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6 de abril de 2009

A Igreja não abriu a boca


Nuno Santos

A frase é de Vasco Pulido Valente (Público, 22 de Março, a propósito do ‘contentor’ onde os funcionava uma turma de ciganos). Diz o texto que «Nem o primeiro-ministro, nem a Assembleia, nem o Presidente acharam oportuno comentar o caso. Também em nenhum partido, parlamentar ou não, se ouviu um protesto ou um simples sinal de preocupação. E a Igreja não abriu a boca. Vivemos num país simpático».
Falo hoje da Igreja Portuguesa. Continua em silêncio, sem denunciar casos (infelizmente são muito abundantes), sem alertar para o que está acontecer, sem apelar para a liberdade de opinião… parece que toda a gente tem medo de falar… e agora até a própria Igreja. Bispos não se ouvem e quando dizem alguma coisa é com tanto cuidado que nem chegamos a perceber bem de que lado estão…
O único lado possível para estar é o do Evangelho, é o de Jesus, é, por isso, preferencialmente o lado dos que são mais frágeis, dos que não têm voz, dos mais «pequenos». O único lado é o da denúncia do ‘clientelismo’, das ‘indemnizações chorudas’, dos prémios e gratificações que nunca mais acabam… Denúncia de reorganizações de serviços onde todas as pessoas ficam a perder… menos os gestores. Veja-se o que está a acontecer (de forma gritante) na saúde.
E isto não é uma questão de partidos… é muito mais grave. É uma mentalidade terceiro mundista… onde uns tantos se servem do poder e de alguns lugares para ‘pedir esforços’ a todos os outros… Mas eles… E todos continuam de ‘bem com todos’. E ninguém diz nada… parece que todos devem favores uns aos outros.Encontramos na política (desde as direitas às esquerdas… que cada vez menos sabemos o sentido e o conteúdo destas definições), dos gerentes de grandes empresas públicas ou com financiamento público… E assim, nos cargos públicos entram apenas (e cada vez mais) os amigos. São as ‘cunhas’, os ‘favores’, os de ‘avental’ e as ‘amizades’… que nos governam, nos gerem… Só há uma coisa que nunca nos tiram… os impostos.
E a Igreja continua sem abrir a boca. Os Bispos, numa Conferência Episcopal que pressinto cada vez mais centralista e a «uma só voz», não dizem nada. Sempre com medo… Mas com medo de quê? E de quem? Onde estão os nossos Bispos? Em que país estão a viver… Será que não lêem as notícias, será que não vêem os telejornais, será que não escutam as pessoas sérias que se confrontam diariamente com estas ‘coisas’?Não acredito. Eles sabem… mas não dizem. Eles ouvem… mas não comentam. Não querem fragilizar as relações! Quais?! Desde quando é que a Igreja se pode demitir de emitir a sua opinião ou deixar de defender a verdade e a justiça social. Por quê tanto «politicamente correcto»?! Talvez aqui o Papa, em África, tenha tido mais coragem e tenha dado um excelente exemplo (à Igreja Portuguesa) ao dizer: «perante a dor e a violência, a pobreza ou a fome, a corrupção ou o abuso de poder, os cristãos não podem permanecer em silêncio».
Não sou daqueles que defendo a crítica gratuita ou simplesmente para ‘ficar bem na fotografia’… Mas daí ao constante e permanente silêncio! E não nos queixemos que não nos ouvem ou que a nossa opinião não importa. Muitas pessoas sérias e honestas estão à espera dessa voz (mesmo sem serem cristãos). Por exemplo, onde está a RR (Rádio Renascença), a Ecclesia e muitos outros meios de comunicação (dentro e fora)?! Jesus morreu novo e numa cruz… não foi por acaso. Foi porque se colocou (sempre e só) do lado da Justiça e da Verdade… mesmo que isso significasse a denúncia e com isso corresse o risco de ‘não chegar à idade de reforma’.

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