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23 de dezembro de 2008

Tradição Natalícia



O Natal simboliza o momento principal, anual, de um ciclo religioso e profano, que se inicia no Advento, assume maior densidade espiritual e humana no dia 25 de Dezembro, e prolonga-se até ao dia de Reis ou Epifania do Senhor, 6 de Janeiro.
Um período relevante na vida do Homem, de âmbito mundial, repleto das mais diferentes manifestações de alegria elevadas para o Deus-Menino, para o espírito, e, também um tempo de intensa vivência popular caracterizada pelo louvor ao Salvador do Mundo (acabado de nascer) e de agradecimento e saudação ao próprio Homem, corporizado num leque de actividades recreativas, sociais e culturais, onde o presépio, as loas e os cantares assumem um lugar de relevo, de contentamento e de confraternização.
O Natal, pode afirmar-se, consagra o sobrenatural, sustentado e dirigido ao Homem, que se apresenta como o cerne e o objectivo da mensagem espiritual e da realização da solenidade.
O Natal é, assim, a comunhão do Divino com o terreno, apoiando-se na fé dos homens e na essência de um acontecimento que o Mundo acarinha, espera, consagrou e festeja, habitualmente, em todos os lugares e civilizações da Terra. Em Portugal, e para justificar o motivo que pretende materializar a quadra natalícia, encontram-se as mais diversas manifestações de cariz popular, recuperadas e postas em prática pelos Grupos de Folclore e Etnografia, que testemunham o pendor e a grandeza da herança recebida dos nossos antepassados. O concelho de Coimbra abraça, felizmente, esse património, graças aos seus responsáveis e agrupamentos de cultura popular, vinculando o verdadeiro louvor ao Menino Jesus e o reconhecimento às figuras e instituições merecedoras (no entendimento dos grupos) da saudação festiva na época natalícia.
As actividades mais visíveis e de maior agrado e envolvência da população, inscrevem-se nos cânticos religiosos e nos cantares populares. Há neles uma fusão do espiritual e do profano, em que se testemunha uma dualidade / unidade de princípios, de valores e de receptividade geral, vincada na exaltação, no humorístico, no satírico e no agradecimento, com votos de felicidade, de bem-estar, de gratidão, de louvor ao Menino e de penhor à pessoa.
A distribuição cronológica da festividade principia nos cânticos de alegria e de elevação espiritual ao Menino, entoados na noite de Natal e nos dias seguintes.
O Menino nasceu, em Belém, pobrezinho, mas portador da paz, do amor e da salvação para os homens. "Noite de Natal", "Cantar ao Menino", "Canto dos Pastores", "Roxozinho" e outros traduzem o feliz momento para a Humanidade.
No primeiro de Janeiro, cantam-se nos adros e de porta em porta, as "Janeiras", cantares populares, outrora preparados para os lavradores e pessoas ricas e de linhagem, tendo por motivo agradecer os benefícios recebidos ao longo do ano, desejar um Ano Novo repleto de alegria e saúde aos proprietários e familiares, e pedir, em recompensa, alguns bens alimentares para festejar o evento. São cantares imbuídos de contentamento, de gratidão e de votos de felicidade, augurando voltar no próximo ano.
Nos Reis, última fase do ciclo natalício, cultivam-se os mesmos sentimentos, empresta-se o entusiasmo e a saudação, algumas vezes personalizados, ao Senhor da Casa e pessoas queridas, exemplo dos "Santos Reis" e do "Cântico dos Reis".
Na ausência do esperado agradecimento, isto é, não correspondido, materialmente, cantam-se quadras, previamente, escolhidas, em que o humor, a sátira e até o brejeiro dirigidos aos donos, acompanham as despedidas e formalizam o desagrado do grupo aos distinguidos com a saudação.
Desejamos Boas-Festas e Bom Ano Novo.


Mário Nunes

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