no Novo Testamento cristão, mais concretamente no Sermão da Montanha, que Gandhi encontrou as bases da sua doutrina. Por isso Gandhi nos afirma que «só podemos falar em não-violência quando amamos aqueles que nos odeiam, e que amar o odiado é o mais difícil de tudo, mas, pela graça de Deus, até o mais difícil se torna fácil!» Gandhi era um buscador de um Deus universal!… Nas suas orações diárias incluía o hino cristão, Guia-me, Doce Luz…

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