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1 de outubro de 2008

D. Albino Cleto preocupado com o futuro da Casa do Gaiato de Miranda



D. Albino Cleto tem acompanhado o problema da Casa do Gaiato de Miranda do Corvo. Um dos receios do Bispo de Coimbra é que a instituição possa vir a encerrar por falta de padres ligados à Obra, aliás como sucedeu em Lisboa. Em curta entrevista ao "Correio", D. Albino explica que a Obra da Rua é juridicamente autónoma, não dependendo da diocese. O prelado aproveitou ainda para agradecer o apoio da população de Miranda em relação àquela instituição.

Correios de Coimbra (CC) – Nas últimas semanas têm surgido na imprensa local declarações relativas à Casa do Gaiato de Miranda do Corvo, algumas questionando o que se passa e outras em defesa da instituição. Que pensa de tudo isto o Bispo da Diocese?
D. Albino Cleto (AC) – Penso que, como Pastor, não posso deixar morrer esta instituição, que nasceu da paixão de um Padre de Coimbra pelos pobres e crianças desamparadas. Não posso abandonar quem trabalha pela causa, lá dentro ou cá fora, e não me limito ao blá blá de palavras e comentários.
A verdade, porém, é que o Bispo não deve nem pode intrometer-se numa instituição que não depende dele, porque a Obra da Rua é juridicamente autónoma, inclusivamente no foro canónico.

CCMas, então, os Bispos não superintendem sobre os Padres da Obra da Rua?
AC
– Quando o Bispo de um Diocese disponibiliza um Padre para a Obra da Rua deixa de poder colocá-lo ou mudá-lo. Isso passa a ser tarefa da Direcção da Obra. Esta é constituída por um Director, que se torna Padre responsável pela casa sede, a casa de Paço de Sousa, e pelo seu Conselho, composto pelo conjunto de todos os Padres que se entregam à Obra da Rua e ao Património dos Pobres.

CC – Tem aumentado esse grupo de Padres?
AC – Não. São poucos e, a maioria, já idosos. Devo dizer que os admiro e estimo. Mas não tenho o direito de condicionar outros sacerdotes da nossa Diocese a um regime de vida heróico. Um Padre do Gaiato não sabe o que são umas férias nem o que é um dia de folga. Isto ao longo de anos a fio! A carteira de cada um é a carteira da casa onde vive, que não tem outra…

CC – Então os Padres de hoje são menos generosos que os anteriores, mudou a capacidade dos nossos padres…
AC –
Não. O que mudou acentuadamente foi o tipo de rapazes que a Obra da Rua recebe. Já não são os "batatinhas" do tempo do Padre Américo, vindos de famílias humildes e muito aflitas…Hoje são adolescentes já crescidos e abandonados, conhecedores da rua, vindos de famílias destroçadas, adolescentes para quem o Tribunal de Menores ou a Assistente Social não encontrou adopção.

CC – O Bispo de Coimbra afirmou que, por este caminho, a Casa de Miranda pode vir a encerrar…
AC –
Esse é o meu grande receio: que lhe suceda como à de Lisboa. Para evitar que tal aconteça, tenha acompanhado o Padre responsável da casa, a quem vou animando e propondo caminhos que me são sugeridos por pessoas que estimam a instituição. Felizmente são muitas. E vou-me apercebendo de que vai neste sentimento predominante da população de Miranda do Corvo. Ainda bem!

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