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29 de outubro de 2008

Liberdade de escolha


Jorge Cotovio

Normalmente, quando se fala de "liberdade de escolha" queremos referir-nos ao direito que assiste aos pais de escolher a escola – estatal ou não estatal – para os seus filhos, tendo em conta as suas preferências, as suas convicções religiosas, o seu estilo de educação. Infelizmente, é uma causa ainda muito longe de estar ganha, tendo em conta os inúmeros entraves que o Estado continua a impor às famílias, obrigando-as a matricular os filhos em escolas pré-determinadas, ou forçando-as a pagar propinas no caso de escolherem uma escola privada. Mesmo sabendo que há (poucas) excepções a esta regra, é assim que acontece. Ora tem sido a Igreja, desde há muito, a instituição que mais tem lutado – e bem! - pela efectivação deste direito dos pais, pois são eles os primeiros educadores dos seus filhos.
Deixemos agora o mundo da escola e entremos dentro da Igreja. Como encaramos nós esta "liberdade de escolha" noutras situações? Por exemplo, no casamento. Será que é fácil casar numa paróquia (isto é, numa capela ou numa igreja) diferente da pertencente à área de residência dos noivos? Ou os aspectos burocráticos, aliados à pouca abertura de alguns párocos a estas "disfunções" deixam uma amarga imagem de Igreja na mente dos jovens casais? O mesmo se diga dos baptizados, da catequese, dos funerais, da missa dominical, etc.
É claro que, idealmente, todas estas caminhadas e celebrações tão nobres e sublimes devem ser vividas em comunidade, porque é esta a forma de ser Igreja. Mas a comunidade que faz tudo isto (se fizer…) terá de ser, obrigatoriamente, a comunidade onde (por acaso) se reside?
Hoje, na era da mobilidade geográfica, da fácil circulação, terá cabimento exigirmos às pessoas irem à missa da paróquia da residência e integrarem-se nas suas actividades pastorais? Se, acaso, as pessoas se sentirem melhor noutra comunidade – porque mais viva, dinâmica, acolhedora – por quê impedi-las ou dificultar-lhes a opção?
Tomáramos nós que haja gente a procurar-nos, pois não temos tempo (?) de ir à procura da ovelha perdida. (Isto é, estamos pré+ocupados com tanta coisa, que nos falta disponibilidade, paciência, ousadia, criatividade para o essencial, para a "evangelização"). E quantas não são as vezes que até estes que ainda nos vão procurando são tão mal acolhidos, tão mal "seduzidos" pela nossa forma de estar, de olhar, de falar, de dar testemunho de Jesus Cristo libertador.
Mesmo aqueles que escolhem outra paróquia por razões, digamos, "privadas" e superficiais (igrejas bonitas ou com "prestígio", facilidade de estacionamento, missas com cânticos sonantes, homilias curtas e/ou com cristãos pertencentes a estratos sociais privilegiados, bons horários de catequese, etc., etc.), mesmo esses, dizia, devem ser respeitados na sua escolha e (muito) bem acolhidos. Naturalmente, incumbir-nos-á de, com oportunidade e paciência, os irmos esclarecendo das razões mais profundas destes actos, mas compreendendo sempre as suas decisões.
Perante os novos contextos societários, cabe-nos flexibilizar estruturas, desburocratizar processos, agilizar modos de actuação, para irmos ao encontro (e não de encontro) das ovelhas do redil, e das outras.
Talvez também precisemos de flexibilizar os nossos músculos faciais, às vezes tão rígidos, tão tensos, que até assustam. Tentemos relaxá-los, e sorrir, e acolher, com a alegria do Espírito Santo, mesmo no meio das tribulações, como há poucos dias nos dizia S. Paulo.
Nós até sabemos todas estas coisas – tão simples e tão evidentes, que nos passam tantas vezes despercebidas…
Temo-las na cabeça, é certo. Mas como são difíceis de descer escassos 20, 30 ou 40 cm até ao coração, até à vida!

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